domingo, 15 de junho de 2014

PV lança candidatura à Presidência e retorna pauta progressista

• O ex-deputado federal Eduardo Jorge foi confirmado como candidato à Presidência da República em convenção do partido

Nivaldo Souza - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - A Convenção Nacional do Partido Verde (PV) confirmou, por aclamação, o ex-deputado federal Eduardo Jorge como candidato à Presidência da República. A legenda disputará o Palácio do Planalto sem aliados, a vice-prefeita de Salvador, Célia Sacramento, será vice de Jorge. O presidente do partido, deputado federal Penna (PV-SP), defendeu que o partido disputará o Palácio do Planalto sem “amarras” com outras legendas e sindicatos. “Os outros partidos estão muito amarrados a compromissos. Eles não podem falar, como nós, de tudo”, disse.

Penna se referiu indiretamente a ex-senadora Marina Silva, que disputou a Presidência pelo PV em 2010, e hoje é vice na chapa de Eduardo Campos (PSB). “Nós não temos dessa vez uma candidatura inventada. Temos uma candidatura que vem dos nossos quadros”, considerou.

Com apenas oito deputados federais e senador no Congresso Nacional, o PV colocou como principal meta elevar a bancada verde. “Precisamos não/ perder o objetivo estratégico, que é aumentar a bancada de deputados federais. Para enfrentar a bancada do agronegócio precisamos ter números”, disse Penna. “É um bancada própria que nos dará tempo de televisão e fundo partidário”, destacou o deputado Sarney Filho (PV-MA).

O PV colocou a reforma política como uma dos pontos principais de seu programa de governo. O presidente do partido disse que a proposta verde é a retomada do parlamentarismo, experiência vivia no início do governo João Goulart (1961-64). “A bandeira do parlamentarismo, enquanto houver esse presidencialismos maluco que nem imperial é, porque é mais autoritário do Segundo Império (Reinado, no Brasil, de 1840-1889), não teremos uma reforma política. O fundamental é discutirmos esse monstro que é o presidencialismo”, disse.

Bandeira liberal. Jorge afirmou que essa corrida eleitoral tem três “grandes candidaturas” com Aécio Neves (PSDB), Campos e Dilma Rousseff (PT-SP), mas disse que pretende se colocar como opção ao eleitor que “acredita no desenvolvimento sustentável e quer votar verde” e contra os “partidos do século 20”.

Segundo o pré-candidato verde, o PV tem nessas eleições “um programa íntegro”, retomando bandeiras não encampadas por Marina em 2010. “Ela agregou muita coisa, mas tem ideias decorrentes da sua posição religiosa que são muito conservadoras”, afirmou.

Sem Marina para perseguir o feito de 2010, quando ela obteve quase 20 milhões de votos, o PV encampou a legalização do aborto e a descriminalização da maconha como bandeira. “O PV tem uma posição bem mais liberal (que a Marina)”, defende.

Eduardo Jorge, de 64 anos, nascido em Salvador, mas radicado em São Paulo desde os anos 1970, é médico formado pela USP e tem seis filhos. Ele foi um dos fundadores do PT, em 1980, partido pelo qual foi quatro vezes deputado federal e ocupou um mandato como deputado estadual em São Paulo. Jorge deixou o PT em 2003, filiando-se ao PV. Foi secretário municipal de Saúde nos governos das ex-prefeitas Luiza Erundina (PSB-SP) e Marta Suplicy (PT-SP), e chefiou a Secretaria do Verde e Meio Ambiente nas gestões José Serra (PSDB-SP) e Gilberto Kassab (PSD-P).

Célia, de 46 anos, é contadora e advogada, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Ela nasceu em São Paulo, mas vive em Salvador desde os seis anos de idade. Foi a vereadora mais votada da capital baiana em 2008 e, em 2012, foi eleita vice-prefeita na chapa do prefeito soteropolitano ACM Neto (DEM-BA). "Sei que não vai ser fáci. São muitos desafios, porém, com coragem e dedicação vamos conseguir fazer uma excelente representação para o que acreditamos para a política partidária do nosso País", disse.

Serra atrela futuro a ‘não atrapalhar’ planos do partido

• Serra é herdeiro de mais de 33 milhões de votos (32%) nas eleições de 2010, no primeiro turno e 43 milhões (44%) no segundo turno

• Ex-governador diz que decidirá sobre disputa à Câmara ou ao Senado em função das alianças do PSDB no Estado e no País

Débora Bergamasco - O Estado de S. Paulo

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB), duas vezes candidato à Presidência, disse em entrevista ao Estado que escolherá seu futuro político de modo a não “atrapalhar” nem a candidatura do senador Aécio Neves (MG) ao Palácio do Planalto nem os interesses nacionais e estaduais da legenda.

“Com certeza, no mínimo eu vou ser candidato à Câmara este ano. Ainda não sei sobre o Senado, porque dependo da articulação das alianças do PSDB, tanto em São Paulo quanto nacionalmente. E não quero atrapalhar isso”, afirmou numa conversa na sexta-feira à noite.

A candidatura ao Senado – que neste ano terá só uma das três vagas por Estado em disputa – na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB) é uma importante moeda de troca para formar as coligações, de modo a aumentar o tempo de propaganda do governador. Embora Alckmin lidere as pesquisas de intenção de voto e hoje tendesse a vencer em 1.º turno, o partido avalia que a disputa será mais difícil que as duas anteriores, quando Serra e Alckmin ganharam já na primeira etapa da votação.

O PSDB paulista conversa com PSD e PSB para a coligação – os partidos podem ocupar a vaga de vice ou a vaga de candidato ao Senado. Não está descartada, porém, que a vaga ao Senado fique mesmo nas mãos de um tucano. Serra, por exemplo, lidera a disputa pela cadeira nas sondagens feitas recentemente, superando o petista Eduardo Suplicy, que se mantém no cargo desde 1991, obtendo várias vitórias consecutivas.

A atual postura aparentemente mais pacífica de Serra contrasta com o estilo irredutível do ano passado, época em que estava disposto a convocar prévias para que os militantes escolhessem o candidato do PSDB ao Palácio do Planalto.

Sem o apoio dos principais quadros da legenda – como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, agora entusiasta da candidatura de Aécio –, ele retirou-se do páreo em dezembro.

Empenho. Apesar disso, ainda há tucanos céticos em relação ao empenho de Serra na campanha do mineiro. No PSDB, é notório o ressentimento dos paulistas em relação a Aécio quando o ex-governador e Alckmin disputaram o Planalto, pois acreditam que o correligionário não os ajudou em Minas – os petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff venceram no Estado em 2006, quando Alckmin foi candidato, e em 2010, quando o próprio Serra disputou o Planalto.

Dentro do PSDB há dúvidas sobre se o ressentimento estaria mesmo superado. Em recente entrevista de Aécio na TV Cultura, durante o programa Roda Viva, o pré-candidato tucano ao Planalto foi questionado sobre um artigo de Serra, publicado em dezembro, que falava da necessidade de se colocar na pauta do debate público de 2014 “o consumo de cocaína no Brasil”. Muitos viram como uma provocação a Aécio, que acusa o “submundo” da internet de tentar ligá-lo ao consumo da droga.

O senador mineiro respondeu, na TV, que não acreditava se tratar de algo dirigido a ele. Já Serra disse ter ficado indignado com a insinuação feita na pergunta. O ex-governador paulista ressaltou ainda que é melhor nem comentar mais o assunto para não alimentar “esse absurdo”.

O ex-governador também afirmou que “não existe nem nunca existiu” a hipótese de ser vice na chapa de Aécio. “Tinha um desejo de algumas pessoas do partido, nada além disso.”

Independentemente das promessas de Serra, a campanha de Aécio prepara um esquema diferente de estrutura no Estado de São Paulo nesta disputa. Diferentemente do que ocorreu nas eleições presidenciais passadas, o comitê da campanha ao Planalto terá uma estrutura “paralela” ao comitê estadual de Geraldo Alckmin.

Lula: “ainda não é a hora

• Qual é a hora?

Lauro Jardim – revista Veja

Desânimo com as chances dos candidatos petistas

Em recentíssima conversa com um interlocutor, Lula respondeu assim a uma provocação sobre se não era a hora de ele apresentar-se candidato na eleição de outubro, dada a queda da taxa de aprovação de Dilma Rousseff nas pesquisas: “Ainda não é a hora”.

Por essas e outras é que o “Volta, Lula” não morre. Mesmo que de modo oblíquo, Lula alimenta o movimento.

A propósito, aos mais próximos Lula revela grande pessimismo com os candidatos petistas aos governos dos quatro maiores colégios eleitorais do Brasil. Embora nem sob tortura vá admitir de público, avalia que Alexandre Padilha, Lindbergh Farias e Fernando Pimentel não serão governadores. E teme pelas chances de Rui Costa na Bahia.

