sábado, 31 de outubro de 2026

Celebrar é preciso, por Elimar Nascimento*

Revista Será?

Desculpem meus amigos acadêmicos, filósofos, analistas políticos, intelectuais e jornalistas. A semana é de celebrar. Os jornalistas são os únicos que têm desculpas de não o fazerem por razões profissionais. Às vezes até penso que esses personagens não dormem.

Antes de fazer cenários e conjecturas sobre o quarto mandato de Lula, que não vai ser fácil, deve-se celebrar o salto que demos. Conseguimos evitar um governo golpista, corrupto como poucos e subserviente. A natureza agradece. E os que sofrem de insegurança alimentar também.

Celebrar é essencial, sobretudo, pelo feito realizado, quando a vitória foi alcançada não apenas por um homem ou dois, por um ou dois partidos, por um grupo de mulheres ou de jovens, por uma região ou outra, mas por um trabalho de milhões que se engajaram nas redes, saíram às ruas e se dirigiram a familiares, amigos, colegas e vizinhos para convencer os que não votaram no primeiro turno a votar em Lula, assim como trabalharam junto aos que votaram nulo ou branco. Porém, isso não era suficiente e milhões de pessoas foram mais longe: convenceram milhões de eleitores ou eleitoras a mudarem de voto, fazer aqueles e aquelas que votaram no candidato do PL votarem no Lula.

O dilema de Lula, por Sérgio C. Buarque*

Revista Será?

O presidente Lula da Silva obteve uma vitória eleitoral consagradora, com grandes manifestações populares que se traduziram em 64,2 milhões de votos, superando o adversário em mais de quatro milhões de votos. Lula passa à história brasileira com quatro mandatos presidenciais e quase 20 anos de participação direta ou indireta nas decisões políticas do Brasil. Passadas as eleições e as comemorações da vitória, Lula terá que governar o Brasil em condições políticas adversas, a força futura da oposição no Congresso, e tendo que lidar com graves restrições fiscais para realizar as promessas e atender às enormes expectativas da sociedade.

Netanyahu ainda não perdeu, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Bloco do premiê não atinge as 61 cadeiras para manter-se no poder

Oposição só consegue maioria se tiver apoio formal ou informal dos árabes

Binyamin Netanyahu não venceu, mas também não perdeu a eleição em Israel. A coalizão de extrema direita que sustenta o governo viu sua representação reduzir-se e não terá mais os 61 assentos necessários para manter-se no poder. Encerrada a apuração, o bloco de Netanyahu conquistou 53 das 120 cadeiras do Parlamento, enquanto a oposição sionista, liderada por Gadi Eisenkot, obteve 48. As 19 cadeiras restantes caberão às duas coligações de partidos árabes.

Filho 01 vira chacota e abala o bolsonarismo, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Mais do que golpista, carta do presidente Flávio é ridícula

EUA sob Trump se transformam em esconderijo de políticos corruptos

Triste destino o dos Estados Unidos sob Donald Trump. Tornar-se o valhacouto de um investigado por corrupçãqo em fuga que, ao desembarcar no aeroporto, recebe as boas-vindas da polícia e a promessa do Departamento de Estado de que em breve, desculpe a demora, o visto de permanência no país estará pronto. Por enquanto, tome aqui o visto humanitário. Sinta-se em casa.

Haja ajuste, por Luiz Gonzaga Belluzzo

 

CartaCapital

O pessimismo do mercado e a imposição de uma agenda

As regras autodestrutivas da finança são capazes de apagar o sol e as estrelas porque não pagam dividendos (John Maynard Keynes)

O tiroteio ­travado na campanha eleitoral sobre os ­rumos da economia culminou, entre trancos e barrancos, no desfecho entre a mídia e os resultados das urnas. A Bolsa de Valores para baixo e o câmbio para cima revelaram o pessimismo do mercado financeiro e o mau humor da “grande imprensa”.

As opiniões dos articulistas ­ressoam as certezas das gentes dos mercados. Nada resta ao governo Lula senão enveredar pelas alamedas do ajuste fiscal. Os sábios da Crematística abrigados nas manchetes e nas colunas de opinião celebram: “Aleluia, teremos as políticas corretas”. Sendo assim, diria Luís de Camões, às opiniões divergentes resta ensarilhar as armas e deixar que os barões assinalados toquem o barco por mares já dantes navegados, sem abandonar, é claro, as impertinências do Velho do Restelo: a nau pode afundar na Taprobana.

Rei morto, rei posto, por Cláudio Couto*

CartaCapital

A fuga de Flávio Bolsonaro acelera a disputa sucessória na ultradireita

Desde a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência, em 2018, os brasileiros se acostumaram a viver sobressaltados com a política. Quase todos os dias, principalmente durante o quadriênio bolsonarista no governo federal, algum absurdo ou bizarrice nos surpreende. Paradoxalmente, as surpresas são tantas que já nem surpreendem tanto assim. Ressalve-se que nisso o clã Bolsonaro não age sozinho, pois conta com a colaboração até mesmo de quem deveria zelar pela tranquilidade do País, o Supremo Tribunal Federal. Entretanto, também aqui não há como desvincular ações atabalhoa­das de membros da Corte do ambiente de caos que a ultradireita suscita. Reconheçamos que ainda antes de 2018 o STF era dado a extravagâncias. Porém, os inúmeros descalabros já consumados ou perto de serem praticados pelo bolsonarismo levam o tribunal a produzi-las em maior quantidade, às vezes porque a Corte, no cumprimento de suas atribuições, é de fato instada a fazê-lo, noutras ocasiões, contudo, porque os desplantes bolsonaristas lhe oferecem pretextos.

