sábado, 19 de abril de 2014

Nelson Motta:Desconstruindo o novo Brasil

Sem contar o caixa dois, só as doações legais das empreiteiras já bastariam para financiar com sobras as campanhas de todos os partidos

- O Globo

Parece simbólico e vai além do metafórico, é quase poético. São elas que constroem o país, as cidades, fábricas, estradas, usinas e aeroportos, mas também o corroem por dentro, como as maiores doadoras de campanhas eleitorais e maiores beneficiárias das obras públicas. Mesmo envolvidas com frequência em escândalos de corrupção, são como forças armadas de concreto: grandes empreiteiras ou seus donos e executivos nunca foram condenados em processos relevantes, embora até políticos importantes e banqueiros estejam presos.

Sem contar o caixa dois, só as doações legais das empreiteiras já bastariam para financiar com sobras as campanhas de todos os partidos, embora não devessem ser chamadas de doações, mas de investimentos, porque a conta é cobrada depois, com superfaturamentos e aditivos. No fim, elas acabam agindo como intermediárias, repassando aos partidos e candidatos parte de seus ganhos não contabilizados às custas dos contribuintes. Uma forma bem brasileira de financiamento público das campanhas… rsrs.

Nas concorrências, os preços na prática são simbólicos: o que vale são os aditivos. Ganha-se uma licitação com um preço menor que o dos concorrentes, as vezes com informações privilegiadas ou preços combinados, mas ao longo do contrato vão sendo feitos incontáveis aditivos que tornam a obra muito mais cara e fazem da concorrência uma farsa que todos aceitam como legitima. É um jogo, mas quem perde sempre é o contribuinte.

Se forem mesmo proibidas as doações de empresas, as maiores prejudicadas serão as empreiteiras, que economizarão nas doações, mas perderão influencia sobre seus representantes no poder, e vão ter que gastar mais em subornos, mordidas e comissões no varejo para manter a bola rolando. No fim das contas, vai sair mais caro.

Claro, há empreiteiros vitoriosos e honestos, muitos até gostariam de ser, mas não sobreviveriam à concorrência desleal institucionalizada. O irônico é que os que constroem tantas obras úteis e grandiosas são os que mais geram entulho ético e politico para o país. Mas, ao contrário dos políticos, eles roubam, mas, ao menos, fazem.

Joel Rufino dos Santos:O teste da realidade

Muitos da direita acreditam que os governos Lula e Dilma são de esquerda. Tomam a nuvem por Juno. Nenhum dos dois fez qualquer reforma social

- O Globo

Um dos nossos pensadores disse em algum lugar que Brecht era um legítimo homem de esquerda porque estava sempre disposto a recomeçar do zero. Essa a nossa credencial, embora alguns não arredem pé de ideias e crenças liquidadas pela realidade. Os que recomeçamos do zero, a cada derrota, podemos, por isso, no momento em que reaparece o fantasma do anticomunismo — mais velho, aliás, que o próprio comunismo —, abrir um diálogo com a direita.

De fato, nada garante que ela está sempre errada e a esquerda sempre certa. A única caução de uma ou de outra é a ética, um imperativo categórico anterior às ideologias, às escolhas políticas e aos dispositivos que lhes deram corpo histórico — às vezes tenebroso como o stalinismo. Bobbio quis demonstrar que de direita é quem prioriza a liberdade, de esquerda quem prioriza a igualdade.

É outra forma de dizer ética. Desde que a mais-valia se tornou a forma dominante (há outras) de apropriação do fruto do trabalho, podemos escolher o lado do capital ou do trabalho. Não é simples assim. Saramago se dizia um comunista hormonal, circunstância biológica, nata, que também pode ser reivindicada pelo anticomunista.

A direita contemporânea nos abriu os olhos para o fracasso das revoluções de esquerda. Não passamos no teste da realidade, todas resultaram em regimes de partido único ou tiranias. O marxismo, cuja prova de verdade é a prática, não foi aprovado pelo próprio critério. Sobrevive na “teoria da práxis” — o homem faz o mundo fazendo-se a si mesmo — e como método de análise historiográfica.

Muitos da direita acreditam que os governos Lula e Dilma são de esquerda. Tomam a nuvem por Juno. Nenhum desses governos fez qualquer reforma social (e teve tempo e base parlamentar para isso) — nem a agrária, nem a urbana, nem a tributária, nem a política... Nunca passou do assistencialismo. Está muito atrás do governo Goulart, derrubado porque as iniciou. Em compensação, o PT praticou a corrupção, desmoralizando a esquerda sem ser de esquerda, e oferecendo munição à direita — ela lhe fica devendo esse favor. É o que tem levado manifestantes de direita à rua, acordando os piores demônios — a ditadura, o golpe, a tortura, a cassação, o expurgo etc.

Os tempos são outros. O golpe civil-militar de 64 teve clima favorável: intervenção americana (que não envergonhou os “patriotas”), inflação galopante, medo patológico da revolução cubana (1959-61), antitrabalhismo do grande capital, unanimidade da mídia contra Goulart etc. O golpe de 64 foi uma contrarrevolução, embora ao se autobatizar Revolução Redentora dissesse uma coisa para falar outra.

A derrubada de Goulart, eleito e forte entre os trabalhadores, foi saudada por muitos democratas de direita. Caíram em si aos poucos. E tiveram de aguentar a carinhosa marchinha de Zé Kéti:

“Marchou com Deus pela democracia, agora chia, agora chia... Você perdeu a personalidade, agora fala em liberdade.”

Com todo o respeito.

Joel Rufino dos Santos é historiador

Cacá Diegues: Tempos difíceis

O golpe de 1964 mudou a vida de cada um de nós e a percepção que tínhamos dela. Nunca mais fomos os mesmos

- O Globo

Não sei se já falei sobre isso, nesse canto de página. Mas a vasta “celebração” do golpe de 1964 na imprensa e na televisão, nesses últimos dias, me deu vontade de voltar àquele tempo. Só na memória, é claro, que no real aquilo não pode de jeito nenhum acontecer de novo no Brasil. Nunca mais.

O golpe não teve apenas consequências públicas, como bem analisaram por esses dias nossos melhores ensaístas em artigos e livros. Ele mudou a vida de cada um de nós e a percepção que tínhamos dela. Nunca mais fomos os mesmos.

Logo depois do Ato Institucional nº5, em 1969, o sufoco me fez deixar o Brasil num exílio voluntário. Depois de passar uns meses na Itália sem encontrar trabalho, me mudei para Paris onde, graças a amigos meus do cinema francês, arrumei um biscate na televisão local (ainda estatal). Como as notícias vindas do Brasil continuavam péssimas, estava difícil decidir entre a esperança e o medo. O ruim do exílio não é onde a gente está, e sim aonde a gente não pode ir.

Aqueles eram tempos difíceis, sim. Mas que tempos não o são? Como é mesmo muito difícil viver, em qualquer época que seja, temos sempre a impressão de que estamos vivendo o pior momento da história da humanidade. É isso que gera a principal narrativa de conservadores e progressistas.

Como escreveu Lévi-Strauss, para os conservadores a idade de ouro está num passado cujo desaparecimento lamentamos com nostalgia. Para os progressistas, a idade de ouro está no futuro, em nome do qual devemos sacrificar o presente. Nenhum dos dois se dá conta de que a idade de ouro é o tempo que nos foi dado viver.

Tenho a impressão de que Shakespeare que, ao lado de Dostoievski e Proust, escreveu quase tudo que se precisa saber sobre a humanidade, percebeu esse equívoco. Desconfio disso pela referência a “tempos difíceis” em várias peças passadas em tão diferentes épocas e lugares. Ela está em Falstaff, quando reclama do tempo em que vive (“Que tempos são esses?”); no Príncipe de Verona, que acusa o tempo presente pela tragédia de Romeu e Julieta; no Hamlet atormentado, para quem “nosso tempo está fora do eixo”.

Detesto esse tipo de acusação contra o pobre do tempo indefeso. Costumamos tratar nosso tempo como terminal, porque incorporamos a ele nossa própria finitude. Mas existem situações excepcionais em que os motivos são evidentes e a reclamação é pertinente. Uma guerra, um desastre natural, uma peste, um regime de opressão. Esse último nos justifica dizermos que, para minha geração, os anos entre 1964 e 1985 (sobretudo os que vão do AI-5 à Lei da Anistia) foram os piores de nossas vidas. Um tempo que gostaria de não ter vivido.

Para vivermos um tempo como aquele, devemos estar preparados para admitir que tudo em nossa vida estará impregnado pelo desastre e pela tragédia que ele provoca. Ainda sobre Shakespeare e Hamlet, o poeta Hans Magnus Enzenberger, um dos autores que andamos descobrindo durante aqueles anos de tantas descobertas, dizia que em toda dramaturgia há sempre um protagonista e um ou mais antagonistas, como está convencionado desde os gregos. Menos em Hamlet, onde o antagonista do herói é o próprio mundo.

Ali, o obstáculo do herói, a razão de sua loucura, dor ou tormento, é o mundo em que vive. E, como Hamlet se debate contra o mundo, não tem tempo para viver. Jan Kott, em “Shakespeare, nosso contemporâneo”, o melhor texto sobre Hamlet abordado como um herói dos anos 1960, diz mais ou menos a mesma coisa.

