quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Merval Pereira - Mais do mesmo?

O Globo

Bolsonaro mostrou-se incontrolável e pensa que pode repetir 2018. Mas o mundo e o Brasil mudaram

O presidente Bolsonaro achou que repetindo o que deu certo em 2018 estaria reeleito em 2022, esquecendo que, entre as duas eleições, ele governou o país revelando o que realmente sempre foi: uma pessoa irresponsável, sem empatia, misógina, incompetente, que não teve sucesso em suas promessas liberais na economia ou no combate à corrupção porque não eram verdadeiras.

Assim como a adesão de Henrique Meirelles impactou setores que temem a volta do ex-presidente Lula, a permanência de Paulo Guedes à frente da economia ainda é uma âncora para a tentativa de reeleição de Bolsonaro. Mesmo que, durante seu mandato, a atuação do Posto Ipiranga tenha ficado abaixo das expectativas. Bolsonaro enganou a todos.

Uns porque achavam que as barbaridades que disse na campanha seriam contidas quando eleito. Falou-se até que os militares em postos-chave no Palácio do Planalto o conteriam em seus arroubos. Mas, como uma vez me disse o general Villas Bôas, Bolsonaro mostrou-se “incontrolável”, e os militares é que foram ou expelidos, ou domesticados por ele.

Outros estavam certos de que, como ele fazia questão de ressaltar, não entendia nada de economia e deixaria Paulo Guedes livre para comandá-la. Nada disso aconteceu. Guedes teve de engolir muitos sapos, aceitar diversas interferências de Bolsonaro, como a isenção dos militares da reforma da Previdência ou os buracos no teto de gastos com fins eleitorais. Diante de todos os reveses que sofreu, a resiliência de Paulo Guedes na defesa da reeleição de Bolsonaro ainda dá ânimo a parte dos apoiadores originais, na esperança de que seja possível fazer num segundo mandato o que não foi feito no primeiro.

Malu Gaspar - A primeira grande batalha de Lula

O Globo

Futuro do orçamento secreto definirá não apenas os primeiros meses de um possível governo do PT, mas a relação do Executivo com o Legislativo nos próximos anos

Ainda faltam alguns dias para a eleição, mas as placas tectônicas de Brasília já se movem na direção do que seus operadores consideram será o novo eixo do poder: a órbita de Luiz Inácio Lula da Silva. Na capital federal, quem entende do riscado já se comporta como se o cafezinho de Jair Bolsonaro estivesse frio.

Para algumas figuras nada bobas do Centrão, do Judiciário e da elite da burocracia estatal, passada a eleição, teremos um presidente diferente. Se depois a aposta não se confirmar, sempre será possível fingir que nada aconteceu enquanto Bolsonaro lutava pela sobrevivência política.

Não é por outra razão que velhos amigos do petismo no Centrão, como os deputados Mário Negromonte (PP-BA), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) ou Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), voltaram a frequentar gabinetes e restaurantes com emissários de Lula e aos poucos retomam o prestígio dentro de seus partidos.

A questão é que, se não há grandes dúvidas no Planalto sobre os resultados da eleição, há, sim, muita incerteza sobre o dia seguinte, por uma única e bilionária razão: o orçamento secreto. O destino dessa verba definirá não só o rumo dos primeiros meses de um eventual governo Lula, mas toda a relação do Executivo com o Legislativo nos próximos anos.

Míriam Leitão - O sentimento do eleitorado

O Globo

O eleitor julga o candidato à reeleição pelo todo do seu governo, e não por um só momento, seja ruim ou bom. Esse é o maior problema para Bolsonaro

O sentimento do eleitorado está piorando em relação a Bolsonaro. Isso num momento em que os indicadores de inflação, crescimento e emprego melhoram neste trimestre que antecede à eleição. A explicação desse enigma é a de que o eleitor julga o candidato à reeleição pelo todo, e não por um momento, seja ruim ou bom. O reverso dessa situação, que confirma o fenômeno, aconteceu com Fernando Henrique, em 1998. Os meses anteriores à reeleição foram de crise cambial e recessão, mas FHC havia consolidado o Plano Real. O eleitor julgou seu governo como um todo e deu a ele uma segunda chance. Ele venceu no primeiro turno.

Está ocorrendo neste trimestre de julho a agosto uma forte deflação. Ela é resultado, em parte, de manipulação de preços de combustíveis e de energia. Não havia, contudo, afetado os alimentos. Agora, começam a cair os preços também de alimentos e isso será visível no IPCA-15 a ser divulgado na semana que vem. A atividade subiu, puxada por serviços — setor que está mais próximo às pessoas —e o desemprego caiu. Deveria estar melhorando a percepção do governo, pela ligação conhecida entre economia e política. E por que não está?

