segunda-feira, 28 de novembro de 2016

É preciso acelerar o ajuste fiscal, diz Arminio

Por Claudia Safatle – Valor Econômico

BRASÍLIA - A política macroeconômica está "desbalanceada", com uma gestão fiscal expansionista e um peso "monumental" sobre a política monetária. É preciso mudar esse "mix", encorpando o ajuste fiscal de imediato. Para isso talvez seja necessário aumentar impostos e/ou reduzir as desonerações. O fato é que "teríamos um programa muito mais robusto de enfrentamento da crise, se o governo não estivesse deixando parte importante do ajuste para o futuro".

Essas ponderações foram feitas por Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos. Ele não esconde a preocupação com a situação da economia, em recessão e com imensa dificuldade de esboçar reação; com a instabilidade política e o desmonte do núcleo mais próximo do presidente da República (na sexta feira o então ministro Geddel Vieira demitiu-se). Salienta, também, o risco da aprovação do projeto que anistia a prática de caixa 2. O presidente poderia até aumentar seu controle sobre o Congresso, mas perderia a sustentação que tem na sociedade.

Em crise, Estados e municípios devem mais de R$ 120 bi a bancos públicos

• Mesmo diante da situação financeira cada vez mais frágil dos governos estaduais, que têm sofrido com a queda contínua na arrecadação de tributos, tanto a Caixa quanto o BNDES ampliaram as liberações de recursos

Idiana Tomazelli e Murilo Rodrigues Alves - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Mergulhados em uma crise financeira sem precedentes, Estados e municípios devem R$ 120,6 bilhões aos bancos públicos, segundo levantamento do Estado. O passivo é resultado de uma política que, nos últimos anos, irrigou esses governos com recursos federais.

Até setembro, a exposição no Banco do Brasil chegou a R$ 38 bilhões, enquanto na Caixa a dívida era de R$ 33 bilhões. No BNDES, o valor atingiu R$ 49,6 bilhões da carteira em junho – o banco ainda não divulgou dados do terceiro trimestre.

Os maiores beneficiários foram os Estados, incluindo aqueles que já estavam em péssimas condições financeiras e apresentavam maior risco de calote. A injeção de recursos foi possível porque a União avalizou a maioria das operações, ou seja, deu garantia de que pagaria a dívida em caso de inadimplência.

Normalmente, os bancos ficam mais restritivos quando clientes vivem situações financeiras desfavoráveis. Não foi o que ocorreu com os Estados – especialmente nos últimos meses. Enquanto a arrecadação caía, a carteira de crédito da Caixa para o setor público saltou 22,1% em 12 meses até setembro. O BNDES também foi mais generoso, e as operações subiram 11,8%.No caso do BB, a queda foi de 1,7% em um ano.

O Estado apurou que, do total emprestado pela Caixa, 42,5% têm o aval da União. No BB, essa parcela é de 97%. O BNDES não informou o porcentual exato, mas disse que a maior parte dos créditos tem garantia do Tesouro Nacional.

Sem desculpas – Aécio Neves

Quando a presidente Dilma foi afastada do cargo, o país foi tomado por uma dupla sensação: a de que a solução do impeachment, ainda que dolorosa, era inevitável diante da crise instaurada na arena política, econômica e social; e de que o país iria finalmente iniciar um ciclo de mudanças capaz de restaurar os padrões de governança e credibilidade enterrados na gestão petista.

Seis meses após o início da transição do governo Temer, é preciso reconhecer que, ao lado de alguns avanços importantes, as dificuldades permanecem graves.

Os dados da pesquisa PNAD, do IBGE, trouxeram novos números da dimensão da crise brasileira, que se somam a outros que os brasileiros já sabem de cor: o desemprego que alcança mais de 12 milhões de pessoas —e atinge de forma especialmente cruel os jovens entre 18 e 24 anos—, o endividamento recorde de 60 milhões de brasileiros, a economia em queda agora estimada de 3,5%.

O Brasil esperneia na maca - Ricardo Noblat

- O Globo

“Eu não estava patrocinando nenhum interesse privado, data vênia” MICHEL TEMER, sobre o rolo do apartamento de Geddel

O novo está sendo gestado. Mas os primeiros sinais do seu possível nascimento bastaram para fazer o velho Brasil do compadrio e da corrupção estrebuchar na maca em desespero e desatar no choro dentro de presídios. O mundo despediu-se de fato do século XX com a morte de Fidel Castro. Por aqui, em matéria de maus costumes políticos, o século passado ainda suspira e ameaça abortar o que se anuncia.

