sábado, 3 de setembro de 2022

Ascânio Seleme - Atentado contra Cristina repercute nas campanhas

O Globo

O autor do ataque em Buenos Aires se parece com Jorge Guaranho, o bolsonarista que invadiu uma festa em Foz do Iguaçu e matou o aniversariante por ser petista

Não, não foi Bolsonaro quem atentou contra a vida de Cristina Kirchner. Mas foi um brasileiro, neonazista, que se tivesse título de eleitor votaria em Bolsonaro. Sim, eu quero dizer que a tentativa de assassinato da vice-presidente da Argentina tem todas as cores do delírio autoritário, intolerante e demoníaco que alcança parte importante, mas não majoritária, do eleitorado que apoia a reeleição do presidente do Brasil.

Fernando Andrés Sabag Montiel, autor do atentado frustrado, é mais um dos muitos fascistoides imbecis que se espalham pelos quatro cantos do mundo, estão no Brasil e na Argentina inclusive. Além de irados e intransigentes, são misóginos, homofóbicos e racistas. Politicamente são contra qualquer tipo de representação, defendem a força como regime e obviamente se opõem ao debate de ideias.

Na Argentina, são contra a esquerda representada por Cristina e que se assemelha ao trabalhismo do PDT no Brasil. Aqui, seus inimigos são o PT e Lula. O autor do atentado de Buenos Aires se parece com Jorge Guaranho, o bolsonarista que invadiu uma festa em Foz do Iguaçu e matou o aniversariante por ser petista. Os dois crimes são de intolerância política.

Pablo Ortellado – O risco da violência política

O Globo

O atentado contra a vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, é mais um sinal de alerta sobre o risco concreto de sociedades polarizadas entrarem num ciclo de violência política.

Um brasileiro radicado na Argentina tentou assassinar Cristina na noite da última quinta-feira. O atentado só não foi bem-sucedido porque a arma apontada para a cabeça dela falhou. Assim como o Brasil, a Argentina vive um belicoso processo de polarização política que, lá, opõe kirchneristas e antikirchneristas. Ele foi chamado de la grieta, ou “a fissura”.

Uma pesquisa da Universidade de Buenos Aires com uma amostra de 3 mil pessoas nos centros urbanos tentou medir como os eleitores dos dois principais antagonistas das eleições de 2019 viam Cristina Kirchner. Enquanto eleitores da Frente de Todos, que a elegeu vice, associavam a ela os sentimentos de admiração, agradecimento, respeito e carinho, os eleitores do Juntos por Mudança, de Mauricio Macri, a relacionavam aos sentimentos de ódio, asco, desprezo e repulsa.

Nos Estados Unidos, que também vivem uma polarização acentuada opondo trumpistas a progressistas, pesquisas têm mostrado um quadro preocupante e perigoso.

Eduardo Affonso -No grito, não

O Globo

Terceira via deu sinal de vida depois que ficou claro não existir contorcionismo retórico que disfarce a corrupção

Há um movimento nas redes sociais para que a escolha do novo presidente seja decidida já em 2 de outubro. Desde que a eleição em dois turnos foi instituída, em 1988, quem ganhou no primeiro acabou repetindo o feito no segundo. Liquidar a fatura daqui a um mês abortaria pretensões golpistas e daria à luz a narrativa da “vitória de lavada”, um 7 x 1 no fascismo etc. Com uma vantagem adicional: sem ter de fazer acordos ou concessões. Como ensina a Doutrina ABBA, na base do “The winner takes it all”. Então, segundo turno, pra quê? Seria um desperdício de tempo, dinheiro e cortisol, o hormônio do estresse.

Mas, para isso, é preciso combinar com os russos — convencer os eleitores dos candidatos hoje em terceiro e quarto lugares de que eles (eleitores) sejam uns idiotas, irresponsáveis, linha auxiliar de um genocida, cúmplices de tudo o que vier a acontecer de ruim caso (toc, toc, toc) o Mal (“eles”) vença o Bem (“nós”).

Nunca foi uma estratégia das mais sensatas, mas era o que tinha pra hoje.

Carlos Alberto Sardenberg - Pequenos roubos

O Globo

O Judiciário e o sistema político oferecem ao país o pior exemplo. Fica estabelecido que há corrupção, mas não há como punir

 “A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa” (Jô Soares)

A gente estava só esperando: o tema corrupção havia de aparecer na campanha. Apareceu. Da pior maneira possível. Mais ou menos assim: sua turma rouba mais que a minha. Ou, claro, meus roubos são menores que os seus.

Corrupção não é apenas uma questão moral. Melhor dizendo: se fosse apenas uma questão moral, já seria importante o suficiente para merecer atenção e propostas dos candidatos.

