terça-feira, 3 de dezembro de 2013

No mesmo tom dos prefeitos

Tucanos e aliados pré-candidatos ao governo de Minas reúnem mais de 100 chefes de Executivo em Montes Claros para cobrar do Palácio do Planalto melhor distribuição de recursos públicos

Luiz Ribeiro

Falar a mesma a língua dos prefeitos, que estão em pé de guerra com a União por causa das quedas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Esse foi o esforço feito pelos pré-candidatos a governador tucanos e da base aliada durante encontro com os gestores municipais do Norte de Minas e dos vales do Jequitinhonha e Mucuri ontem, em Montes Claros. O evento fez parte da estratégia para impulsionar a pré-candidatura do senador Aécio Neves (PSDB) a presidente da República. Mesmo ausente – ele não pôde comparecer por motivos particulares –, o nome do senador esteve em destaque, sendo exibido em um telão e citado pelos oradores.

Participaram do encontro o governador Antonio Anastasia e o vice-governador Alberto Pinto Coelho (PP), com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Dinis Pinheiro (PP); o presidente estadual do PSDB, deputado federal Marcus Pestana; e o ex-ministro Pimenta da Veiga (PSDB), que estava na cidade desde domingo, quando participou de reunião com lideranças e manteve contatos com eleitores. De acordo com os organizadores, o evento, realizado no Automóvel Clube de Montes Claros, reuniu mais de 100 prefeitos.

Entre os oradores, a crítica mais contundente ao governo federal pela forma como vem tratando as prefeituras municipais veio do deputado Dinis Pinheiro. "Lamentavelmente, os prefeitos estão sendo tratados pela União como se fossem escravos", disparou. Ele afirmou ainda que o governo federal "está impondo uma situação de agiotagem aos estados, que, juntos, pagam cerca de R$ 6 bilhões de juros de dívidas por ano". Dinis defendeu o nome de Aécio como aquele que está preparado para "fazer do Brasil um país mais decente e mais ético".

A fala do presidente da Assembleia foi precedida pelas do prefeito de Rubelita, Inael Murta (PSDB), e de Angelo Roncalli (PSDB), ex-prefeito de São Gonçalo do Pará e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM). Alem de reclamar da queda de receitas, Murta cobrou mais atenção do Planalto para a convivência com a seca e para duplicação da perigosa BR-251, onde um acidente com um micro-ônibus de sua cidade, que transportava pacientes em busca de atendimento médico, resultou em 14 mortes, no último dia 25. Já Roncalli convocou os prefeitos para o movimento Dia do Basta, marcado para 13 de dezembro, quando pretendem realizar um grande protesto contra a redução dos recursos das prefeituras.

Versos O ex-ministro Pimenta da Veiga também direcionou as críticas para a União. "O governo federal fica com 70% das verbas públicas em Brasília e está deixando os municípios à míngua". Defendendo mudanças no pacto federativo, ele disse também que o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) "está transformando o Brasil em um canteiro de obras inacabadas". O presidente estadual do PSDB, Marcus Pestana, falou da importância da união das lideranças mineiras em torno da candidatura de Aécio à Presidência da Republica. "Temos que nos unir para levar o sentimento de Minas e o nome de Aécio para o coração do Brasil", disse. O vice-governador Alberto Pinto Coelho recorreu aos versos de Luís de Camões para iniciar o seu discurso. "Cessa tudo que a antiga musa canta /Que outro valor mais alto se alevanta", citou o vice-governador para, em seguida, destacar importância da união do grupo suprapartidário em torno do nome de Aécio para presidente da República.

O governador Antonio Anastasia defendeu mudanças no pacto federativo para contemplar os municípios e falou da importância do protesto dos prefeitos marcado para 13 de dezembro. "A AMM lança o Dia do Basta para falarmos ao Brasil o que é a federação na prática. Temos que dizer às pessoas que lá, nas menores cidades – não só do grande Norte (de Minas), não só de Minas, mas em todo Brasil –, se faltam recursos para melhorar a educação, o transporte e a saúde, é porque mais de 70% de tudo que se arrecada vai para a esfera federal. E não há descentralização. Nós temos que fazer a descentralização", afirmou Anastasia.

Fonte: Estado de Minas

Moacir Longo: 'Nunca procurei bancar a vítima de nada'

Moacir Longo, 83, vereador cassado

Único vereador cassado logo após o golpe de 1964 presidirá sessão de homenagem a parlamentares que perderam mandato

Elvis Pereira

"Franzino, baixinho e com cara de moleque", o comunista Moacir Longo, então com 33 anos, fugiu da Câmara Municipal, que ficava na rua Líbero Badaró, num Chevrolet antigo. Era 2 de abril de 1964. Seu mandato de vereador foi cassado pela ditadura. Preso em 1972, perdeu os direitos políticos.

Seu processo "passou pelo crivo de um tal de Comando da Revolução". O relatório dele, que era do Partido Comunista Brasileiro, tinha 66 páginas.

Passados 49 anos, Moacir volta ao Legislativo. No dia 9, presidirá a sessão que restituirá simbolicamente o mandato de quem o perdeu, assim como ele, ou foi impedido de assumi-lo entre 1937 e 1969.

Ao todo, são 42 vereadores, procurados pela equipe dos vereadores Gilberto Natalini (PV) e Orlando Silva (PC do B). Dois estão vivos: Longo e Armando Pastrelli. Localizaram-se parentes de outros 28. Não há notícias do paradeiro dos demais.

Quando foi pela última vez à Câmara?

Na noite [de 30/3/1964], um colega meu, vereador da UDN, braço político dos golpistas, me chamou de lado: começou o negócio. Decidimos fazer vigília na Câmara. No dia 1º, assistimos da sacada do Palacete Prates [sede da Casa até 1969], que dava para o vale do Anhangabaú, tanques, caminhões com tropas. No dia 2, saí de lá. A Câmara tinha só dois carros. O presidente e o secretário articularam uma série de viagens. O carro saía lotado e voltava.

O que dizia o relatório contra você?

Que fiz curso na União Soviética...

E fez mesmo?

[Risos] Realmente, fui [de 1955 a 1957]. Não tinha nada dessas bobagens de KGB. Estudava filosofia, economia, história do movimento operário. O Marighella foi quem me convocou para ir lá.

E depois de fugir?

Fiquei dois dias com um médico no Sumaré, e depois com uma irmã, no Caxingui. Mas não era seguro. A minha casa foi invadida. Levaram documentos, meu pai e um irmão [acabaram liberados]. Decidimos [ele e três estudantes] ir para o Campo Belo. E eu militando na capital e no interior para reorganizar o PCB.

O senhor foi preso em 1972 e ficou 44 dias no DOI-Codi.

O negócio foi bravo. Muito. Tive de ficar lá até sarar a minha costela, quebrada. Moíam os presos. Lá era um terror.

Como a cassação afetou sua vida?

Não fiquei traumatizado. Nunca mais procurei a Câmara. Nunca procurei bancar a vítima de nada, tirar proveito disso.

O que achou da homenagem?

Fiquei tenso. Tem um significado de denúncia das arbitrariedades do regime.

Fonte: Folha de S. Paulo

Contra o tempo - Merval Pereira

A queda de mais de 10% nas ações ordinárias da Petrobras reflete não apenas as dificuldades de gestão por que passam a estatal, mas, sobretudo, o descrédito da política econômica do governo. Os investidores estrangeiros foram os maiores vendedores dos papéis brasileiros, um recado direto sobre a maneira com que o governo vem lidando com o controle da inflação, a principal razão para que os reajustes dos preços de gasolina e diesel não tenham o aumento compatível com o mercado internacional.

O reajuste anunciado na última sexta-feira foi abaixo do que o mercado esperava, e, sobretudo, não houve uma explicação convincente sobre os critérios adotados pelo Conselho de Administração da empresa. O Ministério da Fazenda agiu corretamente quando vetou a fórmula do gatilho para os reajustes, pois esse mecanismo de indexação só faria alimentar a inflação e poderia contaminar outros preços, mesmo que o sistema fosse adotado informalmente.

Mas segurar o preço dos combustíveis para controlar a inflação é uma manobra que revela a mediocridade da política econômica do governo, além de trazer insegurança aos investidores. A reação do mercado serve para o conjunto da obra de um governo intervencionista e explica o seu distanciamento do setor privado, que só consegue ter regras razoáveis para seus investimentos quando o governo constata a inviabilidade de seus vetos e de suas idiossincrasias.

Como em quase tudo nesse governo, a falta de transparência nas decisões gera uma insegurança que limita os investimentos, como é o caso da Petrobras. Sem regras claras para os reajustes, que deveriam corresponder ao mercado internacional mesmo que não houvessem gatilhos a serem acionados, os investidores temem que a estatal brasileira continuará sendo controlada ao sabor da inflação, sem que suas necessidades de investimento sejam levadas em consideração.