HÁ DUAS SEMANAS, no programa “Roda Viva” da TV Cultura, perguntei ao presidente Michel Temer o que ele achava do projeto de anistia do caixa dois em discussão na Câmara dos Deputados. Temer respondeu, sem alongar-se sobre o assunto: “Criminalização do caixa dois é decisão do Congresso, e não posso interferir. Se eu disser uma coisa ou outra, vão dizer que eu estou defendendo”.

Expectativas frustradas – Valdo Cruz

- Folha de S. Paulo

A fórmula é antiga. Às vezes funciona, outras não. Depende do grau da confusão. Se o governo de plantão mergulha numa forte agenda negativa, procura-se uma positiva para sair da crise.

Foi o que o governo montou neste domingo (27). Desgastado pelo episódio que levou à demissão de Geddel Vieira Lima, o presidente Michel Temer anunciou que vai impedir qualquer tentativa de anistiar crimes de caixa dois em eleições passadas.

Para reforçar seu anúncio, numa raríssima entrevista num domingo, Temer convidou para o ato os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Rodrigo Maia. Sem gravata, os três disseram que não vão endossar uma anistia ao caixa dois.

Feios, sujos e malvados - Marcos Nobre

- Valor Econômico

• Anistia foi enterrada por não garantir salvação geral

Enquanto isso, na paróquia política brasileira, o susto da semana não foi a demissão de Geddel Vieira Lima. O verdadeiro susto veio com o vídeo divulgado pelo deputado Rogério Rosso, líder do PSD na Câmara, no mesmo dia da demissão do ministro da Secretaria de Governo, em que disse: "Caso o Congresso Nacional venha a aprovar qualquer tipo de anistia, não só o caixa dois, mas qualquer outro crime, o presidente Temer vetará imediatamente". No vídeo, Rosso diz ter recebido de Temer expressa autorização para levar a decisão ao conhecimento da sociedade. Foi colocado na posição de porta-voz da Presidência. Mais um. Ao confirmar a informação em entrevista ao Jornal Nacional no dia seguinte, Rosso criou um fato consumado.

O Brasil precisa de um novo pacto nacional - Marcus Pestana

- O Tempo – (MG)

O Brasil vive a maior crise de sua história. Os nervos estão à flor da pele. A situação fiscal do setor público é gravíssima. As mazelas e distorções de nosso sistema político dificultam a tomada de decisões essenciais. A prioridade dos brasileiros é a geração de empregos e renda. E isso depende de profundos ajustes e de reformas estruturais. O déficit nominal é monstruoso. A dívida cresce como bola de neve. Os equívocos intervencionistas do governo Dilma abalaram profundamente a confiança no Brasil. Credibilidade e previsibilidade são essenciais para incentivar investimentos, o motor do desenvolvimento.

A falência fiscal do Rio de Janeiro e a decretação de calamidade financeira pelo Rio Grande do Sul são apenas o prenúncio do que pode acontecer em escala nacional. Minas Gerais vai na mesma direção.

Gargalhadas demoníacas e tirânicas - *Roberto Romano

- O Estado de S. Paulo

• A corrupção tira da vida nacional bilhões para lucro dos que deveriam zelar pelo bem comum

Uma foto possui a qualidade de falar aos olhos e à mente. Ela mostra o real sentido da palavra “evidência”: o que aparece de modo insofismável. No século 20 algumas fotografias mostraram ao mundo fatos graves e ridículos, terríveis e comoventes. Recordo algumas delas: a menina que foge do napalm, no Vietnã; o beijo dos enamorados após a 2.ª Guerra Mundial, nos EUA; o vestido de Marilyn Monroe que se ergue por virtude do vento; a figura de Trotsky cortada na foto por ordem de Stalin; o horror de corpos quase mortos nos campos nazistas. Tais imagens testemunham a brutalidade humana, mas também exibem instantes de frágil ternura, inteligência ou estupidez.

Crise de Fronteira – Vinicius Mota

- Folha de S. Paulo

O pessimismo voltou a prevalecer nas expectativas de retomada da economia. A profunda debilidade dos fatores de atividade ameaça carimbar a letra L como formato da recessão: queda vertical seguida de estagnação persistente.

É mais ou menos conhecida dos estudiosos a hierarquia das crises econômicas pelo critério da capacidade e da velocidade da recuperação. No topo da pirâmide costumam situar-se as derrocadas provocadas por mergulho nos preços dos imóveis e inadimplência hipotecária generalizada, como a ocorrida na década passada no mundo desenvolvido.

A difícil equação - Denis Lerrer Rosenfield

- O Globo

• Exige-se uma política que siga padrões de moralidade pública. Exige-se do novo governo que se diferencie do anterior

A Lava-Jato segue o seu inexorável curso. É como um cataclismo natural que se abate sobre a classe política. As delações da Odebrecht, acompanhadas de suas respectivas provas materiais, atingirão a base parlamentar do governo e muito provavelmente muitos de seus ministros. Governar será ainda mais difícil em um contexto de devastação da classe política.

