quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Movimento dos barcos | Luiz Carlos Azedo

- Correio Braziliense

Quando a notícia chegou, lembrei-me da velha música de Jards Macalé e José Carlos Capinam, na voz de Maria Bethânia, um dos ícones da Tropicália. “Tô cansado/E você também/Vou sair sem abrir a porta/E não voltar nunca mais/Desculpe a paz que eu lhe roubei/E o futuro esperado que eu não dei/É impossível levar um barco sem temporais/E suportar a vida como um momento além do cais”. No contexto em que foi lançada, a letra do baiano Capinam tinha duplo sentido, assim como a melancólica melodia tecida no violão de Macalé.

No começo dos anos 1970, o regime militar estava em pleno processo de fascistização. Ninguém imaginava a política de distensão de Geisel e a acachapante vitória da oposição nas eleições de 1974, que desencadeou nova onda de repressão contra os que conseguiram permanecer no país e organizaram a resistência pacífica e democrática de oposição. Naquela época, muitos foram forçados ao exílio, estavam presos, foram mortos ou haviam desaparecido. Hoje, o sentido pode ser outro, em meio à crise ética. Ainda bem que a recessão acabou.

A letra fala em partida e derrota, em decepção e separação: “Não quero ficar dando adeus/Às coisas passando, eu quero/É passar com elas, eu quero”. E deixa um fio de esperança: “Não, não sou eu quem vai ficar no porto chorando, não/Lamentando o eterno movimento/Movimento dos barcos, movimento”. Lembrei-me do Porto de Santos, cuja barra já cruzei no velho Normandie, do meu amigo Jadir Serra, saindo do canal do Guarujá rumo à Ilha Grande, no litoral fluminense.

Crime e cassino na eleição de 2018 | Vinicius Torres Freire

- Folha de S. Paulo

Adeptos do governismo, adesistas por interesses diversos, animaram-se com as notícias econômicas e político-judiciais de setembro. Acreditam que o programa liberal tem mais chance de sobreviver até a eleição de 2018 e depois.

Os motivos da animação são três.

Um, o suposto enfraquecimento da Procuradoria-Geral da República e até da Lava Jato, dada a lambança no caso Joesley, o que reduziria a probabilidade de queda de Michel Temer ou de tumulto político crítico para a economia. No limite do otimismo, essa estabilidade podre tornaria possível até a aprovação de alguma reforma da Previdência.

Dois, a derrocada de Lula tornaria improvável a vitória da esquerda em 2018.

Três, mesmo a recuperação nanoscópica da economia, com perspectiva de um crescimento de 2% e algo mais em 2018, baixaria o nível de tensão socioeconômica, o que diminuiria o apelo de candidaturas "extremistas", "populistas" etc.

O risco Lula na Bolsa | Fábio Alves

- O Estado de S.Paulo

Qualquer notícia que indique impedimento da candidatura Lula alimentará o otimismo

Após ter registrado ontem o mais alto fechamento de sua história, aos 74.538,55 pontos, o Ibovespa deve ficar cada vez mais sensível daqui em diante ao noticiário relacionado às eleições presidenciais de 2018.

É razoável dizer que, aos níveis atuais de preços, a Bolsa de Valores brasileira atribui uma probabilidade maior do que 50% de vitória na eleição presidencial de um candidato oriundo da base aliada do governo Michel Temer – em particular do PSDB, DEM ou PMDB – e que representaria a continuidade da atual política econômica. Mas a parcela de probabilidade de vitória de algum candidato que representaria uma oposição a essa política econômica ainda não é desprezível.

Em especial, a probabilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concorrer, ir ao segundo turno e ganhar o pleito é um risco aos olhos dos investidores que impõe algum limite hoje aos preços das ações.

Liberdade, liberdade | Monica De Bolle

- O Estado de S.Paulo

“Liberdade! Liberdade! Abra as asas sobre nós. E que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz.”
Samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense, 1989

O xingamento mais divertido que recebi foi há alguns anos, após ter traduzido a obra de Thomas Piketty, O Capital no Século XXI. Alguns autoproclamados liberais, revoltados com a audácia de transpor para o português aquela que era considerada a obra de economia mais importante de 2013 e 2014, escrita por economista “de esquerda”, resolveram me chamar de “aquela tradutora do Piketty”. Imagino que sejam os mesmos liberais que hoje defendem a censura em nome “da ordem e dos bons costumes”, aqueles ameaçados por obras de arte – pouco importa a suposta qualidade de tais obras. Liberais que defendem a censura por terem tido suas sensibilidades ofendidas são contradição em termos. Liberais que agora gostam de Piketty pelo seu mais recente estudo sobre o Brasil são engraçados.

Thomas Piketty voltou às manchetes brasileiras depois que recente trabalho seu revelou a falácia do mito da queda da desigualdade no Brasil. Hoje, aqueles que atacaram o autor e sua obra por considerá-los demasiado “esquerdistas” o exaltam por desvelar mitologias do lulopetismo. No Brasil, persiste a ideia no debate econômico de que linhas de pensamento correm em paralelo e não podem jamais se cruzar. Mas eis que Piketty apresentou fatos e dados que condizem com o que muitos imaginavam e que, além disso, servem para alimentar a retórica política de um grupo de sociedade.

Reforma da previdência ajuda, mas não salva o país | Cristiano Romero

- Valor Econômico

Tarefa de consertar finanças públicas por reforma do Estado

O Brasil vive tragédia fiscal cujos impactos na vida dos cidadãos já estão sendo sentidos em Estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, e no Distrito Federal, onde os funcionários públicos estão recebendo os salários com atraso e vários serviços públicos estão funcionando precariamente. No caso da União, isso não ocorreu ainda porque o governo tem a possibilidade - vedada aos outros entes da federação - de levantar dinheiro no mercado e usá-lo para pagar as despesas, mas todos sabemos que não é possível aumentar a dívida indefinidamente. Em algum momento, os credores (cidadãos comuns com conta em banco, banqueiros, investidores, estrangeiros etc) duvidarão da capacidade da União de continuar pagando a dívida e, por isso, passarão a cobrar do Tesouro juros cada vez mais altos para comprar os títulos. Os capítulos seguintes serão o calote e o caos.

