domingo, 2 de fevereiro de 2014

Gaudêncio Torquato: A Idade das Trevas

"A lei e a ordem são o primeiro pré-requisito da civilização e em grande parte do mundo elas parecem estar evaporando." A observação, feita há cerca de 20 anos pelo professor da Universidade Harvard Samuel P. Huntington, no clássico O Choque das Civilizações, mostra-se pertinente para uma avaliação do atual estado da humanidade.

A ideia ganha consistência quando se puxam para o cenário as manifestações turbulentas em várias cidades do mundo, na onda de conflitos entre grupos étnicos, gangues de jovens, turbas desfraldando a bandeira de um nacionalismo xenófobo, situações que forçam a expansão de partidos de extrema direita, principalmente na Europa. Ressentem-se todos das instituições políticas, que não conseguem dar vazão às demandas sociais, e brandem a arma do ódio contra o outro, o estrangeiro, o não europeu, notadamente a comunidade muçulmana. Há quem garanta, como o professor britânico Jamie Bartlett, pesquisador do Instituto Demos e principal autor de um estudo sobre os grupos radicais de extrema direita na Europa, que o continente vive um impasse: deixar de ser caixa de ressonância das liberdades para se transformar em bastião do autoritarismo, ancorado nos eixos do ultranacionalismo, da islamofobia e do antissemitismo, entre outros.

Já a grave leitura do professor de Harvard sobre o conflito entre civilizações aponta para o limiar de uma Idade das Trevas no planeta. Argumenta Huntington que o Ocidente, com a clássica imagem de predomínio avassalador, triunfante, quase total, abre flancos para deixar enxergar uma civilização em declínio, com sua parcela de poder político, econômico e militar diminuindo em relação ao de outras civilizações, particularmente as da Ásia Oriental. A China emerge exuberante nessa paisagem. A Índia, mesmo com desníveis estupendos na sociedade, adentra o ranking de polos de alta tecnologia.

O discurso do Ocidente, com seus tradicionais sermões, já não afeta interlocutores e parceiros como no passado. O fato é que a última crise econômica, desencadeada em 2008, serviu para pôr mais lenha na fogueira que consome o Estado de bem-estar social, locomotiva da aclamada social-democracia europeia desde o pós-Guerra. Os partidos de esquerda, ao longo de décadas, tentaram repaginar o modelo, experimentando fórmulas e resgatando novas abordagens. Com poucas exceções, não têm sido bem-sucedidos.

Resultado dos conflitos: fortalecimento das correntes de extrema direita em muitos países, a indicar a eventual conquista de boa porcentagem (uns 10%) das 751 cadeiras do colegiado no Parlamento Europeu. A perplexidade se instala. Quem poderia imaginar que os terrenos da velha democracia europeia fossem acolher novamente a poeira do deserto da restrição de direitos? Até a França, berço dos direitos humanos, mostra sua faceta de barbárie. Ali se expande o antissemitismo, cujos propagandistas querem apagar o calvário do holocausto, considerando-o "um detalhe na História", como proclama o fundador da Frente Nacional francesa, Jean-Marie Le Pen, sucedido no comando do partido por sua filha Marine. A pauta discriminatória é densa: restrição aos imigrantes, limitação de direitos de estrangeiros, proibição de manifestações religiosas de muçulmanos (construção de mesquitas, banimento de burcas), etc.

Os exércitos "nacionalistas-protecionistas" multiplicam-se nos partidos políticos e agora nas redes sociais, nas quais um grupo chega a se autodenominar "Adolf-adoradores Neandertais". Na Grécia, o partido de extrema direita Aurora Dourada utiliza práticas nazistas - milícias armadas, agressão a imigrantes - e símbolos assemelhados à suástica. Propõe a reintrodução da pena de morte e a possibilidade de ela ser aplicada a imigrantes sentenciados por delitos.

O discurso segregacionista se adensa enquanto declina a força dos partidos que sustentam os pilares da social-democracia; as lideranças, mesmo em rodízio, não conseguem tapar os buracos abertos pela crise econômica, estampados nos formidáveis contingentes de desempregados. E assim germina nas praças das grandes cidades o vírus de um tipo de violência diferente dos eventos tradicionais (roubos, assaltos e assassinatos deles decorrentes): a violência dos conflitos étnicos e dos choques civilizacionais, como a que põe na arena muçulmanos e não muçulmanos, países afins (islâmicos e vizinhos). Para as agremiações da direita radical, o Islã e os muçulmanos simbolizam o mesmo papel de "ameaça externa" que Adolf Hitler associava aos judeus. Comparação extravagante e sem sentido.

A propósito, a imagem desse truculento e fanático cabo que se vestiu de ditador para ser o maior facínora da História contemporânea veio a público na semana passada, por ocasião do evento em memória do holocausto realizado no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Comovidos, ex-prisioneiros dos campos de concentração desfilavam as agruras por que passaram. Um horror! Em seis anos de guerra foram assassinados 6 milhões de judeus - incluindo 1,5 milhão de crianças -, representando um terço da comunidade judaica da época. Foram massacrados também comunistas, ciganos, deficientes, homossexuais, testemunhas de Jeová, doentes psiquiátricos e sindicalistas.

Há 69 anos o Exército soviético abria as portas de Auschwitz, o campo de concentração com 8 mil prisioneiros. A tétrica imagem jamais será esquecida: esqueléticos, velhos, doentes, cabeças raspadas, filas de pessoas cambaleando, famintas, nuas, torturadas, braços tatuados com o número do registro. Na fachada de entrada, a inscrição Arbeit macht frei (o trabalho liberta). A rememoração do holocausto é uma maneira de puxar o passado para o presente, fato importante para alargar as avenidas do futuro.

Imaginar que por esse mundão afora haja fanáticos que ainda hoje aplaudem um dos maiores genocídios da História é apostar na hipótese de Samuel P. Huntington: nas esquinas do mundo desenha-se o paradigma do "puro caos".

Jornalista, professor titular da USP

Fonte: O Estado de S. Paulo

Miriam Leitão: Dilma e o capital

A relação da presidente Dilma com o capital é mais complexa do que parece. Ela foi muito generosa com alguns empresários. O BNDES distribuiu recursos abundantes a grandes empresas, seu governo ouve alguns dos lobbies protecionistas. Na área dos problemas: a mudança de regras na energia produziu perda de valor das empresas e consolidou sua imagem de intervencionista.

A visão que opõe a presidente ao capital simplifica o que é complexo. Há setores que a criticam, há empresas que ganharam muito dinheiro com ela, há lobbies bem atendidos. Uma parte do capital não gosta das suas inclinações geiselistas, outra parte se beneficia da relação incestuosa entre capital e Estado, que sempre existiu e foi aprofundada no governo Dilma. Grupos como JBS e Eike Batista receberam fatias gordas do dinheiro dos contribuintes. Não foi por falta de dinheiro público que Eike quebrou.

No mercado financeiro, sua gestão fiscal é considerada um desastre e o que se teme é um rebaixamento da dívida que leve todo o capital externo para fora. E com ele, os lucros do setor financeiro. Esse é o temor do momento. Há o risco de abalos na estabilidade econômica. Um erro crasso foram os truques na contabilidade fiscal. Nessa área só tem profissional, todo mundo sabe o que há por trás da maquiagem: o enfraquecimento da situação financeira e fiscal do Brasil.

Quando a presidente fez a intervenção no setor de energia, antecipando, manu militari, a renegociação dos contratos, houve ressentimentos do setor. Os executivos não encontraram interlocutores no governo para ouvir detalhes técnicos relevantes. O resultado foi um desastre econômico e fiscal. As empresas estatais federais que foram obrigadas a aceitar os novos parâmetros tiveram uma perda de valor de mercado; estatais estaduais que não aceitaram foram jogadas no ostracismo. Muito investidor perdeu dinheiro e isso elevou a insegurança sobre a estabilidade de regras no Brasil. A incerteza na área de energia continua.

Tudo foi feito para alimentar a propaganda eleitoral. Reduziu-se o preço que as famílias e empresas pagavam pela energia e isso custou R$ 10 bilhões ao Tesouro em 2013 e deve custar outros R$ 9 bilhões em 2014. O consumidor deixou de pagar e o contribuinte assumiu a conta.

Na época, as empresas, inclusive as estatais, falaram muito mal do governo. Contaram os diálogos com os assessores da presidente que mostravam que eles não tinham entendido problemas técnicos criados pela proposta.

Ao mesmo tempo, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, comemorou. Ele fez mais uma de suas campanhas publicitárias com interesse eleitoral. Usava a Fiesp, em parte financiada com o dinheiro público do Sistema S, em anúncios que se creditava pela queda do preço da energia e apoiava o governo. O evento mostra que essa relação Dilma-empresários é mais complexa e não se enquadra na limitada visão da presidente de esquerda que não gosta do capitalismo. Alguns capitalistas nunca foram tão felizes. O presidente da maior federação de empresários comemorou a decisão, que fez empresas perderem valor na Bolsa de Valores.

O setor automobilístico e, em menor escala, outros segmentos de bens duráveis tiveram do governo reduções de impostos e barreiras aos importados. O lobby foi atendido. E os lucros cresceram.

