terça-feira, 12 de junho de 2012

A esfinge brasileira :: Monica Baumgarten de Bolle

"Decifra-me ou devoro-te". Como impulsionar o consumo? Como destravar o investimento? Eis os grandes enigmas atuais da economia brasileira. Desatar o nó górdio do investimento privado em meio à crise financeira internacional e à imprevisibilidade europeia é um desafio quase insuplantável no momento. Resta, portanto, ele, o consumo. Fonte de acalorados debates, teses incompletas e frases de efeito. "O modelo de consumo se esgotou". Alguém ainda aguenta ouvir isso?

O debate atual em torno desse suposto esgotamento do "modelo de consumo" para o crescimento brasileiro tem misturado alhos com bugalhos no afã de desqualificar a atual estratégia adotada pelo governo para incrementar o ritmo de crescimento econômico. Embaralham os estímulos cíclicos de demanda - o que qualquer governo faz quando vê a atividade ameaçada por choques externos - com políticas de médio prazo de expansão da capacidade produtiva, para chegar à apressada conclusão de que "não há mais espaço" para a expansão do consumo e do endividamento das famílias. É claro que só uma estratégia de crescimento focada nas reformas estruturais e nas condições para o avanço do investimento privado garante a sustentabilidade da expansão da atividade e do desenvolvimento do país. Não há como discordar disso. A recomendação é tão sensata quanto qualquer conselho de avó.

Cerca de 45% da dívida das famílias tem prazo inferior a um ano, sendo que 30% do total é de menos de 6 meses

Mas isso nada tem a ver com a tentativa legítima de incentivar o consumo quando a economia ameaça escorregar por causa da crise internacional. Ou melhor, incentivar o consumo nestas condições é o mesmo que seguir o conselho avoengo de incontestável sensatez, "proteja-se das correntes de ar".

"Decifra-me ou devoro-te". Cadê o esgotamento? Vamos aos fatos. O crescimento brasileiro foi beneficiado, nos últimos anos, tanto pelo consumo, quanto pelo investimento. Basta olhar as Contas Nacionais. Entre 2003 e 2011, a razão investimento/Produto Interno Bruto (PIB) saiu de 15% para 20%, enquanto o consumo perdeu participação no PIB.

A expansão do consumo neste período foi acompanhada de um aumento da alavancagem do consumidor, cujo comprometimento mensal da renda disponível atingiu 22% em março de 2012, após permanecer em torno de 19% entre maio de 2009 e maio de 2011; um avanço de três pontos percentuais que foi acompanhado de muito estardalhaço. Sobretudo quando os próprios bancos costumam trabalhar com um nível máximo de comprometimento de cerca de 30%. Houve, sim, uma alta de inadimplência. Mas os dados coletados pelo Banco Central (BC) e os indicadores do Serasa já apontam uma queda destas taxas à frente.

O prazo médio das dívidas para pessoas físicas é curto. Cerca de 45% do estoque tem prazo inferior a um ano, sendo que 30% do total é de menos de seis meses. Assim, as dívidas "acabam rápido" - e em um ambiente de estímulo ao refinanciamento, isso tende a ser acelerado, como agora. As taxas estão em queda, o que reforça o estímulo ao refinanciamento e abre espaço para maior contratação de dívida e consumo, uma vez que o percentual da renda comprometida com o pagamento de juros diminui proporcionalmente; dados preliminares do BC já apontam queda entre janeiro e maio na taxa média para pessoas físicas.

Os consumidores vêm se desalavancando mais recentemente, e mostram maior conforto com seu nível de endividamento, possivelmente um reflexo da curta duração das dívidas. A Sondagem do Consumidor da FGV mostra que, ao longo de 2011, o percentual de famílias que estava se endividando recuou, e, desde então, subiu apenas ligeiramente, atingindo 17,6% da amostra - abaixo da média histórica da pesquisa, de 20,5%. No mesmo período, o percentual de famílias que estão poupando subiu sistematicamente, e tem mostrado alguma estabilidade em torno do pico da série.

A Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio aponta uma diminuição do percentual de famílias endividadas entre maio de 2011 e maio de 2012. As famílias que se consideram pouco ou não endividadas atingem 64,5% da amostra, um avanço ante o mesmo mês do ano passado. Os próprios consumidores se mostram mais dispostos a aumentar suas compras. Segundo a FGV, cerca de 19% das famílias da amostra pretendem aumentar suas compras de bens duráveis. O percentual de famílias que pretendem diminuir suas compras, por outro lado, segue em patamar historicamente baixo (28%).

O consumidor quer aumentar seus gastos, tem confiança na perspectiva de emprego, passa por um momento em que uma boa parte das dívidas contraídas até o fim de 2011 estão vencendo, e se depara com custos declinantes para a contratação de novas dívidas. O que parece faltar é uma maior oferta de crédito por parte dos bancos, o que é compreensível no momento. Entretanto, espaço para consumir mais e crescer mais há, sim, ainda que não no ritmo observado ao longo de 2010. Desde que haja crédito. A estratégia pode não ser a melhor nem a mais segura, afinal estimula a alavancagem do consumidor. Mas decerto deve ser potente no curto prazo para estimular o crescimento.

Enigma decifrado.

Monica Baumgarten de Bolle é economista, professora da PUC-RJ e diretora do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças (IEPE/CdG).

FONTE: VALOR ECONÔMICO

Cabo das tormentas:: Míriam Leitão

A Espanha está tentando contornar o mais doloroso no processo de pedir socorro financeiro aos países do euro: a humilhação de ter as decisões de governo submetidas ao controle externo. Até agora conseguiu, porque os outros países líderes aceitaram construir um caminho alternativo. Os episódios recentes não estimulam o otimismo nesse caso. Um país quando começa a pedir resgate tem um preço a pagar.

O governo espanhol tem 47 bilhões em dívida para rolar ainda este ano e está pagando juros mais caros. Além disso, os bancos espanhóis têm alta exposição à dívida pública do país. São eles que financiam o governo, o que torna a crise uma espiral negativa. O governo vai pegar empréstimos para injetar dinheiro nos bancos, para saneá-los, mas isso vai piorar a qualidade dos títulos públicos porque a dívida aumenta. O endividamento público deve subir de 70% do PIB para 80% por causa desse empréstimo. Mesmo que se consiga uma contabilidade criativa que evite a alta da dívida líquida, no registro da dívida bruta terá que constar esse empréstimo.

Há também um deterioração no sentimento dentro da própria união monetária porque, diante de um mesmo problema, os líderes tomaram decisões diferentes. Grécia, Irlanda e Portugal terão que cumprir metas e submeter suas decisões à troica, que reúne os burocratas do FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. Mas a Espanha está conseguindo uma nova rota ao dinheiro dos mecanismos de financiamento para a saída da crise. E isso apenas porque é uma economia maior do que as outras.

Esse socorro não resolve os outros problemas do país: o baixo crescimento, o alto desemprego, a queda dos preços dos imóveis, a alta inadimplência.

Na opinião do economista José Márcio Camargo, da PUC-Rio, a Europa está tentando evitar um desastre caso as eleições gregas deem vitória às tendências mais radicais, no próximo domingo. Se quem ganhar a eleição não cumprir o que foi acertado, a União Europeia pode decidir não financiar o país. Esse é um cenário de caos, pensa ele.

Camargo compara com a situação da Argentina, quando as províncias começaram a lançar títulos para pagar as próprias contas por falta absoluta de dinheiro, às vésperas do colapso do país. Na visão dele, o socorro à Espanha não resolve o problema e é só uma ação preventiva a esse cenário de descontrole que pode ocorrer numa saída desordenada da Grécia da união monetária.

Os títulos espanhóis terminaram o dia pagando 6,51% de juros, para vencimento em 10 anos. Uma forte alta frente os 6,22% de sexta-feira. Quanto maior a taxa de juros, maior o custo para o Tesouro espanhol se financiar. E se subiram é porque o anúncio do pacote de medidas não convenceu.

As bolsas europeias tiveram desempenho misto, com pequena alta na Alemanha, pequenas quedas na França e na Espanha. Mas o que chamou atenção foi o tombo de 2,79% na bolsa de Milão. Um prenúncio de que a Itália pode ser a próxima vítima? Os títulos do governo italiano voltaram a ser negociados acima de 6%. No Brasil, o dólar subiu para R$ 2,05, apesar de uma intervenção feita pelo Banco Central, que vendeu US$ 400 milhões em uma operação de swap. O Ibovespa caiu 0,79%. E a balança comercial começou junho no negativo. O temor dos analistas é que piore os termos de troca do Brasil, ou seja, caia de preço o que o Brasil vende, e suba o preço do que o Brasil compra, como resultado da alta do dólar.

É difícil saber o efeito que terá sobre os outros países da Europa o tratamento desigual dado a governos com problemas parecidos. O risco é de aumentar o ressentimento entre gregos, portugueses e irlandeses. Para a Espanha, a arquitetura da ajuda é de uma transferência de recursos do Fundo de Estabilidade Financeira para o fundo espanhol que socorrerá os bancos. Se fosse ajuda direta ao governo seria obrigatório que as autoridades assumissem metas de desempenho fiscal.