Não basta condenar a roubalheira, muito menos condenar a roubalheira dos outros. É preciso apresentar propostas para restabelecer no Brasil o sistema de combate à corrupção, desmontado meticulosamente nos últimos anos por políticos e tribunais.

Fernando de la Cuadra* - Brasil: Mentira y corrupción, las señales de una derrota anunciada

“Para hacer cumplir las mentiras del presente, es necesario borrar las verdades del pasado”- George Orwell

Centro Latinoamericano de Análisis Estratégico (CLAE).

En el primer debate entre los principales candidatos a la presidencia del país, el postulante Bolsonaro acusó al ex Presidente Luiz Inácio Lula da Silva de mantener buenas relaciones con gobiernos izquierdistas de América Latina, profiriendo una de sus mentiras más groseras del último tiempo: “Lula apoyó al Presidente de Chile también. El mismo que practicaba actos de prenderle fuego al Metro (sic)”.

Los dichos de Bolsonaro fueron inmediatamente desmentidos y repudiados por la Cancillería chilena, llamando incluso al Embajador brasileño en Chile para entregarle una carta oficial de protesta por las inaceptables y gravísimas declaraciones difundidas por el mandatario brasileño.

Esta acusación sin pruebas lanzada contra el presidente Gabriel Boric no representa una conducta aislada del jefe del ejecutivo, al contrario, ella es parte de una política permanente de encubrir la realidad o intentar construir un universo paralelo. En efecto, desde que asumió la presidencia hace 3 años y 8 meses, Bolsonaro ha utilizado insistentemente el recurso de la mentira para justificar sus actitudes y sus acciones.

Demétrio Magnoli - Jornalismo militante

Folha de S. Paulo

Especial sobre cotas raciais ilustra a colonização da imprensa profissional pela militante

A imprensa militante, uma ferramenta de partidos e movimentos sociais, propaga causas políticas e ideológicas. A imprensa profissional rejeita a pregação: analisa o noticiário segundo ângulos e pontos de vista diversos, refletindo a pluralidade política da sociedade. O especial sobre as cotas raciais nas universidades publicado pela Folha (29/8) ilustra a colonização da segunda pela primeira.

São seis textos de propaganda das cotas raciais. Acompanha-os uma entrevista com um crítico das cotas raciais que funciona como disfarce: o álibi para inscrever a peça de imprensa militante num veículo da imprensa profissional.

O primeiro texto noticia o diagnóstico governamental de que os cotistas obtiveram desempenho acadêmico similar aos demais —mas nenhum crítico sério das políticas raciais acalentou a ideia racista de que ocorreria coisa diferente.

O segundo defende a tese de que, ao longo do tempo, os beneficiários das cotas passaram a enxergá-las como um direito. Trata-se do óbvio: o que está na lei é um direito. O terceiro esforça-se para provar o impossível, exibindo os tribunais raciais criados pelas universidades como comissões capacitadas a distinguir cientificamente os pardos que são "negros" dos que são "brancos".

Cristina Serra - O atentado na Argentina e o Brasil

Folha de S. Paulo

A violência política adubada é a maior ameaça às democracias modernas

A cena é aterrorizante. O cano do revólver quase encosta no rosto de Cristina Kirchner. Se a bala tivesse sido disparada, a vice-presidente argentina teria morrido com a cabeça despedaçada, diante das câmeras dos celulares.

Não pude evitar que a memória me trouxesse, como um relâmpago, as imagens do assassinato de John Kennedy, em novembro de 1963, nos EUA. O cérebro do presidente se desintegra. Jacqueline tenta recolher fragmentos dispersos no ar. O balaço de fuzil chocou o mundo e reverberou por gerações.

Na noite deste 1° de setembro, o brasileiro Fernando Sabag Montiel, que tentou atirar em Cristina Kirchner, esteve muito perto de produzir algo semelhante na América do Sul. São contextos diferentes, mas em ambos a violência política, o extremismo e o crime se impõem. O senso de humanidade se esvai por recônditos sombrios e inexplicáveis.

Alvaro Costa e Silva - Os Bolsonaros já fizeram sua independência

Folha de S. Paulo

O desfile do 7/9 poderia ser em uma das mansões do clã

Nelson Rodrigues —que anda atualíssimo— dizia faltar "espanto político" ao Brasil. Com seu estilo inconfundível, deu um exemplo:

"Se baixassem um decreto mandando a gente andar de quatro —qual seria a nossa reação? Nenhuma. (...) Cada um de nós trataria de espichar as orelhas, de alongar a cauda e ferrar o sapato. No primeiro desfile cívico, o brasileiro estaria trotando na Presidente Vargas, solidamente montado por um Dragão de Pedro Américo. E seria lindo toda uma nação a modular sentidos relinchos e a escoucear em todas as direções".

