terça-feira, 17 de junho de 2014

Ataques e ofensas afastam eleitor

• Para especialistas, eleitores indecisos são contrários à radicalização nos discursos

Evandro Éboli e Renato Onofre - O Globo

BRASÍLIA e SÃO PAULO — A guerra de acusações e ataques proferidos por postulantes à Presidência da República afastam os eleitores indecisos e podem até tirar votos daqueles que já escolheram o candidato, mas são contrários à radicalização do processo eleitoral. A avaliação feita por especialista ouvidos pelo GLOBO é que os ataques feitos nos últimos dias, tanto da oposição quanto do governo, são negativos à campanha.

No sábado, o senador Aécio Neves (PSDB) afirmou durante a convenção que homologou sua candidatura à Presidência que uma tsunami varreria o PT do Planalto. No mesmo evento, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o pais não quereria “mais os corruptos, os ladrões que ficam empulhando (o Estado)”.

No dia seguinte, o ex-presidente Lula reagiu a FH, afirmando que começou no seu governo a deterioração da relação entre Congresso e governo federal e reafirmou o discurso da "esperança contra o ódio", que o PT tenta emplacar com o objetivo de vitimizar a presidente Dilma. Ainda no domingo, em Pernambuco, o pré-candidato do PSB, Eduardo Campos, afirmou que a continuidade do PT seria a manutenção de um "projeto comandado por um bocado de raposas que já roubaram o que tinham que roubar".

— É um momento turbulento, de instabilidade nas campanhas, que está antecipando muito o embate característico da reta final de campanha. Essa disseminação de ódio mútuo e a polarização excessiva entre certo e errado não colaboram com o debate político e afastam o eleitor — afirma o cientista político e professor da FGV-SP Marco Antonio Carvalho Teixeira.

A troca de acusações também é apontada como um fator para que a soma de votos brancos, nulos e indecisos ser superior a 30% nas últimas pesquisas divulgadas. Para o diretor de Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Aldo Fornazieri, a radicalização da campanha não colabora para elucidar as dúvidas dos eleitores:

— As necessidades dos eleitores não são debatidas. O brasileiro quer saber quem vai resolver o seu problema, e não ficar entre as trocas de acusações. Quem está indeciso tende a se afastar do processo político quando as opções não dialogam com a sua necessidade.

A tese defendida pelo cientista político é corroborada pelo pesquisador da UFRJ Sandro Correa, que aponta o distanciamento de candidatos e eleitores como um dos sintomas do alto índice de indecisos:

— Parece que eles (os concorrentes à Presidência) não entenderam o que as ruas trouxeram de novo. O modelo político de ofensas e guerras de acusações, tão comum em campanhas anteriores, não agrega nada à imagem do candidato. A rejeição aos partidos e a seus métodos de fazer política, que se gritou nas ruas, está clara na indecisão do eleitor.

Apesar de os cinco especialistas ouvidos pelo GLOBO afirmarem que tanto a imagem da presidente Dilma quanto a da oposição saem arranhadas pela troca pública de farpas, quatro deles afirmam que quem mais perdeu nesse processo foi a oposição.

Antonio Carvalho Teixeira, da FGV-SP, afirma que todos os candidatos podem ser afetados se lhes forem vinculadas frases agressivas a adversários. Teixeira explica que os xingamentos de parte do público presente no primeiro jogo do Brasil na Copa à presidente Dilma Rousseff, por exemplo, foram um termômetro da reação negativa:

— O que se viu no dia seguinte foi uma reprovação pública àqueles que ofenderam a presidente. Ali não era a postulante ao cargo, mas uma chefe de Estado. Num processo de embate agressivo, ambos os lados tendem a perder e muito.

Segundo Fornazieri, quando os adversários do governo acharam normal os ataques a Dilma ocorridos no Itaquerão, na quinta-feira, deram ao PT a possibilidade de transformar a presidente em vítima:

— O “direto de direita” que o candidato do PSDB tentou desferir abriu um flanco para que o PT conseguisse sair do córner político que estava e partir para o ataque. Houve um erro de avaliação da coordenação de campanha sobre o tom do ataque tanto do PSDB quanto do PSB. E esse erro fortaleceu o discurso de pena que o PT já estava tentando emplacar.

Já o professor do Departamento de Gestão Pública da FGV-SP Claudio Couto concorda que a agressividade favoreceu Dilma neste momento, mas minimiza o efeito do tom eleitoral a longo prazo. Ele associa a agressividade à tentativa da oposição de mobilizar a militância no momento de definição das chapas, assim como fez o PT no último encontro partidário:

— É um momento de mexer com a base. Buscar no discurso forte a construção da imagem do candidato que vai guiar o partido no embate político que se aproxima. É política partidária. Faz parte esse tipo de argumentação, tanto no PT quanto no PSDB e PSB.

Ainda de acordo com Couto, a polarização entre certo e errado, bem e mal, radicalizada pelas campanhas nos últimos dias, já faz parte do processo eleitoral brasileiro.

O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Cavalho, afirmou que lamenta que Aécio e Campos não tenham feito referências negativas aos xingamentos recebidos pela presidente no jogo da estreia do Brasil na Copa Mundo:

— Considero essa uma prática (xingamentos) que tem que ser desestimulada e que prevaleça o bom senso. Lamento muito que o Aécio e o Eduardo Campos não tenham feito referência a isso. Deveriam ter feito referência ao aspecto negativo porque, depois, se volta contra todo mundo.

Sobre a procedência dos xingamentos no Itaquerão, Carvalho disse que prefere não arriscar que tenham partido de um determinado grupo ou da elite.

Hoje, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, criticou o xingamento feito à presidente Dilma no Itaquerão. Ele chamou o episódio de "baixaria, um horror". Chefe do Poder Judiciário, o ministro estava na tribuna de honra a poucos metros da presidente quando os insultos ocorreram. Segundo relatos dos presentes, o constrangimento foi geral.

Ibope/Firjan: Garotinho, Crivella e Pezão aparecem em empate técnico na disputa pelo Rio

• Lindbergh está com 11% e Cesar Maia, 8%. Votos brancos e nulos chegam a 27%

Juliana Castro – O Globo

RIO — A disputa pelo governo do Rio está acirrada, com candidatos tecnicamente empatados, de acordo com pesquisa Ibope encomendada pela Federação das Indústrias do Rio (Firjan) e obtida pelo GLOBO. O deputado federal Anthony Garotinho (PR) aparece com 18%, seguido pelo senador Marcelo Crivella (PRB), com 16%. O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) tentará a reeleição e tem 13% das intenções de voto, enquanto o senador Lindbergh Farias (PT) recebeu 11%. A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Chama a atenção o percentual de pessoas que disseram que vão votar branco ou nulo, maior do que o de qualquer pré-candidato: 27%. Na capital, o percentual vai a 37%. Há ainda 6% que não souberam dizer quem escolheriam para governar o estado ou não responderam à pergunta feita pelo instituto. Não é possível comparar a pesquisa atual com levantamento anteriores, que levavam em conta um cenário diferente. Desde as manifestações de junho do ano passado, os próprios partidos têm feito internamente uma leitura de que o número de votos brancos e nulos vai aumentar nas eleições gerais deste ano. Ainda entre os eleitores da capital, Crivella, Pezão e Garotinho aparecem tecnicamente empatados, com índices que variam entre 14% e 12%.

A pré-candidatura de Lindbergh foi motivo de crise entre petistas e peemedebistas no estado, o que fez uma parcela do PMDB abandonar o barco da reeleição da presidente Dilma Rousseff para caminhar com o presidenciável do PSDB, senador Aécio Neves.

Cesar Maia aparece com 8%
Vereador e ex-prefeito da capital, Cesar Maia (DEM) aparece na pesquisa com 8% das intenções de voto. Cesar ainda espera o apoio dos tucanos. Isso porque o PMDB pressiona Aécio para que o PSDB apoie formalmente Pezão, dando ao governador seu tempo de TV. Como o DEM e o PSDB são aliados nacionais, o senador até tentou convencer o vereador a retirar a candidatura para que os dois partidos se coligassem com os peemedebistas. Mas a cúpula do DEM entrou na jogada e disse a Aécio que a candidatura de Cesar é intocável.

O deputado federal Miro Teixeira (PSOL) e Tarcísio Motta (PSOL), cujo nome já foi oficializado em convenção, aparecem com 1% das intenções de voto. Recentemente, o PSB ameaçou retirar o apoio a Miro sob o argumento de que ele permanece com baixos índices nas pesquisas. Isso acabou por criar um desconforto entre os socialistas e o PROS. Publicamente, a coligação permanece intacta.

A pesquisa faz o recorte dos índices dos pré-candidatos levando em conta sexo, idade, renda, escolaridade dos entrevistados e região onde moram. Dessa maneira, é possível saber que, entre o eleitorado do interior, Garotinho aparece com 26% das intenções de voto, o dobro de Crivella. Entre esses entrevistados, Pezão aparece em segundo, com 14%. Lindbergh tem 12%.

