sexta-feira, 13 de junho de 2014

Dora Kramer: Mistura de estações

• Se alguém está confundindo futebol com política eleitoral é a presidente Dilma

- O Estado de S. Paulo

Quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo, a ideia era que a euforia tivesse vida longa e que o governo estivesse agora sendo tão festejado quanto a seleção que ontem entrou em campo para derrotar a Croácia por 3 a 1.

A intenção era recolher dividendos políticos. A realidade, contudo, não permitiu o cumprimento dos desígnios e o que se vê é o governo perdendo a confiança da população devido à deterioração da economia, que assume uma dimensão superlativa justamente pela realização da Copa com seus gastos e atrasos.

Não é o resultado em campo que vai determinar o resultado das eleições, embora a ineficácia fora dele tenha contribuído bastante para que se consolidasse a percepção de que a capacidade do governo de "realizar" não correspondia aos fatos.

Sem muito a fazer para inverter a tendência de queda na intenção de votos e no aumento da rejeição nas pesquisas, a presidente Dilma Rousseff tenta nitidamente tirar algum partido da Copa. Faz uma manobra para virar o jogo e dizer que as coisas são o contrário do que na verdade são.

Diz a presidente que nem na ditadura se misturava o futebol com a política. Não é verdade. O ditador da vez a que se referia Dilma, em 1970, Garrastazu Médici, misturava sim. O que não havia era espaço para contestações, em manifestações. Não havia sequer eleições.

Agora ninguém está misturando nada com nada. O que há é uma insatisfação concreta com os serviços públicos, a ação de vândalos e a incapacidade do poder público, em todas as esferas, de responder de maneira adequada. Isso em relação a junho de 2013.

As promessas da ocasião ficaram pelo meio do caminho ou eram inexequíveis (Constituinte exclusiva para reforma política, por exemplo) e a baderna correu solta até espantar os manifestantes de boa-fé das ruas.

Em 2014, os protestos voltaram com outro perfil: categorias profissionais e movimentos, alguns politicamente instrumentalizados, que procuraram tirar proveito da visibilidade do Mundial para obter vantagens dos governos. Alguns com sucesso.

Mas não há nisso uma linha de ligação direta com os jogos propriamente ditos. A não ser aquela que a própria presidente estabelece quando atribui as críticas aos gastos e aos atrasos - o chamado mau humor geral - aos opositores do governo.

Dilma os qualifica de "pessimistas" e determina que foram "derrotados". Eram também assim chamados os que alertavam para a condução errática da economia enquanto o governo previa crescimento irreal do PIB e dizia que o aumento dos preços não era motivo de preocupação. Se alguma tese saiu derrotada aí não foi a dos que estavam sendo apenas realistas.

Agora a presidente faz uma manobra em que tenta confundir os críticos à incompetência governamental com maus brasileiros que torcem pela derrota da seleção. Foi esse o recado de seu último pronunciamento em cadeia de rádio e televisão.

Impossibilitada de colher os louros de uma organização à altura das promessas feitas sete anos atrás pelo antecessor, Lula da Silva, Dilma opta por criminalizar o senso crítico da população em relação aos deveres do poder público e a consciência de que a realização da Copa do Mundo no Brasil não é uma dádiva merecedora de gratidão eterna.

Se alguém está misturando as estações - de propósito e convenientemente com sinal trocado - é a própria presidente, que vai à televisão dizer que há uma campanha contra a Copa que, na verdade, é uma campanha contra o governo. Só faltou dizer explicitamente, porque implicitamente deu a entender, que quem não vota nela não gosta do Brasil. Por esse raciocínio, sua queda nas pesquisas é grave crime de lesa-pátria.

Tudo fantasia, fruto de manipulação marqueteira. Na batata, como se dizia antigamente, agora todo mundo vai torcer. E, em outubro, votar como bem entender.

Eliane Cantanhêde: Pontapé inicial

- Folha de S. Paulo

A presidente da República do Brasil, anfitriã de um dos maiores espetáculos do planeta, a Copa do Mundo, ficou praticamente anônima na abertura oficial dos jogos. Nem discurso, nem o protocolar "considero aberta..." e nem mesmo acenozinhos básicos para o público, desses de estadistas.

É bem verdade que vaias a chefes de Estado não são incomuns, nem um bicho de sete cabeças. Mesmo as melhores famílias e os mais populares presidentes estão sujeitos a uma vaia, especialmente em jogos.

Por isso, por pudor ou pelos palavrões, as transmissões ao vivo relevaram os gritos contra Dilma e a Fifa. Mas não deu para esconder que a presidente foi trocada pelas simpáticas pombas brancas da paz.

Paz, aliás, quebrada fora do estádios em São Paulo e, por exemplo, em Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio. A polícia, aparentemente, foi profissional: sem excessos, mas firme.

Quanto ao espetáculo de abertura, pareceu ok, nada além disso. Havia espaço demais e gente de menos, causando uma sensação assim: cadê a exuberância do sambódromo? Ainda bem que Cláudia Leite, tão esnobada na internet, estava linda, alegre e, apesar de loura, bem brasileira. Não ficou um pingo a dever a Jennifer Lopez, ao contrário.

Quanto ao jogo de estréia, nem o mais chato militante anti-Copa poderia imaginar que o primeiro gol seria um gol contra --e contra o Brasil. Coitado do Marcelo, vai ser eternamente lembrado por isso. E o segundo gol brasileiro? Fala sério, o pênalti foi no mínimo polêmico. Para um leigo, o Fred caiu de maduro.

Mas, quer saber? Apesar desses detalhes, a bola está rolando no campo, o Brasil enfim entrou no clima e a Copa tem tudo para dar certo. Não será exatamente a "Copa das Copas" que Dilma alardeava, mas mais uma Copa decente e animada.

Ah, e que golaços os do Neymar e o do super Oscar fechando o placar, hein? O que o povo quer mesmo é ver belos gols do Brasil. E viu.

Cláudio Gonçalves Couto: Pesos e medidas do legado

• Cidadãos mais críticos são um legado da Copa

- Valor Econômico

Enfim, começou a Copa do Mundo. Talvez como nunca antes na história deste país, o torneio mundial de futebol acendeu paixões. Só que, desta feita, nem tanto as paixões futebolísticas, que andaram ofuscadas, e sim paixões políticas. Certamente, desde 1970 não testemunhamos uma Copa do Mundo que tenha sido tão fortemente politizada no Brasil - embora desta vez, (felizmente) de forma muito distinta. Talvez outro torneio que tenha sido tão politizado como este, após a Copa de 1970, tenha sido o sediado na Argentina dos generais, em 1978 - novamente numa forma de politização nada invejável. Desta vez, o que temos é uma politização democrática, com as manifestações das ruas, da opinião pública midiática e da subopinião pública das redes sociais, as críticas das oposições e a cobrança pelo conjunto dos cidadãos.

Creio que a atual politização confirma expectativa que expressei numa coluna de janeiro de 2010 (www.valor.com.br/arquivo/802629/copa-olimpiada-e-os-costumes), contra os céticos e pessimistas, de que a Copa e a Olimpíada representariam desafios úteis para aumentar a pressão social sobre as autoridades políticas e esportivas, no sentido de que melhorassem sua conduta. E, de fato, o que mais temos visto desde junho de 2013 são manifestações críticas à realização da Copa do Mundo e aos seus gastos. Algumas, exageradamente.

O recrudescimento das manifestações contrárias ou, ao menos, críticas ao torneio mundial de futebol corresponde a três momentos importantes do calendário: as próprias manifestações de junho, que tiveram o condão de destampar um caldeirão de insatisfações difusas das mais diversas naturezas; a conclusão atrasada ou incompleta das obras para o evento; e o aquecimento do debate eleitoral, com as consequentes cobranças aos governantes.

Contudo, para além desse efeito de calendário, há uma questão específica de conteúdo, que diz respeito aos gastos governamentais com o evento. Este é um aspecto que pode ser considerado de duas perspectivas: (1) o montante do gasto e (2) a qualidade do gasto. Quanto ao primeiro ponto, os volumes dispendidos com estádios na forma de gastos diretos, empréstimos ou subsídios são mesmo bastante alentados - R$ 8 bilhões. Contudo, é falsa a dicotomia que se coloca entre o uso de tais recursos para a construção ou reforma de arenas e os investimentos que deveriam ser feitos em saúde e educação. Como apontou a 'Folha de S. Paulo' numa reportagem de 23 de maio, mesmo a totalidade dos gastos feitos com a Copa para além dos estádios, que envolve investimentos em infraestrutura urbana, aeroportuária, formação de pessoal etc., não chega a um mês dos gastos feitos em educação. Assim, pode-se concluir que mesmo que todos os investimentos feitos na Copa fossem destinados à educação, a situação não se alteraria em praticamente nada.