Por outro lado, o país foi praticamente levado ao abismo pelos governos petistas, com o PIB caindo vertiginosamente, o desemprego alcançando 12 milhões de pessoas, o que equivale, na verdade, a 40 milhões, considerando quatro pessoas por família. As expectativas da população em geral são muito ruins. O impasse é grande.

PIB e Selic vão dizer muito sobre o Brasil - Angela Bittencourt

- Valor Econômico

• Queda de juro é decisão mais eficaz para o crescimento

As duas informações econômicas mais relevantes da semana serão divulgadas na quarta-feira e serão eloquentes sobre o Brasil: o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre encolherá mais que o observado nos dois períodos anteriores, jogando por terra a expectativa que o quarto trimestre seria de retomada da atividade; a taxa Selic, mesmo com uma segunda redução, seguirá elevada.

Essas informações podem intensificar a crise política deflagrada por suspeita de tráfico de influência pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, que demitiu-se uma semana depois de o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero entregar o cargo, acusando Geddel de pressão para liberar uma obra em Salvador, Bahia.

Ameaças à democracia – Editorial/O Estado de S. Paulo

Barack Obama usou um de seus últimos pronunciamentos como presidente dos Estados Unidos, há alguns dias, em Berlim, para fazer uma clara advertência sobre as ameaças que pairam sobre a democracia, em todo o mundo, e para conclamar os cidadãos que apreciam o regime democrático a se comprometer mais em sua defesa, abandonando os extremos. “Não podemos considerar garantidos o nosso sistema de governo e o nosso modo de vida. Há uma tendência a se considerar que sempre foram garantidos. E não são. Democracia demanda trabalho duro”, resumiu Obama.

O lembrete do presidente americano não poderia ser mais pertinente. A democracia está em risco precisamente porque, por diversas razões, muitos eleitores hoje não se sentem participantes efetivos do processo político. A apatia gerada por essa sensação é o primeiro passo para que aventureiros que negam a política e apostam na destruição da convivência democrática cheguem ao poder, como aconteceu na Europa dos anos 20 e 30, com consequências funestas para o mundo todo.

Sem abrir exceções – Editorial/O Globo

• Governos podem gastar mais em alguns setores, desde que compensem com cortes em outros

Uma análise serena da proposta central da PEC do teto — limitar o crescimento dos gastos públicos primários à inflação do ano anterior — conclui, sem perda de tempo, que se trata de um mecanismo correto para os tempos em que se vive. Não se pode esquecer que, anos a fio, os gastos públicos, exceto as despesas com os juros da dívida, vêm aumentando mais que a inflação e o PIB.

Um raciocínio lógico simples conclui ser esta uma tendência insustentável. O país precisaria crescer para sempre, sem pressões inflacionárias e quaisquer outras crises. Uma evidente impossibilidade. Sequer o paraíso da economia planificada pelo Estado, a União Soviética, conseguiu. Os números poderiam não ser conhecidos, as estatísticas macroeconômicas sequer calculadas, e, num determinado momento, o sistema ruiu.

Prevenir o arbítrio – Editorial/Folha de S. Paulo

Parlamentares acuados pela Operação Lava Jato, e eles são muitos, tendem a aproveitar a votação de matérias que alteram a ordem jurídica para criar dispositivos legais que possam ajudá-los a enfrentar procuradores e juízes.

Tais artimanhas constituem um risco para a sociedade, mas não devem impedir o debate sobre mudanças necessárias na legislação.

A lei que pune abusos de autoridade é um desses casos. O diploma atualmente em vigor data de 1965, quando o país vivia sob ditadura militar. De forma condizente com o espírito da época, estipula penas muito leves para agentes públicos de todas as esferas que cometam irregularidades.

Um projeto de lei do Senado busca modernizar essa legislação, mas traz contra si alguns empecilhos. A proposta é de autoria de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente da Casa, e teve como um de seus relatores o senador Romero Jucá (PMDB-RR), ambos alvos de inquéritos no Supremo Tribunal Federal, o que cria uma espécie de suspeição de origem contra o texto.

Sistema de rating de Estados dá margem a distorções – Editorial/Valor Econômico

Existem algumas normas da administração pública que causam perplexidade, pois carecem de sentido quando são analisadas em detalhe. Na semana passada, em entrevista ao Valor, o governador Geraldo Alckmin chamou a atenção para uma delas. O risco de crédito que o Tesouro Nacional atribui a São Paulo é pior do que de vários Estados com muito menor força econômica.