No recorte por faixa de renda, Garotinho atinge 36% entre os eleitores que têm renda familiar de até um salário mínimo. Esse é o maior percentual do pré-candidato do PR entre todos os setores analisados. Crivella aparece com 14%. Entre os entrevistados com renda familiar de mais de cinco salários mínimos, Pezão lidera com 17%. Garotinho, Crivella e Lindbergh têm índices que variam entre 13% e 11%.

Garotinho tem a maior rejeição
Entre os eleitores com nível superior, a liderança fica com Pezão e Lindbergh, empatados com 14% das intenções de voto. Garotinho aparece com ampla vantagem entre os entrevistados que tinham cursado até a 8ª série do ensino fundamental.

No recorte de idade, Garotinho aparece em primeiro entre os eleitores de 16 a 24 anos, com 21% das intenções de voto desse grupo. O pré-candidato do PT, Lindbergh, tem 15% entre os mais jovens, onde está seu melhor desempenho. Crivella apresenta melhor índice entre o eleitorado de 34 a 44 anos, onde atinge 24%. Pezão tem índices homogêneos em todas as idades analisadas. Quando é levado em conta o sexo dos entrevistados, todos os pré-candidatos apresentam percentuais parecidos entre homens e mulheres.

A pesquisa também questionou os entrevistados a respeito dos candidatos nos quais eles não votariam de jeito nenhum. Garotinho tem a maior rejeição (32%), seguido por Cesar Maia (24%), Pezão (18%), Lindbergh (14%) e Crivella (13%). Nessa pergunta, os eleitores podiam responder a mais de uma opção.

O Ibope fez ainda simulações de segundo turno com os nomes dos pré-candidatos. Num cenário de disputa entre Garotinho e Crivella, os dois aparecem empatados com 25%. O deputado e o senador disputam, principalmente, a preferência do eleitorado evangélico e do interior.

Se a disputa fosse com Lindbergh, o pré-candidato do PR venceria com 29% contra 20% do petista. Esses mesmos percentuais são registrados num cenário de segundo turno entre Crivella e Lindbergh, com vitória para o pré-candidato do PRB. Numa eventual disputa com Pezão, Garotinho aparece com 30% contra 20% do adversário peemedebista. Crivella também derrotaria Pezão. Nesse cenário, teria 31% contra 19% do governador, que tenta a reeleição.

Na possibilidade de um segundo turno entre Pezão e Lindbergh, a pesquisa aponta para um panorama de empate técnico. O governador aparece com 23% e o senador, com 22%. Quando ainda eram aliados no estado, os petistas tentavam fazer com que o PMDB retirasse o nome de Pezão da disputa alegando que Lindbergh estava melhor nas pesquisas.

Os números ajudam os partidos a determinar os rumos da campanha, que estará liberada a partir do dia 6 de julho. Pela legislação eleitoral, até o dia 30 os partidos devem oficializar as candidaturas de seus indicados para concorrer ao governo do Rio.

O levantamento traz também, pela primeira vez, uma avaliação da gestão de Pezão à frente do governo do estado. A pesquisa mostra que 40% desaprovam o governo do peemedebista e 33% aprovam. Os que não souberam avaliar ou não responderam ao questionamento somam 27%.

Em outra pergunta sobre a administração do governo, 16% classificaram a gestão de Pezão como ótima ou boa, contra 35 % que disseram ser regular. Outros 29% afirmaram que era ruim ou péssima. Um percentual de 21% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder à pergunta do instituto. O governo de Pezão é pior avaliado na capital, onde 39% dos entrevistados afirmaram que ele era ruim ou péssimo, do que no interior, onde o índice ficou em 20%.

Foram entrevistadas 1.204 pessoas dos dias 7 a 11 de junho. O levantamento está registrado no TRE-RJ com o número RJ-00006/2014.

Na disputa pelo Senado, Cabral tem 26%, Romário 22% e Jandira 20%

• DEM e PR estão sem candidatos; branco e nulos somam 26%

Juliana Castro – O Globo

RIO — Na disputa pelo Senado, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) aparece com 26%, tecnicamente empatado com o deputado federal Romário (PSB), que tem 22%. A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) tem 20%. A pesquisa Ibope foi encomendada pela Federação das Indústrias do Rio (Firjan).

Os votos em branco e nulos somam 26%. Ao todo, 6% dos entrevistados não souberam responder em quem vão votar ou não responderam ao questionamento feito pelo instituto.

Enquanto Sérgio Cabral e Jandira apresentam percentuais semelhantes entre eleitores dos dois sexos, o ex-jogador de futebol Romário tem 30% das intenções de votos entre os homens e 15% entre as mulheres.

Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, o ex-governador alcança um índice que chega a 31%. Cabral tem um percentual bem acima dos demais pré-candidatos entre os eleitores que cursaram até a 4ª série (atual 5º ano) do ensino fundamental (34%), mas, entre os entrevistados de nível superior, tanto Jandira quanto Romário têm um desempenho melhor que o do peemedebista. Ambos aparecem com 24% das intenções de voto.

Outro recorte da pesquisa Ibope permite analisar que Cabral e Romário têm melhores índices entre o eleitorado do interior do que da capital. No caso do ex-governador, a diferença de intenção de voto nas duas áreas é de 15 pontos percentuais (33% no interior contra 18% na capital).

DEM e PR sem candidatos
Com relação à idade dos eleitores, os três pré-candidatos ao Senado têm seus melhores desempenhos em grupos diferentes. Jandira vai melhor entre os que têm mais de 55 anos (24%). Já Romário tem 27% entre os que têm de 35 a 44 anos.

O levantamento feito pelo Ibope ainda não leva em conta os nomes das coligações do PR e do DEM que concorrerão ao Senado porque esses dados ainda não foram revelados pelos partidos.

Cabral concorre na chapa que tem o governador Luiz Fernando Pezão como candidato à reeleição. Romário está na aliança com o PROS, do deputado federal Miro Teixeira.

Jandira Feghali e o PCdoB ainda avaliam a candidatura ao Senado, mas, se for confirmada, a deputada é o nome da chapa do senador Lindbergh Farias (PT).

No Ceará, Dilma opta pelo PROS e deixa Eunício só

• Líder do PMDB ficou sem apoio do PT na eleição para o governo e pode se aliar à oposição

Maria Lima e Fernanda Krakovics – O Globo

Menos de uma semana após garantir o tempo de TV e o apoio do PMDB nacional à sua reeleição, a presidente Dilma Rousseff garantiu ontem ao governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), o apoio do PT ao nome que ele indicar para sua sucessão, esvaziando a pré-candidatura do líder do PMDB no Senado, Eunício de Oliveira. Fontes do Planalto revelaram que a decisão foi tomada após o diretório do Ceará, comandado por Eunício, ter sido contabilizado entre os que deram votos contra a aliança nacional do PT com o PMDB, na convenção nacional peemedebista, semana passada. “Ele não entregou o que prometeu”, disseram interlocutores de Dilma. Eunício e o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, deputado Eliseu Padilha (RS), negaram a falta de apoio na convenção.

— Ficou acertado que o PT vai apoiar o candidato de Cid. Só falta definir o nome.

O PMDB de Eunício vai ficar só. Perguntei ao Berzoini e ele me garantiu que o PT não arreda o pé e está fechadíssimo comigo na chapa para o Senado — disse o ex-líder do PT, José Guimarães.

Eunício negocia com PR, PSDB E PSB
Líder nas pesquisas de intenção de votos, Eunício está articulando o apoio de outros partidos da base, como o PR. Ele poderá até ir a palanques de siglas da oposição, com o PSB de Eduardo Campos ou PSDB de Aécio Neves. Já teria conversado com o presidente do PSDB no Ceará, Luís Pontes, para fechar uma chapa com Tasso Jeiressatti ao Senado.

— Eunício é um grande candidato, e essa decisão do PT e do PROS pode empurrá- lo para o palanque das oposições — disse o vice-líder do PMDB, deputado Danilo Forte (CE).

O presidente do PROS, Eurípedes Júnior, que participou do encontro de Cid com Dilma, disse que o governador decidirá o candidato à sua sucessão dois dias antes da convenção nacional do partido, marcada para o dia 24. O escolhido terá o apoio de Dilma na eleição local. Segundo Eurípedes, na audiência de ontem, Dilma foi convidada para a convenção, que será em Brasília.

Dilma fica ao lado de Cid no Ceará e ganha apoio do Pros

Raphael Di Cunto – Valor Econômico

BRASÍLIA - Depois de uma hora e meia de reunião com a presidente Dilma Rousseff ontem, o Pros decidiu formalizar o apoio à reeleição da presidente no dia 24, às 14h, na convenção em Brasília. "O Pros, desde o tempo que foi criado, vem apoiando o governo. Então é natural a coligação com a presidente Dilma e o [vice-presidente]

Michel Temer", afirmou ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, o presidente nacional da sigla, Eurípedes Júnior.

