*Hannah Arendt (1906-1975), “A vida do
espírito” p.274. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2009.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
Opinião do dia - Hannah Arendt* (pensar o futuro)
O que a mídia pensa | Editoriais | Opiniões
Xi saiu vitorioso na disputa com Trump em 2025
Por O Globo
China obteve dos EUA corte de tarifas, acesso
a chips avançados de IA e vista grossa a suas pretensões sobre Taiwan
Donald Trump voltou à Casa Branca em janeiro com o objetivo declarado de dobrar a China à sua vontade. Antes de completar duas semanas no poder, elevou as tarifas cobradas de produtos chineses de 10% para 20%. “Foi apenas um tiro de advertência. Se não conseguirmos fechar um acordo com a China, as tarifas serão muito, muito substanciais”, disse na época. Nos meses seguintes, a previsão se tornou realidade. No primeiro tarifaço em abril, a China foi contemplada com as maiores sobretaxas e, em seguida, começou a retaliar. A sucessão de respostas americanas fez a tarifa cobrada de produtos chineses chegar a inacreditáveis 145%. Em maio, com o primeiro cessar-fogo na guerra comercial, caiu para 30%. Hoje está em 20%. Parece evidente que, no primeiro ano de Trump, o chinês Xi Jinping levou a melhor.
Balanço do ajuste de contas com a tentativa de golpe de 8 de janeiro. Por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Comorbidades e nova
dosimetria podem permitir que Bolsonaro volte mais cedo à prisão domiciliar,
mas antes das eleições isso só ocorrerá se realmente estiver muito doente
Para usar uma expressão do general Golbery do Couto e Silva, estrategista do regime militar, talvez uma “diástole” em relação ao presidente Jair Bolsonaro e aos generais condenados pelo 8 de Janeiro tenha começado mais cedo do que se imaginava, na velha tradição republicana de perdoar os revoltosos. A origem dessa tradição é a Guerra dos Farrapos, um movimento republicano e separatista que sacudiu o Rio Grande do Sul e Santa Catarina de 1835 a 1845, cujos generais foram anistiados e incorporados ao Exército Brasileiro com suas patentes originais, pelo Tratado de Poncho Verde e, depois, canonizados pela República.
EUA ainda crescem, Trump não. Por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Economia deve crescer perto de 2% em 2025,
menos do que em 2024 e com mais desigualdade
PIB dos EUA deve avançar mais em 2026, ano de
eleição crucial para política mundial
Donald Trump não
estropiou a economia americana,
no curto prazo, como se imaginava pelo menos até abril, quando muito
se discutia o risco de recessão. Ajudou que tenha desistido das
idiotices piores. Nos primeiros três trimestres do ano, o PIB cresce
pouco mais do que 2%. Em 2024, cresceu 2,8%.
PIB não diz lá tanta coisa sobre o bem-estar material das pessoas, afora em recessões ou em épocas raras de exuberância contínua. Por vezes, mesmo um PIB andando bem não diz lá tanta coisa sobre possibilidades políticas. Ainda assim, convém prestar atenção. As andanças dos juros americanos e do dólar definem parte importante da vidinha econômica no Brasil.
Profissão: perigo. Por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Escolha de carreira de um indivíduo impõe
limitações sobre vida pessoal
Moraes deve explicações sobre relacionamento
com banco Master
As escolhas profissionais de um indivíduo afetam seu estilo de vida. Se você quiser ter uma esposa, filhos e conviver publicamente com eles, risque o item padre católico de sua lista de opções. Se não desejar ser acordado no meio da madrugada por uma mãe aflita, descarte a pediatria em consultório particular. Quem não se dispuser a trabalhar aos fins de semana não deveria ser mestre-cuca, garçom nem jornalista esportivo.