A citação ao quadro "Independência ou Morte!" lembra as comemorações deste Sete de Setembro, que sob o governo Bolsonaro seguem as regras da vergonha e do assombro. Última cartada da campanha que não vê o presidente subir nas pesquisas ou mais um movimento estratégico em direção ao golpe, o desfile do bicentenário —que no Rio trocou a Presidente Vargas pela avenida Atlântica, em Copacabana— foi sequestrado politicamente, a exemplo das cores verde e amarela da bandeira e da camisa da seleção.

Hélio Schwartsman - Iniquidades sanitárias

Folha de S. Paulo

Juízes não têm formação adequada para as decisões que terão de tomar

Demorou, mas a opinião pública se convenceu de que a judicialização do SUS é ruim para a sociedade. A prática introduz uma iniquidade no sistema, já que são tipicamente os pacientes mais ricos que acionam a Justiça para obter acesso imediato a drogas, terapias e outros itens, o que tira recursos do fundo comum.

Na prática, a judicialização transfere a decisão sobre onde alocar recursos das autoridades sanitárias para juízes, que não têm a formação adequada para isso.

Miguel Reale Júnior* - Forças Armadas subordinadas ao poder político

O Estado de S. Paulo

Nada justifica, diante do texto constitucional e da experiência histórica, o entendimento de que elas sejam um Poder Moderador

Ao responder, no Jornal Nacional, da TV Globo, ao comentário de que seus correligionários, sem sua contestação, defendiam em manifestações o fechamento do Congresso Nacional e a intervenção militar, Jair Bolsonaro mencionou o artigo 142 da Constituição. A resposta ficou pelo meio. Com efeito, todavia, o presidente referia-se à posição de poucos juristas no sentido de que esse artigo autoriza as Forças Armadas a agir como Poder Moderador, como um Poder acima dos demais, no caso de conflito entre Poderes.

Resta saber se se pretende referir ao Poder Moderador consagrado ao imperador pela Constituição de 1824 ou se se usa o termo no seu sentido literal, como órgão de conciliação entre os Poderes.

Em golpe de Estado, Dom Pedro I dissolveu a Assembleia Constituinte, que a seu ver não elaborava texto digno dele. O Conselho de Estado, nomeado para, então, elaborar a Constituição, instituiu um quarto poder, o Poder Moderador, criando a figura de rei que reina, governa e administra.

João Gabriel de Lima* - Agenda saiu do controle de Lula e Bolsonaro

O Estado de S. Paulo

Ciro e Tebet foram bem no debate. Lula e Bolsonaro foram mal – e perderam o controle da agenda

“A batalha crucial de uma eleição é pela captura da agenda.” Seguindo essa máxima, o estrategista de campanha Luiz González elegeu três governadores do PSDB em São Paulo – Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin. “Sou um dos responsáveis pelo apelido ‘tucanistão’”, brinca.

“Capturar a agenda” significa emplacar o tema que vai pautar o debate eleitoral. Para González, entrevistado no minipodcast da semana, os dois líderes da corrida presidencial, Lula e Bolsonaro, já têm estratégias definidas para que a discussão gire em torno de seus assuntos preferidos.

Lula gostaria que o tema da campanha fosse a comparação entre o seu desempenho e o do atual presidente. Bolsonaro investe na reconquista do público evangélico e no discurso anticorrupção. Apesar do escândalo no Ministério da Educação, do orçamento secreto – furos de reportagem do Estadão – e, agora, da compra de imóveis com dinheiro vivo, estrategistas de Bolsonaro avaliam que o tema corrupção atrapalha mais Lula do que ele.

Adriana Fernandes - Cálculo de chegada

O Estado de S. Paulo

Ainda que a melhora econômica não se reflita nas pesquisas, retira força da fala dos adversários

Se depender da economia, a chegada do presidente Jair Bolsonaro ao dia da votação em primeiro turno das eleições presidenciais tende a ser forte.

O PIB cresceu 1,2% no segundo trimestre (acima do esperado), os economistas já projetam uma alta próxima de 3% no ano e a taxa de desemprego no trimestre de maio a julho caiu para 9,1%, a menor em sete anos.

A massa salarial também está crescendo bem, apesar da previsão de uma desaceleração do ritmo no terceiro trimestre.

A inflação (ah... ela) está caindo, e economistas apontam que o novo corte da gasolina, de 7%, ou R$ 0,25% no preço do litro, anunciado na quinta-feira pela Petrobras, abre espaço para o IPCA negativo em setembro. É na antessala das eleições, marcada para começar às 8h de 2 de outubro. Foi a quarta queda nas refinarias da estatal desde julho, e ainda há espaço para novas quedas no preço da gasolina.