Candidato do PMDB em SP, Skaf descarta palanque para Dilma

• Presidente cancela participação no lançamento da candidatura de Padilha neste domingo e desagrada ao PT

• Partidos aliados no plano federal se afastam em São Paulo, maior colégio eleitoral do país

Márcio Falcão e Gabriela Terenzi - Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - O PMDB confirmou neste sábado (14) Paulo Skaf, 58, como candidato ao governo de São Paulo. Patrocinada pelo vice-presidente Michel Temer, a campanha do empresário, descarta, porém, um segundo palanque para a presidente Dilma Rousseff, que apoia a candidatura de Alexandre Padilha (PT) ao governo paulista.

São Paulo, maior colégio eleitoral do país, é o principal objeto de desejo do PT na disputa pelos governos locais. O Estado é governado pelos tucanos há quase 20 anos e é onde a rejeição a Dilma é maior que em outras regiões do país.

Skaf, que é presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), disse que não vê como oferecer espaço para Dilma, uma vez que terá Padilha como seu adversário.

"Eu não creio que haja esse palanque [com Dilma], porque o PT tem candidatura a governador. (...) Eu creio que [o que] vamos fazer aqui é lutar por total independência para ganharmos as eleições seja do PT ou do PSDB", afirmou.

O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha será confirmado candidato do PT a governador numa convenção neste domingo (15). Foram anunciadas as presenças de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal padrinho político de Padilha, mas Dilma cancelou sua participação na última hora.

A decisão surpreendeu e irritou o comando da campanha do ex-ministro, que avalia que a medida trará desgaste ao candidato logo na largada.

Um dos motes da campanha do petista é justamente reforçar a ligação com o governo Dilma, apresentando ambos como responsáveis por um novo ciclo de mudança.

O Palácio do Planalto informou que a mudança na agenda foi motivada por um encontro de Dilma com a chanceler alemã Angela Merkel, que terá um jantar com a presidente.

Em maio, num jantar fechado com a cúpula do PMDB, Dilma afirmou que contava com a candidatura de Skaf para impedir a reeleição de Geraldo Alckmin (PSDB). "Temos duas candidaturas, uma que é a do ex-ministro Padilha, e o Skaf. Acredito que é esta a fórmula do segundo turno", disse Dilma à época.

Segundo a pesquisa mais recente do Datafolha, Geraldo Alckmin (PSDB) seria reeleito no primeiro turno com 44% dos votos se a eleição fosse hoje. Skaf tem 21% das intenções de voto e Padilha, 3%.

Dilma não participou da convenção do PMDB, à qual compareceu o vice-presidente Michel Temer. "A presidente não esteve aqui hoje [sábado], amanhã [domingo] tem convenção do PT. Será que estará?, disse Skaf, antes de saber da mudança nos planos de Dilma.

Questionado se espera uma participação discreta do ex-presidente Lula na disputa, Skaf afirmou que não pretende provocar desconforto a ninguém e sabe que ele é padrinho político de Padilha.

Temer evitou polemizar, mas reconheceu que há um racha no Estado. Ele ainda afirmou que o PMDB e Skaf estão com ele e Dilma, mas que uma coisa é a campanha voltada para São Paulo e outra é a nacional. Temer não citou Dilma em seu discurso e preferiu destacar a unidade em torno de Skaf no partido.

Na convenção do PMDB, Skaf fez ataques aos tucanos e tentou se deslocar da imagem de Padilha. O empresário aproveitou para provocar o PT. "Mudou a polarização que existe há 20 anos em São Paulo. Agora, PMDB e PSDB estão polarizados." Também lançou sua primeira promessa, a ampliação do metrô. "Não queremos 1,5 km, queremos 70 km em quatro anos."

Popularizar campanha é o próximo passo, diz FHC

Erich Decat e Elizabeth Lopes - Agência Estado

Um das figuras centrais do convenção nacional do PSDB que oficializou a candidatura presidencial de Aécio Neves, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso considera que o próximo passo da campanha será o de "popularizar" o tucano entre os eleitores.

A avaliação de FHC ocorreu em conversa com o Broadcast Político logo após a convenção, realizada em São Paulo, neste sábado. Um dos focos do evento foi a tentativa de demonstrar união dos integrantes do PSDB paulista em torno da candidatura de Aécio.

"O próximo passo é caminhar junto com o povo, o tempo todo. É popularizar mais a campanha", afirmou o ex-presidente. O tucano também falou sobre a decisão da coordenação de comunicação de campanha de explorar o mote da "mudança". "A gente está sentido que o povo quer coisa diferente, quer pôr fim a todo esses desmazelos, à falta de atenção. O Aécio representa isso, pois é uma pessoa querida, empenhada, democrática, que tem energia para levar o Brasil para o futuro", ressaltou.

Após o evento, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o ex-governador José Serra também falaram ao Broadcast Político sobre a participação deles na campanha presidencial do mineiro.

"Vamos trabalhar bastante, o Aécio tem uma boa receptividade em São Paulo. Além disso, acho que campanha é esperança de melhorar o Brasil. O País tem perdido oportunidades, não fez as reformas, ficou caro, com a economia estagnada", disse Alckmin. "É preciso criar uma agenda positiva para o desenvolvimento e avanço da qualidade de vida da população", acrescentou.

Adversário de Aécio dentro do PSDB pela indicação do partido para a disputa presidencial, José Serra disse que participará "no que for necessário" na campanha. "Vou estar na campanha, em São Paulo, ajudando a nacional o tempo todo. No que for necessário, estarei inteiramente disponível para isso".

A aproximação de Aécio com as principais figuras de São Paulo é considerada um das principais "vitórias" por integrantes da cúpula do PSDB de Minas Gerais. Isso se deve ao fato de que, nas eleições de 2010, quando o candidato do PSDB à Presidência foi José Serra, ele perdeu para Dilma Rousseff em Minas Gerais, reduto eleitoral de Aécio e segundo maior colégio eleitoral do país. Na ocasião, chegou a ser criado informalmente o movimento "Dilmasia" composto pela campanha de Dilma e o então candidato ao governo de Minas, Antônio Anastasia (PSDB), que hoje ocupa a coordenação de campanha de Aécio.

"Alcançamos todos os objetivos que foram fixados na pré-campanha. O primeiro deles era unificar o partido. Uma forte inserção em São Paulo é um trabalho que vinha sendo capitaneado", afirmou o presidente estadual de Minas Gerais, deputado Marcus Pestana.

Para Eduardo Campos, 'Dilma piorou o país'

Tiago Décimo - Agência Estado

O pré-candidato do PSB à Presidência, o ex-governador pernambucano Eduardo Campos, disse neste sábado, em Salvador (BA), que a presidente Dilma Rousseff "piorou o Brasil" e que o próximo chefe da nação vai enfrentar uma "situação inédita" desde que a democracia voltou a vigorar no País.

"Alguns dizem que a presidente não soube (governar); outros, que não teve a capacidade; outros, que não quis. O fato é que é a primeira vez que o País vai ser entregue pior do que estava quatro anos antes", argumentou. "O (ex-presidente) Itamar (Franco) entregou (o governo) ao Fernando Henrique (Cardoso) melhor do que ele recebeu no impeachment (de Fernando Collor de Melo). O Fernando Henrique entregou o governo (a Luiz Inácio Lula da Silva) melhor do que recebeu do Itamar. O Lula entregou o País a Dilma melhor do que ele recebeu do Fernando Henrique. Agora, é a primeira vez que o presidente vai entregar o País pior do que recebeu. A Dilma piorou o País e o País precisa melhorar. Para isso, é preciso tirar a Dilma."

Campos argumenta que esse cenário justifica as vaias recebidas pela presidente no jogo de abertura da Copa do Mundo, na última quinta-feira, em São Paulo. Apesar disso, ele fez críticas aos torcedores que, em coro, xingaram Dilma. "Acho que ninguém no País gostaria de ver uma situação como essa, que a presidente do nosso país fosse tratada dessa forma na abertura de uma Copa do Mundo, diante do mundo inteiro", argumentou. "Sei que a indignação tem sentido, o que a gente não pode perder é a razão. E não perder a razão, nesse caso, é participar do debate e tirar a presidente (do poder) pelo voto."

O presidenciável foi a Salvador participar da convenção estadual do partido, que legitimou a candidatura da senadora Lídice da Mata ao governo, tendo como vice o ex-prefeito de Brumado, Eduardo Vasconcelos, e como candidata ao Senado na chapa a ex-corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon. Em sua quinta passagem pela Bahia desde que teve o nome lançado como pré-candidato ao Planalto, Campos tenta fortalecer sua candidatura nos Estados nordestinos - apesar de ser bem avaliado em Pernambuco, ele ainda é pouco conhecido no resto da Região - para fazer frente a Dilma. "Ela recebeu a chance de governar o País do povo brasileiro, sobretudo do Nordeste, e não usou essa oportunidade."

Petista radicaliza discurso e preocupa o setor empresarial

• Lula tem defendido medidas que destoam do receituário adotado por ele no Planalto

Valdo Cruz – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Aliado do ex-presidente Lula, o empresariado já começa a ficar preocupado com o tom mais radical do discurso do petista nos últimos eventos em defesa da presidente Dilma Rousseff.