O desastre foi construído ao longo de décadas por decisões decorrentes, em última instância, do pacto político estabelecido pela sociedade, mas foi consumado entre 2008 e 2015 pelos governos Lula e Dilma. Nesse período, a despesa corrente do governo federal cresceu 51% acima da inflação e a receita, 14,5%. O descompasso teve consequência: a explosão da dívida. Nos oito anos, a dívida bruta do governo geral - que inclui os governos federal, estaduais e municipais, além do INSS - saltou de R$ 1,7 trilhão para R$ 3,9 trilhões.

O crime e a política – Editorial | O Estado de S. Paulo

Na semana passada, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao Supremo Tribunal Federal a terceira denúncia, por organização criminosa, contra lideranças de um partido político. Antes haviam sido acusados políticos do PP e do PT. Agora, foi a vez de integrantes do PMDB. Os três casos parecem confirmar que a Procuradoria-Geral da República (PGR) faz uso distorcido do material recolhido pela Operação Lava Jato, dando por certo que os partidos são organizações criminosas. Ou, pior ainda, que a atividade política pressupõe a prática criminosa.

Uma coisa é a existência de criminosos em algumas legendas, outra coisa é que a legenda seja uma organização criminosa. Uma terceira, ainda, é que a política seja necessariamente espúria. Além de ser um tratamento abusivo das provas, já que se deduzem coisas que não estão nos autos, a confusão promovida pelo Ministério Público conduz à mais perigosa das conclusões, nunca dita, mas habitualmente insinuada: a equiparação entre atividade política e atividade criminosa.

Segundo a denúncia apresentada na sexta-feira passada, os senadores Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR), Edison Lobão (MA), Valdir Raupp (RO) e Jader Barbalho (PA) e os ex-senadores José Sarney e Sérgio Machado “integraram núcleo político de organização criminosa estruturada para desviar em proveito próprio e alheio recursos públicos e obter vantagens indevidas”, tendo recebido R$ 864 milhões em propina por contratos na Petrobrás. O caso refere-se a um inquérito da Operação Lava Jato, aberto em março de 2015. A PGR sustenta que a atuação dos políticos do PMDB causou prejuízos de R$ 5,5 bilhões à Petrobrás e de R$ 113 milhões à sua subsidiária Transpetro.

CPI da JBS não pode ser instrumento de vingança – Editorial | O Globo

As circunstâncias da comissão, seu presidente e seu relator já deixam claro que a intenção é revidar contra Joesley e Janot, o que pode destruir empregos na empresa

Instrumento poderoso e imprescindível, para os representantes eleitos pela população investigarem atos da administração pública, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) depende de quem a convoca. Se a qualidade da Câmara e do Senado responsáveis por sua convocação for baixa, nada de sério pode-se esperar da comissão. É o que transparece da CPI mista, das duas Casas do Congresso, que vai investigar a JBS.

Não que inexistam motivos para se projetar luz na maneira como um grupo surgido de um açougue de Anápolis (GO), na década de 50, se tornaria o maior produtor do mundo de proteína animal, ao ser beneficiado pela injeção de dinheiro público, via BNDES, na política lulopetista dos “campeões nacionais”. O que preocupa nesta comissão são as nítidas impressões digitais do Palácio do Planalto e do grupo que cerca o presidente Michel Temer, atingido por delação premiada de um dos donos da JBS, Joesley Batista, hoje trancafiado na Papuda, em Brasília, junto com o executivo Ricardo Saud.

Judiciário custa caro e segue moroso em suas decisões – Editorial |Valor Econômico

O Judiciário passa por um de seus momentos mais críticos. Questiona-se a morosidade dos julgamentos, e não é pequena a parcela da população que relaciona a demora no andamento dos processos à impunidade, especialmente dos criminosos mais ricos, que se valem dos recursos judiciais para postergar o ajuste de contas com a sociedade.

As críticas à ineficiência ganham maior relevância quando confrontadas com os custos elevados do Judiciário, originados não apenas dos salários, por si só os mais elevados do funcionalismo público, mas também de uma série de penduricalhos geralmente inalcançáveis pelos demais trabalhadores, como auxílio-moradia ou auxílio-educação.

Mais recentemente, foram acrescentados a esses problemas, o vazamento de informações, a atuação política em defesa de governantes e parlamentares amigos, a exposição pública de desavenças e inimizades dentro da Corte e até as suspeitas de suborno para a vendas de sentenças. O novo relatório anual do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aumenta essa pressão.

Apostas de risco – Editorial | Folha de S. Paulo

No primeiro semestre de 2008, a economia brasileira vivia sua conjuntura mais virtuosa desde o restabelecimento da democracia. Em 20 de maio daquele ano, a Bolsa de Valores registrou recorde, em valor nominal das ações negociadas, só batido mais de nove anos depois —nesta semana.

Dificilmente seria possível imaginar um contraste tão intenso entre dois momentos separados por menos de uma década.

No primeiro, o país crescia à taxa de 6% ao ano, com inflação sob controle; a escalada da arrecadação equilibrava as contas do governo, e a dívida pública havia caído abaixo do patamar de 60% do PIB.

Mesmo na ausência de reformas necessárias, como a da Previdência, obtinha-se o almejado grau de investimento seguro conferido por agências internacionais.

Agora, um improvável otimismo, de bases frágeis, embala o mercado acionário. O valor das companhias listadas na Bolsa superou os R$ 3 trilhões –o que ainda está longe dos patamares de 2008, se considerada a inflação. Mas, dados os riscos que cercam a economia nacional, a marca não deixa de ser surpreendente.

FAP e ITV debatem “desafios políticos” em seminário internacional nos dias 14 e 15

- Portal da FAP

A FAP (Fundação Astrojildo Pereira) em parceria inédita com o ITV (Instituto Teotônio Vilela) realizará, nesta quinta-feira (14) e sexta-feira (15), em São Paulo (veja a programação abaixo), o seminário internacional “Desafios políticos de um mundo em intensa transformação”, que pretende discutir temas de grande importância para o Brasil e o mundo. Como está a democracia brasileira? Qual a representatividade do cidadão? Quais as mudanças que a globalização tem causado na estrutura das sociedades? Como o mercado de trabalho mudou por conta da revolução tecnológica dos últimos anos? Como o nosso país tem sido afetado por um dos grandes males deste século: a corrupção?

