quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Desatinos em série - Tereza Cruvinel

Dois assuntos conexos e danosos ao exercício da política, logo à própria democracia, caminham para o desfecho no Congresso, na ausência de exame e debate mais acurados sobre suas consequências: a tal minirreforma eleitoral e o chamado orçamento impositivo. Por enganosas, as duas propostas merecem ressalvas no próprio nome. A combinação entre essas duas iniciativas não deixa dúvidas sobre o que virá. Com as campanhas cada vez mais caras, e os parlamentares transformados em donos de “fatias do orçamento”, a corrupção aumentará na esfera da política.

Na semana passada, em entrevista ao jornal O Globo, o diretor de combate ao crime organizado da Polícia Federal, Oslain Santana, afirmou que mais da metade dos escândalos de corrupção investigados estão relacionados com o financiamento de campanhas. E onde tem doações de campanha, existem conexões com o orçamento federal. A Câmara aprovou anteontem, dependendo de confirmação de algumas mudanças pelo Senado, o projeto enganador da minirreforma eleitoral, que não mexe nas feridas do sistema eleitoral. Pelo contrário, fortalece a política movida a dinheiro, que impede a renovação e favorece o “status quo”. Ninguém sabe se poderá valer em 2014, pois foi aprovada a menos de um ano do pleito, mas isso não muda o fato de que se trata de uma farsa da reforma política necessária, sem a qual não haverá jamais a “nova política” pregada pela ex-senadora Marina Silva e desejada pelas legiões de frustrados com a política.

A eleição de 2002 teve um custo global de R$ 800 milhões, que saltou para R$ 4,8 bilhões em 2010. Nesse ritmo, diz o deputado Henrique Fontana (PT-RS), a de 2014 poderá chegar aos R$ 8 bilhões. “Essa corrida do ouro é que estamos estimulando com este projeto que proíbe peças acessórias de campanha, mas não limita os gastos dos candidatos nem as doações dos financiadores”, lamenta o relator da finada reforma política. “Veja que coisa. Essa reforma proíbe que eu pendure uma faixa com meu nome, que custará R$ 10, na frente da minha própria casa. Mas poderei contratar cabos eleitorais, pagando o que quiser”, diz o deputado Garotinho (PR-RJ). Mas esse jogo está feito. O Senado referendará a proposta e veremos se a presidente vai sancioná-la sem reparos. E, depois, o TSE decidirá sobre a vigência, se em 2014 ou em 2016. A reforma farsesca prova a incapacidade dos congressistas de mudar as regras do jogo que jogam, recomendando ao vencedor da disputa presidencial, seja quem for, que destine um pouco da força inicial do mandato à reforma política.

Capitanias orçamentárias
O chamado orçamento impositivo não merece esse nome fantasia porque obriga o Executivo a executar apenas as emendas parlamentares. E nem são todas, apenas as individuais, lembra o líder do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, pois existem as emendas de bancadas estaduais, que supostamente expressam melhor as necessidades regionais, e as de comissões, que deveriam representar o compromisso com projetos setoriais estratégicos. As individuais é que farão de cada parlamentar um donatário de capitanias orçamentárias, como aqueles fidalgos portugueses que ganharam pedaços do Brasil para explorar.
Pouquíssimos congressistas ousam falar contra o que está sendo apontado como uma grande conquista, a alforria dos parlamentares em relação a um Executivo que usa as emendas como moeda de troca na busca de apoio, o que tem estigmatizado negativamente os dois lados do balcão. Essa doença existe, mas o remédio está errado.

No Senado, o vice-presidente Jorge Viana (PT-AC) também é visto como herético pela maioria de seus pares, porque vem apontando os perigos da iniciativa. “Ela fará cada deputado responsável pela execução de pelo menos R$ 50 milhões ao longo do mandato. O senador, em seu mandato de oito anos, por R$ 100 milhões. O resultado será obviamente uma combinação entre emendas, corrupção e financiamento de campanhas. Quantos escândalos serão necessários para admitirmos que isso é um erro? No fundo, estaremos legalizando as ações que, no passado, levaram à cassação os anões do orçamento”, diz Viana.

Outro dos poucos críticos da bandeira do baixo clero, o senador Humberto Costa (PT-PE), como relator, propôs a destinação de pelo menos 50% dos recursos do valor global das emendas para ações na área de saúde. “Isso é bom, mas o escândalo dos sanguessugas e tantos outros ocorreram na área da saúde”, lembra Nunes Ferreira. O Executivo barganha liberações por apoios, mas a solução, para o líder tucano, é criar regras mais rígidas para a execução orçamentária. “Se aprovarmos a Lei de Responsabilidade Orçamentária, do ex-senador Tasso Jereissati, relatada pelo senador Francisco Dornelles, teremos uma nova disciplina, que porá freio na barganha e nos livrará dos riscos desse orçamento parcialmente impositivo”, diz ele.

Afora o risco de corrupção e aumento da desmoralização da política, a mudança terá consequências operacionais irracionais. O governo será obrigado a montar uma grande estrutura só para executar as emendas parlamentares. Se cada deputado, com sua verba de R$ 15 milhões, apresentar 25 emendas, serão 15 mil ações. O Executivo terá de liberar recursos para cada uma, o que exige convênios e outros procedimentos. A Comissão Mista de Orçamento, por sua vez, terá de acompanhar a execução de cada uma. Toda sua estrutura e uma enorme energia política, criadas para garantir a prerrogativa do Parlamento, de aprovar a LDO e a lei orçamentária anual, podendo emendá-la ou modificá-la, será consumida nesse varejão. Ainda é tempo para alguma reflexão sobre o assunto.

O Congresso caminha para a aprovação de duas iniciativas que, combinadas, ampliam os riscos de corrupção e de desmoralização da política

Fonte: Correio Braziliense

Panorama Político - Ilimar Franco

Os analistas da aliança
O vice Michel Temer e os senadores Jader Barbalho e Eduardo Braga criticaram, para a presidente Dilma, a postura do PT. Alegaram que os dois partidos são aliados nacionais, mas que os petistas a rejeitam nos estados. O alvo era a sucessão no Rio, onde o PMDB quer se manter no poder e sofre contestação do PT. O coordenador da reeleição, ministro Aloizio Mercadante, fez cara de paisagem.

O desencanto
Uma das maiores preocupações do Planalto e dos que estão planejando a campanha pela reeleição da presidente Dilma é a deterioração das relações com o empresariado brasileiro. Os donos do PIB não querem muita conversa com Dilma e o PT para 2014. Muitos deles estão migrando para a campanha neo-oposicionista do governador Eduardo Campos (PSB). Segundo ministros, que estão trabalhando por uma reaproximação, os empresários alegam que foram muito maltratados pelo atual governo e que não há mais nenhuma medida econômica compensatória que os faça repensar o apoio. O PMDB aumentou seu cacife por ter cinco políticos que representam o PIB.

0 PMDB e o poder econômico
O Planalto conta com cinco filiados ao PMDB para reverter este quadro: Kátia Abreu, presidente da CNA; Clésio Andrade, presidente da CNT; Paulo Skaf, presidente da Fiesp; losué Gomes da Silva, da Coteminas; e, José Batista Jr, da Friboi.

"A Marina e o Aécio perderam. Uma deixou de ser candidata. Outro deixou de receber apoio. A presidente Dilma e o governador Eduardo Campos ganharam"
Gilberto Kassab
Presidente do PSD

Bênção do Planalto
A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), o PT e o Planalto estimulam o senador Roberto Requião (PMDB), na foto, a concorrer ao governo do Paraná. Os petistas avaliam que, se a disputa ficar polarizada entre Gleisi e o governador, Beto Richa (PSDB), são grandes as possibilidades de a disputa ser resolvida no primeiro turno.

Rendição às luzes da ribalta
O Congresso está se rendendo ao Executivo. Depois de passar pela Câmara, o Senado está a caminho de aprovar o fim do voto secreto. Os que não são neófitos avaliam que o Congresso nunca mais dirá não ao apetite do inquilino do Planalto.

Com a palavra, Roberto Freire
O presidente do PPS afirma que "um setor minoritário é favorável à candidatura própria" ao Planalto. Explicou que não há definição sobre o apoio a Aécio Neves (PSDB) ou Eduardo Campos (PSB). Só está definido que será da oposição. Ele dá o rumo: "É possível criar um polo alternativo que viabilize um governo de centro-esquerda, como foi o do ex-presidente Itamar Franco"

Mal na fita
Irritação no Congresso com o ministro Alexandre Padilha (Saúde). Para aprovar a MP do Mais Médicos, ele empenhou a palavra de que seria criado um plano de carreira dos médicos. Ontem, ao vetar, a presidente Dilma o desautorizou.

