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sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Julgamento no STF atrasará, e penas poderão ser alteradas
As divergências sobre
os critérios a serem adotados pelo STF para definir as penas dos condenados no
processo do mensalão atrasará o fim do julgamento.
Ministros admitiram a
possibilidade de mudar os votos no final, o que pode levar à redução de penas.
Ramon Hollerbach,
ex-sócio de Marcos Valério, já foi condenado a 14 anos e quatro meses de
prisão.
Julgamento
sofre atraso, e Supremo pode rever penas
Em três sessões, ministros só conseguiram definir a situação de Valério
Pelo menos quatro magistrados admitem que no final poderão mudar seus votos
e reduzir punições
Felipe Seligman, Flávio Ferreira, Márcio Falcão e Nádia Guerlenda
BRASÍLIA - A falta de consenso entre os ministros do Supremo Tribunal
Federal para fixar as penas dos 25 condenados no processo do mensalão vai
atrasar o final do julgamento, que completa três meses na próxima semana.
Ministros também já admitem que as punições que foram estabelecidas irão
passar por ajustes no final, o que deve resultar na redução das penas de alguns
condenados.
"Estamos deixando para o fim um ajuste e vocês não estranhem, não,
dosimetria de pena é assim mesmo. Vamos estabelecendo parâmetros e no final
faz-se as unificações", disse o presidente do STF, Carlos Ayres Britto.
Em três sessões para analisar a chamada dosimetria, os ministros tiveram uma
série de embates por divergências técnicas e só conseguiram definir as penas relativas
a Marcos Valério (mais de 40 anos de prisão) e parte das condenações de seu
sócio Ramon Hollerbach (mais de 14 anos).
A expectativa de Britto e do relator do mensalão, Joaquim Barbosa, era
terminar a análise das penas de todos os condenados até ontem.
Nas ultimas sessões, porém, novas divergências entre Barbosa e o revisor,
Ricardo Lewandowski, levaram o tribunal a longas discussões.
Os integrantes do STF debatem questões como a aplicação de penas diferentes
para personagens com maior ou menor destaque e a lei mais adequada a ser
aplicada.
Ontem, por exemplo, quando discutiam a condenação de Hollerbach por lavagem
de dinheiro, decidiram aumentar sua pena em dois terços, mas se deram conta
que, no mesmo caso, a punição de Valério aumentou só um terço.
Diante dos impasses, a Folha apurou que ministros já dão como praticamente
impossível o término do julgamento antes da aposentadoria obrigatória de Ayres
Britto, que completa 70 anos em 18 de novembro. Com isso, o julgamento pode
terminar com Barbosa na presidência.
O STF não realizará sessões na semana que vem, pois o relator tem viagem
para a Alemanha, onde irá tratar de seu problema na coluna. O caso será
retomado no dia 7.
Ao menos quatro ministros -Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, Marco
Aurélio e Cármen Lúcia- disseram haver possibilidade de redução no tamanho das
penas.
Isso acontecerá se eles considerarem os crimes de Valério e sócios não de
forma separada, mas como um só. Daí receberiam apenas uma sanção, e não várias.
Se isso ocorrer, o tribunal poderia considerar os três episódios em que
foram condenados (desvios no Banco do Brasil, Câmara e compra de apoio
político) em um grande crime, escolhendo a maior das penas. Há ainda a
possibilidade de haver uma punição só para corrupção e peculato, por serem
contra a administração pública.
Fonte: Folha de S. Paulo
De olho em Valério: Transferência de bens é investigada
A Procuradoria Geral da
República decidiu investigar as circunstâncias em que Marcos Valério, operador
do mensalão, comprou duas casas e um carro, em Belo Horizonte, e registrou em
nome da filha. Esses bens não estão entre os bloqueados pela Justiça.
No
rastro dos bens de Valério
Com patrimônio bloqueado, operador do mensalão comprou duas casas e carro no
nome da filha
Thiago Herdy, Ezequiel Fagundes
BELO HORIZONTE - A Procuradoria Geral da República (PGR) aguarda o fim do
julgamento do mensalão para investigar as circunstâncias em que Marcos Valério,
o operador do esquema, comprou duas casas milionárias no bairro da Pampulha, em
Belo Horizonte, e registrou em nome da filha mais velha, que hoje tem 21 anos e
é estudante de psicologia na capital mineira. Como mostrou O GLOBO em agosto, as
casas valem pelo menos R$ 1 milhão, cada, e não integram a lista de bens de
Valério bloqueados pela Justiça.
E este não é o único bem registrado recentemente em nome da filha. Há pouco
mais de um mês, quando já estava condenado pelo STF por corrupção ativa,
peculato e lavagem de dinheiro, Valério comprou um veículo Kia Cerato, modelo
2013, por R$ 63,5 mil, e registrou em nome da mesma filha. Atualmente, o
veículo é usado pela mulher de Valério, Renilda Santiago, como constatou esta
semana O GLOBO.
Registrar imóveis em nome da filha, em si, não é fraude. Mas é preciso
verificar se a filha tinha meios de adquirir aqueles imóveis - disse o
procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Para ele, é preciso "esperar que esta fase do julgamento acabe"
para tomar qualquer tipo de providência efetiva em relação ao tema.
- Sempre se terá que demonstrar a real propriedade. Se realmente os bens
forem dele, há como se tentar (a inclusão das novas propriedades no bloqueio de
bens já determinado pela Justiça) - disse o chefe do Ministério Público.
Valério: multa já chega a R$ 2,8 milhões
Os ministros do Supremo já decidiram que os bens de Valério devem ser usados
para ressarcir os cofres públicos, mas os valores só serão estipulados ao fim
da ação penal. Será preciso confirmar que os bens estão direta ou indiretamente
relacionados à prática dos crimes ligados à lavagem de dinheiro.
Independentemente disso, é certo que Valério deverá desembolsar recursos, em
função das penas que recebeu. Cálculo preliminar das condenações no STF aponta
o pagamento de multa de quase R$ 2,8 milhões. Este valor também será confirmado
ao fim do julgamento. A terceira investida sobre os bens de Valério poderia
ocorrer por meio de um pedido da PGR de fixação de indenizações ao poder
público pelos condenados no processo, alternativa ainda em estudo.
O Kia Cerato foi comprado por Valério em uma concessionária em Belo
Horizonte perto da casa onde vivia até pouco tempo com Renilda. Pelo interfone,
Renilda informou que Valério não mora mais na casa. No entanto, mesmo à
distância, ele mantém vínculo com a família. Ontem, um funcionário dele chegou
na residência para levar roupas sujas do operador do mensalão, que foram
entregues à empregada. Em outros dias, o funcionário buscou contas e levou
documentos para a mulher de Valério.
Localizada no Bairro São Luiz, a casa onde a família de Valério vive é uma
das que foram adquiridas recentemente e não está bloqueada pela Justiça. As
duas propriedades são luxuosas, têm dois andares, piscinas, estacionamento para
veículos e estão protegidas por muros altos, com direito a guarita de segurança
e câmeras de vigilância. Estão a poucos metros uma da outra e no vetor norte de
Belo Horizonte, região em franca valorização por causa da proximidade com
Cidade Administrativa do governo de Minas, construída recentemente.
Os outros bens de Valério também estão registrados em nome da filha, mas,
como também estão vinculados a registros de usufruto de Valério e sua esposa
Renilda, foram bloqueados pela Justiça. E não apenas em função da determinação
do ministro Joaquim Barbosa, que solicitou a medida em 2005, em razão de ação
cautelar proposta no STF pelo Ministério Público Federal. Nos registros de
imóveis, há menção a ações contra Valério nas cidades mineiras de Sete Lagoas,
Contagem e Brumadinho, com pedido de sequestro de bens.
Oficialmente, o operador do mensalão tem uma sala comercial no bairro Santo
Antônio, um terreno de 11 mil metros quadrados com galpão onde funciona uma
floricultura no Bairro Bandeirantes, uma casa no Bairro Castelo (onde morava
quando o mensalão foi descoberto), e um apartamento no bairro de classe média
Padre Eustáquio, comprado em 1993, com a ajuda de um financiamento. A medida
judicial não impede Valério de alugar seus imóveis.