Lula tem criticado empresários, atacado a mídia e até defendido medidas econômicas que destoam do receituário adotado em seus dois mandatos na Presidência.

Em recente reunião, empresários fizeram a avaliação de que o ex-presidente pode colocar em risco seu "patrimônio" político ao voltar a entoar o discurso mais radical do "nós contra eles".

A Folha ouviu de dois interlocutores do mundo empresarial que Lula fez um bom governo ao se firmar como político com bom trânsito em todas as camadas da sociedade. Agora, dizem, ele parece optar pelo enfrentamento para tentar estancar a queda de Dilma nas pesquisas.

O risco, afirmam, é o efeito contrário, com o PT voltando a ser um partido com elevada rejeição na classe média e empresarial. A expectativa dos executivos próximos a Lula é que, se Dilma for reeleita, ele retome um discurso mais amigável e menos radical.

Um interlocutor do presidente confirma que ele está "magoado" com empresários agraciados com benefícios nos governos petistas e que, hoje, circulam em almoços e jantares oferecidos aos principais candidatos adversários, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

"Estamos recebendo relatos de que empresários que frequentam o Palácio do Planalto estão cumprimentando o Aécio como meu presidente'", critica um interlocutor de Lula, reservadamente.

Do lado dos empresários, gerou preocupação a fala de Lula em evento recente em Porto Alegre, quando criticou publicamente o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, defendendo que o governo deveria liberar mais crédito e gastar mais.

Neste momento, está claro que um dos problemas do governo atual, diz um empresário, foi exatamente não segurar os gastos federais, o que pressionou a inflação.

Conselheiros
Em tom de brincadeira, a Folha ouviu que Lula deve estar ouvindo pouco dois de seus antigos conselheiros, o ex-ministro Antonio Palocci e o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.

Ambos são defensores de um política fiscal mais austera para segurar a inflação dentro do centro da meta, hoje de 4,5% ao ano.

Auxiliares de Lula dizem que o recado do ex-presidente em Porto Alegre não teve como alvo apenas Arno Augustin, mas principalmente o Banco Central. A avaliação é que o BC teria apertado demais a política monetária e provocado uma escassez de crédito na economia.

Com isso, a retração no ritmo econômico foi muito forte exatamente no ano eleitoral, o que levará o país a ter um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2014 na casa de 1,5%, abaixo do registrado em 2013, de 2,5%.

Em entrevista, Aécio fala de simplificação de tributos

Luana Pavani - Agência Estado

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, pretende resgatar a confiança dos investidores na economia brasileira. "O nosso governo cria um clima mais sereno no mercado", declarou em entrevista ao programa GloboNews Eleições, comandado pela jornalista Renata Lo Prete, noite de sexta-feira, 13.

O senador e ex-governador de Minas Gerais também defendeu o que chama de "reorganização do Estado brasileiro". O plano passa por corte de ministérios, ações de redesenho da máquina pública, reforço das agências reguladoras e, assim que for eleito, a criação de uma secretaria para simplificação do sistema tributário. O candidato diz estar trabalhando com vários órgãos e recebendo contribuições de associações comerciais na questão para buscar "a diminuição horizontal da carga tributária."

Ele explicou que o ajuste fiscal será feito, mas não será do dia para a noite. "E o tamanho dele dependerá do desmonte do atual governo vem fazendo. Mas é natural termos uma política fiscal mais austera e mais transparente. O governo atual aposta na maquiagem dos números e isso tem agravado a situação", disse.

No primeiro bloco do programa, Aécio afirmou que o primeiro ano de governo será difícil. "O sentimento dos especialistas é que não teremos um ano fácil em 2015. Economia é expectativa, e a vitória do atual governo gerará expectativa inflacionária, de descontrole fiscal e de absoluta falta de transparência nas contas públicas. A nossa vitória pode trazer a expectativa oposta." Segundo o candidato, a sua eventual vitória poderia gerar "um ambiente de maior serenidade" para "aplicar políticas públicas mais adequadas ao crescimento e ao controle inflacionário."

Entretanto, Aécio diz que não conseguirá trazer a inflação para o centro da meta em 2015. "Isso é um projeto que estamos discutindo com a equipe econômica para dois a três anos". O candidato também falou sobre a retomada do crescimento econômico. "Tenho absoluta convicção que a adoção de novas políticas públicas, a reorganização do Estado brasileiro, o resgate da confiança do investidor nos permitirá sair da lanterna de crescimento da América do Sul (...) que o País não merece". Disse ainda que é preciso reestatizar as empresas públicas, "devolvê-las aos brasileiros."

Quanto aos programas sociais, defendeu que várias das bolsas atuais nasceram no governo FHC e disse que um ponto positivo da gestão Lula foi unificar esses programas. Citou dados de sua gestão no Estado de Minas Gerais para defender meritocracia e eficiência na administração pública federal. "O que for bom desse governo (Dilma), vamos aprimorar."

No segundo bloco da entrevista, tratou da gestão do setor elétrico. Questionado sobre a falta de planejamento na época do governo Fernando Henrique Cardoso, que resultou no apagão de 2001, respondeu que não é advogado de defesa do governo FHC, alegando que o tempo se encarrega de provar isso, mas que na época o foco era controle da inflação, "um objetivo que se sobrepunha a todos os outros", e o período de ausência de chuvas foi grande.

O apagão, admitiu, prejudicou o saldo do segundo mandato do governo FHC. Aécio reconheceu que também há seca agora, mas que, num momento de estabilidade econômica, não houve planejamento.

"Ao contrário, a presidente, de maneira populista, fez uma perversa intervenção no setor, que afugentou investidores", explicando que o Tesouro tem de socorrer as distribuidoras agora. Citou que a Cemig perdeu quase um quarto do seu valor "num passe de mágica, por causa de uma canetada" do governo.

"A verdade é que o governo do presidente Lula surfou na bendita herança do governo PSDB. E qualquer que seja o próximo presidente da República vai amargar a maldita herança do governo da presidente Dilma".

Na questão do sistema partidário nacional, o candidato defendeu o resgate da cláusula de barreira. "Sou o único candidato que tem a coragem de dizer aos aliados que se preparem para alcançar o mínimo de representatividade na sociedade para terem funcionamento parlamentar. Porque não quero apenas ganhar a eleição, eu quero governar".

Disse defender cláusula de desempenho, redução do número de partidos, mandato de cinco anos para todos os cargos, voto distrital misto, além de fim da reeleição. E aproveitou para tecer mais uma crítica: "A agenda da presidente é a de uma candidata. A reeleição acabou de ser desmoralizada pela atual presidente da República."

Quanto a denúncias de desvios e corrupção que também envolvem o PSDB, Aécio respondeu que faltam provas e que não é responsabilidade de um partido político. "Respondo pela minha vida, absolutamente correta."

Lindbergh tenta aproximação com PSB para romper isolamento

• Pré-candidato do PT ao governo do Rio só atraiu até agora PV e PCdoB

Cassio Bruno – O Globo

RIO, 14 (AG) - Pivô do rompimento da aliança entre PT e PMDB no Rio, o senador petista Lindbergh Farias luta para pôr fim no isolamento de sua pré-candidatura ao governo do estado. Sem apoio público da presidente Dilma Rousseff, ele atraiu até agora apenas dois partidos: o PV e o PCdoB. A menos de 20 dias para o início da campanha, em 6 de julho, Lindbergh corre contra o tempo para se aproximar do PSB, de Eduardo Campos, que concorrerá à Presidência da República.

O objetivo de Lindbergh neste momento é aumentar o tempo de propaganda eleitoral na TV e no rádio. Com dois partidos na aliança, o petista tem direito a cerca de quatro minutos e meio, menos da metade de seu adversário do PMDB, o governador Luiz Fernando Pezão, que terá mais de dez minutos graças à adesão de 16 legendas em favor de seu nome para disputar as eleições de outubro.

Lindbergh apostava em um acordo com o PDT, mas o partido liderado pelo ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi optou por seguir com Pezão. Em troca, Lupi indicou o vice na chapa, o deputado estadual Felipe Peixoto. A rejeição do PDT a Lindbergh foi considerada pelos petistas como "a maior decepção" do grupo político de senador já que este queria formar um "bloco de esquerda".

Embora negue, o senador tenta a última cartada: sepultar a pré-candidatura ao governo do deputado federal Miro Teixeira, do PROS. Assim, Lindbergh teria chances de ter o apoio do PSB. Consequentemente, aumentaria o tempo de propaganda em mais um minuto, mesmo sem ter Campos no mesmo palanque.

Nas constantes negociações com PSB, Lindbergh propõe indicar Miro Teixeira ao Senado e a deputada federal Jandira Feghali, até então nome para esta vaga, à reeleição. A proposta tem a simpatia do presidente regional do PSB, deputado Glauber Braga, que, na última semana, anunciou que deixaria de apoiar Miro. O PROS, porém, reafirma a pré-candidatura própria ao Palácio Guanabara.