No sal
O senador Gim Argello continua vendendo o que não tem para entregar. Mas o PT, do governador Agnelo Queiroz (DF), não o quer na chapa concorrendo ao Senado. O PTB nacional tem pesquisas em que ele aparece em sétimo lugar.

O PRESIDENTE DO PROS, Eurípedes Júnior, será recebido hoje pela presidente Dilma. Criado para apoiar o governo, o PROS tem pressa em se integrar à base.

Fonte: O Globo

Painel - Vera Magalhães

Temporada festiva
Após a cerimônia de sanção do Mais Médicos, o Planalto prepara um superevento para comemorar os dez anos do Bolsa Família, com Dilma Rousseff e Lula. A festa está prevista para o dia 30, em Brasília. O projeto de transferência de renda também é destaque no programa de TV do PT que vai ao ar hoje. A propaganda é voltada para a base social petista, com a participação de pessoas comuns. Além da presidente e do antecessor, governadores do partido também aparecem.

No trilho Dilma viaja amanhã a São Paulo para anunciar investimentos de R$ 5,4 bilhões do governo federal para obras em três linhas e 20 estações de trem e metrô. Em julho, a presidente criticou o avanço da malha de transporte sobre trilhos do Estado, governado pelo PSDB.

Partida Bernardo Figueiredo deve deixar o comando da Empresa de Planejamento e Logística até o fim do mês. Ele era um dos conselheiros mais próximos de Dilma, mas se desgastou com o resultado ruim dos leilões de rodovias e atritos com ministros.

DNA 1 Preocupados com a saída de petistas na reforma ministerial, emissários do Planalto já procuram um representante "de raiz" da sigla para ocupar uma das cadeiras que ficarão vagas na Esplanada antes das eleições.

DNA 2 A ideia é indicar alguém afinado com a cúpula partidária, já que ministros como Aloizio Mercadante (Educação) e José Eduardo Cardozo (Justiça) não são considerados da cota petista. Um dos nomes em estudo é Ricardo Berzoini (SP), que foi ministro no governo Lula.

Casamento aberto Dirigentes da Rede discutem a possibilidade de manter a neutralidade ou até mesmo apoiar adversários de candidatos apoiados pelo PSB nos Estados em que não houver consenso entre os grupos de Marina Silva e Eduardo Campos nas eleições de 2014.

Gêmeas Provável adversário de Dilma, Aécio Neves (PSDB) provoca, acerca das idas frequentes da petista a Minas Gerais, sua base: "A candidata Dilma poderia aproveitar essas visitas e dar uma carona à presidente Dilma, para que as questões fundamentais do Estado sejam enfrentadas com seriedade".

Fora... O TCM (Tribunal de Contas do Município) julgou irregular a execução de um contrato de prestação de serviços de ônibus na zona leste de São Paulo em 2009 e 2010. Segundo o tribunal, o Consórcio Leste 4 deu destinação "fraudulenta" ao dinheiro pago pela Prefeitura.

... da planilha O tribunal relata que trólebus comprados para operação no município "teriam sido adquiridos por valor superior àqueles praticados pelo mercado".

Outro lado O advogado do consórcio, Paulo Iasz de Morais, diz que vai recorrer e afirma que as conclusões do TCM "contrariam os fatos".

Tudo junto A gestão Fernando Haddad (PT) articula a criação de um bloco governista de nove vereadores na Câmara Municipal, com Pros, PP, PRB, PHS e PC do B. Seria a segunda bancada da Casa, empatada com o PSDB.

Mundo cão Convidadas da CPI da Violência contra a Mulher da Assembleia de São Paulo ficaram irritadas com o cancelamento de um sessão ontem. O presidente da comissão, Fernando Capez (PSDB), foi visitar beagles resgatados do Instituto Royal.

Divisão celular Luciana Genro organiza ato hoje no Rio para angariar apoio do PSOL a sua pré-candidatura à Presidência em 2014. Ela busca sustentação da ala "independente" da sigla para disputar a indicação com o senador Randolfe Rodrigues.

Tiroteio

"O criador da 'Martaxa' busca o autoflagelo: vai ganhar o apelido de 'Fernando Hataxa', devido ao aumento abusivo do IPTU."

DO DEPUTADO ESTADUAL ORLANDO MORANDO (PSDB-SP), sobre o apelido dado a Marta Suplicy (PT) quando Fernando Haddad trabalhou em sua gestão.

Contraponto

Torcida à mineira

No dia seguinte à vitória do Cruzeiro sobre o Fluminense por 1 a 0, na semana passada, os ministros Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Antônio Andrade (Agricultura) trocavam impressões sobre o jogo:

--Foi disputado, não? --perguntou Pimentel.

--Muito... --respondeu Toninho.

O diálogo seguiu cheio de melindres até que os dois mineiros, que se conhecem há anos, descobriram que ambos eram torcedores do Cruzeiro, líder do Campeonato Brasileiro. A conversa provocou risadas de Dilma Rousseff, torcedora do Atlético-MG, a quem Toninho contou a história.

Fonte: Folha de S. Paulo

Brasília-DF - Denise Rothenburg

Morde & assopra
Enquanto o PT irrita o PMDB ao mirar o governo dos estados mais populosos e as vagas ao Senado de outras praças, a presidente Dilma Rousseff tenta obter apoios no sentido de manter o partido sob controle. Esse, aliás, foi o principal objetivo do jantar com o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) com o líder do governo Eduardo Braga, esta semana. Toda a conversa sobre a criação de coordenadorias regionais entre PT e PMDB e Amazônia Legal traz embutida o desejo de Dilma e do vice-presidente Michel Temer de sufocar qualquer tentativa de antecipar a convenção do partido de junho para março do ano que vem.

Sabe como é, embora muitos tenham reservas em relação a Jader, ele é bastente influente no PMDB e é visto no Planalto como alguém que pode ajudar muito a contornar a rebeldia peemedebista que reina em sete estados.

Primeiro, o bastidor
Michel Temer chegou a marcar um jantar ampliado com figuras importantes do PMDB para discutir a conjuntura que leva à pré-convenção de março. No final da tarde, cancelou. Antes, quer ver se consegue fazer refluir alguns estados que hoje tendem a apoiar aquela que já vem sendo chamada de “a convenção da independência”.

Reserva
Há quem diga que o governador do Ceará, Cid Gomes, planeja deixar o irmão Ciro na pole- position para assumir a vaga de vice na chapa de Dilma, na hipótese de o PMDB naufragar. Obviamente, hoje nada indica que Temer ficará fora desse posto, mas, como se diz por aí, “ vai que...”.

Holofotes
A presidente ordenou a todos os seus ministros que não deixem de ir ao Congresso quando convocados para dar explicações. Em relação ao leilão de Libra, por exemplo, ela quer o governo por lá passando a sua versão de sucesso. O senador Aécio Neves, pré-candidato a presidente da República pelo PSDB, aplaude. Assim, terá mais espaço para expor a sua visão do fracasso do leilão.

Pais & filhos
Luís Eduardo Magalhães Filho, o “Duquinha” do ex-deputado Luis Eduardo e dona Michele, segue a vida empresarial do tio ACM Júnior e acaba de fechar um grande negócio para construir um luxuoso resort na Praia do Forte. Duquinha é primo-irmão do prefeito de Salvador e, desde cedo, revelou os trejeitos de Luís Eduardo na carreira política.

Celeiro/ Cientes de que ninguém sai bem numa campanha presidencial se não tiver alguma base em São Paulo, o senador Aécio Neves, do PSDB de Minas Gerais, e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, não saem do terreno paulista. A próxima parada de Aécio por lá é o encontro de prefeitos no fim de semana. A de Eduardo será simultânea, com o empresário Sílvio Santos.

Puf, puf!/ Sob um calor de 40 graus à sombra no Piauí, o governador Wilson Martins levou o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para caminharem em Teresina. O ex-senador Heráclito Fortes , sempre bem-humorado e desacostumado a passeios na hora do sol escaldante, saiu com esta: “Esse socialismo tem limite!”

Por falar em.../... Eduardo Campos. A presidente Dilma, até julho, só chamava o governador pernambucano de “o galeguinho”. Desde agosto, acrescenta “traidor #@%*” a cada referência que faz a ele.

Cada evento.../... em seu lugar. O ex-senador e ex-governador Paulo Octávio passou a vida defendendo a transferência das agências reguladoras para Brasília. “O governo tinha de ter feito o leilão de Libra aqui. A ANP tem um escritório na cidade, o Ministério de Minas e Energia é aqui. Assim, não teríamos aquelas imagens na cidade mais conhecida do Brasil, e uma das que mais recebem turistas”, diz ele. Faz sentido.