O que as autoridades da zona do euro temem é a consequência política de uma intervenção no formato mais tradicional. O governo de Mariano Rajoy tem apenas seis meses e já está com 80% de rejeição. A aceitação de uma supervisão externa sobre as decisões de governo o enfraqueceria ainda mais.

O que ficou claro depois desse fim de semana é que existe de fato duas europas. Uma delas é formada pelos quatro grandes países: Alemanha, França, Itália e Espanha. E outra é formada pelos outros países menores. Portugal, que faz parte do segundo grupo, vem fazendo um espantoso esforço, e até agora com êxito, de redução do déficit em transações correntes e de melhora das contas públicas.

Um caminho que pode sanar essa fratura - que permite que alguns contornem tormentas que outros têm que enfrentar - pode ser o de criar a obrigação de que os maiores bancos de todos os países se submetam à supervisão de uma autoridade bancária supranacional. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, defendeu esse caminho enfaticamente. Ele disse, numa entrevista ontem à noite ao "Financial Times", que diante da crise o único caminho é a união mais profunda da federação monetária. Barroso argumentou que a construção da União Europeia sempre foi "passo a passo", mas que agora é necessário um grande passo.

FONTE: O GLOBO

Nova ajuda a bancos :: Paul Krugman

Impressiona que, apesar do socorro, não há nenhuma intenção de mudar as estratégias que deixaram quase 25% dos trabalhadores espanhóis desempregados

Pois é, mais uma ajuda aos bancos, desta vez na Espanha. Quem poderia ter previsto tal coisa? Evidentemente a resposta é: qualquer pessoa. Na realidade, toda esta história começa a parecer uma rotina cômica. Mais uma vez, a economia derrapa, o desemprego vai às alturas, os bancos enfrentam dificuldades financeiras, os governos correm para ajudar, mas, não devemos deixar de observar: só os bancos recebem ajuda, não os desempregados.

A título de esclarecimento, os bancos espanhóis precisavam mesmo de uma operação de salvamento. A Espanha estava claramente à beira de um "doom loop" - um processo bastante conhecido no qual a preocupação com a solvência dos bancos os obriga a vender ativos, o que derruba os preços dos ativos, o que por sua vez torna as pessoas ainda mais preocupadas com a solvência. Os governos podem deter esses círculos viciosos com uma injeção de dinheiro. Entretanto, neste caso, o que está em questão é a própria solvência do governo espanhol, de modo que o dinheiro teria de vir de um fundo europeu mais amplo.

Portanto, não há nada de necessariamente errado nesse recente salvamento (embora muitas coisas dependam dos detalhes). Entretanto, o que impressiona é que, enquanto os líderes europeus organizavam essa operação de ajuda, eles indicavam que não tinham nenhuma intenção de mudar as estratégias que deixaram quase 25% dos trabalhadores espanhóis - e mais da metade dos seus jovens - sem uma ocupação.

Particularmente, na semana passada o Banco Central Europeu (BCE) não quis baixar os juros. Essa decisão estava sendo muito esperada, mas isso não nos deve impedir de observar que se trata também de uma decisão profundamente estranha. O desemprego na área do euro é muito elevado, e todas as indicações mostram que o continente está entrando numa nova recessão. Ao mesmo tempo, a inflação está desacelerando. Segundo todos os parâmetros da política monetária, a situação exige agressivos cortes de juros. Mas o BCE não pretende se mexer. E sequer leva em conta o risco crescente de um colapso do euro. Durante anos, a Espanha e outros países europeus hoje em má situação sabiam que só poderiam se recuperar mediante uma combinação de austeridade fiscal e "desvalorização interna", o que significa corte de salários. Agora, está evidente que a estratégia não funciona, a não ser que haja um forte crescimento, e, isso mesmo, uma moderada inflação no "coração" da Europa, a Alemanha - o que fornece mais uma razão para baixar os juros e imprimir muito dinheiro. Mas o BCE nem se mexe.

Ao mesmo tempo, as autoridades afirmam que a austeridade e a desvalorização interna só funcionarão se as pessoas acreditarem em sua necessidade.

Vejamos, por exemplo, o que Joerg Asmussen, o representante alemão do conselho executivo do BCE, acaba de afirmar na Letônia, que se tornou o exemplo de uma estratégia de austeridade supostamente bem-sucedida. (Anteriormente era a Irlanda, mas a economia irlandesa continua se recusando a se recuperar.) "A diferença básica entre a Letônia e a Grécia", disse Asmussen, "está no grau de responsabilidade nacional no programa de ajustes - não só dos estrategistas nacionais, como também da própria população". Podemos chamá-lo de enfoque à la Darth Vader da política econômica. Na realidade, Asmussen está dizendo aos gregos: "Acho perigosa sua falta de confiança".

E veja bem, o sucesso da Letônia consiste em um ano de uma expansão bastante razoável depois de um declínio econômico do tamanho de uma depressão, nos últimos três anos. De fato, uma expansão de 5,5% é bem melhor do que nada. Contudo, vale a pena notar que a economia dos Estados Unidos cresceu quase o dobro disso - 10,9% - em 1934, quando se recuperava da fase pior da Grande Depressão. Entretanto, a Depressão estava longe de ter acabado.

Juntando tudo isso teremos o quadro de uma elite política europeia sempre disposta a pular para a ação para defender os bancos, mas nada disposta a admitir que suas políticas não estão atendendo às necessidades das pessoas às quais a economia deveria servir.

No entanto, será que a nossa situação é melhor? A perspectiva americana a curto prazo não é tão ruim quanto a da Europa, mas os próprios prognósticos do Fed apontam para uma inflação baixa e um elevado desemprego nos próximos anos - exatamente as condições nas quais o Fed deveria se apressar a socorrer a economia. Mas o Fed não se mexe.

O que explica essa paralisia transatlântica diante do atual desastre humano e econômico? A política faz seguramente parte disso - o que quer que elas digam, as autoridades do Fed estão claramente intimidadas pelas advertências de que toda política expansionista será considerada uma tentativa de ajudar o presidente Barack Obama. Portanto, trata-se de uma mentalidade que considera o sofrimento econômico de certo modo redentor, uma mentalidade que certa vez um jornalista inglês chamou de "sadomonetarismo".

Por mais profundas que sejam as raízes dessa paralisia, está se tornando cada vez mais claro que será preciso que ocorram outras catástrofes para que se recorra a uma ação política concreta que vá além da ajuda aos bancos. Mas não se desesperem: do jeito que as coisas vão, especialmente na Europa, uma nova catástrofe está próxima.

Tradução Anna Capovilla

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

O olhar para trás:: Vinicius de Moraes

Nem surgisse um olhar de piedade ou de amor
Nem houvesse uma branca mão que apaziguasse minha fronte palpitante...
Eu estaria sempre como um círio queimando para o céu a minha fatalidade
Sobre o cadáver ainda morno desse passado adolescente.

Talvez no espaço perfeito aparecesse a visão nua
Ou talvez a porta do oratório se fosse abrindo misteriosamente...
Eu estaria esquecido, tateando suavemente a face do filho morto
Partido de dor, chorando sobre o seu corpo insepultável.

Talvez da carne do homem prostrado se visse sair uma sombra igual à minha
Que amasse as andorinhas, os seios virgens, os perfumes e os lírios da terra
Talvez… mas todas as visões estariam também em minhas lágrimas boiando
E elas seriam como óleo santo e como pétalas se derramando sobre o nada.

Alguém gritaria longe: - "Quantas rosas nos deu a primavera!..."
Eu olharia vagamente o jardim cheio de sol e de cores noivas se enlaçando
Talvez mesmo meu olhar seguisse da flor o vôo rápido de um pássaro
Mas sob meus dedos vivos estaria a sua boca fria e os seus cabelos luminosos.

Rumores chegariam a mim, distintos como passos na madrugada
Uma voz cantou, foi a irmã, foi a irmã vestida de branco! - a sua voz é fresca como o orvalho...
Beijam-me a face - irmã vestida de azul, por que estás triste?
Deu-te a vida a velar um passado também?

Voltaria o silêncio - seria uma quietude de nave em Senhor Morto
Numa onda de dor eu tomaria a pobre face em minhas mãos angustiadas
Auscultaria o sopro, diria à toa - Escuta, acorda
Por que me deixaste assim sem me dizeres quem eu sou?

E o olhar estaria ansioso esperando
E a cabeça ao sabor da mágoa balançando
E o coração fugindo e o coração voltando
E os minutos passando e os minutos passando...

No entanto, dentro do sol a minha sombra se projeta
Sobre as casas avança o seu vago perfil tristonho
Anda, dilui-se, dobra-se nos degraus das altas escadas silenciosas
E morre quando o prazer pede a treva para a consumação da sua miséria.

E que ela vai sofrer o instante que me falta
Esse instante de amor, de sonho, de esquecimento
E quando chega, a horas mortas, deixa em meu ser uma braçada de lembranças
Que eu desfolho saudoso sobre o corpo embalsamado do eterno ausente.

