quinta-feira, 12 de junho de 2014

Dora Kramer: Aliados em fuga

• Ambiente interno no PSD é de pressão para que Kassab rompa com Dilma

- O Estado de S. Paulo

Depois de 40% dos convencionais do PMDB explicitarem sua discordância com a renovação da coalizão com o PT para a reeleição da presidente Dilma Rousseff, significando que parte robusta da mão de obra do partido não fará campanha para ela, agora é a vez de o PSD se rebelar contra a aliança.

O desconforto vem crescendo na mesma proporção da queda dos índices de intenção de votos e do aumento do grau de rejeição da presidente nas pesquisas.

Os dados apurados pelo Datafolha sobre São Paulo foram considerados definitivos: no maior colégio eleitoral do País, ela aparece praticamente empatada com o tucano Aécio Neves no primeiro turno e no segundo perderia tanto para ele quanto para Eduardo Campos por larga margem.

Em uma conversa marcada para ontem com o ex-prefeito Gilberto Kassab, o secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz, seria o porta-voz da cobrança por uma definição imediata e radical. Quer dizer o seguinte: não apenas por uma aliança com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assumindo o lugar de vice na chapa pela reeleição, mas um rompimento no plano nacional.

Uma volta atrás na palavra empenhada de que o partido estaria com a presidente em quaisquer circunstâncias. Em São Paulo a união com o PSDB seria uma mera "soma de conveniências", com suspensão temporária da antipatia mútua entre Alckmin e Kassab.

Em relação à eleição para a Presidência, o argumento para a ruptura é o seguinte: o compromisso do PSD nunca foi com o PT e sim com Dilma Rousseff; na medida em que sua candidatura "derrete" (sim, essa é a expressão usada), o partido não pode nem deve se sentir obrigado a derreter junto.

O ambiente interno no PSD é de rebelião contra a aliança, sentimento que pode vir a se expressar na convenção do partido marcada para o fim do mês.

O cenário ideal na avaliação dos pessedistas seria Kassab aceitar romper com Dilma e negociar uma aliança formal com o PSDB e a indicação do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para vice na chapa de Aécio Neves.

Pelo sim, pelo não, fato é que o tucano havia decidido anunciar seu vice antes da convenção do partido marcada para o próximo sábado. Mas agora faz suspense e deixa no ar a possibilidade de deixar o anúncio para depois, a fim de avaliar se insiste na chapa puro-sangue ou se consegue atrair algum aliado que acrescente capital eleitoral.

Fonte segura. Defensor do financiamento público de campanha, o PT já arrecada boa parte desse tipo de recurso por meio do dízimo que os filiados empregados na máquina pública são obrigados a pagar ao partido.

Ao fim e ao cabo, significa transferência do dinheiro do contribuinte - petista ou não - para os cofres da agremiação. No início do primeiro governo Lula, a oposição levantou essa questão, mas estavam todos tão encantados com o "governo operário", ao qual tudo era permitido, que ninguém deu atenção.

Faca no peito. A ex-senadora Marina Silva tem todo o direito de não gostar da decisão do PSB de São Paulo de apoiar o governador Geraldo Alckmin.

Só não dispõe da prerrogativa de tentar impor sua vontade à resolução de seção regional de um partido ao qual escolheu se filiar quando sua própria legenda não obteve registro na Justiça Eleitoral.
Marina ameaça não participar da campanha de Eduardo Campos em São Paulo se a convenção do PSB não mudar a resolução do diretório para seguir a orientação dela.

Se a ideia da ex-senadora era comandar, deveria ter-se filiado a um partido que lhe desse a legenda para concorrer à Presidência, e não se oferecer ao PSB, aceitando a condição de coadjuvante de luxo. Pela ordem natural das coisas, protagonista será, assim que a Rede Sustentabilidade obtiver o registro.

Aí terá legitimidade para mandar e desmandar.

Murillo de Aragão: Nostalgia e desconfiança ameaçam Dilma

- O Tempo (MG)

Em queda há meses nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de outubro, a presidente Dilma Rousseff (PT) começa o mês de junho com diversos problemas. O primeiro é a desconfiança crescente entre as bases governistas de que ela não consiga se reeleger. Ainda que os candidatos oposicionistas não cresçam, a queda de Dilma e o aumento do número de indecisos são preocupantes.

O segundo problema se refere à questão econômica. Com o PIB andando de lado e o espectro da inflação rondando o país, Dilma corre risco na única área em que o insucesso será fatal para o seu projeto de reeleição. Se o ambiente econômico continuar piorando, ela chegará ao segundo turno bastante enfraquecida e terá de fazer uma campanha pesada para assegurar o favoritismo.

O que fica patente é que, no campo econômico, Dilma perdeu a confiança dos principais agentes. Mercado e empresários não confiam no governo. E ela nada fez de concreto para recuperar a confiança que mereceu no início de sua gestão.

O terceiro problema é o que o jornalista Josias de Souza indica como deterioração estética do governo. Nesse sentido, vejo que o mais grave é a ausência de uma narrativa própria de Dilma. A ponto de existirem vários “movimentos retrôs”: o “volta, Lula” no mundo petista; o reconhecimento do eleitorado de que Lula é o mais capacitado para fazer mudanças; e a propaganda partidária que sugere a perda de ganhos conquistados pelas classes populares, caso a oposição vença as eleições.

Sem uma narrativa própria, Dilma se vê às voltas com o que ela mesma reconhece como a sua maior ameaça: os movimentos da base governista contra a sua candidatura. O que é irônico é o fato de chegarmos às portas das eleições com uma tônica constante nas eras Lula e Dilma: os maiores obstáculos são causados pelo próprio governo e sua base.

Josias de Souza aponta que o governo acredita que a participação de Lula na campanha é suficiente para remediar as dificuldades. Josias diz ainda que tal crença é ilusória. Pois bem, Lula continua sendo o agente político de maior potência eleitoral e certamente pode definir a eleição a favor de Dilma.

Mas o Planalto deveria ajudar. É verdade quando Josias afirma que Dilma depende muito mais dela própria do que de Lula para ganhar as eleições. Para isso, três pontos são fundamentais: recuperar a imagem da equipe econômica, melhorar a comunicação com os aliados e o eleitorado e trabalhar para que a Copa do Mundo não seja um fracasso.

É impressionante como o governo, mesmo em tempos de escassez de boas notícias, não consegue ter uma visão estratégica do que comunicar nem tampouco de como comunicar. Por exemplo, o governo Dilma conseguiu baixar significativamente os índices de miséria no Brasil. Em três anos, a extrema pobreza foi dramaticamente reduzida: mais de 22 milhões de brasileiros deixaram essa condição.

Apesar da relevância dos fatos, o Planalto não os comunica adequadamente e acaba ficando refém de uma lógica publicitária ultrapassada e ineficiente. Além de não ter uma estratégia de comunicação com stakeholders da sociedade, não lança mão do imenso potencial das realizações sociais da era Lula-Dilma nem abre canais diretos de comunicação com os grandes agregados de eleitores.

Dilma deveria falar especificamente para mulheres, jovens, minorias, empresários, trabalhadores. Para tanto, deveria segmentar as mensagens e os meios. Fala-se muito em democratização das comunicações no governo e nas esferas políticas do PT, mas o universo governista demonstra incapacidade de se comunicar em tempos de abundância de meios e existência, ainda que pequena, de boas notícias.

Ao se decompor a atividade do governo, encontram-se diversas medidas positivas que beneficiam parcelas importantes do eleitorado. Falta o trabalho de identificar o quê e como comunicar a quem deve receber a mensagem. No campo econômico, não é necessário falar muito. O governo flerta perigosamente com o fracasso. O resultado é o decréscimo na confiança da população quanto ao futuro, o que ficou evidente na pesquisa Datafolha divulgada na semana passada: 36% dos brasileiros entrevistados estão pessimistas com o futuro; e 68% creem que a inflação vai subir.

Apesar das mensagens preocupantes das pesquisas, tanto no que se relacionam à preferência eleitoral quanto em termos de expectativas e, ainda, em relação à clara preferência por Lula pela maioria do eleitorado, nada de novo está acontecendo. Para o governo, a Copa, dependendo de seu resultado, pode fazer tudo piorar ou melhorar. Pode fazer piorar se nada for feito e se a Copa for confusa ou redundar em fracasso. Pode fazer melhorar se mudanças de rumo forem tomadas e a Copa for positiva.

É “se” demais para quem poderia estar liderando as pesquisas com folga.

Murillo de Aragão é cientista político.

Jarbas de Holanda: A candidatura à reeleição e a Copa

De um lado a persistência de queda das avaliações da presidente/candidata, registrada nas pesquisas de junho do Datafolha e do Ibope. De outro, uma sequência de projeções negativas sobre o comportamento da economia (PIB, inflação e outros indicadores), por parte de lideranças das diversas atividades produtivas, de analistas e de instituições financeiras internas e externas, inclusive o Banco Central. Tal combinação está reavivando os receios com os resultados da disputa presidencial num 2º turno, dado como certo, no PT e nos partidos da base governista. E gerando a retomada de pressões em bases e parlamentares petistas e nos aliados em favor do “volta Lula”.