Fonte: Correio Braziliense

Política – Claudio Humberto

• Bolsa-Família é ‘dinheiro na veia’ dos eleitores
Chamado pelo senador independente Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) de “o maior programa de compra de votos de todos os tempos”, o Bolsa-Família já distribuiu só no governo Dilma, em 2 anos e 10 meses, R$ 53,9 bilhões aos beneficiados. São transferidos R$ 1,5 bilhão por mês, em média, a eleitores pobres no País, sendo a metade do total no Nordeste, onde Dilma registra elevados índices de intenção de voto.

• Critério político?
A Bahia não é o Estado mais populoso, mas tem 10,1 milhões de eleitores e é governado pelo PT. Recebeu a maior fatia: R$ 6,9 bilhões.

• Os não-baianos
Estados com população bem maior, como São Paulo, Minas, Pará, Pernambuco e Ceará recebem metade da bolada destinada à Bahia.

• Perdeu, Chalita
PMDB deve antecipar a mudança do seu comando em São Paulo. O deputado Gabriel Chalita sequer aparece nas reuniões do partido.

• Cargos, cargos
O presidente do Pros, Eurípedes Jr, sentou praça em Brasília, esta semana, barganhando cargos no governo e na Câmara dos Deputados.

• Ministro quer importar pele sintética para testes
O ministro Marco Antônio Raupp (Ciência e Tecnologia) pediu apoio da Frente Parlamentar em Defesa dos Animais para derrubar lei que proíbe a importação de produtos com origem humana, como a pele sintética, que poderia ser usada como método alternativo para teste de cosméticos. Segundo o presidente da frente, Ricardo Izar, em troca, o ministro baixaria portaria impedindo uso de animais nessas pesquisas.

• Primeiro passo
O ministro Raupp disse aos deputados que é preciso adequar a lei para dar condições às empresas de fazer testes alternativos.

• Países não querem
De acordo com Ricardo Izar, apenas 5% das empresas cosméticas usam animais, o que dificulta as demais de exportar seus produtos.

• Contando trocados
Com a grana curta, a Advocacia-Geral da União cortou em aluguel de carros. Advogados dizem usar o próprio carro para ir às audiências.

• Súplica tardia
Terça (22), no Senado, Aécio Neves (PSDB-MG) abraçou Pedro Simon (PMDB-RS) e disse, em tom de súplica: “Não me abandone!” Referia-se aos arreganhos de Simon em direção a Eduardo Campos e Marina Silva, do PSB. Pelo sorriso maroto do gaúcho, o mineiro chegou tarde.

• Boi dormindo
Termina no dia 1º o prazo (já estendido) da comissão de sindicância do Itamaraty que investiga abuso moral e sexual contra o ex-cônsul-geral em Sidney (Austrália), Américo Fontenelle, e o adjunto, Cesar Cidade.

• Seria barbada
Presidente do Tribunal de Justiça capixaba, admirado pela coragem e honradez, desembargador Pedro Valls Feu Rosa tem sido pressionado a estrear na política disputando vaga no Senado pelo Espírito Santo.

• Mais igual
A blogueira cubana Yoani Sánchez não pediu, mas também gostaria do mesmo pedido de desculpas de Dilma ao médico cubano hostilizado no Brasil. Até de “rola bosta” Yoani foi chamada no Blog da Dilma.

• Restrições
A diretora de Políticas Públicas do Facebook, Katie Harbath, disse ao líder do PR, Anthony Garotinho (RJ), que teme que a aprovação do Marco Civil da Internet dificulte e até limite o poder das redes sociais.

• Mexeu com ele
O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, tirou o telefone da mão da mulher, Rita, dias atrás, para dar um fora num deputado estadual que a convidou a ser candidata. Ele mesmo diz que não quer concorrer a nada. Então, tá.

• Tudo em família
Aécio Neves ganhou mais um cabo eleitoral de peso no DF: o ex-deputado Bispo Rodovalho (PP-DF). O filho dele, Samuel, está casado com a irmã de Letícia, mulher do presidenciável tucano.

• Oligarca, não
Sindicalistas do PT não aceitam apoiar Armando Monteiro (PTB) para o governo de Pernambuco. Preferem candidatura própria a passar a vergonha de apoiar o representante das “oligarquias pernambucanas”.

• Pensando bem…
…deveria entrar para “O livro Não Autorizado da Jabuticaba Brasileira” a votação no Congresso sobre biografias não autorizadas.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

A política de fardão - Rogério Gentile

A chacoalhada que a aliança entre Marina Silva e Eduardo Campos deu na política brasileira produziu efeitos diversos sobre os dois principais partidos.

O PT de Dilma, favorito na sucessão presidencial, ainda que alguns degraus abaixo do que estava no início do ano, calibrou seu discurso, acelerou a montagem do seu arco de alianças para 2014, intensificou contato com o empresariado e iniciou um movimento para tentar isolar o PSB nos Estados. Fez política, sempre com Lula no centro das articulações.

Já o PSDB de Aécio, o grande ameaçado nessa história toda, que corre o risco de nem ir para o segundo turno, aprofundou-se em seu imobilismo e na sua incapacidade de produzir fatos ou novas ideias. Atado aos interesses dos candidatos tucanos nos Estados e às disputas internas no partido, o ex-governador parece mesmo acreditar que Presidência é destino, como costuma dizer. Se é destino, então basta esperar.

E olha que foi FHC o primeiro a prever o atual cenário. Em abril de 2011, escreveu um artigo ("O papel da oposição") no qual dizia "que a fagulha de uma insatisfação poderia produzir um curto-circuito" no país e que a "oposição precisaria estar preparada" para esse momento, precisaria "ter o que dizer".

Pois a tal fagulha surgiu em junho, desencadeando os protestos que levaram multidões às ruas e derrubaram a popularidade dos governantes. Dilma, que tinha 58% das intenções de voto no Datafolha de março, numa pesquisa com mais três candidatos (Marina, Aécio e Campos), hoje tem 39%, em um cenário com mais dois nomes (Marina e Aécio).

Enquanto Marina e Campos tentam nitidamente se aproveitar do curto-circuito, investindo no mito da "nova política", Aécio e o próprio FHC parecem ter se esquecido do artigo. A única mensagem que o PSDB transmitiu à sociedade depois de junho é a de que político tucano fica muito bem com o fardão da Academia Brasileira de Letras.

Fonte: Folha de S. Paulo

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Centenário de Giocondo Dias - Convite

Caros (as) amigos(as)
“A família, amigos, companheiros e admiradores de Giocondo Dias, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro no período 1982-1987, se encontrarão no dia 18/11/2013, a partir das 13hs, na Churrascaria Gaúcha, à Rua das Laranjeiras 114, Rio de Janeiro, RJ, para um almoço comemorativo do centésimo aniversário de seu nascimento.”
Abrs.
Sergio Moraes

Nome: Giocondo Gerbase Alves Dias
Data de nascimento: 18 de novembro de 1913
Local de nascimento: Salvador/BA

Em 1920, como mais velho de 5 irmãos, perde o pai. Começa a trabalhar em 1925 no comércio da cidade para ajudar no sustento da família.

Pouco depois entra em contato com Alberto Passos, poeta, membro do PCB e candidato a deputado federal pelo Bloco Operário
Camponês. Através desse contato passa a vender o jornal legal e diário “A Nação”, publicado no Rio de Janeiro, e adere as idéias marxistas.

Desempregado em conseqüência de profunda recessão que atingiu o país no bojo da crise de 1929, alista-se como voluntário no Recife, engajando-se no 21o. Batalhão de Caçadores, em março de 1932. Em seguida, participa das tropas legais que enfrentaram a
“Revolução Constitucionalista” de julho, em São Paulo.

Com o término desta, é deslocado, juntamente com seu batalhão, para o Rio de Janeiro, depois para o Mato Grosso, em seguida volta para Recife. Vai para o Amazonas, fronteira com a Colômbia, algum tempo depois é mandado para Natal. Nesta cidade em 1935, é convidado para participar da Aliança Nacional Libertadora, passando a recrutar cabos e sargentos para o movimento.

Nessa época entra para o Partido Comunista Brasileiro, e quem dirigia o trabalho do Partido no Batalhão era Quintino Clementino de Barros, único dirigente que tinha contato com a direção nacional.

Em julho de 35, a ANL é colocada na ilegalidade pelo Governo Vargas, com base na Lei de Segurança Nacional. No levante de novembro, Giocondo foi ferido, e com o fracasso do movimento foi preso, fugiu, foi ferido e novamente é preso.

Foi solto em julho de 37 com a “macedada” (medida tomada pelo Ministro J. C. Macedo Soares), juntamente com outros presos políticos acusados de envolvimento no levante de 35.

Libertado da prisão, é condenado à revelia pelo Tribunal de Segurança a 8 anos e seis meses de reclusão. Clandestino, alista como voluntário para combater ao lado das forças republicanas contra o fascismo na Guerra Civil Espanhola. Pôr motivos de saúde é impedido de viajar.