Esforço de Fachin será premiado. Por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Hoje voz isolada no STF, o presidente ganha
apoio na sociedade para criar um código de ética para magistrados
Se há regras para quase tudo, deve haver
também para os donos do poder de regular a legalidade como um todo
O esforço do presidente do Supremo
Tribunal Federal, Edson Fachin,
pela criação de um código de ética para magistrados tem sido muito bem
recebido em setores da chamada sociedade organizada, que já fazem circular
manifestos em apoio à ideia.
Por óbvio: se há regras para a regulação de quase tudo, deve haver também para os donos do poder de regular a legalidade como um todo. Anormal é tanto a inexistência desse guia quanto objeções explícitas e implícitas de ministros a se submeterem a normas de conduta.
Código de conduta para o STF é urgente. Por Vera Magalhães
O Globo
A democracia brasileira não precisa de um
Supremo acuado, tampouco de um Supremo hipertrofiado e blindado a controles
O Supremo Tribunal Federal foi, sem exagero,
uma das colunas que impediram o desabamento institucional do país nos últimos
anos. Quando outros Poderes vacilaram, se omitiram ou flertaram com a ruptura
tentada por Jair Bolsonaro, coube ao STF impor limites, afirmar regras do jogo
e garantir que a democracia sobrevivesse a seu momento mais crítico desde a
redemocratização. Esse papel histórico é inegável — e precisa ser reconhecido.
Justamente por isso, o tribunal não pode se comportar como instância imune a críticas, escrutínio público ou mecanismos mínimos de prestação de contas. A força que o Supremo acumulou, por necessidade e por omissão alheia, cobra agora um preço: quanto maior o protagonismo, maior a obrigação de transparência, autocontenção e exemplaridade. As controvérsias recentes não são detalhes laterais nem ruídos fabricados por inimigos da democracia, como muitos tentam fazer crer.
A bancada silenciosa do STF. Por Elio Gaspari
O Globo
A adoção de um código de conduta merece ser
discutida às claras, com nomes e sobrenomes
A manifestação de cinco ex-presidentes do
Supremo Tribunal Federal favoráveis à criação de um código de conduta para os
atuais ministros da Corte foi um tiro certeiro contra a bancada que combate a
ideia.
Estranha bancada. Manifesta-se com a capa ectoplásmica do off, por meio da qual sua opinião é divulgada, mas sua identidade é preservada. Foi assim que surgiu a notícia segundo a qual Fachin está isolado ao propor o código. Tudo bem, a maioria dos ministros pode não gostar da ideia, mas eles não põem a cara na vitrine. Salvo engano, a única resistência pública partiu do ministro Alexandre de Moraes, mesmo assim, numa fala de 2024:
O ministro do ‘novo clero’. Por Bernardo Mello Franco
O Globo
Novo titular do Turismo nunca disputou
eleições, mas é herdeiro de uma oligarquia regional
Em Brasília, como no romance de Lampedusa, às
vezes tudo deve mudar para continuar como está.
Em setembro, o União Brasil anunciou o rompimento com o governo e a saída de Celso Sabino do Ministério do Turismo. O paraense se segurou na cadeira por três meses, até ser expulso do partido. Ontem o presidente Lula deu posse ao novo titular da pasta, o paraibano Gustavo Feliciano. Para surpresa de ninguém, ele foi indicado pelo União Brasil.
Feliz Ano Velho! Por Vera Rosa
O Estado de S. Paulo
Lula não inventará em 2026 marola ou novo programa, mas fios desencapados atingem aliados
O governo termina o ano com uma prioridade
para 2026: a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não vai
inventar marola nem novo programa. De agora em diante, tudo o que for anunciado
será apenas vitrine para a campanha eleitoral do ano que vem. Na prática, nada
de inusitado sairá do papel nos próximos meses.
Alguns assuntos, porém, causam pânico no Palácio do Planalto pelo potencial explosivo. Na lista de fios desencapados que podem atingir aliados estão a CPI do INSS, o intrincado negócio do Banco Master, a Operação Carbono Oculto, o imbróglio da Refinaria de Manguinhos (Refit) e o infindável estica e puxa das emendas parlamentares.