Não estou me referindo somente à repressão, à censura, à dor da perda de tantos amigos, de gente que admiramos. Mas também à vida em permanente temor, à angústia cotidiana, à renúncia compulsória ao gozo, à pressão do pequeno terror interno, à extrema solidão de cada um separado dos outros. Uma solidão que acabaria na praga de radical e generalizado individualismo, a única saída que pareceu nos enobrecer.

As pessoas de minha geração se drogavam para escapar do horror à nossa volta, para criar um mundo de fantasia que as protegeria da caretice e da cruel opressão, do inaceitável em torno de nós. A droga era uma resistência suicida ao mundo em que não queríamos viver. Hoje, a impressão que tenho é que as pessoas se drogam para melhor se integrarem ao mundo bárbaro e hipócrita, em que o terror é agora administrado pelas bolsas e pelos bancos.

A vida não é mesmo fácil de ser vivida, às vezes é até compreensivo que nos julguemos vivendo o pior dos tempos. Mas há momentos, como nos anos de trevas da ditadura, em que a vida parece perder seu sentido. Ou nós perdemos o gosto de usufruí-la e apenas tratamos de sobreviver. Como se sobreviver fosse suficiente e Sartre tivesse razão ao se referir à superioridade do ratinho vivo sobre o leão morto. Ou, ainda melhor, como a barata repelente na prisão de “Glória feita de sangue”, de Stanley Kubrick, que sobreviveria a Ralph Meeker se Timothy Carey não a destroçasse com a palma da mão.

Cacá Diegues é cineasta

Paulo Rattes, ex-deputado do MDB, morre no Rio

Corpo está sendo velado na sede da prefeitura da Petrópolis, cidade que administrou por 14 anos

Cremação será neste sábado, às 10h, no Memorial do Carmo, onde haverá uma cerimônia para parentes e amigos

- O Globo

RIO - Prefeito de Petrópolis por 14 anos e ex-deputado federal pelo antigo MDB e pelo PMDB, Paulo Rattes morreu na madrugada desta sexta-feira, de insuficiência cardíaca, no hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, onde estava internado há mais de um mês. O corpo está sendo velado na sede da prefeitura de Petrópolis, na Avenida Koeler, no Centro. Na noite desta sexta-feira, volta ao Rio. Ele será cremado às 10h deste sábado, no Memorial do Carmo, no Caju, onde haverá uma cerimônia para parentes e amigos. O ex-prefeito tinha 80 anos, era casado com Ana Maria Rattes e deixa três filhos, os empresários Cláudio e José, e Adriana Rattes, secretária de Cultura do Estado do Rio.

Engenheiro agrônomo, formado em 1955 na Escola Nacional de Agronomia, e advogado com diploma da Faculdade de Direito de Valença (RJ) desde 1978, Paulo José Alves Rattes, esteve à frente da prefeitura de Petrópolis entre as décadas de 1960 e 1980. A sua carreira política começou no MDB, onde foi eleito vice-prefeito de Paulo Gratacós, em 1966. Dois anos depois, em 1968, Rattes assumiu a prefeitura, substituindo Gratacós, que foi cassado pelo militares.

Rattes foi eleito prefeito de Petrópolis por três vezes, ficando à frente da prefeitura entre 1972 e 1976 e entre 1982 e 1989. Filho de José de Morais Rattes e Noêmia da Costa Alves Rattes, ele ocupou também a cadeira de deputado federal e secretário de estado de governo do Rio. Como deputado, exerceu mandato entre 1978 e 1982, retornando à Câmara dos Deputados como suplente do deputado federal Fernando William, em 2003. Foi suplente, mais uma vez, entre janeiro de 2009 e abril de 2010, em virtude do afastamento do deputado Rodrigo Bethlem. Durante os governos de Moreira Franco (1986-1987) e Rosinha Garotinho (2004-2007), Rattes ocupou o cargo de secretário de Governo.

Governador Pezão lamenta morte de político
A trajetória política de Paulo Rattes inclui também o cargo de segundo-secretário do PMDB Nacional, entre 1979 e 1983, e de membro da Comissão Provisória Nacional que fundou o PMDB, em 1983.

— Paulo Rattes foi secretário-geral do PMDB na época de Ulysses Guimarães. Era um combatente contra o regime militar. Tinha uma força política muito grande. Foi um importante incentivador do movimento "Diretas Já!" em Petrópolis. Ele organizava caravanas, que seguiam para o Rio, em apoio ao movimento. Rattes foi o político mais completo que Petrópolis já teve; era um articulador.

Levou o nome da cidade para fora dos limites do estado, e foi nosso político de maior expressão — avalia o vice-presidente do PMDB em Petrópolis, Fernando Fortes.

Em nota, o governador Luiz Fernado Pezão lamentou a morte

— Paulo Rattes foi um dos mais importantes políticos da história de Petrópolis. Um homem experiente que, em seus mandatos como prefeito e deputado federal, contribuiu de maneira inestimável para o desenvolvimento de nosso estado. Registro meus sentimentos e solidariedade aos familiares e amigos.

Música:Paulinho da Viola,Elton Medeiros,Jair do Cavaquinho, Anescar do Salgueiro e Nelson Sargento

Graziela Melo: Coração imperfeito

Meu
coração
imperfeito

cheio
de dores
e mágoas

bate triste

indiferente
ao mundo
torpe

navegando
noutras
águas...

procura
a luz
das estrelas

o afeto
os sentimentos...

arquiva

no fundo
da alma,

da vida

os melhores
momentos!!!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Opinião do dia: Merval Pereira

O “sincericídio” da presidente Dilma, admitindo que não autorizaria a compra se tivesse os dados completos, deu início a essa crise, pois até aquele momento a versão oficial da Petrobras era a de que tinha sido um negócio perfeitamente normal. Hoje, a atual diretoria joga para sua antecessora a culpa, e a presidente da República atual transfere para seu antecessor e mentor a responsabilidade por um “mau negócio” na estatal símbolo do país.

O país precisa saber quem está com a razão.

Merval Pereira, jornalista. “Versões contraditórias”. O Globo, 17 de abril de 2014

PT, PMDB, e Collor loteiam a BR Distribuidora

Diretoria da empresa está dividida entre os partidos; até ex-presidente impichado fez duas indicações

Ramona Ordoñez e Bruno Rosa – O Globo

Andrade Neto, presidente da BR Distribuidora, foi indicado por Lobão Valor/15-12-2011 / Leo Pinheiro
RIO — A Petrobras Distribuidora (BR), maior distribuidora de combustíveis do país, é alvo da barganha de partidos políticos. Se na Petrobras a atual gestão comandada por Maria das Graças Foster vem conseguindo defender a estatal do assédio político sobre os cargos de diretoria, sua subsidiária, dona de 7.500 postos de combustíveis, enfrenta uma realidade bem diferente. De acordo com fontes do setor, a diretoria da BR é dividida entre PT, PTB e PMDB. Dos quatro principais dirigentes, dois foram indicados pelo senador Fernando Collor (PTB-AL), presidente que sofreu impeachment em 1992 após um escândalo de corrupção.

Uma fonte próxima ao Planalto explicou que os cargos de diretoria da BR são ocupados por funcionários de carreira do sistema Petrobras, mas apenas após a indicação e o apoio desses partidos políticos.

Desde o fim do mês passado, a BR está com uma das cinco vagas da diretoria em aberto. No último dia 21, Nestor Cerveró foi demitido do cargo de diretor financeiro da BR, após a presidente Dilma Rousseff ter dito que aprovou a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006, quando era presidente do conselho da Petrobras, baseada em um relatório que teria falhas técnicas e jurídicas. O relatório fora apresentado por Cerveró, que na ocasião ocupava o cargo de diretor internacional da estatal. Agora, a Petrobras já admite oficialmente que a compra de Pasadena não foi um bom negócio.

A saída de Cerveró da diretoria da área internacional da Petrobras para ocupar a diretoria financeira da BR, em 2008, não foi por conta da polêmica compra de Pasadena, em 2006, mas, sim, resultado de mais um acerto político do governo Lula. Segundo fontes, a saída de Cerveró fez parte das negociações de cargos do governo com o PMDB mineiro, que reivindicava uma diretoria na Petrobras.

Nestor Cerveró estava no cargo de diretor da área internacional da Petrobras desde o início do governo Lula, tendo sido indicado pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS). Foi substituído na Petrobras pelo engenheiro Jorge Zelada, indicado por líderes do PMDB. Para manter o prestígio do cargo de diretor, Cerveró foi remanejado, então, para a diretoria financeira da BR. Procurado, o ex-presidente Lula disse, por meio da assessoria, que não vai se pronunciar sobre o assunto. Já a assessoria do PMDB disse que não poderia comentar esses fatos, pois as indicações para a BR não foram feitas pela atual direção do partido.

Com um atuação considerada fraca, Jorge Zelada deixou a diretoria internacional da Petrobras em julho de 2012, cinco meses após Graça Foster assumir a presidência da estatal. Desde então, Graça Foster tem resistido às fortes pressões políticas do PMDB para nomear outro executivo para a diretoria internacional ligado ao partido. Graça acumula, desde então, a presidência com a diretoria.
Agora, com a saída de Cerveró da diretoria da BR, o cargo passou a ser acumulado pelo presidente da subsidiária, José Lima de Andrade Neto, que foi indicado ao cargo pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA).

