sexta-feira, 24 de março de 2023

Vera Magalhães - O erro de apostar tudo na polarização

O Globo

Quem vence a eleição e toma posse precisa dizer ao país a que veio, qual o projeto, o rumo, a agenda. Até aqui não se viu isso

Lula decidiu enveredar por um caminho perigoso, passado o momento de união de esforços dos Poderes e das demais instituições em reação ao 8 de Janeiro. Em vez de investir em distensionar o ambiente político e isolar o extremismo, achou por bem reforçar, a cada declaração, a polarização, mantendo o fantasma de Jair Bolsonaro vivo, por entender que ele lhe é favorável na comparação, e trazendo Sergio Moro para a ribalta enquanto o ex-juiz andava bastante apagado, tentando ainda se ambientar ao Senado.

O contraste com Bolsonaro funcionou por um tempo, porque começaram a sair do armário esqueletos ainda mais bizarros que os conhecidos nos últimos quatro anos. Mas não é um supertrunfo que se possa usar a cada rodada ao longo do tempo de um mandato presidencial.

A segunda decisão — evocar Moro e o período em que ficou preso — já começou torta, se mostrou um erro de timing quando, no dia seguinte, foi deflagrada uma operação da Polícia Federal para prender acusados de tramar a morte do senador e, por fim, descambou para o desastre ontem com a declaração leviana do presidente de que o adversário haveria tramado a história toda.

Bernardo Mello Franco - Cabo de guerra

 

O Globo

Presidente diz que Senado precisa "cuidar" de chefe do BC, mas ameaça não deve passar da retórica

Nem o alerta de um Prêmio Nobel foi capaz de sensibilizar o Banco Central a rever a política de juros. Na segunda-feira, Joseph Stiglitz comparou a Selic nas alturas a uma pena de morte. “É o tipo de taxa de juros que vai matar qualquer economia”, avisou.

Dois dias depois, o Copom ignorou as críticas e manteve a Selic em 13,75% ao ano. A decisão não surpreendeu, mas o comunicado sugeriu a possibilidade de um novo aumento dos juros, o que reaqueceu a crise entre Planalto e BC.

Lula já estava desconfiado de que Roberto Campos Neto atuava contra o governo. Agora parece ter certeza disso. Ontem o presidente voltou a se referir ao chefe do BC como “esse cidadão”. “A História julgará cada um de nós”, esbravejou.

Luiz Carlos Azedo - Crise à vista, do jeito que Arthur Lira gosta

Correio Braziliense

A situação é muito grave, porque abre uma crise institucional que pode desestabilizar o governo Lula antes mesmo de completar seus 100 primeiros dias de gestão

Estava escrito nas estrelas que a reeleição do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), com o apoio de um amplo leque de forças (somente o PSol-Rede e o Novo ficaram de fora do blocão), poderia se tornar mais problema do que solução para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lira é o tipo de político que cria estresse para negociar com mais força e chegar a um acordo vantajoso. O problema é que as principais forças políticas de sustentação de Lira não estão nem um pouco interessadas na solução; ao contrário, apostam na crise para inviabilizar o governo Lula, a começar pelos dois principais partidos do Centrão, o PL de Valdemar Costa Neto e próprio partido de Lira, o PP, cujo presidente, o ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira, quer seu time na tropa de choque da oposição bolsonarista.

Flávia Oliveira - Ação contra o crime

O Globo

Ao menos três episódios dantescos deste março sugerem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu terceiro mandato, terá de assumir as rédeas do enfrentamento ao crime organizado no país. Precisará deixar de lado a justificada indignação pessoal e também as décadas de administrações federais, governos petistas incluídos, hesitantes em pôr as mãos num caldeirão que só faz ferver. E incomoda crescentemente a população brasileira, das metrópoles aos balneários turísticos, de cidades médias aos grotões.

No Rio Grande do Norte, o caos instituído há duas semanas por facções do tráfico de drogas em ataques ao sistema de transporte, prédios públicos e estabelecimentos privados já alcançou cinco dezenas de municípios, a começar pela capital, Natal. Flávio Dino, governador do Maranhão por dois mandatos, hoje à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública, enviou agentes da Força Nacional e da Polícia Penal, prometeu R$ 100 milhões e equipamentos à governadora Fátima Bezerra, visitou o estado. Ainda assim, o afrontamento de grupos rivais unidos, pelo que se sabe, contra maus-tratos em presídios locais, segue ativo, sob a liderança de chefes encarcerados dentro e fora do território potiguar.