Júnior e os governadores do Amazonas, José Melo (Pros), e do Ceará, Cid Gomes (Pros), estiveram reunidos com Dilma ontem pela manhã e saíram sem falar com a imprensa. Ao Valor PRO, o presidente da legenda disse que Dilma aceitou o convite para ir à convenção no dia 24 e prometeu fazer campanha pelo candidato à sucessão de Cid no Ceará - que ainda está indefinido.

A eleição no Ceará é uma das mais delicadas para a aliança da petista. O PMDB, que na semana passada confirmou o apoio à reeleição de Dilma, vai lançar ao governo o senador Eunício Oliveira, que reivindica a presença da presidente em seu palanque.

"Somos aliados do PT no Ceará. A presidente inclusive vai estar lá na semana que vem para uma cerimônia", disse Júnior. O PT vai indicar o deputado José Guimarães para o Senado na chapa do Pros e deixar o PMDB isolado.

Além de confirmar o apoio de Dilma ao candidato dos irmãos Gomes, a cúpula do Pros também pediu ontem a Dilma que faça campanha pela reeleição de Melo no Amazonas. O PMDB lançou o líder do governo no Senado, Eduardo Braga, como candidato ao governo com apoio do PT.

Dilma não sinalizou o que pretende fazer neste caso e o presidente do Pros vai ter uma reunião com o presidente do PT, Rui Falcão, na quinta-feira para negociar o espaço do partido no Amazonas e em outros Estados. Eurípedes Júnior também se reuniu ontem com Temer, que é presidente licenciado do PMDB, para discutir o cenário regional.

O apoio à presidente Dilma Rousseff vai ter cerca de 90% dos votos na convenção, avalia o líder do Pros na Câmara, deputado Givaldo Carimbão. A bancada se encontrou há cerca de 20 dias para conversar sobre o assunto e apenas o diretório de Minas Gerais foi contra a aliança.

Segundo o presidente do Pros em Minas, deputado Ademir Camilo, a presidente não mostrou consideração pela sigla. "Quando entramos para a base, o Pros não pediu cargos no governo. Mas a Dilma veio e ofereceu um ministério que estava desocupado. Só que passaram seis meses e ela não entregou, mostrou desprezo pelo partido", disse. "Ninguém tinha pedido, então antes não tivesse prometido. Se oferece e não dá, é porque não prestigia de verdade nosso partido."

O Pros ocupa atualmente o Ministério da Integração Nacional com Francisco Teixeira, mas os dirigentes e a bancada não consideram esta uma indicação do partido. Teixeira era secretário-executivo da Pasta e está como interino desde que o PSB, que ocupava o ministério, deixou o governo em outubro. Ele é próximo a Cid Gomes, que também saiu do PSB para apoiar Dilma.

A permanência de Teixeira foi alvo de disputa entre os grupos de Cid e do presidente do Pros, até que o governador afirmou há três semanas que não tinha interesse no ministério. Segundo um deputado do Pros, Eurípedes levaria à Dilma a indicação de um técnico de Goiás - Estado onde mora e pelo qual vai concorrer a deputado federal - para ocupar o posto no segundo mandato.

Fundado em 2013 com ajuda do governo para aumentar sua bancada, o Pros vai render à presidente cerca de 40 segundos de propaganda eleitoral no rádio e na TV.

*José Álvaro Moisés: Falhas do império da lei e suas implicações

- O Estado de S. Paulo

A sensação de muitas pessoas de que o Brasil está vivendo uma escalada de violência sem precedentes associada com protestos e outras formas de manifestação pública acabou de ser confirmada pela ação de membros do Black Bloc no Rio de Janeiro e em São Paulo na tentativa de transformar a Copa do Mundo "num caos", como disseram. O risco tem de ser levado a sério porque os autores da ameaça, embora não sejam ainda aliados, estão procurando o apoio do crime organizado.

O clima vem crescendo desde as manifestações legítimas de 2013, distorcidas, porém, por atos de vandalismo, ataques ao patrimônio público e privado, queima de ônibus, greves selvagens, agressão a policiais e o assassinato de um cinegrafista. A violência deve-se à ação de grupos minoritários como os black blocs e outros, mas também ao discutível desempenho das forças de segurança a quem cabe garantir a lei e assegurar os direitos dos cidadãos, mas que ultrapassam em muitas ocasiões os limites do legal, cometendo excessos inaceitáveis e estimulando o recrudescimento dos protestos.

Em que pese ferir a normalidade democrática e tensionar um período que prenuncia uma disputa eleitoral extremamente acirrada, a situação não tem encontrado uma resposta adequada de parte do Estado e das autoridades públicas. Uma das consequências disso é a crescente percepção de amplos segmentos da sociedade de que, sediando um evento planetário que atrai a atenção do mundo para o Brasil, o País está, contudo, tomado por um "clima estranho". A Copa começou, mas as pessoas não estão seguras do rumo que tudo vai tomar e estão preocupadas com a sua segurança.

O advogado criminalista Arnaldo Malheiros Filho sintetizou uma das faces mais importantes da questão em texto recente: "Um dos piores restolhos do entulho autoritário é essa ideia generalizada de que a democracia é um regime no qual não é necessário cumprir a lei, porque cada um é 'livre' para fazer o que bem entender, pouco se importando se isso vai ou não violar direitos dos outros".

A democracia, contudo, é precisamente o regime do império da lei, em que se espera que as pessoas se submetam às regras de convivência social porque, como ensinou Rousseau, a legitimidade das leis deriva da escolha dos próprios cidadãos, ainda que por intermédio de representantes; mas também porque é na submissão à lei que está a raiz do princípio segundo o qual todos devem receber tratamento igual quanto aos seus direitos, independentemente de diferenças de gênero, cor da pele, condição social, econômica, religião ou ideologia. Ou seja, no Estado Democrático de Direito ninguém está acima da lei, mas, em contrapartida, todos são detentores de direitos e prerrogativas inalienáveis.

A situação é complexa, no entanto, porque, para operar como efetiva proteção de direitos dos cidadãos e, ao mesmo tempo, como controle de abusos e fonte de legitimidade da ação dos responsáveis pela ordem, o império da lei tem de estar consolidado, ser amplamente reconhecido pelas pessoas e visto como justo, sem o que sua eficácia padece e a qualidade do regime democrático é afetada. Por outras palavras, a efetividade do império da lei depende de que as leis sejam claras, prospectivas, amplamente conhecidas, estáveis, baseadas em regras legítimas, aplicáveis a todos e administradas por um Judiciário independente, cujo acesso seja garantido à maioria dos cidadãos.

Para servir de orientação à conduta das pessoas as leis também precisam ser facilmente assimiláveis, sem exigir excesso de conhecimento técnico, e claramente percebidas como guias do comportamento e da convivência social. Isso impõe enormes exigências numa sociedade em que a educação ainda não é um direito universal, e cuja qualidade é muito discutível.

Mais ainda: as leis não podem servir de arma aos governantes ou de proteção aos poderosos, como sugeria a frase atribuída a Vargas: "Para os amigos tudo, para os inimigos a lei"; nem podem servir de abrigo para a impunidade que o ritual infindável de recursos judiciais sugere no caso brasileiro. Elas têm de ser vistas como um anteparo universal, impessoal, a serviço da justiça e da probidade, sob a tutela de tribunais defendidos da influência dos poderosos. No Brasil, no entanto, o descumprimento da lei é um dado da realidade, distorções como a corrupção matam a esperança de que a vida pública se paute pelo interesse público. E, principalmente, o abuso de autoridade, as agressões injustificadas e até mesmo a morte de inocentes por forças de segurança nem sempre são punidas ou vistas como se pudessem ser. Há um sentimento generalizado de que as leis e as regras só se aplicam aos mais pobres e aos desprotegidos.

Isso gera uma cultura de descrença e de desconfiança nas instituições e, ainda que não justifique por nada o uso da violência ou o desrespeito à lei, aponta para a explicação da situação. Uma pesquisa que coordenei recentemente na USP dá pistas para entender o quadro: nada menos que 79% dos entrevistados consideram não haver igualdade perante a lei no País, 64% não têm confiança no Judiciário, 76 % não confiam no Congresso Nacional e 86% não confiam nos partidos políticos. A lei existe para todos, mas a percepção das suas falhas se alimenta da crise das instituições de representação: 45% acham que a democracia pode funcionar sem o Congresso e 46%, sem os partidos. Muitos sentem que não têm meios eficazes de se fazer ouvir, creem que podem fazer justiça pelas próprias mãos ou só têm a violência para se expressar. O resultado é muito perigoso para a democracia.

Resta saber se os que aspiram a dirigir o País vão tratar disso no debate eleitoral deste ano.

*Professor titular da USP, é autor do livro 'A desconfiança política e os seus impactos na qualidade da democracia' (Edusp, 2013)

Merval Pereira: Reescrevendo a História

- O Globo

Reescrever a História é um hábito dos políticos que estão no poder, teimando em fazer valer suas versões sobre o realmente acontecido, especialmente em época de eleição. O ex-presidente Lula é um perito nessa manipulação da História recente, sem se dar conta de que o registro dos fatos, hoje, é bem mais fácil de se fazer.