Isso em um govemo que obrigou a Petrobras a ter no mínimo 30% dos campos de petróleo do pré-sal. Como se fosse possível sem investimentos altíssimos, que a estatal hoje não possui capacidade para fazer. A diferença entre preços livres e os administrados nunca foi tão grande quanto agora, e a prova disso é que a infla -ção só não está acima do teto da meta devido aos preços administrados, que tiveram altas pouco acima de 1% nos últimos 12 meses, contra os preços de mercado que foram reajustados em 7,3% no mesmo período.

Em qualquer conta que se faça, a inflação real é maior que a oficial, e essa diferença acobertada pela manipulação dos preços oficiais se reflete na economia. A crise de gestão da Petrobras repercute no preço de mercado das ações e na falta de capacidade para tocar o projeto de pré-sal, pois tem que bancar o subsídio da gasolina e do diesel. O déficit da conta-petróleo foi de US$ 12,7 bilhões até outubro, o maior já registrado.

O governo tem que dar subsídios para o setor elétrico para que o uso das termelétricas não pese nos preços, o que aumenta o endividamento. Esses fatos indicam uma inflação represada que gera outras distorções na economia, que em algum momento vai estourar. O governo se esforça para levar a situação até a reeleição da presidente Dilma, mas a tendência é que o próximo ano seja mais difícil no campo internacional, o que colocará mais obstáculos à frente.

Há comparações a se fazer com duas eleições recentes, as de 1998 e a de 2002. Na reeleição de Fernando Henrique, os sinais de que a economia estava se depauperando eram a cada dia mais evidentes e o PSDB jogou tudo para ganhar no 1º turno, pois temia a disputa no 2e turno em situação econômica caótica.


Deu certo do ponto de vista político, mas logo no início de 1999 o governo teve que desvalorizar o Real, o que teve repercussão negativa junto ao eleitorado. Já em 2002, o mesmo sentimento de mudança que existia, viabilizando a vitória de Lula, fazia com que o mercado financeiro reagisse negativamente a perspectiva.

Há um sentimento de mudança no ar, mas até agora o continuísmo prevalece como favorito nas pesquisas. Pode acontecer o inverso de 2002, isto é, o mercado reagir negativamente à possibilidade de continuidade do modelo, que pode ser aprofundado num 2º mandato.

O raciocínio dos dois lados é o mesmo, por isso a luta do governo para que a eleição seja resolvida no 1º turno. E os dois principais candidatos

Fonte: O Globo

Um pé atrás - Dora Kramer

Para o seu molde, o PT tem reagido discretamente às pesquisas de opinião que vêm confirmando a dianteira da presidente Dilma Rousseff nas intenções de votos e mostrando a estagnação - quando não queda - dos pretensos adversários.

O partido é estridente, na alegria e na tristeza. Seria de se esperar que a recuperação da presidente em relação às perdas do primeiro semestre fosse motivo de foguetório.

Não tem sido assim e por um motivo: avaliações internas não consideram que a situação seja tão confortável como podem fazer crer interpretações numéricas que falam em vitória no primeiro turno "se a eleição fosse hoje".

Em primeiro lugar, se as eleições fossem "hoje", as circunstâncias seriam outras, a começar pelo grau de exposição dos outros candidatos. A presidente reina praticamente só na cena, enquanto os oponentes não lançaram suas candidaturas e o eleitorado não está mobilizado para o tema.

Aécio Neves ainda tem um alto grau de desconhecimento País afora e Eduardo Campos nem se fala; para o grande público no momento é o famoso "quem". Na penúltima pesquisa Da-tafolha 45% disseram que nunca ouviram falar nele e apenas 8% afirmavam conhecê-lo bem.

Quando a campanha realmente começar é evidente que vão reduzir a desvantagem. Podem até nem chegar perto de Dilma e o resultado em 2d4pode ser mesmo a reeleição da presidente. Mas parados não vão ficar.

De onde o patamar de 37% a47% (dependendo do cenário) mostrado pela última consulta do Datafolha inspira cuidado. Dilma é a favorita, mas a eleição não está ganha nem será fácil, segundo atestam petistas que levam em conta outro dado: o movimento ascendente de dois candidatos,mais a definição dos que hoje integram o grupo dos votos nulos e em branco, tira pontos de quem tem mais.

Junto a isso, será uma disputa com dois profissionais experientes, boa estampa e malemolência política. Nas palavras de um correligionário de Dilma: "Malandros o suficiente para infernizar a vida dela durante a campanha".

O Planalto trabalha para encurtar o espaço dos dois, seja no noticiário, produzindo atos de governo de cobertura jornalística obrigatória, seja no horário eleitoral, atraindo o máximo de partidos para integrar a coalizão do PT e assegurar para Dilma o maior e deixar para eles o menor tempo possível no rádio e na televisão.

Será o perfil da reforma ministerial. À imagem e semelhança da aliança eleitoral.

No limite. O senador Lindbergh Farias foi ontem à reunião com Lula em São Paulo para discutir a situação da eleição no Rio de Janeiro disposto a convencê-lo da importância de o PT deixar o governo estadual antes do fim do ano.

Mas foi também preparado para ouvir mais um apelo do ex-presidente em prol do adiamento do desembarque, afim de não abalar a aliança nacional com o PMDB.

Lindbergh não teria como negar o pedido, mas quer uma contrapartida: que o PMDB pare de condicionar o apoio a Dilma à retirada do nome dele da disputa e reconheça o direito do PT de ter candidato.

Em retirada. Com a avaliação de governo ancorada na baixa, Sérgio Cabral Filho deixou de ser um ativo para o PMDB.

O partido passa a apostar na figura do vice, Luiz Fernando Pezão, que assume o governo em abril e terá seis meses de alta exposição para tentar recuperar o prejuízo em ênfase no perfil de "pé de boi".

Como poucos. Lucidez, caráter irrepreensível e espírito de conciliação são alguns dos atributos que fizeram de Marcelo Déda um político muito acima da média. Em seu partido, o PT, e fora dele. Bom foi ter tido a oportunidade de lhe dizer isso em vida.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Déda, humanismo e política - Tereza Cruvinel

Mais adiante, o Brasil terá que enfrentar o debate sobre a revisão da Lei da Anistia

Logo que ele chegou à Câmara, em 1995, destacou-se pelo sorriso franco e a leveza na atuação. Na aguerrida bancada do PT de então, aparecia alguém que praticava o ensinamento de Che, ser duro na luta política sem perder a ternura no trato pessoal. A política ainda não estava tão envenenada nem tão polarizada pelos blocos hoje liderados por PT e PSDB, mas o estreante deputado Marcelo Déda antevia a necessidade de preservar pontos e de dialogar com todas as correntes políticas, mesmo quando isso lhe custava embates com os grupos mais radicais de seu partido. Esse trânsito rendeu-lhe amizades e respeito entre adversários, muitos dos quais ontem lamentaram sua morte tão precoce. Como o ex-senador Albano Franco, tucano de Sergipe, adversário histórico, que era ontem um dos mais sentidos.

A passagem de Déda pelo Congresso coincide com os primeiros tempos da radicalização que ainda está em curso. Fernando Henrique começava seu governo de oito anos, em que as privatizações e as políticas econômicas neoliberais acirraram as contradições entre o PT e o PSDB, que se acentuariam ainda mais a partir da eleição de Lula. Quando ele se torna líder, com seu perfil conciliador, evitou o isolamento do PT, negociando o que era possível na pauta do governo, o que custava embates com os setores mais radicais. Foi contra os grupos minoritários que pregaram o “Fora, FHC”, mas nunca transigiu no que era programático para o partido.

Logo que ele chegou, destacou-se também pela solidez intelectual, pelo pensamento claro e pelas declarações elegantes e precisas, o que logo faria dele um dos petistas mais procurados e citados pelos jornalistas. Advogado, conhecia profundamente a história brasileira e os pensadores sociais. E não apenas os marxistas, que pesaram em sua formação. Gostava de música, de poesia (que praticava) e de literatura. Só presenteava amigos e colegas com livros, escolhidos com esmero e quase sempre acompanhados de uma dedicatória. A cultura transbordava em seus discursos, com citações de pensadores relacionados ao tema. Mas ele o fazia sem pedantismo intelectual, apenas para fortalecer seus argumentos.

Déda era uma grande vocação parlamentar, todos diziam, mas o partido precisou dele em 2000 para disputar a prefeitura de Aracaju. Foi reeleito em 2004 e se elegeria governador em 2006, conquistando o segundo mandato, que deixa inconcluso, em 2010. Seu deslocamento para o Poder Executivo custou caro ao PT. Quando veio o governo Lula, com todas as crises que o marcaram, a bancada não contava com um de seus melhores e mais respeitados quadros. Como governador, Déda se orgulhava das mudanças positivas nos indicadores sociais e dos investimentos que se ampliaram durante seu governo. Em Sergipe, ele era rei, andava pelas ruas de Aracaju sem qualquer aparato, parando para falar com todo mundo que o abordava. Numa dessas, em 2009, eu e outros jornalistas fazíamos com ele um pequeno trajeto a pé. Levamos um tempo enorme, por conta das “paradinhas” que ele fazia. E numa delas, na porta do mercado municipal, ele ainda aceitou o desafio de uns repentistas para uma cantoria que levou mais meia hora. Ganhou deles um chapéu de cangaceiro, colocou-o na cabeça e nos fomos. Assim era Déda, um humanista na política, um político republicanamente superior, espécie que anda muito em falta.