Uma pessoa muito próxima do operador do mensalão, que esteve com ele no
início da semana, disse que ele já demonstrava estar conformado com a aplicação
de pena que poderia chegar a 30 anos de prisão. No entanto, ainda assim Valério
demonstra bastante abatimento em função do resultado final do julgamento.
Fonte: O Globo
Com sessões ao vivo, STF conquista telespectador
Leitura do voto de Joaquim Barbosa no dia 3 teve mais audiência do que
"Friends"
Cristina Tardáguila
DE OLHO NO MENSALÃO
Desde o dia 2 de agosto, quando começou o julgamento da ação penal 470 no
Supremo Tribunal Federal (STF), um grupo de engenheiros aposentados do Rio
acompanha as sessões ao vivo, pela TV. Nos intervalos, trocam telefonemas. De
noite, e-mails. O grupo nunca teve interesse pelo Judiciário, mas agora é parte
de uma audiência nova e numerosa que chama a atenção dos canais de televisão.
- Já fui com o prato do almoço para a frente da TV - conta, rindo, o
engenheiro mecânico Carlos Hilberto Leite, de 78 anos. - Não sou noveleiro, mas
o trabalho da Corte fisgou a atenção ao alimentar minha sede de justiça.
- Logo no início, fiquei impressionado com a forma didática com que o
Ministério Público, os advogados e os ministros se colocaram. O vocabulário era
acessível e deu para acompanhar tudo - acrescenta o engenheiro civil Ubirajara
Ferreira, de 79 anos.
Transmitido ao vivo pela TV Justiça e pela Globo News, o julgamento teve
índices de audiência além dos esperados. "No dia 3, durante o voto do
ministro relator, Joaquim Barbosa, das 17h11 às 18h59, a Globo News foi líder
no ranking de audiência da TV paga", informa o canal. Em miúdos: houve um
dia em que o STF venceu séries como "Friends" (Warner) e
"Brothers and sisters" (GNT).
- Isso prova que há no país um telespectador que não quer só entretenimento
e diversão - avalia o sociólogo Dario Caldas, do Observatório de Sinais. - A
audiência do STF é prova de que há brasileiros que querem ser informados.
Para que as mais de 40 sessões da Corte passem ao vivo, uma equipe de cerca
de 50 funcionários da TV Justiça trabalham desde julho. No plenário do STF,
instalaram cinco câmeras. No subsolo, uma central de edição de onde a diretora
Bethânia Veiga regeu cortes e editou o conteúdo no calor dos eventos. Por duas
vezes, usou o gerador.
E a audiência também apareceu no canal do STF no Youtube. Na aba do
mensalão, há 93 vídeos. Alguns deles acumulam mais de 20 mil visualizações -
dez vezes mais do que os do julgamento da reserva Raposa Serra do Sol e sete
vezes mais do que a Ficha Limpa.
Fonte: O Globo
STF condena ex-sócio de Valério a 14 anos por 5 crimes
Em mais uma sessão
marcada pelas divergências sobre os critérios a serem adotados para fixar as
penas do mensalão, o STF condenou Ramon Hollerbach, ex-sócio de Marcos Valério,
a 14 anos, 3 meses e 20 dias por cinco de suas condutas. Anda falta a
apreciação de três crimes.
Ex-sócio de Valério
pega mais de 14 anos
Em mais uma sessão lenta, Supremo definiu apenas parte das penas a serem
aplicadas a Ramon Hollerbach; julgamento só volta dia 7
Felipe Recondo, Mariângela Gallucci, Eduardo Bresciani, Ricardo Brito
As penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal ao núcleo publicitário do
mensalão já ultrapassam, somadas, meio século de prisão. Em mais uma sessão
marcada pela confusão de ministros sobre os critérios a serem adotados, foi
fixada a pena de Ramon Hollerbach, ex-sócio de Marcos Valério, por apenas cinco
de suas condutas, faltando ainda a apreciação de outros três crimes.
Com o ritmo lento e a suspensão do julgamento na próxima semana, mais um
ministro deve deixar a Corte durante o processo. O presidente, Carlos Ayres
Britto, aposenta-se dia 18 e provavelmente terá de antecipar seu voto sobre as
penas dos condenados. Com isso, o julgamento deve ser concluído tendo Joaquim
Barbosa na relatoria e também na presidência.
Na sessão de ontem, a 42.ª do processo, os ministros aplicaram penas a
Hollerbach por formação de quadrilha, por duas acusações de peculato e duas
práticas de corrupção ativa. Se somadas, elas chegariam a 14 anos, 3 meses e 20
dias, além de ultrapassar R$ 1,5 milhão em multas.
Restam ainda as penas por lavagem de dinheiro, corrupção ativa pela compra
de votos de parlamentares e evasão de divisas. Seu ex-sócio e operador do
esquema, Marcos Valério, é o único a conhecer a sua pena por todos os crimes.
Elas chegariam, somadas, a 40 anos, 1 mês e 6 dias, além de quase R$ 3 milhões
em multas.
Alguns ministros, porém, já afirmaram que vão analisar ao final se houve
continuidade delitiva nos crimes de peculato e corrupção ativa cometidos em
relação à Câmara e ao Banco do Brasil - providência que pode reduzir a pena
final, pois não haveria a soma das penas impostas para cada uma das
condenações. Ontem, no debate sobre o crime de lavagem de dinheiro atribuído a
Hollerbach chegou-se a cogitar também ampliar a pena aplicada a Valério, que
foi de 6 anos, 2 meses e 20 dias, pois o critério de aumento pela prática
reiterada do crime - 46 operações - foi inferior ao máximo legal.
Na fixação das penas as contradições têm sido frequentes. Os ministros
concordaram que a participação de Hollerbach seria menor que a de Valério. O
relator, porém, chegou a propor penas mais altas para o ex-sócio por
esquecer-se de que fora derrotado na fixação de punição a Valério por crimes de
corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Recuos. Alertado por outros ministros, como Celso de Mello, o relator
alterou o voto na última hora. Em outro caso, Barbosa foi socorrido por Marco
Aurélio Mello, para evitar a aplicação de uma pena inferior a 2 anos, que já
estaria prescrita. Antes, o próprio relator tinha ironizado o advogado de
Hollerbach, Hermes Guerrero, por este defender da tribuna a adoção de penas
mais baixas, o que livraria seu cliente da punição.
Iniciado em agosto, o julgamento será interrompido na próxima semana e será
retomado somente no dia 7, pois o relator do processo, Joaquim Barbosa, viajará
para a Alemanha onde se submeterá a tratamento de saúde. Além de concluir a
análise sobre Hollerbach, os ministros precisam estabelecer penas para outros
23 condenados, entre os quais os ex-líderes petistas José Dirceu, José Genoino
e Delúbio Soares.
As previsões para o encerramento do processo vêm sendo frequentemente
ultrapassadas. A última era de conclusão ontem. Para isso, estimava-se em três
dias a fase de dosimetria. Neste prazo, no entanto, só foram analisadas a
conduta de um réu e parte da de outro. Por causa desse ritmo, Britto não deverá
ter tempo suficiente para concluir sua participação. Isso já ocorreu com Cezar
Peluso, que votou apenas no primeiro dos sete itens do processo.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Matemática complexa
Com três sessões destinadas à dosimetria das penas, ministros do STF conseguiram
calcular apenas a punição de Marcos Valério. Mesmo assim, reconhecem que
ajustes serão necessários
Ana Maria Campos, Diego Abreu, Helena Mader
Sem tradição de julgar ações penais, o Supremo Tribunal Federal (STF)
engasga na parte final da análise do mensalão, a fase do cálculo das penas dos
condenados. Em três sessões dedicadas ao assunto, os ministros só conseguiram
arbitrar o tempo que o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza passará na
cadeia e mesmo assim essa decisão ainda será revista. A matemática jurídica das
punições é uma questão complexa e exige prática na aplicação do Código Penal.