Petista foi abandonado por prefeitos do partido
Lindbergh foi abandonado pela maioria dos prefeitos do PT no estado. Na sexta-feira passada, no entanto, ele anunciou que Rodrigo Neves, de Niterói, estaria ao seu lado. Neves era um dos principais apoiadores dentro do PT à candidatura do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

O senador também teve de engolir os eventos em que Dilma apareceu ao lado de Pezão. Nas cerimônias, a presidente não poupa elogios ao governador. De aliado fiel, o petista tem somente o ex-presidente Lula, avalista de sua pré-candidatura. No entanto, Lula continua distante do Rio e tem presença incerta na convenção do PT, marcada para o próximo dia 20.

— Lindbergh não pediu exclusividade a Lula. Mas quer ver o ex-presidente ao seu lado nas ruas e faz questão de Dilma apenas pedindo voto para ele na televisão. Na rua, quem dá mais votos é Lula — afirmou um petista próximo ao ex-presidente.

A pré-candidatura de Lindbergh sofreu mais uma baixa nos últimas semanas. Líder da Igreja Vitória em Cristo, o pastor Silas Malafaia sinalizou que desembarcaria da pré-campanha do senador. Malafaia comanda 105 templos, frequentados por cerca de 45 mil fiéis. É também presidente do Conselho de Pastores do Brasil, que reúne dez mil pastores em todo o país.

Os motivos do afastamento de Malafaia são a presidente Dilma e o PT. A antiga briga respingou só agora em Lindbergh. O senador frequentava os cultos do pastor, sendo até notificado pela Procuradoria Regional Eleitoral por propaganda antecipada.

— Se depender da Dilma e do PT, eu vou cair fora (da pré-campanha de Lindbergh). Não vai ter jeito. Minhas ponderações são em relação a Dilma e ao PT, mas até julho eu ainda vou decidir se apoio o Lindbergh ou não — desconversou Malafaia ao GLOBO.

Rui Falcão defende candidatura
Vice-presidente nacional do PT, Alberto Cantalice nega isolamento de Lindbergh:

— Isolado não está. Tem apoio do PV e do PCdoB. O Lindbergh é carismático. Acreditamos que ele vá crescer nas pesquisas.

Na sexta-feira, Rui Falcão, presidente nacional do PT, reafirmou a pré-candidatura:

— Estamos apoiando candidatos do PMDB, e o PMDB apoia nossos candidatos em vários estados. Temos dialogado com dirigentes do partido aliado para minimizar conflitos, mas não pretendemos retirar a candidatura de Lindbergh.

Merval Pereira: Espírito de sobrevivência

- O Globo

Desde a eleição presidencial de 1998, o PSDB não conseguia apresentar uma candidatura que unisse tanto o partido quanto a de Aécio Neves, confirmada ontem quase que por aclamação na convenção partidária realizada em São Paulo, berço do partido e maior colégio eleitoral do país.

A façanha é mais emblemática ainda se considerarmos que esta é a primeira vez em que um candidato não paulista é o representante do partido.

Na verdade, a tarefa de Aécio Neves, embora delicada, foi facilitada pelo espírito de sobrevivência que prevaleceu no partido e pelo fato de que esta é a primeira eleição presidencial em muitos anos em que não há um candidato paulista na disputa.

Esta seria a razão para que a escolha do vice na chapa tucana venha a recair num candidato paulista, para aumentar a influência regional na eleição. Dois nomes são os mais cotados: o senador Aloysio Nunes Ferreira e o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, que será o escolhido se o PSD de Gilberto Kassab fechar acordo nacional com o PSDB. O PSD daria os minutos de televisão para os tucanos e teria em troca a vice na chapa do governador Geraldo Alckmin e a vice nacional com Aécio Neves.

Se fechada essa negociação que está em curso, o PSDB reduziria a vantagem que a presidente Dilma tem na propaganda eleitoral. O ex-governador José Serra era também cotado para o cargo, mas ontem foi aclamado por Aécio como futuro senador por São Paulo.

Serra discursou na convenção, selando a pacificação no PSDB, e tem se colocado como um soldado do partido. Provavelmente será ministro em um eventual governo de Aécio Neves e ainda reforçará, com sua votação, a bancada federal do PSDB se decidir concorrer a deputado federal.

O PSDB tem o domínio político dos dois maiores colégios eleitorais do país — São Paulo e Minas Gerais — mas nunca, desde Fernando Henrique Cardoso, venceu nos dois estados na mesma eleição presidencial, mesmo quando elegeu os dois governadores. Graças à força do partido em São Paulo e Minas Gerais, Fernando Henrique Cardoso venceu no primeiro turno as eleições de 1994 e 1998.

Na primeira eleição, FHC colocou 3 milhões de frente sobre Lula em Minas e 4,5 milhões em São Paulo. Na reeleição, a diferença a favor de Fernando Henrique em Minas foi menor, de 2,1 milhões de votos, mas em São Paulo ele ampliou a diferença para 5,1 milhões.

Um detalhe interessante: desde a redemocratização, nenhum presidente foi eleito sem vencer em Minas. Não se trata de mera coincidência, mas de uma representação das diversas regiões do país confirmada pelo presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, que constatou em muitos anos de pesquisa eleitoral que os resultados em Minas refletem cada vez mais a média nacional.

Isso porque Minas tem sua parte Nordeste na região do Vale do Jequitinhonha, e, assim, faz parte da Sudene; ao mesmo tempo, é a segunda economia do país (disputando com o Rio) com uma região fortemente industrializada; tem grande influência paulista, na divisa com São Paulo; Juiz de Fora é muito ligada ao Rio de Janeiro; e o estado tem no agronegócio uma parte influente de sua economia.

Em alguns casos, o resultado local foi praticamente igual ao nacional. E, quando isso não aconteceu, é certo que a tendência fica definida nas urnas mineiras: Lula teve 50,8% (48,6% no país), contra 40,6% (41,6% no país) de Alckmin em 2006.

Em 2002, Lula venceu com 53% (46,4% nacional) e Serra teve 22,9% (23,2% nacional). O candidato do PSDB, fosse Serra ou Alckmin, sempre venceu em São Paulo, mas não conseguiu repetir a votação que Fernando Henrique teve.

Alckmin venceu em 2006 por uma diferença de 3,8 milhões, e Serra, em 2010, por 1.846.036. A questão é que perderam para Lula e Dilma em Minas e no Rio. Desta vez, superando as divisões internas, o PSDB prepara-se para a corrida presidencial deste ano com a estratégia de vencer nos dois estados, e com boa possibilidade de ter uma votação importante no Rio, onde o PT tem vencido as eleições nas últimas vezes.

A dissidência dos partidos da base governista no Rio pode levar o candidato do PSB a neutralizar uma diferença de 1,5 milhão de votos que o PT vem tirando no terceiro maior colégio eleitoral do país. Os três estados, juntos, representam cerca de 40% do eleitorado.

Dora Kramer: (Des) mandamentos

• Diferenças ‘programáticas’ entre PT e PMDB têm relevância abaixo de zero

- O Estado de S. Paulo

Fala-se nas diferenças de ideias entre PT e PMDB como se a representação mental de algo concreto fosse a razão primordial da aliança entre os dois partidos.
Mas o fato de divergirem sobre questões como a criação de conselhos populares para orientar decisões de governo, controle dos meios de comunicação e plebiscito sobre Constituinte exclusiva para reforma política não tem a menor importância.

Esses temas são caros aos petistas, que nem por isso dão a mínima para a posição contrária dos pemedebistas. Entre outros motivos porque no mundo real todos eles sabem que tais propostas não passam de conversas para agradar momentaneamente o público do PT e que não vão adiante por absoluta ausência de respaldo político, social e, em alguns aspectos, legal.

Assim como as divergências de pontos de vista pouco importam, é irrelevante a agenda dita de compromissos que o PMDB apresenta ao parceiro para fugir da pecha de fisiológico quando firma aliança para concorrer às eleições. Em 2006, ao aderir de corpo e alma ao governo Lula, o partido apresentou um documento chamado "Os sete mandamentos", do qual falaremos adiante.

Falemos primeiro dos mandamentos de 2014. São oito os itens escolhidos pelo PMDB para exibir como "prova" de que o apoio à reeleição de Dilma Rousseff é programático.

São as seguintes as exigências para eventual segundo mandato: 1. Forte suporte público à política industrial; 2. Retomada do processo de crescimento mediante a criação de um Plano Nacional de Formação e Qualificação de Trabalhadores; 3. Novo modelo de política de infraestrutura; 4. Garantia de acesso à saúde e à educação; 6. Manutenção e extensão das políticas compensatórias; 7. Democratização dos meios de comunicação; 8. Política externa independente e progressista.