O seminário terá entre seus debatedores nomes reconhecidos nacionalmente e internacionalmente, como do ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso, Roberto Freire, deputado federal (SP) e presidente do PPS nacional e de Cristovam Buarque, senador pelo PPS-DF e presidente do Conselho Curador da FAP. O evento contará com os palestrantes Adrian Wooldridge (Coautor de A Quarta Revolução), Stefan Folster (Coautor de Riqueza Pública das Nações), Gianni Barbacetto (Coautor de Operação Mãos Limpas) e outros importantes convidados reconhecidos internacionalmente.

De acordo com André Amado, secretário executivo do seminário, o evento surgiu da necessidade de se discutir temas imprescindíveis à população, não só brasileira, mas também mundial. “O seminário buscou reunir nomes respeitáveis em diversas áreas, pois as questões atuais são de grande complexidade e exigem pessoas de alto nível para debatê-las”, avalia.

“O mundo está em repletas transformações. As garantias que tínhamos tempos atrás não existem mais. Temos liberdade de impressa, mas temos crise de democracia; temos a globalização com promessa de prosperidade, porém uma desigualdade social acentuada; temos o avanço tecnológico, contudo milhões de desempregados”, completa o secretário executivo do seminário.

Para Luiz Carlos Azedo, diretor-geral da Fundação Astrojildo Pereira, o evento se reveste de grande importância pelos temas atuais que pretende discutir, como a questão da globalização, da democracia brasileira e do combate à corrupção, com exemplos do que foi feito em outros países. “É uma oportunidade única de debater algumas das questões mais importantes da atual conjuntura política brasileira, à luz da experiência internacional”, avalia Azedo.

Temas
O seminário será divido em quatro temas. O primeiro deles, Crise de representação política e o futuro da democracia. Nesta mesa será abordada a questão da democracia brasileira: como em um país que se tem 513 deputados, 81 senadores e mais de 30 partidos pode se garantir o fortalecimento da democracia e a representatividade do cidadão?

A globalização e a mudança da estrutura das sociedades será o segundo tema em debate. Para esta discussão um dos convidados foi Caetano Araújo, sociólogo e consultor legislativo do Senado Federal. Para ele, a globalização é um processo contraditório. “Ao passo que vemos, por exemplo, o desemprego crescer na Europa e nos EUA, a crise do Estado de bem estar e o aumento de posições politicas nacionalistas e xenófobas, também vemos milhões de pessoas retiradas da pobreza na Ásia e, ao que tudo indica, na África”, informa Caetano.

O terceiro tema que será abordado será A revolução tecnológica e o mercado do trabalho. Nesta mesa será discutido, segundo André Amado, como o avanço tecnológico tem modificado as relações de trabalho e também sociais. “O avanço tecnológico tem deslocado milhões ao desemprego, ao mesmo tempo que proporcionou melhorias na qualidade de vida das pessoas e também na capacidade técnica de diversos trabalhos”, avalia o secretário-geral do seminário.

O quarto e último tema é algo bastante recorrente na vida politica brasileira: a corrupção. A temática Mãos Limpas e Lava Jato, relações de força e limites irá abordar casos de corrupção e de combate à mesma, que ocorreu na Itália e, atualmente, ocorre no Brasil. Para Alberto Aggio, historiador e dirigente da FAP, embora as duas operações em questão sejam distintas, “será importante realizar um debate esclarecedor sobre a positividade e os limites dessas operações, e ver suas relações com a democracia e a necessidade de alicerçar a coesão social em torno de ideias fundamentais, como a do bem-comum.” (Assessoria FAP – Germano Martiniano/Paulo Jacinto)

PROGRAMAÇÃO
Seminário Internacional “Desafios políticos de um mundo em intensa transformação”
Local: Hotel Maksoud Plaza, Rua São Carlos do Pinhal, 424, Bela Vista, São Paulo.
Promoção: ITV (Instituto Teotônio Vilela) e ITV (Fundação Astrojildo Pereira)
Inscrições: ITV e FAP (veja aqui)

“Acho que estamos vivendo um momento de grande participação política diz Freire

“A sociedade já começa a se organizar para eleição de 2018”

- Fábio Matos/Assessoria do Parlamentar

Apesar de uma descrença que muitos apontam como generalizada em relação à classe política, o Brasil vem passando por um momento de intensa mobilização da sociedade como raras vezes se viu. A avaliação é do deputado federal Roberto Freire (SP), presidente nacional do PPS, que participou nesta terça-feira (12) do programa “Via Paulista”, da Rádio Trianon (AM 740 KHz), apresentado pela jornalista Adriana Cambaúva.

O parlamentar falou sobre o seminário internacional “Desafios Políticos de um Mundo em Intensa Transformação” (veja aqui), que será realizado nos dias 14 e 15 de setembro, em São Paulo. O evento, organizado pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP) e pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV), terá em sua abertura oficial palestras de Freire, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

“Acho que estamos vivendo um momento de grande participação política. Isso pode parecer estranho, mas é o que eu sinto”, afirmou o deputado. “As pessoas ficam imaginando que participar da política é apenas quando se preocupa com eleição, com partido… Não. A participação política é se preocupar com os nossos destinos, com as nossas vidas, com o Brasil. As pessoas estão acompanhando os processos de investigação e entendem o que significa o Poder Judiciário, o que cabe ao Poder Legislativo… Tenho até certo otimismo de que, mesmo com um descrédito em relação à política, a sociedade começa a se mobilizar com vistas às eleições de 2018.”

