Folha de S. Paulo
Mais do que golpista, carta do presidente
Flávio é ridícula
EUA sob Trump se transformam em esconderijo
de políticos corruptos
Triste destino o dos Estados Unidos sob Donald Trump. Tornar-se o valhacouto de um investigado por corrupçãqo em fuga que, ao desembarcar no aeroporto, recebe as boas-vindas da polícia e a promessa do Departamento de Estado de que em breve, desculpe a demora, o visto de permanência no país estará pronto. Por enquanto, tome aqui o visto humanitário. Sinta-se em casa.
O curioso é que antes —ao menos sob a ótica
dos roteiristas de Hollywood—o os ladrões, golpistas e criminosos
internacionais escapavam dos EUA para se esconder e gozar a vida no Brasil. Nos
filmes do tipo voando para o Rio de Janeiro, o melhor é "Interlúdio"
("Notorious", 1946), de Alfred Hitchcock, com Cary Grant e Ingrid
Bergman enfrentando um grupo de nazistas. O líder deles é Claude Rains, incapaz
de renegar a causa. Muito menos de escapulir para Miami.
Hoje é o "carioca malandro" que
foge para lá, com auxílio de assessores de Trump, mandando uma banana para 59
milhões de eleitores. Responsável pelo plano de revoada, Eduardo Bolsonaro
disseminou informações falsas que permitiram ao irmão entrar tranquilamente na Argentina e
embarcar num jato de luxo. Mesmo tendo feito o pedido de apreensão de
passaportes, a Polícia Federal não estava autorizada a vigiar o passarinho.
A carta golpista e ridícula havia sido
elaborada previamente por inteligência artificial. Repleta de mentiras e erros
infantis (Brasil grafado com Z), nela Flávio se compara a Ruy Barbosa e a José
Martí (duvideodó que ele saiba quem foi o cubano Martí) e agradece ao
presidente argentino, Javier Milei,
e, claro, a Donald Trump.
Ao se autodeclarar "verdadeiro
presidente eleito", o candidato derrotado vestiu a fantasia de palhaço
nacional. Alvo de chacota, o mínimo que se diz dele nas redes é que virou um
Napoleão de hospício, um Juan Guaidó da Barra da Tijuca. Em tempo recorde, sua
atuação desastrosa é o maior abalo sofrido pelo bolsonarismo –maior que as duas
vitórias de Lula
e a prisão do pai golpista.
No fim, escapou da cadeia. Até a maré mudar
nos Estados Unidos.
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