Participa da reorganização do PCB e do movimento patriótico de apoio à Força Expedicionária Brasileira. Anistiado, é eleito para compor o Comitê do PCB na Bahia.

Em1946 elege-se deputado à Assembléia Constituinte baiana e membro do Comitê Central do Partido. Com a cassação do registro do PCB e a perda de seu mandato parlamentar, sai de Salvador e fixa residência na cidade do Rio de Janeiro.

De 1949 a 1957 - entre outras atividades - torna-se responsável pela segurança pessoal do então Secretário Geral do Partido Comunista Brasileiro, Luiz Carlos Prestes.

Em1957 é eleito para compor o Secretariado e a Comissão Executiva do CC do PCB. Em 1958 participa do movimento renovador que dá origem à “Declaração de Março”, documento decisivo na reversão das tendências dogmáticas e mecanicistas reveladas no “Manifesto de
Agosto” e nas resoluções do IV Congresso.

Com a eclosão do golpe de 1964, vai para a clandestinidade é condenado - novamente à revelia - a 7 anos de prisão pela 1a. Auditoria Militar de São Paulo, no famoso processo das “cadernetas de Prestes”.

Com a dura repressão imposta pela ditadura aos comunistas, é chamado em 1976 a compor o C/C do PCB no exterior, fato que ocorre pela primeira vez na história do Partido.

Anistiado, retorna ao país em 1979. Nesse período as divergências no interior do Partido se aprofundam e Prestes, em minoria na direção, defendendo uma frente de esquerda e contra a luta pela legalidade, afastou-se do PCB.

Em maio de 1980, no auge das divergências, a direção nacional elegeu Giocondo, Secretário Geral, depois de declarar vago o cargo.

Giocondo Dias faleceu em 07 de setembro de 1987, aos 73, como Presidente de Honra do PCB.

Fonte: Documentos IFCS/UFRJ

Simone e Daniel Gonzaga - Começaria

Sevilha em Casa - João Cabral de Melo Neto

Tenho Sevilha em minha casa.
Não sou eu que está chez Sevilha.
É Sevilha em mim, minha sala.
Sevilha e tudo o que ela afia.

Sevilha veio a Pernambuco
porque Aloísio lhe dizia
que o Capibaribe e o Guadalquivir
são de uma só maçonaria.

Eis que agora Sevilha cobra
onde a irmandade que haveria:
faço vir as pressas ao Porto
Sevilhana além de Sevilha.

Sevilhana que além do Atlântico
vivia o trópico na sombra
fugindo os sóis Copacabana
traz grossas cortinas de lona

(Sevilha Andando, 1987/1993)


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

OPINIÃO DO DIA – Eduardo Giannetti: elite

"A elite empresarial está no bolso do governo."

Eduardo Giannetti da Fonseca, Folha de S. Paulo, 21 de outubro de 2013.

Dilma amplia viagens a MG e força Aécio a 'blindar' reduto

Petista faz 6ª visita ao Estado em 3 meses; tucano prepara maratona no interior

Série de eventos da presidente antecipa disputa entre PT e PSDB no segundo maior colégio eleitoral do país

Paulo Peixoto

BELO HORIZONTE - A presidente Dilma Rousseff fará hoje sua sexta visita oficial a cidades de Minas Gerais em menos de três meses.

A presença da petista no Estado que é o principal reduto de Aécio Neves (PSDB), um de seus potenciais rivais na eleição de 2014, foi intensificada após os protestos de junho. Antes das manifestações, ela visitava, em média, uma cidade mineira a cada dois meses.

Do início de agosto, quando esteve em Varginha, até hoje, quando desembarca em Belo Horizonte, seu ritmo de eventos em Minas tem sido de uma viagem a cada 13 dias, superior ao do senador tucano, ex-governador (2003-2010).

Até agora, Aécio vinha se limitando a rebater as entrevistas e discursos de Dilma sob o argumento de que ela "abandonou o Estado". Isso porque, embora tenha nascido em Belo Horizonte, a presidente não teria "laços políticos" com Minas.

Diante da investida do Planalto em sua área de influência, o senador mudou a tática e programou maratona de eventos no interior mineiro.

Na segunda-feira, em Uberlândia, iniciará os encontros regionais denominados "Conversa com os Mineiros", nos quais pretende reunir líderes políticos da região e pedir empenho e união dos aliados.

Outras duas "conversas" estão marcados para este ano: Poços de Caldas, no sul, e Montes Claros, no norte.

Pesquisa de intenção de voto para 2014 do MDA Pesquisa, divulgada pelo jornal "Estado de Minas" na semana passada, apontou Aécio com 46,6% no Estado, contra 34,4% de Dilma e 6,6% de Eduardo Campos (PSB).

No cenário com Marina Silva (PSB), o tucano cai para 43,8%. Dilma teria 33,8%, e, Marina, 13,2%.

A vantagem entre 12 e 10 pontos foi vista com preocupação pelos tucanos, já que aliados do ex-governador planejam conquistar "votação histórica" em 2014 para levá-lo ao segundo turno.

Governado pelo grupo de Aécio desde 2003, Minas é o segundo colégio eleitoral do país, com 15 milhões de eleitores, atrás apenas de São Paulo (31,2 milhões) --Estado em que dificilmente o tucano repetiria as votações de José Serra (2002 e 2010) e Geraldo Alckmin (2006).

Dilma irá hoje a Belo Horizonte para visitar escola infantil inaugurada em setembro e participar da formatura de estudantes do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego).

Ela já visitou o Estado com esse propósito, mas também para inaugurar um Centro Cultural Banco do Brasil, uma fábrica de transformadores, uma universidade e até para relançar programa de recuperação do patrimônio cultural criado no governo Lula.

Fonte: Folha de S. Paulo

Dilma bate recorde de pronunciamentos

Rafael Moraes Moura

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff tem apostado cada vez mais em pronunciamentos em rede nacional de rádio e TV. Ao aparecer anteontem para comemorar o resultado do leilão do Campo de Libra, Dilma fez seu 6º pronunciamento do ano - 16º desde o início do seu mandato, em 2011.

Dilma apresenta uma média anual de pronunciamentos superior à dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.

Lula fez 11 pronunciamentos em rede nacional no primeiro mandato, entre 2003 e 2006, e 10 no segundo, de 2007 a 2010 -uma média anual de 2,62. FHG fez seis pronunciamentos no primeiro mandato, de 1995 a 1998 e 16 no segundo, de 1999 a 2002 - média anual de 2,75.

Dilma, por sua vez, já tem uma média anual de 5,33.

"Pelos resultados do leilão, 85% de toda a renda a ser produzida no Campo de Libra vão pertencer ao Estado brasileiro e à Petrobrás. Isso é bem diferente de privatização", disse a presidente anteontem, em uma fala marcada pelo tom "o petróleo é nosso". "O leilão de Libra representa um marco na história do Brasil", afirmou Dilma.

O pronunciamento de Libra foi gravado no Palácio da Alvorada pouco depois do resultado do leilão. Custou aos cofres públicos $ 90.562,50, valor que inclui as despesas com produção, gravação, edição, equipe e equipamentos, informou ao Estado a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom).

Ao todo, o governo gastou R$ 452,8 mil com cinco pronunciamentos neste ano, um aumento de 40,6% quando comparado o gasto, sem descontar a inflação, com o mesmo número de pronunciamentos de 2012 (R$ 322 mil). O pronunciamento do dia 21 de junho de 2013 não entra nessa conta, já que foi produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), "em caráter excepcional, pois não havia tempo hábil para a mobilização de uma das agências contratadas", informou a secretaria.

Produção. Segundo a Secom, para a realização dos pronunciamentos, assim como os demais serviços de produção publicitária, as agências fazem cotação no mercado conforme dispositivos contratuais, seguindo o que determina o Manual de Procedimentos de Ações de Publicidade, que estabelece que "a agência realizará cotação de preços, para fornecimento de bens ou serviços especializados a serem contratados, mediante consulta a, no mínimo, três fornecedores que atuam no ramo da respectiva atividade".

Respostas. Além de citar realizações do governo e exaltar suas conquistas, Dilma também usou o palanque eletrônico em cadeia nacional para reba-; ter críticas de opositores. No Dia do Trabalho, em i° de maio, por exemplo, além de prometer investir o dinheiro do pré-sal em educação, ela aproveitou o pronunciamento para rebater acusações de que estaria descuidando da inflação.

Ontem, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) criticou o pronunciamento de Dilma em cadeia nacional para comentar o leilão de Libra. Segundo o provável candidato tucano à Presidência da República no ano que vem, a "presidente Dilma Rousseff contraria a legislação em vigor e apropria-se, indevidamente" da rede, para fins eleitorais.