Na sessão de ontem, os ministros não se entendiam. Em alguns momentos, nem
mesmo o relator, Joaquim Barbosa, conseguia detalhar qual crime especificamente
analisava. Ele foi interrompido várias vezes pelo decano, Celso de Mello, com
intervenções sobre a aplicação das penas. Na véspera, Barbosa chegou a propor
uma pena de multa para Marcos Valério pela condenação no crime de formação de
quadrilha, quando o Código Penal não tem tal previsão.
Barbosa precisou rever o voto relativo à corrupção ativa de Marcos Valério
na compra de apoio político no Congresso. Advertido por Celso de Mello sobre a
aplicação da lei num patamar mais brando em função da mudança no texto do
Código Penal, o relator refez as contas.
Apesar do ajuste, a pena imposta a Marcos Valério por corrupção do deputado
João Paulo Cunha (PT-SP) deverá ser revista, segundo a avaliação de ministros,
porque Joaquim Barbosa partiu do mínimo de dois anos, quando a lei vigente na
época previa patamar deu mano. Os ministros estavam dispersos ontem. A ministra
Rosa Weber chegou a dizer que estava impedida de votar numa parte porque havia
absolvido Ramon Hollerbach, ex-sócio de Valério, quando na verdade a magistrada
o havia condenado. “Onde estamos?”, perguntou no meio da sessão, perdido com as
confusões do plenário, o ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo.
A sessão foi suspensa no fim da tarde de ontem sem uma conclusão sobre as
penas destinadas a Hollerbach pelo crime de lavagem de dinheiro, tema que
também despertou muita divergência.
Os ministros começaram a votar uma pena de sete anos e seis meses para o
empresário, mas depois se deram conta de que ele, um personagem secundário no
esquema na visão dos ministros, ficaria assim com uma punição mais severa do
que Marcos Valério, considerado o líder. Até o encerramento da sessão,
Hollerbach estava condenado a 14 anos, 3 meses e 20 dias por formação de
quadrilha, corrupção ativa e peculato.
Continuidade
Para fixar uma pena, o juiz precisa levar em conta os limites para penas
previstos na lei, as circunstâncias do crime, a personalidade do réu e as
consequências do ato. Além disso, é necessário considerar se o ilícito ocorreu
de forma isolada ou se algumas ações levaram a outras, a chamada continuidade
delitiva. São critérios.
Em geral, um juiz singular, de primeira instância, faz essa análise.
Sentenças contestadas em recursos são revistas em colegiado, mas apenas para
considerar se houve ou não razoabilidade e legalidade. Analisar penas sobre um
processo tão complexo, com 25 condenados, sete crimes, mais de mil ocorrências,
num plenário com 10 ministros, tem se mostrado uma tarefa complexa.
Todos têm extensa formação jurídica, mas na atual composição nenhum tem
especialização na área criminal. A grande referência dos ministros, apontado
como mestre em direito penal por quase todos, é Nelson Hungria, que se
aposentou em abril de 1961. A última referência na área criminal citada é a do
hoje advogado Sepúlveda Pertence, que começou a carreira no Ministério Público
e se aposentou no STF em agosto de 2007.
Ayres Britto afirmou ontem que serão feitos ajustes no fim do julgamento.
“Dosimetria de pena é assim mesmo. Vamos estabelecendo parâmetros e no final
são feitas as unificações”, explicou o presidente do STF. “No fim, se
observarmos certos parâmetros, é claro que faremos um recálculo”, disse.
Votação agora só em novembro
Com a demora na definição das penas, os ministros já apostam que o resultado
do julgamento do mensalão será proclamado pelo relator do processo, Joaquim
Barbosa. O atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ayres Britto, se
aposenta até 18 de novembro, quando completará 70 anos. Até lá, poderá presidir
apenas quatro sessões destinadas à Ação Penal 470.
O julgamento sobre os cálculos da pena foi interrompido ontem e só retornará
daqui a 12 dias, com uma sessão em 7 de novembro. Na próxima semana, Joaquim
Barbosa estará em Dusseldorf, na Alemanha, onde fará tratamento para o problema
crônico que enfrenta de dores no quadril. Ele tomará posse na presidência do
STF em 22 de novembro e deverá conduzir as sessões e relatar o processo ao
mesmo tempo.
Sem conclusão para a dosimetria do empresário Ramon Hollerbach, os ministros
só encerraram até agora a parte relacionada a Marcos Valério Fernandes de Souza
e também voltarão a tratar do assunto. Faltam ainda outros 23 réus, entre os
quais a situação do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu e do
ex-presidente do PT José Genoino, condenados por corrupção ativa e formação de
quadrilha.
Ayres Britto já não tem certeza se participará do cálculo das penas de todos
os réus que condenou. Se não houver tempo de acompanhar todas as sessões, ele
terá de tomar uma decisão sobre antecipar ou não seus votos. Cezar Peluso, que
deixou o STF no início de setembro, não quis antecipar sua posição sobre os
capítulos que seriam analisados depois de sua aposentadoria.
Marcada inicialmente para 5 de novembro, a retomada do julgamento ficará
para dois dias depois em função de compromissos dos ministros. Ayres Britto
chegou a anunciar o agendamento de uma sessão extra na manhã de 8 de novembro.
Teve, no entanto, de suspendê-la porque não houve acordo no plenário.
Fonte: Correio Braziliense
Preocupação saudável - Merval Pereira
Mesmo que demonstrem estar aprendendo na prática a fazer dosimetrias, sem
conseguir assim deslanchar a conclusão do julgamento do mensalão, os ministros do
STF vêm dando demonstração pública de suas preocupações com a coerência de seus
votos, sempre no sentido de não atribuir aos réus penas que não correspondam à
real participação de cada um no esquema de corrupção.
Os desacordos a que estamos assistindo ao vivo e em cores aconteceriam do
mesmo modo se as reuniões fossem realizadas nos bastidores do STF. Só não
saberíamos o que se passou, e o acórdão com penas e demais decisões seria
divulgado já escoimado de todos os erros e incoerências verificados nas discussões
da dosimetria.
Este é um dos problemas da decisão de transmitir as sessões ao vivo pela TV.
O que pode parecer a nós leigos desencontro impensável entre ministros que
deveriam saber o que fazer numa hora dessas é, na verdade, discussão normal
sobre a aplicação de penas em processo atípico, que reúne vários réus e vários
crimes, com alguns dos réus acusados de diversos crimes. Como disse ontem o
presidente do Supremo, Ayres Britto, a dosimetria é tarefa muito mais simples
para um juiz singular do que para um colegiado como o do STF, visto como uma
reunião de 11 ilhas, cada qual com seu próprio ponto de vista. Saber voltar
atrás em decisões pessoais para se adaptar ao voto majoritário é uma tarefa
árdua para muitas daquelas personalidades, que estão aprendendo a fazer isso
diante dos olhos da opinião pública, os telespectadores.
O que aconteceu ontem foi muito diferente dos primeiros dias da dosimetria,
quando houve erros claros no uso de legislação e aplicação de pena que não
existia na lei. O que se viu ontem foi a preocupação saudável de todos os
ministros de dar coerência às penas, mesmo que seja preciso revisitar algumas
das penas já dadas a Marcos Valério.
Precisamos de critérios e premissas, bradou a certa hora Luiz Fux. Há
evidentemente uma diferença conceitual entre o que pensa o relator Joaquim
Barbosa e o revisor Lewandowski sobre a aplicação das penas, mas ambos
concordam em que é preciso tomar cuidado para que as penas de todos os réus
guardem coerência entre si. E, para isso, se dispuseram a rever seus critérios
em relação a Ramon Hollerbach, para que sua punição no caso de lavagem de
dinheiro seja menor que a dada a Marcos Valério. Lewandowski continua
insistindo em que é preciso olhar o conjunto da pena de cada réu, para aplicar
a dose certa. Barbosa mostra-se irritado com essa tese, pois acredita que, com
as brechas que existem na legislação penal brasileira, é preciso ser rigoroso
para que a pena não acabe sendo anulada pelos abrandamentos nela contidos. Foi
por isso que ele se insurgiu contra o pedido do advogado de Hollerbach para que
o voto do ex-ministro Cezar Peluso, que deu pena mínima para o réu na questão
de lavagem de dinheiro, fosse levado em conta na hora da definição total da
pena. "Pena mínima que certamente fará com que o crime esteja
prescrito", comentou ironicamente o relator.