Em matéria de obviedades, estaria completo o decálogo com o apoio à luz elétrica e à água encanada. Ainda assim, vamos que Dilma reeleita não cumpra os compromissos exigidos pelo PMDB, deixará ele o governo em protesto programático?

Sem chance. Ficará exatamente onde lhe convier. Como fez nos últimos anos desde que apresentou os tais sete mandamentos de 2006, reunidos em documento na ocasião tido como atestado da "altivez doutrinária" do PMDB.

Vamos aos pontos: 1. Reformas política e tributária; 2. Crescimento econômico acima de 5%; 3. Manutenção dos gastos correntes a níveis inferiores ao PIB; 4. Consolidação das atuais políticas de transferência de renda; 5. Renegociação das dívidas dos Estados; 6. Fortalecimento da federação; 7. Criação de um conselho político de partidos para acompanhar as ações de governo.

Os escribas de tão nobres tábuas tiveram o cuidado de ser mais genéricos entre uma e outra. A de 2014 é vaga o suficiente para não dar margem alguma a cobranças. Já a de 2006 se presta a comparações com a realidade.

Reformas política e tributária? Nem pensar. Crescimento acima de 5%? Nem precisamos entrar e em detalhes. Contenção dos gastos públicos fez o caminho inverso ao do PIB, proporcionando aquele falado espetáculo do crescimento. As políticas de transferência de renda são de interesse do governo; portanto, compromisso do PT com ele mesmo.

Já era previsto que o PMDB não se revoltaria caso não se fortalecesse a federação nem promoveria a ruptura se o tal conselho de partidos não vingasse, como não vingou.

O PMDB renovou a aliança com o PT em clima de revolta, mas não por quebra de compromissos programáticos e sim por falta de influência no governo, insuficiência de poder nos ministérios e avanço do PT sobre as bases do partido nos Estados.

Coisa feia. O que se viu na abertura da Copa ficou muito pior para quem não diferencia protesto de estupidez do que para a presidente que cumpria missão protocolar. Vaia é do jogo, mas o insulto despolitiza o gesto.

Eliane Cantanhêde: Vaias a favor

- Folha de S. Paulo

Depois das vaias e xingamentos, Lula e Dilma deram uma aula de como fazer de um limão azedo uma bela limonada docinha. Ele é craque nisso, ela foi atrás.

Na dúvida atroz entre ir ou não ir à abertura e ao jogo de estreia da Copa, Dilma ficou no meio do caminho: foi, mas sem discursar, acenar e nem mesmo aparecer. Ficou praticamente escondida num canto.

Vieram as vaias, como já esperavam o Planalto e a sociedade. Mas vieram também os palavrões, que não estavam no script.

A primeira reação foi contra Dilma: "onde ela vai, é vaiada"; "vai ficar trancada na campanha"; "colhe o que plantou"; "a reeleição já era".

As redes sociais, porém, amanheceram no dia seguinte recheadas de manifestações de desagravo, solidariedade e simpatia pela "presidente, pela mulher, pela mãe, pela avó". E com o X da questão: tudo começou na área da elite endinheirada.

De ré que merecia vaias pelo "mau humor e arrogância", como desferiu Aécio Neves, Dilma evoluiu para vítima de xingamentos infames diante do mundo. Anti-dilmistas, até tucanos, engrossaram o coro de defesa da presidente-candidata.

O episódio, que era para ser rapidamente esquecido pela campanha petista, passou, ao contrário, a ser potencializado por ela.

Lula ofereceu uma fotogênica rosa branca à pupila ofendida e, de repente, admitiu que trouxera para o Brasil uma Copa "para ricos". Dilma, sacou ele, era a única com cara de pobre (?!) no Itaquerão.

Em menos de 24 horas, Aécio amenizou o tom, conforme a música da opinião pública, e passou a criticar os xingamentos. Com seu recuo, selou o êxito da estratégia lulista.

Os gritos do Itaquerão deixam de ser limão contra Dilma, viram limonada a favor dela e reforçam o bordão dos "pobres contra os ricos". Mas, se xingamentos devem ser condenados, vaias são manifestações legítimas e não são exclusivas da Copa e de ricos. Já viraram rotina.

Luiz Carlos Azedo: Candidato café com leite

- Correio Braziliense

A convenção nacional do PSDB confirmou ontem o nome do senador Aécio Neves (MG) como candidato da legenda à Presidência da República nas eleições de outubro. O político mineiro conseguiu a proeza de unir a legenda, incorporando à candidatura a ala ligada ao ex-governador José Serra, com quem havia disputado o comando do partido. Aécio chegou à convenção com 22% de intenções de votos, segundo o último Ibope, o que lhe garante a condição de principal adversário da presidente Dilma Rousseff, que, na mesma pesquisa, tem 38%. Aécio deixou para trás o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, do PSB, que tem 13%.

O candidato tucano busca reconstruir a aliança de Minas com São Paulo, uma relação que sempre foi tensa, desde o fim da chamada política café com leite, na República Velha. Na Revolução de 1930, o governador mineiro Antônio Carlos apoiou o movimento armado que levou o gaúcho Getúlio Vargas ao poder, impedindo a posse do paulista Júlio Prestes, que fora eleito a "bico de pena", derrotando a Aliança Liberal. Na Revolução Constitucionalista de 1932, tropas mineiras também marcharam contra São Paulo.

A elite paulista, mesmo derrotada, sempre buscou o próprio protagonismo, com o cacife de que quem abdicou do patrimonialismo para investir na industrialização, o que transformou o estado na "locomotiva do Brasil". Aécio seduziu os eleitores paulistas.

Entre os 31,8 milhões de eleitores de São Paulo, que representam 22% do total, pesquisa Datafolha mostrou que Aécio Neves (PSDB) venceria Dilma Rousseff por 46% a 34%. É um desempenho espetacular para quem enfrentava forte oposição dos políticos no estado, não somente do PT, mas dentro de sua própria legenda.

Sonho mineiro
Aécio encarna o sonho dos mineiros de voltar ao centro do poder, reeditando os anos dourados do governo de Juscelino Kubitschek, na década de 1950. Esse sonho foi frustrado pelo regime militar e, depois, pela morte de Tancredo Neves, apesar dos dois anos de mandato de Itamar Franco. Mesmo mineira, Dilma Rousseff não representa esses interesses. A estratégia de Aécio Neves para unir o PSDB foi resgatar o legado político e institucional do governo de Fernando Henrique Cardoso, mesmo correndo o risco de restabelecer um tipo de polarização que levou os tucanos à derrota em 2002 (com José Serra), 2006 (com Geraldo Alckmin) e 2010 (com Serra, novamente).

Nessas três eleições, foi responsabilizado pela derrota, acusado de fazer corpo mole na campanha, o que sempre negou. Ontem, o ex-governador José Serra, o senador Aloysio Nunes (SP) e o ex-governador Alberto Goldman, que sempre o criticaram, estavam na convenção, firmes com Aécio, ao lado de Fernando Henrique e dos governadores Alckmin (SP), Marconi Perillo (GO), Teotonio Vilela (AL) e Beto Richa (PR).

Ao som do Hino Nacional lembrou o avô Tancredo Neves, eleito presidente da República pelo colégio eleitoral em 1984, mas que morreu antes de assumir. Fez rasgados elogios ao PSDB na gestão FHC: 

"Transformamos a realidade brasileira de forma permanente com o Plano Real. O Real recuperou a confiança do Brasil em si próprio..." Para contrariedade da presidente Dilma, voltou a dizer que o DNA do Bolsa Família é tucano: "Criamos os primeiros programas de transferência de renda e benefícios sociais, aquilo que se tomou depois o Bolsa Família".

O principal artífice de sua candidatura foi Fernando Henrique: "Posso dizer, do alto dos meus 83 anos, que o Brasil precisa de um líder jovem", disse. Hábil nas articulações políticas, o ex-governador mineiro faz uma aposta arriscada ao centralizar sua estratégia na economia e não na política, mas talvez seja essa a única via para chegar ao Planalto: "Nossos adversários mantiveram a coerência. Quem foi contra o Plano Real é quem hoje não controla a inflação. Quem foi contra a Lei de Responsabilidade Fiscal é quem hoje assina essa contabilidade maldita, disparou.

O ex-governador de Minas costuma dizer que sua bala de prata é a escolha do vice, opção que já foi feita tanto pela presidente Dilma Rousseff, que manteve Michel Temer na sua chapa como representante do PMDB, como por Eduardo Campos, que cresce com a ex-senadora Marina Silva na vice. Um dos nomes possíveis é o do ex-governador José Serra, que ontem reiterou seu apoio a Aécio: "Este espírito de mudança, Aécio, que agora converge para a sua candidatura, é o desdobramento de uma longa jornada no Brasil". Mas descartou seu nome na chapa. É candidato ao Senado ou à Câmara.