Luiz Carlos Azedo - Pesquisas refletem disputas na campanha de Bolsonaro

Correio Braziliense

Possibilidade de vitória de Lula no primeiro turno aumenta a tensão na campanha do presidente, onde o marketing político e a gestão da economia batem de frente e o candidato gera fatos negativos

A 11 dias da eleição, a campanha à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) vive o momento de maior tensão até agora, em razão da estagnação — e até mesmo de recuo — nas pesquisas de intenção de votos divulgadas nesta semana. Ontem, a da Genial/Quaest mostrava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente, com 44% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Bolsonaro (PL), com 34%. Depois aparecem Ciro Gomes (PDT), com 6%, e Simone Tebet (MDB), com 5%, e Soraya Thronicke (União Brasil), com 1%. Os demais candidatos não pontuaram. O primeiro turno das eleições está marcado para 2 de outubro.

Dez pontos de vantagem não são suficientes para Lula vencer o pleito no primeiro turno. Mas a campanha deflagrada pelo PT e seus aliados em favor do voto útil, com a mobilização de artistas, intelectuais e personalidades da sociedade civil, começa a tirar votos de Ciro e pode também atingir uma parcela de eleitores de Simone. Essa possibilidade aumenta a tensão na campanha de Bolsonaro, onde as disputas políticas estão ocorrendo em duas frentes — o marketing político e a gestão da economia.

Na área do marketing, há praticamente duas campanhas. Uma é comandada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), com apoio do ex-secretário especial de Comunicação Social (Secom), Fabio Wajngarten, e do ministro das Comunicações, Fábio Faria, que não esconde o desconforto com as pesquisas. No começo da semana, questionou os resultados da última pesquisa Ipec (Antigo Ibope), que indicavam Lula com 47% das intenções de voto, 16 pontos percentuais à frente de Bolsonaro, 31%.

Maria Cristina Fernandes - O que teme o eleitor

Valor Econômico

Ao suspender parte dos decretos que liberalizaram armas e munições, Supremo ajudou a tirar o eleitor do armário

Nas duas últimas grandes cartadas da campanha bolsonarista, o 7 de Setembro e o funeral da rainha Elizabeth, Silas Malafaia foi o único personagem, além da primeira-dama, a se fazer presente ao lado do presidente, em ambos os eventos. Esta onipresença explica a investida de Bolsonaro sobre o eleitor que, indetectável nas pesquisas, provoca as surpresas de uma campanha marcada pela ausência de adesivos e bandeiras nos carros, nas janelas e nos muros das casas.

Pastor de um ramo da Assembleia de Deus, maior denominação evangélica do país, Malafaia já foi cabo eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva, José Serra, Marina Silva e Aécio Neves. Aproximou-se de Bolsonaro em junho de 2013, na esteira das manifestações, quando o então deputado se engajou contra a lei anti-homofobia.

Malafaia esteve na linha de frente de sua campanha, em 2018, quando Bolsonaro teve 11,6 milhões de votos a mais que Fernando Haddad no eleitorado evangélico (69% x 31%) no segundo turno. Foi um montante superior à diferença total de votos (10,7 milhões) pró-Bolsonaro. Vem daí a centralidade do voto evangélico para a eleição do presidente.

Com o governo em mãos e a percepção de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, buscou se diversificar as razões do voto. Não bastou. Lula está à frente de Bolsonaro entre aqueles que recebem o Auxílio Brasil e o eleitor atribui as medidas do governo na economia à busca pela reeleição.

Maria Hermínia Tavares* - Bolsonaro, o candidato anormal

Folha de S. Paulo

Nada é normal na sua lida para permanecer no Palácio do Planalto

Da sacada da casa do embaixador brasileiro em Londres, o presidente Bolsonaro berrou, para o pequeno grupo de apoiadores aglomerado na rua, que qualquer resultado diferente de sua vitória no primeiro turno seria indício de que "algo anormal aconteceu dentro do TSE".

Mais tarde, em entrevista a um blogueiro simpatizante, repetiu o mote, antecipando o que deverá ser a sua reação em face da derrota que as pesquisas indicam. Se não há por que esperar anormalidades nem na votação nem na contagem eletrônica dos sufrágios, a campanha que as precede reduz a pó o padrão ao qual o país se habituou já lá se vão três décadas.

Bruno Boghossian - Bolsonaro o cabo eleitoral do voto útil

Folha de S. Paulo

Índices de rejeição ao presidente se tornam fator determinante de possível migração de eleitores para Lula

Os índices de rejeição a Jair Bolsonaro se tornaram o fator determinante daquilo que pode ser um movimento de voto útil em Lula no primeiro turno. A consolidação desses números acima do patamar de 50% elevou para o presidente o risco de o eleitor antecipar uma decisão de interromper seu governo.

Além de conquistar ou recuperar votos, Bolsonaro também precisa administrar essas taxas de rejeição para continuar no jogo. O presidente enfrenta um desafio nessa área porque o eleitorado tem mostrado uma resistência firme a seu nome e emitido sinais de sensibilidade a fatos negativos produzidos por ele.

Vinicius Torres Freire - Sinais de virada precoce para um governo Lula 3

Folha de S. Paulo

Antes mesmo da posse, um novo governo terá de fazer alianças e remendar o Orçamento

O voto útil, o risco de alguma violência, de gracinha dos generais fiscais de urna e um par de disputas estaduais são os assuntos deste fim de campanha. Uma debandada precoce para Lula da Silva (PT) começa a surgir na conversa, embora uma decisão já no 2 de outubro ainda esteja no universo do aleatório.