De par com o aumento das resistências, nestes, à confirmação do apoio à candidata nas convenções partidárias. Resistências que se manifestaram ontem na do PMDB (por meio de 41% de votos contrários), com a redução do apoio convencional basicamente à cessão de tempo de propaganda eleitoral “gratuita”. Que se expressarão em palanques estaduais em que esses aliados terão posturas contrapostas à negociada nacionalmente. E que poderão levar legendas como o PP e o PSD à neutralidade ou troca de alianças.

Novas pesquisas que não reverterem as tendências das mais recentes (que incluem forte crescimento da rejeição a Dilma) vão potencializar uma cobrança do “volta Lula” bem mais intensa do que a que foi contida entre abril e maio por enorme esforço do ex-presidente e pela expectativa de efeitos “positivos” do desencadeamento de caríssima e agressiva ofensiva de marketing. Que se mantém, mas sem produzir tais efeitos. Neste quadro, o que poderá salvar a candidatura de Dilma será a capitalização de uma vitória final de nossa seleção na Copa da Fifa. O que, ocorrendo, melhorará suas condições para manter-se na disputa. Sem que, entretanto, represente qualquer garantia de sucesso eleitoral.

A derrota do grevismo insurrecional
Por parte do governo paulista, a combinação de sensibilidade política (chegando à oferta de um reajuste salarial de 8,7%, bem acima da inflação, num contexto de dois anos sem atualização da tarifa) com firmeza na manutenção da oferta, no enfrentamento de ações ilegais utilizadas pelo sindicato dos metroviários e, por fim, após reiterada qualificação da greve como ilegal e abusiva, demissão por justa causa de parcela dos grevistas que se recusaram a voltar ao trabalho. E, da parte do TRT/SP, sério tratamento institucional da demanda trabalhista (avaliação técnica das propostas de reajuste e respaldo à da Cia. Do Metrô), apelos recusados para cessação do movimento, declaração dele como ilegal e abusivo e determinação de multas pelo insistente e ostensivo desrespeito às restrições de paralisações de serviços essenciais.

O grupo de dirigentes e filiados ao PSTU que comanda o sindicato não contava com essas reações do governo Alckmin e do judiciário trabalhista em seu plano de, propondo e manipulando um reajuste inviável, aproveitar a conjuntura eleitoral e as vésperas da Copa da Fifa com objetivos bem identificáveis. Entre os imediatos, gerar um prolongado caos do transporte público capaz de desacreditar política e administrativamente o governo paulista e pôr em xeque a abertura da Copa, tornando o Palácio do Planalto refém da greve e induzindo-o a negociar com ele, passando por cima do governador, o fim do movimento. 

Entre os objetivos “estratégicos”, a desmoralização de leis e instituições “burguesas”, em aliança com outros “movimentos sociais organizados”, como o das invasões de terras e imóveis urbanos e o Passe Livre.

São bons os dividendos institucionais, político-administrativos e sociais da derrota do grevismo insurrecional tentado pelo PSTU. Derrota antecipada pela montagem de piquetes do sindicato para impedir a volta de metroviários ao trabalho. E pela “suspensão temporária” da greve para evitar a evidência do amplo esvaziamento dela, de segunda para terça-feira. Esta também dissimulada pela ameaça de retorno do movimento amanhã.

Jarbas de Holanda é jornalista

João Bosco Rabello: Dissidência do PMDB reflete tamanho do risco de Dilma

- O Estado de S. Paulo

Com uma variação para mais, o resultado da convenção do PMDB foi o esperado: o partido renovou o apoio à aliança com o PT para a disputa da presidência da República, reservando-se o direito de não estender o compromisso às estruturas regionais que cuidarão de seus cenários como lhes convier.

Alguns aspectos desse processo são reveladores do distanciamento do partido em relação à presidente da República, com origem na difícil convivência com o PT. A naturalidade com que os dirigentes avalizaram a renovação do crédito em contraste com a falta de garantias, é uma síntese da fragilidade do contrato político.

A começar pela cédula de votação. Nela, o nome do vice-presidente Michel Temer, como a referência do evento, do PT, como beneficiário da aliança, sem qualquer menção ao nome da presidente.

Significa que o partido apoia Temer para manter-se como vice da chapa que surgir – que poderá ter Dilma na cabeça, se a convenção do PT, daqui a 20 dias, confirmá-la.

Poucos acreditam na possibilidade de Dilma vir a ser substituída pelo ex-presidente Lula, mas também poucos se dispõem a apostar uma mariola de padaria no contrário. A queda da presidente nas pesquisas, consistente e gradual, tornou inseguro o ambiente da reeleição, sobretudo porque a ampla exposição de Dilma na mídia – espontânea e oficial – não alteram os maus índices.

Ainda ontem, depois do longo pronunciamento da presidente em rede nacional de televisão, uma peça de campanha escancarada com dinheiro do contribuinte, a reação da oposição era mais para marcar posição do que de incômodo. O espaço na televisão já não garante à presidente melhora nas pesquisas.

Ao contrário, os candidatos de oposição, especialmente o senador Aécio Neves (PSDB) dão indicações de crescimento após a primeira inserção na televisão, o que autoriza a expectativa otimista com o início da fase de propaganda gratuita. Já Eduardo Campos parece ter sua dificuldade mais localizada em erros de campanha do que nos recursos que possam lhe expor mais ao público.

A principal dificuldade para a troca de Dilma por Lula está em seu condicionamento à renúncia da presidente à candidatura. Depois de confirmada na convenção, sua saída só será possível por essa via.

E, antes, seria preciso atropelá-la, diante da manifestação já feita por ela de que “irá até o fim”.

O tema deixou de ser objeto de movimento público, com a dose de agressividade que exibiu durante meses, quando a perspectiva de vitória era maior. Mas passou a frequentar as conversas em qualquer mesa política – do governo e da oposição. O risco concreto da derrota, trazido pela última pesquisa Data Folha, acendeu o sentido de sobrevivência dos que buscam a renovação de seus mandatos.

Especialmente o dado secundário da pesquisa, que mostra a derrota de Dilma em São Paulo, numa simulação de segundo turno, para qualquer um dos candidatos de oposição, assustou o PT. Por ele, Aécio venceria Dilma por 46% a 34%. Campos, por 43% a 34%. Nesse último caso, o drama aumenta: o candidato do PSB tem apenas 6% da intenção de votos do eleitorado paulista, mas na simulação vai a 43%.

Equivale a dizer que o eleitor vota ater no candidato que não conhece, mas não na presidente. Reflexo da fragilidade do PT no Estado, onde o prefeito Fernando Haddad não somou votos para o candidato ao governo, Alexandre Padilha – que, por sua vez, estagnou nas pesquisas desde o envolvimento de seu nome na operação do ministério da Saúde com o laboratório de fachada, Labogen, do doleiro Alberto Youssef.

Para alguns, o PT paulista vive drama semelhante ao do PSDB nos anos 90, quando sofreu fragorosa derrota de todos os seus ícones e perdeu o governo para Orestes Quércia e Luis Antonio Fleury. Mesmo os que discordam da comparação concordam que o partido vive seu momento mais difícil no Estado.

O mapa da queda de Dilma guarda outro aspecto importante para a oposição: ela é maior na região sudeste que abriga os três maiores colégios eleitorais do país – São Paulo, Minas e Rio, nessa ordem, o chamado Triângulo das Bermudas.

É nele que Aécio Neves apostou suas fichas, convicto de que Dilma não repetirá as votações anteriores nas regiões Nordeste e sul, como mostram os cenários de Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, mais Bahia, Pernambuco e Ceará.

Era preciso, então, tirar-lhe votos no sudeste e transferi-los para o candidato de oposição, o que vem sendo sinalizado nas pesquisas. A dissidência de 40% na convenção do PMDB indica que o partido recorreu ao velho esquema de manter-se pronto para alterar rumos, conforme os ventos soprem após a Copa do Mundo, quando efetivamente a campanha decola.

Adelson Vidal Alves: O nome da esquerda, segundo Safatle

• SAFATLE, Vladimir. A esquerda que não teme dizer seu nome. São Paulo: Três Estrelas, 2012.

- Gramsci e o Brasil

O presente livro é uma espécie de apelo para o resgate daquilo que o autor considera como elementos centrais que compõem a essência histórica da esquerda. Uma essência que deve ser recuperada como forma de resposta às crises atuais, que estariam demonstrando o fracasso do capitalismo liberal e trazendo a exigência de uma esquerda renovada e pronta para assumir a tarefa da construção de outra ordem social.