Moraes chegou a ligar 6 vezes em 1 dia ao BC para tratar do Banco Master
DAVID FRIEDLANDER ELIANE CANTANHÊDE COLABOROU RICARDO CORRÊA / O Estado de S. Paulo.
Uma reunião com Galípolo foi presencial;
ministro diz que trataram só de Lei Magnitsky
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, chegou a ligar 6 vezes em 1 dia para Gabriel Galípolo, do BC, para saber sobre a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), informam David Friedlander e Eliane Cantanhêde. Os telefonemas fazem parte de uma das conversas de Moraes com Galípolo a respeito do assunto, sendo uma delas presencial. A pressão ocorreu em meio à análise do negócio que salvaria o Master, liquidado pelo BC sob suspeita de fraudes de R$ 12,2 bilhões. A mulher de Moraes, Viviane Moraes, tinha contrato de R$ 129 milhões para representar o Master. Em nota, Moraes afirmou que contatos tiveram como “exclusivo” objetivo tratar da Lei Magnitsky. O BC confirmou, mas não usou o termo “exclusivamente”.
Moraes ligou 6 vezes em um dia para Galípolo sobre Master, diz jornal; ministro nega telefonemas
Por Folhapress / Valor Econômico
O ministro Alexandre de Moraes, do STF
(Supremo Tribunal Federal), teria ligado seis vezes em um mesmo dia para o
presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para saber do andamento da
análise da operação de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília),
segundo reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”.
Em novo comunicado divulgado na noite desta
terça-feira (23), Moraes disse que "inexistiu qualquer ligação telefônica
entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto".
O magistrado confirmou a realização de duas
reuniões com Galípolo, em 14 de agosto e 30 de setembro. Segundo ele, os
encontros tinham como objetivo tratar dos efeitos da aplicação da Lei
Magnitsky, que prevê sanções financeiras e foi usada pelo governo dos Estados
Unidos contra Moraes e sua mulher, Viviane Barci de Moraes.
"Em nenhuma das reuniões foi tratado
qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente à aquisição do BRB
pelo Banco Master", afirmou.
O ministro disse ainda que o escritório de advocacia de sua esposa --que possui contrato com o Master-- "jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central".
Moraes diz que nunca foi ao Banco Central e nem telefonou a Galípolo
Por Giullia Colombo / Valor Econômico
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Alexandre de Moraes informou na noite dessa terça-feira (23), por meio de nota
divulgada pela Corte, que realizou em seu gabinete duas reuniões com o
presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, para tratar dos efeitos da
aplicação da Lei Magnistiky. Segundo a nota, em nenhuma das reuniões foi
tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente à negociação
de aquisição entre o BRB o Banco Master. Ele também negou que isso tenha
ocorrido por meio de ligação telefônica.
Essa é a segunda nota divulgada por Moraes nesta terça-feira. A primeira não negava explicitamente que tivesse conversado com Galípolo sobre o caso do Master.
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
Opinião do dia – Hannah Arendt* (A propaganda totalitária)
*Hannah Arendt (1906-1975), “Origens do
totalitarismo”, p. 474, Companhia de Bolso, São Paulo, 2020.
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Ultraliberal Milei hesita em adotar o câmbio livre
Por Folha de S. Paulo
Argentina permitirá maior variação do dólar a
partir de janeiro, mas governo teme impacto nos preços
Presidente herdou inflação de mais de 200% da esquerda peronista, que a duríssimas penas para a população foi reduzida a cerca de 30%
O Brasil adotou a livre flutuação do câmbio em
janeiro de 1999, rompendo com uma longa tradição de controle das cotações
do dólar e
de outras divisas ante a moeda nacional. Hoje o regime faz parte da rotina
econômica do país, mas a decisão foi dificílima na época.
A rigor, nem mesmo foi uma decisão. O governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se viu forçado a deixar o preço do dólar variar livremente porque as reservas em moeda forte do Banco Central estavam se esgotando.