O assunto não é motivado exatamente por adesões tais como a de Henrique Meirelles ao lulismo e de outras figuras simbólicas. Meirelles foi eleito deputado federal pelo PSDB em 2002, presidente do Banco Central de Lula de 2003 a 2008, ministro da Fazenda da "Ponte para o Futuro" de Michel Temer, do MDB "com Supremo, com tudo", de 2016 a 2018, e secretário da Fazenda do tucanato em estado terminal de João Doria, 2019 a 2022.

Meirelles ora está no União Brasil, união instável entre o DEM, o velho PFL, e parte do partido que Jair Bolsonaro alugou em 2018, o PSL. O outro bando de bolsonaristas originais, por assim dizer, foi parar no PL. A enumeração quase caótica dessas siglas não é por acaso.

O assunto da debandada aparece porque, na surdina ou abertamente, há novas adesões a Lula. Há gente do próprio PL, há gente do PSDB que não vê futuro nas ruínas do partido e outros adesistas no União Brasil. Parte do MDB que não aderiu a Lula na primeira leva já "manda sinais". O racha vai ser meio feio, mas parte do PSD de Gilberto Kassab vai aderir a um Lula 3.

Cristiano Romero - “Frente ampla” antevê um Lula mais liberal

Valor Econômico

Apoios de Meirelles e Reali Jr. fortalecem governo de coalizão

Nos últimos dias, interessados em assegurar a derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL) já no primeiro turno da eleição, políticos identificados historicamente com a centro-direita decidiram declarar apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). À esquerda de Lula, o candidato Ciro Gomes, por sua vez, está sendo "cristianizado" por correligionários de seu próprio partido, o PDT.

Aos que se surpreendem com a adesão de seções regionais do PSDB à candidatura do petista, não custa lembrar que, quando Geraldo Alckmin se transferiu para o PSB e aceitou ser candidato a vice na chapa de Lula, o significado da aliança foi justamente o de unir, pela primeira vez no mesmo campo político, petistas e tucanos (ainda que, formalmente, o ex-governador tenha se filiado a uma legenda de esquerda, historicamente aliada ao PT).

A 11 dias da eleição, emergiu um senso de urgência na classe política. Marina Silva (Rede) deixou o PT no segundo mandato de Lula na Presidência (2007-2010), inconformada com o "pragmatismo" de Dilma Rousseff no trato das questões ambientais, bandeira histórica cara aos petistas. Na segunda-feira, anunciou apoio entusiasmado a Lula.

A declaração de apoio a Lula do ex-prefeito César Maia (PSDB-RJ), político que ao longo de sua trajetória transitou do brizolismo à centro-direita do DEM (hoje, União Brasil), mostra que vai se tentando formar, na véspera da votação, uma "frente ampla", como talvez nunca se tenha visto na história do país _ pode-se dizer que Fernando Collor foi afastado da Presidência pela maioria absoluta dos partidos com representação no Congresso e que seu sucessor, Itamar Franco, fez raro governo de coalizão.

Pedro Ferreira, Renato Fragelli* - Trabalho precário e promessas eleitorais

Valor Econômico

Problemas sérios são ignorados e políticas sólidas substituídas por expansões irresponsáveis de gastos

Faltando apenas dez dias para o primeiro turno das eleições, o eleitorado brasileiro assiste a uma competição entre os candidatos à Presidência para identificar qual deles é mais criativo em suas promessas irrealizáveis. Em particular, a geração de empregos é tema dominante.

Segundo a Pnad Contínua, no segundo trimestre deste ano a população economicamente ativa (PEA) atingiu 108,4 milhões de pessoas, e a taxa de desocupação, 9,3%. Dos 98,3 milhões de trabalhadores ocupados, a parcela constituída por trabalhadores formais (do setor privado e público) é de 57,4 milhões. Retirando-se os servidores estatutários civis, militares e empregados formais do setor público, chega-se a uma população com ocupação formal no setor privado de 48,3 milhões. Mas como a propaganda eleitoral promete especificamente “empregos”, e não apenas “ocupações”, é preciso retirar também desse último grupo os empregadores formais e os trabalhadores formais por conta própria. Feito isso, conclui-se que existem 37,3 milhões de empregados formais no setor privado, ou seja, apenas 34,4% da PEA.

Conrado Hübner Mendes* - Famintos, mas livres para buscar comida

Folha de S. Paulo

Criança com fome e sem escola resume futuro que Bolsonaro oferece

Muita coisa subiu e caiu no governo Bolsonaro. Muita coisa subiu e caiu por escolha governamental independente das contingências, do STF, das jornalistas, do vírus e do PT. Por opção consciente.

Subiu o superpatrimônio da família adquirido em dinheiro vivo, método de crime organizado; explodiram os supersalários militares, os desvios orçamentários para destinos secretos; subiram os ataques racistas, homofóbicos e neonazistas; subiu a violência contra a mulher. Inventou-se na oficina de criatividade bolsonarista o uso de crianças para incentivar violência armada, e o assédio a criança grávida por estupro, sob ordem de ministra.