Já Luis Alves de Lima Filho, diretor da Rede de Postos de Serviço, e Vilson Reichemback da Silva, diretor de Operações e Logística, assumiram os cargos em julho do ano passado, contando com a indicação de Collor, segundo fontes do setor. A diretoria ainda é composta por Andurte de Barros Duarte Filho, diretor de Mercado Consumidor, que conta com o apoio do PT.

Apesar de o PTB ter influência na BR desde o segundo mandato de Lula (2007-2010), optou-se pela indicação de pessoas que já trabalhavam na empresa. Luis Alves de Lima Filho está há 24 anos na Petrobras Distribuidora. Já Reichemback está na estatal há quase 38 anos.

Uma pessoa bem informada sobre o setor lembra que o atual presidente da BR já comandou a Petroquisa, subsidiária da Petrobras para a área petroquímica, e chegou a secretário do Ministério de Minas e Energia.

Segundo fontes, a BR sempre foi cobiçada pelos políticos devido ao seu grande volume de negócios.

De acordo com seu balanço financeiro, a subsidiária da Petrobras registrou no ano passado uma receita operacional líquida de R$ 86,585 bilhões — uma alta de 12% em relação ao ano anterior. O lucro líquido, por sua vez, subiu 12,7%, para R$ 2,132 bilhões.

Procurado, o PTB informou que não participou das indicações dos diretores. Por meio de sua assessoria de imprensa, esclareceu que, na realidade, os diretores foram indicação do senador Fernando Collor. A assessoria de Collor disse que o senador não poderia comentar o assunto, pois estava em Alagoas.

Por sua vez, a Petrobras destacou que todos os integrantes da diretoria executiva da BR “são técnicos de carreira do Sistema Petrobras, com ampla experiência em suas áreas de atuação”.
Segundo a Petrobras, o presidente da BR, Andrade Neto, tem 36 anos de empresa. O diretor de Mercado Consumidor, Andurte de Barros Filho, é empregado da Petrobras desde 1982.

Petrobras, de novo, no meio do debate eleitoral

Nas últimas três disputas presidenciais, a empresa esteve presente na discussão entre os postulantes ao Planalto. Em 2014, não será diferente, com um componente a mais: uma CPI, cuja abrangência será definida na semana que vem

Paulo de Tarso Lyra – Correio Braziliense

Os embates verbais travados na última segunda-feira entre os três principais postulantes ao Planalto em 2014 envolvendo a Petrobras comprovaram que a principal estatal brasileira, independentemente ou não de a CPI ser instalada no Congresso, estará no centro do debate eleitoral de outubro. No Recife, Dilma Rousseff afirmou que “não deixará a oposição destruir a Petrobras”; em Brasília, Eduardo Campos rebateu que a “Petrobras não vai se transformar em caso de polícia”; e em Salvador, Aécio Neves declarou que “a presidente terá de devolver limpo o macacão da Petrobras”.

A Petrobras como centro do debate eleitoral, contudo, não é novidade. Isso ocorre desde 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva derrotou José Serra na corrida presidencial. A eleição marcou o fim dos oito anos de mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o candidato petista afirmou que, se eleito, toda a produção envolvendo a principal estatal brasileira seria nacionalizada: plataformas, estaleiros e outras compras governamentais.

Era uma resposta às suspeitas de superfaturamento na compra de plataformas no exterior e à estratégia, adotada pelo PSDB durante a gestão de FHC, de ampliar a participação externa da Petrobras, inclusive com a mudança do nome da empresa para Petrobrax. Naquele ano eleitoral, o volume de investimentos da Petrobras era de R$ 18,8 bilhões.

Quatro anos depois, na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva pela reeleição, o valor de investimento da empresa quase dobrou, saltando pra R$ 33,6 bilhões. Mas a Petrobras, novamente, apareceu na campanha. Lula e o PT afirmaram que, se os tucanos voltassem ao poder, privatizariam a Petrobras e outras empresas públicas, a exemplo do que fizeram com a Vale do Rio Doce e as companhias telefônicas, no biênio 1997/1998.

O PSDB acusou o golpe e o então candidato, Geraldo Alckmin, foi obrigado a se deixar fotografar com o macacão no qual estavam colados os nomes de diversas estatais, como a Petrobras, os Correios, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. A estratégia petista deu certo e Lula foi reeleito para mais quatro anos.

Em 2010, fim do ciclo de Lula na Presidência, a Petrobras amplia para R$ 76,4 bilhões o volume de investimentos e, mais uma vez, vira mote de campanha. O governo anunciara, durante o segundo mandato de Lula, a descoberta dos campos do pré-sal. “O Brasil tirou um bilhete premiado com as reservas de petróleo da camada de pré-sal, que são um passaporte para o futuro em riquezas para o povo brasileiro”, declarou Lula, à época.

Em 2014, como adiantou o Correio, a Petrobras terá uma caixa de R$ 90 bilhões para investimentos, praticamente seis vezes o volume do ministério mais atraente da Esplanada, o dos Transportes. E, de novo, estará sendo intensamente debatida, agora por conta das suspeitas envolvendo a refinaria de Pasadena (Texas) e as investigações que correm na Polícia Federal, no Tribunal de Contas da União e no Ministério Público Federal, além de a possibilidade concreta de uma CPI no Congresso.

Para o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), essa hiperpolitização da Petrobras é culpa do PT. “Eles criaram a falácia da privatização da Petrobras, apresentaram o pré-sal como a panaceia de todos os males do país e lotearam a empresa e as subsidiárias com indicados políticos. Por isso a empresa está sempre no centro do debate”, criticou Aloysio.

O tucano acredita que outros erros foram cometidos, como a estratégia de segurar o reajuste dos combustíveis para segurar a inflação. “Com essa decisão política, eles deixaram a empresa descapitalizada e não conseguiram controlar o surto inflacionário”, completou Aloysio.

Prisão
Líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF) não se espanta com o protagonismo da estatal. “A Petrobras não é qualquer empresa, ela é o nosso maior patrimônio”, elogiou o aliado de Eduardo Campos. Ele destaca, contudo, uma diferença entre os debates anteriores e o atual. “Em 2002, 2006 e 2010, a Petrobras entrou no debate como algo positivo, com ganhos e feitos que impulsionariam o Brasil. Desta vez, as notícias não são boas para o governo.”

Rollemberg declarou serem muito duras as notícias de que um ex-diretor da empresa está preso (Paulo Roberto Costa) e de que a Polícia Federal fez uma diligência na sede, no Rio, em busca de documentos referentes à Operação Lava-Jato. “Precisamos defender a Petrobras deste governo que está aí”, completou Rollemberg.

Já o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), não acha nada natural todas as atenções estarem voltadas para a empresa neste atual momento. “Nas disputas anteriores, a Petrobras era citada como impulsionadora do desenvolvimento do país. Hoje, contudo, estamos vivendo uma clara disputa política feita pela oposição, que sabe que todos os órgãos competentes já estão investigando a empresa”, devolveu Costa.

Foco do debate

2002
PT promete nacionalizar produção e navios-tanque e plataformas

2006
Lula acusa PSDB de querer privatizar Petrobras e outras estatais

2010
Descoberta do pré-sal

2014
Denúncias de superfaturamento na refinaria de Pasadena (Texas).

Estratégia semelhante em 2009
Em 2009, o governo conseguiu sepultar uma CPI sobre a Petrobras, a exemplo da estratégia que adota agora no Congresso. Na época, as principais acusações envolviam contratos de publicidade para festas juninas que supostamente teriam sido fraudados ou superfaturados. Além disso, o país vivia um outro momento, com crescimento econômico consolidado e um governo bem avaliado perante a população.

Hoje, além de as denúncias serem mais complexas, a presidente Dilma Rousseff enfrenta um desgaste na avaliação de governo e o crescimento econômico é menos consistente. Além disso, independentemente da instalação da CPI, diariamente surgem novas denúncias contra a empresa, o que aumenta o desgaste de uma operação-abafa. “Mas eles vão tentar abafar, de qualquer forma. A nossa esperança é que a resposta final está nas mãos da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal”, disse o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP).

Para o senador Rodrigo Rollemberg, a vida do governo em 2009 era mais fácil, com irregularidades mais simples. “Hoje a própria Petrobras está bem diferente do que era lá atrás, caiu da 12ª posição no ranking das empresas mais valiosas para o 120º lugar”, completou o socialista.

O senador petista Humberto Costa considera normal que haja algum tipo de desgaste, mas aposta que ele será socializado entre todos os partidos. “Mesmo que o STF decida pela CPI mais restrita, não será difícil aparecer outros fatos correlatos envolvendo o doleiro Alberto Youssef e os partidos de oposição”, completou o petista. (PTL)

Aécio no ataque
O programa gratuito eleitoral do PSDB, que foi ao ar ontem à noite, mostrou o pré-candidato à Presidência da República, o senador Aécio Neves, no ataque. A gestão da presidente Dilma Roussef (PT) foi o principal alvo das críticas. Numa conversa dentro de um estúdio com o apresentador, o tucano abordou as denúncias de corrupção na Petrobras, a lentidão do governo federal para entregar as obras da Transnordestina e Transposição do São Francisco e o risco da volta da inflação. O programa exibiu imagens das manifestações de rua que sacudiram o país em junho do ano passado. “O Brasil tem jeito. O Brasil tem muito jeito. O problema não é o Brasil. O problema é o governo que tá aí”, disse o presidente do PSDB. No início do programa, o candidato se apresentou aos brasileiros e relembrou toda a trajetória do seu avô Tancredo Neves, que morreu em 1985, pouco antes de assumir a Presidência da República.