São muitas as empreiteiras felizes com o governo Dilma, principalmente as especializadas em barragens de hidrelétricas. Foram abertas novas frentes de trabalho e o governo fez um arranjo camarada. Elas são financiadas pelo BNDES, garantidas pelo Tesouro e têm o Estado como sócio nos empreendimentos. Há casos em que a soma do capital estatal é majoritário. O risco é público, o financiamento também e o lucro será privado.

O agronegócio também foi beneficiado. A presidente não entende a dimensão do problema ambiental e climático. No Código Florestal, sua posição ambígua ajudou o setor em vários pontos controversos. Na área de energia, Dilma jamais deu atenção aos limites. Cabeças rolaram no Ibama até serem extraídas licenças para Belo Monte.

A reação a ela não vem de todos os empresários. Alguns conseguem ver que uma gestão fiscal desastrosa contrata elevações de impostos, rebaixamento na dívida, problemas de médio prazo. Mas outra parte ganhou muito dinheiro nos últimos três anos, com vantagens que não teriam em outro governo.

Fonte: O Globo

Ferreira Gullar: O prazer de matar

Não passa uma semana sem que novos atentados matem dezenas de pessoas. Isso ocorre com mais frequência no Iraque, no Egito, no Afeganistão, na Síria, em países da África Central. Matar inocentes indiscriminadamente é difícil de entender. Toda vez que leio uma notícia dessas, surpreendo-me como se a lesse pela primeira vez.

Não há dúvida de que homicídio puro e simples não deixa de me espantar. De fato, tirar deliberadamente a vida de alguém é coisa que não compreendo nem aceito. Mas sei, como todo mundo, que, dependendo de seu temperamento, pode uma pessoa perder a cabeça e matar um suposto inimigo.

Há, porém, pessoas que têm o prazer de matar e, por isso mesmo, fazem isso com certa frequência. Lembro-me de um jovem que foi preso logo depois de liquidar um desafeto. Quando o policial lhe disse que no próximo ano seria maior de idade e, se voltasse a matar alguém, iria para a cadeia, ele respondeu: "Pois é, não posso perder tempo".

No que se refere aos atentados, há os motivados por razões políticas e religiosas e há os que, ao que tudo indica, têm causas psíquicas, ou seja, o cara é pirado. Esses são os atentados tipicamente norte-americanos. Com impressionante frequência, surge um sujeito empunhando um revólver ou um fuzil-metralhadora que começa a disparar a esmo dentro de um shopping ou de uma universidade. Ele sabe que vai morrer e, quase sempre, é abatido por policiais.

A loucura é certamente um componente desse desatino homicida. Não obstante, a gente se pergunta por que só acontece nos Estados Unidos. Será porque todo mundo lá tem armas em casa e aprende a atirar desde criancinha, no quintal de casa ou no porão? Os fabricantes de armas garantem que não, que não é por isso, mas tenho dificuldade de acreditar neles.

Esse tipo de atentado difere daqueles outros, cuja motivação é político-religiosa, e difere também, por seu resultado, não de um surto psicótico e, sim, pelo contrário, fruto de uma decisão tomada objetiva e friamente por um líder.

A afinidade que há entre eles é o propósito de assassinar pessoas inocentes. E é precisamente este ponto que tenho maior dificuldade de aceitar. Por exemplo, um terrorista, com o corpo coberto de bombas, entra num ônibus escolar do país inimigo, explode as bombas e a si mesmo, matando dezenas de crianças. Não vejo nenhum sentido nisso, a não ser mostrar seu ódio ao adversário; e, nesse caso, por se tratar de crianças, mostrar que sua fúria homicida desconhece limites. É outra modalidade de loucura.

Mas há ainda os casos em que a fúria homicida mata indiscriminadamente pessoas de outros países, que nada têm a ver com os propósitos do atentado. Exemplo disso foi o caso das Torres Gêmeas, em Nova York, onde morreram quase 3.000 pessoas. O atentado visava os norte-americanos, mas matou franceses, holandeses e até muçulmanos. Nem mesmo se pode excluir, dentre as vítimas daquele atentado, pessoas que possivelmente apoiavam a causa defendida pelos terroristas. É a insensatez levada ao último grau, que só se explica pela cegueira a que leva o fanatismo religioso.

O que torna mais absurdo tudo isso é o fato de que o atentado terrorista não traz nenhum benefício a quem o projeta e o faz acontecer, a não ser satisfazer seus desejos homicidas. De fato, o terrorismo é a expressão da derrota política de quem o promove, a reação desesperada de quem sabe que não tem qualquer possibilidade de vencer o adversário e chegar ao poder.

Mas, ao fim de tudo, não consigo na verdade entender tal desvario, mesmo porque, além do assassinato em massa de crianças e cidadãos quaisquer, que o terrorista nem sequer conhece ou sabe que matou, há fatos quase inacreditáveis.

Como o que ouvi da boca do chefe supremo do Hezbollah, na televisão. Ele afirmou que o menino-bomba, que praticou o atentado no ônibus escolar, em Israel, era seu filho e tinha 16 anos. E acrescentou: "O mais novo, que tem 12 anos, já está sendo preparado para se sacrificar por Alá". O curioso é que ele manda os filhos morrerem, mas ele, o pai, continua vivo.

Poeta, ensaísta e critico de arte

Fonte Folha Oline

Diário do Poder – Cláudio Humberto

• Presidente do PDT, Lupi coleciona escândalos
Ex-ministro do Trabalho e proprietário do PDT, Carlos Lupi acumula vasto histórico de denúncias e escândalos. A mais recente revelou que o então ministro teria cobrado R$ 200 mil para garantir um sindicato a uma empresária. Mas em 2011, por exemplo, foi acusado de liberar R$ 300 milhões em recursos para Organizações Não-Governamentais (ONGs) “amigas”, sem prestação de contas. Ele caiu em 2011.

• Pernas curtíssimas
O então ministro Carlos Lupi jurava não haver usado o avião de uma ONG que presenteara com contrato “amigo”. Fotos provaram a carona.

• Dificuldades S/A
Em 2010, o ministério contratou entidades para capacitar profissionais. Depois dificultava a liberação e exigia propina para soltar a grana.

• Carteirada
Lupi lançou uma “inovadora” carteira do trabalhador, e foi acusado de escolher sem licitação a empresa que imprimiria os cartões com chips.

• Não parou
O ex-ministro Brizola Neto, sucessor de Lupi no Trabalho, aposta no surgimento de novos escândalos: alem de suborno, extorsão.

• PPS: aliança não garante apoio ao PSB em SP
Apesar da aliança nacional com o governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB), o presidente do PPS, Roberto Freire (SP), afirmou que dificilmente a sigla apoiará uma candidatura socialista ao governo de São Paulo contra reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB). “O PPS está com Alckmin, que é o melhor palanque para Eduardo. Por mais respeitável que seja, um candidato do PSB terá votos irrisórios.”

• Plano nacional
Segundo Roberto Freire, o acordo do PPS com Eduardo Campos não inclui qualquer obrigação de apoio mútuo nas eleições estaduais.

• Chance zero
Após Marina Silva ter exigido candidatura própria, o PSDB já admite que as chances de obter apoio do PSB em São Paulo são quase nulas.

• Olha a rasteira
A cúpula PSDB vê na dissidência em SP uma brecha para tentar faturar o apoio PPS à eleição de Aécio Neves (MG) para presidente.

• Libera geral
Irritados com a presidente Dilma na reforma ministerial, lideranças do PMDB coletam assinaturas para antecipar a convenção nacional para abril, visando liberar os diretórios estaduais a coligar com PSDB e PSB.

• PMDB desembarcando
A dissidência de setores do PMDB em relação a Dilma, que antes era pontual, aumentou em relação a 2010. Hoje, o partido quer pular fora da aliança em dez estados: BA, RJ, CE, MG, PR, PE, SC, RS, MS, PB.

• Consolidado
Para o deputado Danilo Forte (PMDB), a candidatura do correligionário Eunicio Oliveira ao governo do Ceará já não tem mais volta: “Acho muito difícil ele desistir, até porque seria um suicídio político”.

• Presídio-açougue
Opositor da família Sarney, o partido Solidariedade quer denunciar em encontro político, na Itália, as condições de trabalho de agentes penitenciários de Pedrinhas, no Maranhão. Quanto aos muitos detentos mortos, alguns decapitados, até pela omissão dos carcereiros, nada.

• Dura batalha
O ex-governador Joaquim Roriz discute política o dia todo e sempre coloca seu nome à disposição para disputar o governo do DF, mas ele tem outra dura batalha pela frente: está na fila do transplante de rins.

• Oposições à parte
A deputada Jô Moraes (PCdoB) guarda na estante um busto de Lênin, comprado no Museu Comunista de Praga, onde também funciona uma lanchonete McDonald’s, símbolo do “imperialismo americano”. O presente foi do governador Antônio Anastasia (PSDB-MG), adversário.

• PMDB no prejuízo
Sem perspectiva de acordo, dirigentes do PT-CE já avisaram a cúpula do partido que apoiarão o candidato do governador Cid Gomes (PROS-CE), em caso de enfrentamento com senador Eunicio Oliveira (PMDB).

• Todos por um
O ex-presidente Lula defende que, ao apoiar Armando Monteiro (PTB-PE), o PT alia sua força metropolitana à capilaridade do petebista em 184 municípios, tudo para promover a reeleição da presidenta Dilma.