Subiram a pobreza, a fome, a população em situação de rua; explodiu o número de armados e o escoamento de armas legais para o crime organizado. Explodiram o desmatamento e o ataque a indígenas. Contrataram o subdesenvolvimento e o colapso climático: dilapidar o maior tesouro da economia do século 21 para investir em economia extrativista e neocolonial.

William Waack – O fosso é mais profundo

O Estado de S. Paulo

Eleições têm poucas chances de resolver ou pacificar profundas divergências políticas

O quadro geral da eleição presidencial mudou apenas em centímetros desde que o STF tirou Lula da cadeia e o tornou elegível. Não houve qualquer abalo sísmico, e cabe se perguntar qual teria de ser o tamanho de um terremoto político para alterar um confronto que, a rigor, é bastante profundo e já escancarado na corrida para a eleição de 2018.

Lamentava-se então (e desde sempre) que o fenômeno da “vassourada bolsonarista” sobre o lulopetismo significava o esfacelamento de qualquer “centrismo” entendido como posturas antagônicas a populismos de “esquerda” ou “direita”.

Como assinala o sociólogo Bolívar Lamounier, não estamos diante de polarização de período eleitoral. Mas, sim, diante de uma “terceira onda de desavenças” só comparável a eventos históricos como o getulismo/antigetulismo ou o período 1961-1964, que levou ao golpe militar.

Eugênio Bucci* - Pop-lulismo

O Estado de S. Paulo

O favoritismo de Lula sobe com o perfil de um movimento cultural, sem adquirir exatamente os contornos formais de uma frente ampla

Mais uma vez, as leis da política perdem a corrida para as leis do entretenimento. Na falta de uma frente ampla articulada por líderes de partidos diversos, com base em acordos programáticos, a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva vai crescendo por meio de adesões descosturadas umas das outras, animadas por charges de WhatsApp e dancinhas de TikTok. Não há um pacto organizado, negociado; não há um programa mínimo. O que existe é um “clima” de adesão em cima da hora.

A coisa vem em ondas como o mar, numa empolgação meio carnavalesca. Um dia, Caetano Veloso faz uma declaração de apoio sorridente e cativante. No outro, o ex-ministro Henrique Meirelles, até então fã de João Doria, embarca na campanha do petista. Nesse ínterim, dirigentes do PDT deixam Ciro Gomes falando sozinho e conclamam os eleitores a votar em Lula para liquidar a disputa já no primeiro turno. Um grupo de cantores e cantoras grava mais um clipe que rapidamente viraliza. A conjuntura ganha o embalo de uma corrente festiva, sem plataforma suprapartidária. O favoritismo de Lula sobe com o perfil de um movimento cultural, sem adquirir exatamente os contornos formais de uma frente ampla.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

Estadista de fancaria

O Estado de S. Paulo

Em sua viagem à Grã-Bretanha e aos EUA, Bolsonaro confirma sua incapacidade de agir como chefe de Estado e sua dificuldade de respeitar os limites, seja o do decoro do cargo, seja o da lei

Em seu recém-encerrado tour pelo exterior, o presidente da República, Jair Bolsonaro, tinha dois compromissos como chefe de Estado: participar do funeral da rainha Elizabeth em Londres e da abertura da Assembleia-Geral da ONU em Nova York. Esteve nas duas solenidades, mas em nenhuma delas participou efetivamente como chefe de Estado. Usando dinheiro público e a estrutura da Presidência, Jair Bolsonaro não se comportou como representante do Brasil, mas como um líder de facção política, fazendo comícios eleitorais onde se exigia uma conduta de estadista.

Diante de um histórico que inclui a imitação jocosa de um doente de covid com falta de ar, sabotagem do esforço para vacinar os brasileiros, propaganda de remédios ineficazes contra a covid, ofensas a jornalistas (principalmente mulheres), manobra para indicar um filho à Embaixada nos EUA, suspeitas de rachadinha e de lavagem de dinheiro na família, incentivo ao descumprimento da lei ambiental, desgoverno nas áreas da saúde e da educação e ameaça golpista de não reconhecer o resultado da eleição, talvez alguém possa pensar que se trata de um pecadilho a confusão feita por Jair Bolsonaro entre candidato à reeleição e chefe de Estado. Não é.

Poesia | Carlos Drummond de Andrade - E agora José? (Interpretação de Silvio Matos.

 

Música | Zizi Possi e João Bosco - Vida noturna (Aldir Blanc e João Bosco.

 

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Vera Magalhães - As armas de cada um nos últimos dez dias

O Globo

Ao optar por não ir ao debate do SBT, Lula joga na retranca, mas deixa de aproveitar a boa maré de sua candidatura

A campanha no primeiro turno ingressa em sua reta final com a iminência de dois debates e o cálculo por parte das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro a respeito dos perigos de atacar sem retaguarda ou fechar a retranca cedo demais e correr o risco de levar um gol no contra-ataque.