Empreiteiras deram R$ 31 mi para doleiro, indica planilha

Planilha apreendida pela polícia registra pagamentos a empresas de Youssef

Valores podem ser propina a políticos que ajudaram a obter contratos com a Petrobras, diz PF

Mario Cesar Carvalho – Folha de S. Paulo / EBC

SÃO PAULO - Uma planilha apreendida no escritório do doleiro Alberto Youssef, preso em março sob acusação de comandar um esquema de lavagem de dinheiro, aponta um dos modos como empreiteiras podem ter pago propina a agentes públicos para firmar contratos com a Petrobras, segundo a Polícia Federal.

O documento registra o repasse de R$ 31 milhões por dois consórcios e uma empresa a firmas controladas pelo doleiro Youssef.

As empreiteiras citadas na planilha foram contratadas para a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, a obra mais cara da Petrobras atualmente.

Trata-se dos consórcios CNCC (formado por Camargo Corrêa e Cnec) e Conest (Obebrecht e OAS) e a Jaraguá Equipamentos. À Folha, todas negam ter negócios com as empresas de Youssef. Mas, em entrevista ao jornal "O Globo", o presidente da Jaraguá reconheceu ter pago comissão ao doleiro.

A suspeita da PF é que os R$ 31 milhões listados na planilha sejam propina para funcionários públicos e políticos que ajudaram as empreiteiras em questão a conseguir os contratos para tocar a obra da refinaria.

Os destinatários dos valores repassados pelas empreiteiras, segundo o documento, são as empresas MO Consultoria, Rigidez e GFD. Segundo a PF, elas pertencem ao doleiro, o que ele nega.

Os valores lançados na planilha foram pagos entre julho de 2009 e março de 2013, num período de 3 anos e 7 meses.

O maior valor registrado no documento é contabilizado ao consórcio integrado pela Camargo Corrêa: R$ 29,2 milhões, divididos em 35 transferências. A Jaraguá aparece com quatro pagamentos, num total de R$ 1,7 milhão. O consórcio Conest é citado uma só vez, com pagamento de R$ 184,2 mil.

Propina
Não é a primeira vez que surgem menções a CNCC, Camargo Corrêa e Jaraguá na Operação Lava Jato, que prendeu, além do doleiro, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e outros investigados. O doleiro disse, numa conversa revelada pela Folha no último mês, que havia feito pagamentos para a Camargo Corrêa de R$ 12 milhões.

O consórcio CNCC também já havia aparecido numa planilha enviada via e-mail ao doleiro por uma gerente da Sanko Sider, maior fornecedora de tubos para a Petrobras. Nessa planilha, a CNCC é associada a "comissões" de R$ 7,95 milhões.

Uma das hipóteses investigadas pela PF é que a planilha dos R$ 31 milhões contenha o nome dos verdadeiros pagadores da propina.

Paulo Roberto Costa é um dos executivos que ajudaram a implantar o projeto da refinaria em Pernambuco, quando ocupava a diretoria de refino e abastecimento da estatal.

Superfaturamento
O custo da refinaria, orçada em US$ 2 bilhões (R$ 4,5 bilhões) quando começou a ser construída, em 2007, deve chegar a cerca de US$ 18 bilhões (R$ 40,2 bilhões).

O TCU (Tribunal de Contas da União) já apontou indícios de superfaturamento nos preços de Abreu e Lima.

A própria presidente da Petrobras, Graça Foster, reconheceu em depoimento ao Senado, na última terça, que a obra teve um sobrepreço. A estatal vem sendo alvo de polêmica nas últimas semanas em virtude de questionamentos sobre contratos que deram prejuízo à empresa.

Programa do PSDB é toda dedicada a Aécio

Daniel Galvão - Agência Estado

A propaganda partidária gratuita do PSDB que foi ao ar na noite desta quinta-feira abordou Aécio Neves do início ao fim. Aécio atrelou a própria imagem à do avô, o ex-presidente Tancredo Neves, nos momentos iniciais do programa de dez minutos levado ao ar em cadeia nacional pelo partido. "Meu avô Tancredo fez a mais bem-sucedida construção política já feita no Brasil, que nos permitiu deixar para trás 21 anos de ditadura", afirmou.

Em seguida, o pré-candidato do PSDB a presidente apareceu em imagens da juventude dirigindo-se ao avô: "Presidente Tancredo Neves, a juventude não é o futuro desse País, nós somos a garantia do presente". Aécio afirmou que o ex-presidente liderou, "ao lado de tantos brasileiros", a reconciliação do Brasil com a democracia. "Poucas horas antes da sua posse, eu o levei ao Hospital de Base (de Brasília), onde ele foi internado", recordou. Logo depois, apareceu uma imagem do então porta-voz da Presidência, Antônio Britto, anunciando a morte de Tancredo. Imagens do cortejo fúnebre foram exibidas.

O programa, depois, focou a carreira política do pré-candidato do PSDB a presidente. Lembrou que Aécio foi eleito quatro vezes deputado federal, quando, em todas as ocasiões, exerceu a função de líder do PSDB na Câmara dos Deputados. Com 42 anos, foi eleito governador de Minas Gerais. O tucano disse que, como governador, enxugou a máquina pública e reduziu o número de secretarias e de cargos comissionados.

Depois, o programa fez críticas à infraestrutura do País, citando as obras de transposição do Rio São Francisco, que não foram concluídas, e da Transnordestina, que estão atrasadas. Aécio falou também de economia, abordando a inflação. "Se o governo não reconhece que a inflação está saindo do controle, a de alimentos já está acima de 10%, ele não vai tomar as medidas para enfrentá-la. O que me preocupa é que muitas das conquistas que nos trouxeram até aqui estão indo embora", critica o tucano. Aécio diz ainda que "não adianta" distribuir benefícios se eles são corroídos pela inflação.

Aécio defende fim de divisão ‘nós’ e ‘eles’ na política em campanha exibida nesta quinta

Presidenciável comenta crise na Petrobras e passa 3 dos dez minutos do programa falando de seu avó Tancredo Neves

Flávia Pierry, Júnia Gama – O Globo

BRASÍLIA – No programa do PSDB que vai ao ar nesta quinta-feira em rede nacional de rádio e TV, o senador Aécio Neves (MG), pré-candidato à Presidência da República pelo partido, menciona a Petrobras e a Eletrobras e diz que é preciso acabar com a divisão entre “nós” e “eles” que está sendo vista no país quando o assunto é a política e economia. O formato escolhido é o de entrevista, mais sóbrio e sem imagens de apelo ou jingles. O senador se expressa livremente, sem texto pré-definido, e investe mais nas críticas ao governo atual do que na apresentação de seu programa de governo.

O presidenciável cita no programa os problemas com a Petrobras, a Eletrobras, a transposição do São Francisco, a Transnordestina, a inflação, a falta de diálogo e as manifestações que começaram em junho de 2013.

— Vamos virar essa página, dessa tentativa de fazer sempre uma divisão entre nós e eles. Aqueles que criticam o governo, aqueles que se indignam, como eu estou indignado e acho que tantos brasileiros, com o que está acontecendo com a Petrobras, com o que está acontecendo com a Eletrobras, o que está acontecendo com o Estado brasileiro, são os pessimistas, são os que não gostam do Brasil. E os que bajulam o governo são os patriotas. Nada disso — diz Aécio, em trecho da propaganda que vai ao ar amanhã.

O tucano, apresentado em legenda como "O novo presidente do PSDB", passa quase 3 dos seus 10 minutos disponíveis falando de seu avô Tancredo Neves. Somente depois dessa apresentação Aécio começa a falar de sua carreira política, passando pela presidência da Câmara e pelos dois mandatos como governador de Minas Gerais. Diz que trabalhou pela redução da máquina pública, pela responsabilidade fiscal e ataca o governo Dima:

—O problema não é o Brasil, é o governo que está aí (…) Andei muito pelo Brasil e continuo andando, querendo conversar, querendo ouvir. Não há nada mais perigoso que um governo que não ouve as pessoas (...) Pude perceber de forma muito clara até onde vai a ineficiência do governo.

O responsável pela campanha do PSDB, o marqueteiro Paulo Vasconcelos, afirmou que o formato escolhido para o programa, que terá dez minutos, foi o de uma entrevista. Sem cortes na fala do senador, o depoimento de Aécio é somente intermeado por explicações que aprofundam os assuntos tratados e formulam as perguntas.

— Minha preocupação foi deixar o senador o mais livre possível para se manifestar. Escolhemos o formato de entrevista, nossa preocupação foi evitar cortes e deixar que o pensamento dele fosse livre. É uma peça simples, sem trucagem publicitária. Isso deu a ele uma liberdade maior. Não tem teleprompter, nem direção de texto — disse Vasconcelos. — Os dez minutos correm de uma só vez, e para facilitar a compreensão do cidadão, colocamos algumas perguntas, deixas para o assunto que vem em seguida – explicou.