Para isso, invoca dois princípios básicos: o igualitarismo e a soberania popular. O primeiro, entendido como o reconhecimento de um Estado intervencionista na redistribuição de renda, um Estado que combata as desigualdades. A segunda, como sugere o termo, seria a autoridade suprema da vontade popular, esta que poderia até mesmo suspender, em nome da justiça, o Direito que qualifica os atuais Estados modernos.
Safatle se mostra simpático às rebeliões populares quando estas miram governos e “Estados ilegais”. A rebelião não só seria um recurso, mas um direito que estaria presente na tradição política. De Locke e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, até Constituições modernas que vigoram em alguns países. Seu apoio a enfrentamentos, até mesmo com violência, como veremos, não se resume a governos ilegítimos, mas também abrange os que pertencem à forma do Estado democrático de direito. A resistência popular justa estaria, assim, acima das leis.

No primeiro capítulo, o filósofo da USP defende que o igualitarismo exige, da esquerda, um comportamento “indiferente às diferenças”. Safatle percebe que o mundo atual apresenta novas formas de conflitos, distribuídos nas categorias de gênero, raça, cultura e nacionalidade. Tais diferenças deveriam ser tratadas com desinteresse pela esquerda. Esta deveria preocupar-se com o internacionalismo, que comporia seu DNA inicial. Os debates identitários precisariam ser ignorados em nome da recuperação da universalidade como eixo da construção das políticas de esquerda.

O acerto do autor se dá na percepção de que o multiculturalismo chega para fragmentar, tirar do horizonte qualquer perspectiva de totalidade. Ao trazer a cultura, a política e a sociedade para campos cada vez mais fatiados da vida coletiva, o universal acaba por desaparecer, abrindo espaço para uma sociedade de corporativismos e segregação. Não se pode deixar de perceber que, de certo modo, Safatle parece acreditar que as disputas modernas ainda se concentrem nas classes sociais. Mostra-se, assim, certo economicismo em seu pensamento — quem sabe o dogmatismo que contamina grande parte da intelectualidade de esquerda, ainda com vícios esquemáticos do século XIX e início do XX?

O autor não parece se preocupar com as profundas mudanças no interior do mundo do trabalho, na perda de relevância da luta de classes, na metamorfose da consciência do sujeito social moderno. Parece insistir na “indiferença com as diferenças” sem atentar para a necessidade de um diálogo atual com a realidade concreta.

Não soa de bom senso desconsiderar que as identidades nacionais permaneçam fontes de conflitos que movem a história. Que ainda há a necessidade de uma esquerda nacional. Mesmo diante da globalização, que internacionaliza não só os mercados, mas também a cultura e a política, há de se ficar atento à vitalidade não só de nação e sua ideia de pertencimento, mas também à forma político-institucional em que se expressa esta identidade, isto é, o Estado nacional.

O segundo capítulo, já por seu enunciado, é um convite à polêmica. Sobretudo, porque vivemos numa época em que o Estado democrático de direito representa forma superior de organização social, que progressivamente vem substituindo conflitos abertos e violentos por resoluções consensuais — consensos, aliás, sempre renováveis.

Porém, para Safatle, o Estado de direito poderia às vezes ser anulado, desde que a soberania popular e sua justiça entrem em confronto com o ordenamento jurídico vigente. A ocupação de prédios públicos, a invasão de propriedades ditas improdutivas, a violação da liberdade de ir vir através de piquetes, etc., seriam perfeitamente toleráveis, mesmo sendo ilegais, já que a causa pelo qual falam seria justa. Há, em Safatle, a dissociação entre a justiça e o Direito.

Obviamente, podemos discutir o quanto uma lei é justa, mas a grande questão, que o filósofo ignora, é o valor subjetivo que a palavra “justiça” pode trazer. Expropriar uma determinada extensão de terra particular, para fins de reforma agrária, para uns soa como justo, para outros, seria um roubo.

A forma moderna de resolver estes impasses tornou-se concreta nas instituições democráticas que surgiram nos séculos XIX e XX. As leis já não são o fruto de decisões de um só soberano, mas o resultado de um amplo e complexo conjunto de debates e lutas políticas que em vários órgãos institucionais ganham corpo na forma de ordenamento jurídico. Mas, para Safatle, todo este processo responde apenas pelo caráter parlamentar da democracia, que excluiria formas diretas de participação, e assim, cancelaria o verdadeiro espírito democrático.

A democracia parlamentar, cuja superação Safatle vai exigir, é parte importante no combate a corporativismos e assembleísmos, que, nos casos mais graves, levam a riscos de totalitarismo plebiscitário
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A tentação de trazer o povo diretamente para os debates faz com que o autor desconsidere o parlamento como mecanismo precioso para produção de sínteses democráticas no campo das divergências, que emergem na sociedade através dos atores coletivos. Faz, também, que desconsidere que, bem longe de ser um empobrecimento da democracia, a representatividade parlamentar é vitória civilizatória, para a qual a luta dos trabalhadores contribuiu muito. Apoiar a rebeldia contra as leis, suspendendo o Estado de direito, pertence a uma esquerda a que Safatle deu este nome, bem longe de ter nela o que se exige de uma esquerda genuinamente democrática.

O terceiro capítulo inicia questionando a relação de esquerda e passado. Mostra a forma superficial como foram tratadas as revoluções do século XX e corretamente propõe uma análise crítica que supere o simplismo de rotular como fracassos totais estes processos revolucionários (tidos por muitos como cruéis e sanguinários), assim como o de tratá-los como momentos gloriosos da humanidade. Há de se acolher acertos e repensar os erros, que não foram poucos, e entender que a revolução não vem com garantia para suas consequências. O futuro de uma revolução quase sempre é incalculável

Neste aspecto, nosso autor introduz a discussão sobre a atualidade da dicotomia “revolução/reformas”. Os revolucionários, segundo a crítica de Vladimir, mantêm o hábito de desqualificar como morto todo tempo histórico em que transformações profundas encontram-se em falta. Só consideram momentos úteis aqueles nos quais as estruturas sejam sacudidas pela força das mudanças.

Da mesma forma, prossegue Safatle, deve-se criticar o medo de revoluções, como se essas viessem sempre banhadas de sangue. Ainda que não sendo claro em suas observações, o filósofo parece apontar para um novo olhar sobre a concepção estratégica do reformismo. Mesmo sempre demonstrando apreço por revoluções do tipo clássico, Safatle sinaliza para a opinião de que reformas têm força para promover mudanças importantes, ainda que não mostre com clareza a espera de transformações substanciais pela via reformista. Positivamente convencido das vantagens reformistas, Safatle não parece apostar nelas como via para a construção de novas realidades. Tem-se a impressão de que o autor ainda aguarda revoluções como assalto ao poder.

Finalizando, o capítulo aborda o que tem se chamado de “teoria de governo”. Para o autor, a esquerda trabalhou bem, e de forma sofisticada, a teoria do poder, mas não a de governo. Isto é, não foi capaz de ir além da “vontade política” como instrumento para uma política de governo.

Safatle tem razão. Não se pode negar que parcela muito limitada das esquerdas conseguiu assumir vocação de governo, uma vocação que supere discursos e seja sustentada por um claro programa de governo. No entanto, mais uma vez, Safatle se furta de posições mais claras, pois parece oscilar entre visões modernas da esquerda e retornos estranhos ao vocabulário bolchevique.

Uma teoria de governo que se proponha coerente com a esquerda e as reais possibilidades conjunturais exige discutir o tema das alianças, o que sequer foi citado por Safatle. Neste aspecto, há motivos fora da obra que nos permitem pensar que sua concepção de alianças não tem nada de renovadora. Dá-se a impressão que Safatle faz perguntas atuais, mas suas respostas estão fora do nosso tempo.

A esquerda que não teme dizer seu nome traz questões importantes para o debate entre as esquerdas.

Mostra a necessidade de reformular a atividade deste campo político, para que esteja à altura dos desafios modernos. Não constrói nenhuma grande contribuição conceitual, é verdade, e suas propostas são rasas. Porém, a provocação que faz é de se levar a sério, principalmente porque o autor se mostra insatisfeito com o atual ordenamento institucional, que tem no Estado de direito sua maior expressão.

Ao proclamar a superação do Direito em nome da justiça e da soberania popular, mantendo firme a convicção da necessidade de uma nova democracia, direta, popular e para além do Estado de direito, Safatle distancia-se da esquerda democrática e constitucional, que a duras penas vem tentando se construir com a ambição de ingressar de vez em um tempo no qual não haja caminhos civilizatórios seguros senão pela democracia e seu Estado de direito. Vladimir Safatle, pelo jeito, continua com a visão instrumental da democracia.
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Adelson Vidal Alves é professor de História, pós-graduado em História Contemporânea.

César Felício: Brasil na Copa: 'Welcome to the jungle'

• Para o comando da reeleição, o que importa é o relato

- Valor Econômico

Com o retrato do país feito pela mídia estrangeira que predominou às vésperas da Copa, o viajante que chegar ao Brasil nos próximos dias poderá ter a sensação de penetrar no coração das trevas, como o protagonista do romance do inglês Joseph Conrad, que se dedicava à navegação fluvial na África do século passado.