Lula está, neste momento, com sua prancheta na segunda tática. A decisão de não ir ao debate do SBT faz parte dessa estratégia de recuar o time depois de alguns gols nos últimos dias, que lhe deram certa margem no placar. Mas não é, de forma alguma, desprovida de muitos riscos.

O petista e seu estado-maior avaliam o debate marcado para o próximo fim de semana na emissora de Silvio Santos, que vem a ser sogro do ministro das Comunicações, Fábio Faria, como um jogo no estádio do adversário.

Trata-se de uma avaliação que peca pelo excesso de cautela. O debate se dará num pool de veículos que inclui jornal, portal de internet e rádios, o que impede de saída que haja qualquer “pegadinha” no horizonte.

Deixar Bolsonaro sem marcação no momento em que, ao presidente, só resta ir para o tudo ou nada é uma decisão bastante controversa. Qualquer ataque ficará, por óbvio, sem resposta. Será imediatamente amplificado nas ruidosas redes bolsonaristas e, nos dias seguintes, nos derradeiros programas do horário eleitoral.

Bernardo Mello Franco - Quatro comícios e um funeral

O Globo

Presidente busca votos no velório da rainha, faz discurso de candidato na ONU e tenta disfarçar desdém dos líderes globais

Com dificuldade para gerar fatos novos no Brasil, Jair Bolsonaro foi gravar vídeos de campanha no exterior. Às vésperas do primeiro turno, o capitão torrou dinheiro público em Londres e Nova York. A viagem será lembrada pela tentativa de arranjar votos no funeral da rainha.

Convidado para o velório de Elizabeth II, Bolsonaro rasgou a fantasia de presidente e se comportou como candidato. Aboletou-se na sacada do embaixador brasileiro e fez comício para uma claque uniformizada em verde e amarelo.

Num momento vexatório, militantes bolsonaristas hostilizaram o aposentado Chris Harvey, que reclamou da algazarra e pediu respeito ao luto dos britânicos. Em outro, disseram a repórteres da BBC de Londres que eles não seriam bem-vindos à própria cidade.

O embaixador Fred Arruda não se constrangeu com o uso privado do prédio público que lhe serve de residência. Além de consentir com os abusos, disse não conhecer “honra maior” que a companhia de Silas Malafaia, dublê de pastor e animador de campanha.

O capitão escolheu um posto de gasolina para fazer o segundo comício. Comparou o preço do combustível em libras e em reais, sem citar a diferença entre o poder de compra de britânicos e brasileiros.

Elio Gaspari - Bolsonaro e a realeza

O Globo

As relações do Brasil com a realeza britânica têm momentos marcantes. Nenhum teve a essência didática da reclamação do aposentado Chris Harvey aos partidários de Jair Bolsonaro que se manifestavam diante da residência do embaixador brasileiro, onde estava hospedado o capitão:

— Este é o dia do funeral da rainha! Demonstrem algum respeito.

Ele tinha acabado de ver a passagem do carro com o féretro da rainha.

Ficaram para trás momentos de elegância, bom humor e até mesmo de indiscrição. Luminoso foi o gesto de Getúlio Vargas em 1953, presenteando Elizabeth II pela sua coroação com um jogo de águas-marinhas. Elas lhe foram entregues pelo então embaixador brasileiro em Londres, o jornalista Assis Chateaubriand. A rainha usou as peças várias vezes — tiara, colar, pulseira e brincos.

Outros momentos ficaram na sombra. Chatô levou consigo a cadeirinha em que assistiu à coroação da monarca na Abadia de Westminster. (Seu filho Gilberto preservou-a.)

Também ficou na sombra um detalhe da visita de Dom Pedro II à rainha Vitória. Uma das senhoras que servia à monarca impressionou-se com a dentadura do imperador, temendo que a qualquer momento ela lhe caísse.

Em 1976, o cidadão que jogou um tomate na direção da carruagem em que ia o presidente Ernesto Geisel foi detido e multado, por ter sujado o uniforme de um guarda.

Vinicius Torres Freire - O dinheiro grosso e Lula 3

Folha de S. Paulo

Voto de Meirelles no PT faz povo do mercado especular sobre ortodoxia luliana

Na segunda-feira (19), grupos de Whatsapp de donos do dinheiro se encheram de mensagens sobre "sinais de moderação" de Lula da Silva (PT). Algumas dessas pessoas até deram entrevistas e palestras animadas ou de pessimismo atenuado sobre o que pode ser a economia sobe um Lula 3. Tudo porque Henrique Meirelles declarou voto no petista.

Na terça-feira, a turma do "mas", do contra e os apenas sensatos apareciam para dizer que tal animação era bobice, por motivos variados. Era mesmo espuma de campanha eleitoral. No entanto, deu para discernir alguns sinais no meio do ruído desse zunzum.

Primeiro, que no curto prazo não parece tão difícil animar os povos do dinheiro, pois a mera presença de Meirelles em um comício lulista rendeu conversa. Segundo, parece que muita gente espera apenas alguma segurança, uma garantia pequena e melhorzinha, para comprar ativos financeiros ora baratinhos, como títulos da dívida pública e mesmo ações, e para retomar operações de abertura ou aumento de capital de empresas, que foram para o vinagre neste 2022.