• Lado bom
Na Casa Civil, Aloizio Mercadante terá menos tempo para atormentar os músicos do bar Grao, atravessando o samba com seu atabaque desafinado, nos fins de semana do Lago Norte, em Brasília.

Fonte: Diário do Poder

Brasília-DF - Denise Rothenburg

Antes do carnaval
O ex-presidente do Banco Central e atual presidente da holding J&F Participações Financeiras (que dirige, entre outras empresas, a JBS Friboi), Henrique Meirelles, prometeu para o fim de fevereiro a resposta se concorrerá ao Senado pelo PSD de São Paulo. Esse é o desejo da direção pessedista, principalmente, do presidente da legenda, Gilberto Kassab.
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Deputado federal mais votado pelo PSDB goiano em 2002, Meirelles abandonou o partido para tornar-se presidente do Banco Central em 2003, durante o governo Lula. Não disputou mais eleições desde então, mas sempre demonstrou interesse em manter-se na política.
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A representantes do mercado financeiro, Meirelles tem demonstrado pouca disposição para aceitar a empreitada. O PT torce contra, porque, em outubro, só haverá uma vaga em disputa. E, apesar de tudo, os petistas querem reeleger Eduardo Suplicy.

Waiting for you
O PMDB acha que Dilma chamará o partido para conversar semana que vem. Ela prometeu que faria isso quando voltasse da viagem à Davos (Suíça) e Havana (Cuba). Por enquanto, nada. “Uma semana a mais, uma a menos, tudo bem”. Mas lembram: “estamos esperando uma definição desde setembro. Temos um limite de paciência.”

Inimigo meu
Estrategistas da pré-campanha de Dilma Rousseff ao Planalto consideram um erro de setores do PT comprar briga com Eduardo Campos (PSB-PE). Para os analistas, o adversário é Aécio Neves (PSDB-MG). “Se Eduardo tiver 60% dos votos em Pernambuco e Aécio, 60% em Minas, quem vai para o segundo turno?”, indagou o aliado de Dilma. “Se quiser ter chances, Eduardo terá de ter votos no Sudeste, algo que ele ainda não tem”, completou o estrategista.

Águas de março
Os tucanos juram que não é provocação e, sim, a escolha de um prazo confortável no calendário eleitoral. Mas o ato político para definição da pré-candidatura de Aécio Neves ao Planalto será em março, mesma data em que José Serra defendia a realização de prévias internas.

Tucano de pirata
Tasso Jereissatti, do PSDB-CE, explicou à cúpula tucana porque quer ser candidato ao Senado. “Quero estar quietinho, na foto oficial, quando Aécio Neves entrar no Congresso como presidente eleito”. Por sinal, Tasso lidera as pesquisas de intenção de voto.

Fazenda/ Pessoas próximas a Meirelles dizem que ele gostaria de retornar para a equipe econômica, mas como o comandante da barca. O ex-presidente Lula defendeu que ele substituísse Guido Mantega (foto) ainda durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff. A presidente resolveu manter o ministro no posto, pelo menos até dezembro.

Só que não/ Não se tem certeza se Dilma concordará em ter Meirelles em sua equipe em um eventual segundo mandato, caso seja reeleita. Ao longo dos primeiros quatro anos, Dilma tem demonstrado claramente que ela pensa e decide a execução das políticas econômicas. Não delega. Meirelles tem dificuldades em ser tutelado. Um casamento difícil de dar certo.

Deixa para depois/ Aliados de Gilberto Kassab defendem que o ex-prefeito não indique nenhum nome na atual reforma ministerial. Querem evitar o discurso, caso Dilma seja eleita, de que já foram contemplados com duas pastas. O partido atualmente comanda o Ministério da Micro e Pequena Empresa.

Por via das dúvidas/ Mesmo assim, Kassab procura um bom quadro na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Falou-se que o PSD poderia herdar o Ministério de Ciência e Tecnologia. mas que não deveria apresentar um nome político. Dilma quer um técnico para substituir o atual ministro, Marco Antonio Raupp.

Fonte: Correio Braziliense

Panorama Político – Ilimar Franco

Cada um por si
A presidente Dilma não vai atrelar sua candidatura ao projeto do PT no Rio. O ex-presidente Lula também não planeja entrar de cabeça na eleição. Um interlocutor frequente do ex-presidente diz que, mesmo tendo estimulado Lindbergh Farias, seu foco será São Paulo. E que Lula “é fiel às suas relações afetivas”, como as que mantém com o governador Sérgio Cabral e o vice Pezão.

Previsão de tempo bom
O comando da campanha da presidente Dilma continua apostando numa vitória no primeiro turno em outubro. Sustenta que a presidente mantém a curva de crescimento nas pesquisas e que os eleitores desejam mudanças, mas o sentimento predominante seria o de que “é mais factível mudar com a Dilma”. Como a campanha será curta devido à Copa, considera que não há espaço, nos 45 dias da reta final, quando o debate eleitoral chega à televisão, para o que chamam de “efeito avalanche”. Um comandante político da reeleição chega a afirmar: “é mais provável uma morte súbita (de um dos candidatos da oposição) do que um crescimento súbito (de um deles)”.

“O PT ficou no governo Cabral até mais não poder, e agora vai 'mudar' o lado do disco, criticando a gestão da qual participou. Isso é repudiado pelas 'tribos' inquietas das ruas”
Chico Alencar
Deputado federal (PSOL-RJ)

Remanejando
A ministra Eleonora Menicucci (Mulheres) é forte candidata para a Secretaria de Direitos Humanos. Tem apoio dos movimentos sociais, além de ser amiga da presidente Dilma.

Baixou o santo
Vacinado pelo mensalão, o tesoureiro do PT, João Vaccari, está sendo cauteloso diante de pedidos antecipados de recursos por conta da campanha de reeleição da presidente Dilma. Esses gastos tem um período legal para serem feitos e só podem ser pagos pelo comitê financeiro da candidatura. Contam que ele anda dizendo “não”.

Plano de voo
Políticos do PROS contam que o projeto do governador Cid Gomes (CE) é ser indicado pela presidente Dilma para uma vice-presidência do Banco Mundial porque quer ficar um período no exterior. A sede do banco é em Washington.

Santana, publicidade e Copa
Responsável pelo marketing da presidente Dilma, João Santana explica sua posição sobre campanha de publicidade sobre os benefícios da Copa. Ele argumenta que é necessário uma ação global e integrada que não se resume a campanhas isoladas e esporádicas. E que deve envolver várias ações, vários instrumentos e várias linguagens.

Na lista de espera
O PMDB só espera a presidente Dilma definir o perfil do ministro da Agricultura para apresentar seu nome. A preferência é pelo secretário de Política Agrícola, Neri Geller. Corre por fora Tereza Costa Dias, do Mato Grosso do Sul.

Marcando de cima
A direção petista reafirmou que todas as resoluções eleitorais estaduais terão de ser chanceladas pela Executiva nacional. Segundo um dirigente: “Se deixar solto, o partido vai ter 27 candidatos a governador”. Hoje há 12 candidatos.

O deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) será reeleito líder da bancada do partido na Câmara. Eduardo Campos pediu para o PSB evitar disputas.

Fonte: O Globo

O que pensa a mídia - editoriais de alguns jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Regina Schöpke: Sartre acerta as contas com Flaubert em obra monumental

'O Idiota da Família', primeiro volume da trilogia biográfica do filósofo francês, chega às livrarias

Quando nos deparamos com O Idiota da Família, livro que Jean-Paul Sartre escreveu sobre o escritor Gustave Flaubert, ficamos inteiramente desconcertados. Afinal, trata-se da última obra do filósofo francês, com cerca de três mil páginas, dividida em três volumes monumentais (e isso sem falar que se trata de uma obra inacabada, já que Sartre teve que abandoná-la quando ficou cego). Sem dúvida, estamos diante de uma obra de fôlego, que expressa a força de uma paixão. Uma paixão cujo objeto não era exatamente Flaubert, a quem o filósofo considerava seu oposto, mas o próprio método sartriano de análise dos indivíduos. Era chegada a hora, afinal, de aplicar sua “psicanálise existencial” num caso concreto e o escolhido foi o autor de Madame Bovary.

De fato, esta obra está longe de ser uma biografia no sentido mais ortodoxo. Não se trata simplesmente de retratar Flaubert, mas de colocá-lo como objeto de uma dissecação. E o termo é apropriado, já que Sartre trata Flaubert como “um morto”, por onde se pode entrar pelo lugar que se desejar, embora ele prefira começar, como Freud, pela infância. E, afinal, para o autor de O Ser e o Nada, é na mistura de psicanálise, marxismo e existencialismo que se encontra a chave para a compreensão total de um homem (que, para Sartre, é tanto um ser social e histórico quanto uma singularidade).

Bem, se é mesmo possível descortinar uma alma na sua totalidade, ou seja, dar conta do que é singular e irredutível nela, não sabemos. O que sabemos é que Sartre se esforça para fazer isso, para o bem e para o mal. Sim, a obra é um monumento inegável, mas sua validade é discutível para muitos flaubertianos. Afinal, eles se perguntam para que serve aos amantes da literatura a análise de um Flaubert passivo e neurótico ou mesmo que se racionalize de um modo frio e duro suas dores e sofrimentos pessoais – que incluem, neste primeiro tomo, uma infância afetivamente dolorosa, onde ele chegou a ser considerado “retardado” pela família por conta das dificuldades que enfrentou para aprender a ler e a escrever.