Para o Tesouro, o rating paulista é de C-, atribuído a Estados em situação fiscal muito fraca e risco de crédito elevado. "São Paulo tem rating pior que o do Acre", observou Alckmin. O governador alega que essa classificação é um dos obstáculos aos planos de investimento do Estado.

Por determinação legal, é atribuição do Tesouro analisar os pedidos de operações de crédito interno e externo feitos pelos Estados e municípios, antes da decisão final do Senado. Essa análise é fundamental, pois a maior parte dessas operações precisa ter aval ou garantia da União para que se realize. O Tesouro avalia a situação financeira e a capacidade de pagamento dos Estados e municípios.

Guinada à esquerda – Editorial/O Estado de S. Paulo

Há 35 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e outros 31 aguardam registro. No início de novembro, o Senado aprovou em primeiro turno a PEC que trata da reforma política, proposta que, entre outras medidas, cria a “cláusula de barreira” para acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV, dois ativos preciosíssimos para o funcionamento das legendas. Pelas novas regras, 14 dos 27 partidos com representação no Congresso não poderiam desenvolver atividade parlamentar caso a PEC seja aprovada em definitivo. A proposta passará por nova votação no Senado antes de seguir para a Câmara dos Deputados.

Pauta urgentíssima da agenda nacional, mas que se arrasta há várias legislaturas sem que haja acordo entre os parlamentares, a reforma política – especificamente a “cláusula de barreira” – tem sucumbido à conveniência míope dos que defendem seus interesses imediatos em arranjos que se sobrepõem à altivez esperada daqueles que falam em nome do interesse público. O País não pode mais conviver com tantos partidos políticos. Não há no espectro ideológico qualquer justificativa para a existência do elevado número de agremiações políticas em atividade no Brasil. Além de dificultar a governabilidade, a grande fragmentação partidária confunde os eleitores e gera entre eles a percepção de que “todos os políticos são iguais”, o que enfraquece o exercício da atividade político-partidária e, consequentemente, a própria democracia.

Os ombros suportam o mundo – Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Mariene de Castro - De volta pro aconchego

domingo, 27 de novembro de 2016

Opinião do dia – Aécio Neves

“Há algo aí de extremamente grave e que também tem que ser investigado, o fato de um servidor público, um homem da confiança do presidente da República, com cargo de ministro de Estado, se confirmado isso, entrar com um gravador para gravar o presidente. Isso é inaceitável, é inédito na história do Brasil.

Isso permite a todos nós achar que nessa conversa ele tenha induzido qualquer palavra do presidente. Isso tem que ser investigado porque parece ato passível de punição.”

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Aécio Neves é senador (MG) e presidente nacional do PSDB, sobre as gravações do ex-ministro de Cultura do governo Temer (PMDB), O Globo, 26/11/2016

Temer, Maia e Renan buscam abafar crise

Após a crise do caso Geddel, os presidentes da República, Michel Temer, do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Rodrigo Maia, tentarão acalmar o mercado hoje em entrevista. Também deverão negar apoio a projeto que anistie crimes.

Temer, Renan e Maia tentam acalmar mercado

• Para abafar crise após caso Geddel, eles darão entrevista juntos e negarão ainda apoio a projeto que anistia crimes

Isabel Braga - O Globo

BRASÍLIA - Os presidentes da República, Michel Temer; da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ); e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que marcaram reunião extraordinária no Palácio do Planalto para hoje, farão pronunciamento para tentar mostrar que os dois Poderes estão unidos e que haverá esforço para aprovar projetos que tentam retirar o país da crise financeira. A declaração se destina ao mercado, que reagiu mal logo após a demissão do ministro Geddel Vieira Lima. Geddel era o responsável justamente pela articulação política no Congresso.

Além da sinalização ao mercado, os três deverão reafirmar que não há disposição de aceitar anistia para crimes vinculados às eleições. Ontem, após passar a tarde reunido com Temer na residência do Jaburu, Rodrigo Maia não quis falar sobre o anúncio a ser feito hoje, mas garantiu que a Câmara não votará a emenda que anistia crimes. Acabou admitindo que havia um texto nesse sentido, mas disse que ele não recebeu apoio da maioria dos líderes dos partidos.

Amigos, fonte frequente de crises

• Temer é criticado por manter em equipe círculo pessoal

Maria Lima e Isabel Braga - O Globo

BRASÍLIA - Político profissional a ponto de dar origem a um verbete, o exsenador, ex-governador e ex-ministro Antônio Carlos Magalhães ensinava a máxima: nunca nomeie um amigo que não possa demitir. O presidente Michel Temer tem enfrentado crises que sugam a credibilidade de seu mandato justamente por não conseguir sair das garras da “turma” de amigos que o segue há mais de 30 anos no PMDB.