A agressão verbal sofrida pela presidente Dilma no Itaquerão, deplorável por todas as razões, está sendo usada de maneira desabrida pelo PT e por seus aliados para uma manobra política, como se fosse agressão à mulher e mãe de família, quando em nenhum momento essas condições estiveram em jogo. Ou então à instituição da Presidência da República, o que é uma bobagem.

O próprio Lula, na eleição de 1989, chamava o então presidente Sarney de ladrão, e depois também o presidente eleito Fernando Collor, que também xingou Sarney. O fato de os três hoje serem do mesmo grupo político diz bem sobre o tipo de política que praticam.

No episódio atual, a presidente Dilma passou a ser tratada como uma senhora frágil e desacostumada a essa linguagem, quando ela própria já demonstrou, em reuniões com ministros e empresários, que sabe lidar com esse tipo de problema. Que o digam os ministros que já saíram chorando de seu gabinete depois de uma boa espinafração.

Lula, então, já tem registrado o seu hábito de falar palavrões em situações de diversos tipos, bastando ler o excelente livro “Viagens com o Presidente”, dos jornalistas Eduardo Scolese e Leonencio Nossa.

Outra releitura é a defesa da tese de que o PSDB tentou um golpe em 2005 para tirar Lula do Palácio do Planalto. O PT, por experiência própria, sabe que corre o risco de perder a eleição de outubro, principalmente devido à inflação, e por isso Lula está inquieto, inventando fantasmas.

Revelei em uma coluna de 2008 que relembro agora que, na crise política de 2005 desencadeada pelo mensalão, o que abalava o presidente não era propriamente a crise em si, mas saber que a situação econômica não estava melhorando: a inflação, de 5,69%, embora em queda, continuava alta, e o PIB crescera apenas 2,3% naquele ano, ficando à frente apenas do Haiti na região.

Temos hoje uma inflação que deve estar chegando ao teto da meta de 6,5% na época da eleição, e um crescimento da economia em torno de 1%. Quando, naquele momento delicado de 2005, analisava-se a hipótese de o presidente Lula não concorrer à reeleição, os petistas menos realistas que o rei, como agora, acusavam a “mídia golpista” de trabalhar contra o governo.

O atual ministro Gilberto Carvalho, então secretário particular de Lula, revelou em uma entrevista que a hipótese foi longamente cogitada pela cúpula do governo, que considerava, inclusive, que o impeachment de Lula poderia acontecer. Os então ministros Antonio Palocci e Márcio Thomaz Bastos chegaram certa noite a sugerir ao presidente Lula que fizesse um acordo com a oposição: em troca de poder cumprir todo o seu mandato, abriria mão da reeleição.

Esse desfecho só não se deu porque, de um lado, Lula em nenhum momento perdeu o controle da situação, segundo o relato de Gilberto Carvalho — embora na ocasião houvesse informações de que o presidente tinha fases de bastante depressão —, mas também porque a oposição temeu uma reação dos chamados “movimentos sociais”.

Difundiu-se a imagem, feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que havia o perigo de se criar um “Getulio vivo” com a deposição de Lula, e seria melhor deixá-lo “sangrando” até o fim do governo. Não se sabe se a avaliação de que a deposição de Lula provocaria uma revolta popular estava correta, mas, pelo relato de Gilberto Carvalho, essa hipótese não era levada muito a sério pela cúpula do governo.

Por outro lado, Lula, em vez de “sangrar em praça pública”, recuperou o fôlego, graças à queda da inflação, reduzida para 3,14% em 2006, e a economia melhorou um pouco, com o PIB crescendo 2,9% naquele ano de eleição, permitindo que Lula acenasse com anos melhores, que se concretizaram em 2007, com o PIB crescendo 5,4%.

Mas a inflação dava sinais naquele ano de 2007 de que não estava controlada, ficando em 4,5%, índice que, embora estivesse dentro das previsões do governo, era maior que o do ano anterior. A presidente Dilma não terá tempo para recuperar a economia neste ano, e essa é a principal ameaça à sua reeleição.

Dora Kramer: Quem com ferro fere

- O Estado de S. Paulo

Numa coisa o PT está certo: as manifestações contra o governo em geral, o partido de modo específico e a presidente Dilma Rousseff em particular refletem mesmo um sentimento de forte rancor.

Uma espécie de reverso daquele amor que explodiu em 2002, resistiu às intempéries dos escândalos de 2005/2006, renovou-se de modo mais ameno em 2010 e agora vai ao extremo oposto em forma de exaustão captada pelas pesquisas.

Nada disso torna aceitáveis os insultos dirigidos à presidente na abertura da Copa. Leitores escrevem para dizer que a rudeza vocabular faz parte do espetáculo futebolístico e que ao criticá-la demonstro ausência de familiaridade com o ambiente dos estádios.

De fato. Além disso, nutro especial ojeriza por palavras chulas, talvez por extremo apreço ao idioma de tão variadas e belas possibilidades.

Poderíamos ir em frente considerando o episódio chuva que já choveu se o ex-presidente Lula da Silva não tivesse visto nele uma oportunidade para tentar mais um daqueles contra-ataques em que aponta defeitos no outro sem olhar para o espelho.

O uso de palavrões e termos grosseiros para se referir aos adversários em público sempre foi marca de Lula na oposição e no governo. Fez isso contra presidentes da República, inclusive. E também quando investido na Presidência. Não é, portanto, o professor mais credenciado a dar aulas de etiqueta e civilidade a quem quer que seja.

No tocante ao "ódio de classes" ao qual se referiu para dizer que ali naquele estádio estavam ricos atacando a única pessoa com "cara de pobre" (desde quando?) que havia no ambiente, tampouco é locutor autorizado.

Pois foi ele quem desde o início do governo fez do bordão "nós contra eles" uma hipotética arena de luta de classes mediante a qual haveria uma divisão no Brasil, sendo que o nós" eram todos os que apoiavam o governo (ricos, pobres, conservadores, progressistas) e "eles" os que ousavam discordar.

Foi o PT que adotou durante todo o tempo em que seus governos obtiveram alta aprovação popular um tom francamente agressivo e zombeteiro em relação aos críticos.

Uma palavrinha a mais para encerrar, por ora, o caso do estádio: o ex-presidente no dia seguinte prestou solidariedade à presidente entregando a ela uma rosa branca. Bonito gesto. Mais corajoso e solidário, porém, teria sido se tivesse ido ao jogo de estreia da Copa de que foi o maior patrono para dividir com a criatura os ônus do conjunto de uma obra à qual o País dá fortes sinais de rejeição.

Quanto às maneiras rancorosas, Lula as escolheu como armas de combate. Nem por isso se deve considerar aceitável que população e candidatos de oposição se utilizem de igual falta de modos.

Há mesmo, como dizia no início, uma sensação de repulsa latente no ar. O PT captou isso, fez de conta que o sentimento é coisa da "zelite" mancomunada com a oposição e incentivada pela imprensa e repaginou o slogan do "a esperança venceu o medo", substituindo-o por "a esperança vencerá o ódio".

Bem sacado. Faltando apenas adaptar a segunda parte do roteiro. Lá atrás havia de fato uma esperança, de "mudança". Agora, para dar certo o eleitorado que, segundo as pesquisas, vem perdendo a confiança no governo, precisa ser convencido de que vale a pena ter fé. A questão é: fé em quê?

Por um triz. Houve um momento especialmente tenso na convenção do PSDB, no último sábado. Foi quando o deputado e presidente do partido Solidariedade, Paulinho da Força, em sua conhecida deselegância referiu-se ao coro de insultos no jogo de abertura da Copa contra a presidente Dilma Rousseff.

No discurso de saudação a Aécio Neves mostrou-se tão animado com a grosseria, que por alguns instantes os tucanos temeram que ele pudesse puxar refrão "Ei, Dilma, vai...". O que levaria, na avaliação do PSDB, a convenção a um desastre irreparável.

Eliane Cantanhêde: Eduarmin ou Edualdo?

- Folha de S. Paulo

O grito de guerra da convenção tucana foi "união", mas, em eleições, a prioridade dos políticos é cada um salvar a própria pele.

O foco (de preocupação) estava em José Serra, com os serristas não tucanos (de PPS, PMDB, PSD...) aderindo a Eduardo Campos (PSB), mas isso parece resolvido. Os olhares agora são para Geraldo Alckmin.

Assim como em Minas houve os votos Lulécio e depois Dilmécio contra Serra, também houve o Lulécio contra Alckmin. Se hoje todos dividem firmemente o mesmo projeto de derrotar Dilma e o PT, Alckmin está à vontade para fazer suas próprias coligações, atendendo às suas conveniências em São Paulo.