É possível que o julgamento não chegue ao fim antes da aposentadoria
compulsória de Ayres Britto, a 18 de novembro. Mesmo que isso aconteça, não
haverá grandes problemas porque, como ele comentou, os critérios já estarão
definidos na retomada do julgamento em 7 de novembro, e ele deixará seus votos
por escrito.
A questão a resolver é se o relator Joaquim Barbosa deve assumir a
presidência acumulando as duas funções. Embora não exista nada no regimento interno
que proíba, como a votação está ancorada nos votos do relator e do revisor,
seria razoável que outro ministro presidisse as poucas sessões que restarão,
para que não pairem dúvidas sobre a condução do julgamento. Especialmente se o
núcleo político for o último a ter as penas definidas.
Ao contrário do que escrevi ontem, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares está
condenado em apenas dois crimes, formação de quadrilha e corrupção ativa, não podendo,
portanto, ser condenado a tantos anos quanto o lobista Marcos Valério
Fonte: O Globo
Pesando a mão - Eliane Cantanhêde
Antes do julgamento do mensalão, as pessoas comuns, nas ruas, nos bares, na
família, comentavam que não iria começar tão cedo. Começou, apesar da eleição.
Quando o procurador Roberto Gurgel leu a sua longa e contundente peça, as
mesmas pessoas davam de ombro, certas de que eram palavras ao vento e os
ministros nem iriam ouvir.
Começaram os votos, muito mais duros do que o previsto, e cidadãos e cidadãs
ainda ironizavam: "Isso aí é só para inglês ver, não dá em nada".
Está dando em muita coisa.
Os ministros foram condenando um a um, por peculato, por corrupção passiva,
por lavagem de dinheiro, mas muita gente ainda não se dava por convencida:
"Só vão pegar os mequetrefes". Novo erro.
Além dos mequetrefes, os ministros condenaram os grandes operadores, Marcos
Valério e Delúbio Soares, e os incrédulos passaram a duvidar da etapa seguinte:
"Quero ver condenarem o Dirceu". Condenaram por corrupção ativa.
Aí, foi a vez de garantirem, com ar de esperteza, de quem sabe tudo:
"Ha, ha. Agora, vão dar um jeito de absolver Dirceu por formação de
quadrilha". E tome nova condenação, incluindo uma atualização do conceito
de quadrilha.
Depois de toda essa sequência de condenações e de sinais claríssimos de que
a alta corte estava sendo, seria e será implacável, a grande dúvida passou a
ser: "Condenar, condenaram. Mas duvido que alguém vá parar na
cadeia". Pois bem, senhores e senhoras, já não há a menor dúvida: vai ter
cadeia, sim.
Aliás, o relator Joaquim Barbosa alega que "não confia na integralidade
do sistema" e, para evitar que os condenados passem só alguns meses
presos, joga as penas lá para cima.
Os ministros discutem 2, 14 ou 40 anos num "quem dá mais", como se
não estivessem decidindo a vida de pessoas. Condenar a 40 anos quem não feriu
nem ameaça a integridade física de ninguém parece demais.
Estão pesando a mão.
Fonte: Folha de S. Paulo
Em praça pública - Dora Kramer
Beira a mais completa ligeireza a insistência de se reduzirem os debates
entre os ministros do Supremo Tribunal Federal a meros bate-bocas entre pessoas
nervosas.
Não há no plenário "vozerio de briga" ou "conversa simples,
despretensiosa", conforme definição daquele termo no Aurélio.
O que existe, desde o primeiro dia, é um exame de mérito de um processo
complicado que fala de legalidade, que diz respeito à liberdade de pessoas, que
contém implicações institucionais e sinaliza balizas futuras para o trato de
crimes contra a administração pública.
O grau de divergência entre os ministros expressa a complexidade das
decisões a serem tomadas. Nada mais natural - vale dizer, desejável até - que
haja altercações.
Não há o que temer quando se estabelece o embate de posições. Antes a tensão
dos confrontos que a paz dos cemitérios.
Preocupante seria se o Supremo examinasse um processo dessa magnitude na
ausência do contraditório, de forma asséptica, inacessível à compreensão do
público.
Ou, como parecem preferir alguns, ao molde de caixa-preta a fim de se fugir
do "espetáculo".
Se a regra inédita aplicada aos julgamentos da Corte Suprema brasileira é a da
transparência, o STF está sendo absoluto: não atua no pressuposto do prato
feito nem das combinações prévias como seria da natureza de uma Justiça feita
na base da "exceção".
Tudo ocorre à vista e ao escrutínio da sociedade que ao fim e ao cabo é o
melhor juiz da causa.
Os ministros fazem o mais difícil, se expõem. Por isso mesmo é maior o
compromisso deles em relação à coerência e à consistência dos votos.
Em um dos embates da sessão de quarta-feira, o relator Joaquim Barbosa teve
de recuar várias vezes, ficou vencido na discussão sobre aplicação de lei com
maior ou menor rigor a Marcos Valério no caso da propina paga a Henrique
Pizzolato, do Banco do Brasil, foi corrigido e mais adiante precisou pedir
desculpas ao revisor por ter ultrapassado o limite da civilidade ao acusar
Ricardo Lewandowski de atuar como advogado dos réus.
Tudo isso e muito mais de maneira aberta, oferecendo-se o tribunal ao
julgamento público enquanto julga.
Pela ótica do bom senso - algo que deveria ser reconhecido como positivo. Entre
outros motivos, porque é a própria vacina contra a exorbitância que apontam os
críticos.
Ainda que saudável, a forma é secundária. Prioritário é o conteúdo. E este
dirime qualquer dúvida sobre a questão da impunidade, centro das aflições
nacionais. Confirmada a ocorrência dos crimes, só resta saber o tamanho da
punição.
Fica, com isso, introduzido para o futuro um fator de risco a ser levado em
conta por quem acha que a administração pública é terra de ninguém.
Chumbo trocado. Passada a eleição
municipal, iniciados os primeiros movimentos concretos rumo à disputa
presidencial de 2014, vai se explicitar uma ofensiva do PT contra o governador
de Pernambuco, Eduardo Campos.
Principalmente se conseguirem derrotar o PSDB em São Paulo, os petistas vão
se preocupar menos com os tucanos e muito mais em fazer de Campos um alvo. Pelo
que anda dizendo o governador pernambucano dos petistas, digamos que será
plenamente verdadeira.
Debaixo do pano. No oficial está
mantido o acordo PT-PMDB de rodízio na presidência da Câmara, com a eleição do
pemedebista Henrique Eduardo Alves em fevereiro de 2013. No paralelo, parte da
bancada petista incentiva o lançamento do deputado Júlio Delgado (PSB) como
alternativa.
Se for indispensável, o PT até engole o sapo, mas preferia não ver Câmara e
Senado sob o comando do PMDB. No crucial ano de 2014.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Dois pesos e três medidas - Nelson Motta
Ninguém aguenta mais falar do mensalão. Então pouparei os leitores de mais
um mergulho na lama - não só das condenações do julgamento, mas dos gigabytes
de lixo digital que provocaram, de um lado e de outro, nivelados pelo ódio
irracional, a ignorância e a covardia. Decisões judiciais não se discutem,
cumprem-se. Se o Supremo Tribunal Federal não for a garantia máxima dos
direitos individuais e da Constituição, quem os garantirá? As Forças Armadas, a
polícia ou as milícias?