Aécio conquistou a unidade da legenda sem ceder a vice na composição interna. Seu companheiro de chapa pode ter um cacife decisivo para a eleição. Estão cotados o ex-governador do Ceará Tasso Jereissati e a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie, que é gaúcha, além do senador paulista Aloysio Nunes Ferreira, todos do PSDB. Entre os aliados, desponta o senador José Agripino Maia (RN), presidente do DEM. A bala de prata seria um vice capaz de atrair para sua coligação mais uma legenda. O PSD, de Gilberto Kassab, por exemplo.

João Bosco Rabello: A farsa como método

- O Estado de S. Paulo

Menos pela ameaça que poderia representar, se chance tivesse de sobreviver ao Congresso, o decreto presidencial que cria os conselhos populares merece o alarde e a resistência que provocou por representar mais uma tentativa do PT de governar à revelia da sociedade organizada.

Com os movimentos sociais fugindo ao controle em meio a uma campanha eleitoral que devolve o partido ao patamar histórico de 30% das intenções de voto - insuficiente para a reeleição de sua candidata -, e com uma base parlamentar cada dia mais hostil, o PT investe na chamada democracia direta.

A defesa do decreto pelos ministros Aloizio Mercadante e Gilberto Carvalho, a quem ficariam subordinados os tais conselhos, não resiste a uma simples constatação: se boa fé política os movesse, o Congresso seria incluído na iniciativa com uma proposta em forma de projeto de lei, ainda que isso não corrigisse a inconsistência da iniciativa.

Mas como a ideia é exatamente substituir o Poder Legislativo por conselhos de composição ideológica afinada com o PT, a opção pelo decreto é autoexplicativa. O assembleísmo, do qual são retrato fiel as chamadas conferências nacionais do PT, representaria a "sociedade civil", no ideal petista de governo, onde o Congresso seria melhor se decorativo.

Se votado hoje o projeto de Decreto Legislativo da oposição, que revoga o presidencial, o Congresso imporia nova derrota à presidente Dilma, agora na véspera da eleição, razão pela qual o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), preferiu adiá-la, a pedido do vice- presidente Michel Temer.

Mas a conta continuará a mesma após a eleição: para aprovar o decreto legislativo que revoga o presidencial são necessários 257 votos - 19 a menos que os 238 dos dez partidos que o apresentaram. Como o PMDB já se manifestou contrário e o espírito de autodefesa do Congresso o rejeita, não há futuro para os conselhos do PT.

O que resta do episódio é a indigência de conteúdos do governo petista, incapaz de produzir propostas que respondam aos anseios reais da população.

O partido insiste na opção da farsa como método, como demonstrou mais uma vez ao assumir a desfiliação do deputado André Vargas (PR), flagrado em corrupção.

Na vida real, o PT fez um acordo com Vargas, a quem interessava a desfiliação, como forma de evitar sua cassação e viabilizar seu retorno na próxima eleição, escapando à consequente perda dos direitos políticos por oito anos.

Não falta razão, por isso, ao ex-presidente Lula, quando manifesta preocupação com a imagem de corrupção que passou a selo do partido, líder hoje nesse quesito.

A política (do PT) em xeque: O Estado de S. Paulo - Editorial

É fato conhecido que ano de eleição tem regras próprias: mais greves, mais reivindicações, maiores movimentações sociais. Mas 2014 está sendo diferente de todos os outros anos eleitorais.

A Copa do Mundo maximizou essas estridências eleitorais e escancarou a distância entre a sociedade e a política, entre a expectativa e a realidade. A última confirmação veio pelo Pew Research Center, renomado instituto de pesquisa norte-americano, que, em recente relatório, deu nome aos bois nessa generalizada sensação de crise.

O atual quadro de insatisfação apresenta um desafio para o Estado brasileiro nas suas três esferas. Não se trata apenas de um problema criado pelo sentimento popular. Existem inúmeras questões que o poder público precisa enfrentar responsavelmente: a (i)mobilidade urbana, o combate às drogas, a educação, a segurança pública, etc. E, numa democracia, a solução de qualquer um desses problemas nunca é algo meramente técnico, operacional. Requer sempre, como condição necessária, a sua viabilização política.

Neste sentido, o legado mais prejudicial que o PT deixa ao País, nestes 12 anos de poder federal, não é na economia, cujo cenário é grave, para não dizer gravíssimo. A sua herança realmente maldita é na política, ao perpetuar e intensificar a lógica do populismo.

Na voracidade por se instalar no poder, utilizou o seu capital político - em essência, o carisma de um homem - para excluir qualquer racionalidade do debate público, vendendo e prometendo o impossível. Impregnou de tal forma o sistema de populismo que, por exemplo, todos os partidos não tiveram outro jeito senão apoiar uma lei que se sabe impossível de ser cumprida: o Plano Nacional da Educação, com a vinculação de 10% do PIB para a educação. Era evidente que quem ousasse se posicionar de forma contrária à lei estaria morto nas próximas eleições.

O papel aceita tudo, e vai-se deformando a percepção popular, como se o problema brasileiro fosse uma questão de voluntarismo político. O resultado é evidente: não temos um país que aprendeu a andar com as próprias pernas, que sabe sonhar, que olha o presente nos olhos, sem medo do futuro.

Assemelha-se mais a uma casa onde o pai e a mãe endoideceram, tiveram-se por ricos e gastaram o que tinham e o que não tinham, contando bonitas e ilusórias histórias aos filhos, que vão descobrindo aos poucos que a festa acaba, que não há mais dinheiro para o almoço e que o mundo é mais complexo do que aquilo que estavam habituados a ouvir em casa.

Por fim, tem-se um país desiludido, conforme semanalmente vão mostrando as pesquisas nacionais e internacionais. O populismo gera volatilidade, altos e baixos "aparentemente" inexplicáveis.

Há quatro anos podíamos tudo, com a abundância do petróleo do pré-sal como cartão de embarque para o mundo desenvolvido e a felicidade perpétua. Não é de estranhar, já que as ideologias têm no seu âmago a ideia do progresso inexorável. Bastaria cumprir a cartilha e tudo seria perfeito.

A sociedade brasileira anseia por uma melhor educação? Sim, mas o primeiro passo educativo é a responsabilidade. Para gastar mais em educação - que é necessário, mas não é o único nem o principal problema - é preciso cortar gastos em outras áreas. Isso não é neoliberalismo. É simplesmente não enfiar a cara no buraco, como uma avestruz diante do perigo.

Como disse Fernando Gabeira, em artigo publicado no Estado (Dilma e as uvas, 6/6), "até que ponto o cinismo triunfará amplamente numa sociedade democrática é o enigma que envolve o futuro próximo do Brasil". É possível uma mudança? Como em política não há determinismos, a resposta é sim, e dentro do mais delicado respeito à democracia.

As crises são sempre oportunidades de renovação, já que fazem ver além do discurso oficial. O pessimismo não é a única carta disponível diante das tristes notícias que chegam aos brasileiros todos os dias. Com o voto, é possível do limão fazer limonada.

Ferreira Gullar: Evocações de um perna de pau

• Antes de querer ser pintor e querer ser poeta, eu, conhecido como Periquito, quis ser jogador de futebol

- Folha de S. Paulo / Ilustrada

Como o futebol é no momento o assunto de quase todos --senão todos-- os brasileiros, aproveito a oportunidade para fazer uma revelação: antes de querer ser pintor e querer ser poeta, quis ser jogador de futebol...

Sim, eu --também conhecido como Periquito--, o Esmagado, o Espírito, o Carroca e os demais jogadores de pelada da rua do Coqueiro.

É que, diferentemente desses outros, pensava eu que trazia o futebol no sangue, já que meu pai, Newton Ferreira, antes de se tornar quitandeiro havia sido centroavante da seleção maranhense.

Já contei num poema que o trouxe ao Rio para tratar de um câncer e que ele, ao descer do avião, falou: "A única vez em que estive no Rio foi com a seleção maranhense de futebol, em 1929. Fomos até recebidos pelo presidente da República, Washington Luís. No dia seguinte, enfrentamos a seleção carioca e perdemos de nove a zero. Saímos de campo debaixo de vaia".

Pois. Mas, quando garoto, ele me levava para assistir aos jogos de futebol. E assim foi que, muito cedo, comecei a jogar bola em frente ao Mercado Novo, onde já ele tinha uma quitanda.

Dessas partidas participava a molecada do bairro, e nela se destacavam Canhoteiro e Esmagado. Canhoteiro, filho de um casal que vendia mingau de milho e de tapioca ali mesmo no mercado.

Esse Canhoteiro é o mesmo que veio a se tornar ponta-esquerda do São Paulo Futebol Clube e foi convocado para a seleção brasileira. Não por acaso, era o ídolo do menino Chico Buarque, que até hoje sonha inutilmente em jogar futebol como ele.

Quando estava no auge da fama, Armando Nogueira, que era meu colega no "Jornal do Brasil", falou com Canhoteiro a meu respeito.

Ele nunca ouvira falar em Ferreira Gullar, mas, quando Armando lhe explicou que se tratava do filho do quitandeiro Newton Ferreira que jogava pelada com ele no Mercado Novo, caiu em si: "Ah, é o Periquito! Mas o Periquito virou poeta?!".

Armando marcou com ele um encontro dos três para fazer uma entrevista, mas o encontro não houve.

Voltemos ao começo, isto é, ao tempo em que eu sonhava tornar-me um craque do futebol como havia sido meu pai.

Se jamais me passou pela mente que Canhoteiro ia se tornar um craque de prestígio nacional, já naquelas peladas ele impressionava a todos com a habilidade como driblava e chutava a bola de borracha pequena.

Para espanto geral, saía driblando os garotos todos, mantendo a bola sob seu pé esquerdo (já que era canhoto, claro), batendo-a contra o chão até chegar ao gol.

Já Esmagado não era apenas meu companheiro de peladas. Com Maninho --mais conhecido como Espírito da Garagem da Bosta-- formávamos um trio de ladrõezinhos que surrupiavam copos nos botequins e os vendiam para um quitandeiro da Camboa.

Mas enquanto Maninho era um perna de pau no futebol e eu, quase isso, Esmagado tinha o tino do craque e por isso mesmo fez carreira no futebol. Não chegou à seleção brasileira, como Canhoteiro, mas chegou à seleção maranhense.

Eu não me atrevia a sequer tentar imitá-lo naquilo. Nem eu nem os demais garotos, já que aquela habilidade estava fora de nosso alcance.

É que as coisas são assim mesmo: poeta, jogador de futebol, ladrão e outros profissionais já nascem com seus respectivos talentos.

Ser poeta jamais me passara pela cabeça, mesmo porque, até então, mal ouvira falar em poesia. Já o futebol, pelo contrário, estava na família, tanto que Dodô, meu irmão mais velho, jogava num time juvenil com camisa do clube e chuteira.

Foi assim que consegui realizar meu sonho: entrei para o time juvenil do Sampaio Corrêa Futebol Clube e passei a jogar também com camisa de jogador de futebol.

Mas o sonho durou pouco porque numa partida contra o juvenil do Luso Brasileiro, ao receber um passe para chutar no gol, um garoto do time adversário me deu uma rasteira tão violenta que me ergueu do chão e me fez cair de bunda.

Foi um baque tão forte que não consegui me levantar. Carregaram-me para fora do campo e ali fiquei, gemendo de dor. Durante uma semana, mal podia andar. Nunca mais quis vestir a camisa do Sampaio Corrêa nem de qualquer outro clube.

Tornei-me apenas torcedor e, mais tarde, poeta, que não corre esse tipo de risco.

Brasília-DF - Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

Vacina geral
A convenção de ontem mostrou que o PSDB está prevenido contra aqueles que tentam colocar a juventude de Aécio Neves como um fator negativo para o exercício da Presidência da República. Todos os cardeais tucanos falaram que o ex-governador de Minas Gerais acumulou 30 anos de vida pública, é hábil em unir forças opostas na política e tem capacidade de montar equipe. Até José Serra ressaltou essas qualidades no senador.

BNB fatiado
Depois de entregar a presidência do Banco do Nordeste do Brasil a um afilhado do PT, o governo resolveu fazer um agrado ao PTB e ao PDT. Os dois partidos já anunciaram apoio à reeleição de Dilma.

Papo presidencial
O presidente do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, conta que aproveitou o voo entre Brasília e São Paulo para conversar com a presidente Dilma Rousseff sobre o projeto de governança para o Brasil, que desenvolve em parceria com governos federais e estaduais. A ordem é criar mecanismos para retirar os gargalos para as obras públicas, que hoje atingem 43% dos projetos. Dilma gostou do que ouviu.

Conversa de domingo
O deputado Danilo Forte (PMDB-CE) fala das dificuldades de Dilma Rousseff dentro do partido. Ele diz categoricamente que "Dilma perderá a eleição". Confira no blog da Denise, no site www.correiobraziliense.com.br.

Curtidas
Mão Santa, o retorno/ O ex-senador Mão Santa, do Piauí, esteve ontem na convenção do PSC que lançou a candidatura de Pastor Everaldo a Presidente da República. À coluna, Mão Santa contou que seu projeto é concorrer ao governo do Estado.

Por onde andou/ O ex-senador voltou ao exercício da medicina. Dá consultas inclusive a pessoas que procuram a Santa Casa de Misericórdia. "Minha filha, adivinhe quanto que o SUS paga por uma consulta?", pergunta. "R$ 4,50. Isso mesmo! Quatro reais e cinquenta centavos. Depois, ninguém sabe por que o povo vai para a rua e quebra tudo!", diz ele.

Nem no ar.../ Após sair da cadeia, o ex-governador Paulo Octávio foi a São Paulo com a mulher, Anna Christina Kubitschek, e filhos. Ao embarcar, encontrou o senador Gim Argello. Os dois mal se cumprimentaram.

Te cuida, João Santana!/ Pela primeira vez, em uma convenção partidária, um discurso de lançamento de candidatura foi cortado no meio para dar lugar a um vídeo. O próprio Aécio, no meio da fala, apresentou as imagens com a carta do poeta Ferreira Gullar de Adeus a Tancredo Neves. Até políticos tarimbados ficaram com os olhos marejados. Mais uma prova de que, desta vez, a emoção— marca das convenções e de programas petistas — não será monopólio de ninguém.

O foco de Lula
Os últimos dias foram um ensaio geral daquilo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende fazer para ajudar a campanha de Dilma Rousseff à reeleição. Ele estabeleceu como meta centrar presença no Nordeste, onde a presidente tirou sua maior diferença em relação a José Serra em 2010. Tentará ali preservar e/ou recuperar esse eleitorado e, de quebra, ajudar o PT.

Nesse caminho, o ex-presidente atropelará o PMDB em estados como a Bahia e o Piauí, onde ele esteve na última quinta-feira. Por enquanto, Lula não se engajará na campanha no Ceará, mas, faz parte dos planos do petista eleger José Guimarães senador.

Painel - Bernardo Mello Franco (interino)

- Folha de S. Paulo

Cabo de guerra
A campanha petista está dividida sobre o tom que Dilma Rousseff deve adotar diante da queda nas pesquisas. A ala liderada pelo ex-ministro Franklin Martins quer que ela antecipe o embate político e assuma um tom ofensivo contra os adversários e a imprensa. Ele argumenta que o Planalto está na defensiva e tem se deixado pautar pela oposição. O marqueteiro João Santana defende que Dilma não deve cair no "bate-boca" e pede paciência até o início da propaganda na TV.

Clima quente Os dois grupos trocaram palavras ríspidas na última reunião no Palácio da Alvorada, dia 2. Segundo participantes, Dilma indicou concordar com a linha sugerida por Santana. Ao menos por enquanto.

Nós e eles O presidente do PT, Rui Falcão, atenua as divergências e diz que as comparações com o projeto do PSDB serão inevitáveis. "Vamos mostrar o que nós fizemos e o que nós faremos."

Venezuela Os petistas prometem não recuar no debate sobre o decreto que cria a política de participação social. A oposição diz que a medida é "chavista". O governo rejeita o adjetivo. "Será um teste. Vamos ver quem está de que lado", desafia Falcão.

Barrado no baile O senador Armando Monteiro (PTB), candidato ao governo de Pernambuco, foi barrado por seguranças da Presidência em seu próprio prédio, onde ofereceu jantar a Dilma e Lula na sexta-feira (13).

Libera o doutor O segurança pediu que o porteiro interfonasse para saber se o parlamentar podia subir. "A casa dele é aqui...", respondeu o funcionário.

Esquimó O ex-presidenciável Randolfe Rodrigues afirma que o PSOL errou ao encampar o discurso contra a Copa. Para ele, não se pode confundir a crítica aos gastos com o futebol. "Isso daria certo no Alasca, não no Brasil."

Cachimbo da paz O vice-presidente americano, Joe Biden, enviou sinais de que pretende tratar sua visita ao Brasil como um gesto de normalização das relações com o país, após as denúncias de espionagem dos EUA.

Eu acendo O Planalto deve ser receptivo ao "namoro", diz um auxiliar de Dilma. No início, a aproximação terá uma agenda mais leve. Serão evitados temas polêmicos, como disputas comerciais e tensões diplomáticas.

Queixa ao bispo As seis centrais sindicais do país fizeram reclamação contra o Brasil na OIT (Organização Internacional do Trabalho). As entidades protestam contra decisões da Justiça do Trabalho sobre o direito de greve.

Batalha do Metrô As centrais reclamam da concessão de liminares que obrigam os trabalhadores a manter serviços considerados essenciais ou impedem a realização de piquetes.

82º senador Parlamentares se dizem impressionados com a presença assídua de Paulo Schmidt, presidente da Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), em gabinetes do Senado. Seu lobby por benefícios para juízes gera desconforto na Casa.

Eu explico Schmidt alega que as associações de juízes "sempre fizeram interlocução com o Congresso". Ele sustenta que a Anamatra defende, "além da pauta corporativa, assuntos sobre a estrutura do Judiciário".

