quinta-feira, 24 de julho de 2014

Aécio vai replicar comitês suprapartidários em 6 estados

• No rio, dilma participa de ato na baixada com pezão em resposta aos eventos com o candidato tucano

Silvia Amorim, Carina Bacelar, Cássio Bruno, Fernanda Krakovics, Leticia Fernandes e Marcelo Remígio - O Globo

SÃO PAULO e RIO - O candidato a presidente Aécio Neves (PSDB) vai replicar a tática de criação de comitês suprapartidários, adotada no Rio de Janeiro, em outros seis estados onde tem o apoio de dissidentes do PMDB e do PSB. Para evitar problemas com a Justiça Eleitoral - já que PMDB e PSB apoiam Dilma Rousseff (PT) e Eduardo Campos (PSB), respectivamente, na disputa nacional -, a campanha tucana não usará a imagem de candidatos a governador desses partidos no material de campanha de Aécio. Fará uma distribuição conjunta dos "santinhos". Isso acontecerá em Pernambuco, Ceará, Piauí, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Santa Catarina.

Em São Paulo, Eduardo Campos, que não teve agenda ontem, produziu folhetos com a imagem dele e do governador tucano Geraldo Alckmin. Mas a campanha de Aécio optou pela distribuição casada do material. Ou seja, em Pernambuco, o "santinho" de Aécio será entregue junto com o do candidato a governador Paulo Câmara (PSB), que apoia Campos, mas tem o PSDB em sua coligação no estado. Assim como no Rio, com material de Luiz Fernando Pezão, candidato à reeleição pelo PMDB, e de Aécio. No Ceará, o mesmo se dará com o candidato do PMDB, Eunício Oliveira, e em Santa Catarina, com o governador Raimundo Colombo (PSD).

- Se eles (PSB) estão tirando casquinha do governador Geraldo Alckmin em São Paulo, vamos fazer um trabalho semelhante em outros estados - disse o coordenador geral da campanha de Aécio, senador Agripino Maia (DEM-RN).

Ontem, Aécio se reuniu na capital paulista com o candidato peemedebista ao governo capixaba, Paulo Hartung, e o senador Ricardo Ferraço (PMDB) para acertar a parceria em favor do tucano no estado. Na próxima segunda, o presidenciável fará reunião em um hotel em SP com todos os 27 coordenadores regionais de campanha.

No Rio, nove dos dez prefeitos dos municípios fluminenses com o maior número de eleitores declararam apoio ao movimento "Dilmão", que defende as candidaturas à reeleição de Dilma e Pezão. O "Dilmão" promove hoje um jantar com cerca de 300 convidados em uma churrascaria em São João de Meriti, Baixada Fluminense, como resposta ao lançamento no estado da candidatura a presidente de Aécio, semana passada, em Queimados, também na Baixada. Além de Dilma e Pezão, os organizadores esperam reunir 60 prefeitos, lideranças políticas, deputados federais e estaduais. O evento será o pontapé inicial da campanha de Dilma no Rio.

Segundo o prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso (sem partido), da coordenação do "Dilmão", as nove cidades com prefeitos que apoiam Dilma - Rio, São Gonçalo, Caxias, Nova Iguaçu, Niterói, Campos, Belford Roxo, São João de Meriti e Volta Redonda - são 65% do eleitorado.

- Não estamos preocupados em lotar a churrascaria, queremos mostrar a adesão de prefeitos. Vamos apresentar prestação de contas de Dilma no estado e mostrar a importância da reeleição - disse Cardoso, em alusão ao almoço do movimento "Aezão" que reuniu 1.800 pessoas no Rio.

Para evitar problemas com os demais candidatos ao Palácio Guanabara da base aliada da presidente, a coordenação da campanha de Dilma promoverá eventos com Lindbergh Farias (PT), Marcelo Crivella (PRB) e Anthony Garotinho (PR).

Para minimizar a insatisfação com a presença de Dilma em ato político com Pezão, os demais candidatos foram avisados do jantar com antecedência pela coordenação da campanha. O presidente do PT, Rui Falcão, coordenador geral, virá amanhã ao Rio e terá reuniões com Garotinho, Crivella e com o prefeito Eduardo Paes (PMDB). À noite, ele participará de plenária do PT com Lindbergh.

Em carreata ontem na Maré, Garotinho disse que Dilma deve visitar conjunto habitacional na Zona Oeste ou na Baixada entregue em sua gestão.

- Fui comunicado do encontro ("Dilmão") pelo ministro (Ricardo) Berzoini (Relações Institucionais), que pediu para eu fazer uma agenda. Eu deixei que ela viesse primeiro com o Pezão, para ele explicar a posição dos prefeitos que foram no almoço com o Aécio e, agora, vão num jantar com ela. Precisam dizer com quem estão - ironizou.

Já Lindbergh, visivelmente constrangido com o início da campanha de Dilma no Rio ao lado de Pezão, desejou "sorte" à presidente, durante corpo a corpo em São Gonçalo, na Região Metropolitana:

- Vamos esperar o momento certo para fazer agenda com ela. Não vou ficar nessa picuinha política. Sei ganhar a eleição no meio da rua, conversando com as pessoas. Desejo sorte a ela.

IDH: Brasil perde quatro posições em ranking de qualidade de vida entre 2008 e 2013

• Ritmo de ganhos em desenvolvimento humano desacelerou no mundo, alerta Pnud

Lucianne Carneiro – O Globo

RIO - Apesar de ter avançado para o 79º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no ano passado, o Brasil perdeu quatro posições entre 2008 e 2013, segundo dados divulgados pelo Programa Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

O IDH do Brasil avançou de 0,731 em 2008 para 0,744 em 2013 — quanto mais perto de 1, melhor é a avaliação. A perda de posição no ranking, no entanto, indica que o ganho do Brasil em desenvolvimento humano está mais lento que o de outros países.

Entre 1980 e 1990, o Brasil registrou aumento médio de 1,16% no IDH por ano, ritmo que caiu para 1,10% entre 1990 e 2000 e para 0,67% no período entre 2000 e 2013.

Desaceleração em renda, educação e saúde
Esse movimento do Brasil ocorreu ao mesmo tempo em que a melhoria dos índices de desenvolvimento humano perdeu ritmo no mundo. O Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) 2014 destaca que há sinais de desaceleração nos ganhos de desenvolvimento humano entre as diferentes regiões. E isso ocorre nos três aspectos que compõem a classificação sobre a qualidade de vida: renda, educação e saúde.

Quatro das seis regiões do mundo registraram ganhos mais rápidos em qualidade de vida no período entre 2000 e 2008 que nos anos 90, o ritmo de progresso desacelerou entre 2008 e 2013.

“A desaceleração é evidente nos três componentes do Índice de Desenvolvimento Humano (renda, educação e saúde). O crescimento na Renda Nacional Bruta (RNB) per capita caiu, especialmente nos países árabes, na Europa e na Ásia Central. As taxas de expansão da expectativa ao nascer caíram recentemente na maioria das regiões, principalmente na Ásia, embora tenham avançado na África Subsaariana. E desde 2008 o crescimento da expectativa de escolaridade também desacelerou”, aponta o relatório do Pnud.

Essa desaceleração nos ganhos pode ser percebida também, segundo o organismo da ONU, nos quatro grupos nos quais países estão divididos: muito alto desenvolvimento, alto desenvolvimento, médio desenvolvimento e baixo desenvolvimento. No caso dos países de muito alto desenvolvimento, essa desaceleração ocorreu mesmo antes da crise global.

Para o economista Gianetti, oposição traria recuperação

Alessandra Taraborelli – Brasil Econômico

O fraco crescimento da atividade econômica e a inflação no teto da meta tiram o apetite dos empresários e afastam qualquer possibilidade de investimento de longo prazo, segundo o economista Eduardo Gianetti da Fonseca, para que 2014 é "o ano da paralisia", quando "ninguém vai por a mão no bolso para investir a longo prazo". Durante o 16º Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais, Gianetti disse ser "impossível" o governo arrecadar 40% do PIB em impostos e investir apenas 2%. Para ele, em 2015, o novo governo precisará trazer de volta a credibilidade e a previsibilidade para o investidor.

O economista, ligado a Marina Silva, candidata a vice na chapa de Eduardo Campos à Presidência da República, listou três cenários para quem tomar posse em 2015. Dois, caso a presidente Dilma Rousseff seja a reeleita e um para o candidato da oposição que vencer. Para Dilma, o primeiro é a curva de aprendizagem e o segundo é de que tudo o que foi feito era para evitar uma maior turbulência eleitoral. "No primeiro cenário, o governo reconhece a gravidade dos erros e vai corrigindo, aos poucos, sem choques abruptos. Na segunda opção, as aparentes medidas de mudanças eram apenas para impedir uma maior turbulência durante o período eleitoral. Apertem os cintos", disse.

Considerando a vitória da oposição, o economista afirmou que o único cenário é de uma "forte convergência" em torno da recuperação e dos princípios que vinham norteando a política econômica macro e micro no último mandado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Em 2015, por exemplo, teria que ter movimento corretivo razoável das tarifas represadas. Isso implicaria 1,5% a mais na inflação, o que irá requerer aperto monetário", completou.