À espera do Natal. Nos dois primeiros anos de mandato, em 2011 e 2012, Dilma falou em cadeia nacional às vésperas do Natal, ou seja, há chance de ela voltar à TV neste ano. Segundo a Secom, ela utiliza da prerrogativa dos pronunciamentos em rede nacional "quando há necessidade de comunicar fatos relevantes de interesse nacional".

Decreto de 1979 prevê que as emissoras de radiodifusão poderão ser convocadas para transferir pronunciamentos do presidente da República e dos presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Supremo Tribunal Federal. O objetivo dos pronunciamentos deverá ser a "divulgação de assuntos de relevante importância".

Fonte: O Estado de S. Paulo

Marina fora do ar: A culpa é do novato

TV Brasil não passa "Roda Viva" com ex-ministra e fala em "falha humana" na hora da transmissão

Tânia Monteiro e Igor Giannasi

A TV Brasil, canal estatal do governo federal, não retransmitiu ao vivo a participação da ex-ministra Marina Silva no "Roda Viva", da TV Cultura, na noite de anteontem. A justificativa: um problema técnico de polarização de sinal causado por falha humana.

Essa falha, disseram os assessores da estatal federal, foi causada por um funcionário novo que estava no posto de trabalho no Rio de Janeiro, de onde o material da Cultura, TV estatal paulista, seria retransmitido.

Os assessores da TV Brasil disseram que esse novato "não conseguiu sincronizar o sinal que chegava de São Paulo". Quando o técnico mais antigo, conhecedor do procedimento, chegou, já haviam se passado 15 minutos do início do programa com Marina. A direção da TV Brasil decidiu, então, reprisar um programa antigo, com o artista e escritor Nuno Ramos.

Quando as queixas começaram a surgir, no intervalo da entrevista de Nuno Ramos, a TV Brasil exibiu um comunicado explicando que, "por problemas técnicos", a emissora estava "impossibilitada de exibir o programa Roda Viva" ao vivo. Informava também que a entrevista com a entrevista da ex-ministra de Lula, hoje opositora do governo federal, seria apresentada no dia seguinte, no mesmo horário, "na íntegra".

Autonomia. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República disse que foram informados de que "houve um problema técnico na TV Brasil", mas sugeriram que a reportagem procurasse a própria emissora para obter os esclarecimentos. "Lembramos que a TV Brasil é uma empresa pública e goza de autonomia legal, estando vinculada mas não subordinada à Secom. Esclarecemos ainda que o Conselho de Administração da EBC não tem atribuições na gestão da programação da TV Brasil". Em nota oficial a TV Brasil esclareceu que "uma falha na recepção do sinal enviado pela TV Cultura para a TV Brasil no Rio de Janeiro impossibilitou a transmissão do programa" "Roda Viva".

A nota diz ainda que "houve problema no acionamento do código que faz o alinhamento do sinal" e "assim que tudo foi resolvido, 17 minutos depois do início do programa, a diretoria de conteúdo e programação da emissora tomou a decisão de exibi-lo na íntegra hoje (ontem)".

Primeira vez. A assessoria de imprensa da TV Cultura informou que o sinal do programa foi transmitido normalmente. Foi a primeira vez, disse a assessoria, que uma ocorrência como essa foi registrada na transmissão do "Roda Viva".

Fonte: O Estado de S. Paulo

Nordeste não quer migalhas, afirma Campos

Ao receber título de cidadão do Piauí, presidenciável do PSB diz que o "Nordeste não está atrás de migalhas". Governador qualifica taxa de crescimento de "mediocridade"

TERESINA - O governador Eduardo Campos (PSB), possível candidato à Presidência da República, criticou ontem a falta de políticas públicas para o Nordeste, em discurso em Teresina (PI), ao receber o título de cidadão piauiense - a proposta foi do deputado estadual Antônio Félix (PSD). No mesmo evento, o socialista voltou a criticar a política econômica do governo Dilma Rousseff. Ele também qualificou taxa de crescimento de 2% ao ano como "mediocridade".

Segundo Eduardo Campos, o Nordeste está unido e não irá atrás de migalhas. "O Nordeste se uniu e não está atrás de migalhas e favores. Não somos só urnas para estar votando. Somos gente de carne e osso, temos sentimentos e sonhos", disse o governador, que foi recebido na Assembleia Legislativa do Piauí.

Eduardo reforçou a crítica ao governo federal. "Não podemos ser vistos como região só de celeiros de votos. Não podemos ser vistos só como a região de investimentos, sem ter articulação. Não podemos ser vistos como palco de políticas sociais por mais importantes que elas sejam", disparou.

Em clima de campanha, o presidenciável ouviu palavras de ordem dos militantes: "Brasil pra frente, Eduardo presidente".

O socialista cumpriu em Teresina uma maratona de entrevistas. Na agenda estava prevista uma caminhada do hotel Blue Tree, na Avenida Marechal Castelo Branco, onde o pernambucano estava hospedado, até à Assembleia Legislativa. A comitiva cancelou, temendo questionamento eleitoral.

"Havia muita gente com faixa e poderiam ter uma leitura de campanha. Cancelamos por cuidado para evitar possíveis questões eleitorais", disse o coordenador de Comunicação do governo do Piauí, Fenelon Rocha. O governador do Estado é Wilson Martins, do PSB de Eduardo.

Em Teresina, o governador Eduardo Campos voltou a tecer críticas contra a política econômica do governo federal. "Estamos definindo alternativas para não permitir que o crescimento econômico não fique nessa mediocridade de 2% na média, e a gente possa alavancar um crescimento que gere postos de trabalho, sobretudo no Nordeste, em que temos 28% da população e só 13% das riquezas", disse.

Ele também afirmou que vai rodar o Brasil ao lado da ex-ministra Marina Silva."Estamos seguros de que eu e Marina vamos andar o Brasil e mostrar que há caminhos para que o País possa seguir e renovar a política. Não vamos melhorar o Brasil se não melhorar a política", colocou Eduardo. Ele disse ainda que a primeira reunião para definir um plano de debates para o país será realizada na próxima segunda-feira (28), em São Paulo.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Eduardo critica leilão de Libra

No Facebook e em discurso no Piauí, governador condena falta de concorrência na disputa e sugere que dinheiro não será usado para saúde e educação

TERESINA e RECIFE - Um dia depois de o PT anunciar que vai se retirar das administrações do PSB, o governador Eduardo Campos voltou a criticar o governo Dilma. Na sua página do Facebook, o presidenciável questionou o resultado do leilão de Libra. "Acho que todos brasileiros e brasileiras viram com muita decepção, ontem, uma área gigante do pré-sal, o campo de Libra, ser leiloado pelo preço mínimo e sob um processo pouco debatido com a sociedade", escreveu. Também sugeriu que o modelo precisa ser mais bem avaliado: "O modelo precisa ser aperfeiçoado para haver disputa. Sem disputa, as empresas vão sempre oferecer o preço mínimo, o que não é bom para o Brasil. O petróleo do pré-sal não pode ser vendido a preços aviltados pela falta de concorrência", disparou.

O discurso foi reforçado em Teresina, onde Eduardo recebeu o título de cidadão piauiense concedido pela Assembleia Legislativa do Piauí. O governador disse que o dinheiro da venda da área de Libra vai compor a questão fiscal (superávit fiscal) e não será, necessariamente, destinado para saúde e educação, como foi determinado pelo Congresso Nacional.

O leilão da área de Libra vai dar um reforço de R$ 15 bilhões ao caixa do Tesouro Nacional para o fechamento das contas de 2013. O valor corresponde ao bônus de assinatura que deverá ser pago pelo consórcio vencedor do leilão em 30 dias e representará uma receita equivalente a 0,31% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no País). Com o recurso, eleva-se assim o superávit fiscal primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) para 2,1% do PIB, mais próximo do esforço prometido pela equipe econômica (2,3% do PIB). Até agosto, o primário acumulado em 12 meses estava em apenas 1,82% do PIB.

Segundo Eduardo, em relação aos recursos que serão pagos, fica a impressão de que o dinheiro do petróleo "que deveria ser usado para melhorar a sociedade brasileira como um todo, pode ser mal utilizado e terminaria não deixando um legado para as futuras gerações".

"A impressão que a gente fica é que ele (royalties) não irá para educação e saúde. A gente percebe que o dinheiro vai terminar compondo a questão fiscal dura que o País atravessa. Isso nos preocupa", disse Eduardo.

O prefeito de Teresina, Firmino Filho (PSDB), recebeu Eduardo Campos no Aeroporto Petrônio Portella, alegando ser amigo do governador de Pernambuco desde que estudou economia no Recife (PE).