Ditadura: dois pontos
Ontem, o Tribunal Regional Federal da primeira região suspendeu ação movida por procuradores contra o ex-deputado e ex-major Sebastião Curió, por crimes cometidos no combate à Guerrilha do Araguaia. O massacre dos guerrilheiros do PCdoB, quase todos executados depois se entregarem, já está bastante documentado, mas os relatos do repórter e escritor Leonêncio Nossa no livro Mata são de tirar o sono e o apetite. Uma luz forte jorra do livro sobre o papel de Curió. O TRF, como outros tribunais, invocou a Lei da Anistia, com seu perdão recíproco para os crimes cometidos durante a ditadura.

Também ontem, a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, defendeu um maior apoio do governo brasileiro à Comissão Nacional da Verdade, cujo trabalho elogiou. A comissão, entretanto, pode apenas apurar. Os delitos, disse ela, “devem ser vistos pelo sistema de justiça penal” do Brasil. Mas, para isso, a Lei da Anistia teria que ser revista, e o STF já se negou a fazer isso uma vez, embora ainda tenha que examinar um recurso da OAB. Como diz o atual coordenador da comissão, Pedro Dallari, o Brasil terá que enfrentar esse debate quando o relatório final da comissão for apresentado. Pois que sentido teria a revelação dos responsáveis por torturas, mortes e desaparecimentos se, pelo menos os que ainda vivem, não puderem pagar pelo que fizeram?

Vaga preenchida
Com a decisão do PSol de lançar a candidatura presidencial do senador Randolfe Rodrigues, fica preenchido um lugar que ainda estava vago e que nunca faltou nas disputas presidenciais pós-redemocratização: a candidatura de ultraesquerda. Ainda que o PSTU lance José Maria pela quarta vez, e o PCO relance Rui Costa, o PSol é o maior partido nesse espectro, o único que tem representação no Congresso. Com Heloísa Helena, em 2006, recebeu mais de 6,5 milhões de votos. Com Plínio de Arruda Sampaio, em 2010, menos de 900 mil votos. Do potencial de Randolfe, falarão ainda as próximas pesquisas, mas é certo que ele ajudará os candidatos da oposição a somarem votos para forçar um segundo turno contra a presidente Dilma.

Continua faltando, no quadro, um candidato de direita, que seja ideológico, e não apenas um conservador nos costumes, como Pastor Everaldo, que concorrerá pelo PSC. É para esse papel que alguns sonham com a candidatura do ministro Joaquim Barbosa.

Fonte: Correio Braziliense

A volta do PIB-piada - Gustavo Patu

Dilma Rousseff pôs em risco a credibilidade do IBGE ao anunciar, em entrevista, que "resolveram" recalcular o crescimento da economia no ano passado, de um miserável 0,9% para um pobre 1,5%. A declaração, ao jornal espanhol "El País", é de uma semana atrás. Se a informação estava correta ou não, só se saberá hoje pela manhã.

O instituto brasileiro de estatística, instalado no Rio, preserva a reputação de órgão de Estado, a salvo da partidarização que contamina diferentes setores da administração pública. No ano passado, seus dados decepcionantes sobre a expansão do PIB foram questionados pelo ministro Guido Mantega, da Fazenda.

Revisar dados é normal e rotineiro; o poder político saber de uma revisão desejada com sete dias de antecedência, não. A assessoria do Planalto explicou que o "resolveram" se referia a "estudos preliminares" da Fazenda. A presidente, nesse caso, se expressou mal --com precisão de uma casa depois da vírgula.

Mas não é preciso recorrer à imaginação conspiratória para perceber o que o episódio revela com mais clareza: a taxa que a desenvolvimentista Dilma comemora com tanta avidez --a ponto de se antecipar aos números oficiais-- é a mesma que, quando foi projetada em junho de 2012 pelo banco Credit Suisse, foi classificada de "piada" por Mantega.

Na melhor das hipóteses, a cifra revisada, qualquer que seja, vai ajudar a evitar que o atual mandato presidencial termine com crescimento anual médio inferior ao dos execrados anos FHC. Não parece o bastante para reivindicar um novo julgamento dos resultados das políticas de estímulo ao consumo e à produção.

O surto de prosperidade nacional aproveitado por Lula rendeu ao PT a oportunidade de afirmar que o país finalmente enriquecia e, ao mesmo tempo, distribuía renda. O PIB está empacado há três anos; a queda da desigualdade social foi interrompida em 2012, informou o IBGE.

Fonte: Folha de S. Paulo

PMDB mostra suas cartas - Raymundo Costa

Partido teme que PT se torne hegemônico nas eleições de 2014

A aliança com a presidente Dilma Rousseff tem maioria na convenção do PMDB, mas não é folgada como gostariam os dirigentes do partido. Em resumo, essa foi a conversa "pragmática" que o vice-presidente Michel Temer teve no sábado com Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PT, Rui Falcão e o ministro Aloizio Mercadante (Educação). Enquanto o PT tem um projeto nacional, o PMDB é um partido essencialmente regional, poder que se assenta nas eleições estaduais. É a raiz dos desentendimentos.

Para o PMDB o PT precisa dizer o que quer, qual é a sua prioridade. Se é reeleger a presidente da República, deve então fazer concessões ao maior partido da aliança nas eleições para os governos estaduais. Os pemedebistas já estão desconfiados do projeto petista de fazer maioria no Senado. Como é provável que o PT eleja a maior bancada da Câmara, o partido poderia reivindicar o controle das duas Casas do Congresso, tornando-se hegemônico no Executivo e no Legislativo.

Não é à toa que os pemedebistas pensaram em fazer uma pré-convenção em março de 2014, para "sentir o pulso dos delegados". Nos 10 Estados com maior número de delegados à convenção há problemas no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Paraná e Bahia, Rio Grande do Sul e Pará. Mato Grosso do Sul não dispõe de muitos votos na convenção, mas o governador André Puccinelli tem peso na cúpula partidária. O candidato ao governo estadual do PT, Delcídio Amaral, negocia uma aliança com o PSDB. Qual será o palanque de Dilma?

O PT, aliás, tem uma resolução que proíbe coligações com o PSDB e DEM. Se depender de Rui Falcão, que ontem discutiu tática e política de alianças com os dirigentes regionais petistas, a norma será mantida. Delcídio defende que o partido seja flexível com as peculiaridades locais. O PMDB também exige que seu parceiro não intervenha em suas parcerias. No Rio Grande do Norte está em curso uma negociação com o PSB, partido do governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência, Eduardo Campos.

O argumento do PMDB é que o PT não se importa com o aliado, quando precisa vencer eleição. Lembra-se que para eleger Fernando Haddad prefeito de São Paulo, Lula não só aceitou o apoio como foi à casa de Paulo Maluf, político que já foi considerado uma espécie de antítese do PT. "Se para ganhar a eleição no Rio Grande do Norte eu precisar fazer aliança com a Wilma [de Faria, do PSB], eu vou fazer aliança com a Wilma", disse o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, em uma reunião. "Feio é perder a eleição. Dentro dos critérios éticos básicos, devemos fazer tudo para ganhar."

A cúpula do PMDB considera a situação do Rio de Janeiro como a mais grave na relação com o PT, mas já aceita a realidade de duas, três ou até quatro candidaturas aliadas no Estado. O governador Sérgio Cabral ameaça romper e se mostra acessível ao assédio de Eduardo Campos e Aécio Neves (PSDB). Diz que não aceita o PT lançar o senador Lindbergh Farias contra seu candidato, o vice-governador Luiz Pezão. Um terceiro candidato da base aliada deve reivindicar o apoio de Dilma: Marcelo Crivella, (PRB).

Cabral está sendo "amaciado" por Temer e Lula. Ele queria sair em dezembro. Lula o aconselhou a "mergulhar", dar um tempo, ficar no cargo o máximo que puder e sair em março ou no início de abril, o fim do prazo legal para quem pretende disputar a eleição de outubro. Cabral é candidato ao Senado.
Atualmente, o índice de aprovação do governador é de apenas 20%, segundo pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana. O PMDB nacional avalia que Pezão, quando assumir o governo, tem condições de deixar a rabeira da lista de candidatos graças à maquina estadual "poderosa" e o apoio do prefeito do Rio, Eduardo Paes, que também entrou numa fase de recuperação de prestígio. O argumento que a cúpula pemedebista usa com o governador é que ele se elegeu e reelegeu governador, elegeu e reelegeu Paes prefeito praticamente por W.O. Chega a hora em que a disputa é inevitável.

O Rio de Janeiro é o Estado com o maior número de delegados à convenção. O Ceará não está muito atrás, mas o problema não é o PT, que concorda apoiar o senador Eunício Oliveira, líder pemedebista no Senado, mas os irmãos Ferreira Gomes. Mais Ciro, atual secretário estadual de Saúde, que Cid, o governador do Estado. Os dois querem lançar um candidato do grupo político que lideram no Estado. Uma situação radicalizada, como a da Bahia, onde não há chance de acordo entre Geddel Vieira Lima e o governador Jaques Wagner. O esforço da cúpula pemedebista é no sentido de Geddel pelo menos liberar seus delegados à convenção para apoiar Dilma.