A primeira crise se deu com a queda do ex-ministro Romero Jucá (PMDB-RR), investigado na Operação Lava-Jato e, mesmo assim, alçado à liderança do governo. Foi até a beira do precipício com o presidente cassado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e, agora, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDBBA) lhe jogou no colo a maior crise de seu governo ao pressionar um colega de equipe, o exministro da Cultura Marcelo Calero, a liberar um empreendimento imobiliário embargado pelo Patrimônio Histórico.

Em Salvador, polêmica cerca empreendimentos em áreas históricas

• Cinco obras recentes foram liberadas apesar de denúncias de irregularidades

Tiago Dantas - O Globo

SALVADOR - O escândalo envolvendo a autorização para construção do edifício La Vue em uma área protegida pelo patrimônio histórico em Salvador, que causou a demissão do então ministro Geddel Vieira Lima na sexta, é uma amostra de como o setor imobiliário tem atuado na capital baiana na última década. A partir de entrevistas com arquitetos e urbanistas, O GLOBO identificou pelo menos outros cinco empreendimentos recentes que foram liberados pelas autoridades embora tenham tido irregularidades denunciadas por órgãos técnicos ou investigadas pelo Ministério Público.

O tombamento de dezenas de imóveis, a proibição de construção de prédios altos próximo à orla para preservar a paisagem da Baía de Todos os Santos e o bloqueio de uma série de áreas para proteção ambiental tentam manter Salvador o mais preservado possível. A partir de 2006, porém, novos espigões começaram a surgir, acompanhados de polêmicas em seus processos de autorização nos órgãos governamentais do patrimônio e do meio ambiente.

Trechos do depoimento de Calero à PF são confirmados por pessoas citadas

Rubens Valente, Camila Mattoso, Bela Megale – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Órgãos públicos e pessoas citadas pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero confirmaram à Folhapelo menos três trechos do depoimento que ele prestou à Polícia Federal no último dia 19.

Calero afirmou ter sido pressionado pelo presidente Michel Temer e pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima a rever posição do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) contrária à construção de um prédio em Salvador (BA). Acuado, Geddel, que adquiriu imóvel no empreendimento, deixou o cargo na sexta (25).

Além do presidente e de Geddel, Calero citou dez pessoas em seu depoimento.

Geddel estava 'defendendo a Bahia', diz Jucá sobre acusações

Paula Sperb – Folha de S. Paulo

PORTO ALEGRE (RS) - O presidente nacional do PMDB, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse, neste sábado (26), que o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) não usou o cargo para atuar em benefício pessoal.

Para Jucá, Geddel estava "defendendo a Bahia, defendendo Salvador" quando conversou com Marcelo Calero, então ministro da Cultura, para que aprovasse a construção de um empreendimento imobiliário de 30 andares em área com bens tombados pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em Salvador.

Geddel possui um apartamento no empreendimento e seus familiares representam o prédio em ação contra o Iphan.

Geddel pediu demissão na última sexta-feira (25) para evitar que o caso afetasse ainda mais o presidente Michel Temer (PMDB), a quem Calero também acusa de tê-lo pressionado no caso.

Jucá afirma que Temer apenas tentou "cobrar uma posição e solicitar uma decisão" ao sugerir a Calero buscasse uma solução com a AGU (Advocacia-Geral da União).

GSI tenta proteger Michel Temer de gravações

• Sérgio Etchegoyen, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, afirma que estuda ‘soluções tecnológicas’ para blindar sala de Temer

Tânia Monteiro - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, disse ao Estado que está estudando “soluções tecnológicas” para “tentar proteger” o presidente da República de tentativas de gravações das conversas com ele, em seu gabinete, como teria sido feito pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero.

“Nunca se pensou nisso antes, pelo ineditismo, que pode ter ocorrido, que seria um ministro de Estado, que além do mais é servidor de uma carreira de Estado, gravar o presidente da República”, afirmou o ministro, responsável pela segurança do presidente. “Se isso de fato aconteceu, é um escândalo e é inadmissível.”

Etchegoyen trata o episódio como um exemplo de “quebra de ética profissional”.

Temer, Renan e Maia vão anunciar acordo contra anistia a caixa 2

• Iniciativa quer passar uma mensagem de compromisso com o combate à corrupção num momento em que o próprio presidente da República enfrenta questionamentos éticos

Tânia Monteiro, Fábio Fabrini - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Renan Calheiros, vão anunciar neste domingo, 27, um acordo para evitar que o Congresso aprove anistia explícita ao caixa-dois em campanhas eleitorais. A iniciativa visa dar uma mensagem de compromisso com o combate à corrupção num momento em que o próprio presidente da República enfrenta questionamentos éticos.