Nem surgisse em minhas mãos a rósea ferida
Nem porejasse em minha pele o sangue da agonia...
Eu diria - Senhor, por que me escolheste a mim que sou escravo
Por que chegaste a mim cheio de chagas?

Nem do meu vazio te criasses, anjo que eu sonhei de brancos seios
De branco ventre e de brancas pernas acordadas
Nem vibrasses no espaço em que te moldei perfeita...
Eu te diria - Por que vieste te dar ao já vendido?

Oh, estranho húmus deste ser inerme e que eu sinto latente
Escorre sobre mim como o luar nas fontes pobres
Embriaga o meu peito do teu bafo que é como o sândalo
Enche o meu espírito do teu sangue que é a própria vida!

Fora, um riso de criança - longínqua infância da hóstia consagrada
Aqui estou ardendo a minha eternidade junto ao teu corpo frágil!
Eu sei que a morte abrirá no meu deserto fontes maravilhosas
E vozes que eu não sabia em mim lutarão contra a Voz.

Agora porém estou vivendo da tua chama como a cera
O infinito nada poderá contra mim porque de mim quer tudo
Ele ama no teu sereno cadáver o terrível cadáver que eu seria
O belo cadáver nu cheio de cicatriz e de úlceras.

Quem chamou por mim, tu, mãe? Teu filho sonha...
Lembras-te, mãe, a juventude, a grande praia enluarada...
Pensaste em mim, mãe? Oh, tudo é tão triste
A casa, o jardim, o teu olhar, o meu olhar, o olhar de Deus...

E sob a minha mão tenho a impressão da boca fria murmurando
Sinto-me cego e olho o céu e leio nos dedos a mágica lembrança
Passastes, estrelas... Voltais de novo arrastando brancos véus
Passastes, luas... Voltais de novo arrastando negros véus...

segunda-feira, 11 de junho de 2012

OPINIÃO DO DIA – Roberto Freire: agência reguladora Lula

“O PT deveria se preocupar em regular o Lula, e não a mídia. Foi ele quem liderou os "dedaços" de Fernando Haddad e Humberto Costa e as intromissões na CPI e no Supremo.”

Deputado Roberto Freire, presidente do PPS, sobre novo documento aprovado pelo PT paulistano que defende mais rapidez do governo federal na criação de mecanismos de regulação dos meios de comunicação. Folha de S. Paulo/ Painel, 10/6/2012.

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
Cachoeira intermediou venda da casa de Perillo
Rio+20: 75% do texto ainda estão em aberto
Mesmo com socorro, Espanha terá recessão

FOLHA DE S. PAULO
Em 8 anos, Brasil gasta R$2 bi com ação no Haiti
Um milhão de patrões têm dívidas trabalhistas
Imprensa tomou partido no mensalão, diz ex-ministro
Entrevista da 2ª: Marconi Perillo

O ESTADO DE S. PAULO
Resgate evita intervenção na Espanha, mas crise continua
Grampo liga assessor de Agnelo a grupo investigado
Empresas se reúnem para levar propostas à Rio+20

VALOR ECONÔMICO
Investimento público em transportes segue travado
CPI vira arma nas eleições municipais
4G entra em cena antes que padrão atual esteja maduro

CORREIO BRAZILIENSE
Algemado, preso some da Superintendência da PF
Preso desaparece de dentro da sede da PF
Nas asas da galinha
Briga por remédio dá prejuízo de R$ 266 milhões
Semana tensa na CPI do Cachoeira

ESTADO DE MINAS
Eleições: Enfim, PT indica vice para Lacerda
Crack - Um usuário internado à força a cada dois dias

ZERO HORA (RS)
Gestão: Como o governo está recuperando a Cesa
Eleições: PP decide hoje entre Fortunati e Manuela
Qualificação de serviços para a Copa ainda é lenta

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Justiça amplia direito de licença de mães adotivas
Atitude verde já é realidade em muitas empresas

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Intervenção partidária muda o cenário das eleições

PT, PSDB, PMDB e até PSOL interferem nas decisões de suas instâncias municipais e chegam a dissolver diretórios

Silvia Amorim

SÃO PAULO . Em contagem regressiva para definir quem serão os candidatos a prefeito na eleição deste ano, partidos estão promovendo uma onda de intervenções em suas instâncias municipais em nome da defesa de interesses políticos maiores do que os regionais. O PT é protagonista dos casos mais polêmicos. O mais recente deles foi a escolha do candidato a prefeito em Recife, na semana passada. Mas não é o único. PSDB, PMDB e até o PSOL lançaram mão desse instrumento nos últimos meses para interferir em decisões locais. Em maio, pelo menos quatro intervenções ocorreram: Salvador (BA), Mossoró (RN), Uberaba (MG) e Suzano (SP). A de maior repercussão foi a de Recife.

O PT, com aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anulou o resultado da prévia entre dois pré-candidatos petistas e decidiu que o senador Humberto Costa disputará a prefeitura.

A decisão foi tomada em reunião na capital paulista na terça-feira passada, quando o prefeito de Recife, João da Costa (PT), vencedor da prévia, deixou o encontro alegando discordar da condução do processo. Costa foi proibido de tentar a reeleição. Aliados dele classificaram a intervenção como "estupro". O PT nacional justificou a ação como necessária para acalmar um "clima de fratricídio" local.

A intervenção, porém, foi motivada por uma questão prática. Em troca do rearranjo em Recife, o PT assegurou o apoio do PSB à campanha de Fernando Haddad em São Paulo, a menina dos olhos de Lula nesta eleição. A própria escolha de Haddad ocorreu após uma intervenção do PT, que conseguiu interromper as prévias em andamento e fazer com que a senadora Marta Suplicy e os outros três candidatos desistissem em prol de Haddad.

No Rio, PT abortou candidatura própria

Na conta do partido, estão ainda intervenções como a do Rio, onde o partido impôs o apoio à reeleição do prefeito Eduardo Paes (PMDB) em detrimento da candidatura própria. Até em Mossoró (RN), os interesses da legenda em âmbito nacional se sobrepuseram. Os petistas abortaram uma candidatura própria para apoiar o PSB.

Para facilitar todas essas ações, o PT editou uma resolução que obriga as coligações em cidades com mais de 200 mil habitantes a passarem pelo crivo da direção nacional.

- As pessoas acham essas intervenções normais. Não são. Vivemos uma mistificação do sistema político democrático. Se você contar o que acontece em um congresso internacional, vão achar que seus dados estão errados porque eles não entendem como alguém ganha prévia e não leva - diz o historiador Marco Antônio Villa.

Maior partido da oposição, o PSDB fez em Aracaju (SE) um movimento parecido ao do PT em Mossoró. Dirigentes na cidade renunciaram após a imposição da direção nacional para que o partido apoiasse o pré-candidato do DEM, João Alves. Para o PSDB, o que estava em jogo era uma troca de apoios com o DEM em outras cidades, entre elas, São Paulo, onde o pré-candidato é o ex-governador José Serra.

Na Região Metropolitana de São Paulo, a autodissolução do diretório do PSDB em Suzano foi parar na Justiça. Uma ala do partido acusa a direção estadual de agir para viabilizar a candidatura de Paulo Tokuzumi, que teria a preferência do governador Geraldo Alckmin. O grupo que perdeu o comando da legenda - e defendia outro candidato - conseguiu uma liminar para retomar o partido. O caso espera uma posição final da Justiça.

- O diretório estadual só fez o que manda o estatuto. Mais da metade da direção renunciou e, nesses casos, cabe ao partido nomear uma diretoria. Sou contra intervenções - afirma o presidente do PSDB em São Paulo, Pedro Tobias.

Sob a batuta do vice-presidente Michel Temer, o PMDB fez em São Paulo a sua intervenção mais rumorosa. Para atender a um pedido do pré-candidato Gabriel Chalita, que queria o controle do partido para disputar a eleição, Temer obrigou a direção local da legenda a renunciar. Os dirigentes resistiam a trabalhar por Chalita. O episódio deixou sequelas, com falta de engajamento de lideranças na campanha.

Até mesmo o PSOL, que prega a liberdade no nome (Partido Socialismo e Liberdade), é acusado de fazer intervenção. Em fevereiro, militantes do partido no Guarujá, litoral de São Paulo, acusaram a legenda estadual de promover um golpe, ao trocar a direção local sem aviso prévio. Dirigentes do PSOL não retornaram os contatos do GLOBO para comentar o caso.

O professor e cientista político da Universidade Federal de Pernambuco Clovis Miyachi faz um alerta para o que considera uma banalização das intervenções:

- A intervenção é um instrumento legítimo, que pode ser bem-vindo para corrigir desvios de conduta ética, por exemplo. O problema é quando vira instrumento para o autoritarismo.

Na maioria dos partidos, a intervenção é prevista em estatuto, entre outras situações, quando não é alcançada votação mínima estipulada pela legenda numa eleição. Divergências eleitorais não são justificativa.