O Brasil de todos os escândalos. Por Fernando Gabeira
O Globo
O sigilo de cem anos é sempre o vencedor,
pois está na mão do poder e é uma arma que desequilibra o jogo
No passado, creio, um escândalo esperava o
outro antes de aparecer. Agora já não se respeita a fila. Eles aparecem a todo
instante, se chocam, se encavalam um no outro, a gente precisa escolher o que
vai acompanhar.
Quem os segue por dever profissional acaba se
tornando graduado em escândalos. Um dos traços mais importantes aparece no caso
do Banco Master. É um escândalo, sem dúvida. Mas, logo em seguida a sua
aparição, surgem novos, típicos do Brasil: os escândalos do abafa.
No caso do Master, o escândalo foi continuado. Primeiro a explosão, depois a relação com ministros do Supremo e, finalmente, a decretação do sigilo numa tentativa de bloquear seu curso. O Supremo contribuiu com Toffoli, que nesse esporte joga em várias posições: sua mulher já foi sócia de advogados do Master, ele próprio viajou para Lima com um advogado do Master e finalmente assumiu o inquérito e decretou um pesado sigilo.
Quatro perguntas para evitar brigas na ceia. Por Pedro Doria
O Globo
Elas permitem que gente de esquerda e de
direita se encontre em muitas concordâncias sem falar de esquerda ou direita.
Empatia nasce daí
Alguns de meus colegas na imprensa têm escrito colunas sobre como evitar brigas nas festas de fim de ano. Também acho necessário. Mas, sabe, é exigir um bocado da sociedade brasileira. Pescando, aqui, números da última Quaest: 55% de nós consideram que Lula não deveria sair candidato. É mais que a metade. O presidente sairá candidato, não importa que seja rejeitado. E 60% defendem que nem Jair nem Flávio Bolsonaro devem receber votos. São duas rejeições muito altas. A mesma pesquisa revela que os dois, Lula e Flávio, são favoritos para estar no segundo turno. Mais de metade de nós não quer nenhum — e periga sermos obrigados a escolher um deles. Como não brigar num cenário assim?
A mulher de César. Por Merval Pereira
O Globo
Se os ministros, principalmente Moraes, têm
como provar que as denúncias não são verdadeiras, precisam fazê-lo de maneira
cabal.
O caso da liquidação do Banco Master ganha contornos cada vez mais graves, envolvendo diversos setores da administração pública, numa demonstração de que a prática do lobby sem regulamentação envenena por dentro o governo. Envolvido especialmente nas controvérsias, o Supremo Tribunal Federal (STF) é o mais afetado pela insegurança jurídica que atitudes individuais de seus ministros geram na sociedade. O ex-controlador do banco, o empresário Daniel Vorcaro, anda com tornozeleira eletrônica e exibe sua influência à medida que se descobrem os desdobramentos do caso.
De sandálias, no rumo da polarização sem fim. Por César Felício
Valor Econômico
Polêmica em comercial comprova resultado de
pesquisa que mostra eleitor preso em moldura de 2022
O responsável pela pesquisas Quaest, Felipe
Nunes, é um dos principais teóricos da tese de que há um processo de
calcificação do eleitorado brasileiro em uma polarização entre lulismo e
bolsonarismo semelhante ao que ocorre nos Estados Unidos, sem muito espaço para
guinadas no curso da corrida eleitoral.
A mais recente pesquisa divulgada em conjunto com o banco de investimentos Genial, com dados coletados de 11 a 14 de dezembro, alimenta esta tese, adicionando a ela uma outra camada: a sensação entre os pesquisados que se está diante de um fenômeno inevitável.
Profeta do pessimismo está um pouco menos pessimista. Por Pedro Cafardo
Valor Econômico
Estimativas de economistas para o cenário do ano foram um pouco mais próximas da realidade
Nos três primeiros anos do governo Lula 3, o
Boletim Focus foi um “profeta do pessimismo”. Focus é o relatório publicado
semanalmente pelo Banco Central com base em pesquisas sobre as expectativas de
instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos do
país.