Tipo exportação Luís Roberto Barroso, o ministro do STF, foi convidado a falar amanhã em evento das Nações Unidas, em Nova York. Vai abordar a inclusão da justiça como um dos objetivos de desenvolvimento do milênio.

Tiroteio
"Em vez de defender a civilidade e condenar as ofensas a Dilma, Aécio prefere pegar carona na deselegância e no preconceito."
DO PRESIDENTE DO PT-SP, EMIDIO DE SOUZA, sobre a afirmação do tucano de que as vaias na abertura da Copa do Mundo mostram uma presidente sitiada'.

Contraponto
Tamanho não é documento

Ao cumprimentar as autoridades no palanque de um evento do PT na última sexta-feira (13), no Recife, o ex-presidente Lula fez uma pausa após citar o nome do ministro da Educação, Henrique Paim.

--Paim, levanta para todo mundo ver! --pediu o petista, ao microfone.

O ministro, que não está entre os integrantes mais altos da Esplanada, se levantou prontamente.

--Quando você fala "ministro", as pessoas acham que é um homem grande... Se você ficar sentado, ninguém vai te ver! --brincou Lula.

Diário do Poder – Cláudio Humberto

-Jornal do Commercio (PE)

• Lava Jato: MPF ‘seguiu o dinheiro’ de campanhas
A operação Lava Jato é produto da estratégia do Ministério Público Federal de adotar o lema “siga o dinheiro”, para investigar a origem do financiamento eleitoral. A Lava Jato pôs na cadeia doleiros que atuam para grandes partidos, lavando dinheiro sujo da corrupção, e até o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que a PF acredita ser um “banco central” de políticos que há anos comandam o Congresso.

• Resolvedor-geral
Investigadores acham que Paulo Roberto Costa seria “resolvedor-geral” de problemas para figurões da política, inclusive financiar campanhas.

• Mapeamento
Procuradores fazem um cruzamento de dados para mapear negócios obtidos no setor público por financiadores de campanhas eleitorais.

• Começa assim
No Brasil, é comum os políticos compensarem os financiadores de suas campanhas garantindo-lhes negócios com o Estado brasileiro.

• Prioridades
De um leitor indignado: “tantos helicópteros para a segurança da Copa, e quase nenhum para acudir as vítimas das enchentes no PR e SC”.

• Bolsa Família: R$ 8,4 bilhões na ‘veia’ do eleitor
Em pleno ano de eleição, o governo Dilma distribuiu R$ 8,45 bilhões diretamente a famílias “em condição de pobreza e extrema pobreza”, nos primeiros quatro meses do ano, através do Bolsa Família. Em 2010, último ano de governo, o ex-presidente Lula destinou R$ 14,4 bilhões ao Bolsa Família. Se continuar no mesmo ritmo, Dilma deve gastar, no seu último ano de governo, quase o dobro do antecessor.

• Ano eleitoral
Em 2013, o governo Dilma gastou R$ 24,8 bilhões com o programa Bolsa Família. Este ano a cifra pode ultrapassar os R$ 27 bilhões.

• Dez bi a mais
No primeiro ano de governo Dilma os gastos com o Bolsa Família foram de R$ 17,3 bilhões. Em 2013 gastou R$ 7,5 bilhões a mais.

• Monitoramento
A turma do “comitê popular da Copa” denunciou à Anistia Internacional e à OAB que tem sido monitorada e procurada em casa e no trabalho.

• Bateu, levou
O deputado Marco Maia (PT-RS), relator da CPMI da Petrobras, encontrou o colega Fernando Francischini (SDD), que levou uma pizza para a reunião da comissão, e alfinetou: “Lugar de palhaço é no circo”. O deputado oposicionista reagiu na bucha: “E o de ladrão, é na cadeia”.

• Missão impossível
Membros da CPMI da Petrobras defendem obstrução da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias para impedir o recesso no Congresso e manter na ativa a comissão de inquérito. Difícil é os partidos aceitarem.

• Sem dinheiro no balcão
Deputados do PR dizem que o ministro César Borges (Transportes) quer a cabeça do diretor-geral do DNIT, mas eles já não têm o mesmo interesse de antes, porque, em ano eleitoral, o órgão fica “engessado”.

• Nem pensar
Pré-candidato ao governo do Amazonas, o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB) já avisou ao governo que não vê hipótese de oferecer a vaga de vice para o desafeto Alfredo Nascimento (PR-AM).

• Jogou a toalha
O senador João Vicente Claudino (PTB) não aceitou as ponderações feitas pelo ex-presidente Lula em visita ao Piauí, na sexta-feira (13) e manteve a decisão de renunciar à reeleição. A preocupação do PT é que isso fragiliza a candidatura do senador Wellignton Dias ao governo.

• Fio da navalha
O senador Benedito Lira (PP-AL) acha “natural” apoiar Dilma (PT) em Brasília e Eduardo Campos (PSB) em Alagoas. Ele prefere um presidente “comprometido com o Nordeste”.

• Solução
O tucano Aécio Neves pressiona os correligionários Simão Jatene e Cássio Cunha Lima para lançar duas candidaturas ao Senado, no Pará e Paraíba. Aécio prefere a reeleição de Cícero Lucena e Mário Couto.

• Fera ferida
Assessores do Planalto se depararam com o nervosismo da presidenta Dilma após as sonoras vaias e xingamentos na abertura da Copa. “Ela soltou os cachorros com os assessores e ministros”, conta um deles.

• Ingratos
Comentários on-line do jornal Granma torceram pela Croácia, no jogo contra o Brasil. E dizem preferir Alemanha e Uruguai, na Copa.

Panorama político – Ilimar Franco

- O Globo

Suprapartidários
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o presidenciável Eduardo Campos (PSB) acertaram a formação de 40 comitês no estado. Será instalado um em cada uma das 29 regiões administrativas, e os demais na capital. Os comitês “Edualdo” (Eduardo + Geraldo), conta um dos estrategistas do PSB, servirão como QGs, recebendo dissidentes de PSD, PTB e PDT com Dilma.

Caras novas
Dos 27 senadores que terminam seus mandatos este ano, pelo menos 12 não vão disputar a reeleição. Um grupo, do qual fazem parte Pedro Simon (PMDB-RS) e Ruben Figueiró (PSDB-MS), por exemplo, deixa a vida pública por conta da idade. José Sarney (PMDB-AC) ainda não decidiu. Outros perderam espaço nos seus partidos e terão de disputar cargos com menos prestígio. É o caso de Ana Rita (PT-ES), que cederá seu espaço a João Coser, ex-prefeito de Vitória, e terá de disputar a deputada estadual; e de Cyro Miranda (PSDB-GO), que deve perder a vaga para o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).

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“O decreto dos conselhos populares cria um Poder Legislativo paralelo, cujos membros não são eleitos, mas nomeados pela presidente”
Francisco Dornelles
Senador (PP-RJ)
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Eu garanto
O PSD jura que não abandonará a candidatura da presidente Dilma à reeleição, independentemente das negociações com o PSDB, em São Paulo. Para estancar boatos, publicou no site dia da convenção (25) com uma foto de Dilma.

Camarote VIP
O presidenciável Eduardo Campos (PSB) foi convidado a assistir ao próximo jogo do Brasil, terça-feira, na casa de Romário, no Rio. O baixinho, pré-candidato ao Senado pelo partido, chamou um grupo de amigos e políticos para torcer pela seleção na partida Brasil x México. Campos ainda não respondeu ao convite.

Contra-ataque
Incomodados com o veto de tucanos à indicação de Gilberto Kassab como vice de Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo, dirigentes do PSD ameaçam romper composições feitas com o PSDB nos estados

Desandou
O ambiente entre PSB e Rede já foi melhor. A proximidade das convenções, os desacertos entre o partido de Eduardo Campos e o grupo de Marina Silva e a estabilização nas pesquisas deixaram a chapa de mau humor. Pessebistas reclamam que os vetos de Marina estão segurando o crescimento de Eduardo.

Segurando as pontas
O PT delegou aos senadores que não são pré-candidatos a tarefa de acompanhar as matérias em tramitação e discussão no Senado. O restante já está cuidando de suas campanhas nos estados e só voltará depois da eleição.

Enquadrado
Depois de estrilar contra o apoio ao PMDB, sobrou ao PT do Maranhão a indicação do suplente de senador na chapa Lobão Filho ao governo e Gastão Vieira ao Senado. Será Raimundo Monteiro

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A CÚPULA DO PSB não engoliu ação do deputado Glauber Braga de detonar sem combinação a candidatura de Miro Teixeira (PROS) ao governo

Arlindo Cruz: Tatu bom de bola

Ferreira Gullar:O Gol

A esfera desce
do espaço
veloz
ele a apara
no peito
e a pára
no ar
depois
com o joelho
a dispõe a meia altura
onde
iluminada
a esfera
espera
o chute que
num relâmpago
a dispara
na direção
do nosso
coração.