Hélio Schwartsman - Mediocridade que vale ouro

Folha de S. Paulo

Teto de gastos impede execução de políticas anticíclicas

Nas "Odes" (2.10), o poeta romano Horácio aconselha Licínio a não arriscar muito, aventurando-se em alto mar, nem a acovardar-se, nunca se afastando da costa, mas a buscar a moderação, a "aurea mediocritas". O Brasil faz um pouco isso ao criar uma série de mecanismos, formais e informais, que, se não nos deixam avançar muito, também nos protegem de desastres maiores.

O teto de gastos, até ser arrombado pela atual legislatura, era um desses dispositivos. Trata-se sem dúvida de uma regra burra, que reduz a capacidade do bom gestor de fazer investimentos e até de executar políticas anticíclicas. Mas, enquanto durou, ele ajudou a manter os mercados tranquilos mesmo diante do grave problema fiscal do país. Contribuiu para manter baixa a taxa básica de juros, o que era uma bandeira tanto do empresariado como da esquerda.

Mariliz Pereira Jorge - O bolsonarismo e a censura do vermelho

Folha de S. Paulo

Pela lógica deles, meu esmalte preferido se chamaria 'Comunistona Piranha'

Jornalistas da RicTV, afiliada da Record no Paraná, teriam sido proibidos de usar vermelho no trabalho, segundo o Sindicado dos Jornalistas do Norte do estado. A entidade acusa a emissora de ter demitido uma apresentadora que, além de ter cometido o pecado de usar a cor censurada, teria se envolvido numa confusão com o deputado bolsonarista Felipe Barros --e ele teria pedido sua cabeça. Um democrata...

Não é a primeira vez que a Record aparece no centro de uma polêmica que envolve a escala Pantone. Uma participante de "A Fazenda" teria sido vetada de aparecer na estreia do reality com roupas vermelhas. Talvez seja o que resta ao bolsonarismo, tentar barrar a vitória de Lula prometendo asilo aos padres da Nicarágua, como fez Bolsonaro na ONU, ou interceptando o que eles devem considerar comunicação semiótica de guerrilha. Agora vai.

Bruno Boghossian - Horário eleitoral de alto custo

Folha de S. Paulo

Presidente leva plataforma de baixa credibilidade a Nova York, em horário eleitoral de alto custo

Em pouco menos de 20 minutos na ONU, Jair Bolsonaro preencheu quase toda a cartela de sua plataforma de campanha. O presidente falou bem do governo, direcionou críticas a adversários políticos, prometeu tempos melhores na economia e repetiu distorções já conhecidas sobre a própria conduta na pandemia.

O falatório sem grandes novidades mostra que o foco principal de Bolsonaro não era tanto o conteúdo das declarações, mas o simples fato de ter tomado o púlpito. O presidente viajou aos EUA em busca de um reforço para a pose de governante e a impressão de que leva sua agenda eleitoral para um foro de prestígio.

Vera Rosa - Lula teme abstenções na periferia

O Estado de S. Paulo

PT usa artistas para incentivar comparecimento às urnas e Bolsonaro aposenta ‘Bolsolove’

Há grande apreensão no comitê do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a possibilidade de a eleição não terminar em 2 de outubro. Embora pesquisas indiquem que Lula venceria Jair Bolsonaro em eventual segundo turno, a cúpula da campanha teme o uso da caneta BIC por parte do presidente, para conquistar votos dos pobres. Existe, ainda, o receio de acirramento da violência, de novas ameaças ao processo eleitoral e de algum passo em falso do próprio Lula.

Outro fator de preocupação está relacionado a possíveis ausências no dia da votação, principalmente nas periferias das grandes cidades, onde Lula tem melhor desempenho. O índice de abstenção, que tem aumentado, pode ser determinante para levar a disputa ao segundo turno.

Eliane Cantanhêde - Balanço é cor-de-rosa, mas não muda votos

O Estado de S. Paulo.

O discurso do presidente Jair Bolsonaro na ONU foi o último do mandato, talvez o último da sua vida, e teve tom de despedida, prestação de contas e ataque ao líder das pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva, não citado nominalmente. No frigir dos ovos, o texto inspirado pela diplomacia profissional foi bem, mas os cacos políticos e ideológicos não poderiam faltar.

A sede da ONU amanheceu com projeções nada inspiradoras: “Shame”, “Vergonha”, “Bolsonaro, vergonha nacional”. E, depois, a mídia americana acusou Bolsonaro de usar a organização como palanque para discurso eleitoral – que, de fato, foi –, reafirmando sua má imagem mundo afora.

O início do discurso já dizia tudo, com Bolsonaro se referindo ao “Brasil do passado” e alardeando, num texto mal-ajambrado, que seu governo “extirpou a corrupção sistêmica”, o endividamento da Petrobras chegou a US$ 170 bi na gestão de esquerda e “o responsável por isso foi condenado em três instâncias, por unanimidade”. Este é o centro da estratégia de campanha: bater na corrupção do PT para aumentar a rejeição de Lula.