Vinicius Torres Freire – Lula, Moro e outras crises inúteis

Folha de S. Paulo

Presidente fala em 'armação' de Moro, compra brigas sem sentido; problemas fermentam na economia e no Congresso

Luiz Inácio Lula da Silva disse que uma conspiração assassina do PCC seria armação de Sergio Moro, ora senador (União Brasil-PR). Se o presidente se sente à vontade de dizer tal coisa, o que mais pode dizer? De algum modo, se sentiu inimputável, de caso pensado ou por falta de noção, como diz o povo.

O assunto preocupa até quem se ocupa no mais das vezes de economia. São aqueles que já viram o presidente dar tantos tiros no pé desde novembro, mesmo antes de tomar posse. Seja o caso de soberba terminal ou de autoconfiança desinformada e inconsequente, o que mais pode vir?

Não é uma questão menor, nem do espírito de porco oposicionista. Muita gente preocupada com o futuro deste governo, até por afinidade ou compromisso, ficou pasma.

Um otimista dirá que foi um lapso grave. Um cético vai se perguntar se Lula se julga acima do bem e do mal. Estaria ainda mais olímpico porque neste seu terceiro governo e no seu partido não há mais, nem de longe, figura que conteste suas vontades ou o alerte para consequências do que faz e diz. Pelo que diz gente graúda do Congresso, Lula tem reagido muito mal se contrariado.

Reinaldo Azevedo - Por que Lula deve falar menos

Folha de S. Paulo

É hora de reconhecer quem decide o quê no Brasil de 2023

Lula precisa mudar seu modo de se relacionar com o público e falar menos. E isso, acreditem, não é um juízo depreciativo. Fosse, e eu não teria problema nenhum em explicitá-lo. Nunca tive dificuldade de criticar presidentes, inclusive ele próprio. Em muitos aspectos, o Brasil que está aí é muito pior do que aquele que o líder petista encontrou em 2003. A razia dos últimos quatro anos não haveria de ser indolor. E deixou sequelas de longo prazo. E vou me ater aqui ao que acho realmente relevante.

Antes que prossiga, escrevo, sem receio de errar, que, caminhando para os 90 dias de mandato, sua vitória já rendeu bons frutos para os pobres, que são os mais carentes de um bom governo, e, pois, para o país. Relançou o Bolsa Família com mais benefícios e as corretas contrapartidas e determinou a reestruturação do Cadastro Único, destruído pela sanha eleitoreira de Bolsonaro.

Bruno Boghossian - Risco imediato no Congresso

Folha de S. Paulo

Disputa de poder entre Arthur Lira e senadores tem tudo para desorganizar articulação do governo

Lula vai encerrar o terceiro mês de mandato sem uma base aliada firme. As insatisfações do centrão devem dificultar o avanço da agenda do governo e encarecer as negociações partidárias ao longo do ano, mas o governo enfrenta um risco mais imediato no Congresso.

O embate entre Câmara e Senado sobre a votação de medidas provisórias tem tudo para desorganizar os trabalhos do Planalto. O presidente da Câmara, Arthur Lira, ameaça travar a aprovação dos textos enviados pelo governo caso os senadores não aceitem ceder espaço aos deputados nesse processo.

Hélio Schwartsman -A volta do Mais Médicos

Folha de S. Paulo

Se a alternativa for o paciente ficar sem atendimento, vale profissionais sem título

Sempre defendi e ainda defendo o Mais Médicos, posição que me valeu algumas broncas em casa (minha mulher é médica). Qualquer sistema de saúde que se pretenda universal, como o SUS, precisa antes de tudo ser capaz de colocar profissionais para atender nos mais variados rincões do país.

Até haveria soluções "de mercado" para o problema. Se oferecermos salários cada vez maiores para quem topar ir para as áreas mais remotas, em algum ponto, nem que seja além dos R$ 100 mil mensais, conseguiremos levar médicos até para além de onde Judas perdeu as botas. Só que isso seria proibitivamente caro.

Outra saída mercadista seria aumentar a oferta desses profissionais, ampliando o famoso exército de reserva de mão de obra. O governo Dilma fez isso, permitindo a criação de novos cursos de medicina, mas, até aqui, sem grandes resultados. É claro que, se esse movimento tiver continuidade, em algum momento haverá tantos médicos que eles aceitarão trabalhar em qualquer lugar por salários cada vez menores.

Laura Karpuska* - Socialismo para elite

O Estado de S. Paulo

Gastar o que gastamos com pequenos grupos de interesse não leva ao desenvolvimento

Há duas semanas, um banco de médio porte entrou em colapso nos Estados Unidos, sendo a maior falência bancária desde a grande recessão de 2008. O banco SBV faliu porque tomou risco sem cobertura, tinha uma base de depósitos arriscada e porque a regulação permitiu que o banco tomasse o tamanho do risco que tomou. O banco agora está nas mãos dos reguladores.

Pela natureza do nicho do banco, startups no Vale do Silício, nos Estados Unidos, a maior parte dos depósitos feitos no SBV era maior do que os US$ 250 mil assegurados pelo fundo garantidor de crédito norte-americano. O governo anunciou que o resgate dos depositantes será integral, a despeito da regra.

Celso Ming - Crise bancária à velocidade da luz

O Estado de S. Paulo

Os bancos têm de lidar com explosivos, como os especialistas das Forças Armadas. É da natureza de sua atividade conviver com perigoso descasamento entre ativo e passivo.

No caso dos depósitos em conta corrente, devem à vista, mas são credores a prazo. A qualquer momento o correntista pode sacar seu dinheiro que pode não estar lá, porque foi reemprestado e tem prazo para voltar. É o que levou o analista Martin Wolf, do Financial Times, a abrir sua coluna desta terça-feira, 21, com a afirmação duramente realista: “Os bancos são projetados para falir”.

Isso é assim desde que há bancos, e eles existem desde a Antiguidade. Na Parábola dos Talentos – e isso tem 2 mil anos –, Jesus advertiu o servo que fracassou na administração do talento que lhe foi entregue de que deveria, ao menos, tê-lo confiado aos banqueiros para garantir retorno com juros (Mateus 25,14-30).

Mas há uma novidade que adicionou mais pólvora à atividade já perigosa dos bancos. É a possibilidade de saques à velocidade da luz. Nos velhos tempos, a transferência de depósitos era uma epopeia. O ouro ou metais preciosos exigiam logística complicada para armazenamento e transporte. Mesmo recentemente, saques com cheques eram submetidos a processo de compensação e levavam certo tempo para ser concluídos. Hoje, um clique transfere dezenas de bilhões em tempo real.

Eliane Cantanhêde - Em boca fechada não entra mosca

O Estado de S. Paulo

A pergunta que começa a rondar Brasília: o que está acontecendo com Lula?

Na mesma semana, o presidente Lula surpreendeu os meios políticos, jurídicos e diplomáticos ao fazer ao menos duas acusações graves, sem provas, imprudentemente. A primeira atingiu os Estados Unidos, um parceiro fundamental. A segunda foi contra o ex-juiz, ex-ministro e agora senador Sérgio Moro, mas os estilhaços vão longe.

Ao vento, do nada, Lula acusou o Departamento de Justiça dos EUA de um conluio com a Lava Jato para prejudicar as empreiteiras brasileiras em licitações internacionais. Uma história rocambolesca, sem pé nem cabeça, dessas que qualquer um pode lançar numa mesa de bar, numa roda de amigos, mas o presidente?

Ele já vinha espancando o Banco Central e mandou rasgar os livros de economia e a acusação foi feita às vésperas da viagem à China, que vive momentos tensos com os EUA. A reação oscila entre o choque e o constrangimento, com uma pergunta pairando nos ar: O que está acontecendo com o Lula?

Maria Cristina Fernandes - Um laboratório de bolsonarismo sem Bolsonaro

Eu & Fim de Semana / Valor Econômico

Estado em que o ex-presidente tem maior representação, Rio Grande do Norte pode significar a sobrevivência de suas ideias

No final da tarde da sexta-feira, 17 de março, tocou o celular da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT). Era o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Naquela tarde, o senador havia encaminhado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva um ofício dando seguimento a um pedido de um senador da bancada potiguar, Styvenson Valentim (Podemos), por uma operação de Garantia da Lei e da Ordem em reação aos ataques à segurança pública do Estado.

Policial militar que ganhou popularidade em decorrência do rigor com o qual aplicava a Lei Seca no estado, Styvenson Valentim foi eleito ao Senado em 2018 na onda do bolsonarismo. Em janeiro, ele foi um dos sete senadores que votaram contra a intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal em função da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes. Decretada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a intervenção, ao contrário daquela que mais tarde seria estendida ao governo do estado pelo Supremo Tribunal Federal, precisava ter o aval do Senado.

Ao longo dos primeiros quatro anos em que esteve na presidência do Senado, em coabitação com o governo Jair Bolsonaro, Pacheco arquivou mais de 30 pedidos de impeachment de ministros do STF patrocinados pela bancada bolsonarista, mas resolveu levar adiante o pedido de intervenção militar no único estado, entre as 27 unidades da federação, governado por uma mulher.

Só depois de encaminhar o pedido de intervenção a Lula é que Pacheco ligou para a governadora. Há duas versões para o telefonema. A de Pacheco é que se tratou de um telefonema de “solidariedade” pela crise em que teria “reconhecido o esforço” do governo estadual. Havia, porém, decidido dar encaminhamento ao pedido depois de falar com os demais senadores da bancada potiguar na Casa ante a “grave crise gerada pelo crime organizado”.

Maria Cristina Fernandes - ‘Sincericídio’ presidencial tira oposição das cordas

Valor Econômico

Declarações estão sendo usadas para associar combate à operação com a leniência com o crime organizado e a corrupção

Se alguém tinha dúvidas de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia que estava ao vivo na entrevista ao “Brasil 247” quando disse o que pensava na prisão, ele tratou de dissipá-las com a afirmação de que os ataques planejados por uma facção criminosa foram uma armação do senador Sergio Moro.

Lula voltou ao poder no modo “tô pouco me lixando”. Se a psicanálise se debruçar sobre o que ele passou desde Curitiba até a eleição há de encontrar as causas. Para a política importam as consequências. Que já deveriam ter soado o alarme no Palácio do Planalto.

Se o governo investiga a autorização da operação pela juíza Gabriela Hardt, que substituiu Moro na Lava-Jato, eventuais suspeitas só poderiam vir à tona se comprovadas. O presidente e seu governo são as primeiras vítimas da cortina de fumaça lançada por ele sobre a operação.

Claudia Safatle - Pacote de crédito só terá efeito a longo prazo

Valor Econômico

Mercado está no meio do caminho e pode tanto melhorar quanto piorar

O governo avalia um pacote de medidas estruturais para melhorar o mercado de crédito no país. Mas nada que dê algum alento de curto prazo, para um mercado que vem se contraindo. O cenário, para o crédito, está no meio do caminho e tanto pode piorar quanto melhorar. E, nesse aspecto, vai ser muito importante o sinal que o governo vai dar com o arcabouço fiscal, assim como será relevante a postura que o governo vai ter quanto às decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).

Uma desaceleração da economia já estava contratada, mas até fevereiro era aguardada uma alta de 8,3% para o crédito, segundo pesquisa da Febraban, por causa da perspectiva de o governo influenciar uma atuação mais incisiva dos bancos públicos sobre o crédito direcionado tanto para a pessoa física quanto para as empresas. Este cresceria de 7,7%, segundo a mesma pesquisa feita em dezembro, para algo como 8,4% conforme a pesquisa feita no mês passado.

César Felício - China abre porta para Lula no agronegócio

Valor Econômico

No Senado americano, ‘Belt and Road’ preocupa, e muito

A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China tem um significado na política interna brasileira que não passa despercebido nem por um especialista em política externa, como o cientista político Oliver Stuenkel, professor-adjunto da FGV de São Paulo.

Cerca de um terço da caudalosa comitiva que acompanha o presidente à Ásia é do agronegócio, e do agronegócio ligado à indústria da carne. São mais de cem representantes do setor. Não à toa, o primeiro anúncio oficial relacionado à visita foi a decisão chinesa de suspender o embargo às importações de carne do Brasil, suspensas desde fevereiro em função de um caso de vaca louca no Pará. A divulgação da liberação foi feita nessa quinta-feira, em Pequim, pelo ministro da Agricultura Carlos Fávaro.

Aylê-Salassié F. Quintão* - Buscando sarna prá coçar

Essas amizades construídas em acordos de papel não parecem sólidas. Não são como nós e os argentinos, para quem torcemos contra nos estádios de  futebol e, nas ruas,  dançamos samba e tango juntos . 

Já tivemos um Presidente Bossa Nova. Não saía de Paris. Agora é a vez do nosso globetrotter  pelo mundo ampliado. Vai para China!, observava admirado o conterrâneo de Caetés. Quem diria: um filho do agreste , onde biblioteca é coisa rara, chefiando sofisticadas  missões diplomáticas do Brasil  pelo planeta:  Washington, Pequim,  Paris, Moscou. É muita raça, muita  coragem, muita autoconfiança ou muita cara de pau. Contudo, That´ s the gay ! Será que o Barack Obama,  criado  em Nyang’oma Kogelo, no  Quênia,  repetiria admirado essa frase referindo-se à Lula, Presidente ? 

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Ação contra facção criminosa serve de alerta

O Globo

Combate ao crime organizado exige coordenação do governo federal nas frentes policial, legal e carcerária

Com a prisão de nove suspeitos, o Estado brasileiro deu uma necessária demonstração de força ao desmontar na quarta-feira o plano da maior facção criminosa do país para promover atentados contra servidores públicos e autoridades. Entre os alvos da ação criminosa estavam o senador Sergio Moro (União-PR), sua mulher, a deputada Rosângela Moro (União-SP), e o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, conhecido há anos por combater essa facção com afinco e determinação.

Moro, quando ministro da Justiça, e Gakiya foram responsáveis pela transferência de seus líderes para presídios federais. Os sequestros planejados tinham como objetivo intimidar a Justiça e exigir a libertação de condenados. Eram mais um desafio inaceitável do crime organizado a decisões da Justiça, linha que jamais deve ser ultrapassada.

O combate ao crime organizado exige ação em várias frentes. A primeira é policial. O plano para sequestrar Moro estava em estágio avançado. Chácaras tinham sido alugadas para servir de cativeiro, veículos blindados e armamentos já estavam em Curitiba. Havia estruturas parecidas com bunkers, atrás de paredes falsas. Ao todo, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná, Rondônia, Brasília e Mato Grosso do Sul.

Música | Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto - Eu vou fazer você voar (Ao vivo em Portugal)

 

quinta-feira, 23 de março de 2023

Maria Hermínia Tavares - A reconstrução de relações civis-militares na ordem democrática

Folha de S. Paulo

Será crucial estabelecer com nitidez as funções legítimas das Forças Armadas

No domingo passado (19/3), esta Folha abriu página inteira para uma entrevista com o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Nela, o general reformado criticou a intenção do atual governo de proibir que militares da ativa ocupem cargos públicos. A proposta, disparou, implicaria tratá-los como "cidadãos de segunda categoria".

O cidadão Mourão foi vice de Bolsonaro, o qual multiplicou o número de fardados nos altos escalões da administração federal, às vezes com resultados desastrosos. Foi o caso da gestão da Saúde sob a chefia do general Eduardo Pazuello; não deu outra no Conselho Nacional da Amazônia Legal coordenado pelo mesmo Mourão.

Na Vice-Presidência, fez cara de paisagem enquanto o chefe tentava tudo para envolver as Forças Armadas na ofensiva de descrédito das instituições democráticas.

A derrota do putsch de 8/1 deveu-se à firmeza do novo governo —e ao fiasco da tentativa de nele engajar os quarteis. Na hora H, o Alto Comando das três Armas foi fiel a seu papel constitucional, ao contrário do que previam alguns especialistas.

Ruy Castro - Perigoso esquecer Bolsonaro

Folha de S. Paulo

Ele não contava com a derrota e, como uma besta-fera que sangra, rosna por vingança

Leitores se queixam de que, depois de cem dias de novo governo em Brasília, eu e outros continuamos a falar de Jair Bolsonaro. "Por que essa fixação?", perguntam. "Por que não o esquecem e o mandam para a lixeira da história, que é onde ele merece estar?" A resposta é: porque não. Porque o governo de Bolsonaro ainda não terminou.

Isso só acontecerá quando o Brasil ajustar contas com ele —quando Bolsonaro for investigado, julgado e condenado. E a condenação a que me refiro não é um prejulgamento. Se Bolsonaro responder efetivamente por todos os crimes que praticou nesses quatro anos, não haverá tribunais ou grades suficientes. E não será por falta de provas —ninguém agrediu, ameaçou e mentiu com tal proficiência, envenenou de tal forma as instituições, levou tantos brasileiros à morte e, ao mesmo tempo, julgando-se imbrochável, produziu tantas evidências contra si mesmo. Está tudo documentado e em todas as mídias.

Thiago Amparo - Moro, PF e PCC

Folha de S. Paulo

É típico do ex-juiz ver segurança pública de forma sensacionalista

O plano da fação criminosa PCC de ataques a autoridades —entre elas o ex-juiz e hoje senador Sergio Moro (União Brasil – PR) e o promotor paulista Lincoln Gakiya, segundo a PF— é episódio de suma gravidade que não deve ser reduzido a farpas políticas, as quais deveriam cair no poço da irrelevância.

O episódio se soma à incidência recorrente de violência no Brasil. Em 2022, a violência política disparou 400% em comparação a 2018; e são comuns casos de juízes e promotores ameaçados no país. O que importa, agora, é avaliar o ocorrido.

É um alento verificar que a PF, depois de anos de tentativa de interferência pelo governo Bolsonaro —ao qual Moro serviu e do qual saiu, ao menos em suas palavras, em reação contrária a essa mesma interferência—, esteja hoje à frente do combate ao crime organizado.

Merval Pereira - Deter o Estado bandido

O Globo

A disputa do Estado de Direito com o Estado bandido, com as milícias, os comandos de criminosos de diversas facções é uma questão-chave de que o Brasil não cuida há muitos anos

Se não ficarmos atentos, se o governo não tomar providências drásticas, corremos o risco de ser submetidos a um estado narcotraficante, como aconteceu na Colômbia durante anos. Foi muito difícil acabar com esse domínio lá, foi preciso ajuda maciça dos Estados Unidos, com dinheiro e forças militares. É uma situação a que não podemos chegar.

Mais uma vez a realidade dramática do domínio de territórios pelo crime organizado nos afronta e nos amedronta. Não bastasse a sequência de crimes cometidos por facções criminosas disputando espaço no Nordeste brasileiro, surge a tentativa de intimidar a Justiça e o sistema penitenciário com atentados contra juízes, promotores, agentes penitenciários, que lidaram nos últimos anos com a iniciativa de controle dessas facções. Seja, como fez o hoje senador Sergio Moro quando ministro da Justiça, enviando as lideranças desses bandidos para prisões de segurança máxima em diversas regiões do país, seja tratando-os com o rigor da lei.

A criação de um Ministério da Segurança Pública, concretizada no governo Temer e revertida no de Bolsonaro, voltará à discussão. É o que sempre acontece quando fica evidente que o crime organizado está ampliando suas ações, nacionalizando e até internacionalizando sua presença na distribuição de drogas.

Malu Gaspar - As genialidades de Lula

O Globo

Já entrou para a história do terceiro mandato de Lula a carraspana que ele passou nos ministros para que parassem de anunciar “genialidades” em nome do governo sem combinar com ninguém. “É importante que nenhum ministro ou ministra anuncie publicamente qualquer política pública sem ter sido acordado com a Casa Civil, que é quem consegue fazer com que a proposta seja do governo.”

O que irritou Lula naquele dia foi a proposta do ministro Márcio França, dos Portos e Aeroportos, de vender passagens aéreas a R$ 200 para aposentados e servidores públicos — que, além de não ter sido combinada, também seria de difícil execução.

Depois foi o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, que resolveu baixar na marra os juros do empréstimo consignado para aposentados a um patamar inviável para os bancos, que simplesmente suspenderam o crédito.

Eugênio Bucci* - O algoritmo loquaz

O Estado de S. Paulo

A máquina nos convida para o papel de coadjuvantes na nossa própria história. E fala pelos cotovelos de silício

Sim, você sabe o que é o ChatGPT. Claro que sabe: já leu a respeito, já viu notícias nos telejornais e, talvez, até já tenha brincado com ele. O chatbot desenvolvido pelo Open AI Institute explodiu nas preferências das massas interconectadas. A versão 3,5, que funciona pela combinação de 175 bilhões de parâmetros simultaneamente, já bateu a marca de 120 milhões de usuários. A versão 4,0, a caminho, conta com 1 trilhão de parâmetros.

As pessoas não falam de outra coisa. As máquinas também: não falam de outra coisa. Isso mesmo: agora, as máquinas conversam, escrevem sobre temas abstratos, muito além do “pegue a segunda saída à esquerda” ou de “por favor, espere na linha, a sua ligação é muito importante para nós”. Computadores e celulares foram promovidos a seres falantes, e já com ares de seres pensantes. O sujeito vai lá e pergunta: “Que verso de Bocage eu posso citar para a minha namorada hoje no jantar?”. O negócio responde, por escrito. “Como faço um bolo de laranja?” Ele ensina, em um segundo. “Qual a diferença entre um emir e um califa?” “Quem foi Ésquilo?” “Como reverter o aquecimento global?” “Vladimir Putin é movido pelas paixões tristes de que falou Espinosa?” “A trigonometria será um dia dispensável em cálculos geométricos?” “Vale a pena ler artigos no Estadão?”

Bruno Boghossian - A língua de Lula

Folha de S. Paulo

Presidente deve saber que não está sozinho no ringue e que alguns golpes são dados abaixo da linha da cintura

A ala hidrófoba da oposição avisou que vai confeccionar um pedido de impeachment contra Lula. Os parlamentares alegam que o presidente cometeu crime de responsabilidade ao contar que, na prisão, falava em "foder esse Moro". A ideia da tropa bolsonarista é forçar a barra e pegar carona na operação que desarticulou um plano para atacar o ex-juiz.

A chance de a artimanha prosperar é nula. A Lei do Impeachment trata como crime a ameaça com o objetivo de afastar ou coagir um parlamentar –coisa que Lula não fez. E falta apoio a essa fantasia tanto na oposição dita moderada como entre políticos especializados em pôr a faca no pescoço de presidentes.

Luiz Carlos Azedo - "Sincericídio de Lula é prato feito para oposição"

Correio Braziliense

"‘Quem fala demais dá bom-dia a cavalo’, diz um velho ditado mineiro"

Shahriar era o rei da Persia, cujo império se estendia até a Índia e a China. Vendo-se enganado por sua esposa, ele se convence de que ninguém será fiel a ele; por isso, durante três anos, ele toma uma esposa à noite e manda executá-la na manhã seguinte, até se casar com a filha de seu vizir, Scherezade, notável por sua beleza e inteligência.

Por mil e uma noites seguidas, Scherezade recita um conto para ele até o amanhecer, tomando o cuidado de criar um suspense e deixar o desfecho para a noite seguinte. Ansioso para saber o final da história, Shahriar deixa a princesa viver mais um dia.

O pai da princesa Scherezade, Jafar, era o responsável pelas execuções. Até que chegou o dia em que todas as mulheres solteiras do reino foram executadas ou fugiram. Para livrar o pai de uma retaliação, por não encontrar mais uma noiva para o rei, Scherezade se oferece para se casar com Shahriar.

Inutilmente, o vizir tenta convencer a filha: "Aquele que não sabe adaptar-se às realidades do mundo sucumbe infalivelmente aos perigos que não soube evitar. Aquele que não prevê a consequência dos seus atos não pode conservar os favores do século", adverte-a.

Nem chegou às 100 noites de seu novo governo e o presidente Lula se depara com a situação descrita pelo vizir: não está sabendo se adaptar às novas realidades do mundo, corre perigos que poderia evitar e parece não medir as consequências de suas declarações. Na quarta-feira, na entrevista que deu aos jornalistas Leonardo Attuch, Helena Chagas, Tereza Cruvinel e Luís Costa Pinto, na TV 247, a primeira que concedeu ao vivo, atravessou a rua para escorregar na casca de banana.

William Waack - O profeta frustrado

O Estado de S. Paulo

Degradação do poder político e estagnação do crescimento ajudam a entender hesitação de Lula

Eu estou certo e o mundo está errado costuma ser uma postura típica de profetas. Às vezes precisam de séculos para terem razão.

Lula não é profeta, nem visionário, nem tem todo esse tempo. Mas, na vital esfera da política econômica, está se comportando como se fosse dono de uma verdade que só mal-intencionados se recusam a aceitar.

O presidente enxerga o crescimento da economia como função quase exclusiva do crescimento do consumo das famílias. Por sua vez, dependente de transferência de renda via políticas públicas e da expansão de gastos sociais.

Maria Cristina Fernandes - A âncora chinesa

Valor Econômico

Com possível adesão à “Belt&Road”, Lula pretende impactar expectativas do mercado com âncora fiscal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcará no Brasil no dia 1º de abril de volta de sua viagem à China e aos Emirados Árabes não apenas com a esperada âncora fiscal, mas com compromissos encabeçados por uma possível adesão ao “Belt&Road” (Cinturão&Rota), iniciativa chinesa global de investimento em infraestrutura.

O adiamento da âncora fiscal para depois da viagem não se explica apenas pelos embates em torno dos limites dos gastos sociais nas novas regras, mas pela aposta no impacto dos resultados da viagem sobre as expectativas.

Mais do que a manutenção do juro, o azedume de seu comunicado pressiona por uma âncora mais dura. Por isso, a viagem ganha mais centralidade. Se o crescimento depende de investimentos, estes de confiança e esta, por fim, de austeridade fiscal, Lula pretende se tornar pivô desta equação. Se trouxer da China e dos Emirados Árabes ele arrancar uma penca de investimentos, não lhe venham por um garrote fiscal.

Cristiano Romero - Credit Suisse é o novo Lehman Brothers?

Valor Econômico

Supervisão bancária dos países ricos segue frouxa 15 anos depois

No dia 15 de setembro de 2008, o centenário banco de investimento americano Lehman Brothers quebrou. A crise financeira dos países ricos, que eclodiu em meados do ano anterior, espalhou-se, então, pelo restante do mundo, dados os efeitos sistêmicos que a falência do Lehman provocara nos mercados.

Até aquele momento, os chamados mercados emergentes ainda não haviam sido afetados pelo contágio da crise bancária, cujo epicentro estava nos EUA. A economia mundial vivia, desde o início deste século, o fenômeno do "boom" de commodities, resultante do crescimento acelerado, acima de dois dígitos ao ano, da China.

O Brasil era - e ainda é - um dos principais beneficiários do ciclo chinês por ser um produtor competitivo de commodities. Para crescer, os chineses precisam importar energia (principalmente, petróleo), minério de ferro e alimentos.

MDB prepara estratégia para aumentar número de prefeituras em 2024

A meta é chegar a outubro do ano que vem com cerca de 900 prefeitos filiados

Por Juliana Braga / Valor Econômico

BRASÍLIA - O presidente do MDB, Baleia Rossi, já começou os trabalhos para tentar superar em 2024 o número de 784 prefeituras eleitas em 2020.

Nas últimas eleições municipais, o partido encolheu, tendo saído de 1.044 gestões conquistadas no pleito anterior, mas conseguiu manter a posição de campeã de prefeituras.

Vinicius Torres Freire - Um arrocho exagerado de juros

Folha de S. Paulo

Baixa de juro depende de recessão mundial, asfixia no crédito no país e de plano fiscal de Lula, diz BC

O Banco Central não deu a mínima para a falação do governo e outros críticos da taxa de juros. Fez questão de dizê-lo em várias das entrelinhas do comunicado em que anunciou sua decisão de manter a Selic em 13,75%. O BC nem mencionou a possibilidade de corte. Apenas citou a possibilidade de baixa da inflação caso a economia, aqui e lá fora, vá à breca.

