O Estado de S. Paulo
A realidade é dura e, se der Lula, seu problema será o Congresso, se der Flávio, serão as ruas
Se o presidente Lula vencer, seu grande
problema será o Congresso. Se Flávio Bolsonaro for o vitorioso, o mais
provável, seu maior desafio serão as ruas. Em qualquer caso, o futuro
presidente terá pela frente as instituições em frangalhos, uma crise fiscal de
bom tamanho e um País rachado ao meio.
Na hipótese de uma virada histórica, Lula terá mais uma vitória, mais um mandato para sua biografia e a chance de, finalmente, preparar um sucessor para uma esquerda sem rumo. Mas ele vai enfrentar um PL avassalador no Congresso e corre um grande risco: fechar a longa carreira com um governo mequetrefe, de forma melancólica. O terceiro mandato já não foi lá essas coisas.
Se confirmar o favoritismo nas pesquisas nas urnas, Flávio vai se livrar das investigações sobre amizades, sociedades e milhões de reais embolados tanto com Vorcaro como com a quadrilha do INSS. Mas, com a oposição a postos, vai ter de se blindar contra qualquer suspeita de corrupção no governo e os ímpetos obscurantistas da extrema direita. A esquerda está mobilizada e o exemplo Collor não está tão distante assim.Perca ou ganhe, Lula tentará manter a
mobilização do “Exército de Lula” e o sucesso de André Janones. Mas não vale
subir a rampa pela quarta vez como em 2023, só com símbolos, mulheres,
indígenas, pretos, pessoas com deficiência. É preciso rumo, marca e uma
personalidade convincentes para o novo governo.
Se for Flávio, além de incorporar todas as
propostas sociais de
Lula, como já fez no debate da Globo, deveria
surpreender com o que mais falta na família Bolsonaro: moderação. Ele diz que
vai tirar o pai da prisão antes da posse e bancar a redução da maioridade
penal, mas não precisa partir para armas, munições, tesouraço... já no primeiro
instante.
No debate, Lula teve seus melhores momentos
com uma cobrança dura, ao ser chamado de “nove dedos” por Flávio, e ao
perguntar sobre o não julgamento do policial que matou Ana Clara, de 5 anos,
com um tiro. Também defendeu seu legado em infraestrutura, apoio ao Nordeste e
inclusão social.
Flávio, que fora arrogante no debate
Band/Estadão, insistiu em defender o policial assassino, mas acertou ao pedir
desculpas por chamar Lula de “nove dedos” e por ter sido o único deputado do Rio
a votar contra o aumento da licença maternidade.
Os dois candidatos tentam se equilibrar entre
os sacos de bondade da campanha e a realidade de cortes, tesouras e escolhas de
Sofia, com pressões de todo lado, no governo. Bem, a sorte está lançada e o resultado
tende a ser apertado. Só nos resta torcer para que o futuro presidente tenha
equilíbrio, equipe e, mais do que tudo, juízo. •

Um comentário:
Eliane pode chorar que o choro é livre
Por mais maldição que cê joga no Bolsonaro você vai ter que engolir
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