Não deixa de ser interessante o governador estar, ou ter estado, na corda bamba justamente entre Gilberto Kassab (PSD), que apoia Dilma, e Márcio França (PSB), que está com Campos. Já que Kassab queria o céu e a terra, aliando-se ao PT nacionalmente e ao PSDB estadualmente, a tendência é Alckmin fechar, logo, logo, com França e o PSB.

E aí, como fica? O que são os 40 "comitês conjuntos" de Alckmin e Eduardo Campos? Eduarmin?

A campanha de Aécio fica martelando que não tem nada a ver, que as composições estaduais são assim mesmo, que o candidato está às mil maravilhas com Alckmin e com as articulações no maior colégio eleitoral do país. Ok, mas não custa desconfiar, não é mesmo? Principalmente diante dos precedentes mineiros.

Do outro lado, porém, a coisa não caminha nada melhor. O PMDB deu uma vitória apertada para Dilma e, como PSD, PP, PTB e PR, está dando o tempo de TV para Dilma, que terá um grande "latifúndio" televisivo, mas sem se comprometer com fidelidade nas bases e com palanques nos Estados. Aí, é cada um por si e as pesquisas por todos.

Até a eleição, haverá muita traição e guinadas surpreendentes.

P.S.: O que dizer de uma Copa em que o campeão perde de 5 a 1 e o time do melhor jogador, por 4 a 0?

Luiz Carlos Azedo: Deixa a bola rolar...

- Correio Braziliense

No Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio, dizia Nelson Rodrigues; no Itaquerão, em São Paulo, além de vaiar, a torcida xingou a presidente Dilma Rousseff com palavras de baixo calão. A atitude extrapolou o que seria "normal" numa partida de futebol, ainda mais porque o alvo era a presidente da República. Havia muitos chefes de Estado na cerimônia, que foi acompanhada ao vivo por torcedores do mundo inteiro. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva agarrou a vaia com as duas mãos — se é que isso é possível, mesmo no sentido figurado — e interpretou o episódio como declaração de guerra das "elites" que "não têm calos nas mãos" contra o PT e os trabalhadores.

A convenção nacional do PSDB, no sábado, pôs mais lenha na fogueira. O senador Aécio Neves e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, durante o evento, subiram o tom das críticas ao governo de Dilma Rousseff e ao PT. A resposta de Lula no domingo, na convenção que homologou a candidatura ao governo de São Paulo do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, foi um tom acima. O petista saiu em defesa da presidente Dilma Rousseff e desceu o sarrafo nos adversários, principalmente em Fernando Henrique, acusando-o de ter comprado os votos do Congresso que aprovaram a reeleição. De quebra, disse que os tucanos tramaram seu impeachment por ocasião do escândalo do mensalão.

Fernando Henrique não deixou barato, ontem repeliu as acusações: "Lamento que o ex-presidente Lula tenha levado a campanha eleitoral para níveis tão baixos. Na convenção do PSDB não acusei ninguém; disse que queria ver os corruptos longe de nós. Não era preciso vestir a carapuça. A acusação de compra de votos na emenda da reeleição não se sustenta: ninguém teve a coragem de levar essa falsidade à Justiça", escreveu em sua conta pessoal de uma rede social.

A vaia tirou o PT do sério, embora Dilma mantenha-se afastada dos estádios; a oposição tira casquinha e avalia que a torcida pela Seleção Brasileira não se traduz em apoio ao governo. E lembra que o ex-presidente Lula já usou de ofensas e palavrões para se referir a dois presidentes da República: atingiu a honra de José Sarney, hoje um aliado de primeira hora; e também ofendeu o presidente Itamar Franco, em 1993.

Confraternização
Imaginava-se que a Copa do Mundo congelaria a disputa eleitoral, com a presidente Dilma Rousseff mantendo distância regulamentar dos jogos e a oposição mergulhada esperando o resultado final do Mundial — todos torcendo para o mesmo lado. Não é o que está acontecendo. Além da tabela dos jogos, existe um calendário eleitoral que movimenta os partidos políticos. As chapas proporcionais e as coligações para as eleições de governador e presidente da República precisam ser formadas até o fim do mês. A luta pelo poder central e nos estados segue o seu curso natural, mesmo com o torneio.

No Palácio do Planalto, há divergências quanto ao procedimento a ser adotado diante da situação. A estratégia de uma presença discreta de Dilma na Copa foi por água abaixo depois do que aconteceu no Itaquerão. Discute-se uma postura mais ofensiva, a partir de uma avaliação de que a vitória do Brasil contra Croácia desencantou a torcida brasileira. A ideia é fazer do limão uma limonada. Pesquisas mostram desaprovação aos xingamentos da torcida e maciço apoio da opinião pública aos jogadores da equipe canarinho. Além disso, as cidades sedes da Copa — apesar dos protestos persistentes, mas residuais — estão em festa com a presença de grande número de torcedores estrangeiros, todos recebidos de braços abertos.

Na verdade, a Copa é um sucesso como evento internacional, seja pela presença expressiva de torcedores de todos os países, seja pelo engajamento da torcida brasileira. Não houve caos nos aeroportos, os torcedores conseguem chegar aos estádios com poucos incidentes. E há uma confraternização geral, que se estende noite adentro. Na primeira rodada dos jogos, o alto nível do futebol praticado destoa da baixaria na nossa política. No momento, o povo não está nem aí para os políticos. Está de olho na Seleção Brasileira. E nas equipes da Alemanha, da Argentina, da França, da Holanda e da Itália, que também despontam como candidatas ao título. É nelas que mora o perigo.

Na primeira rodada dos jogos, o alto nível do futebol praticado destoa da baixaria da nossa política. O povo está de olho na Holanda, na Alemanha, na França e na Argentina

Raymundo Costa: Mensalão volta a assombrar o PT

• Partido avalia que só agora sente efeitos da Ação Penal 470

- Valor Econômico

A três meses e meio da eleição, dirigentes do PT avaliam que nunca antes, desde 2005, os efeitos do mensalão se fizeram sentir sobre o partido como agora, nas eleições de 2014. A situação é atribuída sobretudo ao desgaste produzido pelo julgamento da Ação Penal 470, entre agosto e dezembro de 2012.

Foram 53 sessões do Supremo Tribunal Federal (STF), transmitidas ao vivo pela televisão, que expuseram as vísceras do PT e do governo Lula. Em 2013 foram à pauta os embargos infringentes, sem tanta audiência quanto o julgamento da AP 470, mas o bastante para enxovalhar a imagem do partido mais popular do país. Dirigentes históricos foram presos.

Nas duas eleições realizadas desde então (2006 e 2010), Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito e elegeu Dilma Rousseff sucessora. Ambas decididas no segundo turno. Os efeitos do mensalão foram moderados na eleição para a Câmara, em 2006 - o partido caiu de 91 para 83 deputados, mas se manteve entre os grandes da Câmara.

No período que antecedeu o julgamento da AP 470 - a ação do mensalão -, a direção do PT bem que tentou transformar o escândalo numa página virada. Acabou aprisionada no discurso de que os acusados de participar do esquema tiveram um julgamento político. Não funcionou.

Prova disso é que o presidente do STF e relator da AP 470, Joaquim Barbosa, tocaiado pelo PT durante todo o julgamento, é o segundo mais influente cabo eleitoral do país. Segundo a última pesquisa Datafolha, 36% dos entrevistados responderam que votariam num candidato indicado por Lula, enquanto 26% apoiariam um nome apoiado por Barbosa - a ex-senadora Marina Silva (PSB, ligada ao Rede Sustentabilidade) ficou em terceiro com 18%.

Em algum momento do processo eleitoral de 2014, o PT julgou que poderia eleger uma superbancada para a Câmara dos Deputados. Houve quem falasse em 130 deputados federais. Mas isso foi antes de junho de 2013, quando a presidente Dilma ainda sustentava índices de aprovação na casa dos 57%.

Na esteira do mensalão, o PT perdeu alguns de seus principais puxadores de votos, como José Dirceu, João Paulo Cunha e José Genoino, em São Paulo. O partido agora aposta no ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, para puxar votos no Estado. Mas por enquanto ele é apenas isso mesmo: uma aposta.

Com a queda de Dilma nas pesquisas e Lula no banco de reservas, cada vez com menos chances de entrar em campo no lugar da presidente, o PT se articulou para construir pelo menos uma fortaleza em um dos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio. Se perder a eleição presidencial, o governo de um desses três Estados será importante para a reestruturação do partido. Basta lembrar que São Paulo e Minas é que asseguraram a sobrevivência do PSDB, nesses quase 12 anos de exílio do governo federal.

Não é à toa que o PT comprou uma briga com o PMDB, no Rio de Janeiro. Pelas pesquisas conhecidas, o senador Lindbergh Farias tem hoje tanta possibilidade de se eleger para o governo do Estado quanto seus principais adversários do PMDB (Luiz Fernando Pezão) e do PDT (Anthony Garotinho). Mas quando Lula abraçou o nome de Lindbergh, no ano passado, o PT tinha uma expectativa mais otimista em relação à candidatura do ex-presidente da UNE.