No Paraná, cuja delegação de convencionais é uma das cinco maiores do PMDB, abaixo apenas do Rio de Janeiro e Minas Gerais, o problema é inverso e requer cuidados urgentes de Michel Temer, segundo integrantes da cúpula. São 13 os deputados estaduais do PMDB, a maior bancada da Assembleia Legislativa. Todos defendem a aliança com o governador tucano Beto Richa. A bancada federal está dividida. A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), que será a candidata do PT, quer o PMDB e ofereceu ao partido o lugar de vice na chapa. O senador Roberto Requião fala em se lançar candidato, mas já não dispõe de força no diretório para tanto.

Pernambuco é considerado caso perdido; o Rio Grande do Sul está dividido. Em Goiás o veterano Iris Rezende quer ser novamente candidato. Iris ainda tem força no partido, mas a vontade dos pemedebistas goianos - e de Lula - é disputar com o empresário José Batista Júnior, o Júnior da Friboi, "porque aí a campanha está resolvida", diz um dirigente. De qualquer forma, Goiás é um problema interno e não deve afetar o apoio a Dilma na convenção nacional. Em Minas o ministro Antonio Andrade (Agricultura) pode ser o vice na chapa do ministro Fernando Pimentel (Indústria e Comércio), mas o senador Clésio Andrade reivindica a candidatura ao governo.

Hoje não há risco para Dilma, mas o PMDB quer definir tudo até março, "porque se chegar em junho e a coisa degringolar [manifestações] não dá mais".

Fonte: Valor Econômico

Política – Claudio Humberto

• Presidiário Genoino tem tratamento privilegiado
Fingindo o pé na cova, o mensaleiro José Genoino fez até o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ignorar dois laudos médicos para “atestar” que o meliante tem “graves problemas”, mas outro presidiário da Papuda, Roseri Gonçalves Pereira, paraplégico, não teve a mesma sorte. Nem o mesmo tratamento. Doente, ele usa cateter na uretra e sonda na bexiga, e aguarda há 2 meses exame para se habilitar à prisão domiciliar.

• Mise-en-scène
Indignado “como qualquer cidadão com senso de Justiça”, o advogado de Roseri destaca o mise-en-scène de Genoino para obter prisão domiciliar.

• Falta isonomia
Para o advogado Brunno Misael, o tratamento dispensado a Genoino “fere de morte o princípio constitucional da isonomia”.

• Dr. Janot
Rodrigo Janot, deve ser expert em cardiopatias, vendo em Genoino o que duas juntas médicas não encontraram: “graves problemas” de saúde.

• Coincidência
A atitude de Janot, favorável à prisão domiciliar de Genoino, coincide com a posição do PT, que desqualificou as duas juntas de especialistas.

• Conta dos cartões é de R$ 50 milhões em 2013
A conta dos cartões corporativos do governo Dilma Rousseff já atinge a marca dos R$ 50 milhões, este ano. A Presidência continua o órgão que mais utiliza os cartões do governo federal, sem dó: quase R$ 15 milhões até outubro. Pior, de “transparência” seletiva: o detalhamento dos gastos é “segredo” por motivo de “segurança de Estado”. Em comparação, o gabinete do vice Michel Temer gastou apenas R$ 443 mil com cartões.

• Quase lá
O recorde de gastos com cartões corporativos no governo Dilma ocorreu em 2012, quando foram torrados quase R$ 60 milhões.

• Trocado
Até outubro, o Ministério do Esporte havia gasto apenas R$ 247,50. É o órgão que menos gastou com o implacável cartão do governo federal.

• Boca maldita
Muitos políticos começaram mal a semana, com a notícia da prisão da cafetina Jeany Mary Corner. Se ela abrir a boca, a casa cai.

• Sem crédito
Sem poder opinar até sobre reajuste nos combustíveis e incapaz de impedir que assessores façam negócios na sua antessala, o ministro Guido Mantega (Fazenda) se firma como palpiteiro. Agora, diz que o PIB crescerá 4% ao ano até 2022. Será novamente desmentido pelos fatos.

• Chantagem, de novo
A chantagem anual está de volta: às vésperas das festas de fim de ano, entidades de aeronautas ameaçam greve, fazendo a população de refém. Assembleia nesta quinta (5) deve decidir por paralisação ainda este mês.

• Alô, Dilma
O comandante da Aeronáutica não parece ter muito o que fazer em seu local de trabalho. Ontem, foi embora para casa pelas 17h, escoltado por um carrão de segurança Ford Fusion, com placa fria (JKQ 5251).

• É pouco
Apesar de Eike Batista ter vendido seu jatinho por US$ 60 milhões e da possibilidade de repassar um iate por outros US$ 30 milhões, o valor é menos de 10% dos US$ 950 milhões perdidos pela OGX no trimestre.

• TSE não legisla
O Congresso aprovou projeto anulando decisão do Tribunal Superior Eleitoral de alterar o número de parlamentares de cada Estado. Para o senador Eduardo Lopes (PRB-RJ) é o parlamento que legisla, não o TSE.

• Todos querem
O secretário de Habitação do DF, Geraldo Magela (PT), já avisou que não “abre mão” de disputar o Senado, em 2014. Só falta combinar com os 16 partidos da base aliada do governo Agnelo Queiroz (PT), entre os quais PTB e PDT, que têm a mesma pretensão e fortes candidatos.

• Ambiente
A prisão feminina Colméia, que recebeu em 2007 a socialite dos “Anões do Orçamento” Wilma Guimarães e as mensaleiras Simone Vasconcelos e Kátia Rabello, deve abrigar Jeane Mary, presa por explorar prostituição.

• Indignação
Antiga militante do PT, a deputada Érika Kokay (DF) não sabe perder. Revoltou-se após ser derrotada nas eleições para a presidência do PT-DF e agora acusa o vencedor, deputado Policarpo, de “coronelismo”.

• Pensando bem…
…injusta, a prisão da cafetina Jeany Mary Corner: ela fazia em privado o que a maioria dos políticos faz com os eleitores em público.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Brasília-DF - Denise Rothenburg

Focos & sustos
A ordem que Lula e Dilma Rousseff estipularam para o chamamento dos partidos aliados às conversas sobre palanques estaduais obedece ao critério de tamanho das bancadas. O PMDB tem 75 deputados. O PP, 44. O próximo será o PR, que tem 32. É isso que define o tempo de tevê. Hoje, avaliam os petistas, por mais que Dilma esteja bem nas pesquisas e tenha condições reais de reeleição, o sentimento de mudança latente preocupa o partido. Portanto, quanto mais tempo de tevê ela obtiver para mostrar o governo e evitar que Aécio Neves e Eduardo Campos apareçam, melhor. Afinal, por quê motivos eles iriam se reunir com o PP no sábado à tarde na Granja do Torto e passar a manhã com o PMDB se estivesse tudo às mil maravilhas? A preocupação é fato. E quanto antes tudo for resolvido, melhor.
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O problema é que o PT não tem conseguido nas conversas passar aquela sensação de que está tudo bem. As legendas que já conversaram sentiram que o papo presidencial é do tipo, dá cá. Sem o toma lá. No caso do PMDB, por exemplo, a impressão de muitos é a de que o amor de Lula e Dilma para com o partido já foi maior. Até março, leitor, sustos virão.

A fúria
Lula não gostou do vazamento do teor das reuniões de sábado. Ele comentou com os petistas logo depois: “não tenho como ficar contra o Sarney no Maranhão”. Resultado: o PT fará jogo duplo por lá. Uma ala vai de Flávio Dino, do PCdoB, outra vai engrossar a chapa patrocinada pelo clã do ex-presidente José Sarney e a governadora Roseana.

O corpo fala
Chamou a atenção na reunião da Granja do Torto que nem Dilma nem Lula se sentaram à cabeceira da mesa, deixando ali duas cadeiras vazias. Destaque ainda para as reverências da Dilma ao antecessor, a quem trata de “presidente” todo o tempo. Ele, entretanto, continua chamando a chefe da Nação apenas de “Dilma”, como sempre fez.

Tomou gosto
Dilma não para de privatizar. Depois dos aeroportos, vem aí a privatização da Camed, o plano de saúde dos funcionários do Banco do Nordeste do Brasil, o BNB. A aposta é a de que os serviços serão repassados a Unimed. Às vésperas de ano eleitoral, o olho vivo nessas privatizações nunca é demais.

Aulão
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, conversa hoje como PMDB sobre o Plano Nacional de Educação. Depois do susto da semana passada, em que o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) conseguiu aprovar o plano na Comissão de Educação sem a anuência do governo, todo o cuidado é pouco.