O vídeo foi gravado há cerca de uma semana, quando já estava deflagrada a crise na Petrobras, com tentativas já em curso de abertura de CPIs sobre a compra da refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos, e a prisão de um ex-diretor da estatal. Porém, a peça foi gravada antes dos depoimentos da presidente Graça Foster e do ex-diretor da área Internacional da empresa, Nestor Ceveró, a parlamentares.

Outros assuntos econômicos são citados pelo senador no filme, como os debates sobre a redução de energia e a ajuda do governo federal dada às distribuidoras, entre elas a Eletrobras. O responsável pela campanha destaca que o tema Petrobras foi aprofundado por Aécio no filme, mas que Eletrobras e o setor elétrico não foram explicados com mais profundidade.

— Apostamos no carisma do senador, na capacidade dele de se colocar junto ao cidadão. Alguns temas ele aprofunda, como Petrobras, mas Eletrobras não — disse.

A opção pela sobriedade no vídeo – sem jingles ou ilustrações e em formato de entrevista – se assemelha ao que foi escolhido pela campanha do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e sua vice, Marina Silva, em filme exibido na semana retrasada. Todo em preto e branco, o vídeo do PSB e da Rede não contava com músicas ou imagens de apelo emocional. Porém, o coordenador da campanha tucana evita comparações.

— O estilo não é parecido, há uma diferença grande — afirma Vasconcelos.
Aécio vem se manifestando sobre a crise na Petrobras. Anteontem, após audiência de Graça Foster, no Senado, Aécio disse que a governança da estatal está em xeque. Para o tucano, Graça Foster tem idoneidade, mas deu autonomia excessiva aos diretores, que cometeram erros.

— A governança da Petrobras está em xeque, assim como os fatos pontuais. Ela deixou claro que foi um mau negócio (a compra da refinaria em Pasadena). Acho que ela estimula (a instalação de uma CPI). Ninguém questiona a Graça Foster na sua competência, na sua idoneidade. Mas, na governança, é falha, com diretores que tomam decisões com autonomia — disse Aécio.

Avaliação positiva do governo Dilma é de 34%, mostra pesquisa Ibope

Em 4 meses, aprovação ao governo caiu nove pontos, de 43% para 34%.

Desaprovação à maneira de Dilma governar subiu de 43% para 48%.

Do G1

BRASÍLIA - O total de eleitores que consideram o governo da presidente Dilma Rousseff "bom" ou "ótimo" é de 34%, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira (17). Na pesquisa anterior, divulgada no mês passado, a avaliação positiva era de 36% - a variação ocorreu dentro da margem de erro.

Em quatro meses, a aprovação ao governo Dilma caiu nove pontos. Em dezembro do ano passado, os que consideravam o governo "bom" ou "ótimo" somavam 43% contra os atuais 34%.

O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 14 de abril em 140 municípios com 2.002 pessoas maiores de 16 anos. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.

A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-00078-2014 (em ano eleitoral, todas as pesquisas, mesmo que não sejam de intenção de voto, devem ser registradas).

Os dados mostram que o percentual de quem acha o governo Dilma "ótimo" foi de 6%, e de quem o julga "bom" foi de 28% - a avaliação positiva soma os dados de "ótimo" e "bom". Os que consideram o governo "regular" somaram 34%. Já o total de quem o avalia "ruim" foi de 14%, enquanto 16% analisaram como "péssimo" - a avaliação negativa soma o "ruim" e o "péssimo". Dos entrevistados, 2% não souberam ou não quiseram responder.

Popularidade
A pesquisa mostra ainda que a desaprovação à maneira de Dilma governar subiu de 43% para 48%. Passou de 51% para 47% os que aprovam a maneira de governar - variação dentro da margem de erro. Com o resultado, o percentual de quem desaprova o governo passou a ser maior do que o de quem aprova.

A pesquisa mostra ainda que, dos entrevistados que desejam mudanças no governo, 64% esperam que elas sejam implementadas por outro presidente e não por Dilma Rousseff. Para 25%, as mudanças poderiam ser realizadas pela própria Dilma.

Dos ouvidos, 24% avaliam que Dilma tem mais condições de implementar as mudanças que o Brasil precisa. Outros 19% acham que o candidato mais preparado é Aécio Neves (PSDB). Para 15%, o nome ideal é Marina Silva e 7% acham que é Eduardo Campos.

Campos e Marina estarão juntos na chapa presidencial do PSB - o pré-candidato à Presidência é Eduardo Campos com Marina Silva como vice. A Justiça eleitoral, no entanto, permite mudança na composição até 20 dias antes da eleição.

Intenção de voto em Dilma cai de 40% para 37%, aponta Ibope

Presidente ainda venceria eleição em primeiro turno nos dois cenários, tendo como oponente Eduardo Campos ou Marina além de Aécio


O Globo

BRASÍLIA - Pesquisa Ibope/Globo divulgada nesta quinta-feira aponta que as intenções de voto na presidente Dilma Rousseff (PT) variaram de 40% em março para 37% neste mês, conforme informa o site “G1”. Apesar da queda, a presidente seria eleita no primeiro turno nos dois cenários da pesquisa: tendo como adversários Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) ou Aécio Neves e Marina Silva (PSB).

No primeiro cenário, Aécio aparece com 14% e Eduardo Campos com 6%. Em seguida vêm Pastor Everaldo (PSC), com 2%; Denise Abreu (PEN), 1%; e Randolfe Rodrigues (PSOL), 1%. Eymael (PSDC), Levy Fidélix (PRTB), Mauro Iasi (PCB) e Eduardo Jorge (PV) não alcançaram 1%. Os que disseram que votarão em branco ou nulo somaram 24% e os quem afirmaram que não sabem em quem votar ou não responderam, 13%.

No segundo cenário, Aécio está em segundo lugar com 14% e Marina Silva em terceiro, com 10%. Os demais são Pastor Everaldo (2%); Denise Abreu, Randolfe Rodrigues e Eduardo Jorge (1% cada); e Eymael, Levy Fidélix e Mauro Iasi (0%). Brancos e nulos são 23% e não sabem/não responderam, 12%. Na segunda-feira, Eduardo Campos e Marina Silva anunciaram a chapa que vão compor para as eleições, tendo Mariana como vice, o que inviabiliza esse cenário. Porém, até 20 dias do primeiro turno da eleição, marcada para 5 de outubro, os partidos podem trocar de candidato.

Quando não foi apresentada uma lista de candidatos, 23% dos entrevistados disseram que votarão em Dilma; 7% em Aécio; 6% em Lula; 4% em Marina; 2% em Eduardo Campos; 1% em José Serra; e 2% em outros candidatos com menos de 1% das intenções de voto. Na pesquisa espontânea, brancos e nulos somam 19% e não sabem/não respondeu, 37%.

Para a pesquisa, foram ouvidas 2.002 pessoas, maiores de 16 anos, em 140 municípios. A coleta de dados foi feita entre quinta-feira passada e segunda desta semana. O levantamento tem nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o protocolo BR-00078/2014. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

A sondagem é a primeira após irem ao ar uma série de inserções de TV dos prováveis oponentes de Dilma, o senado Aécio Neves (PSDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). O programa da campanha de Campos foi ao ar no final de março. Mas o programa de dez minutos do pré candidato tucano vai ao ar na noite desta quinta-feira.

Antes de divulgação da pesquisa, o mercado financeiro reagiu à expectativa de que o levantamento mostraria uma queda de Dilma. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), subiu forte nesta quinta-feira, enquanto circulam nas mesas de operações que a pesquisa Ibope mostraria “queda significativa” na preferência de voto da presidente Dilma Rousseff. Na máxima, o índice chegou a subir 2,22%. No fechamento, a alta foi de 1,78%, aos 52.111 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,8 bilhões.

Resultado deixa auxiliares de Dilma preocupados

Débora Álvares, Eduardo Bresciani e Vera Rosa - Agência Estado

A pesquisa Ibope deixou auxiliares da presidente e a cúpula do PT preocupados. O que mais chamou a atenção dos petistas foi o fato de Dilma ter a forma de governar desaprovada pela maioria da população, que deseja mudanças. O discurso público, porém, é de que a oscilação foi normal e o destaque à manutenção da possibilidade de vitória no primeiro turno. Para a oposição, os números mostram um grande espaço de crescimento para Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

A preocupação do Planalto é que o desejo de mudança vem se refletindo na perda de aprovação entre jovens e mesmo entre eleitores de classes mais baixas e beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família e Brasil Sem Miséria. A avaliação é que além das denúncias que motivam a oposição a tentar emplacar uma CPI da Petrobras, a economia, em especial a inflação, tem afetado os índices de popularidade. Em público, porém, petistas afirmam que a queda de intenções de voto de Dilma - de 40% em março para 37% em abril - é uma "oscilação normal".

"Diante do tiroteio que o governo e a presidente tem sofrido, os resultados são extremamente satisfatórios. Não só porque ela está em patamar semelhante, mas porque os candidatos mais fortes da oposição não conseguiram se colocar como alternativa", afirmou o líder do PT no Senado, Humberto Costa. "Nosso grande desafio é mostrar que este projeto não está esgotado e pode se renovar", complementa.

O candidato do PSB, Eduardo Campos, afirma que o mais importante no momento é o crescimento do desejo de mudança. Observa ainda que o eleitor ainda não está com a cabeça na sucessão e, por isso, não definiu seus candidatos. "O importante é o desejo de mudança que está claro na sociedade brasileira e tem sido refletido nas pesquisas", afirmou. O líder do PSB, Beto Albuquerque (RS), ressalta o baixo índice de Dilma para quem está no poder. "Para quem governa, ter essa nota é muito ruim. Nenhuma criança passaria de ano na escola com 37", ironiza.

O presidente do DEM, José Agripino (RN), acredita que a economia está por trás da queda de Dilma. "É produto das evidências de perda do controle da economia, o aumento da inflação, que está entrando na casa das pessoas". Para ele, o adversário com maior potencial de ir a um possível segundo turno e vencê-la nas eleições é o que melhor explorar questões que ainda não impactaram nas pesquisas. "As denúncias de corrupção continuada ainda não fizeram efeito, bem como a gestão ineficiente, a perda de pontos nas agências de classificação de risco. Esses pontos estão por produzir efeito e é em cima deles que Aécio e Campos têm chances de crescer", afirmou.

PT tem chance real de perder, diz cientista político

Para Sergio Praça, da Universidade Federal do ABC, PT não deve estar 'nem confiante nem desesperado'

Letícia Sorg - Agência Estado

O cientista político Sérgio Praça afirmou que os números da pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira não chegam a ser "catastróficos para o governo". "O PT tem uma chance real de perder a Presidência, mas, do ponto de vista dele, não estaria nem confiante nem desesperado", afirmou o professor de Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC. "Estaria torcendo para a Copa dar muito certo. Não para o Brasil ganhar, mas para o evento não ter tragédias com estrangeiros ou caos aéreo."

Segundo Praça, o fato de o Brasil expor seus problemas aos estrangeiros não é o principal, mas sim a questão de que os turistas podem enfrentar os mesmos problemas que os brasileiros já notam no dia a dia. "Não é à toa que a presidente Dilma Rousseff tem falado muito, desde o ano passado, sobre a segurança na Copa do Mundo", disse o especialista. "Isso está na cabeça do governo, porque seria uma falha muito fácil para a oposição explorar." Segundo ele, o uso eleitoral de questões envolvendo o BNDES ou a Petrobras é muito mais difícil. "Atrasos em aviões, violência contra turistas são muito mais fáceis de ser explorados pela oposição, até porque geram imagens", afirmou.

Se correr tudo bem com a Copa, a oposição, na avaliação do especialista, pode "perder tempo" tentando explorar escândalos menores na tentativa de atingir a imagem da presidente Dilma Rousseff (PT), que lidera a disputa pela reeleição com 37% das intenções de voto no cenário mais provável, que inclui pré-candidatos de partidos pequenos. "Esses escândalos não vão colar, a não ser que tenham uma ligação muito direta com Dilma ou com um ministro forte dela, como o Mantega", afirmou. "A mídia tem uma tendência de enfatizar os escândalos, o que pode levar a superestimar o impacto eleitoral dessas notícias. Precisa ver o quanto o escândalo é inteligível pelo eleitorado."

Na opinião de Praça, o peso da corrupção na escolha dos candidatos deve ser relativizado, porque poucos eleitores mantêm a ideia de que é possível haver um governo "salvador", sem corrupção, seja ele de que partido for.

Potencial de Campos
Para Praça, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) tem um grande potencial eleitoral que ainda não está claro nas pesquisas. O levantamento Ibope divulgado nesta quinta-feira mostra Campos com 6% das intenções de voto no cenário mais provável para outubro. "Os porcentuais de Campos e Marina agora não significam nada. Ele tem um potencial enorme", afirmou.

Como seu partido, o PSB, não tem histórico na administração nacional ou mesmo em Estados importantes da federação, a sua taxa de rejeição deve continuar baixa em relação aos demais concorrentes. Hoje, segundo a pesquisa Ibope, o porcentual de pessoas que não votariam em Eduardo Campos de jeito nenhum está em 21%, ante 33% de Dilma e 25% de Aécio Neves (PSDB). "Aécio e Dilma têm pontos fracos claros. Aécio por conta do histórico do PSDB e do governo de São Paulo, que tem uma avaliação ruim. Dilma por conta de ser governo", disse.

Na avaliação de Sérgio Praça, a eleição de outubro será a primeira realmente competitiva dos últimos tempos, por ter ao menos duas forças políticas novas, Aécio e Campos, sem mencionar Marina Silva, que é relativamente nova no cenário eleitoral. "A grande notícia é o Eduardo Campos, e as pesquisas não estão refletindo ainda porque a eleição ainda não começou", afirmou.

Tanto Aécio quanto Campos estão fazendo o que podem no momento, mas ainda estão estruturando suas estratégias de campanha. Segundo o especialista, a expectativa negativa dos agentes econômicos para a situação do País em 2015 pode ter um impacto positivo no financiamento das campanhas oposicionistas. "Por causa dessas expectativas, Aécio e Campos devem ter mais dinheiro em campanha do que teriam", avaliou.

Abrucio:menor intenção de voto deve preocupar Dilma

Daniel Galvão - Agência Estado

O cientista político Fernando Abrucio, professor e pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo, afirmou nesta quinta-feira, 17, que a queda das intenções de voto, acompanhada da perda da popularidade, deve ser um fator de "preocupação" para a presidente Dilma Rousseff (PT), pré-candidata à reeleição, na campanha eleitoral. "É um processo (de queda das intenções de voto) ainda pequeno, mas matematicamente contínuo, o que acompanha, na boa medida, a relativa perda de popularidade presidencial", afirmou.

Abrucio, que é doutor em ciência política pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), lembrou que o declínio contínuo da avaliação do governo Dilma se aproxima dos dados de junho, quando ela teve queda na popularidade após as manifestações de rua. "Parece bastante preocupante para Dilma, embora não haja um crescimento dos candidatos de oposição", disse.

Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira, 17, revela que a parcela dos brasileiros que considera a gestão ótima ou boa oscilou negativamente pela terceira vez no ano, passando de 36% em março para 34% em abril. Em relação à pesquisa eleitoral, num dos cenários, que inclui pré-candidatos dos pequenos partidos, a presidente caiu de 40% em março para 37% em abril. Em outro, sem os considerados "nanicos", Dilma caiu de 43% no levantamento divulgado em março para 39%.

Segundo o cientista político, entretanto, não há nenhum fenômeno de oposição acontecendo no momento. De acordo com Abrucio, embora haja um sentimento de mudança em grande parte da população, os números da pesquisa não expressam esse desejo. Conforme o cientista, somente um tipo de discurso eleitoral pode ser mais incisivo contra Dilma: o que una três tópicos - melhoria do serviço público em geral, combate à inflação e medidas contra a corrupção.

"O eleitorado, sobretudo o mais pobre, em grande medida, quer mudança, mas sem alterar as transformações sociais que ocorreram nos últimos dez anos. Alguém que seja capaz de melhorar o serviço público, controlar a inflação e combater a corrupção, mas sem que isso leve à redução da qualidade de vida", disse. "Qualquer candidato de oposição tem de mostrar que quer fazer mudança nesses três pontos."

Na análise de Abrucio, estrategicamente falando, o pré-candidato a presidente Aécio Neves (PSDB) não deveria apenas se mostrar como o "candidato da mudança", mas como alguém que seja capaz, sobretudo, de mudar sem retroceder nos avanços sociais. O professor e pesquisador da FGV em São Paulo também prevê um foco maior de tensão, depois de junho, entre Aécio e o pré-candidato Eduardo Campos (PSB). "Depois de junho, é possível que o Campos esteja mais próximo do Aécio nas pesquisas e, se Campos for capaz de se construir como o candidato da mudança sem tirar o avanço social, ele pode dar um pulo."

Popularidade de Dilma segue em queda e se aproxima de seu ponto mais baixo, mostra Ibope



Fernando Gallo – O Estado de S. Paulo

A avaliação do governo Dilma Rousseff segue em tendência de piora, com índices que beiram os patamares apresentados logo após as manifestações de junho. Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira revela que a parcela dos brasileiros que considera a gestão ótima ou boa oscilou negativamente pela terceira vez no ano, passando de 36% em março para 34% em abril. Em dezembro, no pico da recuperação pós-protestos, a aprovação chegou a 43%. Em fevereiro era de 39%.

De outro lado, a avaliação negativa do governo é a segunda pior da série histórica do governo Dilma, tendo subido de 27% em março para 30% em abril. O índice só não é pior do que o apurado em julho de 2013, quando chegou a 31% e empatou com a avaliação positiva do governo, que despencara de 55% para os mesmos 31%. Aquela pesquisa foi a primeira após a massificação dos protestos de rua nas principais cidades do País.

A queda da aprovação da administração federal guarda relação com a piora do cenário econômico. O índice de confiança do consumidor – indicador com a maior correlação com a avaliação do governo -, por exemplo, registrou em fevereiro a maior queda mensal de sua história, quando baixou 4,5%, chegando ao menor nível desde julho de 2009. O patamar foi mantido em março. Por sua vez, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação, teve alta de 0,92% em março, maior taxa mensal em 11 anos.

No período, a presidente Dilma também foi exposta a um noticiário negativo em relação à sua capacidade de gestão após a revelação de que ela deu aval à compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela Petrobrás quando era presidente do conselho de administração da estatal.