Consumo puxa economia e faz disparar ações do varejo

Por Juliana Machado | Valor Econômico

SÃO PAULO - No momento em que a bolsa de valores brasileira ganha impulso e o Ibovespa rompe níveis históricos, ações de companhias de varejo básico e consumo de eletrodomésticos, vestuário e alimentação proporcionam ganhos extraordinários a seus acionistas. Em movimento coerente com a dinâmica de recuperação da economia, puxada pelo consumo, os papéis dessas empresas tiveram neste ano alta muito superior aos 23,76% do Ibovespa. Magazine Luiza, por exemplo, subiu 423%, Guararapes, 130% e Arezzo, 125%. Outros bons exemplos são Hering, Via Varejo, B2W, Renner e Pão de Açúcar.

A queda dos juros e a retomada gradual do crescimento econômico compõem a equação que provocou a recente recuperação da bolsa e mantém boas perspectivas para essas ações. Para analistas ouvidos pelo Valor, a retomada beneficia primeiramente empresas que atendem o consumo de menor valor, menos dependente do crédito e que tira proveito da melhora da renda real provocada pela queda da inflação.

A leitura é de que muitos consumidores só vão conseguir trocar de carro dentro de um ano e comprar um apartamento em 2019, mas já começam a adquirir eletrodomésticos e roupas.

Especialistas consideram que muitos desses papéis de empresas de varejo ainda têm espaço para ganhos. Ricardo Peretti, da Santander Corretora, chama a atenção para o fato de que há algumas empresas com cotações ainda relativamente baratas, como Americanas, Hering e Carrefour, pelas quais o interesse do investidor pode ser maior.

Levantamento feito pelo Valor Data mostra que a receita dessas empresas teve uma clara recuperação nos últimos trimestres, desempenho que contrasta com companhias que reagem mais diretamente a investimentos, como bens de capital e siderurgia, ou das incorporadoras, que dependem da capacidade de endividamento de longo prazo do consumidor.

Crescimento sem alta da inflação no mundo rico é situação 'sem precedentes', diz Arminio

Por Sergio Lamucci | Valor Econômico

SÃO PAULO - A combinação de crescimento um pouco mais forte com inflação muito baixa nos países ricos é uma "situação rara" e "provavelmente sem precedentes", que não tem uma única explicação, avalia o ex-presidente do Banco Central (BC) Arminio Fraga. Ao falar sobre o fenômeno, Arminio aponta a influência do envelhecimento da população e da perda de fôlego da produtividade, pelo lado da oferta, citando também o impacto do endividamento excessivo, em grande parte resolvido no caso das famílias americanas, mas ainda não solucionado no caso dos governos.

Além disso, há uma "certa tendência de perda de poder dos sindicatos", num cenário marcado pelo "aumento incrível" da força de trabalho mundial nos últimos 30 anos, com a integração maior da China e da Índia à economia global, avalia Arminio. Para completar, o fato de as expectativas de inflação estarem extremamente bem ancoradas nos países avançados também parece ter um papel nessa história. "É muito difícil dar uma resposta em cima de um ponto só, há várias coisas que se complementam", afirma.

Para países emergentes como o Brasil, crescimento mais forte com inflação baixa nos países desenvolvidos "é tudo de bom", na visão de Arminio, sócio da Gávea Investimentos. A combinação significa demanda maior pelos produtos brasileiros, ao mesmo tempo em que os juros externos permanecem baixos. "Mas isso tem seus limites naturais. É melhor não achar que é para sempre", adverte ele. "No momento, esse clima externo nos dá tempo para as necessárias correções de rumo político e fiscal."

Gilmar diz que MPF vive 'putrefação' e que Fachin pode manchar seu nome

Letícia Casado | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Durante sessão nesta terça-feira (12), o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse que o Ministério Público Federal vive momento de "putrefação" e que o colega Edson Fachin corre o risco de manchar seu nome. O relator da Lava Jato rebateu e disse que está com a "alma em paz".

Gilmar mencionou a atuação do ex-procurador Marcello Miller, que esteve no grupo do procurador-geral Rodrigo Janot na Lava Jato e agora é o pivô da crise que pode levar à anulação dos benefícios concedidos aos executivos da JBS, que estão presos.

"Neste caso, ministro Fachin, imagino seu drama pessoal", afirmou.

"Ter sido ludibriado por Miller 'et caterva' ["seus comparsas", em latim] e ter tido o dever de homologar isto [a delação dos executivos do frigorífico] deve lhe impor constrangimento pessoal muito grande nesse episódio JBS", afirmou.

A manifestação de Gilmar durou cerca de 15 minutos, nos quais ele fez críticas ao trabalho do Ministério Público, a algumas delações da Lava Jato e repetiu que se sentia constrangido pela situação de Fachin.

"Não invejo a sua situação. Acho que Vossa Excelência desempenha um papel importantíssimo e também não invejo os seus dramas pessoais internos que certamente devem haver", disse Gilmar a Fachin.

Dominó do crime

Qual será o futuro dos delatores e das provas apresentadas no acordo de delação premiada?

Vera Chemim* | O Estado de S.Paulo

O atual contexto político-institucional apresenta muitas nuances entre o preto e o branco, no que diz respeito ao futuro próximo dos delatores da JBS e das provas que apresentaram em sua delação, ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Diante da ainda suposta omissão e/ou depoimentos que demandam um profundo exame jurídico para serem corroborados ou não, o objetivo imediato é saber:

- o novo desdobramento daquelas delações, principalmente, no que se refere às provas coletadas, ambos, objeto de decisão do STF; e
- o seu impacto, caso elas sejam anuladas, nas várias investigações em curso, que envolvem nomes de políticos tradicionais, como Lula, Dilma, Temer, Aécio Neves, bem como alguns dos ministros do atual governo.

A Corte terá ainda, a importante missão de julgar a suspeição de Janot, uma vez que estará em jogo, uma provável e segunda denúncia contra Temer e a decorrente validade das provas dos mesmos delatores.

A uma passante | Charles Baudelaire

A rua, em torno, era ensurdecedora vaia.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão vaidosa
Erguendo e balançando a barra alva da saia;

Pernas de estátua, era fidalga, ágil e fina.
Eu bebia, como um basbaque extravagante,
No tempestuoso céu do seu olhar distante,
A doçura que encanta e o prazer que assassina.