Para Villa, a falta de autonomia das siglas é uma das faces do mau funcionamento delas:

- Todo mundo defende um partido democrático desde que não seja o seu. Só funcionam em época eleitoral, não têm inserção na comunidade, são pouco ideológicos ou quase nada, e a direção é caudilhista. As instâncias partidárias são só para inglês ver porque é o dono do partido quem toma as decisões.

FONTE: O GLOBO

Tucano ataca Paes por fazer defesa da UNE

Confirmado candidato do PSDB à prefeitura do Rio, Otávio Leite diz que prefeito aplaude desvio de dinheiro público

Cassio Bruno

Realizada ontem, na sede do Cordão da Bola Preta, na Lapa, a convenção do PSDB do Rio, que confirmou a candidatura do deputado federal Otávio Leite à prefeitura, foi marcada por ataques a adversários. Os alvos foram o atual prefeito Eduardo Paes (PMDB), pré-candidato à reeleição, o governador Sérgio Cabral (PMDB), o ex-presidente Lula e réus do mensalão.

Leite declarou-se contra a derrubada do Elevado da Perimetral para construir mergulhões, projeto de Paes relacionado à revitalização da Zona Portuária. O deputado ironizou o prefeito, que, sábado, saiu em defesa da União Nacional dos Estudantes (UNE) no 16 Congresso Nacional da União da Juventude Socialista (UJS), realizado na Uerj. A UNE é investigada pelo Ministério Público por supostas irregularidades em convênios com o governo federal.

- A UNE é do país, recebeu R$ 30 milhões (do governo federal) e sequer colocou um tijolo para erguer a sua nova sede administrativa (no Rio). Está toda embolada em prestações de contas, e o prefeito ainda bate palmas para aqueles que estão usando o dinheiro público de forma equivocada - afirmou Leite em seu discurso.

Os tucanos centraram fogo no episódio envolvendo Cabral e alguns secretários, fotografados em Paris, em 2009, em restaurantes de luxo. Em algumas imagens, divulgadas pelo deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ), ex-governador do estado, parte do grupo aparece dançando, com guardanapos amarrados nas cabeças, ao lado do ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish. A empreiteira é investigada pela CPMI que apura os negócios do contraventor Carlinhos Cachoeira, preso em Brasília.

- A saúde ética já está no buraco. Mas temos que resolver o drama da população carente que, ao chegar num posto de saúde ou a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), não encontra médicos - disparou Leite, que ainda não anunciou coligações nem seu vice.

FONTE: O GLOBO

No Rio, tucanos citam mensalão e criticam Lula

Alfredo Junqueira

RIO - Mais que o lançamento da candidatura do deputado federal Otavio Leite (PSDB-RJ) à Prefeitura do Rio, a convenção municipal do PSDB na capital carioca, ontem, serviu para mostrar como os tucanos pretendem usar o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) nas campanhas eleitorais deste ano.

Em discurso no evento, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), representante da executiva nacional do partido, fez críticas ao PT, chamou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "ex-presidente decadente" e disse que o julgamento vai "colocar na cadeia aqueles que lá devem estar". "A democracia abriga resquícios autoritários sustentados principalmente pelo populismo carismático que quer substituir instituições democráticas. É assim que um ex-presidente tenta fazer o cerco sobre o Supremo Tribunal Federal na esperança de julgar para as calendas o julgamento do mensalão", acusou.

Sem citar o nome de Lula, prosseguiu: "Não é agora que um ex-presidente decadente irá derrotar o Supremo Tribunal Federal, que haverá de realizar um julgamento sério, rigoroso, para colocar na cadeia aqueles que lá devem estar. E não pelas ruas do País pedindo apoio da nossa juventude", disse Dias, referindo-se ao ex-ministro José Dirceu, um dos 38 réus do processo.

"Batalha final". No sábado, ao participar do 16.º Congresso Nacional da União da Juventude Socialista (UJS), na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Dirceu convocou os estudantes a irem às ruas defendê-lo durante o julgamento do mensalão e disse que, a partir de agora, será a "batalha final", segundo reportagem do jornal O Globo.

"Todos sabem que este julgamento é uma batalha política. E essa batalha deve ser travada nas ruas também porque senão a gente só vai ouvir uma voz, a voz pedindo a condenação, mesmo sem provas. Eu preciso do apoio de vocês", discursou Dirceu para cerca de mil estudantes.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Tucano lança candidatura à Prefeitura do Rio

Por Folhapress

RIO - O deputado federal Otávio Leite (PSDB) lançou ontem sua candidatura à Prefeitura do Rio e vai iniciar a campanha acionando a Justiça Eleitoral contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o prefeito Eduardo Paes (PMDB), que tentará a reeleição.

A sigla vai hoje ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio questionar suposta campanha antecipada de Lula e Paes durante a inauguração do corredor de ônibus Transoeste, realizada na semana passada. No evento, o ex-presidente disse que vai pedir votos para o pemedebista "em 2012 com muito mais convicção".

"O presidente Lula pode apoiar quem ele bem entender. O que não é justo e democrático é fazê-lo num palanque custeado pelo povo do Rio de Janeiro. Houve ilegalidade porque foi campanha antecipada e ofensa grave à democracia, porque não se pode usar a máquina pública para pedir votos", disse Leite.

Durante a convenção do PSDB, realizada na sede do bloco carnavalesco Cordão do Bola Preta, o deputado centrou críticas ao sistema de saúde da cidade, defendeu a manutenção do viaduto da Perimetral - a Prefeitura planeja demolir a via até 2015 - e políticas voltadas a deficientes físicos.

Sem alianças confirmadas, o tucano ainda não definiu o nome do candidato a vice. Ele afirmou não ser uma grande vantagem o apoio de 19 partidos obtido por Paes: "Não me incomoda na largada se verificar uma estrutura muito maior do outro lado. Acredito na força das ideias e vamos chegar lá com elas."

Ele disse ainda que a campanha contará com a presença de aliados como o senador Aécio Neves (MG) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O senador tucano Alvaro Dias (PR) participou da convenção, onde criticou o ex-presidente Lula.

Leite foi econômico nas críticas ao governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) - em crise política desde a revelação de fotos ao lado do empreiteiro Fernando Cavendish, da Delta, em Paris -, durante o discurso da convenção. Mas afirmou que o tema será levantado na campanha, em função da aliança com Paes.

"A relação promíscua entre o público e o privado não pode acontecer. É lamentável o que aconteceu no Rio. Esse assunto não pode ficar escondido. Vai ser revelado", disse em entrevista.

O ataque a Cabral ficou por conta dos deputados estaduais Luiz Paulo e Lucinha. O grupo do governador foi chamado de "gangue" e "república dos guardanapos" - em referência às fotos nas quais um grupo dança com guardanapos na cabeça.

Além de Paes, Leite enfrentará o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), o deputado federal Rodrigo Maia (DEM) e a deputada estadual Aspásia Camargo (PV).

FONTE: VALOR ECONÔMICO

Eleições BH - Enfim, PT indica vice para Lacerda

O deputado federal Miguel Corrêa Jr. é o escolhido do partido para compor a chapa do prefeito socialista nas eleições de outubro. Aliado do ministro Fernando Pimentel, o parlamentar foi um dos principais defensores da aliança formada por PT-PSB-PSDB, que levou Lacerda à prefeitura em 2008. O nome dele será oficializado na convenção, no dia 30, que definirá se haverá coligação na disputa para a Câmara.

Vice é aliado de Pimentel

O deputado federal Miguel Corrêa Jr. foi eleito pelo PT para compor a chapa do prefeito de BH, que tenta a reeleição, em aliança com a presença do PSDB, por 266 votos a 179

Daniel Camargos, Leonardo Augusto e Juliana Cipriani

O deputado federal Miguel Corrêa Jr. foi eleito ontem pelos delegados do PT para ser o candidato a vice na chapa do prefeito Marcio Lacerda (PSB) na disputa pela reeleição em coligação que inclui o PSDB. Em encontro do partido que se arrastou por nove horas, ele venceu no segundo turno o ex-superintendente da Fundação Municipal de Parques e Jardins Luiz Gustavo Fortini por 266 votos a 179. Miguel foi um dos principais defensores da aliança PT-PSB-PSDB em 2008, sustentando a tese do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, ex-prefeito da capital, que se uniu ao senador Aécio Neves (PSDB) para eleger Lacerda. O nome será oficializado dia 30 em convenção do partido que também vai definir se haverá coligação na disputa para a Câmara Muncipal.

Foi a terceira vitória do grupo de Pimentel no PT, já que em 2010 ele também havia vencido o ex-ministro Patrus Ananias na disputa interna, ficando com a vaga de senador na aliança com o PMDB. Patrus foi candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Hélio Costa (PMDB) e derrotada por Antonio Anastasia (PSDB).

