O Estado de S. Paulo
O segundo turno é uma nova eleição, que está
apenas começando. Como surpreendeu no primeiro turno, Flávio Bolsonaro pode ser
surpreendido no segundo
Além de surpreendente, pois até a véspera a maioria das pesquisas de intenção de voto não a indicava, a vitória numérica do candidato Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais mostra de modo eloquente a consolidação do prestígio da direita. É preciso observar, porém, que, mesmo expressiva, a vantagem de 2,2 milhões de votos que Bolsonaro obteve sobre seu principal adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não é garantia antecipada de vitória no segundo turno. Em 2022, nas quatro semanas entre o primeiro e o segundo turnos, o pai de Flávio, o hoje preso expresidente Jair Bolsonaro, conseguiu reduzir em 4,1 milhões de votos, de 6,2 milhões para 2,1 milhões, a diferença que o separava do mesmo candidato que o filho enfrenta neste ano. Mas Flávio começa a campanha do segundo turno com vantagem.
Há um fato talvez intrigante no crescimento
de sua candidatura. Mesmo acusado, não raro com provas, da prática de atos que
caracterizam no mínimo imoralidade no exercício de função pública, Flávio
Bolsonaro foi conquistando mais apoio num corpo de eleitores que dizem repudiar
corrupção e afirmam, com a convicção dos puros, que jamais votariam em alguém
envolvido em casos de manipulação de dinheiro de origem suspeita. Tudo se
passou, para essa fatia do eleitorado, como se não tivesse havido um episódio
moralmente repugnante de relações entre um banqueiro ambicioso e políticos
interessados mais em dinheiro do que em ações públicas que deles se pode
esperar.
Flávio é o mais notório homem público (há
outros em outra esfera do poder) que se beneficiou, em dinheiro, das ações do
hoje ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro. É como se o dinheiro que lhe foi
repassado por Vorcaro, do extinto Banco Master, e outros atos moralmente
condenáveis nada tivessem a ver com ele. Rachadinhas, pagamento em dinheiro da
compra de imóvel avaliado em milhões de reais (prática que evita o registro no
sistema bancário do valor de certas transações), homenagens a ex-policiais que
se tornaram milicianos (e assassino, pelo menos em um caso) e sua notória
incapacidade de propor programas de ação com um mínimo de coerência não têm
importância para uma parte muito expressiva do eleitorado.
Foi o que seu desempenho nas urnas mostrou.
Mas as urnas mostraram algo mais preocupante: a real possibilidade de uma
figura política com esse perfil tornar-se presidente da República por quatro
anos a partir do dia 5 de janeiro de 2027. Será preciso muito otimismo para
esperar que, se isso ocorrer, teremos um país melhor do que o que temos hoje.
Podem ser tempos difíceis para muitos, sobretudo os que mais necessitam de ações
do poder público. Do ponto de vista programático, o que o candidato detentor do
maior número de votos no domingo tem de mais conhecido é o princípio de que o
Estado brasileiro precisa ser reduzido. Como seu pai condenado pela Justiça,
Flávio Bolsonaro é adversário de políticas públicas que, mesmo adequadamente
inscritas na programação orçamentária do governo federal e de grande impacto na
vida de boa parte da população, impliquem gastos que poderiam ser utilizados
para ações que não tenham características sociais.
Das urnas de domingo levantou-se uma onda
conservadora poucas vezes vista em tempos recentes. O PL que abriga Bolsonaro e
os partidos aliados Republicanos e PP elegeram 10 dos 20 governadores definidos
no primeiro turno. O PT de Lula elegeu três. Das 54 vagas para o Senado que
foram preenchidas, o PL de Bolsonaro conquistou 19. Partidos que fariam parte
da base de apoio de um novo governo bolsonarista, como Novo, PP e Republicanos,
elegeram mais oito senadores. O
PT elegeu seis.
Em alguns Estados, a vitória da direita foi
avassaladora. São Paulo talvez seja o melhor exemplo. O governador Tarcísio de
Freitas, do Republicanos, foi reeleito em primeiro turno por ampla vantagem de
6 milhões de votos sobre seu oponente, Fernando Haddad, do PT. Dos dois senadores
eleitos no Estado, um, Guilherme Derrite, é do PP; o outro, André do Prado, é
do PL.
Se eleito, por isso, Flávio Bolsonaro terá a
seu favor um Congresso Nacional cujas características políticas predominantes
serão muito parecidas com as suas. Isso lhe facilitaria a tarefa de governar.
Mas isso será bom ou ruim?
Mudança de governo e, consequentemente, de
prioridades e de políticas públicas é parte do jogo democrático. Ações que
caracterizavam determinada gestão serão encerradas ou substituídas por outras;
novos gastos, com novas finalidades e com novos beneficiários serão
introduzidos nos programas orçamentários. Em certos momentos, porém, mudanças
desse tipo podem implicar rupturas de consequências não previsíveis. Pode ser
que sejam para melhor.
Mas nada está decidido. O segundo turno é uma
nova eleição, que está apenas começando. Como surpreendeu no primeiro turno,
Flávio Bolsonaro pode ser surpreendido no segundo.

Um comentário:
o Lula vai sofrer uma derrota vergonhosa no segundo turno
O povo já Mandou pra casa Aposentados, os esquerdistas mais radicais da esquerda do PT TipoGleisi Hoffman e Companhia Passo seguinte vai ser erradicar Lula e o PT do governo
DESPETIZACAO GERAL!!!
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