Temer, Maia e Renan marcaram para o meio dia uma entrevista para a imprensa no Palácio do Planalto. Conforme auxiliares do presidente, os três vão oficializar o pacto para que a anistia não seja incluída no projeto que trata das dez medidas contra a corrupção, iniciativa do Ministério Público que foi apoiada por mais de dois milhões de pessoas.

A expectativa é de que o texto seja votado na terça-feira, 29, pela Câmara. A proposta do MPF é que o caixa dois, termo popular dado à prática de não contabilizar despesas de campanha, seja tipificado como crime. Mas, nos bastidores, líderes partidários vêm articulando mudanças na proposta para que o procedimento deixe de ser punido.

PMDB discute voltar a ser chamado MDB, da época da ditadura

• A intenção, segundo o senador e presidente do partido, Romero Jucá (PMDB-RR), é que a legenda se fortaleça

Lucas Azevedo - O Estado de S. Paulo

PORTO ALEGRE - Caso aprovado em uma consulta interna, o PMDB pode voltar a chamar-se MDB (Movimento Democrático Brasileiro), assim como na Ditadura Militar. A intenção, segundo o senador e presidente do partido, Romero Jucá (PMDB-RR), é que a legenda se fortaleça.

"Queremos deixar de ser partido e ser um movimento, ser algo mais forte, mais permanente", afirmou Jucá, a uma plateia de prefeitos e vice-prefeitos peemedebistas gaúchos, em Porto Alegre.

"Voltar a ser MDB resgata uma tradição. Se o MDB fez a redemocratização, o MDB novo pode fazer a reconstrução social e econômica do país", completou o senador, que participou do 1º Ciclo de Debates com Prefeitos, organizado pela Fundação Ulysses Guimarães.

‘Partidos não são mais capazes de capitalizar as massas’

• Para pesquisador, crise política não tem gerado líderes com poder de mobilizar um corpo social democrático

Alexandra Martins – O Estado de S. Paulo

O professor de ética política Roberto Romano defende a tese de que quanto mais caótico estiver o contexto político brasileiro, mais cara sairá a fatura de negociações do presidente Michel Temer com sua chamada base aliada. 

Leia os trechos da entrevista.

Com PMDB em crise, Paes sonda ida para PSDB

• Partido é apontado como destino preferencial do prefeito do Rio, que é pré-candidato a governador

Fernanda Krakovics, Chico Otavio - O Globo

Na semana em que o ex-governador Sérgio Cabral foi preso, o prefeito Eduardo Paes procurou o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG). Com a crise que abateu o PMDB do Rio, do qual Cabral é a principal liderança, o PSDB é apontado por aliados do prefeito como um dos destinos mais prováveis para Paes. Ele pretende disputar o governo do estado em 2018.

No telefonema, o prefeito pediu, segundo pessoas próximas, que os dois se encontrem quando o tucano vier ao Rio, onde tem um apartamento. Aécio, no entanto, estaria “com os dois pés atrás” em relação à eventual filiação de Paes, porque o prefeito já foi do PSDB, além de já ter passado por diversos partidos.

Aécio aposta, mais uma vez, no lançamento do técnico de vôlei Bernardinho para o governo do Rio. Ele já foi a principal opção dos tucanos em 2014, mas na última hora não aceitou disputar a eleição. Segundo aliados, Aécio tem dito que, desta vez, Bernardinho, que é filiado ao PSDB, vai topar, porque já passou a Olimpíada do Rio.

Isenções no Rio superaram gastos com setores essenciais

• Estado abriu mão de R$ 166,7 bi em impostos, mais do que gastou em saúde, educação e segurança

Rafael Galdo - O Globo

Os investimentos do Estado do Rio em segurança, saúde, educação e assistência social, de 2009 a 2015, ficaram muito aquém dos incentivos fiscais, de acordo com o Tribunal de Contas e o Ministério Público estaduais. No período, a política de isenções fez com que as empresas deixassem de recolher R$ 166,7 bilhões de ICMS aos cofres estaduais. Nos quatro setores essenciais, os gastos totalizaram R$ 117,7 bilhões, mostra Rafael Galdo. O governo informa, porém, que a renúncia foi de R$ 46,5 bilhões.

A vida e a época de Fidel Castro

• Após o fim da União Soviética, muitos achavam que o regime cubano cairia, mas o governo de Fidel Castro resistiu

The Economist - O Estado de S. Paulo

Fidel Castro era marxista por conveniência, nacionalista por convicção e caudilho por vocação. Seu herói era José Martí, o cubano que se levantou contra o domínio espanhol, mas que temia, com acerto, as ambições dos EUA em relação a Cuba. Na Guerra Hispano-Americana de 1898, os EUA sequestraram a revolta pela independência iniciada por Martí e transformaram Cuba numa neocolônia.

