Correio Braziliense
Nas eleições, os discursos são fantasiosos.
Todos contêm fórmula mágica para gerar empregos, reduzir a inflação e promover
a felicidade geral.
Flávio Bolsonaro afirmou que não participaria do debate com Lula promovido pela TV Bandeirantes. Palavra final. Horas depois, voltou atrás. Afirmou que iria. Ele também fez pesadas críticas ao projeto que termina a escala de trabalho 6x1. Mas também voltou atrás. Votou a favor. A palavra de candidato não vale muito. Ou quase nada. Lula promete mundos e fundos. Até esquecer a dívida de microempresários com o Fisco. Anistia inesperada. Vale tudo na corrida pela vitória. Estelionato eleitoral para todos os gostos.
Eleição promove essa falta de compromisso. O
papel aceita tudo. E os discursos são fantasiosos. Todos contêm fórmula mágica
para gerar empregos, reduzir a inflação e promover a felicidade geral. Mas não
é fenômeno brasileiro. Empresários de alto coturno, nos Estados Unidos, estão
avisando, individualmente, aos eleitores que, se votarem a favor dos
Republicanos, receberão um cheque de US$ 5 mil. Generosidade específica. Vote
no fulano e ganhe dinheiro.
Quem acompanha o noticiário internacional
sabe que Donald Trump é um trapalhão. Não mede consequências, não avalia o
cenário e comete arbitrariedades que fazem os fundadores dos Estados Unidos se
revirarem nos respectivos túmulos. Nesta semana, ele decidiu desconhecer o
embargo econômico que ele mesmo decretou contra a Rússia. E começou a comprar
petróleo de Moscou. E mais: disse que Volodymyr Zelensky deve ser substituído
no governo da Ucrânia. Tudo isso porque sua decisão de fazer guerra contra o
Irã foi um tremendo tiro no pé. O adversário fechou o Estreito de Ormuz e
provocou inflação no mundo inteiro — especialmente nos Estados Unidos.
A solução de improviso foi esquecer que a
Rússia era adversário e comprar o produto ofertado pelo antigo rival. Petróleo
mais barato pode diminuir o preço para o consumidor norte-americano. Por
consequência, Trump passa a ter alguma chance de vitória nas próximas eleições,
em novembro, que vão eleger os novos integrantes da Câmara e do Senado. Na
atual situação, o dirigente louro, segundo as pesquisas, vai perder a maioria
nas duas casas. Pagando os US$ 5 mil e baixando o preço do combustível, talvez
ele tenha alguma chance. Também lá vale tudo para ganhar a eleição. Não é
recomendável acreditar na palavra do presidente norte-americano.
Lula, todo brasileiro conhece. Flávio é uma
incógnita. É um senador de poucos projetos e reduzida participação no debate
político. Ele é candidato à Presidência da República por indicação solitária de
seu pai, Jair. Sua candidatura não resulta de acordo entre partidos, nem de
decisão autônoma de um conjunto de siglas. Ele é apenas o herdeiro da família.
Não carrega com ele nenhum mérito específico, além de ser filho de quem é.
Flávio tem contra ele sua atuação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro a
favor das milícias que dominam extensas áreas na Cidade Maravilhosa. Esse
detalhe não é segredo para ninguém.
Cláusula de barreira — A eleição geral de
2026 já gerou perdedores, e pouca gente percebeu a enormidade do estrago. A
cláusula de barreira derrubou 12 partidos e duas federações. São eles: Agir,
Avante, Democrata, DC (Democracia Cristã), Missão, PCB (Partido Comunista
Brasileiro), PCO (Partido da Causa Operária), PDT (Partido Democrático
Trabalhista), PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), PSTU (Partido
Socialista dos Trabalhadores Unificado) e UP (Unidade Popular). As duas
federações que não atingiram os requisitos foram: PSol/Rede e
PRD/Solidariedade. Segundo a lei, os partidos deveriam conseguir, no mínimo,
2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal, com, no mínimo, 1,5% em
nove estados ou eleger pelo menos 13 deputados federais, distribuídos por, pelo
menos, nove estados. Os partidos que não atingiram esses requisitos perderam o
acesso aos recursos do Fundo Partidário e à propaganda partidária gratuita no
rádio e na televisão. O partido não é extinto, nem os parlamentares eleitos
perdem seus mandatos. A vida dessas siglas se torna mais difícil, porque foi
fechada a torneira do dinheiro fácil originário do governo federal.
Festas — O inacreditável Daniel Vorcaro
revelou-se um novo rico de almanaque. Tentou encomendar o vinho francês
Romanée-Conti para recepcionar seus amigos importantes do governo federal e as
20 meninas convidadas para a confraternização. Esse vinho é uma preciosidade.
Safras recentes atingem preço, por garrafa de 750 ml, entre R$ 60 e R$ 120 mil.
Em safras antigas, seu preço pode chegar a um milhão de reais por garrafa. A
safra de 1945 teve garrafas vendidas por R$ 4,5 milhões. O audaz empresário
queria encomendar 300 unidades. Disse ao perplexo vendedor que o povo
brasileiro pagaria a conta. Nisso ele acertou. É o dinheiro dos aposentados e
pensionistas de todo o país no qual ele passou a mão.

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