A sensação de perda de tempo começa antes mesmo de sair dos aeroportos, segundo a revista "The Economist", em função da caótica estrutura de transportes. Para o mexicano "El Universal", o Brasil não se destaca em nada fora do gramado. "Nem a prosperidade é tanta, nem a infraestrutura é moderna, nem as comunicações avançadas, nem a beleza colonial impressiona", garantiu um articulista do jornal. "Motins, greves e engarrafamentos encobrem a abertura em São Paulo", registrou o inglês "The Independent".

O clima está pesado, de acordo com o "Wall Street Journal" e o "New York Times", que citam a falta de enfeites na rua e de empolgação popular em São Paulo. "O país está blindado como se tratasse de uma guerra", observou o chileno "El Mercurio". Organizadores de manifestações contra a Copa ganharam lugar de destaque no noticiário do inglês "Financial Times" e do francês "Liberation", que classificou a greve dos metroviários em São Paulo como um "movimento de cólera geral".

O francês "Le Monde" e a revista alemã "Der Spiegel" se preocuparam com questões de fundo e recorreram às estatísticas. Uma em cada dez pessoas assassinadas no mundo é brasileira e o trabalho infantil persiste no país. O tom negativo em relação à Copa consegue até coisas impossíveis, como unir a imprensa oposicionista e a governista na Argentina. O "Pagina 12", alinhado à Casa Rosada, destacou que a Copa de 2014 custará mais que as duas últimas somadas e que torneios como esse "começam a deixar de ser percebidos como encontros de prestígio para serem vistos como o que são, fenomenais oportunidades para o desperdício". No polo oposto, o oposicionista "Clarín" criticou "a enorme massa de cimento no meio da selva", uma referência à Arena de Manaus.

A presidente Dilma Rousseff jantou com os correspondentes estrangeiros no último dia 3, em um encontro marcado pela amenidade. "Sua informalidade com pessoas que acaba de conhecer é cativante, sua compreensão dos detalhes de questões de política pública é convincente", escreveu sobre ela por exemplo o correspondente da britânica BBC. Mas dos 21 meios de comunicação que escreveram sobre o país nos últimos dias, mesmo depois do exercício de sedução de Dilma, 19 publicaram análises negativas.

Em apenas um caso, o do "USA Today", o ponto de vista do governo foi registrado. Segundo o jornal, o ministro da Comunicação Social Thomas Traumann avaliou que tudo indica que não haverá protestos massivos durante a Copa. De acordo com a declaração do ministro transcrita no jornal, depois de junho de 2013 nenhum ato no Brasil reuniu mais de 10 mil manifestantes. Receberam credenciamento da Fifa para acompanhar o torneio cerca de 18,8 mil jornalistas de 163 países. Somente 20% do Brasil.

O desenho de um país atormentado com a realização do evento esportivo contrasta com a percepção sobre o Brasil registrada pela maioria dos pesquisados do instituto norte-americano Pew Research, feita em 37 países, que constatou que 66% dos franceses, 51% dos britânicos e 49% dos alemães têm opinião favorável sobre o país. O mesmo relatório do instituto de pesquisas, entretanto, indica que a imagem brasileira no exterior está em declínio, nos quatro países em que sondagens anteriores foram feitas. Na Argentina, a percepção favorável em relação ao Brasil caiu de 69% em 2010 para 56% na pesquisa concluída em maio. Nos Estados Unidos, a queda foi de 57% em 2009 para 51% agora. No México, a percepção favorável se manteve em 41% entre 2010 e 2014, mas a desfavorável cresceu de 20% para 32%. Apenas no Chile houve estabilidade nos últimos anos e 74% dos pesquisados naquele país avaliam o Brasil de forma positiva.

No alto comando da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff, o bombardeio exterior é visto como um clássico caso de contágio da visão estrangeira pela local. Por esta visão, a necessidade de se apresentar a toque de caixa o Brasil a seus leitores fez com que a mídia internacional se pautasse pelo noticiário dos grandes grupos de imprensa brasileiros, que estariam, com diferentes gradações, tacitamente comprometidos com as oposições na eleição presidencial de outubro. É uma análise que parte do pressuposto de que não existe um olhar estrangeiro, mas somente uma caixa de ressonância dos tambores que por aqui batem.

As exceções, de acordo com este integrante da cúpula governista, estariam no jornalismo inglês, que estaria empenhado, por interesse próprio, em enfraquecer o governo Dilma. É uma referência velada ao jornal "Financial Times", ácido crítico da política econômica dos últimos anos.

O problema central desta visão que atribui à partidarização da imprensa a gênese do mau humor social e das dificuldades de imagem do governo é a aposta que se faz no relato. Por esta perspectiva, os fatos em si nada significam. Tudo depende de como são narrados e de quais são os interesses de quem faz esta narrativa.

A partir de hoje, o protagonismo do Brasil na mídia internacional tende a esmaecer, com a atenção voltada para o que acontecer dentro dos gramados. Uma nova conquista brasileira será um episódio rotineiro na história do futebol, já que o país ganhou cinco das 14 últimas Copas, sem qualquer conexão visível com a conjuntura política de cada vitória. Segundo o argentino "La Nacion" e o "Financial Times", que replicaram análises já publicadas na mídia brasileira, uma derrota do Brasil pode tornar o ambiente social ainda mais rarefeito e afetar Dilma. De acordo com este integrante da cúpula governista, este é mais um erro de avaliação da imprensa: somente uma catástrofe ligada à infraestrutura, como um desabamento de uma obra ou um colapso nos aeroportos, poderá atingir a reeleição.

Eliane Cantanhêde: Tristes espetáculos

- Folha de S. Paulo

Bem que nós, brasileiros, poderíamos passar sem os tristes espetáculos do Senado da República e do Supremo Tribunal Federal bem na semana da Copa.

Na terça (10), o cinismo do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa ao depor na CPI de mentirinha, com o beneplácito de um punhado de senadores governistas.

Entre outras barbaridades, ele disse: 1) os R$ 762 mil em dinheiro vivo encontrados pela polícia na sua casa eram para "pagamento de consultorias"; 2) os US$ 180 mil (R$ 400 mil) eram só "por garantia"; 3) sua filha e seu genro não foram à sua casa para sumir com papéis comprometedores, mas para reunir documentos de suas próprias empresas.

Acredite quem quiser, e não é que os senadores governistas acreditaram?! Não dá para entender. Por que a base aliada ao Planalto tem de proteger um réu que foi preso sob suspeita de desviar recursos da minha, sua, nossa Petrobras? O que Paulo Roberto tem a ver com o governo?

Segundo o líder do PT, Humberto Costa, o depoimento dele foi "satisfatório". Para quem, cara pálida? Menos de 24 horas depois veio a notícia de que a Suíça bloqueou a bagatela de US$ 23 milhões (R$ 51,3 milhões) que seriam do mesmo Paulo Roberto.

Seriam para "pagamento de consultorias"? Ou só "por garantia"? Ele reuniu tudo isso com o suor do próprio rosto, ou com o petróleo da Petrobras e com o suor da nação?

O fato é que Paulo Roberto Costa, preso em 17 de março, foi solto pelo ministro do STF Teori Zavascki dois meses depois e voltou para a cadeia nesta quarta (11), um dia depois de fazer os senadores parecerem bobos e o Senado, uma Casa pouco séria.

O Judiciário não ficou atrás. Enquanto o ex-diretor da Petrobras voltava para a cadeia, o já quase ex-presidente do Supremo Joaquim Barbosa, aos gritos, expulsava o advogado de Genoino da corte. Inacreditável.

Por favor, Felipão, Neymar, Hulk, Fred e Júlio César, mostrem ao mundo um espetáculo bem melhor.

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• Diplomatas driblam ‘lei seca’ no mercado negro
O Itamaraty poderá ser obrigado a discutir a relação com diversos países do Oriente Médio, em razão de atitude até inevitável dos funcionários de embaixadas, inclusive diplomatas, que naqueles países vira caso de polícia. É que, para enfrentar a “lei seca” muçulmana, os brasileiros – como muitos outros diplomatas ocidentais – recorrem ao comércio ilegal de bebidas alcoólicas, em países do mundo árabe.

• Garrafa de ouro
Uma garrafa de uísque Black Label vale mais que ouro e petróleo, em países muçulmanos: chega a ser vendida a US$ 400.

• Hipocrisia na seca
Curiosamente, a “lei seca” não passa de hipocrisia em países muçulmanos: às escondidas, cidadãos locais costumam beber até cair.

• Por que não te calas?
“Nunca antes neste país”, presidente foi à TV antecipar discurso para fugir da Copa. Resultado: #calabocaDilma” em 1º no Twitter, ontem.

