Folha de S. Paulo
Existe uma lei de ferro da política que
escapa aos cientistas, sociólogos e filósofos: o eleitor detesta estar farto
Acima de tudo, Trump perdeu a graça; já faz
dez anos que o aturamos, e toda a gente abaixo dele é mais chata ainda
Escrevo antes
de saber os resultados das eleições nos EUA, mas não é de hoje que estou
confiante de que a saturação com o trumpismo vai desencadear uma contrarreação
—e, aliás, escrevi na semana passada isso mesmo, dizendo que o início
dessa revolta contra a extrema direita foi no Brasil.
Sociólogos, economistas, filósofos e cientistas políticos procuram desde há muito leis gerais para as mudanças na opinião pública: se é a inflação, se é o desemprego, se é a falta de crescimento econômico, se é a sua distribuição.
Mas antes disso tudo, digo eu, há que considerar um fator básico da natureza humana: o aborrecimento. Os humanos detestam estar fartos, de saco cheio, entediados, cansados de sempre o mesmo. E essa é uma lei de ferro da história da humanidade. Chega a um ponto em que o pessoal não aguenta mais.