Brilho... e a noite depois! - Fugitiva beldade
De um olhar que me fez nascer segunda vez,
Não mais te hei de rever senão na eternidade?

Longe daqui! tarde demais! nunca talvez!
Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste,
Tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste!

Wilson Moreira - Judia de mim

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Opinião do dia - Gaetano Salvemini

“Ridicularizar, desvalorizar, injuriar a democracia, na medida em que é conjunto das ‘instituições democráticas’ modernas, é algo que se compreende nos militares, na alta burocracia civil, nos magnatas da terra e da indústria, das finanças, nos intelectuais que alcançaram uma posição econômica superior... Mas que as pessoas em geral, que militam em partidos não-oligárquicos, não-plutocráticos, não-autoritários, e mais, que pretendem combater as plutocracias, as oligarquias rígidas e hereditárias, os regimes autoritários, ridicularizarem a democracia, é prova de uma verdadeira estupidez.”

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Gaetano Salvemini (8 de setembro de 1873 - 6 de setembro de 1957) foi um político, historiador e escritor anti-fascista italiano, texto escrito logo depois da Marcha sobre Roma, citado por Norberto Bobbio, “Ensaio sobre Gramsci e o conceito de sociedade civil”, p.86. Paz e Terra, 2002.

O jogo virou – Editorial | O Estado de S. Paulo

Até sábado, Joesley Batista se achava capaz de dar as cartas. Pouco antes de ser preso – depois que veio a público gravação de edificante diálogo no qual fica clara sua intenção de manipular autoridades para atingir seu grande objetivo, que era obter imunidade total para não ter de responder pelos inúmeros crimes que confessou ter cometido –, o empresário havia partido para a chantagem explícita. Mandara dizer que, ou bem o obsceno acordo que o tornou livre como um passarinho continuava de pé, ou então ele se recusaria a continuar sua colaboração com a Justiça – e isso incluía até mesmo deixar de entregar gravações inéditas que o empresário dizia ter em seu poder.

O certo a fazer seria deixar bem claro a Joesley Batista que, nesse caso, ele passaria muito tempo na cadeia – exatamente como aconteceu com o empreiteiro Marcelo Odebrecht, que também se julgava capaz de constranger a Justiça a aceitar seus termos, mas desde junho de 2015 enfrenta os rigores da carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde chegou a dividir a cela com um traficante de drogas.

O melhor desfecho para a delação de Joesley – Editorial | O Globo

Prisão de delatores e outros desdobramentos do caso da JBS fortalecem o instrumento da colaboração premiada, comprovando sua eficácia

Como em um folhetim, em que a história muda de direção devido a fatos surpreendentes, a delação premiada de Joesley Batista, que já rendeu uma acusação de corrupção contra o presidente Michel Temer e resultou, num primeiro momento, na imunidade penal do empresário do grupo JBS, encerrou seu mais recente capítulo, ontem, na consumação de uma reviravolta iniciada no início da semana passada.

Foi quando o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou a abertura de investigação a partir da descoberta de uma gravação, omitida em depoimentos por Joesley e por um dos diretores do grupo, Ricardo Saud, também com acordo de colaboração firmado com o MP.

A gravação — “uma conversa de bêbados”, tentou atenuar Joesley — indicou que o ex-prono curador Marcelo Miller ajudara os dois da JBS a fazer os acordos, mesmo quando ainda trabalhava na Procuradoria-Geral da República.

Conversa de botequim – Editorial | Folha de S. Paulo

Uma mera coincidência, segundo os personagens, reuniu neste sábado (9) o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e Pierpaolo Bottini, advogado do delator Joesley Batista, da JBS, numa mesa de bar em Brasília.

Flagrados pela câmera de um frequentador do local, os dois disseram nada terem conversado sobre temas profissionais —muito menos, presume-se, acerca do pedido de prisão, apresentado no dia anterior pelo primeiro, do empresário cliente do segundo.

"Apenas amenidades", segundo a nota emitida pela Procuradoria, "entre duas pessoas que se conhecem por atuarem na área jurídica".

Consumado no domingo, o encarceramento de Joesley Batista e Ricardo Saud, também executivo da JBS, teve origem em diálogo gravado entre ambos, este de teor etílico mais elevado, e nos esclarecimentos que prestaram a esse respeito na semana passada.

Com Joesley preso, Janot prepara o seu último ato – Editorial |Valor Econômico

As delações dos irmãos Batista provocou a descida ao inferno do governo do presidente Michel Temer, mas a prisão de Joesley Batista e o diretor de relações institucionais da empresa, Ricardo Saud, Joesley Batista, sócio da JBS e Ricardo Saud, diretor de relações institucionais da empresa não significam que ele recuperará a normalidade. Na semana final do mandato de Rodrigo Janot à frente da Procuradoria Geral da República, um novo processo contra o presidente poderá ser encaminhado, mesmo que a suspensão dos benefícios da delação premiada de Joesley tenha em princípio enfraquecido suas novas investidas.

Pouco menos de uma semana após Joesley e Saud terem entregue ao MP uma fita com quatro horas de papo livre, onde há demonstrações de tudo, especialmente de megalomania e certeza da impunidade, o ministro Edson Fachin determinou sua prisão por 5 dias para que prossigam, sem obstáculos, as investigações sobre possíveis omissões dolosas dos delatores. A suspeita principal, que motivou o pedido de prisão também do ex-procurador Marcelo Miller - negada por Fachin -, é a de que quando ainda exercia suas funções ele já cooperava com os irmãos Batista para a obtenção do benefício da imunidade total com as delações. Segundo Janot, Miller já mantinha contatos com o escritório que defendeu Joesley, a Trench, Rossi e Watanabe, antes de março, isto é, antes da fatídica gravação da horripilante conversa entre o empresário e o presidente Temer no Palácio do Jaburu.

A autonomia das provas no STF | Vera Magalhães

- O Estado de S.Paulo

A reviravolta no acordo de delação premiada do Grupo J&F abriu um corredor para que aqueles que são investigados pela Lava Jato passem a questionar de forma menos tímida o instituto da colaboração judicial.