• Doentes do pé
O Ministério da Saúde meteu a mão no nosso bolso para comprar 2 mil TVs LCD de 40 polegadas. Para ver a Copa?

• Aécio aguardará PTB e PR para definir seu vice
O racha na convenção nacional do PMDB reforçou o entendimento na cúpula do PSDB de que o melhor caminho agora é adiar a escolha do vice do presidenciável Aécio Neves (MG) para o fim de junho. O partido avalia que ainda é possível compor com partidos da base aliada da presidenta Dilma, como o PTB e o PR, que ficaram órfãos após a prisão dos mensaleiros Roberto Jefferson e Valdemar da Costa Neto.

• Por partes
O PSDB acertou de oficializar apenas a candidatura de Aécio Neves na convenção, no sábado (14), e delegar à executiva a decisão do vice.

• Dobradinha
O tucanato acha difícil, mas não impossível, cooptar o PSD de Gilberto Kassab devido à provável aliança com Geraldo Alckmin, em São Paulo.

• Linha de frente
Em caso de chapa pura, são cotados o ex-governador José Serra (SP), além de Tasso Jereissati (CE), Ellen Gracie (RJ) e Aloysio Nunes (SP).

• Tarefa ingrata
Nem o presidente da Fifa, Joseph Blatter, nem Dilma discursarão na abertura da Copa, nesta quinta-feira. Coube ao ministro Aldo Rebelo (Esporte) a ingrata tarefa de ser vaiado, na cerimônia de abertura.

• Amigo é pra essas coisas
O sindicato dos servidores do Legislativo (Sindilegis) dá uma força na recuperação da imagem de Renan Calheiros: criou campanha de rádio atacando o presidente do Senado por cortar os salários de marajá.

• Privilégio
O ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT-RS) mantém dois funcionários lotados na Presidência da Casa em cargo de natureza especial, para cuidar de emendas e receber prefeitos.

• Puro sangue
A vice-prefeita de Salvador, Célia Sacramento, aceitou o convite do presidente do PV, José Penna, para disputar a vice de Eduardo Jorge à Presidência. A chapa será formalizada em convenção sábado, no DF.

• Infidelidade
Aliado da ex-senadora Marina Silva, o deputado Alfredo Sirkis (RJ) está na iminência de perder o mandato na Câmara. Fundador do PV, Sirkis deixou partido no ano passado após divergências, e se filiou ao PSB.

• Põe na conta
Apesar de terem aparecido e votado na convenção nacional do PMDB, os senadores Luiz Henrique e Vital do Rêgo foram responsabilizados na sigla pela ausência de dez convencionais da Paraíba, e oito de SC.

• Só agora?
Alguns cronistas apostavam que os protestos impediriam ou fariam da Copa um fracasso. Agora que começa com pinta de que será um sucesso, alegam que o povo “sabe distinguir” evento da manifestação.

• Tem pai que é cego
O coronel Manoelito tem dito a quem encontra que o filho deputado Luiz Argôlo (SDD-BA), envolvido com doleiro Alberto Youssef, só está em evidência por ser um “político graúdo, que ainda vai dominar Brasil”.

• Pensando bem…
…se pesquisa é “retrato do momento”, como diz candidato que aparece mal nos números, Dilma está precisando urgente de Photoshop.

Painel - Bernardo Mello Franco (interino)

- Folha de S. Paulo

Melhor sem eles
A campanha do petista Alexandre Padilha ao governo de São Paulo pretende manter em segundo plano os apoios de Dilma Rousseff e Fernando Haddad. O motivo são as pesquisas que mostram a irritação de boa parte do eleitorado paulista com a presidente e com o prefeito da capital. Até o momento, a ordem é apostar todas as fichas no prestígio do ex-presidente Lula, que bancou a candidatura do ex-ministro. A Dilma e Haddad, sobrariam papéis de discretos coadjuvantes.

Sem pânico Aos petistas mais alarmados com seus 3% no Datafolha, Padilha continua a repetir o mantra de que o partido nunca fica abaixo dos 30% no Estado. Ele diz que só estará fora do segundo turno se "errar demais".

Em campo O ex-governador José Serra (PSDB) fez uma rodada de consultas a prefeitos do interior do Estado. O objetivo: medir os riscos de derrota caso decida se candidatar ao Senado.

Na arquibancada O governador Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu na última hora assistir à estreia do Brasil na Copa, no Itaquerão. Sua equipe ficou dividida sobre a decisão de ir ao estádio.

Balança Para alguns aliados, o governador deveria manter distância de uma possível vaia a Dilma. Para outros, seria pior ser acusado de se esconder. O Palácio dos Bandeirantes só confirmou sua presença às 23h.

No sofá Paulo Skaf (PMDB), o segundo colocado nas pesquisas, assistirá ao jogo em casa. Prometeu à mulher que vai preparar o almoço do Dia dos Namorados.

Torcida discreta Com o pronunciamento na TV e a carta aos jogadores, a equipe de Dilma quis compensar a linha discreta que ela deve adotar hoje no Itaquerão.

A propósito A presidente também evitou visitar a Granja Comary, ideia que foi discutida no Planalto.

No aquecimento De um parlamentar do PT que jantou com Lula há poucos dias: "Ele é o nosso melhor jogador e está no banco de reservas. Se o time continuar perdendo, vai pedir para entrar".

Na vontade E o ex-presidente quer voltar? "Ele está mordendo os calcanhares", diz o mesmo petista.

Tudo acabado Aécio Neves (PSDB) disse a amigos estar surpreso com Eduardo Campos (PSB), que não o parabenizou pelo nascimento dos gêmeos Julia e Bernardo, no sábado passado.

Baile encerrado Em janeiro, Aécio telefonou para o rival no dia em que nasceu seu caçula, Miguel. Na semana seguinte, foi ao Recife visitar a família Campos.

Atordoado fiquei Os dois presidenciáveis, que conversavam quase todo dia por telefone, já não se falam há cerca de um mês.

Plim-plim Em empate técnico com Campos, o nanico Pastor Everaldo (PSC) tem dito a aliados que vai cobrar das emissoras de TV aberta espaço igual ao do ex-governador de Pernambuco em debates e telejornais.

Também quero Claudia Lyra, a poderosa secretária-geral do Senado, vai se candidatar a deputada distrital em Brasília pelo PMDB.

Cofre fechado O governo indicou a líderes no Congresso que não permitirá a aprovação de mais uma bomba orçamentária: o projeto que cria bônus salarial para juízes por tempo de serviço.

Plano B O Planalto admite discutir com os magistrados uma outra proposta que altere as carreiras e crie uma diferença de 35% entre o piso e o teto da magistratura.

Tiroteio
"Ao expulsar um advogado, o ministro Joaquim Barbosa resumiu a forma ditatorial com que comandou o STF nos últimos anos."
DO VICE-PRESIDENTE DO PT ALBERTO CANTALICE, sobre a ordem para seguranças retirarem o advogado do petista José Genoino do plenário do STF.

Contraponto
Noventa milhões em ação
Na estreia na Copa de 1970, os presos do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) carioca se dividiram entre torcer contra ou a favor do Brasil. Muitos achavam que o tricampeonato fortaleceria a ditadura. Outros diziam que a seleção era do povo, não dos militares.
--A divisão foi mais ou menos ao meio --lembra o ex-preso político Cid Benjamin, no livro "Gracias a la Vida".
No fim, o Brasil bateu a antiga Tchecoslováquia: 4 a 1.
--Alguns dos que não queriam torcer para a seleção viraram casaca e também festejaram a vitória --entrega Benjamin, que vibrou desde o início com o time de Pelé.

Brasília-DF - Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

Copa & ética
Para não atrasar tanto os processos envolvendo os deputados André Vargas (PR), o Conselho de Ética da Câmara ouvirá na semana que vem o presidente do PT, Rui Falcão, o líder do partido na Câmara, Vicentinho, e o deputado Cândido Vaccarezza. Os três deveriam depor esta semana, mas, a pedido de Sibá Machado (PT-AM), ficou combinado para a semana que vem, com o compromisso da presença de todos.

Copa e ética II
Explica-se tanto empenho dos deputados em comparecer ao Congresso em semana de recesso branco: em meio à Copa, são poucos os brasileiros que vão perceber a presença deles ali, prestando depoimento sobre o antigo colega petista enroscado nas tramas do doleiro Alberto Youssef.

Dos males...
Um peemedebista ligado ao governo foi direto ontem quando se referiu àqueles que não gostaram do resultado da convenção: "Michel tem que estar é muito feliz. Se demorasse um pouco mais, não aprovava!"
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"A cúpula do partido precisa parar com essa história de nos medir pela régua deles. Em vez de,dizer que o resultado foi uma traição, deveria, sim, divulgar por que houve esse resultado pífio."
Do deputado Lúcio Vieira Lima/referindo-se ao fato de o PT tratar o PMDB como aliado de segunda classe.
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Sabendo usar, nas vai faltar
É assim que os petistas têm se referido à mistura de política e Copa do Mundo. Ou seja, toda a presença do governo na Copa, depois do pronunciamento da terça-feira, deve ocorrer de forma discreta, sem qualquer estardalhaço. A avaliação é a de que o recado já está dado.