Além de avaliar o governo como um todo, o Ibope pesquisou também a opinião dos brasileiros sobre o desempenho pessoal de Dilma na Presidência, cuja avaliação também caiu. Sua conduta é aprovada por 47% e desaprovada por 48%. Em março, a taxa de aprovação era de 51%, e a de reprovação, 43%.

Governo. Na avaliação do governo, em termos geográficos, à exceção da região Sul, houve apenas oscilações dentro da margem de erro. No Nordeste, a aprovação do governo Dilma passou de 45% para 43%, no Norte e no Centro-Oeste foi de 39% para 40% e no Sudeste subiu um ponto percentual para 30%. No Sul, onde o número de entrevistados é menor e pode haver maiores oscilações, ela caiu de 39% para 25%.

A desaprovação da administração federal entre os que moram na periferia aumentou 11 pontos percentuais, passando de 27% para 38% de pessoas que consideram o governo ruim ou péssimo. Também caiu 11 pontos a avaliação regular do governo, saindo de 42% para 31%. A avaliação positiva passou de 31% para 29%.

Nas capitais e no interior tanto a avaliação positiva quanto a negativa oscilaram dentro da margem. No primeiro caso, atualmente 32% veem o governo como ótimo ou bom. No interior, a taxa é de 37%.

O governo é mais bem avaliado nos municípios menores. A aprovação é de 45% nas cidades de até 20 mil habitantes e de 30% nas que abrigam mais de 100 mil moradores.

Na divisão do eleitorado por escolaridade, a queda na aprovação do governo se concentrou na faixa com curso superior (de 26% para 20%). No outro extremo, entre os que estudaram até a 4.ª série, a variação foi de 48% para 49%.

No quesito renda, 51% das pessoas que ganham até um salário mínimo avaliam o governo como ótimo ou bom (eram 48% na pesquisa anterior), número que cai para 38% na faixa dos que ganham entre um e dois salários mínimos (eram 40%). Entre os que recebem acima de 10 salários mínimos, o índice foi de 23% para 24%. Nessa faixa, contudo, a reprovação do governo aumentou, chegando a 43% – o índice era de 41% em março, 35% em fevereiro e 25% em dezembro.

A pesquisa revela ainda que, quanto mais jovens os eleitores, mais eles são críticos em relação ao governo. Entre aqueles com menos de 25 anos, a aprovação à gestão da presidente é de 30%, ao passo que 35% consideram o governo ruim ou péssimo. Entre os que têm 55 anos ou mais, 39% avaliam o governo como bom ou ótimo, e 28% o desaprovam.

Metodologia. O levantamento do Ibope foi feito em 140 municípios. Foram ouvidos 2002 eleitores. Como a margem de erro é de dois pontos porcentuais, a aprovação ao governo pode estar entre 32% e 36%. No levantamento anterior, de março, poderia se situar entre 34% e 38%. O nível de confiança utilizado é de 95%. A pesquisa foi registrada sob o número BR00078/2014.

Queda de Dilma não reflete na oposição, avalia especialista

Para cientista político Victor Marchetti, da Universidade Federal do ABC, há pouco espaço para uma terceira via, como pretende o pré-candidato Eduardo Campos

Letícia Sorg - Agência Estado

A oscilação negativa da intenção de voto da presidente Dilma Rousseff (PT) não se reverteu em um aumento da preferência do eleitorado para os pré-candidatos de oposição. "Dilma tem uma oscilação negativa que é significativa, porque pode indicar uma tendência de queda, mas o que a gente vê é uma estabilidade cômoda das candidaturas de oposição", afirma o cientista político Vitor Marchetti, professor da Universidade Federal do ABC, aoBroadcast Político, serviço de notícia em tempo real da Agência Estado.


Segundo o especialista, no retrato exibido nesta quinta-feira, 17, pela pesquisa Ibope, é interessante notar que, apesar de ter um desempenho melhor do que o de Eduardo Campos (PSB), a ex-senadora Marina Silva (PSB) não parece conseguir extrair votos nem de Dilma nem de Aécio Neves (PSDB). Marchetti também chama atenção para o fato de que votos brancos, nulos e indecisos somam 37%, o mesmo porcentual de intenção de votos da favorita, Dilma Rousseff.

Diante desse cenário, o cientista político acredita que há pouco espaço para uma terceira via, o objetivo de Campos. "É bem possível que ainda tenhamos uma eleição no padrão dos anos anteriores, em que o PSDB e o PT dividiram boa parte dos votos", disse Marchetti.

Ele lembra que mais da metade dos votos válidos tem se concentrado nas candidaturas dessas duas siglas desde 1994 e que, considerando as pesquisas recentes, uma alternativa a essa polarização não se consolidou. Para ele, o discurso de esgotamento da polarização está "mais no Facebook do que nas urnas".

Marchetti pondera, porém, que ainda é cedo para avaliar os potenciais de cada candidato, até porque o eleitor ainda não entrou na campanha. "As pesquisas apontam tendências, que definem a maneira como o eleitor vai entrar na campanha. E, neste momento, elas mostram que a polarização vai imperar", afirmou. "O eleitor ainda está funcionando de modo antagônico, fazendo a polarização. E Dilma ainda está numa posição confortável, mesmo com as quedas e com um cenário não tão positivo quanto antes."

Para o especialista, as pesquisas mostram o tamanho da tarefa que Campos terá pela frente até outubro. "A candidatura de Campos não é tão fraca a ponto de não levar a eleição para o segundo turno, mas vai ter muito trabalho para ir para esse segundo turno", avaliou.

Eduardo propõe 'novo desenvolvimentismo' para economia

A proposta, segundo o ex-governador de pernambuco, agregará os projetos de desenvolvimento econômico com sustentabilidade

Jornal do Commercio (PE)

O pré-candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, pretende centrar seu programa econômico de governo no "novo desenvolvimentismo". Essa proposta, segundo Campos, agregará os projetos de desenvolvimento econômico com sustentabilidade, respeitando o tripé responsabilidade fiscal, metas de inflação que sejam de fato cumpridas e câmbio flutuante. "É imperioso recuperar a confiança dos investidores", ressaltou Campos, em entrevista exclusiva.

O ex-governador afirma que o mercado e os grupos econômicos têm grande curiosidade e expectativa sobre suas propostas para a área. "Vamos deixar muito claro que todas as regras previstas para os contratos serão cumpridas. Não haverá mudanças no meio do caminho. Quando o empresário investir no Brasil, saberá que não terá surpresas."

Os economistas Eduardo Gianetti da Fonseca e André Lara Rezende chefiarão a equipe que vai cuidar dos projetos econômicos. Os dois são ligados à ex-ministra Marina Silva, sua candidata a vice. Campos pretende começar a tornar as propostas da área conhecidas a partir do dia 30, quando o PSB fará um seminário em São Paulo, que reunirá economistas e empresários.

Para Campos, há uma desconfiança total em relação ao comportamento das autoridades por parte de investidores e empresários porque, segundo ele, o governo adota regras contraditórias. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Eduardo vai rodar do Sul ao Norte do Brasil em 5 dias na próxima semana

Presidenciável inicia viagens pelo País na terça-feira (22), em encontros de pré-campanha. Objetivo é tornar-se conhecido

Felipe Lima – Jornal do Commercio (PE

O pré-candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB) coloca ao pé na estrada a partir da próxima terça-feira (22). Vai do Sul ao Norte do País em cinco dias. A maratona para se tornar conhecido Brasil afora e disseminar sua aliança com Marina Silva (PSB), sua pré-candidata à vice, começa em Santa Catarina, em uma palestra para empresários. E termina no sábado, em Manaus, em um “encontro programático” da chapa PSB, Rede e PPS dentro da Assembleia Legislativa do Amazonas.

No meio da agenda, uma série de entrevistas coletivas, reuniões com cooperativas, sindicatos e entidades empresariais e encontros com chefes de Executivo, como no caso do governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), na tarde da quinta-feira (24). E dos prefeitos de Cascavel (PR), Edgar Bueno (PDT), e de Foz do Iguaçu (PR), Reni Pereira (PSB). Fará ainda uma palestra para os prefeitos da região do Oeste do Paraná.

A região é estratégica para a economia daquele Estado. Foz do Iguaçu e Cascavel são considerados polos regionais. A primeira cidade tem o turismo e o comércio na fronteira com Argentina e Paraguai como carros-chefes econômicos. A segunda se destaca na produção agropecuária. Afora as duas, compõem o Oeste paranaense Medianeira, Marechal Cândido Rondon, Assis Chateaubriand e Palotina.

Em Cascavel, Eduardo recebe na Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop) documento com propostas e reinvindicações de programas e obras de infraestrutura cobrados há alguns anos pelas cidades.

A agenda mais comemorativa ocorre em Manaus. O ex-governador de Pernambuco recebe o título de cidadão da capital amazonense na sexta-feira (25). Faz visita à fábrica de motos da Honda. Visita ainda o empresário Phelippe Daou, proprietário da Rede Amazônica companhia de comunicação, afiliada da Rede Globo e dona de emissoras de TV e rádios por toda a região Norte.

Em Belém, onde desembarca um dia antes da agenda em Manaus, Eduardo almoça com os empresários da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), da Federação da Agricultura do Pará (Faepa) e Federação do Comércio do Pará (Fecomércio-PA). À noite, no Centro de Convenções da capital paraense, liderará um grande encontro com a militância.

As cidades escolhidas nessa primeira onda da pré-campanha são capitais ou municípios considerados de médio porte, com mais de 200 mil habitantes.