Ademais, como apontou o Valor de segunda-feira, numa reportagem de José João Oliveira, apesar os percalços, um legado efetivamente fica - e ele precisa ser computado ao se fazer o balanço dos gastos já mencionados. A mais emblemática declaração transcrita na matéria é do presidente do Sindicato Nacional de Arquitetura e Engenharia, José Roberto Bernasconi: "Só o fato de ter forçado o governo a reconhecer que era preciso abrir os aeroportos à iniciativa privada já foi um legado da Copa". O notável dessa observação é que ela aponta para um tipo de herança que não é tão palpável como estádios confortáveis, transporte mais eficiente ou uma estrutura turística mais robusta. Ele concerne a mudanças de comportamento e suas implicações para formas de gestão e políticas públicas melhores.

Ao explicitar o mau uso do dinheiro público na construção de estádios excessivamente caros e grandes, fadados a se converterem em elefantes brancos, a Copa ilustrou de forma didática um modo de gerir a coisa pública que é coisa antiga e que continuaria a ocorrer mesmo sem o torneio. Por vezes, trata-se de gastar muito mais do que seria razoável em algo que não terá uso, como no perdulário estádio de Brasília, o terceiro mais caro do mundo. No campeonato regional de 2013, o público total dos quatro times da Capital com maior torcida (Brasiliense, Gama, Sobradinho e Brasília) chegou a 70.020 pessoas - menos do que os 71.000 lugares do Mané Garrincha. E isso porque entrou na conta o público da inauguração do novo estádio, com ingressos a R$ 1 numa final de campeonato. Resultado: 22 mil torcedores presentes. Haja shows para dar uso ao espaço...

Outro exemplo de escolha altamente questionável é o estádio de Manaus, cuja capacidade supera o público total do último campeonato estadual em 4.500 lugares. Curiosamente, no vizinho amazônico, o Pará, o Clube do Remo e o Paysandu repetidamente levaram ao Mangueirão públicos superiores aos 15, 20 ou 30 mil pagantes durante os dois últimos campeonatos estaduais. Se era para investir dinheiro público num estádio amazônico, faria mais sentido que fosse no Pará.

Por outro lado, a cobertura excessivamente enviesada sobre os investimentos da Copa também gera distorções profundas de percepção e acirra os ânimos. Exemplo disto foi uma matéria do "Correio Braziliense", de 11 de junho, intitulada: "Despejados para construção de Itaquerão, moradores não têm água, luz ou TV". Ao se ler isto, tem-se a impressão de que se despejou gente que morava no terreno onde foi construído o estádio, ou que houve desapropriações selvagens para obras viárias. Na realidade, o que houve foi um aumento no valor dos alugueis da região, impactados com a valorização imobiliária propiciada pela construção da Arena Corinthians. Com isto, moradores da região não tinham mais como arcar com os aluguéis.

O problema de distorções informativas como esta é que fazem supor que é nefasto qualquer investimento que leve à valorização de uma região. Na realidade, o que se requer são políticas públicas que corrijam externalidades negativas do desenvolvimento. Senão, abdicaríamos de tentar melhorar nossas cidades pois isso, afinal, aumenta os aluguéis.

Cláudio Gonçalves Couto é cientista político, professor da FGV-SP

Nelosn Motta: Imagina depois da Copa

• Lula chegou a atribuir o baixo crescimento do PIB ao mau humor dos empresários, trocando a consequência pela causa

- O Globo

Alguma coisa está dando errado e o estrategista João Santana deve estar muito preocupado: quanto mais se intensifica a propaganda oficial em todas as mídias, alardeando as realizações do governo e todos os ganhos com a Copa do Mundo, mais caem a aprovação e as intenções de voto da presidente Dilma e mais aumentam os seus índices de rejeição. E a Bolsa sobe.

Imagina depois da Copa, com metade do tempo do horário eleitoral na televisão ocupado por avassaladora publicidade triunfalista tentando convencer os eleitores que a sua vida e seu país estão muito melhores do que eles pensam. E que quem ganha salário de mil reais agora é classe média.

Não dá para rejeitar as pesquisas agora e aceitá-las há três anos, quando eram positivas. Nem responsabilizar a “mídia golpista”, se há dois ou três anos, apesar dela, a aprovação do governo era muito maior. Resta sempre a conspiração. Blogueiros oficialistas denunciam que todas essas manifestações que estão parando cidades por aumentos salariais têm o único objetivo de impedir a reeleição da presidente Dilma… rsrs.

Lula chegou a atribuir o baixo crescimento do PIB ao mau humor dos empresários, trocando a consequência pela causa. Mas quem azedou o humor de 70% da população? Se fosse Chávez dizia logo que era uma conspiração do Império e explicava tudo, mas aqui nem o Zé Dirceu ousaria tanto.

Como explicar que só pouco mais da metade dos delegados na convenção do PMDB, mesmo com o vice da chapa e todos os seus cargos no governo, tenha votado pelo apoio à candidatura de Dilma? Numa votação secreta, no escurinho da cabine… com delegados peemedebistas… vocês sabem como é… ainda bem que os peemedebistas não traem seus aliados… só quando é pelo bem do Brasil… rsrs.

A saia está tão justa que a estratégia de Dilma tem sido responder com veemência e cheia de razão… a acusações que não lhe foram feitas, mas não consegue se defender das evidências que provocam danos à sua candidatura: crescimento baixo + inflação alta + obras atrasadas = má gestão.

Se João Santana conseguir reverter isso, mereceria ser ele o presidente, e não Dilma.

*Roberto Romano: Participação popular e facções

• O governo esquece um compromisso com o povo na sua totalidade soberana

- O Estado de S. Paulo

Com os conselhos populares pretendidos pelo governo, pela enésima vez a Presidência da República legisla e usa a mão felina do Congresso para pegar as castanhas que a fortalecem. O Executivo abusa das normas e das medidas provisórias. Todas essas medidas propiciam "negociações" que rendem cargos aos partidos, mas privilegiam o Executivo. Propostas corretas podem ser viciadas. Sim, a participação popular é alvo democrático. O problema reside no modo e na dose.

Alguns doutrinadores exageram as prerrogativas oficiais, outros acentuam a soberania popular. Fernando Bianchini (Democracia Representativa sob a Crítica de Schmitt e Democracia Participativa na Apologia de Tocqueville, 2014) mostra que Tocqueville não ataca, nos moldes de Carl Schmitt, o Estado parlamentar. Ele quer diminuir a distância entre cidadãos e legisladores. O movimento, no entanto, deve brotar "de baixo para cima", e não ser imposto pelo Executivo. Tal é o defeito do decreto assinado por Dilma Rousseff.

O diploma finge que a sociedade não é dividida. Nela não existiriam interesses contraditórios de grupos políticos organizados. Partidos e interesses vários não manobrariam esses grupos, só aparentemente autônomos. Só anjos ignoram que os "movimentos não institucionalizados" têm líderes, ideólogos, agenciadores. Dilma busca um Estado nas dobras do Estado. Ninguém, em movimentos desprovidos de instituição, assume responsabilidade oficial, ou seja, diante do povo soberano, pelos erros nas decisões. O caso de um deputado paulista, popular graças aos recursos de campanha, é importante. O político recebeu um mandato das urnas e guarda relações enigmáticas com "movimentos não institucionalizados", os perueiros que têm elos "não institucionais" com... setores que operam na margem da lei.

Bem diverso era o orçamento participativo, fechado ao ser eleito Luiz Inácio da Silva. Ali os movimentos discutiam com os administradores públicos. Eles decidiam prioridades na aplicação do orçamento. Toda a assembleia se responsabilizava pelas decisões. Mesmo assim, existiam "donos" de movimentos. Certa feita, na assembleia (de Porto Alegre), um grupo abriu uma faixa: "A comunidade de (invento o nome) Pedro Leopoldo saúda os participantes". Perguntei ao meu cicerone: "Onde é Pedro Leopoldo?". Pergunta errada, corrige ele: "Quem é Pedro Leopoldo?". Era o dono do grupo.

Líderes referiam-se aos movimentos com o possessivo: "o meu". Comento: "Estranha forma de indicar a comunidade". Replica o acompanhante: eles se pensam proprietários da coisa. A Secretaria da Educação de Porto Alegre, para diminuir filas na matrícula escolar, distribuiu fichas de agendamento. Líderes comunitários exigiam que fossem eles a levar as fichas aos genitores. É a lógica do "favor não institucionalizado".

Sim, o Congresso brasileiro afasta-se da cidadania. Antes de junho (de 2013), nele se discutiram a aprovação da PEC 37, que feria o Ministério Público, mudanças que atenuariam a Lei de Improbidade Administrativa, aleijões na Lei da Ficha Limpa, etc. O problema não está só no Congresso, mas no Estado brasileiro. Fosse o Supremo Tribunal Federal "apenas" uma Corte constitucional, as questões contidas no decreto em pauta já estariam encaminhadas. Ente que tudo julga, e a todos, ele se afoga em processos decididos sem a tranquilidade necessária. Ademais, ele decide com base numa Constituição que é triste colcha de retalhos, dadas as inúmeras emendas, várias oriundas de imposições do Executivo (como a da reeleição).