Dos sete concorrentes do PT à vaga de vice-prefeito, seis chegaram a desistir de competir no início do encontro de ontem, abrindo mão para que Patrus fosse o nome de consenso. A estratégia deu errado depois que Miguel Corrêa Jr. se negou a abandonar a disputa. Diante do impasse, dois retomaram as candidaturas: o ex-secretário municipal de Obras e Infraestrutura Murilo Valadares, apadrinhado pelo ex-deputado Virgílio Guimarães, e Fortini, candidato do vice-prefeito Roberto Carvalho. Quatro nomes que já haviam se retirado em favor de Patrus não retornaram: os deputados estaduais André Quintão e Paulo Lamac, o ex-procurador-geral do Município Marco Antônio de Rezende Teixeira e o ex-secretário municipal de Políticas Sociais Jorge Nahas.

Depois do fracasso das negociações, Juarez Rocha Guimarães, um dos delegados do partido, foi ao microfone sustentar que Patrus Ananias seria o candidato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois da vitória, Miguel disse não ter ficado incomodado com as declarações. "Tenho relação especial com o ex-presidente e sempre votei com o que ele determinou no Congresso", afirmou.

Os apoiadores de Miguel chegaram a comemorar a vitória no primeiro turno. Seis minutos antes de o resultado ser anunciado, às 15h35, eles carregaram o deputado nos braços, enquanto outros petistas anunciavam pelo Twitter que ele era o vencedor. Foram interrompidos, porém, pelos gritos dos delegados que votaram em Fortini. No primeiro turno, Miguel teve 228 votos, dois a menos que o necessário, ou seja 50% mais 1 dos 457 delegados que votaram. Fortini recebeu 119 votos e Murilo Valadares 110.

Apoiado pelo vice-prefeito Roberto Carvalho, rompido com Lacerda, Fortini conseguiu levar a votação para o segundo turno, mas sabia que a situação era difícil, pois bastavam dois delegados que votaram em Valadares escolherem Miguel para o deputado federal ser eleito. "O partido esteve rachado e cabe a nós reagrupá-lo" , observou Fortini, que deu as mãos a Miguel e outros líderes ,depois de anunciado o resultado.

O vice-prefeito Roberto Carvalho considerou legítima a vitória de Miguel e lhe telefonou para dizer que só saiu mais cedo para não ser indelicado de ter de dizer que não fará campanha na chapa com a presença dos tucanos. "Foi colocado na primeira resolução do PT que o PSDB não era bem-vindo e acho que fazer campanha com os tucanos é uma descaracterização do PT e um desrespeito com a militância", ressaltou.

FUTURO Não foi a toa que a disputa foi tão acirrada. Lacerda é um provável candidato ao governo de Minas em 2014, e seu vice poderá ter um mandato de dois anos para se qualificar para a reeleição a prefeito. "Eu tenho candidato para o governo em 2014 e é o Fernando Pimentel", avisou Miguel, em uma posição que pode contrariar Lacerda, caso o atual prefeito seja reeleito e tente ser governador. Porém, Miguel diz que não causará problemas a Lacerda. "O Marcio conhece meu perfil. Desde o início, na última eleição, trabalhei pela sua candidatura", recorda o deputado, que reforçou ser necessário buscar "harmonia".

Os dois principais nomes do PT em Minas Gerais, Pimentel e Patrus, não compareceram ao encontro, deixando a articulação a cargo dos aliados. De acordo com Patrus, a postulação de ser vice nunca partiu dele, que apenas atendeu a apelos de líderes do PT para tentar apaziguar a legenda."Reconhecendo as dificuldades do PT de BH, por conta do meu comprometimento e procurado por algumas pessoas, coloquei de uma forma muito tranquila que, embora não estivesse no meu horizonte uma candidatura, se fosse decisão consensual eu assumia a responsabilidade. Como não houve esse acordo tudo bem, a vida continua". De fora da briga, Patrus afirmou que vai acatar a decisão do PT e fazer campanha por Lacerda.

Perfil

Miguel Corrêa Jr. - Deputado federal (PT-MG)

Miguel Corrêa Jr., que completa 34 anos hoje, conhecido como Miguelzinho, destoava da maioria dos petistas ontem no encontro que definiu seu nome como candidato a vice-prefeito de Marcio Lacerda. Longe da imagem de um petista barbudo com blusa vermelha, o deputado misturou a cor com o branco numa camisa de listras, calça e sapatênis de marcas famosas. Ele iniciou a carreira política como vereador, em 2004, quando era filiado ao PPS, partido que atualmente faz oposição ao governo de Dilma Rousseff. Em 2005, se filiou ao PT e foi um dos principais interlocutores do então prefeito Fernando Pimentel (PT) na Câmara Municipal. Com base na populosa Região de Venda Nova, tem como principal palanque a organização não governamental Mudança Já, da qual foi um dos fundadores. Grande parte da claque de Miguel, presente ontem na escola municipal do Bairro Pompeia, onde ocorreu o encontro, ostentava na parte interna do braço uma tatuagem com o símbolo da ONG, que tem como principais atividades os cursos de capacitação profissional e campanhas de arrecadação de doações para famílias carentes. Antes de chegar à Câmara Municipal, Miguel foi presidente do Diretório Acadêmico do Uni-BH, entre 2002 e 2004.

Críticas e surpresas

No Rio de Janeiro, a convenção do PSDB municipal confirmou a candidatura do deputado federal Otávio Leite à prefeitura. Os alvos dos ataques foram o atual prefeito Eduardo Paes (PMDB), pré-candidato à reeleição e ex-tucano, o governador Sérgio Cabral (PMDB), o ex-presidente Lula e réus do mensalão. O evento contou com a presença do senador Alvaro Dias, que se referiu a Lula como "ex-presidente decadente" ao criticá-lo por sua suposta tentativa de adiar o julgamento do mensalão pelo STF. Em João Pessoa, na Paraíba, o congresso do PSB escolheu Estelizabel Bezerra como candidata do partido para disputar o posto de prefeita da capital. Com a decisão do partido, o prefeito de João Pessoa, Luciano Agra, não poderá concorrer à reeleição e falou em deixar a legenda.

FONTE: O ESTADO DE MINAS

Sem Serra e Haddad, Marta reina na Parada Gay em SP

Daniela Lima

Com a ausência de José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT), os dois principais candidatos à sucessão do prefeito Gilberto Kassab, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) reinou ontem na 16ª Parada Gay em São Paulo.

Serra, que confirmou presença no evento, acabou esticando sua viagem a Nova York. Haddad teria aproveitado para descansar.

Sem ninguém para dividir o palco, Marta passou quase duas horas em cima de um trio elétrico, trajando uma jaqueta toda trabalhada em paetês prateados. Deixou o evento recebendo elogios e incentivos de participantes. "Força, Marta, você vai ser prefeita", gritavam.

Preterida pelo PT, que escolheu Haddad, ela evitou tratar da eleição, mas enviou recados de forma velada.

Antes do início da festa, houve a leitura do manifesto da Parada, que pedia, entre outras coisas, a retomada do projeto conhecido como "kit gay". A senadora disse que houve um retrocesso na política de combate à homofobia.

Marta atribuiu a dificuldade em avançar a "forças conservadoras organizadas" que usam de "pressão e chantagem" para impedir o debate.

Foi Haddad, quando ministro da Educação, quem tentou emplacar o projeto, mas recuou após reações negativas de parlamentares e grupos evangélicos.

Marta também criticou as gestões de Serra e Kassab. Ela os responsabilizou pelo fim das aulas de educação sexual nas escolas municipais.

"Fui a coordenadora do projeto na gestão da [Luiza] Erundina. E na minha fizemos a mesma coisa. Eu comentava com o prefeito que não existe mais."

Ao fim do evento, questionada sobre a receptividade do público, Marta se derreteu: "Eles me dão força pra continuar". E o que dizer aos que pregam que ela será prefeita? "Só dou um tchau."

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Em fase 'paz e amor', Serra terceiriza ataques

Por orientação da campanha, temas polêmicos da disputa pela Prefeitura e críticas ao PT passaram a ser feitos por líderes e parlamentares tucanos

Julia Duailibi, Felipe Frazão

O pré-candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, José Serra, passou a "terceirizar" para o PSDB a exploração de assuntos polêmicos e que não constam da agenda municipal.Para evitar nacionalizar a disputa eleitoral deste ano e se poupar, o líder nas pesquisas de intenção de voto tem se blindado de temas controversos.

A exploração política da greve nas universidades federais, do julgamento do mensalão e da polêmica entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, por exemplo, foi delegada a dirigentes do PSDB e a líderes tucanos no Congresso. Mas o tom dos ataques aos adversários e até as notas divulgadas à imprensa passam pelo crivo da assessoria de comunicação da campanha.

O objetivo é acentuar a relação do tucano com temas municipais, já que sua imagem ainda estaria "contaminada" pela disputa nacional de 2010. Também visa a preservar Serra, que ao deixar de ser o emissário dos ataques passaria, então, a candidato "paz e amor", expressão usada por Lula na campanha de 2002, quando liderava as pesquisas e evitava entrar em confronto com outros candidatos.