Uma resolução sob encomenda
Discretamente, a convenção do PDT em Brasília aprovou tuna resolução feita sob medida para mais à frente tirar a legenda de quem descumprir. Por ordem de Carlos Lupi, apenas três estados estão livres para fazer campanha a outros candidatos a presidente que não Dilma Rousseff: Rio Grande do Sul, Amapá e Mato Grosso. Os demais vão depender de autorização do comando partidário nacional. A decisão pode representar uma armadilha para José Antonio Reguffe, que fechou uma coligação no Distrito Federal com o senador Rodrigo Rollemberg, do PSB, pré-candidato a governador. A ordem é deixar Reguffe numa corda bamba, uma vez que, de acordo com os pedetistas, se eleito senador, o deputado vai compor a Rede Sustentabilidade de Marina Silva.

Em tempo: Lupi já havia deixado tanto o deputado quanto o senador Cristovam Buarque livres para seguir outros caminhos em Brasília. Afinal, é de conhecimento geral que tanto Reguffe quanto Cristovam eram contra à reedição da aliança nacional com Dilma Rousseff.

CURTIDAS
Copa & degustação:
A discussão ontem nas rodas gastronômicas de Brasília era qual o vinho que a presidente Dilma Rousseff servirá às autoridades convidadas para o almoço hoje em São Paulo. Há dois tipos produzidos especialmente para a Copa do Mundo pela vinícola gaúcha Iidio Carraro: o Faces, que reúne 11 variedades de uva (mesmo número de jogadores em campo numa Seleção), custa em tomo de R$ 35.O ícones, um tinto mais elaborado, em tomo de R$ 300. Ambos serão oferecidos nos camarotes. O champanhe é Taittinger.

E no território da oposição.../O PTB, do ex-deputado Benito Gama, definiu Salvador como palco da convenção nacional que selará o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff. A cidade é administrada por ACM Neto, do DEM. Dilma Rousseff prometeu comparecer à festa petebista "Nós estamos tranquilos, sem muitas dissidências" diz Benito (foto), como que comparando seu partido ao PMDB, que, na Bahia, é Aécio.

Última chamada II
O deputado Júlio Delgado, por exemplo, que tinha comprado há meses uma passagem barata para Belo Horizonte, gastaria R$1,8 mil pela mesma viagem num voo de última hora no dia da abertura do Mundial. E, ainda assim, teria dificuldades em conseguir uma vaga.

Amor na Copa/ Feliz Dia dos Namorados! BrasiiiilllUlllli

Última chamada II
Durante todo o depoimento de Graça Foster na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras era um tal de deputado olhando preocupado para o relógio. A maioria estava irada porque gastaria uma fortuna para viajar ao estado natal hoje. Era isso e não outro o motivo da ira com o relator Marco Maia, que fez 139 perguntas à presidente da empresa, algumas com jeitão de quem estava em campo fazendo cera para gastar o tempo.

Panorama político – Ilimar Franco

- O Globo

Alguém tem que ceder
A força que o PMDB do Rio demonstrou na convenção do partido, anteontem, pode comprometer a candidatura da presidente Dilma à reeleição mais do que o previsto pelo PT. O ministro Moreira Franco (Aviação Civil) afirma que é "inconcebível" o ponto a que chegou a relação entre os dois partidos. "A falta de convivência adequada pode se tornar um impeditivo e afetar Dilma", disse.

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“A presidente Dilma levou o tempo de TV, mas não levou o PMDB como um todo. A convenção mostrou que 40% do partido não está à venda”
Leonardo Picciani
Deputado federal PMDB-RJ
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A questão é matemática
O PSB do Rio tenta escapar da aliança com o PROS ao governo estadual por um problema objetivo: a manutenção de sua bancada na Câmara. O deputado Glauber Braga (PSB) avançou o sinal anunciando a desintegração da candidatura de Miro Teixeira (PROS), por saber que seu partido pode sair perdendo. Com PSB e PROS coligados, e sem Romário (PSB) à reeleição, as vagas afunilam. Hugo Leal (PROS) e Alfredo Sirkis (PSB) são considerados os mais fortes pelas votações de 2010, e será difícil para a aliança fazer mais cadeiras. Deputados pressionam Romário a desistir do Senado, sem sucesso.

Osso duro
Não é simples acabar com a candidatura de Miro Teixeira (PROS) ao governo. Sua manutenção é parte do acerto de Eduardo Campos e Marina Silva para ela engolir o apoio do PSB à reeleição de Geraldo Alckmin em São Paulo.

#cansei
Farto de esperar a decisão do governador Cid Gomes (PROS-CE) sobre quem apoiará à sucessão, o senador Eunício Oliveira (PMDB) negocia com o PR a indicação de Roberto Pessoa para candidato a vice e de Inácio Arruda (PCdoB) à reeleição ao Senado. SDD e PSD, que estavam com Cid, conversam agora com Eunício para o governo.

Menor ainda
A cúpula do PMDB calcula que a presidente Dilma tem menos de 40% do apoio do partido. Pelos números da convenção, a reedição da chapa foi aprovada por 59%. Desses, 20% votaram em consideração ao vice, Michel Temer.

A conferir
A procura por aviões da FAB por autoridades para a Copa do Mundo diminuiu em relação à Copa das Confederações. Pegou mal fotos de deputados, senadores e ministros em redes sociais no ano passado fazendo tour pelo país com amigos e familiares para acompanhar os jogos. Tiveram que ressarcir os cofres públicos.

Dando uma forcinha
A obstrução feita pela oposição às votações na Câmara até que seja cancelado o decreto da presidente Dilma que regulamenta os conselhos populares impulsionou o recesso branco imposto pelos deputados durante a Copa do Mundo.

Ganhando tempo
O governo respira aliviado com o cancelamento das sessões do Senado e da aproximação do recesso branco. Temia que os parlamentares não conseguissem suportar a pressão que vem do STF para aprovar a PEC da Magistratura.

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O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) acabou sendo convidado pela presidente Dilma para a abertura da Copa, hoje, no Itaquerão.

Fernanda Torres: O Bode

• Agora, o fantasma de 1950 pode trazer consequências bem maiores do que o silêncio sepulcral

- Folha de S. Paulo

A ditadura militar fez muita gente se esforçar para torcer contra o Brasil na Copa-70. Mas o talento do escrete foi mais forte que a causa, e até o mais aguerrido dos guerrilheiros sucumbiu aos dribles dos canarinhos.

Quarenta e quatro anos depois, a política volta a se imiscuir no amor pela camisa. O cenário é menos radical, mais democrático, mas a conjunção astral que alinhou Copa e eleição acabou por acirrar as tensões comuns aos dois eventos.

No Rio, os meses que antecedem as urnas são propícios a assaltos, chacinas e trocas de tiro no asfalto. Já começou, e não se vê uma faixa verde e amarela pintada na rua.

O clima anda tenso. Ronaldo tem razão quando diz que o futebol não tem culpa de terem creditado ao Mundial o fim das nossas mazelas. Mesmo assim, os custos exorbitantes dos estádios muniu a insatisfação popular.

Se cairmos nas quartas ou nas oitavas, corremos o risco da ira do Não Vai Ter Copa se juntar à dos black blocks, às greves, aos interesses das facções criminosas e ao uso político das manifestações de massa, culminando num quebra-quebra difícil de ser controlado.

Os que defendem a permanência do PT no poder acendem velas para Felipão. A oposição reza por uma colocação xoxa. Mas todos anseiam por, pelo menos, um honroso terceiro lugar que apazigue os maus humores.

A proximidade da eleição atiça a consciência extremada e censura a alegria mundana do torcedor. Ciente de nossa corrupção endêmica, quem se orgulharia de ter o álbum da Copa-14 completo? Mas a política, muitas vezes, gera uma impotência que leva à paralisia. Não defendo a alienação, mas alguma redenção é necessária.

Na minha área, já vi colegas trocarem o palco pelo palanque. De uma maneira geral, eles se tornaram artistas menos interessantes em cena do que fora dela.

O esporte é mais pragmático. O perde e ganha não deixa espaço a subjetividades. O atleta tende a fazer a sua parte, independente das convicções partidárias.

O espírito cívico é importante, mas ele não pode tirar a beleza de tudo. Se a seleção de 70 fosse medíocre, a derrota não nos livraria da linha dura.

Em meio a tanta indignação, resta esperar dos jogadores a lição simples de dominar com mestria o que se faz.
E nem sempre isso é suficiente, vide 1982. Agora, o fantasma de 1950, no Maracanã, pode trazer consequências bem maiores do que o silêncio sepulcral no estádio.

Que a força esteja conosco.