É grave a distância entre o Estado e os eleitores. Seria importante diminuir o gap que desmoraliza os Poderes. Mas o proposto agora é a imposição de movimentos sociais como operadores do Executivo, negando-se o fato de que na democracia o poder exige responsabilidade pública. Segundo H. Guaino, "as ONGs começam a constituir um contrapoder, mas não têm legitimidade política. Elas não expressam o direito dos povos: um debate na internet não equivale a eleição legislativa ou referendo". As ONGs não têm legitimidade política. E os movimentos que seguem líderes anônimos, com interesses idem?

Hobbes alerta contra as assembleias "populares": antes das reuniões os líderes tudo decidem mantendo "em separado reuniões secretas com alguns poucos, em que combinam o que irão propor na assembleia-geral, a ordem dos assuntos, as pessoas que agirão em primeiro lugar e sobre a habilidade com que irão cooptar os mais poderosos da facção para o seu lado, e aqueles cujo partido tem maior popularidade (...). E, assim, às vezes eles oprimem a república (commonwealth) quando não há outra facção para se opor à sua. Mas na maior parte das vezes eles causam uma guerra civil" (De Cive, 12).

Hobbes conhecia a falência da democracia em Atenas e observou a Revolução Inglesa, enterrada na ditadura pessoal de Cromwell, mas dirigida por líderes anônimos. A democracia exige responsabilidade de pessoas concretas, nega força hegemônica ao Executivo com seus braços, os pretensos "movimentos não institucionalizados". O decreto presidencial lembra um texto a ser lido pelos imprudentes: Estado, Movimento, Povo, de Carl Schmitt. O poder, segundo o jurista, se dividiria em três setores: o povo inerte que diz "sim" ou "não" plebiscitariamente e segue o partido, que, por sua vez, segue o líder (princípio da Führung), mantendo o Estado. Schmitt deseja conselhos de líderes, eleitos ou escolhidos pelo Führer...

No despotismo dos que imperam sem responsabilidade pública, decidem as facções. Com seu decreto, o próprio governo se transforma em facção, esquece um compromisso com o povo na sua totalidade soberana. De um lado, a Secretaria da Presidência e, de outro, os almejados tentáculos do Executivo. Se houvesse algo democrático no decreto, ele seria discutido amplamente com a sociedade, depois enviado ao Legislativo. O resto é propaganda.

*Professor da Universidade Estadual de Campinas, é autor de 'O caldeirão de medeia' (Perspectiva)

Brasília-DF - Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

Aquecimento
Melhor agora do que na campanha, mas, ainda assim, foi um ato isolado. Essa é a visão dos ministros de Dilma Rousseff sobre as hostilidades contra a presidente da República na abertura da Copa. Nada que, segundo o governo, obrigue a presidente a não comparecer à final do torneio. Ela irá e estará acompanhada de diversos chefes de Estado, que, do Maracanã, embarcam para a cúpula dos Brics, em Fortaleza. A ordem do governo é aproveitar esse período para organizar a campanha da presidente e o programa para tentar recuperar os pontos perdidos nas últimas pesquisas.
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Em tempo: enquanto o governo considerou o teste da política no futebol algo como "dos males, o menor", a oposição comemorou. Considera que, apesar das manifestações, a população soube separar a Copa do Mundo do período eleitoral, e ainda demonstrou o desgaste da imagem presidencial. Há quem diga, inclusive, que as aparições presidenciais que misturam os dois eventos podem virar um gol contra. Afinal, assim como o futebol, a política também responde à dinâmica do momento, e o da política começa para valer apenas em agosto.

Efetivado
O Diário Oficial da União traz a efetivação de Nelson Antônio de Souza na presidência do Banco Nacional do Nordeste (BNB). A nomeação vem acompanhada do patrocínio do ex-líder do PT na Câmara José Guimarães, do Ceará. O petista, agora, concorrerá ao Senado numa chapa encabeçada pelo Pros, do governador Cid Gomes.

Sinais
A perspectiva de chapa pura no PSDB do Distrito Federal, com Raimundo Ribeiro na vaga de vice do pré-candidato a governador Luiz Pitiman, fez fluir o sentimento de que a candidatura de José Roberto Arruda (PR) começa a sofrer algumas baixas. Afinal, Ribeiro é amigo de Arruda e foi um dos poucos a visitar o ex-governador na prisão, quando da Operação Caixa de Pandora.

Concentração
Antes da convenção que oficializará a pré-candidatura à Presidência neste sábado, em São Paulo, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) passa hoje por São João del-Rei (MG). É para lá que seu avô Tancredo sempre ia às vésperas de decisões importantes.

Operação delicada
Se depender dos alckministas de carteirinha, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), não fará de Gilberto Kassab (PSD) o seu candidato a vice. A aposta deles é Márcio França, do PSB.

CURTIDAS
Trégua aérea/ Augusto Nardes, um dos ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) mais críticos às obras da Copa, viajou para São Paulo ontem, no avião presidencial, com Dilma Rousseff. Ali, cara a cara, guardou as críticas para si.

(Reprodução da internet)
Foi o Serra!/ Tudo o que dá errado para os petistas vira culpa de José Serra. Desta vez, eles juram ter visto o ex-governador de São Paulo na área VIP do Itaquerão, de onde partiam os xingamentos a Dilma Rousseff. Serra estava no estádio, mas não xingou. Virou comentarista no Twitter.

Enquanto isso, na CNBB.../ No encontro de Eduardo Campos e Marina Silva com dom Damasceno e dom Leonardo, ontem, na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), quem teve mais lembranças foi o senador Rodrigo Rollembreg (PSB-DF). A mãe dele, dona Neide, levava os filhos à missa na 606 Sul, onde dom Damasceno era pároco.

Em pé, no metrô/ Não foram apenas as pessoas mais humildes que vibraram com o metrô de São Paulo funcionando ontem normalmente na linha que desemboca no Itaquerão. As autoridades também, entre elas, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), e o consultor da CSN, Bruno Dantas, indicado para o TCU.

Dilma com a "oposição"/ Nos bastidores da festa da Copa, Dilma conversou mais com a cantora Jennifer Lopez e com o presidente da Uefa, Michel Platini, aquele que, ontem, declarou ao jornal francês L"Équipe que não apoiará à reeleição de Joseph Blatter no comando da Fifa.

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• PT acusa PMDB de fazer corpo mole sobre Alstom
O PT acusa o PMDB de fazer “corpo mole” para instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito que investigaria denúncias de pagamento de propina feito pela Alstom para ser favorecida em licitações no setor metroferroviário nos governos do PSDB em São Paulo e do DEM no DF. Segundo dirigentes petistas, o PMDB – que também é citado nas denúncias – adotou a postura do “quanto menos investigar, melhor”.

• Na fila
O PMDB e o PSDB até agora não indicaram nomes para compor a CPI da Alstom, que aguarda instalação pelo presidente Renan Calheiros.

• Briga eleitoral
O PT trabalha pela criação da CPI da Alstom, que atinge o coração do PSDB, desde que foi criada a CPI mista para investigar a Petrobras.

• De volta
Ex-vice-presidente da Câmara e amigão do doleiro Youssef, André Vargas perdeu a vergonha e já viaja de avião comercial no Paraná.

• Greve e Copa
Professores municipais em greve ocupam, desde dia 10, a Câmara de Goiânia. Prometem assistir a estreia da Copa e não arredar mais o pé.

• Correios: ‘demissão voluntária’ deve fracassar
O plano de demissão voluntária virou piada de corredor, nos Correios. São tantas as exigências, como o mínimo de dez anos de contrato e 50 de idade, e poucos incentivos, de R$ 30 mil a R$ 150 mil, que a maioria não se interessa. Para piorar, não haverá pagamento da multa de 40% do FGTS, pois a demissão é “a pedido”. Só vai aderir ao plano quem realmente não aguenta mais a situação caótica vivida na estatal.

• Sonho longínquo
O memorando 844 prevê adesão de 7.200 funcionários dos Correios à demissão voluntária, para reduzir a massa salarial e a idade média.

• Limite
O plano dos Correios prevê gastos de R$ 490 milhões, divididos entre incentivos (R$ 397 milhões) e verbas rescisórias (R$ 93 milhões).

• Sem comparação
Plano da Petrobras teve mais de 8 mil adesões e pagará indenizações entre R$ 180 mil e R$ 600 mil, durante os três anos de desligamentos.

• Palhaçada
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou a irrelevante instituição do Dia Nacional do Palhaço. Mas a intenção, com certeza, não é homenagear o contribuinte, o otário que banca todo este circo.

• PEC na gaveta
A PEC 300, que fixa piso salarial nacional para PMs, está engavetada a pedido de governadores que alegam não ter dinheiro para isso. A proposta está na gaveta do presidente da Câmara desde 2011.

