sábado, 17 de maio de 2014

Para ajudar no superávit, governo tenta segurar R$ 1,32 bi do PIS

• Campanha publicitária para incentivar a retirada do benefício é suspensa

Paulo Celso Pereira, Geralda Doca – O Globo

BRASÍLIA - Com dificuldade para cumprir a meta de superávit do ano, o governo tenta fazer caixa com um dinheiro destinado aos trabalhadores mais pobres: o abono salarial (PIS). O benefício, no valor de um salário mínimo (R$ 724), é pago todo ano aos trabalhadores que recebem até dois salários. O prazo para o recebimento do abono encerra no dia 30 de junho. Em anos anteriores, o governo fez campanhas publicitárias para alertar as pessoas a procurarem as agências da Caixa Econômica Federal e sacar o dinheiro dentro do prazo. Este ano, em março, o Ministério do Trabalho iniciou os preparativos da campanha publicitária, mas ela foi suspensa. De acordo com integrantes do governo, a orientação partiu do Ministério da Fazenda e o objetivo é reservar os recursos para compor o superávit primário, economia que o governo faz para o pagamento dos juros da dívida.

Segundo o Ministério do Trabalho, há ainda 1,83 milhão de beneficiários que não sacaram o abono, o que equivale a uma quantia de R$ 1,32 bilhão. Tem direito ao abono, quem trabalhou com carteira assinada por pelo menos um mês no ano anterior ao do pagamento. Para isso, é preciso estar inscrito no cadastro do PIS há pelo menos cinco anos.

Consultado no mês passado sobre o tema, o Ministério do Trabalho confirmou que não havia campanhas previstas e que “estudava a produção de uma campanha publicitária sobre o tema, observando os limites orçamentários”. Integrantes do Palácio do Planalto, no entanto, confirmaram que não haverá campanha. Se os saques não forem feitos até junho, o recurso volta para o Tesouro e só pode ser retirado mediante decisão judicial.

Neste ano, até fevereiro, 91,4% dos trabalhadores beneficiados tinham buscado o dinheiro. O ritmo já era menor que o do ano passado, quando no mesmo mês o percentual já chegava a 92,2%. Mas a situação é especialmente delicada em algumas regiões do país e, por isso, a campanha publicitária é usualmente regionalizada.

Enquanto no Piauí e na Paraíba o percentual de saques já ultrapassava os 95% em fevereiro, no Distrito Federal ele estava em 80,3%; no Mato Grosso, em 86,8%; e no Amapá, em 87,2%. No Rio, haviam sido pagos 90,9% dos benefícios.

Entre fevereiro e abril, o percentual saiu de 91,4% de beneficiários para 92%. Caso mantenha esse ritmo, a tendência é que se chegue ao fim do prazo com mais de 7% dos beneficiários sem receber o abono, o que deixaria nos cofres do governo R$ 1,14 bilhão.

Alertado sobre o problema, o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), presidido por representante dos trabalhadores, acionou a Caixa, que alegou não ter dinheiro suficiente para pagar o abono. Então, o Conselho determinou que o banco notifique todos os trabalhadores que ainda não retiraram o valor devido.

As correspondências começaram a ser enviadas na quinta-feira, mas boa parte pode ser devolvida, porque os destinatários são empregados da baixa renda que costumam trocar de endereço com frequência.

O Codefat depositou os valores do abono na Caixa, usando parte dos recursos destinados ao pagamento do seguro-desemprego. Os dois benefícios são bancados pelo FAT, que está deficitário e necessita de aportes do Tesouro para cumprir suas obrigações.

Cronograma de pagamento não está definido
O representante da Força Sindical no Codefat, Sérgio Luiz Leite, disse que os conselheiros cobraram explicações do governo federal sobre a não realização da campanha neste ano e não receberam resposta.

— Não interessa ao governo fazer campanha, que tem maior poder de abrangência — disse o sindicalista.

Os valores que estão retidos se referem ao cronograma de pagamento de 2013. O cronograma deste ano ainda não está definido, mas o Ministério da Fazenda também faz pressão para que os pagamentos sejam postergados.

A estimativa do Ministério do Trabalho é que serão necessários R$ 7 bilhões para a primeira parcela do pagamento, programada para julho, destinada aos beneficiários que tem conta em banco e representam 40% do total de trabalhadores.

Segundo fontes, o Ministério da Fazenda tentará mudar as regras para reforçar o caixa do Tesouro na próxima reunião do Codefat, marcada para o fim deste mês.

Procurado, o Ministério do Trabalho e Emprego informou que “está viabilizando o envio de correspondências para beneficiários do Abono Salarial e também estuda a produção de uma campanha publicitária sobre o tema, observando os limites orçamentários estipulados pela Secom/PR em ano eleitoral”. Procurada, a assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda informou que o Tesouro Nacional não iria se manifestar.

Força Sindical critica falta de divulgação para trabalhadores sacarem abono salarial

• Ministérios da Fazenda e do Trabalho afirmam que recursos estão disponíveis para saque

• Secretário-geral da entidade diz que ‘jogada’ do governo para fazer caixa prejudica os mais pobres e deve ser condenada

• Presidente do conselho que administra fundo de amparo ao trabalhador afirma que colegiado pediu à Caixa que avisasse quem não sacou o recurso

Geralda Doca – O Globo

BRASÍLIA - O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna), criticou nesta sexta-feira a decisão do governo sobre fazer caixa com recursos do abono salarial para ajudar no superávit primário. Para o sindicalista, a estratégia de não realizar campanha publicitária para avisar sobre o prazo final do saque do PIS, a fim de segurar recursos em Caixa, é uma jogada que prejudica os trabalhadores mais pobres, com pouco acesso à informação.

— Uma jogada dessa é ruim para o governo, que tem outras ações benéficas para os mais pobres, como o Bolsa Família, por exemplo. Acho que todas as centrais sindicais deveriam se posicionar majoritariamente contra — disse o sindicalista.

O presidente do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), Quintino Severo, que é ligado à CUT, evitou fazer críticas ao governo e destacou que os conselheiros fizeram sua parte ao determinar à Caixa Econômica Federal que enviasse as correspondências aos trabalhadores que ainda não foram buscar o dinheiro:

— A nossa parte nós já fizemos. O Codefat mandou a Caixa enviar as cartas aos trabalhadores — disse Severo.

Fazenda e Trabalho dizem que recursos estão disponíveis
Em nota conjunta, os ministérios da Fazenda e do Trabalho afirmam que “não há qualquer retenção do recurso, que pode ser sacado com plena liberdade pelo trabalhador que atende às condições previstas em lei”.

No texto divulgado pelo governo na tarde desta sexta-feira, os ministérios reforçam que os trabalhadores foram comunicados sobre os valores a receber, por meio de mala-direta. “(...) O Ministério do Trabalho e Emprego fez iniciativa de comunicação na qual já enviou “mala-direta” destinada aos trabalhadores que não sacaram ainda seus benefícios, buscando desta forma obter resultado de pagamento igual ao dos anos anteriores”, segue a nota.

Os ministérios ainda informam que os trabalhadores podem consultar a concessão do benefício, nos seguintes números de telefone, com ligação gratuita: 0800-7260-207 (Caixa), para o abono PIS, e 0800-7290-722 (Banco do Brasil) para o abono PASEP.

Os recursos que eventualmente não forem sacados, informam os ministérios, serão revertidos ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), pois poderão ser utilizados para os pagamentos daquele fundo no exercício corrente.

O pré-candidato à Presidência da República senador Aécio Neves (PSDB) cobrou explicações sobre o pagamento do benefício.

— É uma denúncia extremamente grave que o governo tem a obrigação de esclarecer imediatamente.

 Deixar de informar ao trabalhador que recursos seus, recursos a que tem direito, estão disponíveis e ficar com esse dinheiro para fazer caixa é um absurdo, uma maldade inadmissível. Confirmando-se essa denúncia, é mais uma prova do desespero do governo do PT para fechar suas contas. Mais uma manobra contábil das muitas que vêm vem utilizando. Uma campanha publicitária para informar os cidadãos de seus direitos é um dever do governo e, se ela não ocorrer, o governo terá que se explicar aos milhões de brasileiros que podem vir a ser lesados — afirmou o senador.

Também oponente de Dilma Rousseff, Eduardo Campos (PSB) disse que o episódio expõe problemas com a política fiscal.

— É preocupante, que a gestão fiscal do Brasil chegue a este nível de precariedade — criticou o ex-governador de Pernambuco.

Reportagem do GLOBO desta sexta-feira mostrou que para ajudar na meta de superávit primário do ano, o governo tenta fazer caixa com um dinheiro do abono salarial. O benefício, no valor de um salário mínimo (R$ 724), é pago todo ano aos trabalhadores que recebem até dois salários. O prazo para o recebimento do abono encerra no dia 30 de junho.

Em anos anteriores, o governo fez campanhas publicitárias para alertar as pessoas a procurarem as agências da Caixa Econômica Federal e sacar o dinheiro dentro do prazo. Este ano, em março, o Ministério do Trabalho iniciou os preparativos da campanha publicitária, mas ela foi suspensa. De acordo com integrantes do governo, a orientação partiu do Ministério da Fazenda e o objetivo é reservar os recursos para compor o superávit primário, economia que o governo faz para o pagamento dos juros da dívida.

Segundo o Ministério do Trabalho, há ainda 1,83 milhão de beneficiários que não sacaram o abono, o que equivale a uma quantia de R$ 1,32 bilhão. Tem direito ao abono, quem trabalhou com carteira assinada por pelo menos um mês no ano anterior ao do pagamento. Para isso, é preciso estar inscrito no cadastro do PIS há pelo menos cinco anos.

Rolf Kuntz: A inflação como promessa eleitoral

- O Estado de S. Paulo

Inflação disparada virou bandeira política e promessa eleitoral. Em campanha pela reeleição, a presidente Dilma Rousseff e seus trapalhões esconjuram toda proposta de conter a alta de preços e conduzi-la a um nível mais civilizado e mais compatível com os padrões internacionais. Baixar a meta de inflação produzirá desemprego, arrocho salarial e recessão, disse o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, segundo a Folha de S.Paulo. Alguns dias antes, sua chefe, a presidente da República, havia criticado a proposta de baixar o alvo para 3%, como se essa fosse uma receita certeira para levar o desemprego a uns 8% ou até mais. A propósito, a desocupação no Brasil está mesmo na faixa de 5%, como indica a pesquisa tradicional do IBGE, limitada a seis regiões metropolitanas, ou na de 7%, como apontou Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) contínua, realizada em 3.500 municípios?

Prometer inflação elevada para conquistar ou manter eleitores pode parecer muito estranho a quem desconhece o Brasil. Mas espanta muito menos quando aumenta a familiaridade com o País. Afinal, se o ministro do Esporte promete aos visitantes um ambiente pelo menos tão seguro quanto a guerra do Iraque, os padrões de normalidade geralmente aceitos deixam de valer. Essa convicção se reforça quando o chefe da Casa Civil confirma e defende o represamento de preços, para conter a inflação, e é desmentido um dia depois pelo ministro da Fazenda.

Admitindo-se boa fé, só uma escandalosa ignorância da economia internacional, e até da sul-americana, pode explicar a paixão da troupe de governo por uma inflação em torno de 6%. Sim, em torno de 6%, porque esse tem sido o padrão brasileiro a partir de 2008.

Nesses anos, os preços agrícolas subiram e desceram nas bolsas internacionais e o real oscilou no mercado cambial. Ninguém pode seriamente atribuir a inflação nesse longo intervalo - resistente e quase constante - a choques desta ou daquela categoria de preços ou a impactos do câmbio.

A alta de preços em 12 meses pouco variou nesse período. Diminuiu por intervalos muito breves e mais de uma vez bateu no limite da margem de tolerância, 6,5%.

Na medida gregoriana, o produto interno bruto (PIB) cresceu rapidamente só em 2008 (5,2%) e em 2010 (7,5%, depois de uma recessão). Nos outros anos o resultado foi miserável: contração de 0,3% em 2009 e expansão de 2,7% em 2011, apenas 1% em 2012 e 2,3% em 2013, mas este número ainda será revisto. Com o novo cálculo da produção industrial, o aumento do PIB poderá ficar um pouco maior, mas com certeza continuará abaixo de medíocre.

Apesar da pífia expansão econômica, a inflação anual pouco mudou e permaneceu muito acima dos níveis observados em outros emergentes. O Brasil é uma raridade no quadro internacional, com essa combinação de baixo crescimento econômico e rápido aumento de preços. A diferença entre a inflação brasileira e as taxas observadas em outras economias é um permanente fator de desajuste cambial. Qualquer pessoa medianamente informada é capaz de reconhecer esse fato - menos, é claro, o governo brasileiro e uma parte do empresariado industrial.

Empresariados vivem cobrando câmbio mais favorável, como se alguma taxa cambial servisse, por mais que alguns meses, para compensar a baixa produtividade - tanto empresarial quanto sistêmica -, os custos elevados dentro e fora da fábrica, a insuficiente inovação e outras desvantagens. Em contrapartida, raramente um líder empresarial pressiona as autoridades para conter e tornar mais eficiente o gasto público ou para combater com mais eficiência a alta de preços.

Com a política centrada no estímulo ao consumo e na distribuição seletiva de benefícios fiscais e financeiros, nada mais previsível que a estagnação da indústria e seu enfraquecimento diante da concorrência externa. A participação das importações no consumo de bens industriais alcançou um novo recorde no primeiro trimestre deste ano, 22,5%. No começo de 2007 estava em 17%. Subiu até 20% no fim do ano seguinte, caiu até 15,9% no começo de 2010 e voltou a subir. Não se trata, convém sempre lembrar, do efeito de uma abertura maior da economia brasileira, uma das mais protegidas do mundo, mas do resultado de uma ineficiência cada vez mais danosa.

A redução do emprego industrial é um desdobramento dessa história. Em março, o número de assalariados na indústria foi 0,2% maior que em fevereiro, mas 1,9% inferior ao de um ano antes. De janeiro a março o total foi 2% menor que no primeiro trimestre de 2013.

A combinação de inflação elevada, destruição dos empregos mais decentes, aumento de juros e redução de alguns estímulos seletivos já se reflete no consumo. Em março, o comércio varejista restrito vendeu 1,1% menos que um ano antes. As vendas do varejo ampliado (com inclusão de veículos, autopeças e material de construção) foram 5,7% inferiores às de março de 2013. A mágica do consumo perde força.

O PIB do primeiro trimestre ainda será divulgado, mas o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na sexta-feira, reforça a avaliação de um quadro muito ruim. Esse indicador diminuiu 0,11% de fevereiro para março. No primeiro trimestre foi apenas 0,3% maior que nos três meses finais de 2013 e 1,02% superior ao de janeiro a março do ano passado. O aumento acumulado em 12 meses ficou em 2,11%. Todos os números apontam uma desaceleração a partir do fim do ano. Nesta altura, o governo deve torcer pela mera repetição do mau resultado de 2013. Mas a fórmula para fortalecer a economia nos próximos anos é bem conhecida no Palácio do Planalto: mais do mesmo, com o cuidado especial de manter a inflação elevada.

Novo surto de ‘contabilidade criativa: O Globo - Editorial’

• A ideia de reter parte do abono do PIS aos trabalhadores de baixa renda indica uma necessidade extrema de se conseguir qualquer dinheiro para o superavit primário

Parece inesgotável a capacidade de o governo Dilma aplicar técnicas de “contabilidade criativa” para maquiar as contas nacionais, sempre com a intenção de inflar artificialmente receitas e fazer desaparecer ou reduzir despesas, muitas vezes postergando-as para outro exercício.

Rebaixada a nota de risco do Brasil pela agência Standard&Poor’s, mantendo-o na faixa do “grau de investimento”, mas na fronteira do conceito de “lixo” (junk), o Planalto renovou os votos de austeridade fiscal e prometeu restaurar a credibilidade nos números oficiais. Na virada do ano, já ocorrera um festival de contabilidade criativa, com o deferimento de bilhões em despesas que teriam de ser realizadas em dezembro, como alguns repasses feitos por força de lei. Houve desmentidos, mas não convincentes.

Foi bem recebida a meta fixada pelo governo de um superavit primário 1,9% do PIB, mais realista do que os tradicionais 3,1%, impossíveis de serem alcançados sem muita funilaria nos números. Em valores absolutos, da meta total de R$ 99 bilhões cabe ao governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência) R$ 80,8 bilhões, ou 1,55% do PIB, e aos regionais, R$ 18,2 bilhões, o equivalente a 0,35% do PIB.

O resultado-chave, portanto, é o do Executivo federal. E os primeiro resultados preocupam. A começar, pela manutenção de uma velocidade dos gastos acima da evolução das receitas: no primeiro trimestre, os gastos aumentaram em 15% — talvez em parte reflexo do adiamento de despesas de dezembro para janeiro —, e a coleta de impostos, 10,6%.

Dessa forma, o superavit primário — essencial para abater parte da conta dos juros da dívida e, assim, reduzir a expansão da dívida interna — foi, de janeiro a março, o pior em quatro anos.

O acionamento dos laboratórios da contabilidade criativa, existentes na Secretaria do Tesouro/Ministério da Fazenda, injeta mais temores nos mercados e entre os investidores, não apenas financeiros.

A ideia de reter parte do abono salarial do PIS, um salário mínimo pago todo ano a trabalhadores de baixa renda, a fim de render R$ 1,3 bilhão ao Tesouro, para ajudar no superavit, indica que se raspa o fundo do tacho em busca de qualquer dinheiro. Com este objetivo, não deverá haver campanha publicitária sobre o abono, para não estimular saques. Apesar de previsões oficiais em contrário, também voltou a funcionar o “orçamento paralelo”, para se injetar bilhões provenientes de dívida pública no BNDES, sem transparência do custo final das operações para o Tesouro.

Surpreende que, mesmo depois do rebaixamento do país pela S&P, a prática do embonecamento de estatísticas volte a ganhar força. Uma explicação possível é que tudo mesmo no governo se move em função das eleições. O "partir para cima" determinado pelo líder Lula parece ser um sinal verde ao vale-tudo em todas as áreas, mesmo que isso fragilize ainda mais a própria economia

Painel - Vera Magalhães

- Folha de S. Paulo

Café, leite e rapadura
O PSB deve definir na semana que vem quais serão os palanques de Eduardo Campos em São Paulo e Minas Gerais. Embora as duas negociações corram em paralelo, uma não está condicionada à outra. A tendência é a sigla lançar o deputado federal Júlio Delgado ao governo de Minas e romper acordo prévio com o PSDB. Em São Paulo, embora tenha crescido o grupo favorável à aliança com Geraldo Alckmin, Campos ainda não está convencido de que este é o melhor arranjo.

Ausência O PSB não comparecerá, por exemplo, ao pré-lançamento da chapa do tucano Pimenta da Veiga, marcada para segunda-feira.

Plano B Diante da indefinição em São Paulo, emissários de Campos procuraram Paulo Skaf (PMDB) em mais de uma ocasião nas últimas semanas em busca de aproximação entre as duas siglas.

De olho Michel Temer (PMDB) tomou conhecimento dos encontros. Skaf disse ao vice-presidente que gostaria de ter o apoio do PSB, mas assegurou que a negociação se resume à eleição estadual e que fará campanha para Dilma Rousseff.

No centro Aécio Neves (PSDB) e Campos acertaram a participação no programa "Roda Viva", da TV Cultura. O pessebista será o entrevistado no dia 26 e o tucano, no dia 2 de junho, ambos ao vivo. Dilma ainda não respondeu ao convite da emissora.

Após o bip Prefeitos de todo o país foram bombardeados com mensagens de voz no celular assinadas pelo PT nacional justificando a ausência de Dilma na Marcha Nacional dos Prefeitos, realizada em Brasília nesta semana, à qual compareceram os candidatos de oposição.

Blocão O DEM ainda não formalizou apoio a Aécio porque pretende anunciar de uma só vez a aliança nacional e as dos Estados onde estará junto com os tucanos. Tenta resolver ainda pequenas pendências em Goiás, no Pará e no Rio de Janeiro.

Jogo jogado Pelo tom do almoço entre o presidenciável tucano e líderes do partido ontem, democratas já dão como certo que o senador José Agripino (RN), presidente da sigla, não será candidato a vice na chapa do mineiro.

Cartolas... No jantar que ofereceu a cronistas esportivos, na quinta-feira, Dilma se mostrou interessada em opiniões sobre como valorizar o futebol brasileiro. "Temos novos estádios. Como motivar as famílias a ir ver futebol, como ocorre na Alemanha, Inglaterra e Espanha?", questionou a presidente.

... na fogueira As recomendações dos jornalistas foram do combate à violência a uma completa reorganização dos campeonatos, valorizando os clubes, os jogadores e os torcedores. Para isso, apontaram a necessidade de tirar o controle das competições da mão dos cartolas.

Cara a cara Apesar de desistir do projeto de lei que pune "black blocs" em protestos, o governo federal entende que as polícias deverão coibir a participação de mascarados nos atos. O argumento é o inciso IV do artigo 5º da Constituição, que garante a livre manifestação "vedado o anonimato".

Ressaca Integrantes do Palácio do Planalto acreditam que a baixa adesão aos protestos de quinta-feira confirmam o prognóstico de que as manifestações contra a Copa terão escala bem menor que os atos da Copa das Confederações, um ano antes.

Repuxo As preocupações do governo continuam sendo greves e protestos de movimentos sociais, desvinculados da competição, mas que aproveitam o evento para ganhar visibilidade.

Tiroteio
"Alckmin conta policiais que não existem, vê vagas onde não há e inaugura algo morto. Nem Odorico Paraguaçu foi tão criativo."
DO DEPUTADO ESTADUAL GERSON BITTENCOURT (PT-SP), sobre mudanças na contagem de PMs e de vagas prisionais e o uso do volume morto do Cantareira.

Contraponto
Elixir da juventude

Em momento raro nos últimos anos, o senador José Sarney (PMDB-AP) decidiu discursar em sessão da Comissão de Constituição e Justiça. Durante votação sobre a criação de cota para negros em concursos públicos, o ex-presidente exaltou medidas de defesa da igualdade racial adotadas em seu governo e em seu mandato com parlamentar. Depois, o senador, de 84 anos disparou:

--O Paulo Paim apresentou um projeto que proíbe agressões a velhos. Eu já sou beneficiado por essa lei.

Vital do Rêgo (PMDB-PB) fez graça:

--Que nada, o senhor é um jovem experiente!

Brasília-DF - Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

Discurso versus prática
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara não vota nada há duas semanas. O que parou foi a PEC da reforma política do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). O texto inclui boa parte das propostas defendidas pelos ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Marco Aurélio Mello e o atual, José Antônio Dias Toffoli. Por exemplo, voto facultativo, sempre citado pelo ministro Marco Aurélio, e o teto para a contribuição de empresas, proposta mencionada ontem por Toffoli.
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Vaccarezza, no ano passado, cantou aos quatro ventos que o texto estaria aprovado até maio deste ano. O mês já vai pelo meio e está tudo travado. Pelo andar da carruagem, enquanto todos falam da reforma, ninguém quer tirá-la do papel em ano eleitoral. Especialmente, os congressistas.

O primeiro susto passou
O governo se mantém em alerta, mas considera ter vencido a primeira superquinta pré-Copa. Isso porque as manifestações até agora não tiveram o apoio esperado, nem nas ruas e nem nas redes sociais. No caso das vaias de ontem, na Paraíba, a turma da presidente Dilma Rousseff considerou o grupo pequeno e "isolado". Daqui para frente, eles esperam colocar tudo dentro da linha de coisas pequenas.

O olhar da oposição
Os partidos de oposição apostam que a estratégia do medo, utilizada nos comerciais do PT, colocará a campanha de Dilma em uma sinuca de bico: além de ir contra o desejo de mudança já captado nas pesquisas, tenta passar a ideia de que o país vai muito bem, coisa que 70% dos brasileiros e as vaias públicas demonstram que não é bem assim.

Gente fina sem-teto
Por causa da Marcha dos Prefeitos, muitos consultores que vieram a Brasília esta semana ficaram sem ter onde se hospedar a preços justos. O grupo de uma revista institucional conseguiu uma suíte por R$ 1,6 mil, depois de muito esforço e procura.

Batalha digital
Aos poucos, o Exército brasileiro vai se modernizando. Recentemente, com a empresa Thales, inaugurou em Brasília a oficina de manutenção do sistema para intercomunicação e integração de sensores e rádios em campo de batalha digital, o Sotas. Esse intercomunicador vai equipar vários veículos como Guaranni, Urutu, Cascavel, M113.

Aposta peemedebista
Se a bancada do PMDB voltar numerosa à Câmara no ano que vem, o atual líder, Eduardo Cunha, será candidato a presidente da Casa. Em tempo: Renan Calheiros, que acredita na supremacia do PMDB no Senado, já trabalha para mais um mandato de comandante.

Missão cumprida.../ A presidente Dilma Rousseff cumpriu uma das metas pessoais que havia estipulado para esta Copa do Mundo. Ela completou esta semana o álbum de figurinhas para o "menino pequeno", o neto Gabriel.

...em pleno voo/ As trocas de figurinhas entre Dilma e os ministros eram feitas especialmente no avião presidencial. Na última vez em que a presidente foi a São Paulo, ela aproveitou parte da viagem para colar as figurinhas no álbum e proceder as trocas.

Maratonas/ Os deputados aproveitam esse período pré-Copa para rodar o interior atrás de votos e cabos eleitorais. No Ceará, Danilo Forte do PMDB (foto) previa uma andança de 1.700km entre a sexta-feira e a manhã de terça, quando embarcará de volta para Brasília.

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• Nervoso, Renan ameaçou renunciar à presidência
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que tem demonstrado incomum nervosismo, chegou a ameaçar renúncia à presidência do Senado, durante reunião da Mesa Diretora, nesta quinta-feira (15). Discutiam-se temas como os cortes de funcionários terceirizados, mas a maioria dos integrantes da reunião se colocou contrária à sua posição e ele os pressionou ameaçando renunciar ao cargo na mesa.

• Motivos não faltam
Governo em declínio, Petrobras sob investigação e a difícil decisão de não disputar o governo de Alagoas alteraram o humor de Renan.

• Cortes da discórdia
Solidários aos ameaçados de demissão, senadores ficaram contra os cortes na TV Senado. Foi isso que tanto irritou o presidente da Casa.

• O antiRenan
Grupo de senadores articula para Pedro Simon (PMDB-RS) assumir a tarefa de um discurso do tipo “chega-pra-lá”, contra Renan Calheiros.

• Valentia
Como a irritação de Renan cresce na proporção dos cabelos, produto de implante, os senadores já o chamam, no cafezinho, de “Sansão”.

• Chanceler terá de explicar ‘portas abertas’ ao Islã
A oposição quer convocar o ministro Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores) para explicar a recomendação de facilitar vistos de entrada no Brasil de pessoas de países islâmicos, alguns acusados de tolerar grupos terroristas. O requerimento é dos deputados do DEM Onyx Lorenzoni (RS), Pauderney Avelino (AM), e Mendonça Filho (PE). A ordem do governo chegou às embaixadas e consulados num momento de grande preocupação com segurança, às vésperas da Copa.

• Indignação
Revelada nesta coluna, a circular telegráfica n° 94443/375, sobre vistos para pessoas de países islâmicos, indignou os próprios destinatários.

• Porteira escancarada
O governo quer facilitar a entrada no Brasil de nacionais do Irã, Iraque, Afeganistão, Jordânia, Líbano, Líbia, Palestina, Paquistão e Síria.

• Incongruente
A decisão pré-Copa ocorre a despeito desses países encontrarem-se em áreas conflagradas e tomadas pela ação de grupos terroristas.

• Bota-fora
Evento no Facebook convida internautas a participarem de uma “festa de despedida”… da presidenta Dilma. Curiosamente, quase 180 mil confirmaram presença no “bota-fora”, marcado para 5 de outubro.

• Bico seco
O ex-presidente Lula avisou que não vai a jogos da Copa em estádios, na sua maioria bancados por dinheiro público. Ele acha que futebol e cerveja são inseparáveis, e bebida alcoólica será proibida nas arenas.

• Fidel, o Cruel
Alina Fernandez, filha do ex-ditador cubano Fidel Castro, disse que o pai é pessoa com alto grau de “crueldade”. Ela revelou à agência de notícias espanhola Efe que nunca teve hábito de chamá-lo de “papai”.

• Inocência
O governo faz pouco caso dos protestos contra a Copa. A presidenta Dilma Rousseff afirmou, e com razão, que o legado é dos brasileiros. Só não disse que a fatura também é.

• Adiando o inevitável
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), com a manobra de utilizar o volume morto para subir o nível do Cantareira, evita tratar de um detalhe: a água vai continuar escassa nas casas paulistanas.

• Cada uma
Ato do MST em São Paulo apoia o governo da Venezuela e critica a imprensa que denuncia desmandos de Nicolás Maduro, a anta que substituiu Hugo Chávez. Mas a crise no país é tão grave que falta papel higiênico para a população e papel-jornal para a imprensa.

• Catar na pressão
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse que a escolha do Catar para sede da Copa de 22 foi por pressão da França e da Alemanha. Teve até lobby de Nicolas Sarkozy, então presidente francês.

• Besteirol
Zico e o “capitão” Carlos Alberto Torres disseram ao jornal inglês The Guardian que os protestos deixaram os brasileiros com o “pé atrás”, por isso as ruas ainda não foram enfeitadas. Calados, são uns poetas.

• Pensando bem…
…o dinheiro a ser empregado para reparar danos causados pelos black blocs contra a Copa bem que poderia ser investido em Educação.

Panorama político - Ilimar Franco

- O Globo

Correndo contra o vento
O PSDB mineiro vai antecipar sua campanha em Minas. Na segunda-feira, lança sua chapa para o governo. As pesquisas mostram que 50% dos eleitores não conhecem Pimenta da Veiga. E o que é pior: os mineiros pensam que o candidato de Aécio Neves é Fernando Pimentel (PT). Esta imagem foi criada em 2008, quando Aécio e Pimentel eram atores de jogral pedindo votos para eleger Márcio Lacerda (PSB) à prefeitura de Belo Horizonte.

Elegância e tentação
No jantar com dez cronistas esportivos, na quinta-feira, a presidente Dilma não caiu na tentação de espinafrar seus adversários políticos. Com uma lua cheia na moldura, ela fez um tour no Alvorada. Na piscina, um deles perguntou se ela nadava ali. A resposta: “Entrei só umas duas vezes, com o Gabriel (neto). Não dá tempo!”. Um jornalista lembrou que o ex-presidente Fernando Henrique nadava todos os dias. Dilma respondeu: “Ele me contou. O Fernando tinha um problema na coluna...”. O interlocutor atalhou: “Então, FHC achava tempo para ficar nadando”. Ela ignorou a provocação e emendou: “Acredito que ele nadava ali às seis da manhã. Eu prefiro caminhar”.

No planeta da bola
Torcedora do Internacional (RS), a presidente Dilma ouviu atenta a descrição dos cronistas sobre as mudanças que levaram o futebol da Alemanha, da Inglaterra e da Espanha a serem os mais organizados e lucrativos do mundo.

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“Aonde chegou o PT! Em 2002, dizia que a esperança venceu o medo. Agora, os petistas dizem que no país sem esperança venceu o medo”

Marcus Pestana
Deputado Federal e presidente do PSDB mineiro
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No clima da Copa
Um bandeirão de 30 metros pela proteção dos direitos de crianças e adolescentes será estendido antes do início da partida inaugural do estádio Itaquerão, hoje em São Paulo. O ponta pé inicial do jogo, entre Corinthians e Figueirense (SC), será dado pela apresentadora de TV Xuxa Meneguel e pela ministra Ideli Salvatti (Direitos Humanos)

Com a antena ligada
Depois das greves de policiais na Bahia, há um mês, e em Pernambuco, esta semana, a área de inteligência do governo alertou a presidente Dilma sobre paralisações no Mato Grosso e no Paraná. A ordem é desarticular os movimentos.

Distância dos fãs
A seleção da Itália, que fará sua base em Mangaratiba (RJ), não usará o aeroporto do Galeão para se locomover para as cidades dos seus jogos durante a Copa. Os dirigentes italianos acertaram, esta semana, com os organizadores e o governo federal, que farão seus deslocamentos a partir da Base Aérea de Santa Cruz (RJ).

Linha de produção
Quando lançou o Mais Médicos, o governo prometeu ampliar cursos e vagas de medicina nas universidades federais. O MEC levantou que até este mês foram criadas 1.232 vagas. Sendo que, com novos cursos, 152 vagas foram abertas.

Um abraço na Petrobras
O Clube de Engenharia, a ABI e a Associação de Engenheiros da Petrobras fazem manifestação em defesa da empresa dia 28 no Rio. A ideia é reunir entidades e personalidades que participaram da campanha "O Petróleo é Nosso”, na década de 50.

Em boletim para a Copa, diz o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ): "Entre nós não tem cartola.Só jogamos bem se o maior craque estiver ligado: você!"

Lupicínio & Paulinho da Viola: "Nervos de aço"

Vinicius de Moraes: Poema dos olhos da amada

Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus...

Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...

Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus.

Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Opinião do dia: Aécio Neves

“Ao contrário do que quis mostrar o PT em seu programa, o que de verdade está assustando os brasileiros são os fantasmas do presente. Fantasma da inflação, da falta de crescimento, da falta de comando e rumo do país. Não é do passado que os brasileiros têm medo, mas do futuro com o PT no governo.”

Presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves

Um país em transe

• Dezenas de manifestações em todo o país, com a presença de categorias profissionais e de baderneiros, põem em xeque a segurança do torneio. Recife viveu a situação mais tensa devido à greve de PMs

Amanda Almeida e Felipe Castanheira – Correio Braziliense

BRASÍLIA e RECIFE— Considerada pelo governo federal como um dia de testes da segurança na Copa do Mundo e de termômetro para medir os ânimos dos manifestantes, a quinta-feira foi marcada por protestos de categorias trabalhistas em várias cidades do país e pela violência em ato contra o Mundial em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os problemas mais graves, entretanto, ocorreram em Pernambuco. Depois de um dia de medo, que colocou em xeque a preparação de uma das 12 cidades sedes do evento, Recife encerrou a quinta-feira com a notícia do fim da greve de policiais militares e de bombeiros.

A situação em Pernambuco deve se repetir em outras unidades da Federação, o que já acende o sinal de alerta no governo. Entidades que representam policiais civis, federais, rodoviários federais e militares prometem uma paralisação, em todo o país, na próxima quarta-feira. De acordo com a Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis, o objetivo é "cobrar do Executivo federal uma política nacional de segurança pública voltada para defender os cidadãos e melhorar as condições de trabalho da força policial". Outras cinco entidades participam da organização do movimento. Em Brasília, o plano é fazer uma passeata na Esplanada.

Arrastões
Em Pernambuco, foram dois dias de paralisação. Embora a Força Nacional de Segurança tenha sido acionada para tentar amenizar a greve dos PMs, ontem, moradores viveram um dia caótico. A tensão começou na madrugada, com pelo menos oito homicídios. Durante o dia, houve dezenas de arrastões. No centro da capital pernambucana, comerciantes preferiram manter lojas fechadas ou trabalhar com portas pela metade. Balanço parcial de ocorrências divulgado pelo Sindicato dos Empregados do Comércio do Litoral Norte à tarde apontava que cerca de 200 lojas haviam sido assaltadas na região metropolitana.

Parte dos servidores públicos e estudantes foi dispensada dos trabalhos e das aulas. No fim da tarde, as ruas da capital lembravam feriados e fins de semana, com trânsito livre e poucos pedestres. Moradores relataram também saques nas rodovias federais. Na BR-101, no trecho que passa por Recife, segundo a Polícia Rodoviária Federal, um sofá em chamas foi colocado na pista para obrigar os motoristas a reduzirem a velocidade, o que facilitou a ação dos criminosos. As ações ganharam destaque na imprensa internacional.

Antes da negociação que suspendeu a greve, o Ministério da Defesa, o Exército e o Comando Militar do Nordeste divulgaram nota sobre a Operação Pernambuco, como foi batizada a ação de reforço à segurança no estado. Segundo o texto, atendendo à solicitação do governo local, as forças nacionais realizariam, "pelo tempo que for necessário, patrulhamento ostensivo, controle de distúrbios, interdição de áreas e desocupação de instalações públicas".

A 27 dias do Mundial, greve e protestos de categorias trabalhistas se repetiram em outras capitais, na tentativa de aproveitar os holofotes do evento para pressionar o poder público por reajustes salariais. Em São Paulo, professores, metalúrgicos e metroviários foram às ruas em diferentes pontos da cidade. Em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro , professores engrossaram as manifestações trabalhistas.

As reivindicações de categorias profissionais dividiu espaço com protestos contra a Copa do Mundo. Embora tenham registrado número menor de participantes do que em junho do ano passado, os atos voltaram a causar tumulto, na noite de ontem, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Na capital paulista, a manifestação começou pacífica, mas terminou com a ação de black blocs. De acordo com a polícia, cerca de 50 pessoas participaram de depredações e pichações em lojas.

No Rio de Janeiro, também houve tumulto. O protesto começou pacífico, mas o clima ficou tenso quando ativistas mascarados cantaram músicas provocativas à Polícia Militar em frente à Prefeitura do Rio. Um grupo de baderneiros tentou derrubar placas de sinalização. A polícia usou spray de pimenta para conter o início de confusão.

Em Belo Horizonte, uma bomba foi disparada por manifestantes no centro da cidade, que entraram em conflito com a PM. Em Brasília, cerca de 200 pessoas se reuniram na Rodoviária, no fim da tarde. De lá, o grupo decidiu seguir até o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha. Não houve confronto, mas, de manhã, um grupo de sem-teto protagonizou confusão ao tentar invadir a sede da Terracap.

Ruas agitadas
Confira abaixo parte das cidades onde houve manifestações e quais os principais grupos participantes
Belo Horizonte
Servidores municipais e ativistas contra a Copa
Brasília
Sem-teto e manifestantes contra a Copa
Curitiba
Contra a Copa
Fortaleza
Estudantes e garis
Porto Alegre
Centrais sindicais, estudantes, servidores municipais, funcionários de institutos e universidades públicas e funcionários da área da saúde
Recife
Policiais militares e bombeiros
Rio de Janeiro
Professores
São Paulo
Professores, metalúrgicos, sem-terra, metroviários
Salvador
Manifestantes contra a Copa
Vitória
Professores

Brasil vai passar "vergonha"
A violência não deve ser o único problema no Mundial. O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Augusto Nardes, disse ontem que o Brasil passará "vergonha" na Copa do Mundo devido às obras inacabadas. Ele chegou a dizer que Cuiabá "parece uma praça de guerra" em virtude dos atrasos nas construções relacionadas ao Mundial. "Estamos vigilantes para que não passemos (nos Jogos Olímpicos de 2016) uma vergonha como infelizmente vamos passar na Copa do Mundo em algumas cidades que não estão preparadas para receber os cidadãos", disse o ministro ao participar do lançamento do portal Fiscaliza Rio 2016, que reunirá dados de tribunais de contas.

Fornecedores da Petrobrás são doadores de campanha de quatro titulares da CPI

• Relator da comissão, petista José Pimentel (CE) recebeu, por exemplo, R$ 1 milhão da Camargo Corrêa, empreiteira que integra consórcio responsável por obras da refinaria Abreu e Lima, sobre as quais pesam suspeitas de superfaturamento

Murilo Rodrigues Alves - O Estado de S. Paulo

RIO - Um terço dos 12 titulares da CPI da Petrobrás do Senado indicados até agora recebeu dinheiro de fornecedoras da estatal nas eleições de 2010. O relator da comissão, José Pimentel (PT-CE), está entre eles. Ele recebeu R$ 1 milhão da Camargo Corrêa, empreiteira que lidera o consórcio responsável por obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, alvo de suspeitas.

A doação da empreiteira equivale a 20% de tudo o que o petista conseguiu arrecadar para a sua campanha ao Senado quatro anos atrás. Outros três titulares da comissão, instalada nesta semana e controlada pelos aliados da presidente Dilma Rousseff, também receberam de fornecedores da Petrobrás.

Até o momento, são conhecidos 12 titulares da CPI no Senado. Ainda falta a indicação de um nome da oposição, que resiste em fazê-lo por defender uma comissão mista, com a presença de deputados na apuração.

Humberto Costa (PT-PE) também recebeu R$ 1 milhão da Camargo Corrêa para sua campanha ao Senado. A construtora OAS doou outros R$ 500 mil à campanha do senador. Juntas, as duas fornecedoras com contratos com a Petrobrás respondem por 30% das doações obtidas pelo petista.


A Camargo Corrêa também contribuiu para as campanhas de Ciro Nogueira (PP-PI), com R$ 150 mil, e Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), com R$ 500 mil, outros dois membros da CPI. Ciro ainda conseguiu recursos R$ 100 mil da Votorantim Cimentos.

Os fornecedores da Petrobrás foram responsáveis por 10% de todas as doações feitas em 2010 à campanha de Grazziotin e 6,25% do arrecadado pelo comitê de Nogueira.

Conforme revelou o Estado em abril, os fornecedores da Petrobrás respondem por 30% das doações nos pleitos de 2010 e 2012 aos postulantes à Presidência e ao Congresso Nacional. Isso não implica que a estatal tenha direcionado as doações ou que haja ilegalidade, mas revela o potencial de alcance político e econômico da estatal.

Operação. A Operação Lava Jato, da Polícia Federal, revelou em março deste ano suspeitas sobre as obras em Abreu e Lima tocadas pela Camargo Corrêa. A partir da intermediação do doleiro Alberto Youssef, a empreiteira teria sido favorecida por superfaturamento nas obras. O favorecimento teria ocorrido, segundo a Polícia Federal, com a ajuda do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Ele e Youssef estão presos no Paraná.
A Justiça deu na semana passada prazo de 20 dias para que a Petrobrás apresente todos os pagamentos feitos entre 2009 e 2013 à Camargo Corrêa, a principal financiadora dos membros da CPI.

A estatal e a empreiteira tiveram o sigilo bancário quebrado pela Justiça Federal do Paraná, que apura se houve desvios de recursos da estatal que eram destinados a obras da Abreu e Lima. A estatal terá de abrir para a PF e para o Ministério Público Federal as transações feitas entre Petrobrás, Camargo Corrêa e Sanko Sider.

Nas investigações do Ministério Público e da PF, Costa e Youssef receberam cerca de R$ 7,9 milhões por meio do consórcio da Camargo Corrêa, para a Sanko Sider, que teria feito depósitos em contas para a MO Consultoria, comandada pelo doleiro.

Financiadora da campanha de Humberto Costa, a construtora OAS fechou contrato de R$ 185 milhões com a Petrobrás em novembro do ano passado para a construção e montagem de dutos para o emissário do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). O contrato vai até agosto do ano que vem.

Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) já apontou "conduta omissiva" da alta administração da estatal em relação aos atrasos nas obras de tubulação do Comperj, cujo custo total foi estimado, em fevereiro de 2010, em R$ 26,9 bilhões, com expectativa de conclusão em 2021. Só o primeiro trem de refino (o complexo é composto por dois) possui previsão de conclusão em agosto de 2016.

Já a Votorantim Cimentos, doadora da campanha de Ciro Nogueira, foi contratada pela petroleira estatal por um ano para fornecer cimento para poços de petróleo pelo valor de R$ 10,8 milhões. O contrato, que se encerra hoje, ainda teve um aditivo.

Como não concorreu à vaga de senador, o vice-presidente da CPI, Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), não recebeu nenhuma doação dos fornecedores da estatal. No entanto, a petista Marta Suplicy, hoje ministra da Cultura e eleita para o cargo, ganhou R$ 2,5 milhões das construtoras Camargo Corrêa e OAS de um total de R$ 12 milhões de contribuições na campanha de 2010.

Controle. A CPI da Petrobrás no Senado foi instalada anteontem e é controlada pela maioria governista. Os aliados de Dilma aprovaram convites para ouvir a atual presidente da estatal, Graça Foster, e o seu antecessor, José Sergio Gabrielli.

Para Aécio, Lula está 'atormentado' com 'fracasso' do governo Dilma

• Tucano apresentou, em São Paulo, mais um ex-marineiro para sua equipe de campanha: o ambientalista Fábio Feldmann

Silvia Amorim – O Globo

SÃO PAULO - O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, disse nesta quinta-feira que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está "atormentado" com o que chamou de "fracasso" do governo Dilma Rousseff. A declaração foi uma resposta a um artigo de Lula publicado no jornal "El Pais".

— Talvez seja o ex-presidente atormentado por aquilo que o ministro (Gilberto) Carvalho (secretário-geral da Presidência) já disse que o governo fracassou na execução de muitas dessas obras — afirmou o tucano.

Lula diz, no artigo, que "determinados setores parecem desejar o fracasso da Copa e disso dependessem suas chances eleitorais", fazendo uma referência aos partidos de oposição.
Em São Paulo nesta manhã para anunciar mais um integrante da sua equipe de programa de governo, o tucano apresentou o ambientalista Fábio Feldmann como coordenador da área ambiental da campanha. Feldmann é o segundo ex-auxiliar da campanha de 2010 da ex-senadora Marina Silva (Rede) que Aécio incorpora ao seu time. O outro ex-marineiro é Maurício Brusadin, que coordenou a área de estratégia digital de Marina quatro anos atrás e há alguns meses atua na mesma área da campanha tucana.

Em 2010, Feldmann estava filiado ao PV e foi o responsável pela elaboração do programa de governo de Marina para o mesmo setor. Naquele mesmo ano ele lançou-se para o governo de São Paulo para dar palanque à ex-senadora no estado.

O presidenciável também teve uma reunião política para discutir alianças partidárias. Com um tempo no horário eleitoral bem menor do que o da presidente Dilma Rousseff, Aécio avança agora sobre um grupo de partidos nanicos que apoiam o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), na sucessão estadual — PTN, PTC, PSL, PT do B, PEN e PMN. Juntos, eles acrescentariam cerca de 20 segundos à campanha tucana no rádio e na TV. Hoje, as estimativas são de que Aécio ficaria com cerca de 4 minutos e meio, Dilma mais de 13 minutos e Eduardo Campos (PSB) pouco mais de dois minutos.

Aécio rebate artigo de Lula no El País e diz que ele deve estar 'atormentado'

• No texto, ex-presidente associou as críticas feitas à Copa do Mundo ao ano eleitoral

Elizabeth Lopes e Pedro Venceslau - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Ao rebater as críticas que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez a setores que torcem pelo fracasso da Copa do Mundo no Brasil, o presidenciável tucano Aécio Neves disse nesta quinta-feira, 15, que o petista deve estar "atormentado".

"Talvez esteja o ex-presidente atormentado por aquilo que o ministro Gilberto Carvalho já disse, que seu governo fracassou e falhou na execução de muitas dessas obras (da Copa)", afirmou Aécio.

Em artigo publicado nesta quinta no jornal El País, Lula atacou indiretamente a oposição, dizendo que há "segmentos" que parecem torcer pelo fracasso da Copa para se viabilizarem eleitoralmente. Para Aécio, isso é "uma grande bobagem". "Todos nós somos brasileiros e vamos torcer para que o Brasil vença esta Copa", disse. Contudo, disse que existe um "dado claro": "Grande parte das obras de mobilidade anunciadas pelo governo petista como compromisso ficaram pelo meio do caminho".

Nas críticas a Lula e à administração do PT, Aécio destacou que cada vez mais enxerga "um governo muito assustado antes da hora". Ele argumentou que isso é resultado "deste sentimento claro de mudança que permeia toda a sociedade", citando novamente as pesquisas de intenção de voto que indicam que cerca de 70% da população querem mudança.

As afirmações do pré-candidato do PSDB foram feitas no início da tarde desta quinta-feira, no diretório estadual do PSDB, em São Paulo. Ele participou de evento para anunciar o nome do ambientalista Fabio Feldmann na coordenação do programa de meio ambiente do PSDB neste pleito presidencial. Feldmann é ex-colaborador de Marina Silva, hoje vice na chapa de Eduardo Campos (PSB).

Alckmin ajuda Aécio a atrair seis partidos 'nanicos'

• Pelos cálculos dos tucanos, grupo de partidos agregaria 20 segundos para campanha do senador na TV

Pedro Venceslau e Elizabeth Lopes - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin está ajudando o senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, a negociar a entrada de um bloco de seis partidos nanicos na campanha nacional tucana.

Escalado para fazer a "ponte" , o secretário da Casa Civil do Palácio dos Bandeirantes, Edson Aparecido, reuniu-se nesta quinta-feira, 15, com Aécio em São Paulo na sede estadual do PSDB para falar sobre a articulação, que envolve o PTN, PTC, PTdoB, PMN, PSL e PEN.

Pelos cálculos dos tucanos, esse grupo agregaria 20 segundos para Aécio na propaganda eleitoral gratuita de rádio e TV. Com apoio garantido até agora apenas do DEM e do Solidariedade, o senador mineiro teria pouco mais de 4 minutos, contra 14 minutos da presidente Dilma Rousseff, que disputará a reeleição. As siglas, que ficam sediadas em São Paulo, já fecharam o apoio a reeleição de Alckmin no Estado e são próximas dele.

Partidos que apoiam Dilma não vão suar para dar votos a ela, diz Aécio

- Reuters

O pré-candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves, afirmou nesta quinta-feira que vários partidos da base aliada do governo da presidente Dilma Rousseff não vão se esforçar pela vitória da petista mesmo que formalizem apoio à candidatura dela à reeleição.

"Vários partidos políticos que hoje estão na base, pelas armas do governo, pela cooptação do governo, pela oferta crescente de espaços públicos, continuarão dando o tempo de televisão ao governo", disse Aécio a jornalistas após reunião em São Paulo, referindo-se ao horário gratuito de rádio e TV.

"Mas, certamente, não darão seu suor e os votos que têm porque mesmo muitos deles já estão cansados do governo", acrescentou.

Entre os exemplos citados, Aécio lembrou o PMDB, que vive uma relação turbulenta com a presidente Dilma, capitaneada pela bancada do partido na Câmara, e o PP, com quem os tucanos farão aliança regional, por exemplo, no Rio Grande do Sul. Aécio disse que participará no próximo dia 24 do lançamento da candidatura da senadora Ana Amélia Lemos (PP) ao governo gaúcho.

Aécio afirmou ainda que espera definir o nome do vice em sua chapa até 14 de junho, data marcada para a convenção nacional do partido, que ocorrerá em São Paulo.

"A escolha do vice não é uma escolha do candidato, é do conjunto de forças políticas que nos apoiam. O dia 14 de junho é a nossa convenção e espero que até lá esta questão esteja decidida", disse.

O senador voltou a atacar a gestão de Dilma, classificando-a como um governo de improviso e incapaz. "As duas marcas do governo --não vou nem entrar na crítica ética e moral que está presente na mente do povo-- são o improviso e a incapacidade de gestão", disse.

O pré-candidato do PSDB também aproveitou para criticar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que associou em artigo no jornal espanhol El País as críticas feitas à realização da Copa do Mundo ao ano eleitoral.

"Todos nós somos brasileiros e torcemos para o Brasil vencer as Copas. Grande parte das obras de mobilidade que eram compromisso do governo ficou pelo meio do caminho. Talvez seja um ex-presidente atormentado por aquilo que o ministro Gilberto Carvalho disse que o governo fracassou, falhou na execução de muitas obras", disse Aécio.

Apesar dos ataques a Dilma, o tucano não quis entrar em conflito com o pré-candidato do PSB, Eduardo Campos, que recentemente reforçou críticas da companheira de chapa Marina Silva a ele. [ID:nL1N0NZ127]

"Todo candidato tem o direito de escolher o melhor caminho. Quero trabalhar para encerrar o ciclo do governo que está aí, que perdeu o controle da economia, que paralisou o Brasil na infra e não nos permite mais avançar nos nossos indicadores sociais. Esse é o meu foco e não mudaremos a estratégia de campanha", disse.

Aécio participou em São Paulo da oficialização do ex-governador de Minas Gerais Antonio Anastasia como coordenador-geral do programa de governo da campanha. Também foi apresentado Fábio Feldman como coordenador setorial de meio-ambiente. A equipe de Anastasia será formada ainda por Carla Grosso, que será coordenadora-executiva do programa.

(Reportagem de Tiago Pariz; Edição de Alexandre Caverni e Pedro Fonseca)

Em jantar com peemedebistas, Campos compara PT ao PSDB

Daiene Cardoso - Agência Estado

Em um "petit-comitée" para dez parlamentares do PMDB, o pré-candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, impressionou os peemedebistas pela animação com a pré-campanha e chamou a atenção pelo tom de indignação com a propaganda petista lançada nesta semana. Aos convidados do jantar promovido em Brasília pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Campos comparou a trajetória do PT a do PSDB. "Ele disse que o PT está ficando com o PSDB: copiando o mensalão, o apagão e agora induzindo o medo nas pessoas", revelou um dos peemedebistas aoBroadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

Promovido para ampliar a dissidência do PMDB e angariar novos apoiadores à campanha do PSB, o jantar reuniu, além do anfitrião, os senadores Pedro Simon (RS) e Ricardo Ferraço (ES). Da bancada do partido na Câmara foram Alceu Moreira (RS), Danilo Forte (CE), Fábio Trad (MS), Raul Henry (PE), Darcísio Perondi (RS), Osmar Terra (RS) e Geraldo Resende (MS). Acompanharam o presidenciável os deputados do PSB Márcio França (SP) e Beto Albuquerque (RS), este último líder da bancada na Câmara.

Aos novos aliados, Campos reclamou da forma "fascista" de fazer política adotada pelo PT ao amedrontar o eleitorado insinuando que programas sociais acabarão se um candidato de oposição ganhar a eleição presidencial. O pré-candidato usou os termos "terrorismo", "desrespeito ao eleitor", "contradição" e "deslealdade" do antigo aliado. "O PT chegou ao fundo do poço. A sensação é que a candidatura do PT está se esfacelando", comentou Raul Henry. "Me causou espanto essa agressividade", disse Geraldo Resende.

O pré-candidato ouviu dos convidados que os gestores que participaram da 17ª Marcha dos Prefeitos consideraram que seu discurso se destacou em relação ao do pré-candidato tucano, Aécio Neves. Ontem, Campos prometeu elevar os investimentos em saúde em 10% da receita, disse que não incentivará a política de desoneração de impostos que culmina com a redução dos recursos da União aos municípios e prometeu que abrirá diálogo com os prefeitos.

Num jantar que acabou no início da madrugada, Campos afagou os peemedebistas, disse que precisa garantir a governabilidade em caso de vitória para enfrentar os problemas econômicos. O presidenciável acusou o governo Dilma Rousseff de "destratar a classe política" e de desprezar a base aliada. "Vi um candidato extremamente disposto e animado com a possibilidade de ter uma parte do PMDB caminhando com ele", afirmou Henry.

O senador Ricardo Ferraço afirmou que o jantar era para peemedebistas "com credibilidade" e "que não se submetem à lógica petista". Ele aposta que o movimento pró-Campos deve crescer nos próximos dias na sigla. "Quanto mais competitivo ele se torna, mais as pessoas vão se aproximando", disse Ferraço. "O grupo é recém-iniciado. Lembre-se que a muralha da China começou com uma pedra só", complementou Perondi. A ideia é promover novos encontros com os "dissidentes" do PMDB governista.

Campanha
Apesar de seguir em terceiro lugar nas pesquisas, Campos demonstrou animação com o andamento da pré-campanha. Ele fez questão de falar da importância de Marina Silva como vice na chapa, destacou que a ex-senadora tem grande penetração entre o eleitorado jovem e nos grandes centros urbanos e que, ao ter seu nome vinculado ao de Marina, a intenção de voto na candidatura do PSB cresce.

Programa do PT repete fórmula e explora 'fantasmas do passado'

• Exibido nesta quinta, a inserção em TV apostou na comparação entre governos petistas e tucanos para afirmar que a presidente Dilma Rousseff é a melhor opção de mudança exigidas pela população

Ricardo Galhardo - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - O programa partidário do PT exibido na noite desta quinta-feira, 15, em cadeia nacional de TV apostou na comparação entre os governos petistas e tucanos para tentar convencer o eleitorado de que a presidente Dilma Rousseff é a melhor opção para executar as mudanças exigidas pela população.

O programa repetiu as inserções que mostravam os "fantasmas do passado" exibidas no início da semana. Mas também buscou explorar o "futuro". "Nós podemos falar de futuro" foi o lema da propaganda partidária do PT desta quinta.

Enquanto pesquisas recentes mostram a queda da aprovação e das intenções de voto de Dilma e o aumento do número de pessoas que desejam que o próximo governo seja diferente do atual, a presidente tentou se justificar.

"Mudar não é fácil. Todo governo de mudança encontra obstáculos", disse Dilma, que admite não ter sido eleita "apenas para dar continuidade às conquistas do governo Lula".

Na sequência o programa enumerou comparações com o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. Um dos pontos foi a inflação, tema explorado pela oposição, cuja média é de 6.08% nos três primeiros anos da gestão Dilma Rousseff contra mais de 9% de nos oito anos de FHC e a presidente reitera que manterá a "mão firme" no controle dos preços.

Além de dar uma resposta sobre a inflação, a propaganda petista tentou destacar aspectos positivos na gestão econômica de Dilma como o aumento da renda e do emprego. "Não basta (a economia) crescer nos números dos economistas. É preciso crescer na vida das pessoas", diz o programa.

Enquanto petistas históricos como José Dirceu e José Genoino cumprem pena em regime fechado na penitenciária da Papuda por determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, o programa do PT diz que nunca se combateu tanto a corrupção quanto nos governos do partido e elogia o "Judiciário independente".

O roteiro da propaganda dirigida pelo publicitário João Santana contrasta com o discurso oficial do PT. No 14o Encontro Nacional do PT, dia 2 de maio, o presidente nacional do partido, Rui Falcão, acusou Barbosa de ser responsável pela vida de Genoino, que enfrenta problemas cardíacos. No último domingo Falcão divulgou uma nota na qual chama o ministro do STF de "arbitrário" por manter em regime fechado petistas que teriam direito ao semiaberto.

"O que você prefere, avançar no combate à corrupção ou voltar ao passado?", questionou a propaganda petista.

O texto é intercalado com discurso de Lula também no 14 Encontro Nacional do PT no qual ele cobra punição a petistas que cometem erros. Os únicos petistas que aparecem no programa são Dilma, Lula e Falcão.

O programa começou com a peça sobre os "fantasmas do passado" veiculadas no início da semana, comparadas em tom crítico com a propaganda feita pelo PSDB em 2002 na qual a atriz Regina Duarte dizia ter medo da vitória do PT.

A peça foi interpretada como uma tentativa de polarizar a disputa com o PSDB. Ontem o PT também apontou o risco de um "salto no escuro", em referência indireta a pré-candidato do PSB, Eduardo Campos.

PT insiste na tática do medo

• Apesar de críticas, inclusive, dentro do partido, legenda repete o discurso dos fantasmas do passado em nova peça partidária

Grasielle Castro – Correio Braziliense

O PT decidiu manter o tom do "discurso do medo" na propaganda partidária de 10 minutos, exibida ontem, com a associação da vitória da oposição ao risco de retrocesso não só nas políticas sociais, como também no combate à corrupção. No anúncio, protagonizado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela presidente Dilma Rousseff e pelo presidente do partido, Rui Falcão, o estabelecimento de uma fronteira entre o governo do PT e o da oposição é nítido, com direito a resposta às críticas que têm recebido na economia e a aposta no tom de ameaças. O filme está repleto de afirmações como "Não basta crescer no mundo dos economistas, é preciso crescer na vida das pessoas" e "O que eles (oposição) querem é criar uma cortina de fumaça para trazer o passado de volta", além de "O que você prefere? Avançar no combate à corrupção ou voltar ao passado".

A estratégia já tinha sido apresentada na última terça-feira. Em uma inserção de um minuto, na qual a legenda mostra pessoas felizes até avistarem elas mesmos desempregadas, com uma voz que diz: "Não podemos deixar que os fantasmas do passado voltem e levem tudo o que conseguimos com tanto esforço". O anúncio foi exibido no dia em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a exibição da propaganda partidária estrelada pela presidente Dilma Rousseff, por sugerir a ideia de "continuidade das mudanças do governo". A decisão foi tomada após representação do PSDB, que questionou o material.

Na peça de ontem, as marcas de Lula são evidentes, com o uso até mesmo de uma de suas expressões mais marcantes: "nunca antes na história desse país". A aposta na imagem do ex-presidente segue o plano de mostrar à população que é Lula quem está por trás de Dilma. O entendimento, na cúpula do partido, é de que a associação abocanha a parte da população que acredita que Lula é o mais indicado para promover mudanças no país — tema que também foi explorado na propaganda. Segundo pesquisa Datafolha, divulgada recentemente, cerca de 70% dos brasileiros desejam que o próximo presidente adote ações diferentes e a maioria acredita que o petista é o mais indicado.

A publicidade, porém, foi encarada dentro do próprio partido como uma ação de desesperados. Desde a manhã de terça-feira, quando foi mostrada para os correligionários, o filme tem gerado críticas. Há petistas que dizem que a presidente deveria evitar a exibição de fragilidades e os ataques gratuitos. "Porque ela não mostra o que fez? Podia deixar os outros candidatos se degladiando sozinhos", reclama um aliado. A tática vai contra, inclusive, a preocupação que tem sido considerada no Palácio do Planalto de não antecipar o debate eleitoral. No governo, o entendimento é o de que ela tem que aproveitar os últimos dias para inaugurar obras e mostrar as realizações.