A avaliação sobre as possibilidades de Alexandre Padilha, na disputa pelo governo de São Paulo, também já foi melhor. Ele corre o risco o até de ser largado ao mar, se Paulo Skaf comprovar que pode ser o nome dos partidos aliados no segundo turno.

Em nenhum Estado o PT é o grande favorito. A exceção é Minas, o único dos três maiores colégios eleitorais em que lidera as pesquisas. O que não deixa o PT mais otimista em relação ao futuro de seu candidato, o ex-ministro Fernando Pimentel. Natural. Em Minas, o apoio de Aécio Neves (PSDB) tem tudo para ser decisivo na eleição para o governo.

Dilma foi muito pressionada por uma parte do PT a prestar solidariedade aos réus do mensalão, mas manteve-se à distância, baseada nas pesquisas. Entre partidos aliados do governo, avalia-se que o PT também "puxa" Dilma para baixo, nas pesquisas.

O mensalão é só o eixo. Há o escândalo envolvendo a Petrobras, mais recente, e outros que só agregaram valor à associação feita da imagem do PT com a corrupção. De Erenice Guerra, acusada de tráfico de influência quando Dilma ainda era candidata, ao deputado André Vargas (PT-PR), que não consegue explicar sua relação com o doleiro Alberto Youssef, passando pelas consultorias do ex-ministro Antonio Palocci.

A direção do PT já se deu conta do estrago que o tema corrupção, um dos estandartes das manifestações de junho passado, pode representar nas eleições. A palavra de ordem de Lula é para o partido é dar respostas imediatas às denúncias, como aconteceu recentemente com o deputado André Vargas, "convidado" a se desfiliar do partido (O PT fez isso com Delúbio Soares, no escândalo do mensalão, mas depois readmitiu o seu ex-tesoureiro). Luiz Moura (PT-SP), flagrado numa reunião com um integrante da facção criminosa PCC, foi suspenso.

A questão da corrupção, parece ser mais latente em São Paulo, onde o partido enfrenta outros problemas, como a rejeição à administração do prefeito Fernando Haddad. Impressionam os índices de São Paulo, medidos pelo Datafolha. O secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz, ficou particularmente intrigado com as simulações de segundo turno. Dilma perde até para Eduardo Campos, por 43% a 34%. "Estes números não teriam grande significado se na lista de primeiro turno a disputa trouxesse uma informação de razoável equilíbrio", analisa. "Não foi o caso. Na lista plena Campos teve apenas 6% de indicação".

O senador Aécio Neves (PSDB), o candidato no encalço de Dilma, já tenta tirar proveito dessa situação. Numa comparação de sua candidatura com a de Eduardo Campos, o tucano disse que ele é o "adversário histórico do PT". Campos, até bem pouco tempo, convivia sob o mesmo teto com Lula e a presidente Dilma.

Arnaldo Jabor: As três vezes em que vi Stuart

- O Globo

Eu dirigia meu Volks 66 em silêncio. No banco de trás, estava um casal abraçado, como se estivesse namorando. Mas um filete de sangue escorria da cabeça do rapaz, que a moça estancava com um lenço. Ao meu lado estava Stuart Angel Jones me indicando o caminho. "Por ali, por aqui, dobra a esquina"... Em um determinado ponto, Stuart me mandou parar o carro. "Daqui em diante, eu vou dirigir. Vocês fechem os olhos" - tanto eu quanto o casal ferido. De olhos fechados, notei que Stuart deu mais umas voltas com o carro dentro da noite. Vislumbrei por um segundo que entrávamos na região do Catete, por ali. No aparelho para onde eles iam (eu era um mero simpatizante chofer) encontrariam um médico que tivera a filha assassinada pela repressão e que agora tratava dos outros guerrilheiros. Ele já tinha operado um ferido na mesa de jantar de um amigo, na base do clorofórmio e poucos instrumentos.

Nunca entrei de cabeça no movimento MR-8 por descrença e também por medo de morrer. Falta de coragem e de fé. Eu e alguns cineastas já fôramos procurados por Mário Alves (fundador do PCBR) para entrar na luta armada. Ninguém foi. Alguns meses mais tarde soubemos que Mário Alves fora preso e levado ao quartel da Polícia do Exército, na Rua Barão de Mesquita. Foi espancado barbaramente de noite, empalado com um cassetete dentado, o corpo todo esfolado por escova de arame, por se recusar a prestar informações exigidas pelos torturadores.

Depois disso, eu estive apenas três vezes com Stuart Angel. Já abalado pela violência e pela eficiência da polícia, conversei com ele na casa de uma amiga, que o abrigou durante um tempo. Lembro-me que ele estava ouvindo uma música de João Gilberto na vitrola da sala.

A segunda vez, tive um encontro com ele em frente ao antigo Jardim Zoológico, em Vila Isabel. Fui levar uma mala cheia de aparelhos cirúrgicos e munição. Não me segurei e falei: "Você não tem medo de ser preso, Stuart?". Ele sorriu e respondeu: "Se eu for preso, não digo nem meu nome.

Impressionou-me a imensa calma de sua resposta. Não fez bravata, não mostrou medo. Apenas disse que não diria nem o nome. E foi em frente, depois de me abraçar. Fiquei emocionado com sua figura solitária indo embora, movido por uma certeza profunda. Foi a última vez que o vi, olhando sua partida com misto de grande admiração por sua coragem e um grão de menosprezo por sua louca luta contra um exército inteiro. A outra vez já contei acima.

Semana passada, li no jornal que Stuart tinha sido enterrado na cabeça da pista de um aeroporto. Depois que foi preso, ninguém soube dele, apesar dos esforços de sua mãe Zuzu e de sua ascendência americana - Angel Jones.

O oficial encarregado do caso foi o brigadeiro Burnier. Esse homem foi descrito pelo brigadeiro Eduardo Gomes como um "doente mental inspirado por instintos perversos e sanguinários, sob o pretexto de proteger o Brasil do perigo comunista".

Meu pai, também brigadeiro, falou-me a mesma coisa. Este cara ficou sinistramente famoso porque planejou explodir o gasômetro do Rio, ali em S. Cristóvão, o que resultaria em mais de 100 mil mortes. Foi impedido pelo heroico capitão-aviador Sérgio Miranda de Carvalho, o Sérgio "Macaco", que se recusou a cumprir a ordem psicótica do Burnier.

O poder total faz aflorar uma casta de psicopatas que dormiam na sombra. Surge o perverso prazer das torturas, a delicia de "matar a morte" no corpo do outro.

Simetricamente à psicose da violência, além da bruta crueldade dos criativos carrascos, me espantava também a convicção dos guerrilheiros diante de uma impossível vitória. Na época, Carlos Marighella escreveu em seu Manual do Guerrilheiro Urbano: "As qualidades importantes no guerrilheiro urbano são: que possa caminhar bastante; que seja resistente à fadiga, fome, chuva e calor; conhecer como se esconder e conquistar a arte de ter paciência ilimitada; manter-se tranquilo nas piores condições. As armas do guerrilheiro são inferiores às do seu inimigo, mas o guerrilheiro urbano tem uma vantagem que não se pode negar: o valor moral. A superioridade moral é o que sustenta o guerrilheiro urbano".

Ou seja, a luta armada foi muito influenciada pela ideia de sacrifício heroico, de clandestinidade e sofrimento. E assim como o poder totalitário promove a brutalidade, a tortura com a certeza de que estariam defendendo o "bem", por outro lado, a ausência total de saídas gerou uma espécie de cidadania armada, uma cidadania clandestina, uma liberdade cercada de morte, uma fé irrefreável do tipo do "credo quia absurdum" (creio mesmo que seja absurdo). Matava-se e morria-se em nome de um "bem" imaginário.

Naquele tempo, estávamos encalacrados no contexto histórico da Guerra Fria, o que não deixava opções nem para militares da ditadura nem para os guerrilheiros. A época forma as mentes. O medo ao comunismo tinha armas poderosas, treinamentos da CIA, etc. e os combatentes acreditavam que seria possível derrubar a ditadura. Eram fantasmas combatendo fantasmas.

Hoje, conhecemos a complexidade política do Brasil, muito além de extermínios e martírios. Foi o último embate para o nascimento de uma consciência democrática. Creio que o importante agora é a análise dos crimes, mentiras e ingenuidade atuais, e não apenas do passado. Por isso, a mais proveitosa ação contra a ditadura foi o sequestro do embaixador americano Elbrick, que abriu a imensa brecha na mídia do mundo todo e desmoralizou a repressão. Foi um ato moderno, que não buscava a clandestinidade, mas a repercussão aberta. Isso provocou uma fama imensa para os guerreiros, uma respeitabilidade, uma credibilidade que não tinham. É isso aí.

Quanto a mim, não posso imaginar o sofrimento e o pavor de Stuart quando foi preso e levado por ordens do Burnier para o pátio do quartel-general da 3.ª zona aérea do Rio. Lá, diante da tropa, ele foi amarrado ao para-choque de um jipe e arrastado com o cano de descarga na cara, até morrer asfixiado. Mas sei que ele não disse nem o nome.