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

'Foi a maior privatização da história', diz Aécio

Para pré-candidato do PSDB, sem ágio, leilão de Libra foi um "enorme fracasso

Angela Lacerda, Daiene Cardoso e Ricardo Brito

RECIFE, BRASÍLIA - Os pré-candidatos do PSB e do PSDB à Presidência da República criticaram ontem a falta de concorrência de grupos empresariais em participar do leilão de exploração do campo de pré-sal de Libra, na Bacia de Santos, realizado anteontem pelo lance mínimo previsto no edital. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) classificou a licitação de "enorme fracasso". Já o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, disse que a falta de disputa não foi boa para o País.

Num discurso contundente no plenário do Senado, Aécio Neves classificou o leilão como a maior "privatização da história brasileira" realizada pelo governo federal. O tucano criticou o "extremo ufanismo" de o Executivo ter comemorado o resultado de uma concorrência que teve apenas um consórcio participante e não teve nem sequer ágio dos participantes. Ele também disse que o País está perdendo oportunidades no setor por causa da má condução do governo na área, que, na sua opinião, tem sido alvo de ingerência política na Petrobrás.

Numa ironia, o senador do PSDB considerou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, como o "grande vencedor do leilão". Isso porque os R$ 15 bilhões em bônus do consórcio que arrematou a área vão servir para o governo bancar o superávit primário. "A Petrobrás paga o preço pela má condução da política econômica que levou ao recrudescimento da inflação. Obviamente, a partir de uma ação do governo junto à Petrobrás por conta do controle do preço da gasolina, a empresa perde valor de mercado, perde competitividade." Ele acrescentou que a empresa é "sangrada pela necessidade de fazer investimentos para os quais ela não se preparou ou o governo não deixou que se preparasse".

"O petróleo do pré-sal não pode ser vendido a preços aviltados pela falta de concorrência", atacou Eduardo Campos em Teresina (PI), onde recebeu o título de cidadão piauiense. O socialista defendeu um aperfeiçoamento dos mecanismos de leilão de exploração das áreas do pré-sal para garantir a participação de mais interessados, gerando disputa e melhor preço.

Para o governador pernambucano, "houve pouco debate" no processo do leilão. Campos destacou também que, embora seja importante a destinação a longo prazo dos recursos do pré-sal para saúde e educação, essas áreas não podem esperar por tal reforço. "A saúde e a educação precisam de medidas imediatas, não podemos sacrificar os jovens de hoje à espera de que o dinheiro do petróleo vá resolver a vida dos jovens do futuro."

O discurso de Campos foi seguido pelos deputados do PSB na Câmara, que criticaram a falta de concorrentes na disputa por Libra. "Não houve leilão, só há leilão quando há participantes", ironizou o líder do PSB, Beto Albuquerque (RS). "Não dá para dizer que foi um sucesso um leilão com um só concorrente", concordou o deputado Márcio França (PSB-SP), representante da Baixada Santista.

O presidente do diretório paulista do PSDB, deputado Duarte Nogueira, avaliou que a presidente Dilma Rousseff teve "de se explicar de forma constrangida para a população em rede nacional ontem".

O deputado Ivan Valente (SP), líder do PSOL, usou a tribuna para tachar o leilão de privatização. "O que foi feito ontem foi um crime contra a soberania nacional. É privatização sim, e é a maior de todas, maior que a da Telebrás e da Vale."

No início da noite, o líder do PT na Câmara, José Guimarães, saiu em defesa do governo no plenário. "Não vamos permitir nenhuma privatização." Ele rebateu as críticas da oposição de que as chinesas CNOOC e CNPC usariam a Petrobrás como laranja. "Não há a menor possibilidade de a Petrobrás ser laranja de qualquer empresa."

Fonte: O Estado de S. Paulo

Candidatos apresentam as vitrines para 2014

Com a sanção da medida provisória do Programa Mais Médicos, Dilma antecipa o discurso governista na disputa presidencial do ano que vem e adversários afinam as ações de contraponto às principais bandeiras petistas

Paulo de Tarso Lyra, Daniela Garcia

A solenidade estava marcada para sancionar o Mais Médicos, principal bandeira eleitoral da presidente Dilma Rousseff na campanha de 2014. Inspirada pela consolidação do programa lançado em julho, Dilma fez um balanço de seus três anos de governo e dos 10 anos do PT no poder, destacou a inclusão social de 22 milhões de pessoas, comemorou o leilão de Libra que destinará R$ 300 bilhões para educação e saúde e diz que o governo está cumprindo os pactos firmados, há 120 dias, em cadeia de rádio e televisão, em resposta às manifestações ocorridas durante a Copa das Confederações. E retornou ao Mais Médicos. “Aprovar esse programa, levando médicos para o interior, é a prova que o fim da miséria é apenas o começo”, disse a presidente.

Foi um resumo da propaganda eleitoral do PT no ano que vem. O que não significa que os demais pré-candidatos não tenham um discurso preparado para antagonizar com os petistas (veja quadro ao lado). “Nós reconhecemos que houve avanços nos últimos 10 anos, sobretudo ao longo do governo do presidente Lula. Mas nós temos um governador (Eduardo Campos) que é possível fazer mais e melhor”, disse o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

Para Rollemberg, não se pode aceitar que o país tenha taxas de crescimento abaixo dos 2%. Em Pernambuco, o ritmo de crescimento do estado beira os 8% — para os petistas, isso só foi possível graças aos incentivos dados por Lula à gestão de Eduardo Campos. “O Brasil não pode apenas se contentar com o Bolsa Família. Quem foi para as ruas em junho quer serviços públicos de qualidade, educação, saúde, segurança e transporte.”

No domingo, durante abertura do 51º Congresso de Educação Médica, em Olinda (PE), Eduardo Campos afirmou que, se o país precisou importar médicos estrangeiros, é porque faltou planejamento. “Precisamos reconhecer publicamente que o Brasil falhou no planejamento da formação de pessoas para uma área essencial da expressão da cidadania brasileira”, afirmou.

Já o pré-candidato do PSDB ao Planalto, senador Aécio Neves (MG), não vê quaisquer méritos nos programas alardeados por Dilma nas últimas semanas. “Esse hábito do PT de aparelhar o estado fez muito mal ao país nos últimos 10 anos. Perdemos investimentos, nossas estatais desvalorizaram e nada se fez para resolver os problemas de mobilidade urbana ou as crises nos setores de saúde e educação”, declarou o tucano, na semana passada, após os violentos protestos de professores em todo o país.

Clamor das ruas
Pela manhã, no Planalto, Dilma reforçou que o governo estava antenado com o clamor das ruas. Pelo prazo legal, ela tinha até 7 de novembro para sancionar o programa. Optou por fazê-lo o mais rápido possível para já colher os frutos da medida. “Este é um compromisso que firmamos para ajudar as pessoas mais pobres e fragilizadas deste nosso país.”

A presidente também não esqueceu as promessas que fez em cadeia de rádio e televisão, a exatos 120 dias, após as manifestações. “Elas respondiam às demandas dos movimentos de junho, e convergiam com aquilo que o governo considerava que eram as grandes questões que precisavam urgentemente atenção do governo e do país”. E acrescentou: “o que propomos vem se tornando progressivamente realidade”.

Dilma citou a manutenção da responsabilidade fiscal, com a inflação sob controle e o aumento na geração de empregos. No campo da educação, lembrou a aprovação do projeto de lei que destina 75% dos royalties do governo federal para educação e 25% à saúde. “No caso da educação, o fundo social do pré-sal destina, para ser distribuído entre as duas áreas, em torno de mais de R$ 300 bilhões. Isso é algo absolutamente significativo para o Brasil”, comemorou.

A presidente, que vê parte da base aliada flertar com os candidatos de oposição, também aproveitou para afagar o Congresso, como uma maneira de prestigiar os senadores e deputados da coalizão governista. “Nós vamos transformar petróleo em educação, em livros, em conhecimento. Essa alquimia foi feita e eu agradeço ao Congresso. Essa alquimia de transformar petróleo em livros, em professores, em mais Educação para o nosso país. Eu agradeço porque ela sempre é feita com vontade política.”