Dilma atende Lula e parte para o ataque

Presidente adota tática "bateu, levou" e reage publicamente a críticas sobre governo, como antecessor havia pedido

Entre as ofensivas do Planalto está uma campanha publicitária para tentar resgatar o apoio popular à Copa

Natuza Nery – Folha de S. Paulo / EBC

BRASÍLIA - A recente intervenção implícita do ex-presidente Lula no governo já teve resultados. Nas últimas semanas, a presidente Dilma Rousseff acatou algumas recomendações do padrinho político e adotou a tática "bateu, levou".

A ordem agora é não deixar nenhuma crítica sem resposta, comparar as gestões tucanas com os mandatos do PT e melhorar a divulgação das ações vinculadas diretamente à presidente, como os programas Pronatec e Mais Médicos, por exemplo.

Nos bastidores, o ex-presidente vinha alertando que Dilma precisava fazer a "disputa política" por meio da imprensa e pelos canais oficiais de comunicação, com o uso de propaganda institucional e até mesmo lançando mão de pronunciamentos em cadeia nacional de rádio e TV.

Em uma conversa a sós com Dilma há duas semanas, Lula listou uma série de providências para reverter queda nas pesquisas. Duas delas: resolver problemas no programa Minha Casa Minha Vida e adotar uma ofensiva para resgatar o apoio da população à Copa.

Segundo interlocutores, o ex-presidente voltou a insistir na necessidade de Dilma ampliar o diálogo com o setor privado e setores da sociedade civil organizada. Ela já abriu sua agenda para empresários e banqueiros.

Em uma ação exclusiva para reverter percepções negativas sobre a Copa --uma das maiores preocupações do Planalto no período eleitoral--, a presidente decidiu receber jornalistas esportivos. A data ainda não foi marcada, mas a iniciativa parte da avaliação de que a imprensa alimenta um pessimismo em relação ao Mundial.

Sobre a Petrobras, Lula orientou a sucessora a partir para o ataque. Nesta semana, a presidente fez uso da estratégia e afirmou, em Pernambuco, reduto do adversário Eduardo Campos (PSB), que não "admitirá que nada nem ninguém" destrua a estatal.

Foi a primeira vez que Dilma falou publicamente sobre a polêmica em torno da compra de uma refinaria nos EUA, assunto vastamente explorado pela oposição.

Outros exemplos da tática "bateu, levou" são a reclamação disciplinar contra a promotora que pediu quebra de sigilo de celulares do Planalto, a elaboração de uma propaganda oficial contra alegação de que o governo federal seria responsável pelo aumento da conta de luz em Minas e uma requisição ao Facebook para que retire do ar sites ofensivos à presidente.

Sobre a Copa, uma campanha publicitária entrará em cena, possivelmente no fim deste mês, como mostrou a edição de ontem do jornal "Valor Econômico". O PT e Lula cobram um discurso que reforce o legado para o povo, não somente para turistas e frequentadores dos estádios.

Petrobras publica anúncio sobre Pasadena em jornais

Estatal apresentou novos números para respaldar a compra de metade da refinaria em 2006

Agência Estado

A Petrobras publicou nesta quinta-feira anúncio de página inteira nos principais jornais do País com esclarecimentos sobre a compra da refinaria de Pasadena. O conteúdo é o mesmo de comunicado enviado às redações na véspera, baseado no depoimento da presidente Graça Foster no Senado. A estatal apresentou novos números para respaldar a compra de metade da refinaria em 2006, repetiu o discurso da presidente Dilma Rousseff de que cláusulas importantes do acordo foram omitidas na reunião de conselho que aprovou a aquisição e classificou o negócio de “um empreendimento de baixo retorno sobre o capital investido”.

Em fevereiro passado, a estatal também publicou anúncios nos principais jornais destacando os recordes na produção do pré-sal. A publicação foi uma reação a críticas sobre declínio de produção e após reportagem do Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, mostrando que a estatal está produzindo um barril de água para cada um de petróleo na Bacia de Campos, principal do País.

A Petrobras, que não costuma divulgar seus gastos com marketing, intensificou a presença na mídia desde o ano passado. A campanha é comandada pelo gerente executivo da Comunicação Institucional da Petrobras, Wilson Santarosa, ex-sindicalista da Central Única de Trabalhadores (CUT). A entidade, maior do setor de petróleo, é tida como alinhada politicamente com o PT desde o primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Em maio do ano passado a Petrobras lançou uma megacampanha em várias mídias pela comemoração de seus 60 anos, completados em outubro passado. Em 14 de dezembro, já passado o aniversário da empresa, a campanha foi incrementada com o lançamento de um comercial destacando as realizações da estatal em 2013. A peça destaca a construção de um número recorde de plataformas no Brasil.

Com o tema “Gente. É o que inspira a gente” e “A melhor maneira de inspirar um país é construindo seu futuro”, a campanha foi lançada em TV aberta e fechada em horário nobre, com peças também em rádio, revistas, jornais, internet e tablet. O lançamento contou com um evento na sede da estatal, com a presidente Graça Foster, e jornalistas de outros Estados, que tiveram os custos de viagem bancados pela companhia.

Inflação de alimentos atormenta as famílias

Comida e bebida respondem por mais de metade da alta do custo de vida em abril. Preços aumentam 6,19% em 12 meses, distanciando-se ainda mais da meta de 4,5%

Deco Bancillon – Correio Braziliense

A inflação voltou a acelerar em abril, um sinal de que nem mesmo um ano consecutivo de elevações na taxa básica de juros (Selic) foi suficiente para derrubar a escalada dos preços. O custo de vida acumulado em 12 meses subiu de 5,90%, em março, para 6,19% em abril, distanciando-se ainda mais do centro da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, de 4,5%. Há quatro anos consecutivos, essa taxa não é alcançada, e, a julgar pelos números recentes da economia, é pouco provável que a alta dos preços fique abaixo de 6% no ano em que a presidente Dilma Rousseff deverá tentar a reeleição.

Entre março e abril, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, avançou de 0,73% para 0,78%. A expectativa do mercado financeiro, no entanto, era de uma variação ainda maior, de 0,80%, puxada, principalmente, pelos preços ainda salgados de alimentos in natura.

De fato, o grupo alimentação e bebidas exerceu a maior pressão sobre a inflação em abril, respondendo por 57% da alta do IPCA-15. Foram os casos do leite e do tomate, que registraram altas de 5,70% e de 14,80%, respectivamente. O brasileiro que foi ao supermercado também se surpreendeu com o preço da batata, que ficou, em média, 26,96% mais cara. A escalada não assustou só o consumidor, mas também o governo.

Responsável por controlar a carestia, o Banco Central já havia alertado para os riscos de um possível choque de preços dos alimentos. Mas, em declarações recentes, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, deu a entender que mesmo ele foi surpreendido com a elevação do custo de vida, ao mencionar que “a inflação tem se mostrado mais resistente do que se imaginava”.

Piada do tomate
A disparada dos alimentos começou no ano passado, quando problemas climáticos também pressionaram a inflação. “Tivemos um período de alta muito forte dos itens in natura, em 2013, com o tomate ganhando os holofotes e virando piada nas redes sociais”, lembrou o economista Wellington Ramos, da Austin Rating. “Era de se esperar que os preços caíssem, mas o que temos observado é que a pressão tem se sido maior do que em outros anos”, assinalou.

Nos últimos 12 meses até abril, o grupo alimentação e bebidas registrou variação de 7,90%. Foi a maior alta desde dezembro de 2013, quando esse item acumulava elevação anual de 8,48%. “Nós esperamos ver, em breve, alguma perda de fôlego dos alimentos”, disse Ramos. “O mesmo não se pode dizer da inflação como um todo, que ainda deve continuar bastante elevada”, refletiu.

Avaliação semelhante tem o diretor de Pesquisas Econômicas para a América Latina do banco norte-americano Goldman Sachs, Alberto Ramos. “O aumento do preço dos alimentos tem recebido muita atenção dos brasileiros e foi identificado como o principal motor das recentes pressões inflacionárias. No entanto, a inflação no Brasil está bastante generalizada e disseminada por toda a economia”, escreveu o economista, em relatório.

“Surpreendentemente”, emendou Ramos, cinco dos oito grupos não alimentares pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tiveram inflação anual superior a 6,5%, o teto da meta perseguida pelo BC. “Na verdade”, acrescentou, “dos grupos pesquisados, educação e despesas pessoais têm registrado elevações ainda superiores à do item alimentação e bebidas.”

A consequência dessa inflação mais disseminada foi a elevação do chamado índice de difusão — que mede a proporção de produtos que ficaram mais caros no mês. Como observou o economista Elson Teles, do Itaú Unibanco, o indicador subiu para 72,9% em abril, contra 66,8% em março. O governo considera qualquer taxa acima de 60% “preocupante”, segundo uma fonte do alto escalão da equipe econômica.

Seca atrapalha
Os itens produzidos no campo estão mais caros por causa de uma estiagem não esperada para este início de ano, que tem provocado pressão também sobre a conta de luz. Em meio à escassez de chuvas, o sistema elétrico teve de ser socorrido pelas usinas térmicas, que, além de poluentes, são mais caras. O remendo custou caro. Assim como os alimentos, a conta de luz também está mais alta para os consumidores