Na semana passada, o pré-candidato se manteve longe de polêmicas. Mas em nome dele o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, o líder do partido no Senado, Álvaro Dias (PR), e o vereador paulistano Floriano Pesaro responsabilizaram o pré-candidato Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Educação, pela greve das universidades federais, num movimento que teve como origem o QG da campanha serrista. "A gestão dele não o credencia a ser prefeito", chegou a dizer Guerra.

Há dez dias, tucanos organizaram um ato de desagravo a Mendes, depois que o ministro disse ter sido pressionado por Lula para postergar o julgamento do mensalão. O encontro foi esvaziado após a coordenação da campanha avaliar que, mesmo encabeçado por parlamentares, respingaria em Serra. "Qualquer movimento ligando o candidato a tema nacional tira a legitimidade da candidatura a prefeito. Cria uma névoa. E é isso que queremos evitar", disse um tucano.

Nacional. Para Guerra, os temas nacionais não serão o centro da eleição municipal, embora assuntos como o mensalão ajudem a oposição como um todo, "desde que não haja partidarização". "Transformar a discussão sobre o mensalão em campanha não ajuda ninguém", afirmou. Segundo o tucano, a questão perderá importância se o eleitor a interpretar como luta partidária.

Para o PT, a nacionalização do debate por tucanos, em nome de Serra, não atrapalha o petista. "Haddad não tem nada a ver com o mensalão. Sempre esteve distante disso. Não vai afetar em nada", avaliou o coordenador da campanha, Antonio Donato. "Já fizeram isso e não deu certo em 2010. Não vai dar de novo."

Segundo o vereador José Américo (PT), em eleições passadas a sigla encomendou pesquisas que detectaram que a pecha do mensalão não teria influência sobre seus candidatos - em 2010, por exemplo, Dilma Rousseff não foi "contaminada" pelo caso. Na visão do PT, o eleitorado isentaria Lula pelo mensalão.

FONTE O ESTADO DE S. PAULO

Em Porto Alegre, PP decide hoje entre Fortunati e Manuela

Depois de levantamento de ZH mostrar vantagem do prefeito, grupo que apoia candidata comunista pressiona indecisos

O "Dia D" do Partido Progressista (PP) na Capital – que hoje decide seu futuro nas eleições da maior cidade gaúcha – foi precedido por uma "operação de guerra" nos bastidores. Durante todo o fim de semana, a senadora Ana Amélia Lemos comandou pessoalmente a última investida na tentativa de convencer os partidários a apoiarem a deputada federal Manuela D"Ávila (PC do B) na briga pela prefeitura de Porto Alegre. A manobra desagradou aos adversários.

Na última sexta-feira, um levantamento publicado por ZH mostrou que o prefeito e candidato à reeleição José Fortunati (PDT) saiu em vantagem na batalha. Dos 101 membros do diretório municipal do PP, 44 declararam apoio ao pedetista e 20 a Manuela. Trinta e sete integrantes, porém, se disseram indecisos ou não se pronunciaram, abrindo a possibilidade de uma reviravolta.

A menos de 72 horas do pleito, Ana Amélia decidiu liderar a reação para reverter o placar, com foco nos indecisos. A estratégia do "tudo ou nada" começou na manhã de sábado, com reunião de duas horas na sede do partido.

A senadora conseguiu reunir cerca de 20 correligionários, a maioria com voto indefinido, para uma conversa. O resultado do encontro – que teria levado três aliados de Fortunati a mudarem de lado – foi festejado.

– Se todos que nos prometeram votos cumprirem a promessa, vai dar Manuela – comemorou o presidente estadual do PP, Celso Bernardi.

A pedido de Ana Amélia, os participantes do encontro também teriam se comprometido a procurar outros colegas, inclusive aqueles que estão do lado do PDT, para pressioná-los.
– Cada um saiu com a missão de convencer alguém. Não sabemos qual será o resultado, mas tenho certeza de que a disputa será equilibrada – disse Ana Amélia.

Convictos de que a mobilização será fracassada porque o voto é secreto, defensores de Fortunati criticaram a interferência da senadora. Para o vereador João Dib, a decisão já está tomada e não tem volta:

– Quem sabe o que é melhor para Porto Alegre é o diretório metropolitano, que apoia Fortunati. Acho lamentável que tudo isso esteja acontecendo.

FONTE: ZERO HORA (RS)

Em Recife, PSB perde a paciência e prepara candidatura

Insatisfeitos com o impasse criado pelo PT, socialistas decidem amanhã com o governador Eduardo Campos o nome do partido para a disputa pela Prefeitura do Recife

Sheila Borges

O PSB cansou de esperar. Não quer ficar à reboque de uma briga que pode desgastar ainda mais a Frente Popular e não tem data para acabar, colocando em risco o comando da Prefeitura do Recife. Até amanhã, a cúpula socialista se reúne com o governador Eduardo Campos e lança a candidatura própria. Nos bastidores, cresce a preferência pelo deputado federal Danilo Cabral, que até semana passada era secretário de Educação.

Os socialistas avaliam que a briga interna do PT pode chegar até a Justiça, e exatamente no mês das convenções partidárias, época em que as articulações deveriam estar caminhando para o entendimento. O prefeito do Recife, João da Costa, deve recorrer ainda hoje ao diretório nacional do PT contra a decisão da executiva nacional que impôs o nome do senador Humberto Costa como o candidato do partido à prefeitura da capital, desconhecendo o resultado da prévia interna realizada em maio. Nela, Costa venceu o deputado federal Maurício Rands, que é do grupo do senador.

A tese da candidatura própria ganhou tanta força nas conversas que os socialistas mantiveram ao longo do fim de semana que até mesmo o vice-prefeito do Recife, Milton Coelho, sempre discreto, decidiu falar. Ele esteve ao lado de João da Costa durante todo o embate interno do PT. “Se o consenso não aconteceu até agora, dificilmente ocorrerá. Estamos criando uma nova força e apresentando uma nova perspectiva para continuar o que o PT fez de bom”, argumentou, mostrando que o discurso de candidatura própria do PSB já está sendo elaborado. Para ele, o primeiro passo antes de falar em nomes é abrir um debate com as outras legendas da Frente e com entidades da sociedade civil.

“Não podemos colocar mais dúvidas na cabeça do eleitor. Não temos mais razões para esperar. Quando os políticos não se entendem, temos que deixar que o povo tenha o seu entendimento”, disse, lembrando uma frase dita em 2002 pelo ex-governador Miguel Arraes, avô de Eduardo, que faleceu em 2005. Na ocasião, o PSB lançou Dilton da Conti, que perdeu o governo para Jarbas Vasconcelos (PMDB). Hoje, o quadro é mais favorável. O PSB conta com a força política e eleitoral de Eduardo, e Humberto não consegue unir nem o PT nem as siglas da Frente Popular.

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Ex-ministro afirma que imprensa 'tomou partido' no mensalão

Advogado de um dos réus do processo, Thomaz Bastos diz que mídia tenta influenciar julgamento no Supremo

Ex-ministro afirma temer que "publicidade opressiva" provoque "justiçamento" como no caso Isabela Nardoni

O ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos afirmou que a imprensa "tomou partido" contra os réus do processo do mensalão e tenta influenciar o resultado do julgamento no Supremo Tribunal Federal fazendo "publicidade opressiva" do caso.

"Ela tomou um pouco de partido nessa questão", disse Bastos na noite de sábado, em entrevista ao programa "Ponto a Ponto", da BandNews, canal pago da TV Bandeirantes. "Elevou a um ponto muito forte o mensalão que vai ser julgado, deixando de lado os outros mensalões."

O STF marcou para agosto o início do julgamento do mensalão, o escândalo que sacudiu o governo Lula em 2005 e atirou no banco dos réus políticos do PT e de outros partidos que ajudaram os petistas a chegar ao poder.

Bastos estava no governo na época em que o escândalo veio à tona e hoje é advogado de um dos réus do processo, o ex-diretor do Banco Rural José Roberto Salgado, acusado de colaborar na montagem do esquema de financiamento político que beneficiou o PT e seus aliados.

Na entrevista, conduzida pela jornalista Mônica Bergamo, colunista da Folha, e pelo sociólogo Antonio Lavareda, o advogado disse ver com preocupação a capacidade da imprensa de influenciar os juízes. "A vigilância da imprensa é fundamental", afirmou. "Mas algumas vezes ela erra."

O ex-ministro citou o caso de Alexandre Nardoni e sua segunda mulher, Anna Carolina Jatobá, condenados em 2010 pela morte da filha dele, Isabela Nardoni, de 5 anos. "É um exemplo típico de um julgamento que não houve", disse. "Foi um justiçamento."

Bastos lembrou que o advogado do casal Nardoni, Roberto Podval, foi agredido na rua durante o julgamento, "de tal maneira aquilo foi insuflado pelos meios de comunicação", e afirmou que "o julgamento se torna uma farsa" em situações como essa.

Questionado se queria dizer que isso também estaria ocorrendo no processo do mensalão, o advogado respondeu: "Não estou querendo dizer, mas tenho medo que ocorra. Será possível fazer um julgamento com uma publicidade opressiva em cima?"