A cantilena é capaz de unir petistas, peemedebistas e tucanos no mesmo diapasão, e caberá ao Ministério Público Federal, na gestão de Raquel Dodge, e ao Supremo Tribunal Federal (STF) atuar para definir as balizas legais para preservação de um importante instrumento judicial, que foi determinante para mudar a realidade de impunidade no Brasil.

Lula, o Maluf da esquerda | Hélio Schwartsman

- Folha de S. Paulo

A confissão de Antonio Palocci acaba com Lula? Bem, acho que dá para dizer que ela não ajuda o ex-presidente, mas me parece precipitado afirmar que encerre a carreira política do líder petista, que já conseguiu livrar-se de situações que pareciam impossíveis.

O primeiro ponto a considerar é que a bomba lançada por Palocci ainda está no terreno das declarações. O que ele diz tem peso por vir de quem vem, mas não chega a ser um "batom na cueca" como o vídeo de Rocha Loures com a mala de dinheiro.

Mais importante, a narrativa que Lula vinha usando para explicar seu envolvimento na Lava Jato —"tudo não passa de perseguição política promovida pelas elites que não querem ver a vida dos pobres melhorar"— pode, sem grandes malabarismos, acomodar a transformação de Palocci: depois de sofrer meses de "tortura psicológica" ao ser mantido injustamente na cadeia, ele desabou e agora acusa o ex-presidente apenas para deixar o cárcere.

Sessão histórica | Merval Pereira

- O Globo

A sessão de amanhã do Supremo Tribunal Federal (STF) será fundamental para a definição dos rumos das investigações do Ministério Público no âmbito da Operação Lava-Jato. Uma sessão histórica, segundo o ministro Gilmar Mendes, que pretende encaminhar a discussão no plenário para a anulação das provas contra o presidente Michel Temer, especificamente a gravação da conversa com Joesley Batista.

Outros ministros, que formam a maioria do plenário, pelas indicações iniciais, consideram que a sessão será histórica porque reafirmará a validade da delação premiada como instrumento das investigações, mesmo que as de Joesley e Ricardo Saud tenham sido fraudadas.

O fato de a legislação que trata das colaborações premiadas ter mecanismos para retificar os erros cometidos e punir com a rescisão do acordo de delação os delatores que tentaram enganar a Justiça seria, nesse ponto de vista, indicação concreta de que o instrumento é útil e, sobretudo, que as provas dele decorrentes continuam válidas apesar da tentativa de fraude.

Relapso, foi. Desonesto, Janot não é | Ricardo Noblat

- Blog do Noblat

Janot está pagando o preço por ter sido descuidado, relapso e até temerário quando se reuniu com um advogado de Joesley em um botequim de Brasília

De Rodrigo Janot, Procurador Geral da República em final de mandato, o mínimo que se diz nos gabinetes mais poderosos de Brasília é que foi feito de bobo pelos delatores do Grupo JBS, e traído por seu homem de confiança Marcelo Miller, até há pouco procurador da República ocupado com casos da Lava Jato.

O máximo, que Janot e Miller embolsaram algum dinheiro do Grupo JBS para apressar os ritos de sua delação premiada. Miller abandonou o emprego estável na Procuradoria para ajudar na defesa do grupo. Mas desde antes de fazê-lo, orientou a delação de Joesley Batista e discutiu futuros honorários.

Depoimento é decisivo para candidatura Lula | Raymundo Costa

- Valor Econômico

Ex-presidente chega acuado e abatido a Curitiba

A quarta-feira 13 pode ser o Dia D da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva às eleições de 2018.

Lula presta depoimento amanhã ao juiz Sergio Moro, em Curitiba, acuado pelas revelações feitas há uma semana por Antonio Palocci, ministro da Fazenda e da Casa Civil nos governos do PT, segundo as quais Lula estava no centro do esquema de corrupção da Petrobras e autorizou a cobrança de propina para financiar a campanha à reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff.

Se o ex-presidente se enrolar na presença de Sergio Moro, não deve ser candidato em 2018 por mais que esteja legalmente habilitado. Se for bem, pode começar por Curitiba mesmo a caravana programada para a região Sul do país, a exemplo da que liderou no Nordeste, encerrada no dia 5 em São Luís do Maranhão.

Mas Lula chega a Curitiba abatido com o depoimento de Palocci, segundo fontes que com ele convivem. Não esperava. Dizia para os mais chegados que não havia nenhuma chance de ser implicado por seu ex-ministro da Fazenda. Por dois motivos. Primeiro, o discurso de sempre: não tem ninguém que possa dizer que o viu pegar um tostão ou que tenha condição moral de dizer que colocou um centavo em sua mão. O segundo, a proximidade.

Os privilégios do STF | Marco Antonio Villa

- O Globo

Com a informatização, como justificar 29 funcionários cuidando da encadernação? Encadernam o quê?

O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição (artigo 102). Diz a ministra Cármen Lúcia, no relatório de atividades de 2016, que buscou “racionalizar o gasto de dinheiro público.” Será? Dinheiro não faltou. Em 2016, a Corte recebeu R$ 554.750.410,00. E achou pouco. O pedido inicial era de R$ 624.841.007,00. Desta fortuna, R$ 206.311.277,11 foram reservados ao pagamento do pessoal ativo. E mais R$ 131.300.522,83 para os aposentados e pensionistas. São 1.216 funcionários ativos (554 com função gratificada), 306 estagiários e 959 terceirizados. Há variações nos dados mas o total geral não é inferior a 2.450, o que dá a média de 222 funcionários por ministro. Fica a preocupação de que todos os funcionários não podem comparecer aos locais de trabalho sob pena de colocar em risco as estruturas dos prédios.

Autoritarismo liberal | Joel Pinheiro da Fonseca

- Folha de S. Paulo

Existem no mundo pessoas e obras contrárias aos meus valores, e nem por isso procurarei suprimi-las

A direita aprendeu direitinho com a esquerda como fazer militância agressiva. Primeiro encontre um alvo: a exposição "Queermuseu" do Santander Cultural em Porto Alegre, que trazia obras sobre sexualidade e expressão de gênero. Invente acusações absurdas e sensacionalistas: a de que a mostra incentivava pedofilia e zoofilia. Alimente teorias da conspiração, como a de que os grandes bancos promovem valores "marxistas" para destruir a sociedade. Finalmente, chame atenção: denuncie, lance abaixo-assinado, boicote, faça protestos, promova a reação irrefletida das massas.