Talvez seja possível chegar às causas mais profundas da dor que levou Flaubert a se refugiar na escrita ou na “irrealidade”, como pensava Sartre, mas nem por isso se consegue explicar porque uma criança sofrida se torna artista e devolve ao mundo que lhe machuca algo de sublime. Flaubert poderia deixar-se corroer pelo ressentimento, tornar-se um inútil ou um marginal, mas deu ao mundo a sua arte, a sua obra. Sartre quer explicar isso, e o faz de um modo obstinado e obsessivo. Mas ainda que seja possível desconstruir as ideias e ações de alguém, é mesmo possível explicar o mistério do talento e da criação em si?

Bem, não há dúvida de que se trata de uma obra notável, mas é preciso lê-la com espírito crítico. Afinal, Sartre fala de alguém que ele considera o seu oposto, a começar pelo fato de que, para ele, só um artista engajado, que produz uma obra consciente e refletida, tem verdadeira ação social – um ponto de vista, aliás, que exclui a quase totalidade dos artistas, que sempre criaram por um apelo incondicional de sua natureza inquieta e atormentada.

Sim, Flaubert é o oposto de Sartre, e é isso talvez que tenha excitado ainda mais o seu desejo de compreender como ele se tornou “aquilo que ele é”. Sabemos que, por anos a fio, Sartre se debruçou sobre a obra e a correspondência de Flaubert, bem como sobre qualquer outro vestígio que lhe ajudasse a compor a personalidade e o caráter mais profundo do mestre do realismo francês. Se ele conseguiu, é uma questão de ponto de vista; e se era esta a sua única intenção, quem pode dizer? O que sabemos é que Sartre acusava Flaubert de tê-lo envenenado na infância com seu “ódio abstrato da humanidade”. Seria esta obra, então, como pensam alguns, um acerto de contas com o escritor?

Seja como for, independente do que se diga, há algo de grandioso em se acompanhar os passos de um gênio como Flaubert. Afinal, conhecer de perto a existência de um grande homem é sempre conhecer a história de uma superação, seja das próprias limitações, seja das limitações que o mundo impõe aos espíritos mais críticos e criativos.

Não esqueçamos, porém, que o próprio Sartre nos pediu que lêssemos esta obra um pouco como um romance. Sim, talvez porque, em parte, ela seja mesmo uma obra de ficção. Afinal, é impossível ir tão fundo na vida e no pensamento de alguém sem se misturar com ele e, assim, como em todo jogo terapêutico, a linha que separa analista e analisado é mais tênue do que se pensa. Talvez Sartre tenha simplesmente recriado Flaubert ou talvez Sartre seja ele próprio um pouco uma criação de Flaubert. Afinal, Flaubert, com a sua pena, também ajudou a escrever a história de Sartre.

Regina Schöpke é filósofa e autora de Matéria em movimento e Dicionário filosófico

O idiota da família – Gustave Flaubert de 1821 a 1857 (vol. 1)
Autor: Jean-Paul Sartre
Tradução: Julia da Rosa Simões
Editora: L&PM (1.112 págs., R$ 128)
.
Fonte: O Estado de S. Paulo / Caderno 2

Anna Ratto: Bailarina do mar

Imagens do Nordeste: Joaquim Cardozo

Sobre o capim orvalhado
Por baixo das mangabeiras
Há rastros de luz macia:
Por aqui passaram luas,
Pousaram aves bravias.

Idílio de amor perdido,
Encanto de moça nua
Na água triste da camboa;
Em junhos do meu Nordeste
Fantasma que me povoa.

Asa e flor do azul profundo,
Primazia do mar alto,
Vela branca predileta;
Na transparência do dia
És a flâmula discreta.

És a lâmina ligeira
Cortando a lã dos cordeiros,
Ferindo os ramos dourados;
– Chama intrépida e minguante
nos ares maravilhados.

E enquanto o sol vai descendo
O vento recolhe as nuvens
E o vento desfaz a lã;
Vela branca desvairada,
Mariposa da manhã.

Velho calor de Dezembro,
Chuva das águas primeiras
Feliz batendo nas telhas;
Verão de frutas maduras,
Verão de mangas vermelhas.

A minha casa amarela
Tinha seis janelas verdes
Do lado do sol nascente;
Janelas sobre a esperança
Paisagem, profundamente.

Abri as leves comportas
E as águas duras fundiram;
Num sopro de maresia
Viveiros se derramaram
Em noites de pescaria.

Camarupim, Mamanguape,
Persinunga, Pirapama,
Serinhaém, Jaboatão;
Cruzando barras de rios
Me perdi na solidão.

Me afastei sobre a planície
Das várzeas crepusculares;
Vi nuvens em torvelinho,
Estrelas de encruzilhadas
Nos rumos do meu caminho.

............................................................

Salinas de Santo Amaro,
Ondas de terra salgada,
Revoltas, na escuridão,
De silêncio e de naufrágio
Cobrindo a tantos no chão.

Terra crescida, plantada
De muita recordação.

Joaquim Cardozo. Poeta, dramaturgo, engenheiro calculista. Nasceu no Recife em 26 de agosto de 1897 Grande estudioso e conhecedor da matemática, em cujo domínio penetrou com grande sensibilidade poética, inovou os métodos tradicionais do cálculo estrutural. Viabilizou, assim, a execução de obras complexas da arquitetura moderna, como as de Oscar Niemeyer. Calculou, para o arquiteto, as obras do Conjunto Pampulha, em Minas e, em Brasília, o Palácio da Alvorada, a Catedral, a cúpula do Congresso Nacional e o Itamarati, entre outras.

Publicou os seguintes livros: Poemas (1947); Pequena antologia pernambucana (1948); Signo Estrelado (1960); Coronel de Macambira (1963); De uma noite de festa (1971); Poesias Completas (1971); Os anjos e os demônios de Deus (1973 );O capataz de Salema, Antonio Conselheiro, Marechal, boi de carro (1975); O interior da matéria (1976); Um livro aceso e nove canções sombrias (1981, póstumo).Faleceu em Olinda em 4 de novembro de 1978

sábado, 1 de fevereiro de 2014

OPINIÃO DO DIA: Jürgen Habermas

“O que mais me inquieta é a injustiça social gritante que consiste no fato de os custos socializados do malogro do sistema atingirem da maneira mais dura os grupos sociais vulneráveis. Agora a massa dos que já não constam de todo modo dos ganhadores da globalização é mais uma vez cobrada pelas consequências, sentidas na economia real, de um distúrbio funcional previsível do sistema financeiro. E isso não como com os proprietários de ações, em valores monetários, mas na moeda dura da sua existência cotidiana. Também em escala global esse destino castigador aflige os países economicamente mais fracos. É um escândalo político. Mas eu considero uma hipocrisia apontar o dedo agora para os bodes expiatórios. Mesmo os especuladores se comportaram, no quadro das leis, de maneira consequente, segundo a lógica socialmente reconhecida da maximização dos lucros. A política se torna irrisória se ela moraliza em vez de apoiar-se no direito de coerção do legislador democrático. Ela, e não o capitalismo, é responsável pela orientação do bem comum.”

Jürgen Habermas, Entrevista realizada por Thomas Assheuer e publicada em 6 de novembro de 2008 no semanário Die Zeit (p.53). Título original “Nash dem Bankrott”. .[Cf. Sobre a constituição da Europa, São Paulo, Unesp, 2012].

Com crise, Bolsa tem pior janeiro em 19 anos

Brasil e outros países emergentes sofrem fuga de US$ 12 bi no mês

Fundos de investimentos em ações foram a pior aplicação financeira do mês, com perdas maiores que 5%

Investidores de fundos cambiais - que aplicam em moedas, principalmente dólares - tiveram ganhos de 2,73%

Bruno Villas Bôas

RIO - Num início de ano marcado por turbulência nos mercados emergentes, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumulou um dos piores desempenhos do mundo: queda 7,51% no mês pelo Ibovespa, seu principal índice de ações, a maior perda para janeiro em quase duas décadas, desde 1995 (quando caiu 10,76%). Novos sinais de desaceleração da economia da China e, sobretudo, a redução gradual dos estímulos monetários nos Estados Unidos sacudiram os mercados de ações, moedas e títulos pelo mundo. O resultado foi uma perda de valor de mercado das empresas brasileiras de R$ 220 bilhões no mês passado, para R$ 2,2 trilhões. E o dólar comercial continuou sua escalada frente ao real, com alta de 2,33% no mês, a R$ 2,41.

Segundo Alberto Ramos, co-diretor de pesquisa econômica para emergentes do Goldman Sachs, os grandes fundos de investimentos globais promovem no primeiro mês do ano uma grande realocação de recursos entre países, seguindo estratégias traçadas para o ano. O Brasil e outros emergentes em situação mais frágil acabaram deixados de lado nesse processo.

— O corte nos estímulos do Fed (banco central dos EUA) para US$ 65 bilhões mensais é ruim para todos os emergentes, mas alguns sofrem mais. No Brasil, há desequilíbrios óbvios na economia, com inflação alta, crescimento baixo, déficit em conta corrente. Na hora de decidir onde aplicar, o investidor percebe isso e descarta — diz o economista. — Isso também vale para Turquia e África do Sul, que vivem problemas parecidos e políticos. A Argentina é um caso mais específico e inclusive sistêmico, que preocupa a todos.