Brasília-DF: Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

E Cid vai a Lula
Depois de o ex-presidente Lula dizer que apoiará o líder do PMDB, Eunício Oliveira, ao governo do Ceará, o atual governador, Cid Gomes (Pros), prometeu ir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ideia é contar a Lula a versão de Cid da história que levou ao cenário de duas candidaturas pró-Dilma em solo cearense. Ali, segundo o governador, a ideia era montar um programa e decidir no fim quem seria o candidato. "Ele (Eunício) quis discrepar disso e lançar a candidatura. Eu respondi que não poderia assumir um compromisso com ele porque temos outros partidos", disse o governador à coluna.
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Por mais que se converse, a maioria considera que o quadro no Ceará não muda mais. Eunício será candidato a governador, e Cid Gomes terá um nome entre os 23 partidos que compõem a sua base, inclusive o PT, que, já é sabido, lançará José Guimarães candidato a senador. Resta saber o que Lula dirá ao governador do Ceará, onde Dilma obteve seu maior percentual de votos em 2010 e, se não houver um acordo por ali, ela acabará perdendo terreno precioso.

Estreitou...
Nas rodas tucanas em Brasília, diz-se que a solução natural para o palanque estadual em São Paulo é Gilberto Kassab, do PSD, como candidato a vice na chapa de Geraldo Alckmin, e José Serra candidato ao Senado. Assim, restringe-se o espaço de Eduardo Campos na campanha do PSDB paulista.

...E estrilou
Só tem um probleminha: nas rodas da turma do governador Geraldo Alckmin em São Paulo, a visão dessa história é um pouco diferente: colocar Serra na vaga de candidato ao Senado, e Kassab, que é ligado a Serra, no papel de vice, é tirar espaço dos alckministas no futuro.

História & versões
A cúpula do PTB tem feito apelos à Mesa Diretora do Senado para retirar dos painéis históricos do Túnel do Tempo as referências ao impeachment do ex-presidente Fernando Collor, hoje um dos integrantes da bancada do partido na Casa. O local é passagem obrigatória de todos os senadores, uma vez que liga o plenário à ala das comissões.

Outro dia
Convidados a depor amanhã como testemunhas do processo contra André Vargas, o presidente do PT, Rui Falcão, o líder da bancada, Vicentinho, e o deputado Cândido Vaccarezza não pretendem comparecer ao Conselho de Ética da Câmara. Assessores petistas garantem que eles estarão à disposição do colegiado no período de esforço concentrado da Casa. Dizem esses assessores que comparecer amanhã, num dia espremido entre o jogo do Brasil e o feriado de Corpus Christi, seria apenas para o relator, Júlio Delgado (PSB), aparecer bem para os eleitores de Minas Gerais.

Filas intermináveis/ Quem foi comprar um lanche nos estádios em Salvador ontem ou em Brasília no domingo perdeu o início do segundo tempo. Esse padrão Fifa tem que mudar daqui pra frente.

Placa em desuso/ Na porta do complexo da Portuguesa, tem uma placa com um alerta de que é proibido entrar nas dependências do clube com uniformes de outros times. A exceção é quando há outra equipe jogando ali. No domingo, entretanto, a Gaviões da Fiel desfilou, e os petistas colocaram bandeiras do Corinthians para saudar o candidato a governador, Alexandre Padilha, corintiano de corpo e alma, lançado pré-candidato no ginásio da Lusa.

Pose para a foto/ O ainda pré-candidato a presidente da República pelo PSB, Eduardo Campos, assistirá ao jogo Brasil x México no Rio, na casa do deputado Romário (foto), o craque da Copa de 1994.

Enquanto isso, na Copa.../ O governador Cid Gomes (Pros-CE) não irá hoje ao estádio acompanhar jogo Brasil x México. Pretende ver pela tevê, em casa e tem até palpite para a partida: "Brasil 3 x 0 México". Tomara que esteja certo. Vamos, Brasiiiiillllllllll!

Painel - Bernardo Mello Franco (interino)

- Folha de S. Paulo

De novo o aborto
Apesar da mudança de ares inspirada pelo papa Francisco, a igreja católica deve voltar a levantar o tema do aborto na campanha presidencial. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) decidiu que não vai vetar o assunto ou orientar seus dirigentes regionais a evitá-lo na eleição. "Há temas mais importantes, mas o debate de valores é natural, e a vida é um deles. Se for necessário, a Igreja se pronunciará", avisa dom Raymundo Damasceno, presidente da entidade.

Do púlpito... A Regional Sul 2 da CNBB, no Paraná, já distribui cartilha orientando fiéis a votar em quem "defende a vida, desde a concepção até o seu fim natural" e em quem "defende a família, segundo o plano de Deus".

... ao palanque O documento vai além: "Se o candidato tiver um engajamento na Igreja Católica, é digno de mais confiança ainda".

Fantasma Voltou a circular um e-mail pregando boicote a Dilma por declarações antigas sobre o aborto. O texto é atribuído a dom Luiz Bergonzini, que morreu em 2012.

Larga ele No auge da crise com o PSB paulista, um grupo de sonháticos da Rede tentou convencer Marina Silva a abandonar a vice de Eduardo Campos e disputar o governo do Distrito Federal.

Deixa pra lá A ideia não prosperou. Até porque a ex-senadora mantém o domicílio eleitoral no Acre.

Ouça o titio Em jantar na casa de Andrea Matarazzo, na sexta passada, Fernando Henrique Cardoso orientou Aécio Neves a focar o discurso em segurança, saúde e transportes. Além, é claro, do risco de volta da inflação.

Pinto no lixo Aplaudido de pé na convenção do PSDB, o ex-presidente anda esfuziante com as homenagens do partido, que o escondeu nas últimas três eleições. "Ele está animadíssimo", conta um ex-ministro.

Bola e bolo FHC convidou amigos para assistir a Brasil x México pela TV. Vai aproveitar e comemorar os 83 anos, que completa amanhã.

Do alto Dilma vai sobrevoar as regiões do Paraná mais atingidas pelas chuvas, que já afetam mais de 700 mil.

Para lá Alckmin disse a tucanos que o apoio do PSD de Gilberto Kassab à sua campanha de reeleição, que já foi dado como certo, agora parece "difícil de se concretizar".

Para cá O ex-prefeito almoçou ontem com dirigentes do PT, a quem disse que sua situação segue indefinida. "É difícil entender o que ele quer", desabafa um petista.

Rolando Lero O longo discurso de Alexandre Padilha motivou queixas na convenção do partido, no último domingo. O ex-ministro falou por quase uma hora. Lula usou a metade do tempo.

Era ele mesmo? O senador Eduardo Suplicy, acredite, discursou por apenas 15 minutos. E sem citar seu programa Renda de Cidadania.

Magoou Vladimir Safatle, o filósofo que desistiu de concorrer ao governo paulista pelo PSOL, não apareceu no ato que lançou Gilberto Maringoni em seu lugar.

Vem comigo Na véspera de Brasil x Croácia, Alckmin perguntou ao presidente licenciado da UGT, Ricardo Patah, se ele tinha ingresso. "Ninguém lembrou de mim", murmurou o sindicalista. O choro foi recompensado com um bilhete para a área VIP.

Cacau vidente O governador Jaques Wagner (PT) presenteou Angela Merkel com barras de chocolate baiano. Depois, disse ter previsto o "chocolate" da Alemanha sobre Portugal na Copa.

Tiroteio
"Aécio tira o foco dos mais pobres ao propor o fim do limite de renda para o Bolsa Família. É uma forma de acabar com o programa."
DA MINISTRA TEREZA CAMPELLO (DESENVOLVIMENTO SOCIAL), sobre proposta de prorrogar a permanência no programa de quem superar a pobreza.

Contraponto
Marketing de oportunidade

Em palestra a empresários espanhóis no início do mês, o candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha, foi questionado sobre a menção a seu nome na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Depois de se defender, decidiu fazer piada com Geraldo Alckmin (PSDB), seu rival na eleição de outubro, e abordou a crise hídrica pela qual passa o Estado:

-- Quem achou que a menção ao meu nome na operação ia me desgastar deu com os burros n'água.

Percebendo a ocasião, prosseguiu:

-- Ou melhor, com os burros na seca do Cantareira!

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• CPMI pode convocar 250 para confundir apuração
Senadores e deputados ligados a empreiteiras enroladas nas investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, articulam a convocação de mais de 250 depoimentos na CPI Mista da Petrobras. O objetivo é arrastar o caso indefinidamente e manter o foco da CPMI longe dos donos de grandes construtoras, que investem pesado em uma “tropa de choque” que os livre do banco de depoimentos.

• Donos da caneta
A votação para convocar mais de 250 pessoas depende do presidente, Vital do Rêgo (PMDB-PB), e do relator da CPI, Marco Maia (PT-RS).

• O motivo da aflição
A “Lava Jato” ocorre sob a nova Lei Anticorrupção, que responsabiliza criminalmente os donos das empresas envolvidas em atos ilícitos.

• A peso de ouro
A ‘tropa de choque’ das empreiteiras na CPMI é formada de senadores e deputados governistas e de oposição, criminalistas e marqueteiros.

• A dona da bola
Só mesmo a Fifa para mudar o horário da eterna “Voz do Brasil” no rádio, enquanto o projeto para alterá-lo dorme no Congresso.

• 2014: Governo já arrecadou mais de R$ 1 trilhão
O total da receita arrecadada pelo governo Dilma até maio superou a marca de R$ 1 trilhão, segundo dados do Portal Transparência. Mais de 80% da receita é oriunda de operações de crédito, receita tributária e contribuições do Ministério da Fazenda. A Previdência Social coletou por volta de R$ 134 bilhões. Até o final do ano a previsão do governo é de arrecadar cerca de R$ 2,4 trilhões do bolso dos brasileiros.

• Bilhões por dia
Segundo o impostômetro da Associação comercial de São Paulo, o brasileiro pagou por dia cerca de R$ 4,4 bilhões em impostos em 2014.

• Boa ideia
Até o final do ano, a grana arrecadada com impostos e contribuições poderia comprar, com folga, os 50 menores países do mundo.

• Viés de baixa
Pelo nível da campanha e da queda das pesquisas, Dilma vai terminar disputando sua popularidade com o candidato PIBinho.

• Seguindo o dinheiro
Além de contas na Suíça, onde acumula depósitos superiores a US$ 23 milhões, e em Hong Kong, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa manteria contas milionárias também em bancos da Malásia.

• Acesso à informação
Os Correios vivem mau momento, mas seu presidente, vice-presidentes e conselheiros aumentaram os próprios salários em 4%, mas só publicaram os valores três meses depois. O presidente agora ganha R$ 44.502,64 mais R$ 4,2 mil por integrar o conselho.

• Ultimato
Eurípedes Jr, presidente do Pros, confirmou a convenção nacional no dia 24, data limite para o governador Cid Gomes (CE) pedir a Dilma a demissão do ministro Francisco Teixeira (Integração), seu indicado.

• Senado ‘hackeado’
O Senado confirmou que um ataque de hackers, ontem, prejudicou o acesso de usuários “legítimos” à internet. Como trabalho é coisa rara por lá, durante “recesso branco”, o prejuízo foi mínimo.

• Inconfidências
Membros do comitê organizador da Copa ouviram inconfidências do presidente da Fifa, Joseph Blatter, sobre a alta rejeição a Dilma. Ele se confessou impressionado com o nervosismo dela na abertura da Copa.

• Tríplice coroa
Romário (PSB-RJ) aposta que será de Neymar um feito inédito: artilharia, o título de melhor da Copa e será considerado o melhor do mundo. O ex-craque, hoje deputado, só conseguiu dois desses títulos.

• Fim do mundo
Só uma cidade não vê a Copa pela TV, na Nigéria: o governo proibiu a transmissão em Adamawa, reduto do grupo terrorista Boko Haram, que sequestrou centenas de meninas e ameaça com atentado.

• Basta
O deputado Darcísio Perondi (RS) avalia que altos índices de rejeição da presidenta Dilma dentro do PMDB é um reflexo da insatisfação do povo, “que não aguenta mais escândalos e a péssima gestão do PT”.

• Pensando bem…
…Dilma daria tudo para ser Angela Merkel por um dia. Ontem, a chefe de governo alemã não foi vaiada (nem xingada) no jogo Alemanha 4 x 0 Portugal, em Salvador.

Panorama político - Ilimar Franco

- O Globo


O mercado da bola

Ingressos distribuídos pela Fifa a operários dos estádios podem ser encontrados à venda na internet, prática proibida pela entidade e pelos consórcios responsáveis pelas obras. Um operário de Brazlândia, cidade próxima a Brasília, oferecia ontem ingresso por R$ 1,5 mil, à vista, para o jogo Brasil x Camarões, no Mané Garrincha. Ganhou quatro e já tinha repassado três ingressos por R$ 4,5 mil.

Dinheiro fácil
A prática da venda de cortesias se repete em várias cidades-sede, motivada pelo ganho de dinheiro fácil e pela dificuldade do público em geral de ter acesso aos ingressos. Só no Distrito Federal, foram distribuídos aos operários que atuaram na reforma do estádio 8,2 mil tickets. Ontem, em Salvador, seis pessoas foram detidas por venderem entradas desse tipo no entorno da Fonte Nova. Ao saber da revenda, o Consórcio Brasília 2014, responsável pela obra do Mané Garrincha, disse que os operários foram informados, no momento da distribuição dos convites, que a venda era proibida por lei.

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“Está tendo Copa e não está tendo Câmara. O recesso branco não ajuda em nada. Sessões deliberativas só em julho, um absurdo. Assim não vamos longe na Copa da credibilidade”.
Chico Alencar
Deputado federal (PSOL-RJ)
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Padrão Fifa
Virou regra no aeroporto Santos Dumont os viajantes tirarem os sapatos para passar pelo pórtico do raio-X. Funcionária da Infraero explicou a um passageiro que os detectores foram regulados para o “padrão Fifa” de revista.

Táxi bandalha
Turistas chilenos que viajavam de Brasília para o Rio consultaram os cariocas a bordo sobre o preço da corrida de táxi do aeroporto Santos Dumont até a Zona Sul. Precavidos, queriam evitar cobrança indevida e passeios injustificados.

Tensão em Natal
Sem legenda para disputar a reeleição, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) pode deixar o partido. Ela e o presidente do DEM, senador Agripino Maia, se estranharam no fim de semana, quando ele decidiu que os democratas apoiarão Henrique Alves (PMDB) ao governo. “Rosalba era inelegível e não tinha aliança com ninguém", resumiu Maia.

Liga pra mim, não liga pra ele
O PT do Ceará apoiará José Guimarães ao Senado, mas vai rachado na eleição ao governo. Petistas de Fortaleza farão campanha para Eunício Oliveira (PMDB), assim como Lula. O governador Cid Gomes (PROS) pediu reunião com o ex-presidente porque não gostou da atenção dada ao adversário. Lula não respondeu.

O mundo é um moinho
Eduardo Campos, Marina Silva e o pré-candidato do PROS ao governo do Rio, Miro Teixeira, irão amanhã ao Centro Cultural Cartola para debater o combate à discriminação e tentar alavancar a candidatura do ex-pedetista no estado.

Agora vai
A CPMI da Petrobras fará sessão administrativa para aprovar todos os requerimentos pendentes de quebra de sigilos bancário e fiscal e de depoimentos. Quer mostrar que não parou, apesar do recesso branco no Congresso.

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Paulo Okamotto foi reconduzido presidente do Instituto Lula, para mandato de 2014 a 2017.

Zeca Pagodinho - Camarão que dorme a onda leva

Carlos Drummond de Andrade: A Seleção

Vai Rildo, não Amarildo?
Vão Pelé e, que bom Mané,
O menino gaúcho Alcino
e nosso veterano Dino,
Altair, rima de Odair,
ecoando na ponta: Ivair,
e na quadra do gol: Valdir.
Fábio, o que não poder faltar,
e também não pode Gilmar.
como, entre os santos dos santos,
o patriarca Djalma Santos,
sem esquecer o Djalma Dias
e entre mil e uma noites, Dias.
Mas se a Comissão não se zanga,
quero ver, em Everton, Manga.
É canhoto, e daí? Fefeu,
quando chuta, nunca perdeu.
A chance que lhe foi roubada,
desta vez a tenha Parada.
Paraná, invicto guerreiro
para guerrear como aqui, lá.
Olhando pro chão, Jairzinho
e como joga legalzinho.
Não abro mão de Nado e Zito,
nem fique o Brito por não-dito.
Ditão, é claro, por que não?
E o mineiríssimo Tostão,
O grande Silva, corintiana
glória e mais o áspero Fontana,
Dudu, Edu... e vou juntando
bons nomes ao nome de Orlando,
para chegar até Bellini
em cujas mãos ataca tine.
Célio, Servílio: suaves eles
já completados por Fidelis.
Edson, Denílson, Murilo,
cada um com seu próprio estilo.
Um lugar para Paulo Henrique
enquanto digo a Flávio: fique!
Com Paulo Borges bem na ponta
Eu conto, e sei que você conta.
Na lateral, Carlos Alberto
estou certo que vai dar certo.
Acham tampinha Ubirajara?
Valor não se mede por vara.
Até parece de encomenda:
Leônidas, nome que é legenda.
E se Gérson do Botafogo
Entra em campo, ganha jogo.
Não podia esquecer o Lima
e o seu chute de muita estima.
Com tudo isso e mais Rinaldo
e o canarinho de Ziraldo,
quarenta e seis, se conto bem
- um time igual eu nunca vi
em Europa, França e Belém -
que barbada seria o Tri,
hein.