É mais interessante aguardar o julgamento dos mensalões de Minas e de
Brasília, já com jurisprudência firmada pelo STF e sob a vigilância da imprensa
e da opinião publica. Quem ainda vai querer discutir se os julgamentos serão
políticos ou técnicos? Se os critérios que a maioria do Supremo usou para
condenar petistas e petebistas não foram justos, como podem servir para
condenar tucanos e demos? O "moralismo udenista" que condenou uns
será menos moralista, ou udenista, para condenar outros?
Espero que todos esses, chamados pelo ministro Celso de Mello de
delinquentes e conspiradores, paguem por seus crimes contra a democracia, assim
como seus colegas de outros partidos, porque está provado que a desonestidade,
a sem-vergonhice e a ganância de poder são suprapartidárias - a honestidade, a
decência e a ética são qualidades individuais e ninguém detém seu monopólio.
Só espero que os condenados de Minas e de Brasília não sejam transformados
pelos seus partidos em heróis da democracia, ou vítimas do sistema eleitoral.
Mas que assumam suas responsabilidades e convivam democraticamente com seus
adversários políticos, e agora colegas de crime, no pátio da cadeia.
Também estou esperançoso que esses julgamentos tenham no Brasil o efeito que
a Operação Mãos Limpas teve na Itália, mudando a cultura politica e habituando
o povo a ver banqueiros, empresários e políticos poderosos respondendo pelos
seus crimes como qualquer cidadão. Mas aí é esperar demais: nada garante que
eles vão melhorar, o mais provável é que inventem novos esquemas ilegais, mais
discretos e eficientes, para fazer caixa e manter o poder.
Fonte: O Globo
Uma hegemonia tropical - Fernando Gabeira
"Ideologia, eu quero uma para viver". Se Cazuza estivesse vivo,
talvez se interessasse por uma palavra que rima com ideologia e ocupa novo
espaço no cenário político brasileiro. Hegemonia é um termo que assusta os
adversários do PT e preocupa seus aliados. Embora ninguém se tenha dedicado a
defini-la, todos temem perder a independência.
Que tipo de hegemonia está em jogo? A palavra, na teoria leninista,
significa a tomada do poder político e a instalação da ditadura do
proletariado. Na versão de Antonio Gramsci, a hegemonia faz-se por um processo
cultural, implica concessões e tem como perspectiva a introjeção pela sociedade
das ideias do partido revolucionário.
Não creio que o PT trabalhe com essas duas perspectivas de hegemonia. Na
verdade, pouquíssimos leram Lenin, não só pela distância no tempo, mas pela
aridez do seu estilo. O próprio Gramsci é muito mais conhecido por citações
esparsas.
Dentro da simplicidade que rege o pensamento do militante comum, a ideia de
hegemonia nasce da definição do papel da classe operária. Se, por força
teórica, essa classe deve ser hegemônica, nada mais razoável do que ser
hegemônico também o partido que a representa.
Essa coreografia fantasmagórica não teria palco em outros países onde não se
vê a classe operária com potencial hegemônico e se tem consciência das próprias
transformações que ela viveu, com o crescimento do trabalho intelectual. Para
ser mais simples: já no início do exílio, quando perguntávamos aos operários
suecos por seus correspondentes russos, eles suspiravam, não de admiração, mas
de pena por suas precárias condições de vida e, sobretudo, de liberdade.
Mas se o tema volta à cena no Brasil, é porque tem importância. As
constantes vitórias eleitorais do PT e a ocupação de cada milímetro da máquina
estatal fortalecem o medo. O avanço da esquerda latino-americana sobre a
imprensa e a Justiça nutrem a impressão de que estamos diante de uma nova onda
histórica.
Mas será que estamos mesmo diante de uma nova onda histórica ou é apenas
ilusão de ótica de quem tem uma visão parcial do mundo? A classe operária
brasileira, assim como a dos outros países, quer basicamente melhoria de vida.
E contempla com seu voto, como o fez com a social-democracia, os partidos que
trabalham para isso quando assumem o governo.
A sede de poder do PT deve produzir uma nova frente anti-hegemônica,
composta por aliados e adversários do partido, uns querendo derrotá-los, outros
apenas buscando uma relação mais favorável. Isso talvez ajude a pôr as coisas
num patamar mais realista. Em primeiro lugar, a classe operária não é idêntica
à fantasia militante. Em segundo lugar, numa sociedade complexa como a nossa, a
palavra cooperação tem um alcance maior do que hegemonia.
Será um trágico erro histórico tentar aplicar no Brasil critérios do século
passado, pensar em governá-lo com estruturas fechadas e hierárquicas num
momento em que a sociedade tende a se organizar em redes. Não só o desempenho
das redes se choca com a ideia de hegemonia. Os partidos políticos, num regime
democrático, devem denunciar as intenções do parceiro quando sua visão teórica
aponta para a hegemonia.
Não sabemos o nível de intimidade do PT com a obra de Gramsci. Ele falava de
uma hegemonia ética política. O PT jogou esse primeiro termo no lixo e adotou a
perspectiva dos fins justificando os meios. Também não há uma ampla divisão de
mundo em que o PT busque a hegemonia.
Teses como casamento gay e descriminalização de drogas, constantemente
apresentadas como cavalos de Troia do socialismo, na verdade não foram criadas
por ele. E no íntimo são repudiadas por muitos dos seus líderes. Em Havana, no
início dos anos 1970, um militante gay perguntou sobre o tema ao embaixador
norte-coreano e ele respondeu: "Homem com homem? Isso não existe".
Gramsci vivia num país católico e pensava em saídas para o comunismo que
acabaram, de certa forma, inspirando mais tarde a proposta de compromisso
histórico entre Partido Comunista e Democracia Cristã. As grandes lutas
ideológicas no exterior estão hoje mais concentradas em impor limites e mais
racionalidade ao capitalismo. Não têm muito que ver com Gramsci. E, creio, nada
têm com Lenin, que previa pura e simplesmente a ditadura do proletariado. Essa
os próprios chineses foram obrigados a desmontar no campo econômico, mantendo-a
no político.
Não quero dizer que as pretensões hegemônicas de um partido sejam tão
anti-históricas que não valha a pena combatê-las. Adversário ou aliado, o PT
está no poder pelo poder. Lenin e Gramsci não tinham problema de eleições de
dois em dois anos. Se o tivessem, entenderiam a força da máquina e da grana.
Lenin faria uma nova revolução se lhe apresentassem a conta de uma produção de
TV. Gramsci voltaria de bom grado para o cárcere se lhe dissessem que as ideias
agora se produzem no departamento de marketing.
As forcas que se opunham ao PT foram sendo enfraquecidas pelas constantes
derrotas eleitorais e, naturalmente, pelo crescente distanciamento da máquina e
da grana. Nunca foram realmente forças de oposição, mas atuavam como um governo
no exílio, à espera de voltar ao poder. Fazer oposição dá mais trabalho e traz
inúmeros riscos.
Ao contrário do que possa se imaginar, a ascensão do PT e a queda dos
adversários não significam o fim da história. As eleições municipais no Brasil,
sobretudo nas grandes cidades, mostraram que milhões de pessoas não se
identificam nem com o PT, desfigurado pela corrupção, nem com seus adversários.
A distância entre a política tradicional e os eleitores abre um caminho de reflexão.
Ela pode crescer até os limites da legitimidade. Ou pode ser superada por
forças que tenham uma resposta para esse desencanto.
Quem falará aos ausentes e aos que votaram sem entusiasmo? O que dizer a
eles?
Fonte: O Estado de S. Paulo
Uma inflação de fiéis da balança - Maria Cristina Fernandes
Em 2000 as legendas aliadas ao governo Fernando Henrique Cardoso somaram 60%
dos votos válidos no primeiro turno. Doze anos depois, os aliados da presidente
Dilma Rousseff ultrapassaram os 70% dos votos.
O sucesso dos partidos governistas sob a égide tucana não foram suficientes
para manter o PSDB na Presidência da República em 2002. Por mais retumbante que
pareça, o desempenho dos aliados petistas este ano também não é garantia da
reeleição presidencial em 2014.