Eliane Cantanhêde - O maior espetáculo da Terra

O Estado de S. Paulo (2.9.22)

Setembro chegou e Bolsonaro vai botar navios e aviões na campanha e ‘canhões’ contra Lula

Com sua obsessão em transformar o 7 de Setembro e o bicentenário da República nos maiores espetáculos da Terra e da sua campanha à reeleição, Jair Bolsonaro criou um problemão para a prefeitura do Rio e uma saia-justa para as Forças Armadas, particularmente o Exército. Mas não foi só isso. Mais uma vez, gerou enorme constrangimento para países amigos do Brasil.

As forças navais do Brasil e de 18 outros países das Américas estão no País para participar da Operação Unitas, exercício conjunto que vem desde 1960 e, neste ano, justamente ano eleitoral, ocorre no Brasil, a partir do Rio. E agora? Os países discutem nos bastidores se vão ou não reforçar o bicentenário da independência brasileira, o que corresponde a dar mais visibilidade à campanha de Bolsonaro.

São 5,5 mil militares, 20 navios de guerra, um submarino e 21 aeronaves que fazem a alegria das famílias e serão chamariz para a campanha. A operação começa oficialmente no dia seguinte, mas muitos países participarão do 7 de Setembro/bicentenário e um dos mais importantes, senão o mais, os EUA, faz suspense. “Duvido que isso mude a opinião do eleitor que não decidiu em quem votar”, diz um diplomata de um dos 18 países.

Bruno Boghossian - Escolhas de última hora

Folha de S. Paulo (2/9/22)

Atuais governadores e nomes conhecidos lideram em quase todas as pesquisas feitas pelo Ipec

Apesar de ter se posicionado cedo na disputa presidencial, o eleitor brasileiro dá todos os sinais de que só pretende definir seu candidato a governador nos últimos dias da campanha. Uma rodada de pesquisas do Ipec mostra que pelo menos 20% dos entrevistados não escolheram nenhum nome para ocupar esse cargo em 19 corridas locais.

Esse é o terreno ideal para reviravoltas na reta final. Em 2018, o então candidato Wilson Witzel aparecia com 1% das intenções de voto a esta altura da disputa pelo governo do Rio, enquanto 30% dos eleitores não tinham candidato. Ele só disparou às vésperas da votação e conseguiu vencer no segundo turno.

Alguns estados reproduzem as condições de jogo aberto em 2022. No Rio e em São Paulo, 35% dos entrevistados estão indecisos ou declaram voto em branco ou nulo. Os números tendem a cair, porque mesmo os eleitores que agora parecem frustrados devem escolher um nome.

José de Souza Martins - O coração do rei

Valor Econômico / Eu Fim de Semana

É curioso o empenho político em trazer ao país o órgão do imperador

Foi Dom Pedro IV, de Portugal, quem doou o próprio coração, em testamento, à Irmandade de Nossa Senhora da Lapa, da cidade do Porto. Não foi Dom Pedro I, do Brasil. Embora os dois reis, do ponto de vista vulgar, sejam a mesma pessoa biológica, não são, sociologicamente, a mesma pessoa política e histórica. Cada qual personificou um mandato e um destino. Dom Pedro IV foi um rei de Portugal e dos portugueses. Dom Pedro I fora um monarca do Brasil e dos brasileiros.

Os reis nunca são eles mesmos nem o que achamos que são. A rainha Elizabeth II é rainha da Inglaterra e da Escócia. São dois tronos e dois reinos distintos. Na Inglaterra, ela é anglicana e cabeça da Igreja Anglicana. Na Escócia, ela é presbiteriana, cabeça simbólica da Igreja Escocesa, cuja origem vem de John Knox, braço direito de Calvino e fundador do presbiterianismo.

Quando na Inglaterra, nas celebrações religiosas, ela segue o rito anglicano. Quando na Escócia, nessas celebrações, segue o rito do protestantismo escocês. Na Escócia, formalmente, está ligada a uma igreja de estrutura e de espírito republicanos.

As circunstâncias históricas e políticas dizem o que são e podem ser os reis nos diferentes momentos e épocas de sua vida. O pai de Dom Pedro, o rei Dom João VI, que foi rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, a partir de 1815, quando o criou, foi um desses casos. Pagou com a vida o fato histórico de que a unidade dinástica sobre dois territórios, Portugal e Brasil, pressuposta nessa decisão, antecipava uma possibilidade política em dois países politicamente atrasados. Homem de grande lucidez política, do estadista que era, ele acabou assassinado por envenenamento em 1826.