Mercados emergentes: fuga de US$ 12 bi
Segundo dados da EPFR Global, consultoria americana especializada em rastrear US$ 1 trilhão de fundos globais,os mercados de ações de países emergentes sofreram saques de US$ 6 bilhões em sete dias até a última quarta-feira. Foi o maior ritmo de resgastes semanais desde agosto de 2011. No mês, a cifra vai a US$ 12,2 bilhões. Os fundos globais de títulos de dívida de emergentes também sofreram: foram US$ 2,7 bilhões na semana e US$ 4,6 bilhões no ano.

O reflexo foi o desempenho das ações de empresas. O Ibovespa foi o sexto pior do mundo no mês, numa lista de 94 principais índice de ações acompanhados pela Bloomberg News, melhor apenas que emergentes como Rússia (-9,82%), Turquia (-8,77%), Colômbia (-8,57%) e Chile (7,73%). A Bolsa de Tóquio caiu 8,75% em janeiro, e o Dow Jones perdeu 5,30%. Mas são casos à parte porque tiveram valorização de 56% e 26% em 2013, respectivamente.

Segundo o diretor da Máxima Corretora José Costa Gonçalves, o tombo da Bolsa brasileira foi puxado principalmente pelas perdas das ações preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras, que se desvalorizaram 14,17% no período, e dos papéis preferenciais da Vale, que recuaram 9,07%. Segundo dados da consultoria Economatica, a relação entre valor de mercado e patrimônio líquido da Petrobras está em 53,9%, uma relação que não era vista desde 1999.

— A defasagem de preços dos combustíveis da Petrobras e os indicadores ruins da China afetaram as companhias. O índice ainda depende muito delas e nada conspira a favor — afirma Gonçalves, lembrando que a ameaça de corte da nota de risco do Brasil pela Standard & Poor’s (S&P) ainda é uma “espada na cabeça” do mercado. — Claro que existe sempre algum exagero nas percepções: o Brasil era coqueluche e agora virou o patinho feio. Mas o país ainda tem reservas cambiais de US$ 300 bilhões, uma situação privilegiada em relação aos outros mercados.

Se as Bolsas estão em queda, o dólar vem ganhando valor frente às moedas pelo mundo. Subiu no mês contra o rand sul-africano (5,99%), lira turca (5,04%) e lira indiana (1,39%). Tanto que os bancos centrais (BCs) de Turquia, África do Sul e Índia elevaram suas taxas de juros no mês. Frente ao rublo russo, a alta foi de 6,95%, e o BC russo se comprometeu a realizar intervenção ilimitada se o rublo russo sair da faixa ideal.

Para o economista Rodolfo Oliveira, da consultoria Tendências, o prazo de pessimismo dos investidores com as economias emergentes vai depender da resposta dos governos dessas nações aos problemas enfrentados. Nesta sexta-feira, por exemplo, o banco central russo voltou a elevar a faixa de variação do rublo, promovendo uma correção de 0,25 centavos na moeda.

— A elevação de juro foi uma resposta imediata ao nervosismo dos investidores. Estes países têm problemas estruturais mais sérios, como deterioração das contas públicas, fruto de uma política fiscal expansionista, déficits em transações correntes. A alta do juro ajuda a trazer capital externo de curto prazo, mas não resolve os problemas — diz Rodolfo Oliveira.

Câmbio lidera aplicações do mês
Segundo Tony Volpon, economista da Nomura, o Brasil precisa passar a corrigir sua trajetória para recuperar a confiança dos investidores. O caminho seria elevar a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 10,5% ao ano, para níveis mais altos, como 13%. A medida ajudaria a trazer a inflação de volta ao centro da meta de 4,5%. O IPCA fechou o ano passado em 5,91%.
— A aproximação das eleições infelizmente constrange reações de política monetária em muitos países. O BC não quer aumentar a Selic para 13%. Mas na atual dinâmica dos mercados, nenhum banco central de país emergente é senhor do seu destino — afirma Volpon.

Nesta sexta, o Ibovespa fechou em alta de 0,84% aos 47.638 pontos. O dólar comercial fechou em queda de 0,12%, a R$ 2,412.

Com a maior queda da Bovespa para meses de janeiro em quase duas décadas, os fundos de investimentos em ações foram as piores aplicações financeiras neste início de ano. Os fundos Ibovespa Ativo perderam 6,44% em janeiro até o dia 28, segundo dados da Associação Brasileira dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Os fundos Ações Livre — categoria que não segue um benchmark (padrão) específico — tiveram perdas de 5,87%. Já os investidores de fundos cambiais — que aplicam principalmente no dólar americano — tiveram a melhor aplicação do mês, com retorno de 2,73%.

Fonte: O Globo

Governo prepara campanha para defender realização da Copa no País

Estratégia será a primeira tarefa do novo comando da Secretaria de Comunicação Social da Presidência; intenção é mostrar que obras deixarão um legado positivo para o Brasil

Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura

A presidente Dilma Rousseff planeja realizar uma ampla campanha publicitária para defender a importância da realização da Copa do Mundo no Brasil. O tema fará parte, a partir de agora, dos discursos oficiais e ações nas redes sociais. Assim, o governo pretende enfraquecer as críticas ao evento e esvaziar eventuais manifestações durante os jogos, entre junho e julho.

Uma onda negativa poderá ter reflexo nas eleições de outubro, avaliam auxiliares da presidente. No ano passado, a série de manifestações em meados do ano derrubou a popularidade de Dilma.

A preocupação com a Copa e eventuais reflexos na eleição já integrava a pauta do Palácio do Planalto. O Ministério da Justiça planeja, por exemplo, fazer uma série de visitas aos Estados que vão sediar jogos a fim de conversar com os comandos das polícias militares e ressaltar a importância de se evitar conflitos com manifestantes – foram ações violentas da PM paulista que engrossaram os protestos de junho de 2013.

Novo comando. A nova estratégia de comunicação será a primeira tarefa do novo comando da Secretaria de Comunicação Social. Ontem foi anunciada oficialmente a saída da ministra Helena Chagas. O cargo será agora ocupado pelo também jornalista Thomas Traumann.
Já havia uma pressão de dentro e de fora do governo para que o Planalto reagisse com firmeza às críticas que vinha recebendo contra a realização da Copa. A contraofensiva tem por objetivo tentar convencer a população de que a Copa trará benefícios à população. O governo pretende atacar em três linhas para tentar "desarmar" os argumentos contrários à Copa: a primeira, a de que grande parte dos financiamentos é de fontes privadas, e não públicas; a segunda, a de que essas obras serão um legado para o País – os estádios, por exemplo, serão usados para shows e outros eventos depois da Copa; a terceira, a de que obras de mobilidade urbana, mesmo que não sejam entregues a tempo, foram "aceleradas".

A estratégia governista é não deixar que a população "se deixe levar pela loucura", nas palavras de um assessor direto da presidente. Pelas redes sociais, há grupos que se mobilizam com a bandeira de "Não Vai Ter Copa". Já houve protestos violentos no fim de semana passado. O PT chegou a criar uma campanha "Vai Ter Copa" para rebater o movimento. Agora terá ajuda do governo.

Integrantes do governo reconhecem, em conversas reservadas, que há de fato um desgaste por causa da associação como Fifa e Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mas acreditam que há tempo suficiente para reverter esse cenário.

O Planalto aposta no argumento de geração de empregos por causa do megaevento. Também já levanta os preços dos estádios de outras edições do torneio a fim de compará-los com os custos do caso brasileiro.

A Secretaria de Comunicação Social informou ontem que "as ações de comunicação institucional para este ano estão em fase de planejamento". O Ministério do Esporte, por sua vez, informou que "ainda não há definição sobre o assunto".

Estádios. Dilma esteve presente na inauguração oficial de todos os estádios da Copa que já ficaram prontos – a última solenidade foi em Natal, onde abriu a Arena das Dunas, no dia 22 de janeiro. "O Brasil tem de apostar a seu favor, e não contra", afirmou a presidente em entrevista a jornalistas, ao ser questionada sobre a possível exclusão de Curitiba por causa de atrasos nas obras da Arena da Baixada. "Essa é o tipo da pergunta que mostra aquilo que o Nelson Rodrigues dizia: ‘não é possível apostar no pior’. Pelo contrário. Eu acredito que todo governador, prefeito e os empresários que são responsáveis pelo estádio de Curitiba irão fazer o estádio no prazo. É algo que eu tenho certeza", disse Dilma na ocasião.

Além da Arena da Baixada, faltam ser inaugurados os estádios Itaquerão (São Paulo), Arena Pantanal (Cuiabá), Arena da Amazônia (Manaus) e Beira Rio (Porto Alegre).

Fonte: O Estado de S. Paulo

Em carta de demissão, Helena Chagas rebate críticas do PT

Ex-chefe da Secretaria de Comunicação diz que critério foi técnico na distribuição de publicidade; PT pede verbas para blogs

Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura

Em sua carta de demissão do cargo de ministra-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, entregue nesta sexta-feira, 31, à presidente Dilma Rousseff, a jornalista Helena Chagas fez questão de responder às críticas do PT, que cobrava mais espaço na verba publicitária do governo para as chamadas mídias alternativas.

