segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Preservar o social ou fazer ajuste fiscal é um falso dilema, por Marcos Lisboa

Folha de S. Paulo

Principal desajuste é a expansão obrigatória de despesas em meio à distribuição de benefícios para grupos de interesse

Solução depende de debate com sociedade e negociação com a política e é agenda para Presidência

As escolhas de política econômica passaram a dominar o debate depois da eleição.

Existem sinais de problemas econômicos à frente, como, por exemplo, o número recorde de empresas em recuperação judicial, o elevado endividamento privado e as graves dificuldades de algumas companhias em setores como varejo e agronegócio.

As dificuldades se disseminam com o desequilíbrio das contas públicas e as altas taxas de juros.

Os problemas devem se agravar em 2027, mas o tamanho da encrenca dependerá das decisões do governo já na transição para o novo mandato.

No debate, contudo, têm sido criados espantalhos retóricos. Um exemplo é o suposto dilema: ajuste fiscal ou preservar os programas sociais? Isso pode ser verdade em outros países, mas não é o nosso caso.

A conta mudou para o PL: o partido quer tirar Moraes, mas não quer que Lula escolha o substituto, por Lara Mesquita

Folha de S. Paulo

Com o petista reeleito, afastar o ministro do STF significa dar ao presidente mais uma indicação ao Supremo

Sem fatos novos, Moraes tem grandes chances de sobreviver

A partir de fevereiro, o PL terá 29 senadores, a maior bancada de um partido no início de uma legislatura desde 1988. Na campanha, o partido e seus candidatos ao Senado defenderam o impeachment de ministros do STF. Alexandre de Moraes era o alvo preferencial.

O resultado do último domingo mudou a conta. Com Lula reeleito, cada ministro afastado abre mais uma vaga para o presidente preencher. E se há algo que o PL rejeita tanto quanto Moraes, talvez mais, é ver Lula escolher outro nome para o Supremo.

Bolsonaristas enrolam jornais com roteiro típico de Steve Bannon, por Alexandra Moraes - Ombudsman

Folha de S. Paulo

Estratégia para despistar fuga expõe armadilhas do jornalismo declaratório e, mais ainda, do complicado declaratório em off

Vaivém sobre itinerário e trapalhadas de carta golpista de Flávio Bolsonaro repetem receituário do ideólogo de Donald Trump

"O jornalista precisa investigar. Ficar ouvindo fontes sem apurar é burrice. Flávio Bolsonaro não fugiu sozinho, a imprensa ajudou." A mensagem de um leitor resume outras manifestações críticas ao que teria sido o papel dos veículos de comunicação na estratégia montada para que o senador do PL saísse do Brasil, após a Polícia Federal pedir e o ministro Alexandre de Moraes permitir a apreensão do passaporte do candidato derrotado no segundo turno da eleição presidencial.

Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Campanha eleitoral de 2026 mostra racismo cada vez mais escancarado no Brasil

PEC da redução da maioridade penal é exemplo mais revelador da situação

A campanha eleitoral de 2026 foi bastante reveladora a respeito do quanto o racismo, essa deformação moral que se instalou na sociedade brasileira, está arraigado e cada vez mais escancarado no Brasil. Para refrescar a memória, cito alguns atos e fatos marcantes.

Teve homem branco conduzindo homem negro acorrentado (vestido de vermelho e carregando um tridente) durante uma manifestação da extrema direita no RJ. Além da clara associação com a escravização, será que se tratava também de uma alusão a Exu, orixá de matriz africana?

Da armadilha da democracia de qualidade média à cleptocracia, Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Instituições brasileiras são capazes de preservar o regime, mas não de conter sua apropriação pelos próprios ocupantes

Indignação, que pode produzir punição eleitoral, não desfaz, por si só, os mecanismos de captura e abuso

No início da redemocratização, o diagnóstico parecia consensual: o Brasil era ingovernável. Partidos fragmentados impediriam maiorias, presidentes seriam reféns do Congresso e governadores comprometeriam a estabilização econômica. Mas o presidencialismo multipartidário aprovou reformas difíceis, a hiperinflação foi domada e a alternância de 2002 ocorreu pacificamente. O julgamento do mensalão mostrou que integrantes de uma força política ainda no governo podiam ser responsabilizados. Havia motivos para acreditar em um processo cumulativo de aprendizado.

Proposta de Lara Resende para limitar Selic assusta mercado; Durigan nega discussão no governo

Por Tamara Nassif, Douglas Gavras e Catia Seabra / Folha de S. Paulo

Tese de um dos pais do Plano Real prevê conselho conjunto para metas fiscais e monetárias, com 'tabelamento' dos juros

Gestores veem risco de perda de autonomia do BC, desancoragem de expectativas e 'desastre' para ativos brasileiros

Uma proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para reduzir a taxa Selic por meio de um novo arranjo entre as políticas fiscal e monetária entrou no radar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e já provoca apreensão no mercado financeiro.

A possibilidade de aproximação entre o economista e o presidente surge em meio à pressão para que o próximo governo Lula apresente uma agenda fiscal crível.

A preocupação com o rumo das contas públicas levou aliados do petista a defenderem a antecipação da definição da equipe econômica do quarto mandato, para enviar sinalizações mais concretas ao mercado e conter a alta do dólar observada nesta semana após o resultado do segundo turno.

Poesia | É noite. A noite é muito escura, de Fernando Pessoa

 

Música | Marisa Monte - Gentileza