De acordo com a tristemente afamada Emenda Platt, os EUA se reservavam o direito de intervir na ilha a qualquer momento. O dispositivo foi revogado na década de 30, mas o domínio dos americanos sobre a economia e o vital setor açucareiro perdurou até a revolução. A presença dos americanos incentivou o desenvolvimento, incluindo a formação de uma grande classe média; mas também produziu forte desigualdade.

.Fidel Castro está morto

- Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - Fidel Castro, líder da Revolução Cubana e da única ditadura remanescente nas Américas, morreu aos 90 anos às 22h29 desta sexta-feira (25) em Havana (1h29 de sábado no horário de Brasília). O anúncio foi feito na TV estatal pelo seu irmão e sucessor, Raúl Castro.

Comandante do levante guerrilheiro que derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista em 1959, Fidel permaneceu no poder por 49 anos, até renunciar em favor de Raúl, em 19 de fevereiro de 2008.

À exceção da rainha Elizabeth 2ª, há 64 anos no trono britânico, o ditador cubano foi quem por mais tempo chefiou uma nação entre os líderes ainda vivos.

Ao longo de 57 anos, o regime comunista dos Castro foi diretamente responsável pela morte ou pelo desaparecimento de 9.504 pessoas, segundo o projeto Cuba Archive. Em 2016 ocorreram 9.125 prisões por motivo político.

Adeus ao senhor da ilha

• Morte de Fidel Castro, aos 90 anos, abre especulações sobre o futuro político de Cuba, que comandou por 47 anos, e deflagra luto e celebração no país e no exílio. Obama diz que a História deverá julgá-lo; já Trump o chama de ditador brutal

A morte de Fidel Castro provocou reações entre o luto e a celebração para cubanos que moram na ilha e em Miami. E abriu especulações sobre o futuro de Cuba sem o líder da revolução que comandou e o manteve por quase meio século à frente do país. Doente e afastado da política desde 2006, foi cremado ontem. Líder autoritário ou um simples tirano para uns, lenda revolucionária para outros, era considerado o último sobrevivente da Guerra Fria. O presidente dos EUA, Barack Obama, que liderou a aproximação com Cuba, disse que a História deverá julgar o enorme impacto de sua personalidade. Já o eleito, Donald Trump, o chamou de ditador brutal.

À espera do julgamento da história

• Morte de Fidel, aos 90, abre especulações sobre o futuro de Cuba sem o líder da revolução

Marina Gonçalves - O Globo

RIO E HAVANA - Era pouco antes da meianoite de sexta-feira quando o presidente Raúl Castro apareceu na televisão de surpresa para dar a notícia que a maioria dos cubanos sabia que, mais cedo ou mais tarde, viria. Foram menos de dois minutos de um discurso seco, até a imagem de Raúl ser cortada quando as palavras começaram a falhar. Aos poucos, a notícia da morte de Fidel Castro, líder da Revolução Cubana, foi calando a festa e o barulho permanente em Havana. A polícia fechou o acesso à Praça da Revolução, na capital, e o governo decretou nove dias de luto oficial. O jornal “Granma”, órgão oficial do Partido Comunista de Cuba (PCC), demorou quase cinco horas para atualizar sua primeira página com a notícia que rapidamente se espalhou pelo mundo — depois de tantos boatos, desta vez era verdade.

Conexão com artistas e políticos brasileiros

• Temer ressalta defesa das ideias, Lula diz que perdeu um irmão, e FH lembra gentileza e convicção

Isabel Braga, Luiza Souto - O Globo

BRASÍLIA E SÃO PAULO - Poucos meses depois de ter tomado o poder em Cuba, Fidel Castro fez a primeira de suas oito visitas ao Brasil, onde, além dos compromissos políticos, sempre que podia incluía na agenda encontros com estudantes e intelectuais. Era maio de 1959, e o comandante veio pessoalmente agradecer ao Brasil de Juscelino Kubitschek por ter reconhecido o novo governo cubano. Ele retornou somente 31 anos depois, em 1990, para a posse de Fernando Collor.

A partir daí, voltou em outras seis oportunidades: 1992, 1995, 1998, 1999, 2001 e 2003, quando veio para a posse de Lula. Com um grande número de admiradores entre artistas e intelectuais, Fidel ontem foi lembrado por aqueles que o conheceram, como Gilberto Gil.

— Ele foi um grande ícone da política internacional. Uma vez, em Havana, quando ministro, passei com ele algumas horas. Era bem maluquinho — disse Gil.

PPS destaca liderança de Fidel Castro e espera que Cuba aprofunde reformas

Ex-presidente cubano morreu neste sábado, em Havana, aos 90 anos

A Executiva Nacional do PPS divulgou neste sábado (26) nota pública de pesar pela morte de Fidel Castro. O texto (veja abaixo) destaca a liderança do ex-presidente cubano na revolução de 1959 que “despertou no mundo uma grande esperança de transformação”, e “impulsionou uma agenda de reformas e lutas de libertação” em vários continentes.