Dicas da Dilma I/ Na conversa com o PP, a presidente da República sugeriu ao líder da sigla, Dudu da Fonte, de Pernambuco, a leitura da biografia de Getulio Vargas, do jornalista Lyra Neto. “Vou comprar assim que chegar no aeroporto. Quem sabe tem alguma dica ali”, respondeu. Em tempo: o primeiro volume da obra de Lyra Neto é tido como uma aula sobre como Getulio fez o que quis dando a entender que fazia o que os outros desejavam.

Dicas da Dilma II/ Um amigo do deputado não se conteve: “Pô! Você queria uma indicação para a Caixa Econômica, para o Banco do Brasil e ela veio com um livro…”

Só água/ Do Torto, não saiu nem cargo, nem palanque, nem… um biscoitinho. O deputado Dudu da Fonte, o presidente do partido, senador Ciro Nogueira, e o ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades) saíram da Granja do Torto direto para uma lanchonete. Quem os flagrou, ficou impressionado com o tamanho do cachorro-quente e a quantidade de batatas fritas. Isso sem contar os dois milkshakes que Dudu tomou.

Representantes de todos os partidos choram…/ …a morte de Marcelo Déda, governador de Sergipe. Eis que o Brasil perdeu um de seus quadros políticos que se destacou pela solidez intelectual e a capacidade de diálogo, matéria-prima rara nos dias de hoje entre governo e oposição. Seu estilo fará muita falta nesses dias em que muitos parecem voltados ao ódio, numa política rasteira, sem respeito ao outro. À família, nossa solidariedade.

Fonte: Correio Braziliense

Panorama Político - Ilimar Franco

O puxão de orelhas
A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) reuniu-se ontem com o comandante do Exército, general Enzo Peri, para tratar do escândalo dos carros-pipa. Gleisi cobrou ; relatórios e uma investigação sobre a tarefa de responsabilidade dos militares. A ministra pediu dados sobre a implantação, pelos militares, de GPS em todos os veículos que distribuem água no semiárido do Nordeste.

Na lei ou na marra
Mesmo não sendo lei ainda, 50% das emendas parlamentares ao Orçamento de 2014 serão direcionadas para a Saúde, como o governo Dilma quer. A regra foi colocada em dúvida com o fatiamento do orçamento impositivo. Mas a destinação para a Saúde valerá para o ano que vem, porque o governo conseguiu encerrar ontem o prazo para apresentação de emendas. Para isso, a Comissão de Orçamento recebeu até emendas por fax. Assim, caso a regra dos 50% não virar lei, estará garantida na prática sua execução. No ano que vem, com a eleição no horizonte, o governo espera um melhor ambiente no Congresso para aprovar este item do orçamento impositivo.

"Na eleição passada, garantimos 2 milhões de votos de frente para a presidente Dilma! E, agora, o PT está querendo apoiar o PCdoB no Maranhão?" José Sarney
Senador (PMDB-MA), na reunião das cúpulas do PMDB e do PT com a presidente Dilma e o ex-presidente Lula

Dobradinha
O ministro Aguinaldo Silva (Cidades) e o PT buscam trilhar caminho próprio na Paraíba. Eles negam apoio a Veneziano Vital dó Rego (PMDB), ex-prefeito de Campina Grande. E enrolam dizendo que apoiariam o senador Vital do Rego.

Na linha do PT
A despeito das posições do ex-presidente Lula, Rui Falcão foi presidente do PT. Sábado no Planalto, ele ; defendeu o apoio a Flávio Dino (PCdoB), na foto, para o governo (MA), com a governadora Roseana Sarney ao Senado. A cúpula do PMDB insistiu que o PT permaneça no governo Sérgio Cabral (RJ) até março. Rui disse que era difícil segurar o partido.

Pedido de socorro
O PMDB pediu socorro ao ex-presidente Lula. Quer que ele converse com o governador Cid Gomes (CE). Ele quer ter candidato próprio e já tem o apoio do PT. Aliado de Cid, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, foi preterido.

Alinhados
Com direito a disputar a reeleição, o senador | Francisco Dornelles (PP) vai manter sua aliança com o governador Sérgio Cabral (PJV1DB). Este definiu que deixará o governo em março para concorrer ao Senado. Para que não se criem marolas, Dornelles faz questão de afirmar: "Nunca disputaria contra o Sérgio. Se ele for candidato ao Senado, darei meu apoio integral"

Água mole em pedra dura
O presidenciável tucano Aécio Neves continua investindo em São Paulo. Nas próximas duas semanas, ele vai a Campinas, Sorocaba, Santos e São José dos Campos. Quer desfazer aquela imagem de que o PSDB paulista não o apoiará.

União de contrários
O líder do DEM, Ronaldo Caiado, despachado por Marina Silva da candidatura de Eduardo Campos (PSB), foi procurado por Aécio Neves (PSDB). Este se propôs a construir uma forma de conviência com o governador Marconi Perillo (GO).

COMENTÁRIO ATRIBUÍDO AO EX-PRESIDENTE LULA sobre O Rio: "Enquanto o PT e o PMDB brigam, o Marcelo Crivella e o Anthony Garotinho crescem"

Fonte: O Globo

Painel - Vera Magalhães

Mão dupla
O ex-presidente Lula demonstrou impaciência ontem com a cobrança que o PMDB faz por apoio do PT a seus candidatos a governador em vários Estados. Em reunião com dirigentes e pré-candidatos petistas num hotel em São Paulo, Lula reiterou que não está fechada a aliança do PT com o candidato da família Sarney no Maranhão e reclamou de falta de reciprocidade do partido de Michel Temer, que não fechou com candidatos petistas em Minas, Bahia, Rio Grande do Sul e Paraná.

Alto lá "Vá com calma, Lindbergh", pediu Lula ao pré-candidato e senador petista do Rio. Disse que o PT foi aliado do governador nos dois mandatos e não pode romper bruscamente com ele.

Gargarejo Dilma Rousseff vai amanhã a São Bernardo para a entrega de título de doutor honoris causa ao seu antecessor pela Universidade Federal do ABC.

Metamorfose... O Palácio do Planalto acredita que o fato de que a maioria da população quer que o próximo governo seja diferente pode ser usado em favor de Dilma. Pesquisas qualitativas do PT apontam que os eleitores viram sentido de mudança nas ações da presidente após os protestos de junho.

... ambulante A partir desse diagnóstico, o governo vai investir no discurso de que "avanços" foram observados em programas como Mais Médicos, Pronatec e Minha Casa, Minha Vida.

Em aberto Números do Datafolha apontam que, do grupo de eleitores que dizem querer ações diferentes do próximo governo, 32% declaram voto em Dilma, 25% em Aécio Neves (PSDB) e 15% em Eduardo Campos (PSB).

Veteranos Campos e Marina Silva darão papel de destaque na pré-campanha a mais um ex-ministro de Lula: na sexta-feira, José Gomes Temporão, que comandou a pasta da Saúde, coordenará seminário sobre a área na Fundação João Mangabeira.

Natal magro Os eventos do PSB realizados após a aliança entre Campos e Marina levaram o partido a fechar novembro com deficit de R$ 200 mil. A ordem é apertar os cintos até o fim do ano, pois a sigla evita aceitar doações de empresários por enquanto.

Ano Velho Em conversa no Recife, Eduardo Campos indicou para Roberto Freire (PPS) que espera uma declaração oficial de apoio a sua candidatura ainda este ano.

Banho de povo Mais do que a leve recuperação de Geraldo Alckmin (PSDB) após os protestos de junho, tucanos ficaram entusiasmados com o desempenho do governador entre o eleitorado mais pobre, identificado com o PT.

Vai mal Na região metropolitana da capital, onde o tucano tem performance pior, o Palácio dos Bandeirantes programa agenda intensiva de eventos e entregas de obras em 2014 nas áreas de saúde e mobilidade.

Medida certa A Assembleia de São Paulo comprou, por R$ 45 mil, um analisador de composição corporal para o serviço médico da Casa. O aparelho, que faz diagnósticos de obesidade, servirá para exames em funcionários.

Tamo junto O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, recebeu apoio do prefeito petista de São Bernardo, Luiz Marinho, ao projeto de lei que fecha o cerco em torno de desmanches de carro no Estado.

Instagram Para mostrar sintonia com o governo federal, o governo Sérgio Cabral insiste para que Dilma participe da entrega de novas unidades do Minha Casa, Minha Vida para vítimas das enchentes de 2011 em Nova Friburgo, na região serrana.

TIROTEIO
"Haddad abandonou promessas, perdeu um secretário sob suspeita e mordeu o bolso do eleitor. Estranho seria se não despencasse."
DO VEREADOR MARIO COVAS NETO (PSDB-SP), sobre a avaliação positiva do prefeito Fernando Haddad (PT), que passou de 34% para 18% em seis meses.

CONTRAPONTO
Série B
No congresso que realizou no fim de semana, o PSOL colocou em votação a possibilidade de definir sua candidatura à Presidência no evento ou de realizar prévias entre Randolfe Rodrigues e Luciana Genro. Favorável à consulta, o flamenguista Marcelo Freixo provocou o palmeirense Ivan Valente e o vascaíno Milton Temer:

-- Vocês vão cair de novo, coisa que nunca aconteceu com o Flamengo!

Ao final, a prévia foi derrotada por 201 votos a 186, e Rodrigues foi escolhido candidato. Milton Temer devolveu:

--Desta vez o Palmeiras não caiu nem o Vasco foi vice...

Fonte: Folha de S. Paulo

O enorme presente - Arnaldo Jabor

Artistas e pensadores vivem perplexos — não sabem o que filmar, escrever, formular. Sinto em mim mesmo como é difícil criar sem esperança ou finalidade

Um amigo meu, cultíssimo, tem um filho muito “conectado” na internet. E o menino disse a ele: “Pai, você sabe tudo que já aconteceu, mas não sabe nada que está acontecendo”. O pai, como todos nós, embatucou. A mutação cultural dos últimos anos foi tão forte, a turbulência no mundo pós-industrial dissolveu tantas certezas, que caímos num vácuo de rotas.

Artistas e pensadores vivem perplexos — não sabem o que filmar, escrever, formular. Sinto em mim mesmo como é difícil criar sem esperança ou finalidade. Como era gostoso nosso modernismo, os cinemas novos, os movimentos literários, as cozinhas ideológicas. Os criadores se sentiam demiurgos falando para muitos. Sei que, neste exato momento, jovens filhos da web, os “hackers” da arte devem estar rindo de mim. Por isso, lembro a frase de Drummond: “Cansei de ser moderno, quero ser eterno...” (“frase manjada”, dirão meus inimigos...); tudo bem, mas sinto muita falta do tempo em que alguma “síntese”, mesmo ilusória, nos era oferecida. Aí, a “contemporaneidade”, esse “faz-tudo” do novo vocabulário, inventou a “utopia da distopia”. Nada como uma boa distopia para saciar nossa fome de certezas. Vá em qualquer exposição de arte e veja o “conceito” ou a “narrativa” (outras palavras de mil utilidades) das obras: “o futuro vai ser uma bosta”. E os artistas vibram de orgulho, radiantes como profetas do nada. A fruição poética é impedida, como se o prazer fosse uma coisa reacionária, “alienada”, nos levando a ignorar o “mal do mundo”. Há uma encruzilhada de linguagens, uma mutação no pensamento.

As palavras que eram nosso muro de arrimo foram esvaziadas e ficamos à deriva. Por exemplo, “futuro”. Que quer dizer? Antes, era visto como um lugar a que chegaríamos. Agora, no lugar de “futuro”, temos um presente incessante, sem ponto de chegada. Pela influência do avanço tecnológico da informação e pelo mercado global, foram se afastando do grande público as criações artísticas e literárias, as ideias filosóficas, os valores. “Toda aquela dimensão espiritual chamada antigamente de cultura que, ainda que confinada nas elites, transbordava sobre o conjunto da sociedade e nela influía, dando uma razão de ser para a existência” — escreveu Vargas Llosa. Passamos a viver diante de telas — ou TV ou games que nos matam a fome de sentido. Surgiu uma “segunda vida” digital e audiovisual que nos afasta do antigo vazio da realidade misteriosa. Nas telas, nos games nossa existência se explica; é só seguir as regras do jogo. Agora, na falta das “grandes narrativas” do passado, estamos a idealizar irrelevâncias, porque ali pode haver pistas para novas “verdades” a desvelar.

Nunca tivemos tantos criadores, tanta produção cultural enchendo nossos olhos e ouvidos com uma euforia medíocre, mas autêntica. A aura deslizou da obra para o próprio autor. Há uma grande vitalidade neste cafajestismo poético, enchendo a “web” de grafites delirantes. Não sei em que isso vai dar, mas o tal “futuro” chegou. Talvez este excesso de “irrelevâncias” esteja produzindo um acervo de conceitos “relevantes”, ainda despercebidos. Podemos nos arriscar ao erro com mais alegria; mas, isso não pode justificar um desprezo pela excelência. As tentativas de “grande arte” são vistas com desconfiança, como atitudes conservadoras, diante da cachoeira de produções que navegam no ar. Isso me lembra o tempo em que achávamos que o “fluxo da consciência”, “the stream of consciousness”, ou o discurso psicótico continham uma sabedoria insuspeitada.

Hoje há uma espécie de presente eterno, que esqueceu o passado ou as influências dele. Como se crianças nascessem por geração espontânea, sem pai nem mãe. Uma psicanalista me disse que estão todos desesperados na profissão, porque os pacientes não têm mais interioridade. Não têm sobre o que refletir. A psicanálise está diante de um tipo de subjetividade inesperada. Nas artes, o mesmo. Na literatura nova atual, sente-se que a busca não é só de um tema ou assunto, mas que a preocupação maior é “como” escrever. Como ser “contemporâneo”? Como buscar um sentido para a falta de sentido? A própria superficialidade ou talvez a vulgaridade, a irrelevância sejam relevantes — acham. A irrelevância é buscada. Temos de ter um “não enredo”, um “não final” , uma “não explicação” buscada. A utopia da distopia. Há livros cultuados na literatura contemporânea que são absolutamente insuportáveis, mas que são vendidos (e lidos?) para milhões que acham aquilo arte “da hora”. É o difícil superficial, o óbvio disfarçado de profundo.

Aliás, a própria crítica está intimidada, porque “julgar” algo pode denotar que o sujeito que ousou fazê-lo teria opiniões conservadoras, que ele seria um crítico “estraga prazer”, um intrometido. Será que houve a morte da “importância”? Ou ela seria justamente esta explosão de conteúdos e autores? O “importante” seria agora o quantitativo? Não sei; mas, se tudo é “importante”, nada o é. A importância de uma obra reside no grau de decifração da vida de seu tempo e para onde ela aponta, mesmo no túnel sem luz. Se olharmos as obras primas de, digamos, Jan Van Eyck, o gênio holandês, vemos ali todo o espírito da Idade Média, revelada nos detalhes mais banais, mesmo nas encomendas de príncipes ou cardeais.

Contudo, é preciso que esses tópicos sejam discutidos, pois na tal conversa do pai erudito com o filho conectado, a resposta do pai poderia ser: “Você acha que sabe tudo que está acontecendo e nada sabe sobre o que já aconteceu”.

Por isso, dou uma pequena contribuição ao assunto: tenho um filho de 13 anos. Eu, zeloso pai, botei o Quarteto de Cordas opus 133 de Beethoven para que ele ouvisse um momento máximo da história da música. Ouviu tudo atentamente enquanto, no ritmo exato do quarteto, jogava um game, no Xbox. Beethoven e o game se uniram em harmonia. Talvez haja futuro.

Fonte: O Globo / Segundo Caderno

O que pensa a mídia - editoriais de alguns jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Mariene de Castro - Quando eu me chamar saudade / Não deixe o samba morrer

Copacabana – Vinicius de Moraes

Esta é Copacabana, ampla laguna
Curva e horizonte, arco de amor vibrando
Suas flechas de luz contra o infinito.
Aqui meus olhos desnudaram estrelas
Aqui meus braços discursaram à lua
Desabrochavam feras dos meus passos
Nas florestas de dor que percorriam.
Copacabana, praia de memórias!
Quantos êxtases, quantas madrugadas
Em teu colo marítimo!

- Esta é a areia

Que eu tanto enlameei com minhas lágrimas
- Aquele é o bar maldito. Podes ver
Naquele escuro ali? É um obelisco
De treva - cone erguido pela noite
Para marcar por toda a eternidade
O lugar onde o poeta foi perjuro.
Ali tombei, ali beijei-te ansiado
Como se a vida fosse terminar
Naquele louco embate. Ali cantei
À lua branca, cheio de bebida
Ali menti, ali me ciliciei
Para gozo da aurora pervertida.

Sobre o banco de pedra que ali tens
Nasceu uma canção. Ali fui mártir
Fui réprobo, fui bárbaro, fui santo
Aqui encontrarás minhas pegadas
E pedaços de mim por cada canto.
Numa gota de sangue numa pedra
Ali estou eu. Num grito de socorro
Entreouvido na noite, ali estou eu.
No eco longínquo e áspero do morro
Ali estou eu. Vês tu essa estrutura
De apartamento como uma colmeia
Gigantesca? em muitos penetrei
Tendo a guiar-me apenas o perfume
De um sexo de mulher a palpitar
Como uma flor carnívora na treva.
Copacabana! ah, cidadela forte
Desta minha paixão! a velha lua
Ficava de seu nicho me assistindo
Beber, e eu muita vez a vi luzindo
No meu copo de uísque, branca e pura
A destilar tristeza e poesia.
Copacabana! réstia de edifícios
Cujos nomes dão nome ao sentimento!
Foi no Leme que vi nascer o vento
Certa manhã, na praia. Uma mulher
Toda de negro no horizonte extremo
Entre muitos fantasmas me esperava:
A moça dos antúrios, deslembrada
A senhora dos círios, cuja alcova
O piscar do farol iluminava
Como a marcar o pulso da paixão
Morrendo intermitentemente. E ainda
Existe em algum lugar um gesto alto,
Um brilhar de punhal, um riso acústico
Que não morreu. Ou certa porta aberta
Para a infelicidade: inesquecível
Frincha de luz a separar-me apenas
Do irremediável. Ou o abismo aberto
Embaixo, elástico, e o meu ser disperso
No espaço em torno, e o vento me chamando
Me convidando a voar... (Ah, muitas mortes
Morri entre essas máquinas erguidas
Contra o Tempo!) Ou também o desespero
De andar como um metrônomo para cá
E para lá, marcando o passo do impossível
À espera do segredo, do milagre
Da poesia.

     Tu, Copacabana,
Mais que nenhuma outra foste a arena
Onde o poeta lutou contra o invisível
E onde encontrou enfim sua poesia
Talvez pequena, mas suficiente
Para justificar uma existência
Que sem ela seria incompreensível.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

OPINIÃO DO DIA - Fernando Henrique Cardoso: ‘engodo’

“Basta de tanto engodo. A condenação pelos crimes do mensalão deu-se em plena vigência do Estado de Direito, num momento em que o Executivo é exercido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), cujo governo indicou a maioria dos ministros do Supremo. Não houve desrespeito às garantias legais dos réus e ao devido processo legal. Então, por que a encenação? O significado é claro: eleições à vista. É preciso mentir, autoenganar-se e repetir o mantra. Não por acaso, a direção do PT amplifica a encenação e Lula diz que a melhor resposta à condenação dos mensaleiros é reeleger Dilma Rousseff... Tem sido sempre assim, desde a apropriação das políticas de proteção social até a ideia esdrúxula de que a estabilização da economia se deveu ao governo do PT. Esqueceram as palavras iradas que disseram contra o que hoje gabam e as múltiplas ações que moveram no Supremo para derrubar as medidas saneadoras. O que conta é a manutenção do poder.”

Fernando Henrique Cardoso, “Sinais alarmantes”, O Globo, 1 de dezembro de 2013

Maioria dos partidos diz não haver espaço para candidatura de Barbosa

João Domingos, Eduardo Eresciani

A fama de justiceiro que Joaquim Barbosa adquiriu com o julgamento do mensalão empolga pouco os partidos políticos. Dezesseis das 32 legendas do Brasil dizem que não filiariam o presidente do Supremo Tribunal Federal para a disputa do Planalto em 2014. Oito siglas afirmam que precisariam discutir bastante o assunto antes da decisão e apenas sete, todas elas nanicas, dizem que abririam as portas para ele, segundo enquete feita pelo Estado. Fustigado pelo escândalo julgado por Barbosa e crítico ferroz do magistrado, o PT foi o único partido que não quis responder ao levantamento.

Por ser magistrado, o prazo de Barbosa para entrar em uma legenda não foi encerrado em 5 de outubro. Ele poderá se filiar a um partido político até seis meses antes da eleição, no dia 5 de abril do ano que vem.

Em outubro, durante um evento no Rio, Barbosa afirmou que não pensa em se candidatar agora, mas deixou as portas abertas: disse que não descarta antecipar sua aposentadoria - aos 59 anos, ele teria de deixar o tribunal compulsoriamente apenas aos 70 -para uma eventual disputa “no futuro”. “Terei tempo para pensar nisso”, disse na ocasião (mais informações no texto ao lado).

O nome de Barbosa havia deixado de figurar nos cenários da disputa presidencial aferidos pela maior parte dos institutos de pesquisa. Anteontem, o Datafolha divulgou levantamento que testa de novo o desempenho do presidente do Supremo.

No cenário proposto, Barbosa aparece numericamente em 2° lugar, com i5%das intenções devoto. Fica atrás da presidente Dilma Rousseff, que tem 44%, e tecnicamente empatado com o senador Aécio Neves (PSDB), que tem 14%. Ainda nesse cenário, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), tem 9% da preferência dos entrevistados.

Segundo a assessoria de imprensa do presidente do Supremo, ele não foi procurado oficialmente por nenhum partido até agora. Em recorrentes declarações, Barbosa costuma fazer duras críticas ao atual quadro político brasileiro e já demonstrou ser um defensor de candidaturas avulsas, em que não é necessária filiação, algo proibido no Brasil.

Integrantes da cúpula do PMDB, principal aliado do PT, afirmam que o partido já tem problemas demais para resolver e que a presença de Barbosa poderia ampliá-los. O presidente interino do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), diz que no partido ele seria apenas mais um na sigla. “Primeiro, ele precisa procurar o partido no Rio (seu domicílio eleitoral) e se filiar. Só depois é que pode apresentar a postulação de uma j eventual candidatura na convenção. O PMDB tem 2,5 milhões de filiados. Se o ministro se filiar, será mais um”, afirma.

O líder do PSD e primeiro secretário do partido, deputado Eduardo Sciarra (PR), diz que seria necessária uma longa discussão em caso de filiação. “Se o ministro quiser entrar no partido, teremos de reunir a Executiva para tomar uma decisão”.

No PDT, o presidente do partido, Carlos Lupi, diz que ninguém nunca falou na possibilidade de filiação de Barbosa. “Esse é um ato de vontade pessoal. Como o Joaquim Barbosa não se manifestou, não dá para ficar falando sobre isso”, afirma.

Partidos diretamente envolvidos no escândalo do mensalão são mais enfáticos em rejeitá-lo. “No PR não. Deus me livre”, diz o presidente da sigla, senador Alfredo Nascimento (AM).

“No PP, não”, diz o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI). A sigla também tem condenados no mensalão.

Para Benito Gama (BA), presidente interino do PTB, partido também envolvido, as siglas precisam fugir das filiações “oportunistas” que envolvem gente famosa: “Não queremos isso”.


“O PT não faz comentários sobre esse assunto”, diz o presidente da sigla, Rui Falcão. O partido é o maior crítico de como Barbosa conduziu o julgamento e a prisão de sua antiga cúpula.

“Não me parece que o Joaquim Barbosa tenha alguma afi-; nidade com os comunistas”, afirma a vice-presidente do governista PC do B, deputada Luciana Santos (PE), futura presidente nacional da legenda.

“Não”. Foi a única resposta de Marcos Pereira, presidente do PRB, partido é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. Mesmo a oposição ao governo avalia não haver espaços para Barbosa. Presidente do PSDB, Aécio afirma que ele contribui mais para o País no STF. “O ministro cumpre um papel como presidente do STF que honra os brasileiros. Nosso respeito pelo ministro é tão grande que nem sequer aventamos essa hipótese.”

O deputado Roberto Freire, presidente do PPS, que já ofereceu legenda para o tucano José Serra e para a ex-ministra Marina Silva disputarem a Presidência, diz que negaria a filiação de Barbosa. “Essa filiação para uma candidatura não nos interessa.”

Fonte: O Estado de S. Paulo

Os efeitos das prisões no PT

Paulo de Tarso Lyra

Os petistas que se revezavam na porta do presídio da Papuda e a nova direção do PT fluminense, que classificou os réus presos por causa do mensalão, estão em sintonia com parte da militância partidária, com a cúpula da legenda e com o Palácio do Planalto. Ao enaltecerem o papel de líderes políticos como o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, o deputado licenciado José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares, eles criam um abismo em relação à uma parcela da sociedade que apoiou a prisão dos condenados. Inclusive filiados.

Pesquisa Datafolha divulgada ontem mostrou que 87% dos entrevistados — e que votam no PT — apoiaram as prisões decretadas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa. "O PT ainda não entendeu o que está acontecendo, eles continuam olhando apenas para si", disse um parlamentar da base aliada, em pleno cafezinho da Câmara, após terminar uma conversa com um interlocutor petista.

Durante a posse da nova diretoria do PT fluminense, a deputada Benedita da Silva foi uma das que adotaram o discurso de heroísmo de seus correligionários. "Os nossos companheiros só poderão suportar a prisão se tiverem a nossa solidariedade. Graças a Deus, eles não conseguiram algemar nossos companheiros e botá-los no camburão", disse.

Benedita se revezou com outros colegas de partido nas sucessivas visitas aos condenados na Papuda, prática que irritou familiares de presos e gerou descontentamento inclusive na presidente Dilma Rousseff. Para a presidente, esse tipo de atitude pode gerar antipatia nos demais detentos, o que aumentaria a pressão sobre os "companheiros".

Desde que Barbosa autorizou a prisão dos primeiros réus do mensalão, no feriado de 15 de novembro, parte do PT tem levantado suas vozes e bandeiras contra o ato. Integrantes do partido defenderam uma nota dura contra Barbosa na reunião do Diretório Nacional do dia 18, mas o documento citou o tema apenas no 12º parágrafo. Preferiu concentrar os ataques às críticas da oposição sobre o desequilíbrio fiscal brasileiro e a possibilidade de retorno da inflação.

Para um analista político que acompanha de perto o debate, a cúpula petista está guardando distância regulamentar do tema. "Eles não vão levar esse assunto para a campanha, podem estar certos. Falcão (Rui Falcão, o presidente reeleito do partido) tem se manifestado sobre o Genoino por causa do estado de saúde dele. Você não vê uma menção a Dirceu ou a Delúbio", ponderou esse interlocutor.