As armas de cada um

Confira o que cada um deve apresentar ao eleitor ao longo de 2014

Dilma Rousseff
» Programa Mais Médicos
» Leilão do pré-sal
» Concessões de rodovias, ferrovias e aeroportos
» Redução de desigualdade

Eduardo Campos
» Crescimento do PIB pernambucano em ritmo chinês
» Discurso de sustentabilidade herdado a partir da união com Marina Silva
» Porto de Suape como o principal ponto de saída para as exportações brasileiras
» Novo diálogo com a classe política e com a sociedade

Aécio Neves
» Choque de gestão no governo de Minas
» Defesa das privatizações feitas durante o governo Fernando Henrique Cardoso
» Diminuição do aparelhamento do Estado
» Implantação da meritocracia no setor público

“O Brasil não pode apenas se contentar com o Bolsa Família. Quem foi para as ruas em junho quer serviços públicos de qualidade, educação, saúde, segurança e transporte”
Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), senador

Fonte: Correio Braziliense

Pezão rejeita palanque duplo para Dilma no Rio

PMDB não aceitará que presidente apoie dois candidatos na disputa pelo Guanabara

Cássio Bruno

Mesmo que o PT já tenha estipulado como prioridade o lançamento da candidatura do senador Lindbergh Farias para a disputa do governo estadual, o vice-governador do Rio e pré-candidato do PMDB, Luiz Fernando Pezão (PMDB), assegurou ontem que o partido não considera a hipótese de permitir que a presidente Dilma Rousseff tenha palanque duplo no estado. Pezão tratou da campanha de 2014 após o vice-presidente Michel Temer defender o lançamento da candidatura peemedebista no Rio para a sucessão de Sérgio Cabral.

— Não existe isso (palanque duplo). Na hora certa, vamos reatar a aliança ( com o PT). Mas temos a nossa candidatura — afirmou o vice-governador. Questionado sobre como o impasse poderia ser resolvido, Pezão, de forma enfática, jogou a resposta para o Palácio do Planalto: — Aí, você liga para a Dilma.

No entendimento do vice-governador, porém, ainda existe tempo suficiente até junho — quando as candidaturas devem ser oficializadas junto à Justiça Eleitoral — para chegar a um consenso com o PT: — Vamos devagar. Estamos vencendo uma etapa de cada vez. A política muda a toda hora. Você não viu a aliança do (governador de Pernambuco) Eduardo Campos e da (ex-senadora) Marina Silva?

Lindbergh: PMDB antidemocrático
Questionado sobre a postura de Pezão, o senador Lindbergh Farias acusou o PMDB de adotar uma postura antidemocrática diante da disposição petista de lança candidato próprio no estado Rio: — Esse assunto, da nossa parte, está superado. Nossa candidatura mostrou força, resistiu a toda essa pressão antidemocrática do PMDB e está consolidada. Eles (PMDB) têm todo o direito de lançar o seu candidato. o PT fluminense não vê problemas de Dilma subir em outros palanques.

Na avaliação dos petistas, não haverá prejuízos à aliança nacional com o PMDB. Para a deputada federal Benedita da Silva, o efeito é ao contrário: — São vários os palanques onde Dilma poderá estar. Com isso, ela terá mais condições de atrair os eleitores. A campanha deles (PMDB) também é nossa. O Temer é Dilma. Este mês, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, ressaltou que a candidatura de Lindbergh é uma prioridade para os petistas, irritando Cabral.

Falcão também se encontrou com o deputado federal Anthony Garotinho (PR), outro pré-candidato ao governo. O deputado federal Luiz Sérgio tem o mesmo discurso: —A Dilma pode ter quatro palanques, com Lindbergh, Pezão, Garotinho e até o ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB), que já se põe como pré-candidato. Se as lideranças tiverem maturidade, não haverá problema.

Para o deputado federal Alessandro Molon (PT), Temer acertou ao apoiar a pré-candidatura de Pezão: — São mais opções para o eleitor votar. Isso não afeta em nada o cenário nacional.

Fonte: O Globo

Aécio: ‘PT entrou no mundo da privatização’

Eduardo Campos critica resultado: "E de fato uma exploração privada, não adianta usar sofismas"

BRASÍLIA, TERESINA e SÃO PAULO- Pré-candidato à presidência da República, o presidente do PSDB e senador Aécio Neves (MG) criticou ontem o resultado do leilão do campo de Libra e o modelo de partilha adotado pelo governo Dilma Rousseff; e apontou supostas ingerências políticas na Petrobras. Em tom de ironia, o tucano ainda saudou a entrada da presidente Dilma e dos petistas no "mundo das privatizações"

— Devo hoje dar as boas vindas à presidente da República ao mundo das privatizações, agora no setor do petróleo. E talvez não seria favor algum o governo do PT poder orgulhar-se de dizer que fez a maior privatização de toda a história brasileira, mas o fez com enorme atraso, que custou muito caro ao Brasil — disse Aécio, em discurso na tribuna do Senado.

O pré-candidato do PSDB considerou "um enorme fracasso" o resultado do leilão, já que apenas um grupo fez oferta:

— Acredito que o governo comemorou, com o ufanismo de sempre, um enorme fracasso.

Ao responder ao líder do PSDB, senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), que havia dito que o próximo leilão ocorrerá sob o comando de um novo governo, Aécio criticou supostas ingerências políticas na Petrobras:

— O que eu posso dizer é que, num governo do partido de Vossa Excelência, a Petrobras será novamente privilegiada pela meritocracia no seu comando. Não se subordinará a interesses circunstanciais de governo e nem entrará nessa

disputa ideológica que tanto mal vem fazendo ao país. Nós precisamos reestatizar a Petrobras, entregar novamente a Petrobras aos brasileiros e aos seus interesses.

Aécio defendeu o modelo de concessões:

— No modelo de concessões, e me refiro apenas em relação à 11^ rodada, agora, feita em maio deste ano, sobre o bônus de assinatura, o ágio superou 620%, com 64 empresas inscritas.

O líder do DEM, senador José Agripino (RN), também mostrou preocupação com a capacidade da Petrobras de arcar com os investimentos para a exploração do pré-sal:

— Nós queremos é que o Brasil dê certo, mas, do jeito que vai, não vai dar certo.

O único governista a fazer um contraponto ao discurso de Aécio foi o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Ele ressaltou o montante que será pago pela exploração do campo de Libra e os investimentos que serão feitos em saúde e educação.

— O fato de ter parceria com empresas privadas está longe de ser uma privatização total. Os parceiros terão contribuição relativamente modesta, mas extremamente importante do ponto de vista da tecnologia.

Mais tarde, o líder do PT, senador Wellington Dias (PI), ocupou a tribuna do Senado para rebater o pré-candidato do PSDB. Ele defendeu o modelo de partilha, criticou o processo de privatizações do governo Fernando Henrique e afirmou que a Petrobras é uma empresa "sólida":

— Tínhamos um modelo que uma empresa ganha o leilão, é dona do petróleo, pagando 10% em royalties. Agora, a empresa ganha o leilão e o petróleo continua sendo brasileiro. Nessa nova modelagem 85% de toda a renda é do Brasil. No passado (a empresa) ficava com 90%, agora é 15%. Nosso governo não privatizou o campo de Libra.

Para Lula, um "grande salto no governo*

Em Teresina, o governador de Pernambuco e possível candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, afirmou que o leilão de Libra foi uma privatização porque as empresas que formaram o consócio vencedor são privadas ou têm capital aberto. Em pronunciamento ontem na TV, a presidente Dilma afirmara que o leilão não foi uma privatização.

— Não houve um ágio, não cresceu o preço. É de fato uma exploração privada, não adianta usar sofismas. O modelo permitiu que a exploração possa ser feita por empresas privadas — disse Campos.

O governador de Pernambuco criticou também a ausência de um plano de contingência para riscos ambientais. E, ainda, a ausência de concorrência no leilão.

Em entrevista a jornalistas portugueses em Lisboa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o leilão de Libra foi um grande salto do governo brasileiro, destacando que o dinheiro da exploração da área será investido na educação e na saúde. Lula afirmou ainda que algumas pessoas não reconhecem a importância do leilão "por estarmos entrando em ano eleitoral"

Colaborou Efrém Ribeiro

Fonte: O Globo

Não aprenderam nada, nem esqueceram nada - Luiz Werneck Vianna

O estado de coisas da política no País desafia o entendimento, tudo está fora dos eixos e sob o império da imprevisibilidade. São três as candidaturas principais à sucessão presidencial, de certo, mesmo, apenas as legendas - PT, PSDB e PSB-Rede -, uma vez que cada qual tem seu duplo: Dilma, o Lula; Aécio Neves, José Serra; e Eduardo Campos, Marina Silva. As manifestações e os protestos de rua, que se sucedem numa interminável parada cívica, iniciaram-se sob o figurino de Chapeuzinho Vermelho para a horas tantas, imprevistamente, se travestirem com as roupagens do Lobo Mau.

A política, arredia até os idos das jornadas de junho, a partir daí tomou conta do cenário, com intensa movimentação dos partidos, inclusive com a criação de mais duas legendas, e dos movimentos sociais, particularmente daqueles vinculados às novas camadas médias -categoria social que, entre nós, é de compreensão fugidia -, embora esses dois grupos mal se toquem, salvo nos pontos mais doloridos. Mas, como se viu, essa movimentação girou no vazio, uma vez que, com a distância que partidos e movimentos sociais mantêm entre si, nem aqueles têm sua legitimidade reforçada, nem estes refinam suas agendas, a fim de conduzi-las à concretização, as quais são, no melhor dos casos, tangidas em estado bruto para uma ação legislativa de emergência. Nessa lógica, os movimentos exaurem-se em suas atividades episódicas, não deixando rastro institucional.