Segundo o partido, a “expressão de mudança representada por Fidel”, no entanto, foi estancada pelo fim do socialismo real e a ausência de democracia em Cuba. A nota ressalta ainda a importância do reatamento de Cuba com os Estados Unidos, e diz esperar que com a morte de seu “líder maior” Cuba aprofunde as reformas econômicas no rumo da liberdade.

Veja abaixo a íntegra do texto.

Quem quer salvar o País tem de cuidar do governo - Rolf Kuntz

- O Estado de S. Paulo

Se o presidente Michel Temer for incapaz de cuidar do próprio governo, poderá resgatar o Brasil da pior crise econômica em muitas décadas, talvez a maior da História da República? Ele demorou perigosamente para demitir o ministro Geddel Vieira Lima e liquidar o impasse mais grave, até agora, de seu mandato. A demissão diminui o risco de avançar qualquer ação legal contra o presidente, mas ele obviamente incorreu em alguns erros de avaliação.

Subestimou a importância política do escândalo, superestimou a importância de um auxiliar perigoso e deu pouco peso à imagem de um governo supostamente empenhado na recuperação dos padrões da administração. Pode-se esperar, com algum otimismo, um efeito positivo do susto, mas qualquer correção dependerá de um balanço realista dos erros cometidos no Palácio do Planalto. Alguns são graves e, se repetidos, poderão comprometer os objetivos mais importantes do governo.

A busca de um rumo - Míriam Leitão

- O Globo

Pela primeira vez em muitos anos a produção agrícola vai encolher. Não é efeito da crise econômica, mas a agrava um pouco mais. Alguns índices de confiança que estavam em alta nos últimos meses começaram a cair. O PIB do terceiro trimestre deve ter tido queda próxima de 1%. Nesse quadro econômico, uma paralisia no governo provocada pelos constantes inesperados da política pode reduzir o ritmo do ajuste fiscal.

O que abateu a produção de grãos, em 12%, foi La Niña. Isso é mais um baque para a atividade econômica. Os índices de confiança do consumidor e da construção civil já mostraram a mudança de humor. A frágil melhora está indo embora com o acúmulo de notícias ruins. O PIB do terceiro trimestre será o sétimo a vir com queda. O economista José Roberto Mendonça de Barros, que calculava um crescimento de 2% em 2017, reduziu a previsão para 1%.

A lição de cada um – Samuel Pessôa

- Folha de S. Paulo

Há um problema fiscal estrutural dos Estados que precisa ser enfrentado. A principal fonte de desequilíbrio é o deficit dos regimes previdenciários estaduais.

O Rio Grande do Sul e Minas Gerais já gastam pouco menos de 30% da receita corrente líquida (RCL) com o deficit do sistema previdenciário.

Evidentemente o problema estrutural é agravado pela má gestão. Por exemplo, o gasto previdenciário de Minas Gerais subiu 34% em termos reais em 2015, comparando com 2014. Algo de muito errado ocorreu com a previdência mineira. Para o Rio de Janeiro, o aumento do deficit em 2015 foi de 97%.

Nadica de nada - Eliane Cantanhêde

- O Estado de S. Paulo

Para cumprir sua determinação de nomear para a Secretaria de Governo alguém “não metido com nada de nada”, como disse ao Estado na sexta-feira, o presidente Michel Temer terá de pinçar um ser bastante estranho: um político, mas que nunca disputou eleição.

Campanhas são caríssimas e o candidato que não era muito rico ou não tivesse roubado antes, fora das eleições, obrigatoriamente buscou financiamento de pessoas físicas, organizações e empresas – como a Odebrecht. Ou seja, logo, logo, terá o nome nas quase 80 delações premiadas da maior empreiteira do País e será respingado, ou encharcado, pelos vazamentos que ocorrerão aos borbotões e virarão manchetes.

Que país é esse? - Fernando Gabeira

- O Globo

Gostaria de ter ido a Salvador para conhecer e mostrar a Igreja de Santo Antônio da Barra, o Forte de São Diogo e o Cemitério dos Ingleses. Na igreja, você assiste à missa e contempla a Baía de Todos os Santos. O Forte de São Diogo foi erguido para defender o flanco sul da cidade, no tempo em que Salvador era a capital do Brasil.

Só que os inimigos não chegaram pelo mar. Vieram de dentro de Salvador, capitaneados por Geddel Vieira Lima. Construiriam um prédio de 30 andares, que, segundo o Iphan, arquitetos e moradores, arruinaria a paisagem.