O PT reclamava que essas mídias não estavam sendo contempladas à altura. A expectativa é que agora, com a mudança no comando da Secretaria de Comunicação Social, as publicações que atuam em defesa do governo serão mais contempladas.

Ao reagir ao PT, Helena Chagas disse que o critério adotado para distribuição das verbas de publicidade é de "mídia técnica, que herdamos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que soubemos preservar e aprimorar".

Helena afirmou ainda que "propiciou a oportuna e equilibrada publicidade governamental de tais ações públicas, trazendo ao cidadão informação clara e objetiva a respeito de seus direitos e das oportunidades que lhe eram postas".

Segundo ela, atualmente há 9.963 veículos cadastrados para receber investimentos de mídia do governo, cadastro esse que foi ampliado na sua gestão.

Só que no PT e dentro do próprio governo, há quem ache que este critério "técnico" adotado por Helena não atendia às novas modalidades de comunicação, particularmente os blogs divulgados na internet, que defendem a presidente e o modelo petista. Para eles, alguns dos chamados "blogs sujos" podem ser muito mais lidos e ouvidos do que muitos meios de comunicação tradicionais e que isso não era aferido pela Secom.

Ontem, a presidente Dilma informou, por meio de nota, que aceitou o pedido de demissão de Helena, agradeceu "a dedicação e os relevantes serviços prestados" e confirmou a sua substituição por Thomas Traumann, que ocupava o posto de porta-voz do Planalto.

Ao substituir o comando da Secom, Dilma optou por dar um novo estilo à pasta, considerada estratégica na campanha à reeleição. A intenção é que a Secretaria de Comunicação Social da Presidência seja mais atuante e preparada para a artilharia pesada que o governo acredita que enfrentará na eleição. A Secom deverá adotar o modelo de responder com veemência as críticas que receber, adotando uma espécie de estilo bateu, levou.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Preço da energia atinge o teto em fevereiro, e conta de luz pode subir até 10%

Custo do megawatt dobra e vai a R$ 822

Bruno Rosa, Ramona Ordoñez

RIO - O consumidor vai pagar caro pelo calor do último mês e pelo baixo volume de chuvas. Além dos gastos com a geração das usinas térmicas, que custam mais que a energia das hidrelétricas, os brasileiros ainda vão arcar com as despesas das distribuidoras com a compra de energia no mercado livre. O preço para o início de fevereiro é o maior desde setembro, quando mudou a forma de calcular o valor da energia. Para primeira semana de fevereiro, atingiu R$ 822,83, o teto estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em janeiro esse valor era quase a metade: R$ 466. Com isso, as contas de luz podem subir até 10% na data anual do reajuste.

De acordo com estimativa da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), se todos esses custos permanecerem no atual patamar, as distribuidoras poderão pedir à Aneel, que autoriza os reajustes, repasse do custo mais alto nas contas de luz.

As distribuidoras têm de recorrer ao mercado livre, pois não vêm conseguindo obter toda a energia necessária para atender à demanda nos leilões feitos pelo governo federal. Atualmente, elas precisam comprar 3,3 mil megawatts (MW) médios adicionais e, assim, acabam tendo que arcar com preços elevados.

A Abraceel diz ainda que, se os valores no mercado livre se mantiverem nesse patamar durante todo o mês de fevereiro, o gasto extra das distribuidoras chegará a R$ 1,6 bilhão. Segundo especialistas, o preço no mercado livre é balizado principalmente pela expectativa de chuvas e pelo nível dos reservatórios. No último dia 30, diz o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as hidrelétricas da Região Sul chegaram a 58,6% de sua capacidade, número menor que no dia anterior, de 59,4%. Entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste, o nível caiu de 40,8% para 40,6%. No Nordeste, o volume ficou igual, em 42,5%. Só na região Norte houve alta: de 59,6% para 60%.

— As distribuidoras estão descontratadas. Nos leilões feitos pelo governo, os empreendimentos (como hidrelétricas e usinas eólicas) vêm atrasando e a energia não entra no sistema. Por isso, elas têm que recorrer ao mercado livre. E esse custo vai chegar ao consumidor do mercado cativo. Estima-se alta em torno de 10% nas contas para 2014 — disse Reginaldo de Medeiros, presidente da Abraceel.

A conta mais alta pode chegar aos consumidores do Rio em novembro, quando acontece o reajuste da Light. O da Ampla, que opera em Niterói e outros municípios do Estado do Rio, é em março. Em Minas, o reajuste da Cemig é em abril, assim como o da CPFL, em São Paulo. Na paulista Eletropaulo, a revisão acontece em julho.

Governo estuda novo socorro
Fonte da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), diz que o governo estuda uma solução para evitar um impacto nas contas de luz. Uma das hipóteses é um novo socorro via Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), com recursos do Tesouro Nacional:

— Em dezembro, o governo fez leilão adicional e cortou pela metade a necessidade das distribuidoras.

Para Cristopher Alexander, presidente da comercializadora Comerc Energia, as distribuidoras são as maiores prejudicadas:

— Há risco de inadimplência no setor. As distribuidoras poderão repassar esses custos, mas o Tesouro pode socorrer essas companhias.

Hoje, a maior parte das indústrias de grande porte que recorrem ao mercado livre assina contratos de longo prazo, que variam de três a cinco anos, para evitar as oscilações do mercado. Acredita-se que algumas indústrias, para aproveitar os preços, poderão reduzir atividades e “vender” o excedente no mercado livre.

— Algumas empresas podem usar óleo combustível em seus processos e contribuir com o setor elétrico liberando energia, liquidada a R$ 822 o MWh — disse Paulo Pedrosa, presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais e de Energia de Consumidores Livres (Abrace).

Fonte: O Globo

Aliado de Marina se lança ao governo paulista e desafia PSB de Campos

'Rede não nasceu para ser subserviente aos projetos políticos tradicionais', diz Ricardo Young

Isadora Peron

SÃO PAULO - Aliado político da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, o vereador paulistano Ricardo Young (PPS) lançou, durante um jantar com integrantes da Rede Sustentabilidade, seu nome ao governo de São Paulo. "A Rede não nasceu para ser subserviente aos projetos políticos tradicionais. Nós não nascemos para passar em branco nessas eleições. Então eu queria dizer para vocês que vou me colocar à disposição da candidatura para governo do Estado", discursou na quinta-feira, 30, sob aplausos dos marineiros.

Young iria para a Rede, mas, como Marina não conseguiu reunir assinaturas suficientes para registrar o partido no ano passado, resolveu permanecer no PPS. Boa parte daqueles que tentaram fundar o partido acabou migrando para o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pré-candidato Palácio do Planalto.

Para ser vice na chapa presidencial, Marina colocou como condição a Campos abandonar o projeto de apoiar a reeleição de Geraldo Alckmin (PSDB) e lançar candidato próprio em São Paulo. O empecilho é que a máquina do partido é controlada pelo deputado Márcio França, que tem reivindicado para si o posto de candidato. Integrantes da Rede temem que uma candidatura de França, que foi secretário de Alckmin e mantém uma relação de proximidade com o tucano, seja apenas de "fachada" e não represente o movimento da nova política defendido por Marina.

"Eu acho que a política também se faz com coragem e insubordinação. Nós estamos muito comportados. Nós não criamos a Rede para sermos comportados, nós criamos para fazer avançar a política, para puxar o PSB e o PPS para o nosso campo. Se a Rede considerar que o meu nome pode contribuir para o tensionamento dessa situação, contem comigo", afirmou Young.

A ideia inicial de Marina era lançar a deputada Luiza Erundina (PSB) ao governo. Ela, no entanto, recusou a oferta e complicou a negociação. Assim como o nome de França não é bem visto pelo grupo da ex-ministra, o PSB também não mostra disposição em aceitar um quadro ligado à Rede, como o deputado Walter Feldman.

Desponta como uma opção mais neutra o nome do advogado Pedro Dallari, filiado ao PSB. Para concorrer, no entanto, ele teria de deixar o posto de coordenador da Comissão Nacional da Verdade.

A chance de Young conseguir sair candidato, pelo menos no momento, é baixa. O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire, afirmou que o projeto do partido é permanecer aliado aos tucanos paulistas e apoiar a reeleição de Alckmin.

Minas. Não é apenas em São Paulo que a montagem das alianças regionais está indefinida. Na semana passada, a Rede de Minas emitiu uma nota defendendo o rompimento com o PSDB. No dia seguinte, o comunicado foi desautorizado pela Executiva nacional da sigla, que afirmou que a situação ainda estava em discussão.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Aliado de Marina afronta PSB

Vereador do PPS se lança como candidato ao governo pela Rede, mas Campos tem outro nome

SÃO PAULO. Aliado político da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, o vereador paulistano Ricardo Young (PPS) lançou, durante um jantar com integrantes da Rede, seu nome ao governo de São Paulo. “A Rede não nasceu para ser subserviente aos projetos políticos tradicionais. Nós não nascemos para passar em branco nessas eleições. Então eu queria dizer para vocês que vou me colocar à disposição da candidatura para governo do Estado”, discursou sob aplausos dos marineiros.

Young iria para a Rede, mas, como Marina não conseguiu assinaturas suficientes para registrar o partido no ano passado, resolveu permanecer no PPS. Boa parte daqueles que tentaram fundar o partido acabou abrigada no PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pré-candidato à Presidência – a exemplo de Marina.