A vitória de uma ideia, por Sergio Lirio

CartaCapital

Os eleitores não escolheram o político Lula, mas o que ele representa

“Não sou um ser humano, sou uma ideia. E não adianta tentar acabar com as ideias.” Poucas horas depois de pronunciar a frase, no início da tarde de 8 de abril de 2018, Lula abriria caminho no mar de apoiadores que separava os policiais federais enviados para cumprir a ordem de prisão emitida pelo juiz Sergio Moro na sede do Sindicato dos Metalúrgicos em São ­Bernardo do Campo. Foram 580 dias de reclusão sem crises de soluço, palpitações ou falta de ar, até o Supremo Tribunal Federal restabelecer os direitos políticos confiscados pela República de Curitiba. Lula falava àquela altura das maquinações da força-tarefa de Curitiba para encarcerá-lo sem provas, mas a afirmação sobreviveu ao tempo e nunca fez tanto sentido como agora. No domingo 25, na mais espetacular inversão de expectativas de uma disputa eleitoral, a maioria dos brasileiros aptos a votar não escolheu um ser humano, um político em carne e osso. Escolheu o que ele representa. Pela primeira vez o petista não carregou nos ombros uma porção do País, foi carregado por ela, em uma onda que se agigantou em três semanas e se tornou avassaladora nas ruas e nas redes sociais. Um tsunami, na verdade, que afogou as manipulações da Justiça Eleitoral, da Faria Lima e das big techs, boias lançadas na esperança de converter Flávio Bolsonaro, náufrago sem rumo, em comandante do transatlântico. Sensato, o eleitor salvou o Brasil do desatino e do destino do Titanic.

Sangue, suor e lágrimas, por André Barrocal

CartaCapital

A virada inédita de Lula ganha contornos épicos que lembram a Batalha de Stalingrado

A Batalha de Stalingrado mudou o curso da Segunda Guerra Mundial. A Alemanha nazista estava no auge da força em 1942, ocupava boa parte da Europa, quando invadiu o sul da União Soviética. Foi uma carnificina, milhares de baixas de lado a lado. No início de 1943, seis meses depois, os russos expulsavam as tropas de Hitler. A derrota total dos nazistas na guerra era questão de tempo. Certa vez, um colaborador do presidente Lula comparou as atuais eleições brasileiras àquela batalha. Os “tarifaços” dos Estados Unidos, o apoio de Donald Trump a todos os direitistas em disputas presidenciais nas Américas, o triunfo desses candidatos e o desejo da Casa Branca de fazer da região seu “quintal” deixavam Lula sob cerco da extrema-direita. O presidente petista era o último bastião contra a dominação de Tio Sam nas Américas. A vitória contra Flávio Bolsonaro, o candidato do chefe da diplomacia imperialista ianque, foi épica como a dos soviéticos em Stalingrado.

Pedra no sapato, Jamil Chade

CartaCapital

Donald Trump é o maior empecilho do próximo mandato

Não foi apenas a vitória da democracia. A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato foi comemorada entre diplomatas como uma vitória da política externa brasileira. Após meses de trabalho nos bastidores, o Itamaraty e o Palácio do Planalto conseguiram duas façanhas: anular Donald Trump e conseguir que quase todos os países latino-americanos governados pela extrema-direita reconhecessem e até telefonassem para Lula, parabenizando-o por sua virada.

Por um novo governo, Aldo Fornazieri

CartaCapital

Lula 4 precisa colocar-se em linha com os tempos de hoje, atualizar-se com renovação e inovação. Este foi o recado

A maioria do povo brasileiro evitou uma grande tragédia ao derrotar Flávio Bolsonaro e garantir um novo mandato para o presidente Lula. Evitou que o golpismo, o neofascismo, o crime organizado, a milícia, a corrupção, a predação ambiental, a mentira, a hipocrisia, a imoralidade, o entreguismo, o negacionismo, o preconceito, a misoginia e tantos outros males se instalassem no centro do poder nacional.

O risco de vitória do mal foi enorme e só foi evitado porque os jovens e o povo tomaram a campanha em suas próprias mãos, passando por cima do comitê de campanha, dos partidos, dos dirigentes políticos e dos marqueteiros, numa luta desesperada e entusiástica para impedir que a opção pela tragédia triunfasse.

A voz das urnas e um olhar para o futuro, por Marcus Pestana

Fechadas as urnas, proclamado o resultado, é hora de encarar a agenda brasileira para os próximos quatro anos. O importante é a democracia brasileira ter se mostrado revigorada ao realizar a 10ª eleição livre e democrática da Nova República. Os desafios não são poucos.

Quais são os recados deixados pelas urnas? Qual são os impactos e os cenários futuros?