Luiz Carlos Azedo - O “melhor país do mundo” não é o de Bolsonaro

Correio Braziliense

O discurso na ONU foi uma tentativa de se apropriar do sentimento de brasilidade, da mesma forma como fez com a Bandeira brasileira e as comemorações do Bicentenário da Independência

O presidente Jair Bolsonaro discursou, ontem, na abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos, como é de praxe no cerimonial do órgão, desde a sua criação no imediato pós-II Guerra Mundial, embora não exista nada escrito que o Brasil deva ter essa honraria no seu regimento. Descreveu um país que não é exatamente aquele no qual estamos vivendo, com o claro propósito de aproveitar a oportunidade para se apresentar aos eleitores como um estadista reconhecido internacionalmente e, ao mundo, como um governante generoso e bem-sucedido. A abertura, porém, foi esvaziada pela ausência do presidente dos EUA, Joe Biden, que mudou a agenda e só falará hoje.

O discurso de Bolsonaro foi mais um gesto para se apropriar do nosso sentimento de brasilidade, da mesma forma como fez com a bandeira brasileira e as comemorações do Bicentenário da Independência, no 7 de Setembro, que descreveu no discurso como “a maior demonstração cívica da História do país”. Descendente de italianos, Bolsonaro é um “oriundi” traduzido, no conceito antropológico do termo, como acontece com a maioria dos brasileiros descendentes de europeus, que não renegam a cultura de seus povos de origem nem assumem uma condição “chauvinista”, colocando-a acima da nossa cultura popular.

Maria Cristina Fernandes - Bolsonaro adotou o figurino na ONU porque se esgotaram suas fantasias

Valor Econômico

Noves fora as costumeiras mentiras, Bolsonaro seguiu o padrão da política externa brasileira na ONU, adotando um figurino que mostra que já não encontra mais fantasia com a qual seja capaz de se reinventar

Noves fora o endereçamento doméstico e as costumeiras mentiras ditas naquele púlpito, o presidente Jair Bolsonaro seguiu o padrão da política externa brasileira no discurso proferido na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. E não poderia haver sinal maior de que está perdido. Se adotou o figurino é porque já não encontra fantasia com a qual seja capaz de se reinventar.

Apontou o retrocesso provocado pela guerra da Ucrânia na economia de baixo carbono que forçou o uso de fontes sujas de energia, criticou a adoção de sanções unilaterais e exortou a negociação e o diálogo na solução do conflito. Agradeceu aos países que ajudaram na evacuação de brasileiros da Ucrânia e defendeu os princípios da Carta da ONU por uma solução duradoura para a região.

Fernando Exman - O recado de Bolsonaro ao Supremo Tribunal

Valor Econômico

Governo quer mandato fixo para os ministros do STF

Reeleito presidente da República, Jair Bolsonaro (PL) pretende promover profundas mudanças na Constituição.

Sabe-se, no Palácio do Planalto e adjacências, que este não é um plano de fácil execução, o qual inevitavelmente será questionado e objeto de polêmica. Por isso existe, inclusive, a discussão se o ideal seria realizar uma reforma constitucional por meio de emendas à Carta ou se o melhor caminho é o de uma assembleia constituinte. O que é dado como certo, porém, é que a iniciativa poderia propiciar uma reformatação das relações entre os Poderes.

É a chave para entender o que Bolsonaro quer dizer quando declara que vai aproveitar a força política obtida nas urnas, caso vença o pleito presidencial de outubro, para empurrar o Supremo Tribunal Federal (STF) em direção ao que considera ser as “quatro linhas” definidas para o Poder Judiciário pela Constituição.

No ato promovido em Brasília no último Dia da Independência, por exemplo, Bolsonaro fez um discurso mais brando em relação ao que proferiu no mesmo dia de 2021. Disse que sempre pede coragem para tomar decisões, e completou: “Com uma reeleição, traremos para estas quatro linhas todos aqueles que ousam ficar fora delas”.

Daniel Rittner - Os planos de Simone para a infraestrutura

Valor Econômico

Programa feito por Claudio Frischtak enriquece o debate e poderia até ter alguns de seus pontos incorporados pelos candidatos mais bem colocados à Presidência

Por que olhar com atenção as propostas de uma candidata à Presidência que tem 5% dos votos e ficaria satisfeita terminando a corrida eleitoral em terceiro lugar? Um programa rico em discussões - caso do plano de Simone Tebet (MDB) para a infraestrutura - não deve ser lido como roteiro de um mais do que improvável governo da atual senadora. É uma oportunidade de debater ideias para o futuro do país, colocar formadores de opinião e eleitores para refletir, talvez até ter alguns de seus pontos incorporados pelos candidatos mais bem colocados. Seja pelo convencimento ou como parte de negociações pela troca de apoio em um segundo turno.

Coordenado por Claudio Frischtak, sócio da consultoria Inter.B e um dos nomes mais respeitados do mercado quando se fala em infraestrutura, o programa de Simone para a área merece leitura. Pode despertar concordância ou divergência, mas permite exatamente isso: o debate. Começa demonstrando que, desde 2014, o investimento total no setor diminuiu de 2,43% para 1,66% do PIB. Tem havido estabilidade dos desembolsos privados e uma redução brutal dos aportes públicos. Na média das duas últimas décadas, os recursos aplicados em energia, transportes, telecomunicações e saneamento foram de 2,04% do PIB. Para suprir o déficit do país, deveriam ter alcançado 3,51%.

Em seguida, compromissos: aumentar esses investimentos em 0,2 a 0,3 ponto percentual do PIB anualmente ao longo da próxima década; fortalecer o BNDES como estruturador de projetos; ampliar a participação do mercado de capitais para o financiamento; rigor na escolha dos projetos, incluindo análise do custo-benefício e de sua “taxa social” de retorno; matar todas as iniciativas que flertam com um enfraquecimento das agências reguladoras. Evolui-se, então, nas propostas para vários segmentos.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

Orçamento é propaganda eleitoral contra Bolsonaro

Valor Econômico

Bolsonaro, até agora, só conseguiu afugentar de si nas pesquisas os eleitores pobres

Os defeitos do candidato Jair Bolsonaro o prejudicam mais do que as supostas virtudes de seus adversários. O presidente em busca da reeleição nada tem a prometer de diferente no futuro que já não esteja no presente e um olhar ainda que superficial aponta vulnerabilidades políticas que são difíceis de corrigir, ainda que houvesse vontade para isso. Para quem quer julgar programa de candidatos incumbentes é muito mais revelador hoje olhar a peça orçamentária de 2023, a mais acabada obra de distorções na distribuição dos gastos em muito tempo. A face orçamentária do governo resume a política antissocial que tem praticado, com agravantes.

É inacreditável que o candidato não tenha percebido que o orçamento por ele proposto é a maior peça publicitária contra si que poderia ter feito. Não se trata de engano, mas de uma definição política que mostra a miséria legislativa-orçamentária a que esse governo chegou. Há poucas verbas que crescem no projeto de lei orçamentária de 2023 e a mais emblemática são as emendas legislativas. As emendas do relator, que não têm transparência e controle, somam R$ 19,397 bilhões, às quais se acrescentarão R$ 11,7 bilhões de emendas individuais e R$ 7,7 bilhões de emendas das bancadas, em um total de R$ 38,8 bilhões.

Poesia | Manuel Bandeira - Desesperança

 

Música | Mônica Salmaso - Valsinha

 

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Pesquisa Ipec: Lula lidera disputa presidencial com 47% dos votos a duas semanas da eleição; Bolsonaro marca 31%

Distância entre candidatos oscilou de 15 para 16 pontos. Ciro soma 7%, e Tebet tem 5%

Por O GLOBO

Rio - A duas semanas das eleições, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue à frente em intenções de voto com 47% no primeiro turno. Segundo nova pesquisa do Ipec divulgada nesta segunda-feira pela TV Globo, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem apoio de 31% dos eleitores. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) aparece com 7%, enquanto a senadora Simone Tebet (MDB) tem 5% dos votos.

A distância entre Lula e Bolsonaro, que era de 15 pontos percentuais há uma semana e de 12 pontos há duas, agora está em 16 pontos. O petista oscilou um ponto para cima pela segunda vez, após ficar estagnado entre meados de agosto e o início de setembro com 44% dos votos, o que deve reforçar o investimento de sua campanha na conquista do voto útil na reta final. Já Bolsonaro continuou com o mesmo índice de votos das últimas duas pesquisas.

Tebet também oscilou um ponto para cima, enquanto Ciro permanece com a mesma proporção. Os dois estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro, que é de dois pontos, mas seguem distantes dos primeiros colocados, em um momento em que tentam conter os acenos de Lula a seus eleitores.

Vera Magalhães - Restam poucas cartas na manga para Bolsonaro reverter rejeição

O Globo

O que a última pesquisa Ipec mostra é que houve uma leve melhora de Jair Bolsonaro (PL) em vários indicadores até 29 de agosto, mas as ações e o histórico do presidente parecem ter neutralizado, desde então, os muitos esforços para torná-lo competitivo eleitoralmente e reverter sua rejeição.

A estagnação da lenta melhora de Bolsonaro se deu depois do até aqui único debate presidencial de que participaram ele e o líder nas pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no qual o presidente deixou a estratégia de associar o petista à corrupção de lado para atacar mulheres — jornalista e candidatas.

Desde então, outros reveses se apresentaram para a campanha à reeleição do presidente. Aa despeito da redução dos preços dos combustíveis, tão alardeada, se mantém alta a inflação de alimentos.

Bolsonaro apostou tudo no aumento de 50% do Auxílio Brasil e prometeu manter o benefício, mas mandou o Orçamento ao Congresso sem garantir o valor; além disso, outros programas sociais como Farmácia do Povo e Casa Verde e Amarela tiveram cortes de recursos.