O Movimento Brasil Livre (MBL) está se especializando nesse tipo de atuação para ganhar espaço. Neste caso, apropriou-se dos protestos de grupos cristãos e bolsonaristas, aumentando seu alcance pelo Brasil. Entenderam a lógica de nossa democracia do grito: o poder não é da maioria, e sim das minorias organizadas e barulhentas. E se tem uma coisa que o MBL sabe fazer é barulho.

Integração ou desintegração regional | *Rubens Barbosa

- O Estado de S.Paulo

A América do Sul está na contramão das tendências globais de fortalecimento regional

Com as transformações que ocorrem no cenário internacional, a nova geopolítica mundial passou a incorporar três dimensões: a construção de espaços regionais, os avanços tecnológicos com a digitalização (internet, computadores, TV) e a expansão dos espaços econômicos sem fronteiras, com a globalização dos fluxos de capital e de investimentos.

O regionalismo se afirma como consequência da globalização, como ocorre na Ásia, na Europa e na América do Norte, explicitada na negociação de mega-acordos de preferências comerciais.

A América Latina, porém, não está acompanhando a tendência global da formação de grandes blocos. A região, do ângulo econômico e comercial, está dividida em quatro blocos: Mercosul, Aliança do Pacífico, Mercado Comum Centro-Americano e Comunidade do Caribe. O intercâmbio comercial entre os países latino-americanos ainda é muito baixo e representa 16% do total das trocas de todos os países, quando na Europa sobe a 60%.

Os pontos positivos | Míriam Leitão

- O Globo

Há vários pontos na economia que sustentam a recuperação este ano e no próximo. Porém, não há garantia de que é o início da retomada sustentada do crescimento depois da grande queda. Mas os bons indicadores alimentam o otimismo que se refletiu no recorde histórico do Ibovespa ontem, apesar da continuação da crise política e da enorme incerteza sobre o que vai acontecer no Brasil depois de 2018.

O economista José Roberto Mendonça faz uma lista do que pode sustentar o crescimento no ano que vem. A MB Associados está com uma das previsões mais altas do mercado para o PIB: de 0,7% este ano e de 3% em 2018. Mas ele também tem uma lista de pontos obscuros na conjuntura.

Ele liga, por exemplo, a delação da JBS com a piora fiscal que levou à revisão da meta. O escândalo em que o presidente se envolveu o enfraqueceu politicamente e isso foi cobrado em gasto público.

Rumo à normalidade | José Márcio Camargo

- O Estado de S. Paulo.

A persistência de taxas de inflação muito abaixo da meta de 2% ao ano, apesar das políticas monetárias extremamente frouxas dos principais bancos centrais do mundo, tem gerado perplexidade entre os analistas. Em especial, parece difícil explicar por que, com taxas de desemprego já muito baixas para os padrões históricos nos Estados Unidos e na Alemanha, os salários nominais não mostram sinais de aceleração.

Esta persistência de taxas de inflação muito baixas está, a nosso ver, relacionada aos efeitos do processo de globalização sobre os preços dos bens comerciáveis. A globalização é, fundamentalmente, um processo de terceirização de atividades produtivas em nível internacional, no qual as empresas decidem localizar suas atividades naqueles países onde é mais barato produzir, seja porque os salários são mais baixos, dado a qualidade da mão de obra, seja porque as instituições são mais indutoras de esforço, seja porque a produtividade das empresas é maior, etc.

Economia política da alta taxa de juros | Yoshiaki Nakano

- Valor Econômico

Juros elevados e taxa de câmbio apreciada fazem parte de uma longa tradição histórica e cultural brasileira


Na medida em que a taxa de inflação sofreu uma forte queda e está abaixo da meta, a taxa de juros do Banco Central do Brasil vem sofrendo significativa queda. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária reduziu a taxa Selic para 8,25% ao ano. As expectativas são de que o Banco Central pode ainda reduzir mais um ponto percentual. Ainda assim, a taxa real de juros Selic continua bastante elevada, quando comparada aos padrões internacionais.

Em muitos países desenvolvidos, a taxa nominal de juros é negativa, em outros próxima de zero, tal a abundância de liquidez existente no mercado financeiro internacional. Mesmo nos países em desenvolvimento, incluindo a América Latina, onde a taxa de inflação é mais elevada, a taxa nominal de juros, considerada normal, está em torno de 3 % ao ano. Por que o Brasil é tão diferente do resto do mundo?

FHC defende ‘união’ entre Alckmin e Doria

Ex-presidente adotou um tom conciliador no evento do grupo Lide, do prefeito João Doria, e chamou o governador e o prefeito de 'queridos amigos'

Pedro Venceslau e Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta segunda-feira, 11, que o prazo máximo para o PSDB realizar prévias para definir o candidato à Presidência em 2018 é março. Fernando Henrique também relativizou o comentário do presidente nacional interino do partido, senador Tasso Jereissati (CE), de que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), é o "primeiro da fila" na disputa. Para FHC, a fala de Tasso Jereissati tem a ver com o tempo em que Alckmin está na política.

"Geraldo está há mais tempo na política. Nesse sentido, é o primeiro da fila. Isso significa que tem lugar garantido? Não", disse o ex-presidente, após uma palestra oferecida pelo Lide - Grupo de Líderes Empresariais, organização criada pelo prefeito da capital paulista e também postulante ao cargo, João Doria (PSDB).

FHC reiterou que acha saudável a competição na legenda e se disse feliz pela sigla ter mais de uma opção "com vontade e em posição" de se candidatar ao Planalto. O tucano declarou também não ter preferência entre a escolha do candidato via prévias ou por meio de pesquisas de opinião. "Se não estiver claro quem tem chance, o partido faz prévias", disse, ao acrescentar que as pesquisas dizem "pouca coisa" nesta altura, a cerca de um ano da eleição. "A pesquisa não é o único indicador. Tem de ver qual a ideia da pessoa, o que ela representa, quais os apoios efetivos que a pessoa tem. Não é só uma avaliação numérica, é qualitativa também", resumiu.

FHC prega união dentro do partido

Por Cristiane Agostine | Valor Econômico

SÃO PAULO - Em meio à disputa dentro do PSDB para definir quem será o candidato à Presidência, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pediu ontem "união" entre o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB). Ao lado dos dois tucanos, FHC disse esperar que Doria e Alckmin estejam juntos em 2018, sob o risco de o país votar em um candidato demagogo, com "uma narrativa falsa". O tucano afirmou que o partido deve fazer prévias até março do próximo ano e relativizou o peso das pesquisas de intenção de voto.

FHC procurou mostrar equidistância dos dois pré-candidatos, ao participar de um almoço-debate promovido pelo Lide, grupo fundado pelo prefeito. Em recado indireto a Doria, disse que as pesquisas de intenção de voto "não dizem muita coisa" e defendeu a realização de prévias entre dezembro e março. O prefeito quer que as pesquisas - e não as prévias - definam o candidato tucano. Doria tem viajado pelo país para divulgar seu nome e tenta obter vantagem nas intenções de voto em relação ao governador.

Em relação a Alckmin, o ex-presidente afirmou que o governador é o "primeiro da lista" para disputar a Presidência, como disse o presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati (CE), mas que isso não garante a candidatura. FHC disse também que as prévias podem ser entre dezembro e março e não necessariamente neste ano, como Alckmin quer.

Alckmin acelera articulações e afirma que PSDB não irá se dividir

Por Carolina Freitas, Ricardo Mendonça e Marcos de Moura e Souza | Valor Econômico

SÃO PAULO E BELO HORIZONTE - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), pregou conciliação ao ser questionado sobre a disputa que trava dentro do partido com o prefeito João Doria pela candidatura à Presidência da República em 2018. "Sou daqueles que entendem que o Brasil, para crescer, precisa de estabilidade. Casa dividida não dá certo", disse Alckmin ontem em entrevista à rádio Mix FM, de Sergipe, antes de receber no Palácio dos Bandeirantes o governador do Sergipe, Jackson Barreto (PMDB).

O governador adotava até esta semana uma estratégia diferente da do rival. Enquanto Doria se envolveu em uma frenética agenda de eventos com ampla cobertura de mídia, Alckmin priorizou reuniões fechadas com dirigentes políticas. Nos próximos dias, entretanto, o tom será outro. Hoje o paulista viaja a Brasília para um almoço com a bancada ruralista, coordenada pelo tucano Nilson Leitão (PA). A ideia de Leitão é entregar para o tucano, que é pré-candidato à Presidência, a pauta dos ruralistas. O setor está empenhado atualmente em discutir com o governo federal o parcelamento das dívidas do Funrural - fundo pago para a previdência social dos trabalhadores do campo - e novas regras de licenciamento ambiental.

Alckmin faz ofensiva por apoio no agronegócio e em MG

Igor Gielow | Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin (SP) tem dois novos alvos na costura para tentar ser o candidato do PSDB à Presidência em 2018: o setor agropecuário e Minas Gerais.

Nesta terça-feira (12), o tucano almoçará com representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária, que lhe entregarão uma pauta de reivindicações do setor.

O tucano confia boa parte da articulação com o setor a Frederico D´Ávila, do PP, que foi seu conselheiro na área. O PP está em busca de uma "refundação" e deverá acompanhar Alckmin se ele for o presidenciável tucano.

Na quinta (14), o governador fará a primeira de duas visitas a Minas. Almoçará na Associação Comercial do Estado e depois se encontra com políticos, provavelmente acompanhado pelo senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), aliado de Aécio Neves.

O senador e presidente licenciado do PSDB foi abatido pela Operação Lava Jato, mas retém grande influência nos rumos do partido.

FH: Alckmin é o primeiro da fila, mas vaga não está garantida

Ex-presidente não se comprometeu com o governador ou com João Doria para 2018

Sérgio Roxo | O Globo

-SÃO PAULO- O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, apesar de ser o “primeiro da fila”, não tem garantido o posto de candidato a presidente da República pelo PSDB, ano que vem. Em entrevista após participar de um almoço promovido pelo Lide, grupo empresarial que pertence ao prefeito de São Paulo, João Doria, FH foi questionado sobre a declaração do presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), de que o governador paulista é o primeiro da fila.

— Ele (Tasso) deve estar se referindo ao seguinte: o Geraldo está há mais tempo na vida político-eleitoral. Nesse sentido, é o primeiro da fila. Isso quer dizer que tem o lugar já garantido? Não.

O ex-presidente também defendeu que a prévia para a escolha do candidato à Presidência da República do PSDB seja realizada até o começo do próximo ano.
— É preciso levar em consideração que os partidos precisam de tempo para fazer campanha. O limite máximo é março — afirmou.

FH acredita que tanto o modelo defendido por Doria, com base no desempenho das pesquisas, como o defendido pelo governador paulista, de prévias, devem ser levados em consideração na hora da escolha do candidato.

Grita | Pablo Neruda

Amor, quando chegares à minha fonte distante,
cuida para que não me morda tua voz de ilusão:
que minha dor obscura não morra nas tuas asas,
nem se me afogue a voz em tua garganta de ouro.

Quando chegares, Amor
à minha fonte distante,
sê chuva que estiola,
sê baixio que rompe.

Desfaz, Amor, o ritmo
destas águas tranquilas:
sabe ser a dor que estremece e que sofre,
sabe ser a angústia que se grita e retorce.

Não me dês o olvido.
Não me dês a ilusão.
Porque todas as folhas que na terra caíram
me deixaram de ouro aceso o coração.

Quando chegares, Amor
à minha fonte distante,
desvia-me as vertentes,
aperta-me as entranhas.

E uma destas tardes - Amor de mãos cruéis -,
ajoelhado, eu te darei graças.
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Pablo Neruda, in "Crepusculário"

Victor Jara - Caminando, Caminando