Campos cancela agenda desta quinta por morte de Suassuna

Daiene Cardoso - Agência Estado

O candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, cancelou a agenda desta quinta-feira, 24, em virtude da morte do escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna, de 87 anos. Suassuna era casado com Zélia, tia de Renata Campos, mulher do candidato.

Campos já havia cancelado a agenda desta quarta-feira, 23, e permaneceu junto à família no Recife. Ele teria hoje reuniões para discutir o programa de governo, que ainda não foi lançado. O candidato irá ao velório do escritor, marcado para começar nesta noite no Palácio Campo das Princesas, sede do governo pernambucano, e amanhã vai ao enterro no Cemitério Morada da Paz.

"O Brasil perde a maior expressão da cultura popular brasileira. Nós perdemos um amigo, um conselheiro, uma referência de toda a vida", disse na tarde de hoje, logo após o anúncio da morte do escritor. "Ariano para nós é um tio, é um avô, é um pai, é um amigo, é um companheiro. É uma lacuna muito grande. Esta manhã me despedi dele agradecendo tudo o que ele fez por muitas gerações", emendou.

O roteiro da semana previa uma viagem ao Acre nesta quinta-feira. Na sexta-feira, 25, o candidato tem uma entrevista marcada em São Paulo, mas ainda não há previsão se essa agenda será mantida.

O escritor era presidente de honra do PSB. Ele foi internado na segunda-feira, 21, após um acidente vascular cerebral (AVC).

Merval Pereira: Tática agressiva

O governo tem motivos de sobra para comemorar a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de isentar o Conselho de Administração da Petrobras - e, por conseguinte, a presidente Dilma Rousseff, que, na qualidade de ministra-chefe da Casa Civil, o presidia - da responsabilidade pelos prejuízos que denunciou na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Agindo assim, o relator do TCU, ministro José Jorge, assumiu a versão da própria presidente, que admitiu que, se tivesse todas as informações a seu dispor, não autorizaria a compra, que se mostrou um negócio desastroso para a Petrobras.

O problema político criado pelo "sincericídio" da presidente Dilma, que desmontou a tese que vinha sendo defendida pela direção da Petrobras de que a compra fora um bom negócio, não encerra, porém, a questão, pois, por unanimidade, o TCU considerou os 11 integrantes da diretoria da estatal na ocasião da compra como culpados por um prejuízo de quase US$ 1 bilhão - que deverá ser devolvido aos cofres públicos por esses antigos servidores da estatal, entre eles o ex-presidente José Gabrielli e o ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso por lavagem de dinheiro e desvio de dinheiro público.

É claro que, se a presidente Dilma fosse responsabilizada pelo prejuízo, sua candidatura à Presidência da República seria afetada diretamente. Com a culpa sendo jogada para a diretoria da Petrobras, o escândalo continua do mesmo tamanho na gestão petista, o que afeta indiretamente sua campanha, mas, na avaliação do Palácio do Planalto, é uma crise mais fácil de ser manejada, ou, pelo menos, que não foi ampliada.

Aliás, a campanha da presidente Dilma está vivendo um momento em que a preocupação é estancar sua imagem negativa, com o objetivo de chegar a meados de agosto, quando começa a campanha eleitoral pelo rádio e pela TV, a uma distância dos opositores que possa ser ampliada pela campanha propagandística, na tentativa de ganhar já no primeiro turno.

Estancar os sangramentos e, se possível, fazer os adversários sangrarem neste período pré-televisão são os objetivos estratégicos deste momento específico da campanha de reeleição.

Este período, aliás, é fundamental para repercutir as denúncias contra seus adversários, enquanto eles não são muito conhecidos pelos eleitores. Como na propaganda oficial ela terá três vezes mais tempo que o candidato mais próximo, o tucano Aécio Neves, mas a oposição terá espaço no rádio e na televisão para se defender dos prováveis ataques, a artilharia petista está voltada para ampliar a repercussão de acusações, como as do aeroporto de Cláudio, em Minas, por meio das redes sociais e dos blogs oficiais e oficiosos da campanha.

O pedido de investigação ao procurador-geral da República é uma maneira de fazer o caso repercutir nacionalmente, embora pareça apenas uma jogada publicitária, pois o Ministério Público de Minas Gerais já havia investigado o caso a pedido da oposição, e arquivou o processo por não existir irregularidades na desapropriação do terreno para ampliação do aeroporto, que já existia.

Como estratégia de campanha, essa tentativa de encurralar os adversários para retirar o foco da fragilidade do governo parece ser o caminho escolhido pelos governistas, depois do embate entre o grupo do ex-ministro Franklin Martins e o marqueteiro João Santana, que defende uma atuação menos agressiva.

Os fatos, no entanto, fizeram com que o papel das mídias sociais e dos blogs, comandados por Franklin, ganhasse relevo na divulgação de denúncias, e esse, parece, será o tom da campanha, pelo menos enquanto a propaganda oficial não chega.

Dora Kramer: Casca de banana

- O Estado de S. Paulo

Sabe a história da pessoa que atravessa a rua para escorregar na casca de banana do outro lado da calçada?

Pois foi mais ou menos o que fez o presidente do PT, Rui Falcão, ao divulgar uma nota de repúdio à prisão dos aprendizes de terroristas que ameaçavam tocar o terror nas ruas do Rio de Janeiro no dia da partida final da Copa do Mundo.

Costumam ser chamados de "ativistas" por aqueles que pretendem amenizar a natureza puramente violenta de seus atos para legitimá-los como protesto político.

A polícia investigou e descobriu que um grupo daqueles mesmos que já haviam participado de ações de vandalismo - uma das quais resultou na morte do cinegrafista Santiago Andrade - se armava com fogos de artifício (um desses matou o profissional da TV Bandeirantes) e coquetéis molotov para barbarizar o bairro da Tijuca (onde fica o estádio do Maracanã) no dia 12 de junho.

Na véspera, baseada em fundamentado material resultante das investigações, a Justiça decretou a prisão preventiva de vários deles. Graças a isso, o Mundial terminou sem incidentes e pudemos - governo inclusive - comemorar ao menos o êxito fora do campo.

De onde é surpreendente que o partido do governo, o PT, se alie a políticos de legendas como o PSOL e o PC do B na defesa dessa gente que, além da produção da barbárie absolutamente gratuita, não sabe sequer expressar o que quer. O PT teria preferido que os "ativistas" tivessem ficado soltos para levar a termo seus planos?

Como se já não tivesse problemas suficientes com os sinais de desgaste que o partido recolhe no eleitorado, o presidente do PT divulgou a tal nota de repúdio e, portanto, em defesa dos "ativistas". Qualificou a prisão de "grave violação de direitos e das liberdades democráticas".

O procedimento nada teve de ilegal. Baseou-se em investigações feitas com escutas telefônicas legais e prisões decretadas pelo Poder Judiciário. Isso sob o aspecto institucional. Do ponto de vista da sociedade, a nota do PT coloca o partido na contramão da opinião do público, cuja posição já registrada em pesquisas é francamente contrária a essas manifestações, que se confundem com atos criminosos.

Foram elas que inibiram os genuínos protestos da população. Portanto, se alguém violou os direitos e as liberdades individuais foram os vândalos que atacaram o patrimônio público, impediram a sociedade de se manifestar e puseram em risco a vida das pessoas nos incêndios e depredações.

Foi preciso que a lição viesse do estrangeiro, com a negativa do governo uruguaio ao pedido de asilo político feito pela advogada Eloísa Samy, acusada de participar de atos violentos em 2013. O Uruguai, ao contrário do PT, não viu ilegalidade. Recusou o asilo sob a alegação de que o Estado no Brasil é democrático e de direito.

A decisão do País do presidente José Mujica acabou dando ao ministro Gilberto Carvalho a oportunidade de recuar. "O Uruguai agiu corretamente", disse, numa correção de rumo leve ainda a exigir posição mais radical.

Parado no ar. A pesquisa do Ibope retrata praticamente o mesmo cenário registrado pelo Datafolha da semana passada, à exceção de um dado: a situação do empate técnico de Dilma Rousseff com Aécio Neves no segundo turno.

Nesse quesito, a notícia é melhor para a presidente, que na simulação da etapa final ficaria com 41% contra 33% do tucano. No Datafolha os índices de intenções de votos eram de 44% e 40% respectivamente.

Fora isso, há uma repetição: a Copa não teve influência sobre a eleição; Dilma continua favorita, mas uma vitória no primeiro turno é uma hipótese muito difícil; a rejeição da presidente continua alta (36%) e a avaliação positiva do governo, muito baixa (31%).

Governo e oposição seguem contidos no aguardo dos números captados depois do início do horário eleitoral, em 19 de agosto. Não há excesso: de otimismo nem de pessimismo.

Eliane Cantanhêde: O entra e sai na berlinda

- Folha de S. Paulo

Se até aqui Dilma estava na defesa, e Aécio e Eduardo Campos no ataque, agora Dilma sai da berlinda e a oposição entra. Mais uma inversão na balança de uma eleição em tudo emocionante.

Enquanto o TCU livra a cara de Dilma na mal contada compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, Aécio se enrola para explicar uma pista de pouso em Minas, e Campos faz tudo para se descolar de uma tentativa de suborno para o apoio de seu candidato ao governo de Pernambuco.

Isso significa que os candidatos à Presidência vão se embolando num disse que disse, mas Dilma emerge da pior fase das confusões da Petrobras, Aécio mergulha num buraco sem fundo --ou sem versões convincentes--, e ele e Campos resvalam em questões de cunho ético.

Dilma ficou na berlinda porque era presidente do Conselho de Administração da Petrobras quando da compra milionária de Pasadena, que representou um prejuízo altíssimo para a principal empresa brasileira, segundo o próprio TCU. Mas o relator que isentou de responsabilidade os conselheiros, inclusive Dilma, foi José Jorge, pernambucano, ex-PFL e ex-ministro de FHC. Logo, fora de qualquer suspeita. Com isso, a oposição mantém o discurso sobre a Petrobras, mas perde sobre Dilma.

Aécio entrou na berlinda por reagir mal, em nota demasiadamente enxuta e entrevistas balbuciantes, à notícia de que usou quase R$ 14 milhões, quando governador de Minas, numa pista de pouso que lhe serve de acesso a uma fazenda da família. Até ele explicar, se é que pode explicar, qual a serventia para o Estado e quantas vezes pousou lá, em que aeronaves e com quem, vai ficar "sangrando" na mídia.

Campos se vê no meio do mundo nebuloso da palavra de um (a do deputado José Augusto Maia, do Pros) contra outro (a do seu partido, o PSB), sobre compra de apoios.

E a economia, a mão pesada estatal, o desajuste do setor de energia? Ah! Isso é coisa para "a elite branca".

Raquel Ulhôa: Uma nova relação com o Amazonas

• Nova posição de São Paulo pode ajudar Aécio

- Valor Econômico

Se o desgaste de Aécio Neves com o caso do aeroporto construído em terreno de parentes no município de Cláudio (MG) não atrapalhar o roteiro preparado, o PSDB espera para os primeiros dias de agosto a declaração do governador do Amazonas, José Melo (Pros), e do antecessor, Omar Aziz (PSD), de apoio à candidatura do tucano à Presidência da República.

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), só aguarda o anúncio para receber Aécio com um evento "gigantesco", dando a largada da campanha presidencial tucana no Estado onde Dilma Rousseff teve sua maior vitória proporcional no segundo turno da eleição de 2010, com 80% dos votos válidos.

Melo concorre à reeleição e Aziz, ao Senado. São aliados de Dilma, mas fizeram aliança local com o PSDB e mantêm suspense sobre a candidatura presidencial que irão apoiar. O PT optou por coligação com o senador Eduardo Braga (PMDB), candidato a governador.

O engajamento de Arthur Virgílio na campanha da chapa do governador é forte sinal de acordo pró-Aécio. "Quem me conhece sabe que eu jamais me prestaria ao papel de sublegenda da Dilma. O palanque de quem está comigo é de Aécio", diz o prefeito.

Melo e Aziz foram avisados de que Arthur Virgílio não pedirá voto para os dois, se não fecharem palanque para o presidenciável do PSDB. Hoje com uma popularidade próxima aos 80%, segundo pesquisas, Arthur Neto - como é mais conhecido em Manaus - é importante cabo eleitoral no Estado. Sua gestão foi apontada como a mais bem avaliada do país por pesquisa CNI/Ibope divulgada em dezembro de 2013. A capital concentra quase 56% do eleitorado amazonense.

O governador, que aguarda desdobramentos de pleitos do Estado no governo federal, faz declarações dúbias. "A presidente Dilma tem feito muito pelo nosso Estado. Como governador, não posso desconhecer o quanto ela tem sido importante", diz. "Arthur é importante para minha eleição. É muito bem avaliado", afirma em seguida.

Já Omar Aziz tem feito críticas ao governo federal que sinalizam a opção por Aécio. Contrariando compromisso do PT nacional com o ex-governador amazonense, o PT local lançou um candidato - Francisco Praciano - para disputar com ele a vaga no Senado. A cúpula nacional contesta a candidatura de Praciano na Justiça Eleitoral, num esforço para manter a chapa de Melo e Aziz com Dilma.

Aécio conta com um cenário no Amazonas mais favorável ao PSDB do que o de 2010, quando Serra perdeu para Dilma no Estado por uma diferença de quase 1 milhão de votos, o que praticamente neutralizou a vantagem que o tucano obteve no Sul (1,2 milhão de eleitores). Foi o pior resultado de Serra no país.

No primeiro turno, o tucano (com 129.190 votos) perdeu até para a ex-ministra Marina Silva, que disputou a Presidência da República pelo PV. Hoje candidata a vice-presidente na chapa do ex-governador Eduardo Campos (PSB), Marina recebeu, naquela votação, 392.170 votos no Amazonas, ficando em segundo lugar, atrás de Dilma (991.128 votos). Serra terminou o primeiro turno na terceira colocação.

O Amazonas é um Estado tão emblemático para Marina que ela é responsável pela escolha de Marcelo Ramos (PSB), ligado ao grupo Rede Sustentabilidade, para concorrer ao governo.

Outro esforço do PSDB para facilitar a campanha de Aécio em Manaus é tentar livrar o partido do carimbo de inimigo da Zona Franca de Manaus, reforçado principalmente por governos tucanos de São Paulo, que já adotaram várias medidas contra os incentivos fiscais do polo industrial.

Em 2012, em plena campanha de Arthur Virgílio à prefeitura, o governo Geraldo Alckmin propôs ação direta de inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando os benefícios concedidos pela ZFM. O ato foi explorado pelos adversários de Arthur Virgílio em Manaus e provocou rompimento temporário entre ele e Alckmin. Desta vez, o PSDB paulista parece mais flexível, ajudando a campanha de Aécio.

"Eu sou um senador por São Paulo, mas um senador por São Paulo é um senador pelo Brasil também. São Paulo só vai bem quando o Brasil vai bem. E a Zona Franca é um instrumento de desenvolvimento para o nosso país", disse o líder no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), candidato a vice-presidente na chapa de Aécio, na votação da emenda constitucional que prorrogou os incentivos fiscais da Zona Franca por mais 50 anos. Unificada por Aécio, toda a bancada votou a favor.

E o governo paulista pode ajudar ainda mais, segundo Arthur Virgílio. O prefeito participa ativamente de negociações entre os governos do Amazonas e de São Paulo para construção de um acordo em torno das alíquotas para bens de informática produzidos na Zona Franca. Se confirmado, o entendimento acabará com uma antiga pendência entre os dois Estados.

A ideia é que o governo paulista concorde em dar isonomia aos produtos de informática da Zona Franca. Hoje o ICMS dos bens de informática é de 12%, mas os bens produzidos na ZFM são taxados em 18%. A redução da carga tributária vai aumentar a competitividade dos produtos da Zona Franca.

No dia 16, enquanto aguardava a votação da emenda constitucional prorrogando os benefícios da Zona Franca no Senado, Arthur Virgílio participou de reunião no gabinete do deputado federal Pauderney Avelino (DEM-AM), em Brasília, com representantes da Suframa e das secretarias da Fazenda do Amazonas e de São Paulo.

Para o prefeito de Manaus, o gesto do governo Alckmin afastaria quaisquer desconfianças dos amazonenses contra o PSDB e fortaleceria o discurso de Aécio no Estado. Se tudo der certo, a ideia dos tucanos é que o acordo seja anunciado no Amazonas e não em São Paulo, onde não teria o mesmo efeito eleitoral.

"Meu trabalho vai ser dar uma votação expressiva para o Aécio lá. Se empatar [com Dilma] já é ótimo. Se perder de pouco, é ótimo. Se ganhar, é glorioso", afirma Arthur Virgílio.

Luiz Carlos Azedo: O "estado da arte"

• As pesquisas mostram um copo pela metade: para os governistas, estaria quase cheio, mais favorável à reeleição. Para a oposição, quase vazio, com os rivais na cola de Dilma

- Correio Braziliense

Na língua dos tecnocratas, "estado da arte" indica o ponto em que um determinado projeto técnico se torna um produto em si. A expressão foi utilizada pela primeira vez no manual de engenharia do norte-americano Henry Harrison Suple, intitulado Gas Turbine, e significa que um determinado projeto chegou ao limite do seu desenvolvimento. Às vezes, a expressão é utilizada para registrar um determinado momento de evolução do projeto, e não a sua conclusão, o que é um erro de conceito.

Digamos que a construção das candidaturas à Presidência da República chegou ao "estado da arte" na verdadeira acepção do conceito. É mais ou menos o que as últimas pesquisas deixaram claro. O Ibope divulgado pelo Jornal Nacional mostra Dilma Rousseff (PT) como favorita, com 38% das intenções de voto; Aécio Neves (PSDB) em segundo, com 22%; e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) em terceiro, com 8%. Dilma também lidera as simulações de segundo turno: vence Aécio por 41% a 33%; e Campos, por 41% a 29%.

Na recente pesquisa Datafolha, que já abordamos aqui, porém, Dilma aparecia com 36% no primeiro turno; Aécio com 20%; e Campos, 8%. A petista também liderava as simulações de segundo turno, mas aparecia em empate técnico com Aécio (44% a 40%); e com pequena diferença em relação a Campos (45% a 38%), considerando-se a margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A grande transferência de votos para a oposição, do primeiro para o segundo turno nessa pesquisa, levantou muita polêmica, que foi corroborada, agora, pela diferença, a menor apresentada pelo Ibope. Ainda falta uma pesquisa de cada instituto antes de começar o horário eleitoral gratuito de rádio e tevê, para fazer o tira-teima.

A largada
Digamos que o "estado da arte" seja um "tipo ideal" para registrar que os candidatos à Presidência chegaram ao limite de arregimentação de forças políticas e estruturas de poder antes da propaganda na tevê. Nesse aspecto, Dilma dispõe do apoio da máquina federal, alguns governos estaduais e grande leque de partidos na coalizão.

Candidata à reeleição, terá o maior tempo no horário eleitoral gratuito, que começa em 19 de agosto. Serão 11 minutos e 48 segundos, contra 4 minutos e 31 segundos de Aécio e 1 minuto e 49 segundos para Eduardo. Nas inserções com 30 segundos de duração, terá 123, contra 50 e 22, respectivamente, de Aécio e Eduardo. Vale registrar que o programa dela será ancorado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu criador e tutor político.

Então, o que complica a eleição de Dilma? Em primeiro lugar, a avaliação do governo e a maneira de administrar o país. Segundo o Ibope, 31% julgam o governo como bom ou ótimo; 36%, regular; e 33% o consideram ruim ou péssimo. A maneira de Dilma governar é aprovada por 44% e desaprovada por 50%. No Datafolha, o governo tem apenas 32% de aprovação, 38% de regular e 39% de ruim ou péssimo. E o índice de rejeição de Dilma é de 35%, contra 17% e 12% de Aécio Neves e Eduardo Campos, respectivamente.

Como há um desejo de mudança disseminado, que atinge mais de 70% da população, a variável mais imponderável do processo eleitoral é a situação da economia, que bate às portas da recessão. Se o governo não reverter esse cenário, o impacto no debate eleitoral e nas pesquisas de intenção de voto será negativo para Dilma.

O tucano Aécio Neves, que conta com forte apoio nos estados de Minas, São Paulo, Paraná e Pará, chegou aonde poderia por meio apenas dessas estruturas de apoio e das alianças que amealhou. Seu avanço dependerá da evolução da economia e da campanha eleitoral propriamente dita, mas não há paridade de armas por causa do tempo de televisão.

O mesmo raciocínio vale para Eduardo Campos, cuja candidatura se sustenta em alguns governos estaduais — Pernambuco, Paraíba, Piauí, Espírito Santo e Amapá — e numa coligação frágil. A incógnita é a capacidade de transferência de votos da vice Marina Silva nos grandes centros urbanos do Sul Maravilha.

A eleição presidencial no Brasil, porém, costuma se decidir quando a grande massa de eleitores entra no processo, nas duas últimas semanas de campanha, e começa a avaliar as propostas e o perfil dos candidatos, bem como de suas alianças locais. É aí que foge ao controle das estruturas de poder e das máquinas partidárias.

Considerando-se apenas o "estado da arte", é a tal história: Dilma manteve o favoritismo, mas falta combinar com os eleitores. As pesquisas de opinião, como se costuma dizer, são retratos do momento. O que mostraram até agora é uma espécie de copo pela metade: para os governistas, estaria quase cheio e, portanto, mais favorável à reeleição da petista; para a oposição, quase vazio, com Aécio e Eduardo na cola da petista.

O tempo de televisão será suficiente para Dilma mostrar as realizações de governo, com certeza, mas isso não será o bastante se a economia se agravar. E, para os candidatos de oposição, será razoável para que apresentem alternativas para o país. No segundo turno, o tempo de televisão é igual para os dois finalistas. Por isso, Dilma faz um "tour de force" para evitá-lo, mas isso faz parte do "estado da arte".

Jarbas de Holanda: O 2º turno presidencial à frente e a guerra política em que será travada

A pesquisa do Ibope que começou a ser divulgada ontem à noite confirmou, com pequenas variações, dados básicos da processada pelo Datafolha logo após a Copa da Fifa, a respeito da disputa pelo Palácio do Planalto: queda da avaliação do governo, aumento da rejeição da presidente/candidata Dilma Rousseff e progressiva redução da vantagem dela sobre Aécio Neves no 1º turno e no 2º. Quanto à referida avaliação, no Datafolha a taxa de ótimo/bom caiu para 32% e a de ruim/péssimo cresceu para 29%, ao passo que no Ibope a negativa suplanta a favorável por 33% a 31%. A respeito do índice de rejeição, o da candidata governista chega a 35% na primeira pesquisa e se eleva a 36% na segunda, em comparação ao de 16% de Aécio e de 9% de Eduardo Campos. E ambos os levantamentos constatam a erosão da distância entre ela e seu principal adversário no 1º turno (no Datafolha, de 38% a 20% no começo de julho, e de 36% a 20% quinze dias depois, e no Ibope, de 40% a 20% em junho, para 38% a 22% agora). Assim como indicam uma evolução para igualdade entre o total das intenções de voto em Dilma e a soma das correspondentes aos demais candidatos. Apontando para o 2º turno entre ela e o adversário mais votado – no Datafolha já configurado um empate técnico no qual Dilma teria 44% contra 40% de Aécio, e no Ibope os dois ainda distanciados por 8 pontos, 41% a 33%, em vez de 43% a 24% na pesquisa de junho.

Tal empate, destacado nas manchetes sobre a pesquisa do Datafolha, e o progressivo encaminhamento para ele projetado pela do Ibope (um e outro tratados como possíveis de repetir-se se o concorrente da presidente for Eduardo Campos) reorientam a campanha reeleitoral de Dilma para um esforço concentrado no sentido de evitar a incerteza, crescente, de um embate a dois no 2º turno de 26 de outubro (com tempo igual no rádio e na televisão e confronto em debates dos quais um só poderá fugir com custoso desgaste), por uma vitória logo no 1º, três semanas antes.

Essa troca de prioridade, porém, é muito dificilmente viabilizável. Porque o equilíbrio já existente entre as intenções de voto em Dilma e as da soma dos outros candidatos tende a romper-se em desfavor dela em face do aumento de todos – que ocorrerá, mesmo que seja pequeno – dos índices de votos em Aécio e Campos, bem como nos dos chamados nanicos, entre os quais Luciana Genro, do PSOL, e Eduardo Jorge, do PV (os dois e mais quatro com apenas 1% até agora). E, em especial, o pastor Everaldo, em favor de quem desenvolve-se ampla aglutinação das lideranças evangélicas de maior peso representativo, que tem potencial para dobrar o índice de 3% que lhe tem sido atribuído nas pesquisas. Sem que nada disso deva afastar Dilma da liderança da disputa, mas reforçando o cenário do 2º turno. Até porque os concorrentes competitivos (e também os outros) terão enfim – apesar da grande superioridade de que Dilma disporá no horário “gratuito” – acesso a rádio e televisão, quase monopolizado até agora pela presidente/candidata e pela enorme publicidade de estatais.

Por isso, e porque ao longo dos próximos meses continuarão manifestando-se e agravando-se os efeitos políticos e sociais da piora em curso dos vários indicadores da economia, tem muito baixa ou nenhuma possibilidade de sucesso a aposta numa vitória de Dilma no turno inicial da disputa. A essa frustração devendo seguir-se uma intensa mobilização e do governo e do lulopetismo em torno da batalha do 2º turno. Que deverá começar com forte empenho do ex-presidente Lula para dividir e antagonizar os dois principais candidatos anti-Dilma. E que será desenvolvida num clima de exacerbada radicalização social (pobres contra ricos). Com um possível ingrediente a mais: a atração (que será tentada pela campanha reeleitoral para compensar o desgaste do petismo) de “movimentos sociais” como os dos Sem Teto e o Passe Livre para reforço das denúncias de desmonte dos programas assistencialistas no caso de derrota de Dilma. Atração já ensaiada pelo decreto que instituiu os “conselhos populares” (que provavelmente será rejeitado pelo Congresso).

Jarbas de Holanda é jornalista

João Feres Júnior: As alianças e o voto

- O Globo

Alianças políticas são um poderoso instrumento de construção de maiorias consistentes em regimes democráticos. Nas eleições, elas aglutinam plataformas, facilitando assim a informação do público eleitor.

Se tomarmos, contudo, as alianças políticas que estão sendo feitas para as eleições de 2014, o quadro parece se afastar dessa imagem ideal. No plano do executivo federal, o quadro é bem coerente para o eleitor: uma candidata da situação, que está em primeiro lugar nas pesquisas, com um candidato da oposição em segundo lugar, com algo em torno de metade das intenções de votos do primeiro, e uma terceira força com aproximadamente metade das intenções do segundo colocado. Até os partidos e alianças na liderança da corrida se repetem há várias eleições.

Essa clareza e estabilidade não se verificam nos pleitos estaduais. Tomemos como exemplo os dois principais estados da Federação, Rio de Janeiro e São Paulo. No Rio, pelo menos quatro candidatos querem partilhar palanque com Dilma Rousseff, do PT: Garotinho, Pezão, Crivella e Lindbergh Farias. Parte significativa do PMDB, contudo, apoia Aécio Neves, do PSDB, principal contendor de Dilma, e também apoia Cesar Maia, do DEM, para o senado. Lindbergh Farias, candidato do PT ao governo do estado, coligou-se com o PSB e vai dividir palanque com Romário, candidato a senador e crítico acerbo do governo Dilma.

Em São Paulo, as coisas não são menos confusas. O candidato ao governo pelo PMDB, Paulo Skaf, é forte opositor da gestão do PT na prefeitura da capital do estado. Frente à baixa popularidade até agora alcançada pelo candidato petista ao governo, Alexandre Padilha, a campanha de Dilma precisa do palanque de Skaf, que, entretanto, mostra-se reticente a aderir, com medo de ser contaminado pela rejeição da candidata em São Paulo. No front do PSDB também há problemas. O candidato ao governo, Geraldo Alckmin, aceitou o apoio de Eduardo Campos, do PSB. Marina Silva, a vice de Campos, rejeita a aliança e exigiu que seu nome e foto fossem retirados do material de publicidade da chapa "Edualdo", que traz Eduardo e Geraldo juntos. Eduardo, contudo, segue firme na aliança.

E o eleitor, como fica? Sem dúvida, mais confuso. É mais difícil entender as plataformas e posições dos partidos e candidatos se suas associações são de natureza diversa quando não amorfa ou contraditória. O ideal seria que o Congresso Nacional fizesse uma reforma política que pudesse melhor estruturar a competição partidária nos diversos planos da Federação.

Pesquisas recentes apontam para uma maior desesperança da população na política e em suas instituições. O quadro das alianças regionais só pode contribuir para aumentar essa desesperança. E a culpa é das regras do jogo que permitem que eles assim ajam. Essas regras precisam mudar. Só com coligações verticalizadas podemos emprestar maior coerência ao voto e fortalecer os partidos, dando-lhes uma fisionomia mais clara aos olhos do eleitorado.

João Feres Junior é professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos

Painel :: Bernardo Mello Franco (interino)

- Folha de S. Paulo

Você me abandonou
O PT do Rio é um pote até aqui de mágoa com Dilma Rousseff. Aliados de Lindberg Farias estão revoltados com o que chamam de boicote à sua candidatura ao governo do Estado. A presidente, que evita aparecer ao lado do senador, jantará hoje com o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e prefeitos aliados. O encontro será em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, reduto eleitoral de Lindberg. Os petistas veem a escolha da cidade como "provocação" do Planalto.

Olha o bico dele Os petistas dizem que o PMDB já embarcou no voto "Aezão" e está comprometido com o tucano Aécio Neves. "Só a campanha da Dilma não vê que o apoio do Pezão é falso", diz o presidente estadual do partido, Washington Quaquá.

Não é o Baixinho Para o PT fluminense, as críticas de Romário (PSB-RJ) a Dilma têm sido usadas como pretexto para justificar a preferência pelo peemedebista. O ex-craque é candidato ao Senado na chapa de Lindberg.

Lista tríplice O presidente nacional do PT, Rui Falcão, vai se reunir amanhã com o candidato do partido no Rio. Mas também falará com seus rivais Anthony Garotinho (PR) e Marcelo Crivella (PRB).

Jogando contra A cúpula do PMDB identificou pressão para que prefeitos do partido faltem ao jantar com Dilma. O presidente estadual da sigla, Jorge Picciani, é o líder do movimento "Aezão".

Clube do bolinha Na corrida ao Senado, Romário é franco favorito entre os eleitores do sexo masculino. Ele atinge 38% das intenções de votos dos homens, contra 22% de Cesar Maia (DEM). Entre as mulheres, o ex-prefeito é quem vence: 25% a 21%.

Geração tetra O ex-craque tem seu melhor desempenho entre entrevistados de 25 a 34 anos, com 36% no Datafolha. Esses eleitores eram crianças quando ele foi eleito o melhor jogador do mundo e ergueu a Copa de 1994.

Sonho meu Azarão na disputa entre Romário e Cesar Maia, o pedetista Carlos Lupi espera ter apoio de Dilma, que o demitiu do Ministério do Trabalho na "faxina" de 2011. "Não que eu seja grande coisa, mas meus adversários são piores...", diz.

Depois cresce Na reunião de terça-feira com partidos aliados, Dilma reconheceu o cenário difícil para a economia até o fim do ano, mas estabeleceu como meta de um eventual segundo mandato uma expansão do PIB de 2,5% a 3% ao ano.

Lavradora A presidente disse que a prioridade até dezembro é plantar sementes para os próximos quatro anos, mantendo emprego e inflação dentro das metas.

Balcão O comitê de Dilma reunirá hoje líderes regionais de 22 Estados. Foram convidados prefeitos de capitais como Porto Alegre, Goiânia, Fortaleza e Macapá.

Não é com ele Aliados de Eduardo Campos (PSB) repetiam ontem que o relato do deputado José Augusto Maia (Pros) sobre oferta de propina para apoiar seu aliado Paulo Câmara (PSB) é "questão local" de Pernambuco.

Nem com a gente Na contramão da campanha presidencial, aliados de Câmara diziam que a negociação com o Pros foi conduzida pela bancada do PSB no Congresso, e não por líderes locais.

Sambista de toga Após libertar os 23 ativistas acusados de planejar protestos violentos, o desembargador Siro Darlan citou no Facebook o Hino da Proclamação da República: "Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós". No Rio, o refrão é mais lembrado pelo samba da Imperatriz Leopoldinense em 1989.

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Tiroteio
"Políticos oferecendo dinheiro uns aos outros em troca de apoio nas eleições? Que coisa, parece até que nós estamos no Brasil..."
DE CLAUDIO WEBER ABRAMO, diretor-executivo da Transparência Brasil, sobre acusação de José Maia (Pros-PE) de propina para apoiar o PSB em Pernambuco.
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Contraponto
Sem bola de cristal

Ariano Suassuna, que morreu ontem no Recife, era amigo e eleitor de Eduardo Campos (PSB). Prometia ajudá-lo na campanha, mas não se arriscava a fazer previsões eleitorais. Em 2013, o jornalista Fabio Victor quis saber se ele via chance concreta de o afilhado se eleger.

--Isso eu não sei não --desconversou o escritor, lembrando o dia em que um repórter pediu ao compositor Capiba que previsse o resultado de jogo do Santa Cruz.

--O jornalista perguntou: "E qual vai ser o placar?". Aí ele disse: "Me telefone segunda-feira". Me telefone no dia seguinte à eleição que eu digo!

Panorama Político :: Ilimar Franco

- O Globo

FH no centro do ringue
A campanha da presidente Dilma à reeleição apostará na comparação entre os oito anos do governo FH e os 12 anos da gestão Lula-Dilma. A estratégia foi revelada aos aliados na reunião do Alvorada. Mas a campanha de Aécio Neves (PSDB) não pretende esconder FH, como fizeram Serra e Alckmin. Deve reafirmar a política de privatizações e de concessões, visando fortalecer a iniciativa privada.

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"O Fernando Henrique é uma referência para Aécio Neves. Ele é o modelo do que queremos fazer. Não vamos escondê-lo como em outras campanhas"
José Agripino, senador (RN), presidente do DEM e coordenador da campanha de Aécio Neves.
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OAB: um dia depois do outro
A OAB do Rio participa dos protestos contra a prisão de 23 pessoas que, segundo investigação documentada da Polícia Civil, pretendiam promover atos violentos. E a Comissão Estadual da Verdade critica o vazamento de informações da Operação FireWall, que motivou a ação policial. Mas a postura da entidade e da Comissão mudam quando se trata do atentado contra a OAB do Rio, em agosto de 1980. As polícias Federal e Civil apanham até hoje por não terem, de fato, identificado os responsáveis por aquele ato violento, que causou a morte da senhora Lyda Monteiro. A vida não é justa. A polícia é colocada no pelourinho quando age ou quando se omite.

O capital
Além da aproximação com os evangélicos, aliados da presidente Dilma sugeriram que ela melhore sua interlocução com os empresários, onde há muita resistência à sua candidatura.

Modelo uruguaio
Candidata do PSOL ao Planalto, Luciana Genro concluiu monografia de pós-graduação em Direito Penal sobre "O fracasso da guerra às drogas". Nas conclusões, ela defende a "descriminalização das drogas, começando pela maconha, de menor potencial lesivo e com maior aceitação social". A proposta consta de seu programa de governo.

Debaixo do tapete
Nem o PT nem o PSDB acreditam no potencial de Eduardo Campos (PSB) e muito menos na alavancagem de Marina Silva (Rede). A tática do momento é não hostilizar o socialista, na expectativa de ter seu apoio no segundo turno.

Lula, o cabo eleitoral
Azarão na disputa pela vaga ao Senado do Rio, o presidente do PDT, Carlos Lupi, ficou esfuziante quando a presidente Dilma, voltando-se para seu vice, Michel Temer, disse: "O nosso candidato é o Lupi". O trabalhista espera receber, esta semana, gravação do ex-presidente Lula que ele vai usar na abertura de seu programa eleitoral na TV.

Traduzindo o clima
O vice Michel Temer articula agenda de Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo paulista, com a presidente Dilma. Quanto a rejeição à Dilma, Temer diz que ela vem de eleitores que já votam no PSDB do governador Geraldo Alckmin.

A guerra regional
O TRE do Maranhão rejeitou pedido liminar do candidato ao governo Lobão Filho (PMDB) para impedir que seu adversário, Flávio Dino (PCdoB), use as imagens da presidente Dilma em seu comitê. O PMDB e o PCdoB apoiam a presidente.
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A secretária-executiva da SAE Suzane Dieckmann nega conflito com o general G. Dias, que será nomeado para a Secretaria Geral da Presidência.

Brasília-DF :: Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

O motivo do mau humor
Está explicado o porquê da má vontade da base aliada para com a campanha em prol da reeleição da presidente Dilma Rousseff, especialmente, do PMDB. Como na maioria das vezes, tem dinheiro no meio. As contas feitas pelo partido indicam que o saldo a liberar de emendas dos anos anteriores chega a R$ 1,3 bilhão de um total de R$ 1,6 bilhão. Pagaram até julho R$ 271 milhões em emendas dos peemedebistas.

Essa represa aos restos a pagar de emendas peemedebistas é vista como o maior indício de que os petistas agem deliberadamente para tentar derrotar o PMDB nos estados. Não é à toa que, no Rio de Janeiro, por exemplo, o Aezão (apoio do governador Luiz Fernando Pezão a Aécio) ganha fôlego entre os parlamentares da legenda.

Nem vem...
O presidente do PMDB de Minas Gerais, Toninho Andrade, reuniu os deputados federais e prefeitos para cobrar fidelidade ao PT, de Fernando Pimentel e Dilma Rousseff. Descobriu que a maioria não deseja sequer os "santinhos" em conjunto com os petistas que concorrem a cargos majoritários.

...Que não tem
Até aqui, Toninho Andrade não conseguiu convencer ninguém a mudar a estratégia. Os deputados federais disseram que não estão dispostos a correr riscos de perder a eleição para ajudar Fernando Pimentel ou Dilma. A maioria dos prefeitos continua aecista e, por tabela, os deputados.

Precedente
Depois que o Tribunal de Contas da União tirou os integrantes do conselho de administração da Petrobras do processo envolvendo a refinaria de Pasadena (EUA), ficou para muitos no governo e fora dele a sensação de que qualquer um pode ser nomeado para essas funções. Do quitandeiro (com todo respeito às quitandas) a um grande executivo. Afinal, ninguém é responsável pelas decisões, ainda que equivocadas.

Na labuta eleitoral
O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, passou horas reunido com o presidente do PCdoB, Renato Rabelo. No fim da tarde, foi a vez do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha. Embora ninguém assuma publicamente, Mercadante é hoje um dos coordenadores políticos da campanha petista, praticamente empatado com Rui Falcão. Os dois só perdem para Lula.

No estaleiro/ O líder do PR, Bernardo Santana, está em ponto de desistir da campanha pela reeleição por problemas cardíacos. A família insiste para que ele se dedique a cuidar da saúde.

Segura o Vitalzinho!/ O PT vai insistir na intervenção do partido na Paraíba. Tudo para não perder o apoio do senador Vital do Rêgo Filho (foto), que preside as duas CPIs da Petrobras. É consenso na Casa que o colegiado só vai pegar depois da eleição.

Solta o Marco Maia!/ Os petistas, entretanto, querem o relator da CPMI, deputado Marco Maia, solto no Rio Grande do Sul fazendo campanha pela reeleição da presidente. Afinal, a CPI só vai esquentar mesmo depois da eleição.

Funcionários em alerta/ Enquanto a campanha rola nos estados, os assessores dos partidos de oposição e do governo vão ficar de plantão analisando os documentos que chegaram à CPI. Sabe como é, vai que tem alguma coisa capaz de interferir em algum resultado eleitoral.

Diário do Poder :: Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• Oposição centra fogo em Cerveró no caso Petrobras
De olho no estrago eleitoral que o escândalo da Petrobras poderá causar à reeleição da presidenta Dilma, partidos de oposição decidiram voltar a centrar fogo em Nestor Cerveró, diretor internacional da estatal na época da compra da velha refinaria de Pasadena (EUA). O ex-diretor foi tomado por bode expiatório pelo Planalto e está entre os condenados ontem pelo TCU a devolver US$ 792 milhões pelos prejuízos causados ao erário.

• Homem-bomba
Cerveró chegou a avisar a membros da CPMI ter interesse em abrir o bico, mas recuou. A aposta é que agora ele já não tem para onde correr.

• O dia D
Acusado pelo Planalto de redigir “parecer falho”, que teria induzido a erro a presidenta Dilma, Cerveró vai depor na CPMI no dia 13 de agosto.

• Déjà vu
O líder do SD, Fernando Francischini (PR), acredita que Cerveró corre o risco de pagar pelos pecados alheios e “virar um Marcos Valério da vida”.

• Pode se redimir
Para Rubens Bueno (PR), líder do PPS, o TCU isentou Dilma, mas terá nova chance para cumprir a lei na Tomada de Contas Especial instalada.

• Anac se omite e empresas abandonam o pudor
Empresas aéreas agora embolsam dinheiro da clientela sem o menor pudor. Um casal de Brasília comprou passagens de ida e volta para o final da Copa do Mundo, mas chegou ao Rio antes, por outro meio. A TAM cancelou o retorno sem avisar e não devolveu o dinheiro. Por que? “Normas da empresa”, disse o funcionário, frio como um cadáver. O casal ludibriado teve de comprar outros bilhetes de volta para casa.

• Impunidade
A TAM embolsou a grana das passagens adquiridas 3 meses antes da final da Copa, e o dinheiro dos novos bilhetes. Ninguém foi preso.

• Amigas do alheio
As empresas aéreas alegam cinicamente que clientes perdem direito a restituição de passagens compradas em promoção. A Anac nada faz.

• Inutilidade
O casal de Brasília tentou se queixar da Anac contra a TAM, mas foi inútil. A Agência Nacional de Aviação Civil não aparece em aeroportos.

• Licença programada
O presidenciável Aécio Neves (PSDB) não quer dar margem a críticas e já prepara o discurso para despedida do Senado no dia 5 de agosto. Assumirá a cadeira o suplente Elmiro Alves do Nascimento (DEM-MG).

• Jogo duplo
Coordenador da campanha de Aécio Neves, o presidente do DEM, José Agripino, ficou de defenestrar do comando do Nordeste o vice-governador Thomaz Nonô, que estaria jogando também com Eduardo Campos (PSB)

• Paga pra ver
O presidenciável Eduardo Campos (PSB-PE) apostou com prefeitos, em ato na Zona da Mata Sul, no sábado (19), que o socialista Paulo Câmara terá um milhão de votos a mais que Armando Monteiro (PTB) ao governo.

• Dentro dos conformes
O MEC esclarece que a licitação aberta nesta quarta (23) para contratar empresa de eventos obedece a todos os procedimentos legais. Em nota, o ministério informou que os dados estão disponíveis no site Comprasnet.

• Ciumeira
A cúpula do PMDB colocou na conta da Câmara o vazamento da notícia de que receberia R$40 milhões do PT. Segundo dirigentes, os deputados estão inseguros com o estreitamento das relações do Senado com Dilma.

• A origem
O PMDB suspeita ainda que a história dos R$ 40 milhões tenha sido alimentada pelo próprio presidente do PT, Rui Falcão, para já inviabilizar uma eventual doação e estimular a briga da Câmara com o Senado.

• Só na promessa
Prefeitos se dizem enganados por Cid Gomes (CE), que teria prometido R$ 140 milhões em troca de apoio a Camilo Santana (PT), mas cancelou os convênios assinados após 5 de julho, como manda legislação eleitoral.

• Rir é o remédio
A repercussão nas redes sociais do encontro entre a presidenta Dilma e executivos da Tim foi bem-humorada. Internautas avaliaram que tal como a petista nas pesquisas, ligações da operadora continuam só caindo.

• Apatia geral
O PSOL e o PV identificaram que o principal desafio nesta eleição será convencer o eleitor qualificado – do dito voto de opinião – a votar.

Morre aos 87 anos o escritor Ariano Suassuna, o cavaleiro do sertão

• Autor paraibano foi vítima de uma parada cardíaca, em Recife, onde viveu a maior parte de sua vida

O Globo

RIO - O escritor paraibano Ariano Suassuna morreu às 17h28m desta quarta-feira, aos 87 anos, vítima de uma parada cardíaca provocada pela hipertensão intracraniana. Ele estava internado no Real Hospital Português, em Recife, Pernambuco, desde segunda-feira, depois de sofrer um acidente vascular cerebral hemorrágico. O autor passou por uma cirurgia de emergência, acabou entrando em coma e não resistiu. Integrante da Academia Brasileira de Letras, Suassuna teve seis filhos e 15 netos. Defensor da cultura popular brasileira, era um dos maiores dramaturgos do país, além de autor de romances e poemas.

O velório começou pouco antes das 23h desta quarta-feira no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo do estado de Pernambuco. Ariano Suassuna será enterrado às 16h de quinta-feira no Cemitério Morada da Paz, no município de Paulista, região metropolitana de Recife.

No dia 21 de agosto do ano passado, ele foi atendido no mesmo hospital por causa de um infarto, “com comprometimento cardíaco de pequenas proporções”. Uma semana depois, passou mal e voltou a ser internado, sendo submetido a uma arteriografia para corrigir um aneurisma que vinha lhe provocando fortes dores de cabeça.

Nascido em 16 de junho de 1927 em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, capital da Paraíba, Ariano Vilar Suassuna era filho de João Suassuna, então governador de seu estado natal. Com o fim do mandato, um ano depois, toda a família se mudou para o interior.

O velho contador de histórias do sertão tinha apenas 3 anos quando um fato trágico marcou sua infância. No desenrolar da Revolução de 1930, um pistoleiro de aluguel assassinou seu pai com um tiro pelas costas, numa rua do Rio de Janeiro.

O assassinato foi motivado por boatos que apontavam o patriarca da família Suassuna como mandante da morte de João Pessoa, seu sucessor no governo, fato que serviu de estopim para a revolução. Um ambiente assim, com dívidas de sangue e rivalidade entre famílias, cobrava dos órfãos a vingança. Mas, um dia antes de ser assassinado, João Suassuna deixou uma carta aos nove filhos pedindo que eles não se tornassem assassinos por sua causa.

Uma biblioteca de herança
Ariano Suassuna obedeceu. Em vez disso, dizia estar perto de perdoar os criminosos que mataram seu pai. A mãe e viúva também ajudou, ao dizer que o pistoleiro responsável pelo crime já havia morrido (era mentira). Com a tragédia, a família mudou-se para a pequena cidade de Taperoá, no interior da Paraíba. E Ariano herdou a biblioteca do pai, onde encontrou livros importantes para sua formação. Um dos mais importantes, sem dúvida, foi “Os sertões”, de Euclides da Cunha. A obra lhe apresentou um dos personagens que mais marcaram sua vida: Antônio Conselheiro, profeta e líder de Canudos.

Em 1942, Suassuna foi para Recife concluir o ensino básico. Anos depois, na faculdade de Direito, ajudou a fundar o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, encenou sua primeira peça: “Uma mulher vestida de sol”. Nove anos depois, levaria aos palcos seu texto mais conhecido, “Auto da Compadecida”, que ganharia adaptações na TV e no cinema.

Por causa do teatro, deixou o Direito de lado seis anos após ter se formado. O romance surgiu mais tarde em sua vida. Em 1971, Ariano Suassuna lançou seu “Romance d’a pedra do reino e o príncipe do sangue vai-e-volta”, com nome comprido como seus cordéis tão adorados e pensado para ser uma trilogia. Com o livro, o escritor avança em relação à literatura regionalista dos anos 1930, representada por João Guimarães Rosa e José Lins do Rego. Mais tarde, Ariano Suassuna diria que “A pedra do reino” era, de certa forma, uma tentativa de trazer seu pai de volta à vida.

Havia quem acusasse o escritor de lutar contra moinhos de vento: o escritor se apresentava como um defensor da cultura popular brasileira, contra a invasão da indústria cultural norte-americana. Falava mal de Madonna e Michael Jackson. Não à toa, quando foi secretário de Cultura do governo Miguel Arraes, nos anos 1990, tornou-se um ferrenho opositor do maracatu eletrônico e do manguebeat. Ele se recusava, por exemplo, a chamar Chico Science, o vocalista da Nação Zumbi, pelo nome artístico. Dizia “Chico Ciência”.

A defesa da cultura nacional, que muitas vezes lhe rendeu o rótulo de xenófobo, já vinha no sangue e no nome da família. Na onda nacionalista depois da Independência, em 1822, vários brasileiros adotaram nomes indígenas. Seu bisavô Raimundo Sales Cavalcanti de Albuquerque escolheu Suassuna, de origem tupi, e nome de um riacho da região onde a família vivia. Nos anos 1970, fazendo jus ao nacionalismo da linhagem, Ariano fundou o Movimento Armorial, que defendia a criação de uma cultura erudita com bases na cultura popular — e toda a sua obra orbita em torno desse ideal.

Em 1989, o sertanejo foi eleito para a cadeira de número 32 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono era Araújo Porto-Alegre. Sexto ocupante da cadeira, Suassuna nunca foi um imortal de frequentar os eventos da instituição. Era uma espécie de filho pródigo da ABL.

Nova obra vinha sendo escrita há mais de 20 anos
Para além de sua obra, o escritor paraibano ficou famoso também por dar aulas em que dissecava a cultura brasileira, as suas origens ibéricas, a tradição dos violeiros, dos cantadores, das rabecas, dos cordéis. Eram aulas-espetáculo. E a última foi na sexta-feira passada, no 24º Festival de Inverno de Garanhuns, a 230 quilômetros de Recife. O Teatro Luiz Souto Dourado ficou lotado, como sempre acontecia nesses eventos. Um dos motivos de tanto sucesso era o bom humor do escritor, uma de suas marcas. Não que tenha sido sempre assim. Suassuna atribuía o aparecimento do humor em sua vida ao encontro com Zélia, sua mulher há mais de 50 anos. Para Suassuna, ela havia “desatado alguma coisa” dentro dele. “O riso a cavalo e o galope do sonho são as duas armas de que disponho para enfrentar a dura tarefa de viver”, escreveu em “A pedra do reino”.

Ariano Suassuna trabalhava em um novo livro, "O jumento sedutor", havia mais de 20 anos, e planejava o lançamento para este ano. A demora não era para menos. Seu processo de criação era lento: escrevia e reescrevia, várias vezes, à mão. Depois, copiava para a máquina de escrever e, só então, corrigia. Era aí que o escritor passava tudo a limpo, novamente à mão. Às vezes, descartava todo o material e voltava ao começo do processo. Como ilustrava os próprios livros e ainda parava para dar suas famosas aulas-espetáculo pelo país, demorava mais ainda. Sem título, o romance seria a continuação de “A pedra do reino”.

Além do amor pela literatura, havia espaço para o futebol: seu time do coração era o Sport Club do Recife, que até o homenageou em seu uniforme em 2013 com uma frase que ele costumava repetir: "Felicidade é ser Sport". Suassuna tinha fama de pé quente.

Entre as muitas homenagens que recebeu, uma das que mais o marcaram foi o desfile da escola de samba Império Serrano, que levou para a avenida o enredo "Aclamação e coroação do imperador da pedra do reino Ariano Suassuna", em 2002. "Um escritor que ama o seu país não pode querer homenagem maior que esta", disse.

Em 2007, ele assumiu a secretaria de Cultura de Pernambuco a convite do governador Eduardo Campos, e chegou a ocupar outros cargos até deixar o governo recentemente, em abril de 2014.
O ano de 2007 também foi marcado pela celebração dos 80 anos do escritor em todo o Brasil. As homenagens o levaram a viajar de Norte a Sul do país. Uma epopeia para um homem que, além de apreciar o sossego, detestava avião. Mesmo assim, o apaixonado e muitas vezes polêmico defensor da cultura popular brasileira seguia adiante. Mas brincava: se soubesse que chegar aos 80 anos daria tanto trabalho, teria ficado nos 79.

Elis Regina - O mestre-sala dos mares

Ferreira Gullar: Evocação de silêncios

O silêncio habitava
o corredor de entrada
de uma meia morada
na rua das Hortas

o silêncio era frio
no chão de ladrilhos
e branco de cal
nas paredes altas

enquanto lá fora
o sol escaldava

Para além da porta
na sala nos quartos
o silêncio cheirava
àquela família

e na cristaleira
(onde a luz
se excedia)
cintilava extremo:

quase se partia

Mas era macio
nas folhas caladas
do quintal
vazio

e
negro
no poço
negro

que tudo sugava:
vozes luzes
tatalar de asa

o que
circulava
no quintal da casa

O mesmo silêncio
voava em zoada
nas copas
nas palmas
por sobre telhados
até uma caldeira
que enferrujava
na areia da praia
do Jenipapeiro

e ali se deitava:
uma nesga dágua

um susto no chão

fragmento talvez
de água primeira

água brasileira

Era também açúcar
o silêncio
dentro do depósito
(na quitanda
de tarde)

o cheiro
queimando sob a tampa
no escuro
energia solar
que vendíamos
aos quilos

Que rumor era
esse ? barulho
que de tão oculto
só o olfato
o escuta ?

que silêncio
era esse
tão gritado
de vozes
(todas elas)
queimadas
em fogo alto ?

(na usina)

alarido
das tardes
das manhãs

agora em tumulto
dentro do açúcar

um estampido
(um clarão)
se se abre a tampa.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Opinião do dia: Hannah Arendt

 “Na verdade, as duas palavras politicamente mais significativas para designar a atividade humana, fala e ação (lexis e práxis), estão conspicuamente ausentes da história. A única ocupação dos habitantes da caverna é olhar para a parede; é obvio que lhes encanta ver por ver, independentemente de qualquer necessidade prática. Os habitantes da caverna, em outras palavras, são retratados como homens comuns, mas também naquela qualidade específica que estes compartilham com os filósofos: são representados por Platão como filósofos em potencial, ocupados na escuridão e na ignorância com a única coisa de que o filósofo se ocupa à plena luz e com pleno conhecimento. A alegoria da caverna é, pois, concebida para descrever não exatamente como a filosofia se parece do ponto de vista da política, mas como a política, a esfera dos assuntos humanos, se parece do ponto de vista da filosofia. E seu propósito, é descobrir, na esfera da filosofia, parâmetros apropriados para uma cidade de habitantes da caverna, é certo, mas também para habitantes que, embora na escuridão e na ignorância, formaram suas próprias opiniões a respeito dos mesmos temas do filósofo.”

Hannah Arendt (1906-1976) . A promessa da Política, p. 75. Difel, Rio de Janeiro, 2008

Ibope: Levantamento aponta estabilidade na disputa presidencial

• Em cenário estável, Dilma venceria no 2º turno

Daniel Bramatti, José Roberto de Toledo e Rodrigo Burgarelli – O Estado de S. Paulo

Pesquisa Ibope contratada pelo Estado e pela Rede Globo mostra estabilidade na disputa presidencial. A presidente Dilma Rousseff (PT) soma 38% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, de 15 de junho, Dilma tinha 39%. O candidato do PSDB, Aécio Neves, tem 22% das intenções de voto, ante 21% do levantamento anterior. O candidato do PSB, Eduardo Campos, tem 8% das intenções de voto – eram 10% na pesquisa anterior. As oscilações estão todas dentro da margem de erro. Nas simulações de segundo turno, Dilma venceria tanto Aécio quanto Eduardo, por 8 pontos e por 12 pontos, respectivamente.

Completando a chapa do primeiro turno, o pastor Everaldo (PSC) é escolhido por 3% dos eleitores, mesmo patamar anterior. Luciana Genro (PSOL), José Maria (PSTU) e Eduardo Jorge (PV) têm 1% cada. Outros nanicos somam 1%. Brancos e nulos são 16% e indecisos, 9%. Na pesquisa de junho, brancos e nulos eram 13% e indecisos, 8%.

2º turno. No cenário de segundo turno contra o tucano, Dilma soma 41% das intenções de voto contra 33% de Aécio. Brancos e nulos são 18% e indecisos, 8%. Na pesquisa anterior, de meados de junho, Dilma tinha 43% e Aécio, 30%. No levantamento do início de junho, a petista tinha 42% contra 33% do tucano.

Quando Eduardo é o adversário, a presidente tem 41% das intenções de voto contra 29% do pessebista. Brancos e nulos somam 20% e indecisos, 10%. Na pesquisa imediatamente anterior, Dilma tinha 43% contra 27% de Campos. No levantamento do início de junho, a petista tinha 41% ante 30% de Campos.

Espontânea. Na pesquisa espontânea, Dilma Rousseff é citada por 26% dos eleitores. Aécio Neves é mencionado por 12% e Eduardo Campos, por 4%. Outros somam 2%, brancos e nulos, 17%, e 39% não sabem ou não responderam.

Rejeição. As taxas de rejeição a Dilma e Aécio oscilaram negativamente de junho para cá. No mês passado, 38% dos eleitores disseram que não votariam de jeito nenhum na presidente. Hoje são 36%. No mesmo período, a rejeição ao tucano variou de 18% para 16%.

A taxa de rejeição a Eduardo Campos caiu de 13% para 8%, e a do pastor Everaldo foi de 18% para 11%. Segundo o levantamento, 13% disseram que poderiam votar em todos os candidatos.

Favoritismo. A maioria absoluta dos eleitores acredita que Dilma vai se reeleger em outubro. Para 16%, Aécio Neves, é o favorito na disputa. Apenas 5% acreditam que o próximo presidente será Eduardo Campos. Quase um quarto dos eleitores (24%) não soube responder à questão.

Metodologia. O levantamento do Ibope foi realizado entre os dias 18 e 21 de julho, por encomenda da Rede Globo e do jornal O Estado de S.Paulo. Foram feitas 2002 entrevistas em todas as regiões do Brasil. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, em um nível de confiança estimado de 95%. Ou seja, se fossem feitas 100 pesquisas idênticas a esta, 95 deveriam apresentar resultados dentro da margem de erro. A pesquisa foi registrada na Justiça eleitoral com o número BR-235/2014.

No Rio para lançar livro, Serra diz que campanha de Aécio está apenas no aquecimento

• Para o ex-governador de SP, a corrida presidencial vai engrenar quando começarem as propagandas na TV

Juliana Castro – O Globo

RIO — Candidato ao Senado por São Paulo, o ex-governador José Serra (PSDB) disse nesta terça-feira que não é possível ainda fazer uma avaliação do andamento do presidenciável tucano, Aécio Neves, porque a campanha está no aquecimento. O tucano lançou no Rio seu livro "Cinquenta anos esta noite", em que fala sobre as origens e os desdobramentos do golpe militar de 1964, quando era presidente da UNE.

— Ainda não dá para avaliar (como está a campanha de Aécio). Campanha eleitoral a gente vai avaliar depois que começar o horário eleitoral. Por enquanto, é só aquecimento — afirmou o tucano, que participará nesta quarta-feira de um evento na Firjan, no centro do Rio.

Em entrevista durante a sessão de autógrafos, Serra comentou ainda sobre o Produto Interno Bruto (PIB). O governo reduziu para 1,8% a previsão de crescimento do PIB em 2014. Até então o índice esperado era de 2,5%.

— Nenhuma surpresa. Que a economia brasileira está num processo de "estaginflação" está claro já há muito tempo. Dava para prever e aconteceu. Eu preferia ter errado a previsão que fiz há muitos anos a respeito do que iria acontecer depois de 2010 - declarou o ex-governador.

Serra disse que não vê uma causalidade direta entre economia e eleição, mas há fatores que influenciam:

— Acho que não há causalidade linear entre economia e eleição, mas é indiscutível que tem peso. Aí, não é o PIB. O PIB é um cálculo, o que vale é salário real, inflação, a combinação dessas variáveis que são políticas e econômicas. Emprego desacelerou, inflação em alta, rendimentos reais não crescem e vendas a varejo lá em baixo, essas são as quatro variáveis que mais influência tem na eleição. O governo perdeu muita a credibilidade, muito anuncio, muita propaganda, muita promessa e pouco cumprimento, e frustração. Isso pesa contra.

'Acho que não houve nada', afirma serra sobre caso de aeroporto
O ex-governador afirmou que não vê problemas na construção do aeroporto na cidade de Cláudio, em Minas. A obra foi feita em área que pertencia a um tio-avô de Aécio, segundo reportagem da "Folha de S.Paulo".

— Acho que não houve nada. Você pavimentar aeroportos no interior de repente bate na sua família, mas isso não significa que seja um proveito. Eu fui governador, não tenho familiares no interior e, se tivesse, provavelmente tinha passado perto. Se você faz um programa de aeroportos bom, isso não significa nenhuma questão de benefício.

Aécio não comparece ao lançamento do livro
O presidenciável Aécio Neves não compareceu ao lançamento do livro de Serra no Rio. Em São Paulo, o tucano já não tinha comparecido.

— Ele tinha programa em São Paulo - explicou Serra, dizendo que a forma que tem para ajudar Aécio é fazer sua campanha ao Senado junto com ele em São Paulo.

No debate do qual participou antes do lançamento do livro, no Leblon, na Zona Sul do Rio, Serra comentou a prisão de manifestantes determinada pela Justiça.

— Acho que as prisões são outra questão. Não acho que eles encaram nenhuma vanguarda de luta politica. Para ser sincero, não tenho acompanhado muito de perto — afirmou, dizendo que o Estado de Direito tem regras e uma pessoa não pode fazer tudo o que quiser.

O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga compareceu à livraria onde ocorreu o lançamento do livro, mas foi embora enquanto Serra ainda participava do debate. Também foram ao evento o deputado federal Otavio Leite (PSDB), o presidente do PSDB no Rio, Luiz Paulo, o ex-deputado Indio da Costa (PSD), que foi vice na chapa de Serra em 2010, além de outros tucanos.

Serra defende Aécio no episódio do aeroporto

Wilson Tosta - Agência Estado

O candidato do PSDB ao Senado por São Paulo, José Serra, defendeu na noite desta terça-feira o postulante tucano à presidência, Aécio Neves, da acusação de favorecimento por ter construído, quando era governador de Minas Gerais, um aeroporto dentro da fazenda de um parente, no município mineiro de Cláudio.

"Um programa de construção de aeroportos no interior de repente bate na família. Não quer dizer que houve favorecimento. Eu não tenho parentes no interior. Se tivesse, poderia ter acontecido", afirmou Serra.

Ele afirmou que fará campanha por Aécio em São Paulo junto com sua campanha para senador, e declarou que ainda não é possível avaliar como será a disputa desta ano. "A gente só vai poder avaliar depois que começar o horário eleitoral. Agora é só aquecimento". Afirmou
.
Serra declarou não ser "nenhuma surpresa" a previsão de nova queda no PIB brasileiro neste ano. "A economia brasileira está em processo de estagflação (estagnação mais inflação) há muito tempo, como previ que aconteceria após 2010. Preferia ter errado a previsão", afirmou.

O tucano destacou que o PIB é apenas um número, que se expressa em variáveis: emprego desacelerando, inflação alta, rendimentos que não crescem e vendas no varejo estagnadas.

O candidato ao Senado concedeu entrevista durante o lançamento de sua autobiografia, "50 anos
Esta Noite", em um shopping da zona sul do Rio. Aécio Neves não compareceu ao evento - segundo Serra, o candidato a presidente tinha um compromisso em São Paulo que inviabilizou sua ida ao Rio.

Antes de começar a autografar os livros, o candidato falou sobre a obra e comentou a sensação de, cinco décadas depois, ouvir duas gravações radiofônicas de sua voz, registradas na noite do golpe. "É muito impressionante a gente se ver e se ouvir 50 anos depois", afirmou ele. "Não é bom envelhecer, porque (a juventude) era uma época em que tinha certezas".