À partir de hoje, e por um mês, pretendo me dedicar ao carisma de Neymar, à lordose do Hulk, ao pomo de Adão do Cristiano Ronaldo e àqueles quadríceps maravilhosos, de rapazes vindos dos mais diversos cantos do planeta.

Sou moça, a testosterona me distrai à beça. Cada dia a sua agonia. Em outubro, decido meu voto.

Edu Lobo: O trenzinho caipira (Villa Lobos / Ferreira Gullar

Ascenso Ferreira – Carnaval do Recife

Meteram uma peixeira no bucho de Colombina
que a pobre, coitada, a canela esticou!
Deram um rabo-de-arraia em Arlequim,
um clister de sebo quente em Pierrô!

E somente ficaram os máscaras da terra:
Parafusos, Mateus e Papangus...
e as Bestas-Feras impertinentes,
os Cabeções e as Burras-Calus...
realizando, contentes, o carnaval do Recife,
o carnaval mulato do Recife,
o carnaval melhor do mundo!

- Mulata danada, lá vem Quitandeira,
lá vem Quitandeira que tá de matá!

- Olha o passso do siricongado!
- Olha o passo da siriema!
- Olha o passo do jaburu!
E a Nação-de-Cambinda-Velha!
E a Nação-de-Cambinda Nova!
E a Nação-de-Leão-Coroado!

- Danou-se, mulata, que o queima é danado!
- Eu quero virá arcanfô!
Que imensa poesia nos blocos cantando:
"Todo mundo emprega
grande catatau,
pra ver se me pega
o teu olho mal!"
- Viva o Bloco das Flores! Os Batutas!
Apois-fum!
(Como é brasileira a verve desse nome: Apois-fum!)
E o Clube do Pão Duro!
(É mesmo duro de roer o pão do pobre!)

- Lá vem o homem dos três cabaços na vara!
"Quem tirar a polícia prende!"

- Eh, garajuba!
Carnavá, meu carnavá,
tua alegria me consome...
Chegô o tempo das muié largá os home!
Chegô o tempo das muié largá os home!
Chegou lá nada...

Chegou foi o tempo delas pegarem os homens,
porque chegou o carnaval do Recife,
o carnaval mulato do Recife,
o carnaval melhor do mundo!

- Pega o pirão, esmorecido!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Opinião do dia: Aécio Neves

“Os peemedebistas estão vendo o que acontece com o Brasil, ninguém quer isso que está aí. O governo do PT é o governo da desesperança. O PMDB em vários estados estará próximo a nós. O resultado da convenção do PMDB é uma derrota de um governo que não teve limites para distribuir cargos. O governo há um ano só faz uma coisa: cooptar forças políticas para ela vença as eleições.”

Aécio Neves, senador (MG) e presidente nacional do PSDB, em ‘Para Aécio, resultado significa derrota do governo’, O Globo, 11 de junho de 2014.

Ibope mostra piora da avaliação do governo Dilma Rousseff

• Índice de eleitores que consideram gestão boa ou ótima cai de 35%, em maio, para 31%

Letícia Sorg - Agência Estado

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira, 10, mostra que a avaliação dos eleitores sobre o governo Dilma Rousseff piorou de maio para cá. Segundo o levantamento, 31% dos eleitores avaliam o governo atual como ótimo ou bom. Na mostra anterior, esse índice era de 35%. A avaliação regular oscilou de 30% em maio para 32% agora. Já a avaliação ruim ou péssima oscilou de 33% para 35%.

A pesquisa também perguntou aos eleitores se eles aprovam ou desaprovam a maneira como Dilma vem administrando o País. De acordo com o levantamento, 44% aprovam a atual gestão, ante 47% em maio. Já 51% desaprovam a maneira de Dilma governar, uma alta de 3 pontos porcentuais em relação à pesquisa anterior.

A pesquisa foi contratada pela União dos Vereadores do Estado de São Paulo (Uvesp) e entrevistou 2.002 pessoas em 142 municípios do País entre 4 e 7 de junho. O nível de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima é de 2 pontos porcentuais. O levantamento foi registrado sob o protocolo BR-00154/2014 no Tribunal Superior Eleitoral.

Ibope: Dilma cai dois pontos e adversários sobem

• Dilma (38%), Aécio (22%) e Campos (13%)

Letícia Sorg - Agência Estado

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira mostra que a presidente Dilma Rousseff oscilou negativamente em relação ao último levantamento. No cenário mais provável, que inclui candidaturas de partidos nanicos, a presidente saiu de 37% das intenções de voto em abril para 40% em maio e voltou a 38% em junho. O pré-candidato do PSDB, Aécio Neves, saiu de 14% em abril para 20% em maio e agora alcança 22%. Já o pré-candidato do PSB, Eduardo Campos, soma 13% das intenções de voto ante 11% em maio e 6% em abril.

No mesmo cenário, o pastor Everaldo (PSC) manteve 3% das intenções de voto. José Maria (PSTU), Magno Malta (PR) e Eduardo Jorge (PV) têm 1% cada. Outros nanicos somam 1%. Brancos e nulos são 13% e indecisos, 7%. No levantamento de maio, brancos e nulos somavam 14% e indecisos, 10%.

A pesquisa foi contratada pela União dos Vereadores do Estado de São Paulo e entrevistou 2002 pessoas em 142 municípios do País entre 4 e 7 de junho. O nível de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima é de 2 pontos porcentuais. O levantamento foi registrado sob o protocolo BR-00154/2014 no Tribunal Superior Eleitoral.


Com Marina na vice, Campos encosta em Aécio, diz Ibope

• Pesquisa encomendada por entidade de vereadores indica que ex-ministra aumenta competitividade do pré-candidato do PSB

Daniel Bramatti - O Estado de S. Paulo

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira, 10, mostra a presidente Dilma Rousseff (PT) com 38% das intenções de voto, dois pontos porcentuais a menos do que em maio. Seus adversários Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) oscilaram dois pontos para cima (de 20% para 22% e de 11% para 13%, respectivamente). Com a inclusão dos nomes dos vices nas cartela apresentada aos eleitores, porém, Campos se aproxima de Aécio - sua desvantagem varia entre quatro e cinco pontos.

A pedido da União dos Vereadores de São Paulo (Uvesp), entidade que pagou a pesquisa, o Ibope testou cenários com diferentes vices para Aécio (José Serra, Tasso Jereissati e Aloysio Nunes), além de colocar Marina Silva na chapa de Campos e Michel Temer na de Dilma.

Marina é a única vice que provoca alterações significativas no panorama. Com seu nome associado ao dela, o pré-candidato do PSB fica com 17% a 18% das intenções de voto, a depender do cenário. A inclusão de Serra na chapa de Aécio faz com que o tucano fique com 23%.

Segundo turno. No cenário comparável com as pesquisas anteriores - aquele no qual os nomes dos vices não são apresentados -, os concorrentes de Dilma somam 42%, quatro pontos a mais do que a petista. Isso indica que aumentou a chance de segundo turno. Na pesquisa anterior, Dilma tinha 40%, e os adversários, 36%.

Os cenários de segundo turno também mudaram significativamente, graças ao crescimento dos candidatos de oposição. Em um eventual embate com Aécio, a vantagem de Dilma caiu de 19 para 9 pontos porcentuais - em menos de um mês, o placar passou de 43% a 24% para 42% a 33%.

No cenário de confronto direto contra Campos, a petista também viu sua vantagem diminuir, de 20 pontos (42% a 22%) para 11 (41% a 30%).

Rejeição. Outra má notícia para a presidente foi o aumento da rejeição a seu nome: a parcela do eleitorado que afirma que não votaria nela de jeito nenhum subiu de 33% para 38%.

A pesquisa entrevistou 2002 pessoas em 142 municípios do País entre 4 e 7 de junho. O nível de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima é de 2 pontos porcentuais. O levantamento foi registrado sob o protocolo BR-00154/2014 no Tribunal Superior Eleitoral.

Com críticas ao PT e ao governo, PMDB aprova apoio a Dilma

Ranier Bragon, Andréia Sadi – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Com críticas ao PT e ao governo, o PMDB aprovou nesta terça-feira (10) em convenção nacional o apoio à reeleição de Dilma Rousseff. Foram 398 votos pela manutenção da aliança (59%) contra 275 (41%) da ala que defendia o rompimento.

Mesmo com a vitória, o resultado representa constrangimento ao Planalto. Em 2010, o apoio peemedebista à chapa de Dilma havia sido aprovado por 85% dos convencionais.

Se considerados todos os votos possíveis (737) na convenção, o índice favorável a na convenção deste ano, Dilma cai para 54%, já que foram registrados 64 votos brancos e nulos ou abstenções.

Com a decisão de hoje, a petista obtém cerca de 2 minutos e 20 segundos (em cada bloco de 25 minutos) na propaganda eleitoral na TV, que é o principal instrumento das campanhas políticas. O espaço no chamado "palanque eletrônico" é definido, principalmente, pelo tamanho dos partidos coligados.

O evento peemedebista, realizado no Senado, em Brasília, foi pontuado por reclamações de falta de apoio do partido da presidente da República aos candidatos do PMDB, principalmente no Rio de Janeiro, onde a legenda terá o PT como adversário na tentativa de reeleger Luiz Fernando Pezão.

A ala contrária a Dilma chegou a discursar contra a aliança e a distribuir panfletos em que acusa o governo de ineficiência e corrupção.

Maior aliado do PT na coalizão dilmista, o PMDB possui cinco ministérios, mas reclama constantemente que seu espaço é pequeno e que não tem autonomia total nas pastas sob sua responsabilidade.

Na abertura da convenção, o vice-presidente da República, Michel Temer,minimizou a dissidência e afirmou que a manutenção da aliança com o PT visa "abrir as portas" para que no futuro "o PMDB ocupe todos os espaços políticos, para o bem dos brasileiros".

Dizendo que o partido é o responsável pela "grande revolução social neste país", Temer afirmou que não acreditava nas "intrigas" que, segundo ele, apontavam para traições. Com a vitória de sua ala, Temer será novamente o vice na chapa de Dilma.

Antes de discursar, Temer repetiu que estaria satisfeito mesmo que a aliança fosse aprovada até mesmo por margem mínima. E negou constrangimento: "Isso é comum no PMDB, se a gente não se acostumar com isso depois de 40 anos, não dá para fazer política."

Em sua fala, o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), disse que o partido apresentará propostas de governo a Dilma, entre elas o ensino em tempo integral e a "defesa permanente da liberdade de expressão e pensamento". "Disso o PMDB não abre mão", afirmou Raupp.

Setores do PT defendem propostas de regulação da mídia. O ex-governador Roberto Requião (PMDB-PR) tem proposta similar, mas ela não encontra respaldo na cúpula peemedebista.

Rebelião
Vice de Dilma, alas do PMDB ameaçaram nos últimos meses romper a aliança e, inclusive, lideraram na Câmara dos Deputados uma rebelião contra o Palácio do Planalto. Na lista de insatisfações, falta de interlocução com Dilma, reivindicação de maior espaço no governo e de apoio do PT às suas candidaturas nos Estados.

Nos discursos da convenção, coube à seção do Rio os maiores ataques. O prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes, afirmou que o partido devolverá "na mesma moeda" eventuais acusações que Pezão sofrer do PT. O partido de Dilma deve lançar na disputa o senador Lindberg Farias.

Segundo Paes, o PT não tem sido patriótico em vários Estados. No Estado a maioria do PMDB deve apoiar a candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência. Segundo a cúpula da legenda no Estado, o principal culpado disso é o PT.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, candidato ao governo do Rio Grande do Norte, também reclamou em discurso não receber o apoio do PT em seu Estado.

Um dos peemedebistas mais críticos à aliança da legenda com Dilma, o ex-ministro Geddel Vieira Lima diz que o apoio seria aprovado por causa de Michel Temer. "Dilma deve ir à nossa senhora aparecida porque Temer a está levando nas costas".

Outro opositor à aliança, o deputado federal Danilo Forte (CE) pediu que o apoio ao PT não fosse aprovado. "Meu coração é Eduardo Campos, pena que ele está patinando. Marina [Silva] acabou com ele".

Segundo o deputado, ele e o senador Eunício Oliveira (CE) "carregaram Michel no ombro em 2010". "Agora não dá mais: ou salva o Brasil ou o PT", disse ele à Folha.

PMDB aprova aliança com Dilma com 59% de votos favoráveis

• Dilma diz que juntos os partidos terão mais quatro anos e culpou a crise internacional por dificuldades

Maria Lima – O Globo

BRASÍLIA – A maioria dos peemedebistas que participaram da convenção nacional do partido nesta terça-feira aprovou a aliança com a presidente Dilma Rousseff para a disputa à reeleição. O resultado da votação foi de 398 votos a favor da aliança contra 275. Os votos contra a aliança foram de 41% do total dos votos válidos e 59% a favor. O PMDB havia anunciado, anteriormente, o percentual de 69% de votos favoráveis.

O deputado Darcisio Perondi (PMDB-RS), um dos que se opôs à aliança, afirmou que a fatia de votos contrários mostra uma renovação no partido.

- Fizemos quase 50%. Isso significa que é o novo PMDB nascendo no Brasil – disse.

Em seu discurso durante o evento, a presidente destacou a aliança com o PMDB, e afirmou que juntos eles terão mais quatro anos de governo.

- Teremos mais quatro anos, para realizar mais programas, como acelerar o crescimento econômico – disse. - Acabar com a miséria foi só o começo. Vamos deixar um legado promissor, nós não tememos o futuro.

Também sobraram críticas aos oponentes e aos dissidentes dentro do PMDB. A presidente afirmou que esses blocos representam o passado, ao passo que a aliança atual é o futuro

- Querem dizer que estamos aliados ao atraso. Pelo contrário, estamos aliados ao que tem de mais avançado e mais moderno. Nós somos o avanço, o atraso são eles – disse.

A oposição é que tem a marca do retrocesso, disse Dilma, que afirmou que dificuldades econômicas em seu governo se devem à turbulências internacionais.

- Eu não fui eleita para desempregar ninguém. Eu não fui eleita para arrochar salários. Eu não fui eleita para colocar o país de joelhos – disse. - O mar agitado da crise econômica internacional trouxe dificuldades para o Brasil. Mas Ulysses Guimarães já dizia, navegar é preciso. E no mar agitado nós somos capazes de navegar. Nós temos a experiência para remar até contra a maré, para impedir que aconteça aqui o que aconteceu em outros países avançados, de tirar direitos, levar ao desemprego, levar o desalento a milhões e milhares de famílias de trabalhadores da classe média. Vamos ter uma luta pela frente, conto com vocês.

Dilma também reforçou o que disse mais cedo em convenção do PDT, de que a oposição quer se apropriar de programas de governo de sucesso. Para a presidente, ninguém pode ter o “monopólio” do que foi feito, mas disse que querem “surrupiar” os programas.

Fatia de dissidentes foi maior que o esperado
A dissidência dentro do partido preocupava. Os peemedebistas contrários à reeleição da presidente Dilma chegaram cedo à convenção nacional do PMDB, e foram vaiados ao discursar contra a aliança com o PT.

O vice-presidente Michel Temer havia afirmado que se tivesse 51% dos votos favoráveis já estaria bom. O presidente do partido, Valdir Raupp havia feito uma previsão mais otimista do que o apurado. Ele acreditava em aprovação da aliança com 80% a 90% dos votos.

Os dissidentes distribuíram dois documentos críticos ao governo federal na convenção. “A Petrobras foi totalmente aparelhada. Deixou de ser um orgulho nacional para se transformar em um balcão de negócios destinado a tenebrosas transações. Seu valor de mercado caiu pela metade e sua dívida duplicou nos últimos três anos”, diz um dos documentos, apesar de o PMDB ter indicado diretores da Petrobras nos governos Lula e Dilma.

Em outro manifesto, os dissidentes reclamam de os ministros do PMDB não terem poder de decisão. “Por que sermos corresponsáveis pela volta da inflação, da carestia, pela falência da saúde, da segurança e da saúde?”.

Com 59% dos votos válidos, PMDB confirma aliança com PT

• Decisão confirma o nome de Michel Temer como pré-candidato do partido à vice-presidência na chapa encabeçada por Dilma Rousseff

Rafael Moraes Moura, Daiene Cardoso e Ricardo Della Coletta - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Por maioria, o PMDB decidiu , na tarde desta terça-feira, 10, pela manutenção da aliança com o PT e confirmou o nome de Michel Temer como pré-candidato à vice-presidência na chapa pela reeleição da presidente Dilma Rousseff. Na convenção do partido, 398 votaram pela reedição da aliança contra 275 dissidentes.

Dos 673 votos, 59% foram pela manutenção da aliança. O resultado, anunciado na tarde desta terça pelo presidente do partido, senador Valdir Raupp (RO), é beminferior ao estimado pela cúpula do partido, que esperava apoio de cerca de 70% dos votantes.

“Nós ganhamos. Mostramos ao Brasil que quase metade do PMDB quer o fim da aliança”, comemorou o deputado dissidente Darcísio Perondi (PMDB-RS).

Em seu discurso, Temer pediu a reunificação do PMDB para fazer da sigla a maior do Brasil e disse que a partir de agora não serão apenas aliados, serão governo. “Essa convenção não tem vencedores e vencidos. Tem um grande vencedor, que é o PMDB. Vocês sabem que, ao longo do tempo, sempre tivemos democraticamente as mais variadas divergências dentro do partido e sempre obtivemos a unidade”, disse.

“Vamos nos unir a partir deste momento porque um instante é o instante político-eleitoral em que as divergências surgem. Outra coisa é o instante político-administrativo do partido, que passamos a viver a partir deste momento”, emendou.