Num certo momento, a fúria legislativa, orientada para sanar o imenso vazio entre os órgãos de representação e os representados, foi de tal monta que poderia sugerir estarmos a viver um processo constituinte permanente. A propria Constituição, justo no ano em que completa 25 anos de bons serviços prestados ao País, foi posta sob ameaça com a tentativa da Presidência da República de convocar uma dita Assembleia Constituinte para o fim exclusivo de realizar uma reforma política, que certamente ultrapassaria esses limites. Felizmente, tal risco foi exorcizado e ninguém fala mais dela. Na retórica, flertou-se com o tempo das revoluções, não faltando os devaneios barrocos sobre os poderes constituintes da multidão.

Mas o fosso a separar os partidos e os políticos das ruas, da juventude e dos movimentos sociais, longe de diminuir no curso desses longos meses que já nos separam dos idos de junho, agrava-se. Trata-se de uma combinação que alia a descrença generalizada nas instituições políticas e, em geral, nas republicanas à adesão a um fervor quase místico na ação espontânea do social. O colunista Arnaldo Bloch, no artigo Sobre nazismo e descrença na política (O Globo, 12/10), não importa que hiperbolicamente, fixou um registro que não pode mais passar despercebido: "No Brasil, um caldo de cultura ruim está se formando".

Por toda parte, larva a síndrome do ressentimento, especialmente nos jovens e em todos os que não se sentem reconhecidos em seus direitos e identidades, a sensação de uma exclusão injusta porque, embora se sintam formalmente convidados pelas nossas instituições e pelo discurso oficial a participar do festim dos êxitos da modernização econômica do País, esbarram na estreiteza das portas que dão acesso a ele. No SUS, nas escolas, por toda parte. Ressentimento, desconfiança, anonimato, nas ruas e na internet, orgulhosa recusa dos caminhos do diálogo com o outro e desdém, quando não desprezo, pela esfera pública instituída. Nada medra nesse terreno sáfaro e tudo definha ao seu redor.

Duas décadas de uma política que hipotecou a sorte do moderno à modernização, em suas opções pelas alianças com o que há de recessivo e anacronicamente tradicionalista, sob o império dessa forma de presidencialismo de coalizão sem princípios triunfante entre nós, obstou o acesso à participação política dos filhos dos seus próprios sucessos econômicos-, recomendando-lhes que usufruíssem as delícias do consumo. A recomendação valia para todos, mas o desfrute, é claro, teria de ser duramente diferencial.

Não à toa, quando esses setores emergentes despertaram! para a política, processo disparado pelo tema da mobilidade; urbana, tinham diante de si uma sociedade civil apática, envolvida nas malhas das agências estatais, com suas ONGs cooptadas e uma atividade partidária que mais lembrava um mercado em que se tomava cá para entregar algo acolá. A reação à sua presença foi quase caricata, legislando-se de afogadilho em obediência à pauta que as tabuletas portadas pelos manifestantes estampavam, fazendo morrer à míngua uma reforma democrática da política que lhe devolvesse vida.

A política, contudo, não conhece vácuo e, fechados os novos caminhos que pareceram abertos para ela, está aí, trilhando com pachorra os que lhe são velhos conhecidos. Aí, o retor-nocfa Ação Penal 470, já esquecida dos "crimes contra a República" - qualificação dada pelos votos da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal no seu julgamento -, para a satisfação do nosso cediço bacharelismo, com esses embargos infringentes que aí estão e as piruetas hermenêuticas que os justificam. E para atestar que tudo está como j dantes no quartel de Abrantes, também aí os lances rocambolescos deste início de sucessão presidencial, testemunhando que os nossos políticos "não aprenderam nada, nem esqueceram nada" com as jornadas de junho, tal como na frase conhecida de um estadista da França do período da Restauração sobre os aristocratas do Antigo Regime que, banidos pela Revolução Francesa, se recusavam a reconhecer que não havia volta para o seu mundo de antanho.

Não há dúvida, em 2014, dentro e fora dos estádios, devemo-nos preparar para emoções de tipo padrão Fifa.

Professor-pesquisador da PUC-RIO.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Dilma, o petróleo e as oposições - Luiz Carlos Azedo

Todas as críticas foram respondidas por Dilma, em tom de campanha eleitoral. Bem feito para quem apostou no quanto pior, melhor

Verdade seja dita, a presidente Dilma Rousseff, assim como já havia capitalizado o programa Mais Médicos — oficialmente iniciado ontem —, também conseguiu faturar politicamente o leilão do Campo de Libra, que correu sério risco de virar o maior fracasso do seu programa de concessões, se não houvesse interessado pelo negócio. Foi um jogo de cartas marcadas. O consórcio formado pela Petrobras (que ficou com 40% do negócio) e sócios chineses, holandeses, franceses e ingleses, foi articulado pela empresa brasileira e, obviamente, já era de conhecimento do Palácio do Planalto. O leilão foi mantido por tropas do Exército, da Marinha e da Força Nacional, por ordem e sob comando direto de Dilma, que despachou para o local do leilão o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

A novidade mesmo na exploração de Libra é a presença dos chineses, com duas estatais, mas sem a participação majoritária que chegou a ser prevista por muitos. Mesmo assim, o leilão consolida a China como principal parceiro comercial do Brasil, uma aproximação que se intensificou durante o governo Lula. Em termos históricos, é uma aliança muito recente, basta lembrar que nossas relações diplomáticas com a China foram interrompidas após o golpe militar de 1964 e só foram restabelecidas na gestão José Sarney.

Os demais parceiros da exploração de petróleo não são recém-chegados. Muito pelo contrário, são velhos conhecidos: os franceses já tentaram se fixar no Rio de Janeiro (1555-1567) e no Maranhão (1594-1615); os holandeses ocuparam Pernambuco (1630-1654), depois de uma frustrada invasão a Salvador (1624-1625). Já os ingleses mandaram e desmandaram durante boa parte do Império. As ex-potências colonialistas ocuparam as Guianas — os franceses estão lá até hoje, são nossos vizinhos de fronteira.

As consequências dessa parceria com a China precisam ser enfrentadas sem preconceito, como disse ontem a presidente Dilma Rousseff, mas sem ingenuidade, vale a pena acrescentar. O Brasil é uma potência emergente do Atlântico Sul, não tem acesso direto ao Pacífico. A China é uma potência continental, que disputa com os Estados Unidos a hegemonia do comércio global, cujo eixo se deslocou do Atlântico para o Pacífico. Disputa semelhante pelo controle do comércio no Atlântico, entre a Alemanha e a Inglaterra, no século passado, provocou duas guerras mundiais. Ninguém sabe como esse embate será resolvido, mas a guerra cibernética já começou.

Os Estados Unidos ficaram de fora do leilão do pré-sal. Estão de olho no gás de xisto e na abertura do mercado do Golfo do México para concorrer com a China: energia barata versus mão de obra barata. Deixaram órfãos seus aliados tradicionais no Brasil. As críticas da oposição ao leilão do pré-sal do Campo de Libra foram de três ordens: o modelo de partilha, que é leite derramado; os termos do leilão, que levaram a um concorrente apenas; e a suposta privatização do pré-sal, que surpreendeu o governo, porque partiu principalmente de sua própria base: os petroleiros ligados à CUT. Todas as críticas foram respondidas por Dilma, em tom de campanha eleitoral. Bem feito para quem apostou no quanto pior, melhor. A oposição deveria se preocupar mais com os problemas de logística para o comércio com o Pacífico e a sobrevivência da indústria brasileira de bens de consumo, que são os pontos fracos dessa parceria do Brasil com a China.

Bruzundangas
O jornalista Cid Benjamin lançou ontem, no Rio de Janeiro, o livro de memórias Gracias a la vida (Editora José Olímpio). Um dos sequestradores do ex-embaixador americano Charles Burke Elbrick, ele conta que o diplomata seria executado caso “o cativeiro fosse invadido ou nossas reivindicações não fossem atendidas”. Cid e o jornalista Franklin Martins, ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social do governo Lula, ambos do antigo MR-8, faziam um ponto na Rua Marques, em Botafogo, quando viram o diplomata passar num carro oficial sem escolta. Esse fato gerou o plano do sequestro. O jornalista também trata do caso Celso Daniel, o que vai provocar muito barulho junto aos militantes do PT, do qual foi um dos fundadores. Segundo ele, “o PT trabalhava com mafiosos, gente do esquema do roubo. O caso virou um incômodo”.

A partir desta semana, assino a coluna Nas Entrelinhas às segundas, às quartas e às sextas-feiras.

Fonte: Correio Braziliense