• Saúde privada
O secretário-executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas, não parece confiar no plano de saúde do governo: ganhou de “brinde” da Confederação Nacional do Comércio (CNC) o caríssimo plano da Amil.

• Fiasco
Terminou frustrada a tentativa de greve dos aeroviários do Rio em plena Copa. Além da Justiça ter considerado a ação ilegal, a baixa adesão foi um caminhão de água fria nos planos do sindicato.

• Mobilização
Com a participação da ministra aposentada do STJ Eliana Calmon, candidata ao Senado, o PSB-BA espera mil pessoas na convenção que acontecerá neste sábado (14). Eduardo e Marina Silva também vão.

• País de Pinóquio
O prometido submarino nuclear brasileiro chegará no propalado trem-bala para inaugurar a interminável transposição do São Francisco, protegido por dez caças suecos Gripen, que jamais voaram.

• Contenção de gastos
Às vésperas do início da Copa no Brasil, o Senado (que vai estar em recesso) cancelou a compra de 57 aparelhos de TV para os gabinetes dos parlamentares. Renan Calheiros não achou a compra boa ideia.

• Entusiasmo
Num momento de descontração, o administrador da Candangolândia (DF), João Hermeto, enviou mensagens de admiração a José Roberto Arruda (PR). O ex-governador brincou, exibindo-as a amigos: “(o vice-governador do DF, Tadeu) Filippelli não segura os meninos dele!”

• Sexta-feira, 13
Foi numa sexta-feira, 13, em 2007, monumental vaia ao ex-presidente Lula, no Maracanã. A data é a mesma, mas nesta Copa os políticos não se arriscam.

Painel - Bernardo Mello Franco

JK e Tancredo
Aécio Neves vai evocar hoje a mística dos presidentes Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves para lançar sua campanha em Minas Gerais. Na véspera da convenção do PSDB que formalizará a candidatura ao Planalto, ele fará uma aparição estratégica em São João del-Rei, berço político do avô. Da sacada do Solar dos Neves, dirá que os mineiros têm a chance de voltar a eleger um presidente pelo voto direto depois de 59 anos. A seu lado estará Maria Estela, filha de JK.

Clãs unidos Maria Estela é tucana de longa data. Em 2006, foi candidata a vice-governadora do Rio na chapa do prefeito Eduardo Paes (PMDB), então no PSDB.

Nós somos teu O mineiro será lançado amanhã, em São Paulo, com o mote "Aécio, a gente quer você". A ideia é apresentá-lo como o escolhido da oposição e isolar Eduardo Campos (PSB).

Parlatório Estão previstos discursos de até dez autoridades, incluindo FHC, Geraldo Alckmin e José Serra. Haverá um curralzinho VIP para governadores e aliados com maior força política.

Massas Os tucanos esperam 5.000 pessoas no evento. Um telão de 64 metros de comprimento será montado no local, um centro de convenções na zona norte de SP.

Eu tentei Eduardo Campos diz que procurou Aécio no fim de semana, para saudá-lo pelo nascimento dos gêmeos, mas o celular do tucano estava fora de área.

Torpedos Em seguida, o pernambucano enviou um SMS com votos de felicidade em nome de toda a família. Ele conta que Aécio agradeceu, também por escrito.

Anti-Chuchu Paulo Skaf vai provocar Alckmin com o jingle feito para a convenção do PMDB paulista. "Chega de sofrimento / Chega de andar para trás", diz a música.

Direita... As diretrizes do programa de governo de Alexandre Padilha (PT) terão acenos ao eleitor conservador, mais avesso ao partido.

... volver Na segurança pública, por exemplo, o texto dará mais ênfase à eficiência das polícias do que à questão social. Haverá também um forte elogio ao agronegócio.

Tô nem aí As vaias e os xingamentos a Dilma foram ouvidos com clareza no camarote VIP do Itaquerão. Ela procurou demonstrar indiferença, segundo auxiliares.

Ouh là là! Os palavrões constrangeram convidados estrangeiros. Michel Platini, o ex-craque francês, foi um dos mais escandalizados ao entender os gritos da torcida.

Não, obrigado Lula, que preferiu ver o jogo na TV, foi o maior entusiasta da ideia de construir o Itaquerão.

Bom Senso FC A gafe pode não ter influenciado as vaias. Mas Dilma vestiu verde, cor do Palmeiras, para ir ao estádio do Corinthians.

Alô, Felipão Na noite da véspera do jogo, Dilma ligou para a concentração brasileira e desejou boa sorte a Luiz Felipe Scolari. Aécio já havia conversado com o treinador.

Relaxa e goza Aos 20 min, quando a seleção perdia por 1 a 0, a ministra Marta Suplicy publicou uma foto sorrindo no Instagram. "Brasil! Tudo lindo, calmo e patriótico!", escreveu, na legenda.

Amendoim Com a Croácia ainda à frente, o ex-governador José Serra cornetou o Brasil no Twitter. "Perdemos dois gols feitos", reclamou.

Não teve Copa A Polícia Federal não instalou TV na cela em que Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras suspeito de corrupção, voltou a ficar preso em Curitiba.

Tiroteio
"Alguns segmentos não entendem o quanto o país está mudando. O reconhecimento deste governo virá nas urnas, não nos estádios."
DO DEPUTADO PAULO TEIXEIRA (PT-SP), sobre insultos endereçados à presidente Dilma Rousseff no jogo de abertura da Copa, ontem, em São Paulo.

Contraponto
Padrão Fifa, mas nem tanto...

Em palestra a empresários na terça-feira (10), em São Paulo, o presidenciável Eduardo Campos (PSB) pegou carona nas manifestações contra a Copa para defender que o governo preste serviços "padrão Fifa" à população.

Entre uma crítica e outra à presidente Dilma Rousseff, o ex-governador de Pernambuco se empolgou:

--Não se consegue uma educação padrão Fifa, uma saúde padrão Fifa, se não tivermos uma mudança na política, uma política...

Depois de uma pausa para refletir, continuou:

--É... A política não pode ser padrão Fifa!

Panorama político – Ilimar Franco

- O Globo

Discutindo a relação
A presidente Dilma e o PMDB precisam resolver suas diferenças até o início da campanha. A cúpula peemedebista avalia que, se Dilma não mudar sua estratégia de diálogo com os rebeldes, não conseguirá o apoio que precisa para enfrentar a eleição. O PMDB acha que está faltando política e sobrando confiança no marketing de João Santana para garantir a reeleição.

PMDB rebelde prejudicará reeleição
A rebeldia do PMDB afeta o apoio à presidente Dilma em estados que foram fundamentais para sua vitória, em 2010. No Rio, ela fez o dobro dos votos do tucano José Serra e 1,1 milhão a mais que Marina Silva. Com o “Aezão” e o forte conflito entre as candidaturas de Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Lindbergh Farias (PT), a presidente tende a encolher. Em São Paulo, onde Alexandre Padilha (PT) não decola, Dilma precisa do candidato do PMDB Paulo Skaf, que ganha musculatura. Em Minas, mesmo com a aliança entre PT e PMDB, um grupo trabalha para Aécio Neves, e, na Bahia, o partido é oposição ao PT.

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“Nós vamos aplicar a lei da reciprocidade. O tratamento que a presidente Dilma nos deu é o tratamento que terá na campanha”
Lúcio Vieira Lima
Deputado federal (PMDB-BA)
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Guerra no ninho
A escolha do vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB-SP) passa por disputa interna: alckimistas querem Márcio França (PSB) para dificultar a vida da Aécio Neves, e aecistas querem Gilberto Kassab (PSD) para prejudicar Eduardo Campos

Do limão, limonada
O deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), na foto, deverá ser o candidato ao Senado na chapa de Paulo Skaf ao governo de São Paulo. O partido negociava o apoio do PSD de Gilberto Kassab e, por isso, deixou a vaga aberta. Mas o PSD prefere Geraldo Alckmin (PSDB). A dúvida é se Chalita será lançado amanhã, na convenção, ou até o fim do mês

Na pressão
Articuladores da campanha do presidenciável Aécio Neves no Rio consideram “suicídio” o apoio do PSDB à candidatura de Cesar Maia (DEM) ao governo. Insistem para que integre aliança com o PMDB à reeleição de Luiz Fernando Pezão

Testemunhas da crise
O presidente do PT, Rui Falcão, e os deputados Vicentinho e Cândido Vaccarezza (PT-SP) devem depor dia 18 no Conselho de Ética da Câmara no processo contra o deputado André Vargas. São testemunhas do relator, Júlio Delgado (PSB). Sibá Machado (PT-AC) garantiu a presença dos três, desde que tivessem tempo para se preparar.

Acordo não cumprido
Júlio Delgado (PSB) aceita concorrer ao governo de Minas, a pedido de Eduardo Campos e Marina Silva, desde que não tenha que disputar a convenção contra Apolo Heringer, da Rede. Marina prometeu contê-lo, mas não o fez.