Há duas semanas, o ministro do STF Gilmar Mendes acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de pressionar o Supremo para adiar o julgamento do mensalão para depois das eleições municipais deste ano. Lula negou ter tratado do tema com Mendes ou outros ministros.

Bastos, que é amigo do ex-presidente Lula e participou da seleção de 8 dos 11 ministros que integram a corte atualmente, disse acreditar que a pressão da imprensa chegará "muito esbatida [atenuada]" ao Supremo desta vez.

"Os ministros são homens experimentados, preparados, probos e capazes de fazer um julgamento técnico que se aproxime o mais possível da justiça", disse o advogado.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Dirceu diz que julgamento é 'a batalha final'

O ex-ministro José Dirceu pediu sábado, durante encontro da UJS (União da Juventude Socialista), que os estudantes saiam às ruas em manifestações pela absolvição dos réus do mensalão.

Dirceu foi chefe da Casa Civil no início do governo Lula e é um dos 38 réus do processo. Ele é acusado pela Procuradoria-Geral da República de formação de quadrilha e corrupção ativa.

Durante o evento realizado no Rio, segundo o jornal "O Globo", Dirceu chamou o julgamento de "a batalha final" e criticou a imprensa.

Na última semana, o STF (Supremo Tribunal Federal) marcou o início do julgamento para 1º de agosto.

"Todos sabem que este julgamento é uma batalha política", disse Dirceu. "Essa batalha deve ser travada nas ruas também, porque senão a gente só vai ouvir uma voz, a voz pedindo a condenação, mesmo sem provas. É a voz do monopólio da mídia. Eu preciso do apoio de vocês."

O petista, segundo o jornal, pediu aos estudantes que fiquem "vigilantes" e não permitam um julgamento "fora dos autos".

"Me lincharam, me condenaram. Mas agora é a batalha final. Eu quero esse julgamento. Quero olhar nos olhos dos que me acusaram e me lincharam esses anos todos", disse Dirceu, que foi cassado pela Câmara dos Deputados em 2005 por causa de seu envolvimento no escândalo.

Frases
"Ela [a imprensa] tomou um pouco de partido nessa questão. (...) Elevou a um ponto muito forte o mensalão que vai ser julgado, deixando de lado os outros mensalões"

"A vigilância da imprensa é fundamental. Mas algumas vezes ela erra"

"[O caso da morte da menina Isabela Nardoni] é um exemplo típico de um julgamento que não houve"

"Os ministros são homens experimentados, preparados, probos e capazes de fazer um julgamento técnico que se aproxime o mais possível da justiça"

Marcio Thomaz Bastos (advogado e ex-ministro da Justiça)

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Hora de julgar o mensalão

Bastou o Supremo Tribunal Federal fazer o que dele a sociedade brasileira espera para o PT mostrar suas garras. O anúncio da data de julgamento do maior escândalo da história política do país deflagrou os arreganhos autoritários de sempre nos capas-pretas do partido. Como tudo o que cerca o mensalão, os convocados do PT para a "batalha" também têm muito a dever à Justiça.

Em 1° de agosto, desde já uma data histórica para o país, o STF começará a julgar o caso. Com o cronograma previsto, por volta de fins de setembro as sessões do julgamento terão terminado e o Brasil terá, enfim, passado o episódio a limpo, condenando quem merece a pagar pelo que fez e livrando quem nada deve.

Algo simples assim, pelo menos em democracias, está sendo tratado pelo PT quase como um golpe de Estado. É a velha dificuldade que os partidários de Lula, Dilma Rousseff e José Dirceu têm de conviver com o contraditório, dentro dos estritos marcos legais de um Estado democrático de Direito.

O primeiro a espernear foi o secretário de comunicação petista. "Infelizmente, as ações do Supremo não são cercadas da austeridade exigida para uma Corte Suprema", disse o deputado André Vargas na quinta-feira a O Globo.

No sábado, foi a vez do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos - o mesmo que, por R$ 15 milhões, defende o contraventor Carlos Cachoeira, envolvido em grosso desvio de dinheiro público no submundo da política. Em entrevista à BandNews, o advogado disseque a imprensa "tomou partido" contra os réus do mensalão.

Mas quem foi mais longe na afronta a um dos poderes da República foi, como sempre, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu. O chefe da "sofisticada organização criminosa" denunciada pelo Ministério Público Federal conclamou os militantes da UNE a ir para as ruas defendê-lo.

"Todos sabem que este julgamento é uma batalha política. E essa batalha deve ser travada nas ruas também porque se não a gente só vai ouvir uma voz, a voz pedindo a condenação. Eu preciso do apoio de vocês", discursou Dirceu, conforme registrou O Globo Online na noite de sábado.

Dirceu é o mesmo que, nos idos dos anos 1990, incitou grevistas de escolas de São Paulo a fazer os governantes tucanos do estado "apanhar nas ruas e nas urnas". Como se vê, os métodos truculentos continuam os mesmos, só os aliados da hora é que mudaram.

Os domesticados militantes da UNE, outrora protagonista de importantes ações em defesa da democracia e do Estado de Direito no país, agora precisam se ocupar em explicar como gastam em farra e bebedeira dinheiro público repassado para capacitação de estudantes e promoção de eventos culturais e esportivos.

Investigação feita pelo Ministério Público aponta irregularidades em convênios do governo federal com a UNE e a União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES) de São Paulo, que receberam R$ 12 milhões da União entre 2006 e 2010 e usaram notas frias para comprovar os gastos. São aliados desta natureza que Dirceu espera ter na sua "batalha" pela absolvição no Supremo.

"Ao analisar as prestações de contas do convênio do Ministério da Cultura com a UNE para apoio ao projeto Atividades de Cultura e Arte da UNE, o procurador [Marinus] Marsico constatou gastos com a compra de cerveja, vinho, cachaça, uísque e vodca, compra de búzios, velas, celular, freezer, ventilador e tanquinho, pagamento de faturas de energia elétrica, dedetização da sede da entidade, limpeza de cisterna e impressão do jornal da UNE. Além disso, encontrou diversas notas emitidas por bares", mostrou O Globo na sexta-feira.

O escândalo do mensalão foi conhecido há sete anos e há cinco a denúncia foi apresentada ao Supremo. Neste ínterim, o então presidente Lula - que hoje diz que tudo não passa de uma "farsa" - chegou a pedir desculpas pelo malfeito. Já passa da hora de julgar o caso, algo que os ministros têm plena condição de fazer dentro dos estritos cânones do Direito.

O país só tem a perder com maiores delongas. Basta ver o que está acontecendo, novamente, no Banco do Nordeste. Lá, o mesmo grupo de petistas mensaleiros envolvido no folclórico episódio dos dólares escondidos em cueca está de novo enredado em escândalos e desvios de dinheiro público, como mostrou a edição da revista Época desta semana.

A reação irada de gente como José Dirceu à decisão do Supremo - tomada, aliás, por unanimidade pelos ministros da corte - deixa claro o horror que o PT tem do acerto de contas que terá de fazer com a sociedade brasileira por ter alimentado, durante anos, o maior duto de desvio de dinheiro público da história do país e que até hoje serve de inspiração para malfeitores ao redor do Brasil.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

Não enche - Caetano Veloso

O insensato:: Ricardo Noblat

- “Não faço nada que não seja de comum acordo e determinado por ele (Lula)” (José Dirceu, sobre o mensalão, em 13/6/2005)

Se depender de José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil de parte do primeiro governo Lula, o bicho vai pegar antes, durante e, se necessário, depois do julgamento do processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Nunca antes na história recente do país convocou-se o povo para pressionar um tribunal.

Pois bem: Dirceu começou a fazê-lo.

Rapaz ousado! Mais certo seria chamá-lo de temerário, imprudente, perigoso, tresloucado, atrevido, insolente, afoito, demente, precipitado, desaforado, petulante, desajuizado, incauto, arrogante, desvairado, impulsivo, arrebatado, insensato – e mais o quê? Pense.

E acrescente aí.

Quem se diz democrata respeita a independência dos poderes da República. Pode discordar de decisões da Justiça? É claro que sim. E até criticá-las com indignação.

Mas ao fim e ao cabo só lhe resta acatá-las. Diga-me: que democrata de verdade insufla o povo para que constranja a Justiça a decidir como ele deseja? De passagem por Brasília, em conversa com um amigo há um mês, Dirceu pareceu abatido e certo de que será condenado por ter chefiado "uma sofisticada organização criminosa" que tentou se apoderar de uma fatia do aparelho do Estado, segundo denúncia do Procurador Geral da República aceita pelo STF.

Não revelou ao amigo que cogitara exilar-se em Cuba ou na Venezuela. Uma vez condenado, viajaria denunciando a injustiça de que fora vítima. Arquivou a ideia.

Concluiu que seria difícil convencer os ouvintes de que era um perseguido político no país governado por seu próprio partido há quase dez anos.

