segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Bolsonarismo avança e empurra o Brasil para um novo, e perigoso, ciclo histórico, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Eleição de Sérgio Moro para o governo do Paraná, em primeiro turno, é uma síntese do que aconteceu neste domingo: os vitoriosos de 2018 tinham sido derrotados e voltam a ser vitoriosos

O Brasil vive o fim de uma era e entra num novo ciclo histórico, com a derrota do PT e da esquerda e a vitória, não da direita tradicional, mas do bolsonarismo e tudo o que ele representa. O que se viu neste domingo, 4 de outubro de 2026, foi um tsunami bolsonarista que faz estragos em avanços duramente conquistados e joga o País numa incógnita.

Os “aliados” do presidente Lula no Supremo Tribunal Federal contribuíram decisivamente para o susto de Lula e o sucesso de Flávio. Começa com Dias Toffoli e Alexandre de Moraes metidos na lama do Master e desaba nas decisões heterodoxas de Flávio Dino e Gilmar Mendes a favor de Lula. Quantos eleitores se rebelaram contra isso?

O presidente Lula perdeu em várias frentes. A principal delas é a reversão de expectativas, já que ele atravessou toda a campanha como favorito, perdeu fôlego na reta final e chegou atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Foram só dois pontos percentuais, mas suficientes para o clima de “derrota”.

Eleição, como a própria política, não é racional, mas emocional, e Lula entra na disputa do segundo turno com a equipe sem energia e o eleitorado acreditando que Flávio vai ganhar, porque pegou ritmo, está embalado para a votação final e será um presidente mais forte do que ele.

Além do desempenho de Flávio, o bolsonarismo acumulou vitórias para lá de importantes. A principal foi o PL entrar em 2027 com 28 cadeiras no Senado Federal, contra só nove do PT, o que, por exemplo, pode fazer o Centrão dar meia volta, volver, saindo de Lula para ele.

Os erros, a falta de rumo e o cheiro de naftalina do governo aprofundaram um processo que vem de longe: o desgaste do PT, que sempre asfixiou o resto da esquerda e vai com ela para o fundo do poço. Basta ver a derrota, para o Senado, de Gleisi Hoffmann, Manuela Dávila, Benedita da Silva, Marina Silva, Simone Tebet, Leila do Vôlei e Érika Kokay. Sem prefeituras, sem bancadas no Congresso, só resta o Nordeste para a esquerda.

Aconteça o que acontecer no segundo turno, há questões muito graves a serem analisadas e compreendidas. Uma delas é como Flávio Bolsonaro passou ileso de todas as acusações pesadas contra ele, relação com milícia, enriquecimento graças a rachadinhas, negociação de dezenas de imóveis, jogar os EUA contra o Brasil...

Já imaginaram se Lula ligasse para quem quer que fosse, principalmente para Daniel Vorcaro, pedindo RS$134 milhões? Possivelmente, teria até de renunciar à candidatura à Presidência. Com Flávio, nem fez cosquinha. Como todos os erros evidentes do governo do pai, Jair Bolsonaro, também não fizeram.

A outra reflexão é sobre o que vem por aí. Com Lula, crise incontrolável com o Legislativo e convivência tóxica com um Judiciário em pé de guerra. Com Flávio, Jair Bolsonaro e golpistas soltos, com ódio e vingativos, retrocessos evidentes na área de costumes, desmantelamento do Itamaraty e portas escancaradas para Donald Trump pintar e bordar.

A eleição de Sérgio Moro para o governo do Paraná, em primeiro turno, é uma síntese, diz tudo que aconteceu neste domingo: os vitoriosos de 2018 tinham sido derrotados e voltam a ser vitoriosos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Eliana o choro é livre
Tava na cara que o povo ia dar uma banana pro PT ninguém aguenta mais essa ditadura Com repressão e censura da oposição, essa carestia Quando se vai no supermercado, essa falta de segurança nas ruas e essa mentirada descarada do Lula todos os dias Querendo enganar o povo
Por mais que vocês queiram o Lula vai ser derrotado e o PT encerra uma era muito triste da nossa história
Novos tempos estão vindo
Anistia liberdade para os presos políticos liberdade para Bolsonaro todos Presosnuma grande armação que vai ser revelada ainda do 8 de janeiro
Não é novidade , América Latina em peso está virando pra direita conservadora largando os partidos comunistas de esquerda pra trás
O Brasil vai se somar ao restante da América Latina hoje conservadora de direita