Para quem se interessa pela política politiqueira da conversa econômica, este é o resumo da ópera.

O que o governo pode fazer? Como diz o clichê sobre o judô, usar a força do "adversário" para virar o jogo (sobre credores e sobre quem espera inflação alta). Se vier mais reação estabanada ou agressivamente maluca (mais gasto obrigatório, decretar juros e preços baixos etc.), a situação piora.

Sim, é bem possível que a economia vá ter falta de ar em breve. Maio? Vamos para um arrocho provavelmente exagerado por causa de querelas e ideias tolas e ignaras.

Míriam Leitão - Banco Central e governo em pé de guerra

O Globo

Após dias de bombardeio de críticas do PT e do presidente Lula, comunicado do Copom mantém os juros e não dá sinais de trégua futura

O Banco Central fez um comunicado, ao fim da mais controversa reunião dos últimos tempos, que se compara a uma declaração de guerra, na avaliação até de economistas de mercado. Integrantes do governo e do PT têm radicalizado também. E a palavra serena ficou com o ministro Fernando Haddad que admitiu apenas que “o comunicado preocupa”. Houve forte artilharia disparada pelo PT, pelo próprio presidente Lula, por economistas reunidos no BNDES contra o Banco Central. Como se esperava, os juros foram mantidos. Mas não houve promessa de trégua futura. O Banco Central parece muito preso ao modelo e sem ver os sinais de desinflação, de desaceleração, e de piora do crédito no país e no mundo.

Nos últimos dias, os críticos do Banco Central no governo radicalizaram suas manifestações e o próprio presidente Lula disse que continuará “batendo” no BC. No comunicado, o BC fala que a reoneração dos combustíveis reduziu a incerteza fiscal, mas disse que inflação aqui e no exterior permanece resistente, há volatilidade internacional e “expectativas de inflação desancoradas”. Avisa que “perseverá” na política monetária, e “não hesitará” em subir de novo os juros se a inflação não cair como o esperado.

Celso Ming - Banco Central peita o governo

O Estado de S. Paulo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, considerou a decisão do BC “muito preocupante” e disse que as projeções do governo mostram que as contas públicas estão melhorando

Os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos tomaram nesta quarta-feira decisões de grande impacto macroeconômico – e político.

Apesar da impressionante pressão do governo Lula por uma derrubada imediata dos juros básicos (Selic), o Banco Central do Brasil manteve os 13,75% ao ano, como se esperava, decisão que pode ser interpretada como franco desafio ao governo.

No comunicado divulgado logo após a reunião, o Copom deixou claro que um dos mais importantes fatores de risco de alta para o cenário inflacionário é a incerteza que ronda sobre o arcabouço fiscal, ainda não divulgado pelo governo. E avisou que “conduzirá a política monetária (política de juros) necessária para o cumprimento das metas”.

O governo Lula quer juros substancialmente mais baixos para baixar o custo do crédito e acionar a retomada da atividade econômica e do emprego. Ou seja, quer que o Banco Central não maneje a política monetária apenas para conduzir a inflação para a meta, como está na lei, mas com objetivo contracíclico – para reverter a estagnação da economia.

J. B. Pontes* - A lavagem cerebral e o analfabetismo político

“A ignorância, a cobiça e a má-fé também elegem seus representantes políticos”.

Carlos Drummond de Andrade

Pesquisa realizada pelo IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica), neste mês, e divulgada no último domingo (19/03/2023), indica que 44% dos brasileiros acreditam que o Brasil corre risco de tornar-se um “país comunista” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Destes, 31% afirmam acreditar totalmente nesta hipótese e outros 13% apenas parcialmente.

Este dado parece inacreditável, mas reflete a realidade de um país composto por uma multidão de ignorantes, que foram propositadamente alimentados pelos militares desde a ditadura militar, bem como pela má-fé e pelo mau-caratismo de líderes políticos, a exemplo de Bolsonaro, com o apoio nefasto de pseudo-líderes religiosos.

Tudo indica que os efeitos da lavagem cerebral que o povo sofreu nos últimos anos ainda se farão sentir por muito tempo. E só poderão ser mitigados por meio de uma revolução cultural, visando elevar a consciência política e democrática dessa multidão de ignorantes.

O analfabetismo político é um dos maiores mal deste País. É ele que continua elegendo o enorme grupo de parlamentares fisiológicos que compõe o chamado Centrão, os quais querem só gozar das prerrogativas, da boa remuneração e dos demais privilégios e benefícios pecuniários que o cargo lhes proporciona. Exemplo claro é a chamada verba de gabinete, destinada à contratação de pessoal para os gabinetes dos parlamentares.