Mas surpreendeu o amigo ao revelar que os chamados "movimentos sociais" não assistiriam inertes a sua eventual condenação. Dizse informado de que reagiriam por meio de manifestações de rua. Não descartou a hipótese de que tais manifestações acabassem antecipadas.

Tudo dependeria da data do julgamento.

O STF marcou o julgamento para agosto e setembro próximos.

Na tarde do último sábado, Dirceu aproveitou no Rio o 16º Congresso Nacional da União da Juventude Socialista (UJS), ligada ao PCdoB, e pediu aos estudantes que saiam às ruas em sua defesa. "Será a batalha final", proclamou com ar grave.

Todos sabem que este julgamento é uma batalha política. E essa batalha deve ser travada nas ruas também porque senão a gente só vai ouvir uma voz, a voz pedindo a condenação, mesmo sem provas. É a voz do monopólio da mídia.

Eu preciso do apoio de vocês — suplicou A Procuradoria Geral da República considera que há provas suficientes para condenar os 38 réus do mensalão. Com ela concordou o STF ao acolher a denúncia.

São 11 os juízes. Advogados com livre trânsito no STF apostam na condenação de Dirceu por dois a três votos de diferença.

Sabe de quem será um dos votos pela absolvição? Está sentado? Do ministro Gilmar Mendes. Por que tanto espanto? Se fosse menos mal agradecido, o PT reverenciaria Gilmar sempre que ele fosse citado.

E não valorizaria nem um pouco as suas explosões de temperamento.

Quem evitou a inclusão de Gushiken na lista dos mensaleiros? E garantiu a Mercadante o direito de ser candidato ao Senado? E salvou Palocci da acusação de ter quebrado o sigilo bancário de Francenildo dos Santos, testemunha de suas visitas a um reduto de amor e de negócios em Brasília? Gilmar, ora.

Dirceu sabe disso. Como sabe que a força da mídia é declinante, a se acreditar no que apregoa Lula. Como sabe que há provas de que o mensalão existiu. A propósito, uma vez ele observou em entrevista à Folha de S.Paulo: "Eu falei para não fazer".

Falou para quem? Por que não foi atendido?

Não podemos deixar que esse processo se transforme no julgamento da nossa geração. Não permitam julgamentos fora dos autos — apelou Dirceu. Os réus do mensalão são de várias gerações.

Os estudantes que ouviram Dirceu não são da geração dele. Em nada ajudará Dirceu a suspeita de que o STF pode julgar fora dos autos.

FONTE: O GLOBO

Carrossel laranja :: Melchiades Filho

O escândalo ganhou tal dimensão, e em ritmo tão vertiginoso, que chamá-lo de Cachoeiragate já deixou de ser razoável.

As ramificações do esquema criminoso vão muito além das casas clandestinas de jogo do bicheiro.

Não se limitam à rede de arapongas e políticos, estrelada pelo ex-arauto da moralidade Demóstenes Torres e dedicada a zelar pelos interesses de Carlinhos Cachoeira em Brasília. Nem à derrama de subornos para conseguir contratos e cargos nos governos do Centro-Oeste.

Sabe-se agora que o bicheiro era, na verdade, o braço regional de uma quadrilha que atuava em todo o país com o objetivo de fraudar licitações e sugar dinheiro público.

A Delta era a ponta de lança. De sua matriz saíam ordens de pagamento para o propinoduto goiano. Ficou claro, porém, que a empreiteira operava outras filiais. No Rio, suspeita-se da "gangue do guardanapo" e do próprio governador.

Mas a revelação mais elucidativa foi feita na semana passada, sem merecer a atenção devida -o feriado encurtou a semana do Congresso.

Trata-se de relatório do Ministério da Fazenda sobre a movimentação financeira da Delta. Ele aponta cerca de R$ 115 milhões em transações atípicas e, principalmente, dedura um grupo de empresas de fachada. Subcontratadas para tocar as obras, elas aparentemente nada faziam além de emitir notas frias para esquentar os montantes desviados.

Mais 1: a mesma teia de laranjas aparece em projetos do PAC da Copa, do PAC da Mobilidade, do PAC do etc. Mais 2: essas firmas fantasmas foram empregadas também por outras construtoras grandes. Mais 3: seus pagamentos e saques cresceram em períodos eleitorais.

O laranjal é (ou deveria ser) a nova fronteira das investigações. No varejo e no atacado, ele aponta para um amplo esquema multipartidário de corrupção e a sujeição do sistema político ao crime organizado.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Arquivo vivo:: José Roberto de Toledo

O arquivo de um jornal é o registro de várias dimensões da história. Marca não apenas a cronologia dos acontecimentos, mas grava as mudanças da língua, e, por tabela, plasma as transformações dos hábitos e interesses de quem a emprega. O arquivo registra quando uma expressão passa a fazer parte do cotidiano, e, atrás dessa palavra, mostra a evolução das ideias e dos conceitos que ela encerra.

Pesquisando-se o acervo digitalizado do Estado, percebe-se que poucas invenções tiveram impacto tão profundo quanto o advento da internet. Ela entrou para o léxico do jornal em março de 1990, através de reportagem traduzida do The New York Times. O jornalista John Markoff relatava um ataque hacker (também a primeira menção ao termo) que roubara senhas de usuários "das centenas de milhares de computadores" ligados à rede em todo o mundo.

Quatro meses depois, outra reportagem anunciava a futura ligação da Universidade Federal do Rio de Janeiro "à rede de pesquisas internet". Nenhuma palavra sobre o assunto em 1991 e apenas uma citação no ano seguinte. Mas em 1993 começaria a espetacular escalada do uso da palavra "internet" nas páginas do jornal.

Em 14 de fevereiro de 1993, outra reportagem de Markoff falava de uma internet visionária, que transportaria o conteúdo de enciclopédias "em segundos" através de "vidro e luz" (ou seja, de fibra ótica). Em agosto, diante da enxurrada de citações presentes no jornal, uma "Nota da Redação" explicava: "A Internet não tem representante no Brasil, mas pode ser acessada por meio do BBS Canal Vip".

Isso estava para mudar. Em 19 de dezembro de 1994, o caderno de Informática anunciava alto na página: "A Internet comercial chega ao País". Pela primeira vez, o termo foi usado em todos os meses do ano: 156 citações. Em pouco tempo a frequência de menções à internet seria diária. O volume multiplicou-se a cada ano. Foram 778 vezes em 1995, 1.593 no ano seguinte, depois 2.154, 3.910, 4.999 até bater o recorde em 2000:7.715 menções.

Outra revolução das comunicações, a televisão, nunca passou de 2.511 citações ao longo de um ano (no caso, em 2004) nas páginas do Estado. Em 22 anos, o termo "internet" foi usado 84.495 vezes no jornal, mais do que as 80.783 citações a "televisão", que aparece no acervo desde 1922. Se você acha que o Estado deu atenção demais ao assunto, saiba que a palavra "internet" foi empregada 485 mil vezes no The New York Times desde 1982.

Com o estouro da bolha especulativa das empresas ponto.com, as reportagens sobre a rede mundial de computadores se tornaram menos frequentes. No Estado, a internet perdeu a inicial maiúscula em 2003, virou mais um assunto e nunca mais mais teve tantas menções quanto em 2000 - embora ainda seja mais usada do que "democracia", "eleição" e "computador".

Não bastasse o alvoroço que causou e o espaço que ocupou, a internet deu crias lexicográficas. Até o final do século passado, "rede social" era uma forma de proteção comunitária: a rede social que protege os imigrantes de uma determinada região, por exemplo. Nos anos 2000, porém, virou aposto e, depois, sinônimo de Twitter, Facebook e Orkut. Somadas, essas quatro expressões já têm quase 3 mil citações por ano nas páginas do Estado.

E como a frequência do uso das palavras no jornal reflete a política? De maneira surpreendente. De todos os políticos, os mais citados nas páginas do Estado são presidentes, ex-presidentes e alguns candidatos derrotados à Presidência. O ranking presidencial é encabeçado por "Luiz Inácio Lula da Silva". São mais de 24 mil menções ao seu nome completo. Se forem somadas as menções a "Luiz Inácio da Silva", a conta passa de 26 mil.

Dois Josés disputam o segundo lugar de citações: Sarney e Serra. Com quase 18,5 mil aparições, o tucano está formalmente na segunda colocação - mas ele tem muitos homônimos, o que dificulta a contabilidade. Fernando Henrique Cardoso é o quarto colocado, com 16,4 mil citações. A seguir vêm, pela ordem, Paulo Maluf, Jânio Quadros, Dilma Rousseff, Getúlio Vargas, Itamar Franco, Fernando Collor e, bem atrás, os presidentes militares.

Lula aparece pela primeira vez em reportagem sobre o novo sindicalismo do ABC paulista, no final dos anos 70. Fernando Henrique é citado desde 1957, ainda como intelectual. A primeira menção a José Serra foi em 10 de março de 1960, numa propaganda do curso preparatório Anglo Latino. Ele é um dos aprovados no vestibular para a Escola Politécnica (USP): foi o 184.º colocado em 266 vagas.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO