sábado, 17 de outubro de 2026

Cortes orçamentários de Flávio Bolsonaro poupam a classe política, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Filho 01 sabe que, sem o dinheiro das emendas, a ideologia acaba na hora

Com desmonte do STF, Congresso prepara a reedição da PEC da Blindagem

Se eleito, o filho 01 vai aproveitar o embalo e pôr em prática os planos de "reformar" o Supremo Tribunal Federal nos primeiros meses de governo. O primeiro ato prevê o impeachment de ministros que resistiram ao projeto autocrata do pai e o condenaram por tentativa de golpe. Um espetáculo para saciar a sede de vingança, provavelmente com Jair Bolsonaro já em liberdade assistindo na primeira fila ao rolar das cabeças.

O segundo propõe transferir a competência criminal do Supremo para tribunais inferiores, impedindo que o STF toque investigações envolvendo políticos. Adeus inquéritos sobre desvios de verbas parlamentares.
É a reedição da PEC da Blindagem, aprovada por maioria na Câmara, em 2025, com o argumento falacioso de garantir aos parlamentares o direito de emitir opiniões. Na verdade, era um carimbo de impunidade. A proposta só não foi adiante devido à pressão popular, com protestos nas capitais, milhares de pessoas nas ruas e mobilização nas redes sociais.

Protegidos e impunes, deputados e senadores vão legislar em causa própria e trabalhar no que lhes interessa: a disparada das emendas, uma disfuncionalidade que dura mais de dez anos. O butim abocanhou bilhões do Orçamento para uso paroquial, desequilibrou a harmonia entre os Poderes e instituiu um mecanismo sem transparência, via Pix, que funciona na base do clientelismo e da corrupção. Potencialmente é o maior esquema de corrupção em curso no país.

Em suas andanças pós-primeiro turno, Flávio Bolsonaro se reuniu com representantes dos partidos fisiológicos que se escondem sob o apelido de centrão e defendeu as emendas parlamentares, indicando que não pretende mexer no desenho de pagamento. Nem precisava fazer o afago. O Congresso já tem pronta a proposta orçamentária, com as emendas crescendo num ritmo três vezes maior que as despesas escolhidas pelo Executivo.

Pelo jeito, os cortes de gastos prometidos pelo 01 não atingem a classe política. Ele sabe que, se o dinheiro não entrar no bolso, a ideologia acaba na hora.

 

 

 

 

 

 

 

 

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