Junta médica
Os petistas também tentaram, em um primeiro momento, mobilizar aliados no Congresso a pedir abertura do processo de impeachment contra Barbosa, alegando que ele cometera irregularidades jurídicas na decretação das prisões. A própria Dilma desanimou o líder do partido no Senado, Wellington Dias (PI), no encontro com os líderes da base aliada no Planalto. "Pode ter até havido algum tipo de irregularidade, mas comprar briga com Barbosa neste momento, em que a opinião pública está celebrando o fim da impunidade, é um tiro no pé", disse outro integrante da base aliada.

O líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), irmão de Genoino, divide-se entre a lealdade partidária e o amor fraternal que sente pelo familiar condenado pelo STF. Após um discurso na tribuna da Câmara onde apontou os riscos vividos pelo irmão na cadeia, ele chorou ao conversar com jornalistas. De lá para cá, uma junta médica solicitada por Barbosa disse que a prisão domiciliar, no caso de Genoino, não era "imprescindível". E outra junta, desta vez da Câmara, adiou a aposentadoria por invalidez do parlamentar, optando por prorrogar a licença médica por mais 90 dias.

Com tantos componentes pessoais envolvidos, Guimarães pediu ao Correio desculpas por não conseguir avaliar a situação de maneira política. "Não sei, não quero falar sobre isso. Não consigo ter uma análise sobre o assunto, temos que esperar".

Para completar, na semana que passou, Dirceu conseguiu um emprego de R$ 20 mil como gerente administrativo de um hotel em Brasília, de propriedade do presidente do PTN, Paulo de Abreu. "Dirceu complicou a vida do companheiro", teria brincado Lula, em conversa com aliados no fim de semana.

"Não sei, não quero falar sobre isso. Não consigo ter uma análise sobre o assunto, temos que esperar"
José Guimarães (CE), líder do PT na Câmara e irmão de José Genoino

R$ 20 mil
Salário registrado na carteira de trabalho de José Dirceu para um emprego no Hotel Saint Peter, em Brasília.

Fonte: Correio Braziliense

Adeptos do PT aprovam prisões

Segundo Datafolha, entre simpatizantes do PT, 87% apoiam prisões do mensalão.

Mensalão: adeptos do PT aprovam prisões

Para 86% dos entrevistados pelo Datafolha, presidente do STF agiu bem

-São Paulo- Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha revela que, para 86% dos brasileiros, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, agiu bem ao mandar prender os mensaleiros condenados no feriado de 15 de novembro, dia da Proclamação da República. Entre os entrevistados que se dizem simpatizantes do PT, 87% disseram que Barbosa agiu bem ao mandar prender os mensaleiros no feriado.

De acordo com o Datafolha, entre os que se dizem adeptos do PSDB o percentual dos que apoiam a ação de Barbosa é de 99%, bem acima da média dos brasileiros. Para 99% dos que se disseram tucanos, o presidente do STF agiu corretamente, constatou o Datafolha.

O levantamento foi feito nos dias 28 e 29 de novembro e ouviu 4.557 pessoas em 194 municípios do país. Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, não é possível afirmar que a aprovação entre os que se dizem petistas (87%) é maior que a média entre todos os entrevistados (86%). Há neste caso uma situação àe empate técnico.

A pesquisa quis saber ainda se os brasileiros tomaram conhecimento das prisões dos mensaleiros. A maioria dos entrevistados, 82%, respondeu positivamente.

O Datafolha perguntou ainda se Joaquim Barbosa tomou a decisão exatamente no feriado de Proclamação da República "para se promover pessoalmente" ou se "agiu de acordo com a Justiça e fez o que deveria ser feito" Houve controvérsia a respeito da data das prisões e da maneira que elas foram efetuadas. Mas, para 78% dos entrevistados, o presidente do STF "agiu de acordo com a Justiça". Outros 10% disseram que ele quis se promover. E12% não souberam opinar.

Entre os que se disseram petistas, 80% acharam que o presidente do STF "agiu de acordo com a Justiça" Entre os que tomaram conhecimento do episódio, 84% afirmaram que Barbosa "agiu de acordo com a Justiça"

Na mesma pesquisa, o Datafolha simulou um cenário incluindo o presidente do STF como um dos prováveis adversários da presidente Dilma Rousseff na corrida presidencial. Dilma ficou com 44% das intenções de voto, enquanto Barbosa obteve 15%, Aécio Neves (PSDB), 14%, e Eduardo Campos (PSB), 9%. Neste cenário, os entrevistados que disseram votar em branco ou nulo foram 13%.

Fonte: O Globo

Anastasia é o preferido à vaga de senador mineiro em 2014

O atual governador ainda não confirmou sua candidatura, apesar de deter 62% das intenções de voto. Outros candidatos poderão concorrer à vaga apenas para ganhar projeção para futuras eleições, afirma especialista

Patrycia Monteiro Rizzotto

SÃO PAULO - O tucano Antônio Anastasia, atual governador de Minas Gerais, é o franco favorito na disputa pela vaga mineira ao Senado em 2014. Nas mais recentes pesquisas de intenção de voto ele desponta com 62,6% das preferências numa provável disputa contra o candidato do PSB, Alexandre Kalil, atual presidente do Atlético Mineiro; e contra Josué Gomes da Silva, do PMDB, presidente do Grupo Coteminas e filho do ex-vice-presidente José Alencar. Esses adversários detêm, respectivamente, 10,3% e 3,4% da pretensão de votos dos eleitores, segundo levantamento realizado pela Em Data com a Universidade Federal de Lavras (UFLA).

Apesar da liderança, Anastasia, que já cumpre seu segundo mandato, se mantém reticente em relação à sua candidatura no ano que vem. Nos bastidores políticos de Minas, comenta-se que ele preferia se afastar do cenário político e voltar a ocupar futuramente um cargo de segundo escalão em algum governo do PSDB. "O governador mineiro é uma pessoa de gestão, um ótimo quadro do partido, um burocrata impecável, no melhor sentido da palavra. Não é um personagem político típico. Quando deu continuidade ao governo Aécio Neves e, em seguida, disputou a reeleição, ele encarou a incumbência como uma missão e agora é bem provável que dê essa missão como cumprida", analisa o cientista político Bruno Reis Wanderley, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

De acordo com o professor, o favoritismo de Anastasia nas sondagens eleitorais esvaziou o peso político da vaga para o Senado na eleição do ano que vem no estado. Normalmente utilizada como moeda de troca nas negociações partidárias, para firmar alianças, o posto de senador deixou de ser interessante para certas lideranças locais que não querem entrar como azarões no pleito. "Os pré-candidatos lançados atualmente são como uma espécie de balão de ensaio. Eles vão entrar na disputa não para ganhar, mas para se tornar mais conhecidos do eleitorado e aumentar suas chances de se tornar mais competitivos numa próxima eleição. Ao mesmo tempo, o cenário é de incerteza, porque a candidatura ou não de Anastasia definirá o quadro de disputa para o Senado no ano que vem", ressalta.

Wanderley explica que o PT, que vai lançar candidato próprio ao governo mineiro — Fernando Pimentel, atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, primeiro colocado nas pesquisas — cogita também de colcoar Patrus Ananias, ex-ministro do governo Lula, na vaga do Senado. "Mas, como o ex-titular da pasta do Desenvolvimento Social já está sem mandato há algum tempo, é mais fácil que se candidate ao cargo de deputado federal, onde é quase certo que conquistará uma das vagas", reflete o cientista político. Ele acredita que há grandes chances de PT e PMDB formarem uma aliança eleitoral costurada pela direção nacional de ambos os partidos, para consolidar palanque para a campanha presidencial de Dilma Rousseff em Minas Gerais, estado onde a candidata aparece em segundo lugar nas pesquisas, abaixo do senador Aécio Neves (PSDB).

"É provável que Pimentel saia com uma chapa formada por um vice e um candidato ao Senado do PMDB", analisa Wanderley. "Apesar da resistência, Anastasia deve sair candidato ao Senado. Afinal, o PSDB não é de desprezar um capital político desse porte e o governador deve acabar atendendo ao apelo do partido", diz.

No fim de outubro, em um encontro que reuniu lideranças de 11 partidos em Uberlândia, município localizado no Triângulo Mineiro, o senador Aécio Neves lançou a candidatura do ex-ministro Pimenta da Veiga para o governo do estado. Na ocasião, Anastasia foi chamado de senador diversas vezes pela militância presente ao evento.

Nos bastidores, há quem diga que a resistência já foi vencida. De acordo com o deputado federal Marcus Pestana, presidente do PSDB mineiro, ainda é muito cedo para definir candidaturas. "Em março, saberemos qual a posição de Antônio Anastasia. O que pesa na decisão dele é a vontade de concluir o mandato até o fim", afirma. De acordo Pestana, a vantagem nas pesquisas será fácil de ser operacionalizadapelo partido. "Já estamos há 12 anos no governo, com grande aprovação do eleitorado mineiro", diz.

Fonte: Brasil Econômico