Quem manda?
O Ministério Público Federal e a Polícia Federal estão em guerra. A associação dos procuradores da República está defendendo a subordinação da PF ao MPF e que o diretor-geral do órgão seja indicado pelos procuradores

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O SENADOR Jorge Viana (PT-AC) apresentou projeto proibindo desconto salarial de quem não tenha ido ao trabalho por greves de metrô e de ônibus.

Beth Carvalho - Vou Festejar

João Cabral de Melo Neto: O futebol brasileiro evocado da Europa

A bola não é a inimiga
como o touro, numa corrida;
e, embora seja um utensílio
caseiro e que se usa sem risco,
não é o utensílio impessoal,
sempre manso, de gesto usual:
é um utensílio semivivo,
de reações próprias como bicho
e que, como bicho, é mister
(mais que bicho, como mulher)
usar com malícia e atenção
dando aos pés astúcias de mão.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Opinião do dia: Eduardo Campos

"O Brasil quando olha para Brasília e vê Renan Calheiros, José Sarney e Fernando Collor mandando no governo da Dilma, a gente não imagina que esse governo vá chegar na vida dos mais pobres."

Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, em entrevista na rádio Amazonas, quarta-feira, 11 de junho de 2014.

Para Aécio fala de Dilma na TV lembra ditadura

• Aécio critica pronunciamento da presidenta sobre a Copa

- Brasil Econômico

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, criticou, ontem, a presidenta Dilma Rousseff por ter utilizado cadeia de rádio e TV na última terça-feira para anunciar a proximidade da Copa do Mundo e a acusou de tentar repetir uma estratégia usada por militares na época da ditadura.

Na avaliação do tucano, a participação da presidenta infringe a legislação eleitoral e remete à campanha dos militares na Copa de 1970, quando o governo tentou vincular o título mundial ao sucesso do regime ditatorial.

Aécio afirmou que não acredita que uma eventual vitória possa ter influência no resultado das eleições presidenciais: "Isso é coisa do passado. Na década de 70 havia uma preocupação de vincular futebol à política".

Na véspera, Dilma disse que, apesar dos que torceram contra, a Copa se viabilizou e ainda convocou a população para se engajar no mundial.

Aécio, que será proclamado oficialmente candidato à Presidência na convenção do PSDB no próximo sábado, comemorou seu crescimento na pesquisa Ibope divulgada na terça, em que aparece com 22% das intenções de voto. O candidato do PSB, Eduardo Campos, apareceu com 13%, enquanto Dilma passou a 38%.

O senador mineiro afirmou que o segundo turno se mostra inevitável e avaliou que a presidenta corre o risco de ficar de fora da disputa. O pré-candidato do PSDB classificou como "patética" a participação de Dilma na convenção PDT ao atribuir à oposição problemas como inflação mais alta e crescimento baixo da economia. "Enquanto eles falarem do passado, nós vamos falar do futuro; enquanto eles falarem de medo, nós vamos falar de esperança".

Aécio comentou o resultado da convenção do PMDB, que confirmou a aliança nacional com o PT, mas com vitória apertada. "O apoio do PMDB com apenas 59% mostra que nem o sócio majoritário na aliança dá apoio integral", disse ele. Reuters

Discurso pós-torneio na ponta da língua

- Correio Braziliense

O time da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff já está com o discurso amarrado caso a Copa do Mundo no Brasil dê certo. A despeito das possíveis vaias à presidente durante a abertura do torneio hoje, o mote político-eleitoral vai passar pelo mesmo clima de ufanismo que tem dado o tom dos pronunciamentos presidenciais nas últimas semanas. A ideia é mostrar que, apesar das dificuldades, o país conseguiu se preparar para o Mundial.

"Se tivermos sucesso na organização desses jogos, o país vai viver um período de ressaca geral", disse um dos integrantes do núcleo da campanha dilmista. Para ele, o êxito do Mundial não passa pela vitória do Brasil dentro das quatro linhas, algo que é considerado como imponderável, mas pelo que acontecer fora de campo. Os estrategistas da campanha descartam situações comuns, como um assalto a turista, ou atrasos em voos.

"Estamos falando de afundamento de aeroportos, de ondas de saques, de desabamento de estádios, coisas que manchariam a imagem do Brasil", listou.

O discurso já está engatilhado e bate de frente com os pessimistas que ela tanto tem criticado nos últimos dias. Serão usadas frases como "por I que os brasileiros não acreditaram que seriam capazes de fazer uma grande Copa?" e "por que | insistiram em baixar a cabeça em um momento em que deveriam celebrar a entrada do país no primeiro mundo?" explica o interlocutor da presidente. O marqueteiro João Santana e a equipe dele pretendem encaixar o discurso de que é preciso confiar na gestão Dilma, pois ela será capaz, no próximo quadriénio, de promover as mudanças que o Brasil precisa para avançar.

Mesmo as dificuldades e os atrasos para o país entregar as obras prometidas parecem não preocupar os articuladores da campanha dilmista. "Lógico que seria melhor se as obras de mobilidade tivessem sido entregues um mês antes do Mundial para que, durante os jogos, os efeitos fossem ainda melhores. Mas a população vai ser beneficiada ao longo dos próximos anos", conclui o integrante do núcleo de campanha da petista. (PTL)

Rebeldes do PMDB estão em Estados-chave para presidente

• Contrários à aliança como PT devem causar problemas para Dilma em locais onde obteve boa votação em 2010

João Domingos - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Os Estados que lideraram as dissidências na convenção do PMDB que decidiu anteontem manter a aliança com o PT na sucessão presidencial garantiram mais de 10,78 milhões de votos de vantagem para a candidata Dilma Rousseff no 1º turno das eleições ao Planalto em 2010.

Em alguns deles, a votação em Dilma foi quase um massacre em cima do então adversário José Serra (PSDB), a exemplo do Maranhão, onde a petista teve 2,07 milhões de votos contra 444 mil do tucano; ou a Bahia, com 4,18 milhões a 1,4 milhões.

Os outros Estados onde o principal aliado do Planalto não deve dar suporte ao projeto reeleitoral são Pernambuco, Rio, Rio Grande do Sul, Ceará e Goiás.

Nem os rebeldes do PMDB - que obtiveram quase 41% dos votos contrários à aliança com o PT e a manutenção de Michel Temer na vaga de vice - nem os que trabalharam pela coligação acreditam que haverá uma inversão de votos para a oposição. Mas acreditam que não haverá a repetição de tamanha vantagem, pois as circunstâncias de agora são outras. "Só na Bahia, em que a presidente teve mais de 70% dos votos em 2010, Geddel Vieira Lima (ex-ministro da Integração Nacional de Lula) teve mais de 1 milhão de votos na disputa para o governo e todos eles foram para a candidata do PT.

Agora Geddel está do outro lado, apoiando o tucano Aécio Neves. E o PMDB hoje é muito mais forte", afirmou o presidente do partido na Bahia, Lúcio Vieira Lima, que é irmão de Geddel.

Na avaliação dele, não há como negar que o PT perderá votos na Bahia, em Pernambuco, Estado do pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, no Maranhão, onde os petistas racharam e boa parte apoia Flávio Dino (PC do B), que trabalha pelo candidato socialista, e no Rio de Janeiro, onde o PMDB está dividido e liderou o movimento independente. A situação também é diferente no Rio Grande do Sul, em que o PMDB e o PSB de Campos formalizaram uma aliança em torno do ex-prefeito de Caxias José Ivo Sartori para enfrentar o governador Tarso Genro (PT).

Para Aécio, presidente foi patética no PMDB

Guilherme Serodio – Valor Econômico

RIO - O senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato à Presidência da República, afirmou ontem que é certo o segundo turno na eleição presidencial. O tucano se mostrou satisfeito com o resultado das pesquisas eleitorais que mostram o seu crescimento nas intenções de voto, e a queda da presidente Dilma Rousseff na corrida eleitoral.

"Pesquisas mostram que mais de 70%, e em alguns Estados como São Paulo mais de 80% da população, querem mudanças profundas, [esse quadro] certamente levará a eleição para o segundo turno", afirmou Aécio, para quem a presidente Dilma pode nem mesmo chegar ao segundo turno.

Aécio considerou "absolutamente patética" a presença da presidente Dilma na convenção nacional do PMDB, e afirmou que o apoio de cerca de 60% dos delegados do partido à aliança com o PT foi "uma derrota fragorosa" para Dilma.
"Depois de 11 anos, ter esse resultado é a sinalização da falência desse modelo. Nem o seu sócio majoritário consegue dar apoio integral a esse projeto. A presidente terá alguns minutos a mais de TV, mas não terá o trabalho, a militância desses partidos".

O tucano ainda criticou o pronunciamento de Dilma em cadeia nacional na noite de anteontem e o considerou campanha eleitoral antecipada. Para ele, uma vitória do Brasil na Copa não interfere na corrida eleitoral.

Aécio, que esteve ontem no velório de Marcello Alencar, governador do Rio de Janeiro entre 1995 e 1998, reiterou que pretende manter o apoio do PMDB no Estado. Ontem à tarde, era esperada uma reunião entre Aécio e o presidente do DEM, senador José Agripino Maia, para definir a possível aliança entre os dois partidos em três Estados onde as legendas ainda discutem a coligação, entre eles o Rio.

Cúpula do PMDB ameaça não repassar verbas para estados onde haja apoio integral à Aécio e Campos

• Estados da Bahia, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraíba e Ceará estariam na ‘lista negra’

Maria Lima e Cristiane Jungblut – O Globo

BRASILIA — Passada a convenção que sacramentou o apoio do PMDB à reeleição da presidente Dilma Rousseff, a ala ligada ao vice-presidente Michel Temer está focada agora na construção do maior número de palanques governistas possíveis país afora. Mas já decidiu também que os infiéis não passarão incólumes: a direção nacional pretende não repassar recursos para os estados onde o partido estiver integralmente apoiando Aécio Neves (PSDB) ou Eduardo Campos (PSB). Na lista negra dos principais responsáveis pela apertada margem que consagrou a aliança estão Bahia, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraíba e Ceará.

Integrantes da ala vitoriosa na convenção do PMDB atribuem o resultado apertado (59% dos votos a favor da aliança) aos problemas do partido na formação de palanques estaduais em confronto com o PT. Avaliam que a rebelião inesperada foi um recado para o PT, que agora precisa fazer sua parte e ceder em estados cruciais para Dilma: Ceará, Rio e Goiás. No Rio, cobram a renúncia de Lindbergh Farias em favor de Pezão; em Goiás, querem a renúncia de Paulo Garcia em favor de Íris Rezende; e no Ceará, que o PT defina logo o apoio à candidatura de Eunício Oliveira ao governo, sob pena de o líder do PMDB no Senado, que lidera a disputa num patamar acima de 40% nas pesquisas, se aliar a Tasso Jereissatti, do PSDB, e apoiar Aécio Neves.

— A questão estadual contaminou o resultado, e isso tem que ser revisto pelo PT. Nós fizemos nossa parte. Agora cabe ao PT decidir se é mais importante o projeto estadual ou reeleger Dilma. Vai haver reação nos estados — disse o deputado Eliseu Padilha (RS), que está isolado no apoio a Dilma no estado, contra uma chapa formada para apoiar Eduardo Campos (PSB).

Sobre as traições, Padilha diz que Temer vai olhar para frente, pois é preciso esquecer o que passou. Mas aliados de Temer avisam também que, em estados como a Bahia, onde o PMDB de Geddel Vieira Lima vai apoiar Aécio, os candidatos terão que viabilizar suas campanhas com o caixa da oposição, e não do partido.

Para Aécio, discurso de Dilma na TV é 'ilegal' e 'campanha eleitoral'

• Senador e pré-candidato do PSDB à Presidência afirma que petista quis se apropriar do 'sucesso da seleção' em pronunciamento em rede nacional

Luciana Nunes Leal – O Estado de S. Paulo

RIO - O pré-candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves, acusou nesta quarta-feira, 11, a presidente Dilma Rousseff (PT) de ter convocado ilegalmente cadeia nacional de rádio e TV para falar sobre a Copa do Mundo, na noite dessa terça, 10. "É triste a presidente da República querer fazer reviver os tempos da ditadura, se apropriar do sucesso da seleção, como fez ontem, acintosamente, em mais uma ilegal convocação de cadeia de rádio e televisão para a visar ao Brasil que vamos ter Copa a partir desta quinta-feira. Isso é usar dinheiro público para fazer campanha eleitoral", afirmou o tucano.

Aécio também criticou os discursos de Dilma nas convenções do PMDB e do PDT, realizadas na terça. "As participações da presidente da República foram absolutamente patéticas, falando de medo, culpando a oposição pela inflação e pelo baixo crescimento econômico. Ela esquece que o passado são eles, o passado dos últimos 11 anos são esses que estão no poder", afirmou o senador, que compareceu ao velório do ex-governador do Rio Marcello Alencar.

Aécio disse que pesquisas eleitorais indicam a realização de segundo turno e fez uma ironia, dizendo que é preciso levar em conta a hipótese de Dilma não chegar a disputar a segunda etapa do pleito.

Marcello Alencar. O pré-candidato destacou a atuação política do ex-governador do Rio, morto nessa terça aos 88 anos, e disse ter perdido um "amigo e conselheiro", além de companheiro de partido.

Para o senador, a chegada de Marcello ao PSDB, em 1993, aproximou os tucanos do eleitorado popular e de baixa renda do Rio de Janeiro.

"Marcello soube levar a mensagem do PSDB a regiões onde o partido tem tido as maiores dificuldades de penetração. A verdade é essa. Fica a grande sinalização. Marcelo era o PSDB próximo do povo, como precisa voltar a ser. É o que temos tentado fazer."

Renan, Sarney e Collor mandam no governo Dilma, diz Campos

• Em entrevista a rádio, pré-candidato do PSB à Presidência tenta se mostrar como alternativa a PT e PSDB e afirma que País 'começou a piorar' com atual administração

José Roberto Castro - Agência Estado

SÃO PAULO - O pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, usou boa parte da sua entrevista à Rádio Amazonas na manhã desta quarta-feira, 12, para criticar a presidente Dilma Rousseff. Além de questionar a eficiência da atual gestão, o ex-governador pernambucano afirmou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) e os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Collor (PTB-AL) "mandam" no governo petista.

"O Brasil quando olha para Brasília e vê Renan Calheiros, José Sarney e Fernando Collor mandando no governo da Dilma, a gente não imagina que esse governo vá chegar na vida dos mais pobres", disse ao fazer referência a representantes de partidos da base aliada. Campos votou também a dizer que o Brasil, com Dilma, "parou de melhorar e começou a piorar" e o dinheiro dos impostos "não é cuidado com respeito" pela atual administração.

Depois de afirmar que a corrupção é o que mais o deixa indignado na política brasileira, o ex-governador defendeu que a revolta dos brasileiros seja usada para romper a polarização de PT e PSDB. "Há 20 anos o PT e PSDB comandam o País e toda vez que vão comandar estão sendo cercados pelas mesmas forças atrasadas que acabam constrangendo o Brasil com as práticas políticas mais atrasadas e menos republicanas", criticou.

Ibope. Campos comemorou o resultado da pesquisa Ibope divulgada nessa terça e destacou a melhora no seu desempenho quando candidatura é associada a Marina. "Acho que todas as pesquisas estão confirmando o nosso crescimento. Confirmando que quando a sociedade toma conhecimento que eu e Marina fizemos uma aliança e formamos uma chapa, eu como presidente e ela como vice, a gente vai para o segundo turno. Porque a sociedade brasileira deseja fazer a mudança."

PSB e Rede. Em meio a divergências com sua pré-candidata a vice, a ex-ministra Marina Silva, Campos afirmou ser "ilusão" conseguir repetir em todos os Estados a chapa presidencial. Ele repetiu que considera natural que PSB e Rede tenham posicionamentos diferentes na definição de alianças, mas que isso não interfere na manutenção da chapa com Marina.

"Nunca houve uma candidatura a presidente que conseguisse montar nos 27 Estados o mesmo palanque. Eu não teria ilusão que a gente iria conseguir isso. É natural que em um Estado ou outro a gente tenha o PSB tomando uma posição e a Rede outro", afirmou.

Na última semana, Marina manifestou publicamente seu descontentamento com a decisão do PSB de São Paulo de apoiar a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB). A ex-ministra defende o lançamento de candidaturas próprias.

‘Há dificuldades até dentro do nosso campo político’ diz Marina sobre aliança do PSB com Alckmin

• Ex-senadora afirma que mesmo entre aliados dela e de Campos há quem não compreenda o projeto dos dois. Ela criticou o PT por recorrer ao discurso do medo

Sérgio Roxo – O Globo

SÃO PAULO — Em entrevista ao GLOBO, a ex-senadora Marina Silva fala das últimas pesquisas, das dificuldades de compreensão com aliados e como administrar as diferenças.

O GLOBO - O projeto de vocês está mais próximo ideologicamente do senador Aécio Neves ou da presidente Dilma?

MARINA - Vocês trabalham sempre prisioneiros da polarização. Estabelecem como referência para qualquer coisa o PT e o PSDB. É preciso olhar para a realidade que está surgindo no cenário político. Cada vez mais as pessoas estão se colocando numa certa descrença em relação à política. A tentativa que estamos fazendo é termos um projeto político que possa dialogar para melhorar a qualidade da política. É uma tentativa de atualização, que se expressa por aliança programática e não pragmática, e governabilidade com base na execução de um programa, e não na distribuição de cargos. O que estamos fazendo é um esforço para termos uma nova postura. Espero que isso possa ser compreendido. Nesse momento há dificuldade de ser compreendido até por algumas pessoas dentro do nosso próprio campo político.

O GLOBO - Em que episódios transparece essa dificuldade de ser compreendido por aliados?

MARINA - Acho que a dificuldade no debate das candidaturas próprias faz transparecer isso, sim, sem sombra de dúvidas. Mas a maior parte da base do PSB entende. São algumas pessoas que não entendem.

O GLOBO - A senhora, que foi do PT por muitos anos, como vê essa tentativa do partido de tentar propagar o medo?

MARINA - Eu venho de uma realidade tão difícil que o medo como recurso pode parecer a denúncia de um desespero. Fiquei quase 30 anos dentro do PT, e a nossa matéria-prima mais importante era a esperança. Se não há mais esperança e há necessidade de recorrer ao medo, alguma coisa deve estar errada.

O GLOBO - O último Datafolha mostrou que 30% do eleitorado não têm preferência por nenhum candidato. Como a candidatura de vocês pode atrair esses insatisfeitos?

MARINA - Primeiro, tratando essas pessoas com muito respeito porque não é por acaso que elas devem estar refratárias. Essas pessoas não se deixarão atrair. Elas terão que se convencer, e, para serem convencidas, imagino que seja bom que a gente possa ir com propostas e uma nova postura.

O GLOBO - Em Pernambuco, Eduardo Campos não conseguiu aposentar políticos tradicionais do estado, como tem dito que pretende fazer se for eleito presidente, e nomeou parentes, por exemplo, dos deputados Inocêncio de Oliveira e Severino Cavalcanti. A senhora acha que ele fez um governo dentro da nova ou da velha política?

MARINA - O que ele tem dito é que no governo dele a nova política se expressa na coerência do programa. Ele conseguiu fazer uma agenda que, na Educação, na Segurança Pública, no meio ambiente, na forma como escolhia os diretores das escolas, como eram feitos os processos de decisão, não tem nada a ver com Severino Cavalcanti ou com Inocêncio de Oliveira.

O GLOBO - Como a senhora viu pesquisa do Ibope que coloca a senhora como a vice que mais agrega votos?

MARINA - Prefiro ver como resultado da natureza da nossa aliança, que não é um ajuntamento de pessoas, com alguns segundos de televisão, algumas prefeituras, palanques, vereadores e não sei o que mais.

O GLOBO - Qual o significado de não ter uma candidatura própria em São Paulo?

MARINA - O problema de São Paulo é que é o estado mais importante da Federação e que o PSB de São Paulo tem uma estratégia que fortalece o PSDB, e não o próprio PSB. Esperamos que seja revista essa posição.

O GLOBO - O PSB de São Paulo faz a aliança pensando com a cabeça da velha política? Eles fizeram parte do governo Alckmin.

MARINA - Sabíamos das dificuldades que teríamos que enfrentar desde a primeira conversa, partimos do reconhecimento de que éramos dois partidos (Rede e PSB). Vamos nos esforçar para estarmos juntos na maioria dos estados. Onde isso não for possível, manteremos a nossa independência. Não vou subir nos palanques nos estados em que a Rede é independente. No caso do PSB de São Paulo, que tinha assumido o compromisso de que nós teríamos candidatura própria, eu lamento profundamente que eles tenha voltado atrás.

O GLOBO - Como vocês administram as diferenças?

MARINA - Imagino que você na sua redação deve ser diferente dos seus colegas.

O GLOBO - Por que é um equívoco apoiar o PSDB em São Paulo? O que o projeto de Alckmin representa?

MARINA - O PSDB está há 20 anos no governo, e você vê no que se transformou a questão ambiental. É só verificar a crise em relação ao abastecimento de água.

O GLOBO - Mas há uma forma de contornar essa situação em São Paulo?

MARINA - Considero que teremos uma vitória parcial se lançarmos uma candidatura independente para o Senado e não nos coligarmos nas eleições proporcionais (deputado estadual e federal).

O GLOBO - Por que há dificuldade com as alianças?

MARINA - Espero que possa haver uma compreensão de que o mais importante para que os querem fortalecer o nosso projeto é ter candidaturas alinhadas com ele em vez de alinhadas com outros projetos. Não sei por que as pessoas acham natural haver candidaturas para a Dilma e para o Aécio, e criam estranhamentos quando se trata de candidatura para o Eduardo.

O GLOBO - Quem faz isso?

MARINA - O tempo todo, alguns tratam a questão desta forma: está criando um problema porque quer que o Eduardo Campos também tenha um palanque em São Paulo.

O GLOBO - Isso é criar um problema?

MARINA - Imagino que aí a lógica vai em seu socorro.

O GLOBO - O PSB pretende lançar comitês Campos/Alckmin em SP?

MARINA - Não vi em nenhum momento o Eduardo Campos dizer que vai subir no palanque do Alckmin. Se os comitês forem Alckmin, Aécio e Márcio França, aí é outra coisa. A campanha do Eduardo Campos vai ser campanha do Eduardo Campos.

O GLOBO - O PSB de SP acha que pode atrair prefeitos do PSDB para a campanha de Campos.

MARINA - Não trabalho com essa métrica. Trabalho com a nossa determinação de quebrar a polarização.

Marina diz que os 20 milhões de votos de 2010 não são 'herança'

Entrevista. Marina Silva

• Para pré-candidata a vice na chapa de Eduardo Campos, 'legado não pode ser apropriado nem por um partido, nem por uma pessoa'

Isadora Peron e Eduardo Kattah – O Estado de S. Paulo

Pré-candidata a vice-presidente na chapa de Eduardo Campos (PSB), Marina Silva diz que os votos que teve na eleição de 2010 - quase 20 milhões (19,33% da votação do 1.º turno) - não poderão ser transferidos a um partido ou a um candidato na atual disputa. Ela diz não se tratar de capital político ou herança, e sim de um "legado".

A declaração da ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula ocorre num momento em que o pré-candidato do PSB ainda é uma incógnita eleitoral. Segundo o Ibope, Campos rompeu a barreira de um dígito e soma 13% da preferência do eleitorado. Se o nome de Marina aparece associado ao dele, o índice vai a 18%, deixando-o próximo do outro pré-candidato da oposição, o tucano Aécio Neves. Os institutos Datafolha e Vox Populi, porém, mostram o ex-governador de Pernambuco com 7% e 8%, respectivamente, ainda longe de se tornar uma terceira via competitiva.

O que a sra. achou da pesquisa Ibope divulgada na terça-feira?
Essas fotografias de momento não podem ser nem desconsideradas nem absolutizadas. A gente recebe a pesquisa com o respeito e a tranquilidade de quem sabe que estamos só no começo (da campanha). Em 2010, mais ou menos nesse período, eu estava com 5% ou 7%.

Até que ponto o seu capital político, conquistado em 2010, pode ser transferido para Campos?
Eu não trabalho com essa linguagem de capital político.

Por quê?
Eu considero o voto das pessoas como um ato de liberdade, em que ela dá aquele voto naquele momento e depois se recolhe para decidir por ela mesma em quem vai votar nas próximas eleições. Foi isso que eu fiz desde o começo. Nunca tratei os quase 20 milhões de votos nem como capital nem como herança, mas como um legado no sentido de que isso sinalizou fortemente para a sociedade que as pessoas também estão preocupados em debater propostas. Esse legado não pode ser apropriado nem por um partido nem por uma pessoa. Ele é sobretudo um ganho da qualidade política da sociedade brasileira. Hoje eu me disponho a dialogar com esse legado.

As candidaturas de PT e PSDB têm mais recursos e tempo de TV. Como o PSB vai rivalizar com esses partidos?
Primeiro, não temos a pretensão de rivalizar. A pergunta é como vamos fazer para compensar o fato de que não temos nem queremos confinar nosso projeto político à velha lógica das estruturas. Eu tenho insistido que esse novo sujeito político, que está surgindo no mundo e no Brasil, não está preocupado com as estruturas e que esta vai ser uma campanha em que a sociedade vai estar buscando enxergar as posturas. Se a Dilma ganhar, os autores dessa vitória serão, sem sombra de dúvidas, todos os meios e recursos em abundância de que dispõe para isso. Deputados, senadores, governadores, prefeitos, vereadores, tempo de televisão, recursos... A mesma coisa acontece com o PSDB. No caso do nosso projeto, se vencermos, a autoria dessa vitória vai se chamar povo brasileiro.

Por que Campos ainda não conseguiu se tornar uma opção para quem demonstra um sentimento de mudança?
Nós ainda não tivemos os espaços para buscar esse convencimento. Isso vai acontecer quando começarmos a ter a cobertura da mídia, quando se iniciarem os debates. Neste momento estamos nos preparando para quando tivermos a oportunidade da exposição das ideias, do nosso projeto, as pessoas possam, a partir de seus critérios, entender que essa é uma alternativa para o Brasil, que será capaz de manter as conquistas, mas que se dispõe a corrigir os erros e enfrentar novos desafios dentro de uma ideia política que nem PT nem PSDB tem condição de protagonizar.

A sra. fala muito em quebrar a polarização entre PT e PSDB. Mas em São Paulo e em outros Estados o PSB estará coligado com os tucanos.
Em outubro, já estava claro que, no Paraná, o PSB iria com o PSDB, e que a Rede teria que adotar uma posição independente. Em outros Estados estamos em processo de construção de um consenso, como é o caso de Minas. O que eu sempre disse é que a Rede iria lutar para convencer que a melhor tese era a da candidatura própria, principalmente em São Paulo. O Eduardo Campos se convenceu disso desde o primeiro dia, tanto é que dialogou com o PSB, com o doutor Márcio França.

Mesmo assim o PSB paulista decidiu, na semana passada, apoiar a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB).
Num primeiro momento, Márcio França foi a Brasília, disse que estava aceita a tese da candidatura própria, que ele seria o candidato, mas ele não se movimentou para viabilizar a sua candidatura e depois houve essa reunião que desconstruiu com o que ele havia se comprometido com o Eduardo. E o Eduardo sempre disse que não iria intervir nas instâncias dos partido.

Mas Campos interveio em 2012, para que o PSB apoiasse o PT em São Paulo.
Pois é. Eu acho que deve ter acontecido alguma aprendizagem em relação a essas situações. Neste momento ele tem uma agenda de buscar o convencimento com o partido, que tem 65 anos, que tem instâncias que se pronunciam. Eu vi ele fazendo isso no Amazonas, em vários lugares. E eu vi o quanto ele se esforçou para fazer o mesmo em São Paulo.

Em algum momento a sra. pensou em deixar a chapa presidencial depois da decisão do PSB em São Paulo?
O tempo todo as pessoas ficam buscando razões para que eu e o Eduardo nos desentendamos, mas nós estamos conversando o tempo todo. Quem estava convivendo com a situação sabia que não haveria intervenção (na decisão do diretório), então eu não posso dizer que eu estava esperando dele outra atitude.

E qual caminho a Rede pretende seguir em São Paulo?
Hoje o que está sendo discutido é a possibilidade de a Rede apresentar uma candidatura ao Senado. Eu, pessoalmente, considero isso uma conquista. É importante que o PSB mantenha um espaço independente, não coligado com o projeto político do PSDB, que governa São Paulo há 20 anos. Vamos olhar apenas para a agenda socioambiental do Estado de São Paulo. Não precisa nem ir nos detalhes. É só olhar o que está acontecendo com o abastecimento de água para mostrar o quanto essa agenda foi negligenciada. Eu não consigo entender como estar no projeto do PSDB, eleitoralmente falando, possa ser um ganho para a candidatura de Eduardo Campos.

Em quantos Estados PSB e Rede vão estar no mesmo palanque?
Estaremos juntos em 14 ou 15 Estados. Mas nós sempre dissemos que a base da nossa aliança era o programa nacional e que, onde não fosse possível estar juntos, iríamos manter as nossas independências.

A presidente Dilma Rousseff está indo mal nas pesquisas e há quem torça pelo "Volta, Lula". Se o ex-presidente fosse candidato, a sra. e Campos continuariam na disputa?
Em 2010, quando eu era candidata, eu respondi a essa pergunta com muita tranquilidade. Eu disse que aquela seria a primeira vez que eu não iria votar no Lula. Só que eu tinha uma razão bem interessante para fazer isso, porque eu ia votar em mim mesma. Sobre o "Volta, Lula", eu vou repetir aqui um coisa que eu costumo dizer. O Lula é, sem sombra de dúvidas, uma bala de prata do PT. Mas com dois problemas. O primeiro é que uma bala de prata nunca pode falhar, e o segundo é que eles teriam que fazer dois movimentos muito complexos, porque para usar a bala de prata contra os adversários, primeiro ela teria que ser usada contra a presidente Dilma.

Cesar Maia mantém candidatura e diz que não apoia Pezão

• ‘Como vou apoiar aqueles que eu faço oposição?’, diz vereador e ex-prefeito do Rio

Juliana Castro – O Globo

RIO - O vereador Cesar Maia (DEM) afirmou nesta quarta-feira que não tem a mínima chance de aceitar o pedido do presidenciável tucano Aécio Neves (PSDB) para abandonar a disputa pelo governo do Rio e apoiar a reeleição do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Depois que parte do PMDB do Rio lançou a chapa Aezão - uma referência ao apoio a Pezão e Aécio -, o PSDB tem sido cortejado para compor formalmente a aliança com o PMDB. Mas, como o DEM é aliado nacional dos tucanos, Aécio tem tentado que Cesar desista da disputa para apoiar Pezão.

- Não vamos apoiar o PMDB em hipótese alguma - afirmou Cesar, ao sair do velório do ex-governador Marcello Alencar.

- Como vou apoiar aqueles que eu faço oposição? O eleitor não entende isso. É uma vergonha completa - completou.

Segundo ele, DEM, PSDB e PPS vão se coligar para as eleições proporcionais. Mas, se os tucanos resolverem apoiar Pezão, a aliança será desfeita sem traumas.

- Eu sempre digo para o Aécio: minha candidatura é irremovível. Sua decisão não vai influenciar na nossa relação - afirmou Cesar.

Aécio, Cesar e o presidente nacional do DEM, Agripino Maia, vão se reunir, embora a data e o local sejam incertos.

No velório, Aécio disse que vai respeitar a decisão do partido localmente. Os tucanos fluminenses, por sua vez, declaram que vai prevalecer a vontade de Aécio.

- Hoje, a nossa maior preocupação é com a construção das bases para um projeto nacional.

Cesar Maia descarta abrir mão de candidatura no Rio e nega apoio a PMDB

• Pré-candidato pelo DEM, sigla aliada ao PSDB na disputa nacional, o ex-prefeito afirma que não atenderá pedido da legenda para apoiar reeleição de Luiz Fernando Pezão ao governo carioca

Luciana Nunes Leal - O Estado de S. Paulo

RIO - Pré-candidato do DEM ao governo do Estado, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia, garantiu nesta quarta-feira, 11, que não atenderá ao pedido do PSDB para abrir mão da candidatura e apoiar a reeleição do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Maia terá um encontro, entre quarta ou quinta, com o pré-candidato do PSDB à presidência Aécio Neves, o presidente nacional do DEM, senador Agripino Maia (RN), e o prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto.

Segundo o ex-prefeito, serão discutidos alguns pontos pendentes em coligações estaduais. O DEM está aliado a Aécio no plano nacional, mas no Rio a aliança não está garantida, já que parte dos tucanos defende a chapa "Aezão", que junta Aécio e Pezão. "Nós não vamos apoiar o PMDB em hipótese alguma. Como explicar, depois de oito anos fazendo oposição, uma aliança com o PMDB? É uma vergonha completa", afirmou Maia.

O pré-candidato do DEM disse que não há ressentimento se Aécio optar pela aliança com o Pezão e que o DEM fará campanha para o tucano presidente da mesma forma. Questionado sobre a chapa Aezão, o ex-prefeito disse que ela interessa mais à dissidência do PMDB que rompeu o apoio a Dilma Rousseff para eleger Pezão. "Aécio tem experiência, tradição e juventude à vontade. Não me cabe avaliar com que elementos ele chegou à conclusão que (a chapa Aezão) é positiva. Aécio não é prioridade (para o PMDB). O objetivo deles é eleger o Pezão", afirmou o ex-prefeito.

Maia esteve na manhã desta quarta no velório do ex-governador e ex-prefeito Marcello Alencar, que morreu na madrugada dessa terça, aos 88 anos, de falência múltipla dos órgãos. O prefeito Eduardo Paes e Pezão estiveram cedo no velório, no Palácio da Cidade.

Perfis falsos de Aécio levam Justiça a apreender computadores de estatal

- Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - A Justiça determinou, nesta quarta-feira (11), a apreensão de computadores em um prédio da Eletrobras após pedido do Ministério Público do Estado do Rio, que investiga o uso dos equipamentos na criação de perfis ofensivos ao pré-candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves.

Os Ministérios Públicos do Rio e de São Paulo abriram investigações, também nesta quarta, para apurar o uso de pessoal e infraestrutura públicos nos ataques a Aécio.

O procurador-geral de SP determinou à Promotoria de Guarulhos que investigue o uso de equipamentos e servidores da prefeitura local para criar perfis falsos que associavam o tucano ao consumo de álcool. Já o Ministério Público do Rio ordenou a investigação de perfis que disseminavam comentários ligando Aécio ao desvio de verbas. Esses perfis usaram o mesmo expediente para ligar o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) e o prefeito Eduardo Paes (PMDB) a milícias.