A ex-ministra fechou um acordo com Campos segundo o qual o PSB teria candidato próprio em São Paulo e desistiria do projeto de apoiar a reeleição de Geraldo Alckmin (PSDB). O problema é que a máquina do partido quer indicar o deputado Márcio França para o posto de candidato. França é muito próximo dos tucanos, e os integrantes da Rede temem que uma candidatura dele seja apenas de fachada.

“Eu acho que a política também se faz com coragem e insubordinação. Nós estamos muito comportados. Nós não criamos a Rede para sermos comportados, nós criamos para fazer avançar a política, para puxar o PSB e o PPS para o nosso campo. Se a Rede considerar que o meu nome pode contribuir para o tensionamento dessa situação, contem comigo”, afirmou Young.

A ideia inicial de Marina era lançar a deputada Luiza Erundina (PSB) ao governo. Ela, no entanto, recusou a oferta e complicou a negociação. Assim como o nome de França não é bem visto pelo grupo da ex-ministra, o PSB também não mostra disposição em aceitar um quadro ligado apenas à Rede, como o deputado Walter Feldman. Desponta como uma opção mais neutra o nome do advogado Pedro Dallari, filiado ao PSB. Para concorrer, no entanto, ele teria que deixar o posto de coordenador da Comissão Nacional da Verdade.

Programa. A saída mágica para evitar um confronto dos chamados “sonháticos” da Rede Sustentabilidade com os pragmáticos do PSB na elaboração das bases do programa comum de governo que serão lançadas em grande ato político na próxima terça-feira, é permear em todo o texto a expressão “sustentável”.

O foco será recuperação e investimento pesados em infraestrutura e logística como ponto de partida para a retomada do crescimento econômico.

Vacinas
Padilha. O ministro da saúde e pré-candidato ao governo paulista, Alexandre Padilha (PT), rebateu ontem críticas do PSDB de que teria feito propaganda eleitoral antecipada ao fazer pronunciamento em cadeia nacional sobre a campanha de vacinação.

Oposição. Na quinta-feira, o PSDB paulista disse que vai entrar com um processo na Justiça Eleitoral contra o ministro por propaganda eleitoral antecipada.

Defesa. Padilha nega que tenha usado a máquina pública para fazer campanha. “Não sei o que eles (a oposição) têm contra a divulgação de uma vacina. Nós fizemos o pronunciamento porque começaram as aulas esse mês”, disse o pré-candidato.

Entrave
Cúpula. A chance de Young sair candidato é baixíssima. O presidente do PPS, Roberto Freire, afirmou que o projeto do partido é permanecer aliado aos tucanos e apoiar a reeleição de Alckmin.

Fonte: O Tempo (MG)

Bolívar Lamounier diz que eleição será afetada por fator "imponderável"

Sociólogo e cientista político avalia que a espontaneidade dos movimentos de junho os tornou mais fortes que ações organizadas

Há uma corrente de conceituados pensadores apontando que as eleições tendem a ser opacas, com fraca participação dos movimentos populares que convulsionaram o país no inverno de 2013. O sociólogo e cientista político Bolívar Lamounier vai na contramão.

Prevê uma campanha eleitoral “acirrada” e interpreta que os rebeldes de junho “se robusteceram” ao não perderem tempo com reuniões, escolha de líderes e discussões sobre estratégias. A espontânea agilidade foi o seu trunfo.

Atual membro do Comitê Assessor Acadêmico do Clube de Madri (criado em 2002 para promover a democracia no mundo), Lamounier concedeu entrevista a ZH, por e-mail. Ele chama a atenção para o que chama, em um eco de Nelson Rodrigues, de “Imponderável de Almeida”, o ente sobrenatural que representa a indignação dos brasileiros.

Como deve influir na próxima eleição a herança das manifestações de 2013

Zero Hora – Que tipo de eleições se pode esperar para 2014, a partir dos megaprotestos de junho de 2013 e dos questionamentos atuais às obras da Copa do Mundo?

Bolívar Lamounier – Vamos ter uma eleição aberta e acirrada. Dilma começa com uma vantagem muito grande nas pesquisas, quanto a isso não há dúvida. E não se faz de rogada quando se trata de usar o gasto público e a máquina do Estado com o objetivo de se reeleger. Lembro, no entanto, que ela não venceu com folga o segundo turno de 2010, quando a economia estava muito mais forte e não havia uma onda de protestos como a atual. Com todos os desgastes sofridos, a oposição levou o pleito para o segundo turno e foi bem votada. Esquematicamente, podemos portanto afirmar que a campanha começará com três peças relevantes no tabuleiro. Primeiro, Dilma Rousseff, contando com a máquina do Estado e uma ampla aliança governista. A oposição, agora ampliada, com Aécio Neves pelo PSDB e Eduardo Campos pelo PSB. E o "Imponderável de Almeida”, representado pelo descontentamento geral, com uma indignação muito grande contra os gastos da Copa e com a economia rateando a olhos vistos.

ZH – Quais as vantagens, legítimas e ilegítimas, do atual governo?

Lamounier – Entre as legítimas, estar na presidência é em si uma grande vantagem; ter o apoio do Lula e do PT, é outra grande vantagem; ter um eleitorado cativo no Nordeste e no Norte, graças ao bolsa-família, outra vantagem importante. Entre as ilegítimas, a gastança, que é real, e o lançamento de novos programas na base do SPP – “Se Pegar, Pegou”. Tudo somado, a presidente tem uma rampa de lançamento em torno de 35%, o que parece imbatível à primeira vista.

ZH – E como qualifica a oposição?

Lamounier – Faz anos que o PSDB é duramente criticado por certas parcelas da classe média (basta olhar as redes sociais) que não o consideram suficientemente oposicionista, avaliam que Aécio Neves não tem “carisma” e discordam do cronograma: acham que a campanha já devia estar na rua. Tudo isso mereceria ser discutido, mas vamos ao essencial: o PSDB começa com um índice de intenções de voto que mal chega à metade da rampa da Dilma. Ainda assim, convém lembrar que as três últimas eleições foram para o segundo turno. Em 2010, o José Serra fez uma campanha muito ruim, mas Dilma não venceu o segundo turno com folga.

ZH – Os movimentos que foram às ruas em junho podem influenciar nas eleições?

Lamounier – As manifestações iniciadas em junho nada tiveram a ver com o PT. Ao contrário, foram contra ele em grande parte. Em alguns casos, os manifestantes hostilizaram os petistas e rasgaram bandeiras do partido. Se voltarem por ocasião da Copa, os protestos serão certamente autônomos. Não se deixarão dominar pelo PT, até porque o seu alvo será o governo Dilma, responsável por esses gastos absurdos: essa absoluta distorção de prioridades que a Fifa impôs ao país.

ZH – Esses movimentos conseguirão se articular ou são forças esparsas?

Lamounier – É verdade que os protestos de junho-julho não tiveram uma liderança nem objetivos bem definidos. Mas, naquele caso em especial, isso não foi um fator de enfraquecimento, ao contrário, foi de robustecimento. Se vários grupos se sentassem à mesa para definir objetivos e escolher líderes, teriam gasto meses nisso, e as manifestações não teriam acontecido. Sem esquecer que os líderes teriam constituído um alvo fácil para o PT, que trataria de desqualificá-los. O PT bateria o bumbo dizendo que eles não representavam ninguém, que tinham objetivos políticos escusos e por aí afora.

ZH – Poderia ser diferente em 2014?

Lamounier – Não sei, vamos ver. Em princípio, eu acho que não vai ser muito diferente.

ZH – O brasileiro estaria desencantado com a política e as eleições?

Lamounier – O tema do desencanto retorna a cada ano eleitoral, mas, na hora H, os eleitores comparecem e votam. O envolvimento popular poderia ser melhor, mais intenso? É claro que poderia, mas também é verdade que nós analisamos esse assunto numa ótica muito idealizada, imaginando um padrão de civismo e participação que não existe em parte alguma do mundo.

Fonte: Zero Hora (RS)

Foco em educação e sustentabilidade

PSB e Rede divulgam na próxima semana as diretrizes do programa para a disputa da eleição em outubro

Aline Moura

O governador Eduardo Campos (PSB) dará mais um passo, nesta próxima terça-feira, para se consolidar como presidenciável. Ele e a ex-senadora Marina Silva lançam, às 10h, em Brasília, as diretrizes do programa de governo para nortear os discursos do PSB/Rede na disputa eleitoral. A divulgação da plataforma política antes da oficialização do nome do candidato será uma novidade criada a partir da aliança entre Eduardo e Marina. O caminho natural era sempre o inverso, mas o PSB e a Rede serão os primeiros a apresentar o que querem para o futuro. O destaque será dado à educação e ao desenvolvimento sustentável.

Embora Marina Silva tenha dito a alguns jornalistas que aceita ser candidata a vice de Eduardo, ela não deve oficializar a decisão nesta terça-feira, segundo avaliação de seus companheiros. Há muito em jogo para ser discutido nos estados, Marina quer que o PSB rompa alianças com o PSDB em locais estratégicos, como São Paulo, e uma eventual antecipação de sua candidatura a vice lhe tiraria força política. Até o dia 10 de março, prazo estipulado pelo governador, as lideranças nos estados têm de debater alianças, redirecionar rumos e ver onde pode ou não haver consenso. Os casos mais difíceis serão arbitrados pela executiva nacional do PSB a partir do dia 25.