Maria Cristina Fernandes - No bicentenário das urnas, paz foi exceção

Valor Econômico / Eu & Fim de Semana

Livro mostra que, 173 anos antes da peleja do presidente do TSE, Alexandre de Moraes, já se tentava desarmar os eleitores

“Grupos armados, capitaneados por agentes policiais disfarçados, que expeliam as mesas legalmente organizadas, quebravam urnas, rasgavam cédulas e espancavam votantes.” Corria o ano de 1840, o último ano da Regência, período durante o qual, desde a Independência, a nação mais esteve ameaçada. O autor do relato é João Manuel Pereira da Silva, um filho de comerciantes de Nova Iguaçu (RJ) que estudara direito em Paris e acumularia 11 mandatos como deputado.

Nos resgates de seu livro de memórias, Pereira da Silva mostrou que, se as rebeliões foram a face mais visível dessa ameaça, as eleições do período demonstraram como a disputa pelo voto foi a tradução institucional dessa guerra. Não é por outra razão que, 200 anos depois, o governo que mais atacou os alicerces da nação brasileira tenha escolhido as urnas eletrônicas por alvo.

O nome dado à disputa de 1840, que acabaria cancelada pelo imperador, é autoexplicativo, “eleições do cacete”. E foram assim definidas por Pereira da Silva: “Empregados públicos são colocados na dura colisão de optar entre o sacrifício de sua consciência e o pão de seus filhos; operários de repartições públicas, soldados, marinheiros de embarcações de guerra, são constrangidos a levar à carga cerrada, em listas que lhe são impostas, um voto de que não têm consciência”.

Pereira da Silva é recuperado em “Eles e o voto” (Távola Editorial, 2022), do ex-professor da UNB e ex-ministro do TSE Walter Costa Porto. O livro poderia ter suas 627 páginas reduzidas pela metade com o expurgo das repetições, mas vale pelo resgate dos personagens da política nacional mais enfronhados nas tentativas de fazer do voto o filtro mais fidedigno das escolhas nacionais.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

É absurda a MP que permite salário acima do teto

O Globo

Senado deveria barrar medida que privilegia diretores dos fundos de previdência dos servidores

Parlamentares não perdem a oportunidade, especialmente em ano eleitoral, de fazer valer a máxima orwelliana de que todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros. Na quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória (MP) 1.119, que permite a diretores de fundos de previdência de servidores receber mais que o teto salarial do funcionalismo, hoje em R$ 39.294 (correspondente ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal).

A mágica foi obtida mudando a natureza jurídica dos fundos, de fundação pública para fundação privada. Deputados que tentaram suprimir esse trecho da MP foram voto vencido. Um absurdo que ignora a dura realidade da maioria da população brasileira.

Não foi o único disparate na MP oportunista. O texto também reabre o prazo para que servidores em atividade migrem para um fundo de previdência complementar. Quem optar pela mudança terá aposentadoria limitada ao teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), hoje em R$ 7.087 (ou R$ 7.612 no ano que vem, conforme previsão no Orçamento para 2023 enviado ao Congresso).

Poesia | Fernando Pessoa - Quando olho para mim não me percebo

 

Música | Chico César - Pensar em você

 

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Opinião do dia – Constituição* (Direitos Fundamentais)

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos:

I - a soberania;

II - a cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;

IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V - o pluralismo político.

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Vera Magalhães - A indignação seletiva do eleitor com a corrupção

O Globo

Eleitorado se horroriza com roubalheira do PT enquanto faz vista grossa ao Banco Imobiliário em dinheiro vivo da família Bolsonaro

É impressionante quanto o eleitor bolsonarista é impermeável à profusão de casos de diferentes formas de corrupção ao longo da vida política do presidente e também em seu governo.

A seletividade no peso que essa fatia do eleitorado atribui aos escândalos a depender de onde eles partam — se do PT ou se do entorno do capitão— é um fenômeno pouco estudado e, também ele, engenhosamente burilado a partir das ativas redes sociais e subterrâneas da comunicação bolsonarista.

Esta semana foi pródiga na revelação de muitos indícios de corrupção associada ao núcleo mais próximo de Bolsonaro. O levantamento pormenorizado do UOL a respeito das transações imobiliárias da família ampliada do presidente, com nada menos que 51 em parte ou integralmente em dinheiro vivo, foi recebido com um dar de ombros pelo próprio Bolsonaro.

Segundo o presidente, não tem nada demais transacionar casas, apartamentos e salas comerciais com sacolas cheias de notas sem procedência garantida.

As mesmas pessoas que se indignaram diante dos processos que atribuíam a Lula a propriedade, disfarçada por meio de laranjas, do sítio de Atibaia e do triplex no Guarujá, compram essa justificativa pelo valor de face e continuam dizendo que não votam no PT porque não toleram corrupção.

Mariliz Pereira Jorge - O bolsonarismo é corrupto

Folha de S. Paulo

Bolsonarismo está cheio de gente suja feito Jair Bolsonaro e seus filhos

O eleitor de Jair Bolsonaro não se comove com as reportagens sobre o enriquecimento da família do presidente porque não se importa com corrupção, ao contrário do que diz. Em cerca de 30 anos, o clã negociou 107 imóveis, 51 deles pagos total ou parcialmente com dinheiro vivo, segundo reportagem do UOL. Se alguém ainda acha que nesse angu não tem caroço, é porque é igual.

De todas as mentiras contadas por Jair, sempre achei a do combate à corrupção a melhor. O então deputado conseguiu convencer parte da população de que ele era um político preocupado com a má gestão dos recursos públicos. Em 2018, muita gente tampou o nariz e apertou o 17 com força, apesar do perfil autoritário, homofóbico, misógino e racista do então candidato.

Bernardo Mello Franco - O vice do vice

O Globo

Washington Reis sofre derrota no Supremo e entra na mira da PF; governador do Rio promete mantê-lo por "lealdade"

Depois dos fantasmas do Ceperj, o governador Cláudio Castro arranjou outro espectro para assombrá-lo na campanha. Seu candidato a vice, Washington Reis, entrou na mira da Polícia Federal. Ontem a PF fez buscas na casa do ex-prefeito de Duque de Caxias. Os investigadores apuram suspeitas de favorecimento em contratos que somam R$ 563 milhões.

Reis já havia recebido uma má notícia na terça-feira. A Segunda Turma do Supremo manteve sua condenação a sete anos de cadeia por crime ambiental. O ex-prefeito só contou com os votos dos ministros indicados por Jair Bolsonaro: Kassio Nunes Marques e André Mendonça.

Na sabatina do GLOBO, o governador bolsonarista saiu em defesa do vice. “Confio muito no Washington”, afirmou. Ele disse que pretende manter o ex-prefeito na chapa por razões de “lealdade”. “O pessoal me pergunta: ‘Tem plano B?’. Eu só tenho o plano W”, gracejou.

Hélio Schwartsman - Metafisica eleitoral

Folha de S. Paulo

Pode Bolsonaro fazer do 7 de Setembro um comício eleitoral?

"Genocida" não pode, mas "canalha" pode, determinou o ministro Raul Araújo, do TSE. A ministra Carmen Lucia discrepa e sancionou o "genocida". Com a campanha eleitoral a pleno vapor, o TSE vem sendo acionado para julgar casos de propaganda irregular. Desde julho, o tribunal recebeu 124 ações questionando peças relacionadas aos presidenciáveis. A legislação é vaga e os critérios utilizados pelos magistrados são discutíveis, indistinguíveis de suas idiossincrasias.

Para reduzir o personalismo, o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, determinou que as decisões monocráticas devem ser referendadas pelo plenário. Melhora, mas não resolve. Em outra situação polêmica, a juíza Maria Claudia Bucchianeri acatou pedido do PT para banir postagem de Eduardo Bolsonaro que dizia que Lula, se eleito, proibirá o trabalho de motoristas de aplicativos. Até pela origem, sabemos que é "fake news", mas a justificativa da magistrada para a exclusão tem problemas lógicos.

Reinaldo Azevedo - De volta aos contrastes primitivos

Folha de S. Paulo

Guedes já fala em prorrogar calamidade em caso de vitória

O governo Bolsonaro nos devolveu às contradições e aos contrastes os mais primitivos. A economia ganhou um suspiro em razão da liberação pré-eleitoral de recursos e da alta das commodities pós-retomada da economia mundial, até que venha a ser alvejada pelas sucessivas elevações de juros -"as consequências vêm sempre depois"- e pelo risco de recessão global. De toda sorte, é um alento para uma parcela de brasileiros ao menos.

Os pobres "ficaram esfaimando" (apud Gregório de Matos) porque não tinham como enfrentar a inflação de alimentos, decorrente da alta demanda internacional pós-pandemia -que ajudou a fabricar "a alegria" do PIB, mas contribuiu para produzir fome e elevar a Selic, que vai cobrar seu preço em baixo crescimento, o que, por sua vez, pune muito especialmente os pobres. É um mecanismo que exclui os excluídos de sempre.

Flávia Oliveira - Milagres eleitorais

O Globo

Foi pela dor da crise decorrente da pandemia que o Brasil se convenceu da relevância das políticas de transferência de renda. Por convicção, amadurecimento ou oportunismo, é marcante na corrida eleitoral deste 2022 que candidatos de todas as colorações ideológicas hoje debatam não a existência, mas a permanência no maior valor possível, de programas como o Bolsa Família, rebatizado um ano atrás de Auxílio Brasil. Dos milagres que uma campanha à reeleição opera, até Jair Bolsonaro passou a louvar o programa que, quando deputado, cansou de execrar. Ontem, na falta de previsão na Lei Orçamentária, foi a vez de o ministro Paulo Guedes sugerir, para manter o benefício mínimo de R$ 600 por família, se o presidente sair vitorioso das urnas, a prorrogação do estado de calamidade no país. Errado não está. Benza Deus.

Custou à sociedade brasileira compreender a urgência e a necessidade das políticas sociais para enfrentar desigualdades e produzir (algum) bem-estar social num país que não é pobre, mas tem gente demais em situação de vulnerabilidade. Um dos maiores produtores e exportadores de carnes e grãos do mundo tem 33 milhões de pessoas passando fome e metade da população em situação de insegurança alimentar, apurou a Rede Penssan. Mesmo em recuperação após ciclos de demissões decorrentes da recessão e da crise sanitária, o mercado de trabalho contava, no trimestre maio-julho, 9,9 milhões de desempregados e 39,8% dos ocupados na informalidade, informou o IBGE.

Fernando Gabeira - O novo e o estável nas eleições

O Estado de S. Paulo

Sucessão de pesquisas reforça tendência à estabilidade, e, nelas, ressalto o fato de que 80% dos eleitores parecem já ter decidido seu voto

A eleição começou para valer, nas ruas, nas redes, com propaganda e debates na TV. Há muito tempo que observo nela uma característica singular: a tendência à estabilidade nas opções de voto.

Claro que coisas novas podem acontecer. Mas os dados que indicam estabilidade são abundantes. O primeiro deles é o fato de estarem em confronto dois nomes populares: Lula e Bolsonaro. Ambos têm um trabalho para mostrar: o de Lula realizado durante oito anos, o de Bolsonaro de 2019 para cá.

A tendência é reforçada pela sucessão de pesquisas e, nelas, além da pontuação geral, ressalto o fato de que 80% dos eleitores parecem já ter decidido seu voto.

Outro fator que, pela minha experiência, aponta para uma estabilidade: quem está no governo e começa mal tem chances reduzidas de reverter a situação.

Quase sempre, nas eleições, candidatos da oposição crescem e ameaçam os governos, porque são ainda desconhecidos e trazem a esperança de fazer melhor.

Armando Castelar Pinheiro* - A economia e a felicidade

Valor Econômico

Caminho que as eleições têm tomado, com muita raiva e ódio, não deve ajudar a economia e tende a reduzir o nível de felicidade do país

Lilyhammer é uma de minhas séries favoritas na TV. Ambientada na Noruega, ela mostra uma cultura que conhecemos pouco, de bastante confiança entre as pessoas e nas instituições. Verdade que com muita “criminalidade” também, a parte engraçada da série, e um bocado de neve: para alguém que, como eu, não gosta de frio, nem de dias escuros, dá arrepios.

Talvez por isso, me impressione tanto a liderança dos países nórdicos no World Happiness Report publicado esta semana (worldhappi ness.report/). A Finlândia aparece mais uma vez como o país mais feliz dentre os 146 países analisados, seguida pela Dinamarca e Islândia. A Suécia e Noruega estão na sétima e na oitava posições, respectivamente. O Brasil aparece relativamente bem, na 38ª colocação.

Nesta sua décima edição, o relatório busca aprofundar uma série de questões sobre o tema da felicidade, inclusive a permanente pergunta sobre o que faz as pessoas felizes. Dois temas mais relacionados à economia me pareceram especialmente interessantes: a felicidade como alternativa ao PIB, enquanto métrica de progresso, e como foco das políticas públicas, em lugar do crescimento econômico.

Claudia Safatle - Economia é que vai decidir eleição

Valor Econômico

Se Lula vencer, dará aumento real para o salário mínimo

A melhora da economia ainda pode embaralhar a eleição, reduzindo a diferença entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Jair Bolsonaro. As perspectivas são de chegar ao segundo turno com uma distância bem menor do que a atual, que já está em queda.

‘’A economia está tendo uma performance impressionante, seja no aumento da arrecadação, seja na geração de empregos”, comentou uma alta fonte do mercado financeiro.

A arrecadação federal vem batendo sucessivos recordes, chegando a R$ 1,292 trilhão no acumulado de janeiro a julho, cifra que representou um aumento real de 10,44% sobre igual período do ano passado. O ministro da Economia, Paulo Guedes aproveita a receita adicional para cortar impostos, o que é visto como medida eleitoreira.

Luiz Carlos Azedo - Mudança no cenário econômico favorece Bolsonaro

Correio Braziliense

O eixo da estratégia de Lula é a comparação do seu governo, que alcançou altas taxas de crescimento quando concluiu o segundo mandato, com o fracasso econômico do governo Bolsonaro

Recentemente, o jornalista Paulo Markun e a socióloga Ângela Alonso lançaram o documentário Ecos de Junho, em exibição na Netflix, no qual tecem uma linha de continuidade entre as manifestações espontâneas dos jovens brasileiros de 2013 e o desfecho daquele processo antissistema, que levou à eleição de Jair Bolsonaro (PL), cinco anos depois. Havia uma disputa política cujo desfecho foi uma guinada à direita, em 2018, mas que ainda não terminou e, de certa forma, está presente nas eleições deste ano, como uma espécie de ajuste de contas.

Grosso modo, essa disputa ocorreu nos quadrantes da ética, da política propriamente dita, da economia e da ideologia, simultaneamente, mas o peso relativo de cada uma dessas variáveis foi se alterando ao longo do processo. No plano da ética, a Operação Lava-Jato foi um fator determinante; na economia, o fracasso da nova matriz econômica; na política, a sua judicialização; e na ideologia, a reação religiosa à revolução de gênero.

Bruno Boghossian - 3ª via se mexe, mas Lula continua em vantagem

Folha de S. Paulo

Com rejeição nas alturas, Bolsonaro sofre para capturar eleitores que se opõem ao rival

A aceleração da campanha e o aumento da exposição dos candidatos na TV pode não ter abalado a corrida de forma significativa, mas mexeu em peças importantes para as semanas até o primeiro turno.

A variação dos presidenciáveis que reivindicam o rótulo da "terceira via", ainda muito distantes de Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL), tem efeitos colaterais sobre a situação dos dois líderes nas pesquisas.

Pela primeira vez desde maio, o Datafolha não captou nenhum crescimento ou oscilação positiva de Bolsonaro e registrou Lula abaixo da linha de 50% dos votos, necessária para uma vitória imediata.

Os dados indicam que alguns eleitores voltaram a olhar vitrines da disputa, após meses de alinhamento relativamente consolidado entre o petista e o atual presidente. Nas últimas duas semanas, passou de 9% para 14% o percentual de entrevistados que declaram voto em Ciro Gomes (PDT) ou Simone Tebet (MDB).

Combinada com uma oscilação negativa de Lula, esse dado reduziu a chance de vitória do petista na primeira rodada de votação, mas manteve o favoritismo do ex-presidente para o segundo turno.

Thomas Traumann: Estagnação ameaça expectativa de vitória e liga sinal de alerta para Bolsonaro

O Globo

Presidente não consegue transformar fatos em votos e cresce pouco em simulações de segundo turno

Depois de uma semana de campanha de rádio e TV, uma entrevista no Jornal Nacional, um debate na TV e R$ 600 depositados nas contas de mais de 20 milhões de famílias cadastradas no Auxílio Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (PL) segue estacionado no mesmo indicador da nova pesquisa Datafolha contratada pela TV Globo e "Folha de S.Paulo". Com 32%, Bolsonaro segue perdendo para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45%. A diferença é que já se passaram duas semanas desde a primeira pesquisa Datafolha na campanha e agora só faltam 30 dias até o primeiro turno.

A falta de reação de Bolsonaro já havia sido detectada em três pesquisas divulgadas nesta semana. No Ipec/TVGlobo e Genial/Quaest, Lula tem 44% e Bolsonaro 32%, os mesmos números de duas semanas atrás. A pesquisa XP/Ipespe só captou oscilações na margem de erro, com Lula liderando com 43% das intenções e Bolsonaro 35%.

A expectativa da vitória é o principal motor de uma campanha presidencial e a campanha de Bolsonaro não consegue transformar fatos em votos. Em todas as simulações de segundo turno, Bolsonaro não apenas perde de Lula, ele cresce pouco. No Datafolha, num eventual segundo turno, Bolsonaro ganha seis pontos percentuais do primeiro para o segundo turno, enquanto Lula sobe nove pontos percentuais, num placar de 38% a 53% a favor do petista.

Eliane Cantanhêde - Desejo de Lula de vencer a eleição em primeiro turno vai se tornando um sonho de verão

O Estado de S. Paulo

A pior notícia para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, favorito nas pesquisas, é que o desejo de vencer a eleição em primeiro turno vai se tornando um sonho de verão, cada vez mais inviável. Mas o presidente Jair Bolsonaro não pode comemorar, porque, com um pontinho a mais daqui e dali, ele caminha muito devagar e praticamente não sai do lugar. A diferença entre Lula e Bolsonaro, no Datafolha, era de 15 pontos e caiu para 13, mas continua alta a um mês das urnas. Urnas eletrônicas, aliás.

A cada rodada, Lula perde um ponto nos votos válidos, decisivos para a vitória em primeiro turno. Tinha 54% em maio, 53% em junho, 52% em julho, 51% no início de agosto e está agora com 48%. Precisaria ter 50% mais um para fechar a eleição em 2 de outubro. Não é essa a tendência.