São fartas as evidências de que o eleitor da disputa municipal não se
subordina às estratégias eleitorais das lideranças partidárias.
Frente aos projetos de poder das legendas - e, contrariando o veredito da
toga, todos o têm senão não seriam partidos - há o eleitor que, cada vez mais
escolarizado, faz escolhas com crescente independência em relação a caciques
políticos de todas as colorações partidárias.
O que eleições municipais revelam é a estruturação das máquinas partidárias
para a conquista do voto. Um dos dados mais eloquentes da força dessas máquinas
é a eficácia com que convertem candidato lançado em prefeito eleito.
Nas contas de Wanderley Guilherme dos Santos, que coleciona esses dados
desde 1946, o PSB foi, de fato, aquele cuja eficácia eleitoral mais cresceu
este ano.
Mesmo que o segundo turno lhe seja favorável, a eficácia eleitoral do PSB,
no entanto, ainda não foi capaz de dar ao partido uma presença homogênea no
país. O partido de Eduardo Campos mantém-se concentrado no Nordeste. Fora da
região, elegeu mais de 10% dos municípios apenas em Amapá, Tocantins e Espírito
Santo.
As dificuldades que Dilma vai enfrentar, no entanto, não vêm das
vicissitudes do PSB, mas da profusão de legendas médias.
O PMDB continua a ostentar o título de partido com o maior número de
municípios, mas já começa a ser acossado em sua condição de fiel da balança.
Em 1988, primeira eleição de todos os municípios pós-redemocratização,
apenas cinco partidos elegeram mais de 5% dos prefeitos (PMDB, PP, PTB, PFL e
PL). Este ano, ainda sem contar o segundo turno, oito legendas já ostentam essa
condição (PMDB, PSDB, PT, PSD, PSB, PP, PDT e PTB).
Cada vez mais a aliança com o PMDB é necessária mas não suficiente para os
projetos reeleitorais do PT.
Dez partidos já têm mais de 250 prefeituras no país
Ao final deste segundo turno o PT deve se firmar como a única legenda que,
além de crescimento contínuo, tem distribuição nacional e presença em pequenos,
médios e grandes municípios.
Isso o define como um pólos da disputa nacional, mas não o único. Além de
assegurar os pemedebistas, a presidente ainda tem que se ver com a inflação de
partidos médios pelo país.
Seu partido e o PMDB formam a única dupla da política nacional com prefeitos
em todos os Estados da Federação. Mas a emergência das legendas médias traz o
risco de estas passarem a ser fiéis da balança de outros projetos
presidenciais. Dos resultados que se concluem neste domingo estes são o de
maior valia para 2014.
Vinte anos atrás, ao disputar a terceira eleição de sua história, o PT fez
planos de passar de 38 para 200 prefeitos. Calcou suas campanhas na onda do
impeachment de Fernando Collor de Mello que havia tomado o país naquele ano de
1992. O partido cresceu mas chegou a um quarto da meta que havia traçado com a
eleição de 54 prefeitos.
Se o impeachment, movimento que levou multidões às ruas, não pôde ser
capitalizado eleitoralmente, que dirá o mensalão.
A aposta excessiva no julgamento pode explicar o desempenho do PSDB cuja
curva de declínio nem o sucesso de 100% nos municípios que disputa nesse
segundo turno será capaz de reverter.
Apesar da queda, o PSDB mantém-se como a segunda força municipal a despeito
de estar há dez anos fora do poder. É um feito mais do que suficiente para
analistas como Fernando Limongi não verem ameaça a sua condição de principal
polo de oposição em 2014.
Petistas costumavam atribuir a implantação do segundo turno eleitoral à
reação conservadora contra sua chegada ao poder. Viam na maioria arregimentada
maquinação contra a perspectiva do partido mudancista chegar ao poder.
Acrescente-se ao petismo o vezo de se resumir a política nacional ao
território paulistano e a tese estava pronta. Houvesse segundo turno, Luiza
Erundina não teria sido eleita prefeita de São Paulo.
Passaram-se 20 anos desde a primeira eleição municipal em dois turnos. Pela
lente paulistana, vê-se agora um segundo turno com chances de evitar que o
candidato vitorioso na primeira rodada, mas rejeitado pela maioria, seja eleito
prefeito da maior cidade do país. Talvez haja mesmo avanços onde alguns só
enxergam conspiração.
Fonte: Valor Econômico
Por que vamos eleger Serra - Roberto Freire
Com seus quase 12 milhões de habitantes, São Paulo é a maior cidade não só
do Brasil, mas do Hemisfério Sul do globo terrestre. Uma capital gigantesca,
com problemas imensos que refletem os problemas nacionais. A megalópole abriga
pessoas de diversos níveis de renda e escolaridade, que compartilham as mesmas
praças e ruas, cenários que compõem suas vidas. O PPS lançou como candidata à
prefeitura Soninha Francine, que representou muito bem nosso partido no
primeiro turno da eleição em São Paulo. Agora, para o segundo turno do pleito,
decidimos apoiar José Serra (PSDB).
Compartilhamos a visão de Serra de que os problemas comuns devem ser
enfrentados com serviços públicos universais e de qualidade. Isso se reflete
nos transportes, na saúde e na educação. O estado de São Paulo possui os
melhores indicadores de educação do país e concentra mais da metade da pesquisa
científica produzida no Brasil. Além disso, oferece o melhor sistema de saúde
pública, exemplo de gestão para outros governos, com as organizações sociais e
contratos de resultados, o que gera transparência e responsabilização.
Serra serve ao país há décadas, desde quando era presidente de uma Une
digna, e também como Secretário de Estado, Deputado Federal, Senador, ministro
do Planejamento, ministro da Saúde, prefeito e governador de São Paulo. Tem
currículo e competência administrativa provada e aprovada pelos paulistanos, já
que ao deixar a prefeitura para ser candidato ao governo, para fazer mais pelos
paulistanos e paulistas, recebeu ainda mais votos na capital do que obtivera
quando eleito prefeito. E é ficha limpa.
Fernando Haddad, que diz na propaganda que representa o “novo”, está de
braços dados com o que há de mais velho e nefasto na política paulista, como o
ex-prefeito Paulo Maluf, condenado a ressarcir os cofres públicos no Brasil e
procurado pela Interpol. Como se não bastasse, Haddad é aliado de José Dirceu,
José Genoino e Delúbio Soares, condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF)
no maior escândalo de corrupção da história da República, o Mensalão. A mais
alta Corte do país puniu exemplarmente o PT, o governo Lula e algumas de suas
principais lideranças por práticas comprovadamente golpistas, pelas quais
pretendiam se perpetuar no poder, comprando apoio de parlamentares no Congresso
e ameaçando a própria democracia. Para tanto, os mensaleiros se valeram de sustentáculos
nos meios publicitário e bancário, inclusive com desvio de recursos públicos,
em uma série de crimes condenados pelo STF.
Haddad também ostenta um inegável histórico de incompetência como ministro
da Educação: em três edições consecutivas do Enem, houve fraudes e vazamentos
que prejudicaram milhões de jovens brasileiros. Recentemente, o TCU também
colocou em dúvida a lisura das licitações feitas para a realização das provas.
Isso sem falar nas creches prometidas que nunca saíram no papel e na péssima
qualidade do ensino público básico no país.
Por tudo isso, o PPS opta pela melhor alternativa para a maior cidade do
Brasil neste segundo turno. Queremos José Serra prefeito de São Paulo!
Roberto Freire, deputado federal (SP) e presidente do PPS
Fonte: Brasil Econômico
Com quantos postes se faz uma hegemonia - Eduardo Graeff
O crescimento do PT não ameaça a democracia, desde que a oposição faça a sua
parte
"De poste em poste, vamos iluminar o Brasil inteiro", disse Lula
num comício. Será?
O PT não sai das eleições de passaporte carimbado para a hegemonia, mas sai
como principal força política do país, tanto em votos como em reconhecimento da
legenda.
O projeto petista de hegemonia tem elementos perniciosos: estatização da
economia, aparelhamento da máquina do governo, controle da mídia, menosprezo
pela lei em nome dos objetivos do partido.
Felizmente, também tem limites: mídia e Judiciário independentes, aliados
reticentes, alguma oposição articulada, pouco fôlego gerencial e financeiro do
Estado para liderar uma economia complexa e internacionalizada.
Já a consolidação do PT como força política não me tira o sono. Ela é um
desdobramento da democratização do país. Não entendo democracia sem primado da
lei e divisão de poderes, mas tampouco entendo sem ascensão da base da
sociedade. Disso Lula e seus companheiros são uma expressão contraditória
-"impura", mas vigorosa.
O resultado destas eleições não antecipa o das nacionais, mas mexe no cacife
dos principais atores.
Uma vitória em São Paulo reforçará o comando de Lula sobre o PT. Isso pode ser
um bônus ou um ônus ao partido, dependendo de como digiram a condenação dos
petistas pelo mensalão. Se Lula se enroscar no assunto, o ônus aumenta. Desde
que a oposição faça sua parte.
No campo da oposição, Aécio Neves sai fortalecido, não tanto pela votação do
PSDB, mas pelo êxito das alianças com o PSB. Êxito ambíguo, já que o
crescimento do PSB aumenta a chance de uma candidatura presidencial de Eduardo
Campos. São duas hipóteses de alternância no poder, em todo caso.
Se a economia chegar bem em 2014, a reeleição de Dilma Rousseff é mais
provável. Além de sorte na conjuntura externa, ela precisará de virtude para
domar seu estatismo e pressões corporativas de sua base.
Desse ponto de vista, o pior inimigo do PT pode ser seu próprio projeto de
hegemonia ancorado no Estado.
Eduardo Graeff é cientista político e foi secretário-geral da Presidência na
gestão FHC
Fonte: Folha de S. Paulo
Vereadores vão a redutos do PT por candidato do PSDB
A 72 horas das eleições, parlamentares aliados formalmente a Serra iniciam
campanha onde Haddad tem forte apoio
Diego Zanchetta, Bruno Boghossian
Vereadores aliados de José Serra (PSDB) iniciaram ontem um
"mutirão" em seus redutos eleitorais para pedir votos para o tucano.
Líderes populares em regiões onde Fernando Haddad (PT) teve mais votos no 1.º
turno têm agora a missão de visitar nesta reta final o maior número possível de
associações de bairros, sedes de times de futebol de várzea, paróquias e
igrejas evangélicas.
"O Serra ainda vai ganhar. Estou pedindo voto dia e noite, e estou
sentido isso", diz o vereador Milton Leite (DEM), que colocou 500 cabos
eleitorais nas ruas de Piraporinha, na zona sul. Quarto vereador mais votado da
última eleição, ele acionou ainda apoiadores em 14 times da várzea.
Na Capela do Socorro, onde Fernando Haddad (PT) teve 31,5% dos votos, ante
25,7% de Serra, o vereador Antonio Goulart (PSD) fez carreatas de jipe ontem e
na terça-feira, e tem visitas agendadas hoje e amanhã no Grajaú. O senador
Antonio Carlos Rodrigues (PR), suplente de Marta Suplicy (PT) no Senado, saiu
ontem às ruas do Campo Limpo. Ricardo Teixeira (PV) aderiu ao esforço no Jardim
Pantanal.
Vereador reeleito, o tucano Floriano Pesaro encontrou-se com representantes
de ONGs de assistência a jovens e adolescentes. "Digo aos eleitores que
serei mais útil para a população no governo que na oposição", explicou.
"Estamos mobilizados e vamos com a certeza de ganhar", afirmu o
tucano, que foi secretário de Assistência Social na gestão Serra na Prefeitura.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Fortaleza tem disputa mais acirrada entre as capitais
Pesquisas a três dias da eleição apontam empate entre PT e PSB
Chico de Gois
FORTALEZA - Pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas ontem mantêm o cenário de
total indefinição na eleição para prefeito da capital cearense. Elmano de
Freitas (PT) e Roberto Cláudio (PSB) aparecem tecnicamente empatados. De acordo
com o Datafolha, o petista tem 42% das intenções de voto, enquanto o socialista
atinge 41%. Já o Ibope coloca os dois candidatos no mesmo patamar: 43%. A
margem de erro dos dois levantamentos é de três pontos percentuais para mais ou
para menos. Com a disputa embolada, os candidatos buscam nos últimos dias
atrair os indecisos e expor apoios de aliados famosos.
Na terça-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um
comício em favor de Elmano que, segundo a imprensa local, atraiu cerca de 50
mil pessoas. Na noite desta quinta-feira, último dia permitido pela Justiça
Eleitoral para eventos públicos, Roberto Cláudio encerrou sua campanha com um
comício que contou com a participação do deputado federal Romário (PSB-RJ). O
"baixinho" foi convidado pelo amigo e também deputado Domingos Neto
(PSB-CE).
Sem apoio dos candidatos que concorreram no primeiro turno, Elmano tem
tentado arregimentar líderes nacionais para lhe dar sustentação. Ontem, foi a
vez da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, ex-petista, aparecer na TV
pedindo votos para o candidato do PT. Marina, que apoiou o candidato do PDT,
Heitor Férrer, no primeiro turno, disse que "Elmano é uma pessoa
comprometida com a defesa dos direitos sociais. Como prefeito, ele irá traduzir
esse compromisso em Saúde, Educação e meio ambiente."
A disputa é intensa também no campo jurídico, por conta das desavenças entre
a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), e o governador Cid Gomes (PSB).
Eles vivem às turras. Luizianne com críticas sobre o afastamento do governador
para se dedicar à campanha do afilhado político dele. E Cid, do outro lado,
declarando que Luizianne não gosta de trabalhar.
Acionada, a Justiça proibiu Roberto Cláudio de veicular propaganda que
aponte eventuais obras paradas da prefeitura. Por outro lado, o Ministério
Público abriu investigação para saber se a prefeita está fazendo campanha para
Elmano em horário de trabalho.
No início da semana, a coligação que apoia o socialista Roberto Cláudio
pediu à Justiça para tirar do ar um trecho da propaganda eleitoral do petista
Elmano no qual o ex-presidente Lula afirma: "A campanha (do Elmano) tem
que ser de todos que não querem a volta ao passado, a volta do desprezo ao povo
pobre, a dificuldade de construir parceria com o governo federal".
Os advogados de Roberto Cláudio argumentaram que o PSB integra a aliança
nacional que dá apoio à presidente Dilma Rousseff e, por isso, não teria
sentido a veiculação da peça que vinculava o partido ao atraso e à falta de
atenção aos mais pobres. O juiz eleitoral, porém, não entendeu desta forma e
negou o pedido, dizendo que a declaração estava dentro da crítica política.
Nesta sexta-feira ocorre o último debate da campanha na televisão, e os
candidatos estão se preparando de forma a tentar conquistar os votos dos
indecisos. Segundo a pesquisa Ibope, os indecisos e os que dizem que vão votar
branco e nulo somam 14%.
Fonte: O Globo
Oposição reage no Norte e no Nordeste, diz Aécio
Em visita a Manaus, senador e presidenciável tucano vê "reinserção muito forte das oposições" nas regiões e "espaço no Brasil para o contraponto"
Alfredo Junqueira
MANAUS - O senador tucano Aécio Neves (MG), pré-candidato à Presidência,
afirmou na noite de anteontem que os resultados das eleições municipais mostram
uma recuperação dos partidos de oposição nas Regiões Norte e Nordeste. O tucano
passou nos últimos dois dias por três capitais onde correligionários disputam o
2.º turno: Belém, Manaus e São Luiz. Para ele, as urnas indicam que há no
Brasil a vontade de debater um novo modelo de gestão dos recursos públicos.
"Nossa avaliação é que as eleições mostraram uma reinserção muito forte
das oposições no Nordeste e no Norte do País. Estávamos fora dessas disputas
quatro anos atrás. Já vencemos em duas capitais no Nordeste. Estamos em cerca
de dez disputas de 2.º turno nessas regiões, todas com muita chance de vencer.
Isso mostra que há espaço no Brasil para o contraponto, que há espaço no Brasil
para discussão de um novo modelo de gestão", afirmou o presidenciável
tucano.
Além das vitórias em Maceió, com Rui Palmeira (PSDB), e Aracaju, com João
Alves (DEM), Aécio se referiu às disputas nas cidades de Campina Grande (PB),
com Romero Rodrigues (PSDB); Teresina, com Firmino Filho (PSDB); João Pessoa,
com Cícero Lucena (PSDB); Belém, com Zenaldo Coutinho (PSDB); São Luís, com
João Castelo (PSDB); Salvador, com ACM Neto (DEM); Manaus, com Artur Virgílio
(PSDB), e Rio Branco, com Tião Bolacom (PSDB). Para completar as cidades em que
a oposição estaria disputando o 2.º turno nas Regiões Norte e Nordeste, seria
preciso incluir as disputas em Macapá, com Clécio Vieira (PSOL), e Porto Velho,
com Lindomar Garçom (PV).
Aécio esteve na capital do Amazonas para participar de um comício de Arthur
Virgílio, líder da oposição no Senado durante o governo Lula. O senador tucano
afirmou que a campanha de Virgílio tem caráter nacional e que sua vitória
representará uma plataforma para a oposição em toda a Região Norte.
O tucano lidera com folga a disputa do 2.º turno em Manaus contra a senadora
Vanessa Grazziotin (PC do B), apoiada pela presidente Dilma Rousseff e pelo
ex-presidente Lula. O comício de Virgílio com Aécio reuniu cerca de 30 mil pessoas,
segundo a Polícia Militar.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Em Salvador, citação a ACM apimenta debate na TV
Petista ataca gestão de ex-governador baiano, já falecido; neto de Antonio
Carlos pede respeito à memória do avô
Paulo Celso Pereira
SALVADOR - Nos últimos dias da campanha à prefeitura de Salvador, o
ex-senador Antônio Carlos Magalhães voltou a ser tema do embate entre seu
herdeiro político ACM Neto (DEM) e o petista Nelson Pelegrino. O penúltimo
debate da campanha, quarta-feira à noite, promovido pela TV Aratu, afiliada do
SBT, foi marcado novamente por pesadas trocas de acusações entre os candidatos.
O momento mais delicado foi justamente quando o petista usou a memória da
truculência do avô do candidato para rebater uma provocação.
ACM Neto falava sobre a situação da educação e ironizou Pelegrino, dizendo,
que durante a greve de 115 dias dos professores estaduais, o petista era
recebido ao som dos versos cáusticos da música "Vou Festejar", de
Jorge Aragão:
- Eu não sei cantar não, mas você é recebido com a musiquinha: "você
pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão".
Pelegrino rebateu imediatamente:
- Tinha uma música que cantavam que era: "Um, dois, três, ACM no
xadrez!". Ou: "Polícia é para ladrão, para estudante não!".
Posso cantar muitas outras que cantavam no tempo em que vocês governavam.
Mostrando-se contrariado, Neto pediu respeito à memória de seu avô:
- O senhor insiste em falar do senador ACM. Eu lhe faço um pedido como neto.
Pode me atacar, porque eu estou aqui para me defender. Mas o senador não está.
Eu respeito seus parentes e queria que você respeitasse os meus.
O candidato do DEM, que lidera as pesquisas, exibiu esse apelo na propaganda
eleitoral de ontem à noite.
Fonte: O Globo
Em Manaus, Aécio diz que Dilma não manda nos votos dos eleitores
Senador foi à capital
amazonense apoiar o candidato tucano à Prefeitura, Artur Neto
Paula Lítaiff
MANAUS — Dois dias após a presidente da República,
Dilma Rousseff, fazer comício em Manaus para declarar apoio a sua candidata à
prefeita da cidade, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), o senador Aécio
Neves (PSDB) visitou, na quarta-feira, a capital amazonense e disparou contra a
presidente afirmando que ela “não manda nos votos dos eleitores”. Aécio, que
está sendo cotado para disputar a Presidência da República em 2014, participou
do comício do candidato à Prefeitura de Manaus Artur Neto (PSDB) em um encontro
que reuniu, aproximadamente, 8 mil pessoas na zona centro-oeste da cidade.
— Essa história de que o eleitor tem que votar no
candidato da presidente para poder ter o apoio do governo federal é balela. A
presidente não manda nos votos de vocês, a presidente não manda nos votos dos
eleitores das cidades do Brasil. Não é a presidente que vem aqui e ordena em
quem vocês vão votar. Vocês são livres para escolher —, discursou Aécio para
milhares de pessoas em um palanque em havia representantes de partidos da base
aliada do governo federal, como o PR, PSB, PSDC e PV.
Antes disso, o senador tucano deu uma entrevista
coletiva onde usou o mesmo discurso antipetista na campanha de Campinas (SP),
cidade em que ele havia estado no mesmo dia. — A presidente está fazendo
discurso de alinhamento dos governos estaduais e municipais em todas as
capitais. Isso é um discurso de regime de exceção e quem lutou tanto pela
democracia, não pode aceitar de forma tranquila o discurso da presidente —,
observou.
Ao ser perguntado sobre uma possível candidatura às
eleições presidenciais em dois anos, o parlamentar desconversou: — Sou mineiro.
Não vou colocar o carro na frente dos bois —, disse, afirmando ser precoce a
discussão em torno dos nomes e das candidaturas.
O senador tucano declarou ainda que considera as
eleições de Manaus e São Paulo as principais para o PSDB e afirmou que se Artur
for eleito na capital amazonense será uma vitória histórica para os tucanos. —
Acredito que será uma das principais vitórias que nós teremos em nossa
história, com um homem que tem o respeito de todo o Brasil —, declarou ao se
referir a Artur, um dos principais oposicionistas do governo do ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 2003 a 2010 .
Já Artur adotou um discurso brando contra os
adversários petistas e declarou um pacto de fraternidade com a presidente
Dilma. — Não me importo com o que ela falou ou deixou de falar. Se eleito, não
guardarei rancor e a receberei em Manaus com muito respeito. Quero governar a
cidade em paz —, disse.
Na última vez que estiveram em Manaus, Dilma e Lula
atacaram Artur. Em setembro, Lula disse que o tucano não gostava do cheiro de
pobre e que ele era acostumado a agir de forma violenta, relembrando o caso em
que o ex-senador ameaçou-lhe dar uma surra na tribuna do Senado. Na época,
Artur disse que se exaltou porque a filha dele estava sendo ameaçada por
militantes do PT.
Esta semana foi a vez de Dilma declarar que Vanessa
teria muito mais condições de obter recursos junto ao governo federal para
ajudar na administração da cidade e acusou Artur de não ter ajudado no
desenvolvimento da Zona Franca de Manaus. — O adversário da Vanessa quer ser
uma coisa que não é —, disse a presidente.
A última pesquisa do Ibope, divulgada no último dia
19, mostrou Artur com 61% dos votos contra 29% de Vanessa. A pesquisa foi
realizada entre 17 e 19 de outubro. Foram entrevistadas 805 pessoas na cidade
de Manaus. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.
O levantamento está registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), sob o
número AM-00060/2012.
Segundo o Ibope, os jovens são os principais
eleitores do tucano. Ele é o mais votado entre os eleitores com idade entre 25
a 29 anos (72%) e entre os homens (64%, contra 58% entre as mulheres). A
intenção de voto no candidato do PSDB também aumenta quanto maior é a renda do
eleitor: entre os que ganham mais de 2 salários mínimos, Artur obtém 66%, contra
51% entre aqueles cuja renda familiar é de até um salário mínimo mensal. O
mesmo ocorre em relação à escolaridade: entre os eleitores com maior
escolaridade, ensino médio e superior, a intenção de voto do candidato é de 65%
em cada um dos segmentos, enquanto que entre os que cursaram até a 4ª série sua
intenção de voto é de 39%.
Fonte: O Globo
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