O evento programático, como chamam Eduardo e Marina, será transmitido ao vivo pela TV João Mangabeira e pelos sites do PSB nacional e da Rede Sustentabilidade. O discurso em cena deve ser novamente num tom crítico à gestão da presidente Dilma Rousseff (PT), a qual Eduardo vê como um retrocesso, um modelo que “já deu o que tinha de dar”. O de Marina Silva seguirá o mesmo ritmo.

Segundo o deputado federal Walter Feldman (SP), visto como um dos principais escudeiros de Marina, o documento vai trazer o compromisso do PSB e da Rede, por exemplo, de investir 10% do Produto Interno Bruto em educação. Também será mais claro em relação ao que as legendas pensam sobre o desenvolvimento sustentável. Feldman falou com o Diario por telefone, após passar três dias em Pernambuco.

“Vamos sair do campo do discurso. A questão central será a educação e o desenvolvimento sustentável. Eu vou citar um exemplo: o agronegócio tem uma produção gigante, mas aberta à devastação. Mas é possível ocupar um espaço na agricultura com mais qualidade, sem devastação.

No tocante à educação, reconhecemos que houve avanço quantitativo, mas não tem qualidade para o Brasil dar um salto. Pretendemos investir 10% do PIB na educação”, observou, citando alguns pontos do que será divulgado.

Fonte: Diário de Pernambuco

Oposição ainda avalia qual discurso adotar no Mundial

Grupo busca discurso ideal, tendo em vista que muitos dos seus governadores receberão jogos, colocaram recursos públicos na construção de estádios e terão de lidar com manifestações

Débora Bergamasco

A realização da Copa do Mundo no Brasil acabou se tornando motivo de preocupação para boa parte dos governantes do País. A oposição ainda articula o discurso ideal, tendo em vista que muitos dos seus governadores receberão jogos, colocaram recursos públicos na construção de estádios e terão de lidar com o risco de violência em manifestações.

Das 12 capitais que serão sede da Copa, cinco estão localizadas em Estados governados pela oposição: São Paulo, Minas Gerais, e Paraná, pelo PSDB; Rio Grande do Norte, pelo DEM; e Pernambuco, pelo PSB.

Em Minas Gerais, governado por Antonio Anastasia (PSDB) e reduto eleitoral do presidenciável Aécio Neves (PSDB), o Mineirão recebeu R$ 295 milhões de recursos estaduais e R$ 400 milhões de financiamento federal.

O governador e também presidenciável Eduardo Campos (PSB) colocou R$ 132,6 milhões na Arena Pernambuco, que se somaram aos R$ 400 milhões do financiamento federal.

Além dos gastos públicos questionados nos protestos de rua, há obras de mobilidade urbana – boa parte delas com recursos estaduais – atrasadas em praticamente todas as cidades-sede.

Outro problema para os governadores oposicionistas é que as polícias militares que eventualmente terão de reprimir manifestantes na Copa são subordinadas a eles. Na hipótese de o Brasil vencer o torneio, a oposição terá dificuldade em elaborar um discurso crítico que seja absorvido pela população.

‘Sagrado’. Em razão disso, a saída, por ora, analisada pela oposição é jamais questionar a escolha do Brasil para sediar o campeonato mundial do esporte mais popular do País.
De acordo com líderes ouvidos pelo Estado, o assunto futebol é visto como "sagrado". Nas palavras dos oposicionistas, o governo federal será atacado nos quesitos "falta de planejamento" e "incapacidade de gestão". A intenção é mostrar que o Brasil não está conseguindo aproveitar a oportunidade de sediar a Copa para dar um salto na infraestrutura, desenvolvimento e legado social.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Rolf Kuntz: Se a economia vai mal, mude-se a comunicação

O governo gastou demais, desperdiçou bilhões com incentivos errados, ajeitou as contas com receitas extraordinárias e chega a fevereiro sem meta fiscal e com perspectiva de mais um ano de baixo crescimento, inflação alta e resultado pífio no setor externo. Mas a presidente mostra-se muito menos preocupada com a qualidade e os resultados da administração federal do que com a imagem de sua política e, é claro, com os arranjos eleitorais. Todos os ministros substituídos, exceto um, saem do governo para cuidar de suas candidaturas. A exceção é a ministra Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação (Secom). Seu sucessor será o atual porta-voz do Executivo, Thomas Traumann, escolhido, segundo se informa em Brasília, para enfrentar com mais vigor as notícias negativas e cuidar melhor dos interesses partidários. Esta mudança é a mais, com perdão da palavra, emblemática. A ideia, tudo indica, é transformar a Secom num Ministério da Imagem. Os principais condutores da fracassada política econômica permanecerão nos postos.

É cedo para dizer como funcionará no dia a dia o novo Ministério da Imagem, como serão distribuídas as verbas publicitárias, como serão orientados os blogueiros chapa-branca e como se apresentará o próprio ministro, mas um ponto é certo: nenhum esforço de comunicação será suficiente para neutralizar os efeitos reais de uma política econômica abaixo de medíocre. Não há como imputar à ministra Helena Chagas a inflação de 5,91%, o déficit em conta corrente de US$ 81,4 bilhões, a estagnação da indústria, o investimento ainda inferior a 20% do produto interno bruto (PIB) e a baixa disposição dos empresários, indicada em pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de investir neste ano.

Para muitos desses empresários, a ministra Helena Chagas e seu sucessor devem ser figuras desconhecidas ou vagamente lembradas. Mas com certeza todos são capazes de citar o nome do ministro da Fazenda, dos presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) e do Banco Central (BC) e de outras personagens associadas, para o bem ou para o mal, às condições, em geral ruins, da economia brasileira. Os muito atentos talvez até se lembrem do assim chamado ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Mas quem vinculará os percalços econômicos do País à Secom?

Há, de fato, problemas de imagem e de credibilidade, associados, por exemplo, à famosa contabilidade criativa, à promiscuidade entre o Tesouro e os bancos federais, ao desastrado controle de preços e de tarifas e ao uso - discutibilíssimo, embora legal - das exportações fictícias de plataformas de petróleo para reforçar o saldo comercial. Sem esse expediente o resultado do comércio de 2013 teria sido um déficit de US$ 5,18 bilhões, em vez de um superávit de US$ 2,56 bilhões. A perda de credibilidade expõe o Brasil ao risco de rebaixamento de sua nota de crédito. Essa é uma das preocupações evidentes da presidente Dilma Rousseff e foi uma das motivações de sua viagem a Davos, depois de três anos esnobando o Fórum Econômico Mundial.

Mas nenhuma estratégia de informação ou propaganda apagará os números publicados pelo governo ou descobertos por analistas ou repórteres atentos. O último relatório do BC sobre as contas fiscais, divulgado na sexta-feira, confirma a redução do superávit primário do setor público de 2,39% do PIB em 2012 para 1,9% em 2013, a menor proporção da série iniciada em 2001. O déficit nominal (incluída, portanto, a conta de juros) aumentou de 2,48% para 3,28% do PIB.

As contas do Tesouro divulgadas no dia anterior são igualmente ruins. O resultado primário de R$ 77,07 bilhões só foi obtido com grande volume de receitas extraordinárias, ou atípicas, como R$ 22,07 bilhões correspondentes a bônus de concessões. A soma de todos os extras chega a 79% do superávit primário, isto é, do dinheiro destinado ao pagamento de juros da dívida pública. Não houve, de fato, economia para a geração desse resultado. A despesa do governo central foi 13,6% maior que a do ano anterior, enquanto a receita líquida, isto é, descontadas as transferências a Estados e municípios, cresceu 12,5%.

Funcionários do Ministério da Fazenda têm consultado especialistas do mercado financeiro sobre a meta fiscal desejável e crível para este ano. Um superávit primário equivalente a 2% do PIB deve parecer adequado, segundo avaliações divulgadas nos últimos dias. Mas ainda é incerto se a presidente Dilma Rousseff estará disposta a assumir um compromisso dessa proporção.

Ao tomar a decisão, a presidente levará em conta, quase certamente, as agências de classificação de risco, os interesses eleitorais e os perigos associados às novas condições do mercado financeiro, resultantes da redução gradual dos estímulos monetários nos Estados Unidos. A política de comunicação poderá influenciar uma parte do eleitorado. Mas dificilmente afetará as avaliações dos especialistas e do público mais informado. Além do mais, as informações - espera-se - continuarão disponíveis.

Parte dessas informações é de origem oficial. O BC continua prevendo inflação bem acima da meta pelo menos até o próximo ano. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fornecerá, se nada mudar, informações mensais sobre produção industrial, emprego, renda e consumo, e a cada trimestre deverá atualizar os dados do PIB. Especialistas do setor privado serão consultados semanalmente pelo BC sobre suas previsões. Por enquanto, são ruins: crescimento econômico próximo de 2%, inflação perto de 6% e contas externas fracas. O governo da presidente Cristina Kirchner tem sido mais direto. Além de pressionar a imprensa e proibir a divulgação de cálculos privados de inflação, interferiu nas estatísticas oficiais. Deve haver em Brasília defensores desse modelo. Terão sucesso?

Jornalista

Fonte: O Estado de S. Paulo