Essa preocupação, inclusive, foi a razão que Dilma deu ao presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) para não comparecer à Marcha dos Prefeitos deste ano, que acabou ontem. Segundo ele, Dilma disse que sua presença poderia soar como "questão de campanha".

Colaborou Diego Abreu

Oposição prepara resposta ao discurso petista do medo

• Principais concorrentes de Dilma Rousseff, PSDB e PSB fazem estratégia para responder às polêmicas inserções do PT na televisão. Socialistas querem ser propositivos; Aécio contra-ataca, mas tucanos fazem mistério

Eduardo Miranda – Brasil Econômico

Os partidos de oposição já dão sinais de que preparam uma resposta aos vídeos veiculados pelo PT na noite de ontem e na última terça- feira. Ontem, o senador e presidenciável Aécio Neves usou, em entrevista coletiva, em São Paulo, aproveitou a polêmica do vídeo petista na TV, ao dizer que seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto "mostra que o brasileiro está com medo de o PT continuar no governo". "Comesse programa, o PT carimba na sua própria testa um atestado de fracasso.

Após praticamente 12 anos governando o Brasil, o que eles têm a oferecer aos brasileiros é o terrorismo, o medo? É muito pouco. Tenho absoluta convicção de que os brasileiros não estão com medo da volta ao passado, estão com medo de o PT continuar no governo. E as pesquisas mostram isso", afirmou. Mesmo sem ter sido alvo dos petistas, o PSB também criticou a campanha de televisão.

O primeiro- secretário nacional do partido e coordenador da campanha de Eduardo Campos, Carlos Siqueira, disse que a resposta do PSB ao vídeo vai esclarecer para a população que "as coisas não são bem assim". "O que pretendemos mostrar é que, até pela postura do nosso partido, não existe esse maniqueísmo entre o bem e o mal, que esse tipo de argumento tem pernas curtas na democracia. Não vamos dramatizar, como eles fizeram.

Vamos discutir os problemas e as deficiências que ocorreram durante todo o período em que o PT está no governo", adiantou Siqueira. A assessoria de imprensa de Aécio Neves não informou qual será a estratégia do partido para os próximos dias, como revide às críticas do PT. Coordenador da campanha do tucano à Presidência da República, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) não foi encontrado para comentar as futuras inserções midiáticas do partido na televisão.

Na semana passada, antes mesmo da escalada de fogo cruzado entre os três principais pré-candidatos, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello disse que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estava tendo uma postura muito "flexível" em seu entendimento sobre campanhas antecipadas.Novo presidente do TSE, Dias Toffoli fez questão de responder, argumentando que só há campanha quando o candidato pede voto.

A entrada da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula na pré-campanha eleitoral esta semana foi complementada pelas polêmicas inserções do PT na TV. Depois do vídeo que alertou sobre os "fantasmas do passado", em alusão aos anos do governo PSDB, o Partido dos Trabalhadores exibiu ontem, em rede nacional, a inserção "Com gavetas", no qual um narrador afirma que "nunca se investigou tanto os casos de corrupção no país", em decorrência da independência de órgãos como o Judiciário e a Polícia Federal.

Carlos Siqueira, do PSB, disse que o PT não pode arrogar para si as políticas sociais. "A sensação que dá é que só o PT fez políticas sociais, que tudo começa e termina com eles. O SUS, a universalização da educação básica, tudo isso não tem dono, a conquista desses direitos é lutada sociedade organizada. Esse discurso do PT é de natureza autoritária", afirmou.

Cientista político do Ibmec/RJ, José Luiz Niemeyer não acredita que o PSDB responderá com discurso agressivo nas suas próximas inserções de TV. Ele acha que o perfil do partido não é o de dar respostas ao PT e que Aécio não quer entrar em conflito. "Eles não vão revidar nas campanhas de televisão, o Aécio Neves não vai comprar essa briga com o PT.

As críticas e respostas, que podem ser bem mais contundentes, podem vir da parte dos senadores e dos deputados que já estão habituados a fazer críticas duras ao governo federal no Congresso", afirma Niemeyer. Do ponto de vista estratégico, o cientista político diz que o PT pode estar "roendo o próprio fio" e prejudicando suas alianças para um eventual segundo turno.

"Os comerciais do PT não deveriam ir por esse caminho corrosivo, eles não deveriam investir nesse tipo de discurso. Isso pode provocar algum tipo de ojeriza no próprio Eduardo Campos, que não é o principal alvo de tudo isso, e respingar, fatalmente, no segundo turno, com a Dilma sem o apoio do PSB contra Aécio", argumentou.

Movimentos sociais tentam recuperar espaço perdido nas manifestações

• Especialistas apontam que protestos passam por uma segunda fase com grupos tradicionais e lideranças definidas

Renato Onofre – O Globo

SÃO PAULO - Os movimentos sociais tradicionais de luta pela terra e por moradia tentaram ontem reassumir o protagonismo político perdido nas manifestações de junho do ano passado. A volta de grupos tradicionais, com lideranças definidas, é vista por especialistas como uma segunda etapa do processo iniciado em 2013. Em comum entre os dois momentos, a insatisfação com o governo e a crítica à qualidade dos serviços públicos. Em oposição, a falta da truculência policial, considerada o estopim à adesão popular nos protestos do ano passado.

As diferenças entre os grupos que ontem foram para as ruas e o Movimento Passe Livre (MPL), que liderou as manifestações de junho passado, vão além dos vinte centavos. Sai de cena os coletivos e voltam, ainda que timidamente, as lideranças com cara, nome e função. Alguns com ligações políticas claras, e até a volta de bandeiras partidárias, rechaçadas e queimadas nos atos de junho passado.

A estratégia também mudou. O enfrentamento como tática de lutas nas ruas abre o espaço para o diálogo — vide o encontro entre o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MTST), Guilherme Boulos, e a presidente Dilma Rousseff (PT) na semana passada, antes da entrega da Arena Corinthians.

Enquanto o perfil muda, os problemas urbanos continuam em cena, mas reestreiam velhas temáticas ligadas aos movimentos sociais dos anos 80 e 90, como a luta por moradia e por terra — o próprio Movimento dos Sem-Terra (MST) apoiou atos na manhã de ontem em São Paulo. Cenário bem diferente de estilo e forma de atuação que não ganhou a adesão popular. Bem diferente das manifestações que levaram milhares de pessoas às ruas em junho do ano passado.

À frente daqueles atos que levaram milhares de pessoas às ruas em todo país estava um coletivo até então desconhecido — pelo menos fora da capital paulista —, comandado por jovens entre 20 e 30 anos sem rostos ou nomes: o MPL. O coletivo, como pedem para ser chamados, impôs às manifestações de 2013 o seu perfil horizontal e sem centralização nas decisões, nem mesmo nas ruas.

A reação nas redes sociais
A geração Facebook, também marca da onda de protestos do ano passado, saiu de cena, pelo menos no mundo virtual. A pedido do GLOBO, a R18 Tecnologia monitorou ontem a mobilização nas redes sociais (Twitter, Facebook e Instagram). Diferentemente de 2013, as manifestações de ontem contra a Copa não foram o tema central nas discussões na internet. As greves roubaram a cena da discussão virtual, com 65 mil menções compiladas até as 17h. Os protestos tiveram quase três vezes menos citações (26 mil). Até a capilaridade diminui. Ontem, 64% das mensagens se restringiam a apenas três estados: Rio, São Paulo e Pernambuco.

A luta pela redução das passagens ganhou a simpatia da população que viu ali um discurso comum ao seu dia a dia. E foi inflada pela truculência policial, que mobilizou o país contra atos de barbárie passados em tempo real nas redes sociais. Para o professor da FGV-SP, Rafael Alcadipani, ainda não há um estopim que faça os atos crescerem como em 2013. Ele avalia ainda que a volta das velhas lideranças reacende o papel de diálogo nos movimentos de rua:

— Há um combustível comum aos dois momentos que é a insatisfação popular. Ela ainda está presente, assim como ano passado, mas não foi catalizada como foi antes pela ação exagerada e violenta da polícia. O clima é que o gigante do passado ainda está adormecido, mas pode acordar até a Copa — avalia.

Segundo o professor titular do Departamento de Ciência Política da USP José Álvaro Moisés, há uma falência na representação política. Ele destaca também a insatisfação como elemento estimulador das ações populares. Para ele, a atual configuração dos protestos representa um segundo ato das manifestações iniciadas em junho de 2013:

— Primeiro, é importante deixar claro que a lógica dos movimentos sociais não é algo de todo racional. Talvez, podemos dizer que estamos caminhando para uma segunda etapa dos protestos.

Talvez, não basta ocupar as ruas, é preciso que lideranças sentem e negociem as demandas do grupo.