A pesquisa Focus previa, em dezembro de 2022, um crescimento do PIB de 0,79% em 2023, mas o índice na realidade foi de 3,2%, três vezes maior. Em dezembro de 2023, a previsão para 2024 era de 1,5%, e a expansão atingiu 3,4%, mais que o dobro do previsto. Também houve viés pessimista nos casos de inflação, dólar, superávit comercial, investimentos diretos etc.
Acordo Mercosul e União Europeia. Por Rubens Barbosa
O Estado de S. Paulo
Se a assinatura não ocorrer em janeiro, a paciência estratégica do Mercosul deveria terminar e o grupo deveria informar que as negociações ficam oficialmente encerradas
Depois de 26 anos de negociações, o Acordo de Associação entre o Mercosul e a União Europeia (UE) com o objetivo de ampliar a cooperação entre os dois mercados regionais em três vertentes (política, cooperação e comércio) estava com a assinatura prevista para sábado passado, dia 20. Pela divisão entre os países da UE que exigiram mais medidas protecionistas contra a exportação de produtos agrícolas, o Mercosul aceitou que a assinatura seja adiada para janeiro.
Horizonte perdido. Por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Desencontro temporal entre interesses de
governantes e da população torna democracias menos eficientes
Administrações petistas costumam ser pródigas
em gastos, o que torna controle da inflação mais custoso
Um dos problemas da democracia é o desencontro temporal. Políticos, que dependem de eleições periódicas para manter-se no poder, pensam e agem em lapsos temporais de quatro anos. Até funciona para algumas coisas, mas não para tudo. Não são poucas as obrigações do poder público que cobram planejamento e execução em horizontes bem mais dilatados.
Fotografias e outros males rendem prejuízo à direita. Por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
A imagem do dinheiro de Sóstenes tem o mesmo
efeito da foto que derrubou a candidatura de Roseana Sarney
Deputados presos, cassados, fugitivos e envolvidos
em desvios integram um pacote de infortúnios para a direita
Em abril de 2002, uma foto de dinheirama apreendida pela Polícia Federal pôs a pique a candidatura à Presidência da então governadora do Maranhão, Roseana Sarney, pelo PFL. Ela subia nas pesquisas, despontava como favorita. A partir do flagrante no escritório do marido, Jorge Murad, seu nome despencou até a inevitável renúncia.
Devassa na política fluminense deixa Flávio Bolsonaro em pânico. Por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Um dos alvos da PF é o homem de confiança do
filho 01 no governo Castro
Celulares do desembargador que obstruiu a
investigação já estão desbloqueados
"Cherchez la femme" é uma expressão
popularizada por Alexandre Dumas no romance "Os Moicanos de Paris",
de 1854, significando que, para resolver um crime, deve-se procurar a mulher.
Menos misógina, "follow the money" (siga o dinheiro) é o resumo do
caso Watergate, na década de 1970. Hoje a dica óbvia é quebrar a senha do
celular.
O vício de usar o aparelho é tão irresistível que o bandido —seja um pé de chinelo ou um engravatado— sabe que vai se comprometer, produzindo provas contra si mesmo, mas não resiste à compulsão de teclar com os polegares.
Sonhos orçamentários para o ano eleitoral de 2026. Por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão
Uma derrota após a outra. Por Pablo Spinelli
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
Opinião do dia – Friedrich Hegel* (O pensar não binário)
Conhecimento é intuição intelectual com as seguintes condições:
a) Que, malgrado a divisão de todo o oposto
ao outro, toda a realidade externa se conheça como a interior. E se assim vier
a ser conhecida, segundo a sua essência, tal qual é realmente, então se mostra
não como estável, mas como aquilo cuja essência própria é o movimento da
ultrapassagem. Este ponto de vista heraclitiano ou cético, de que nada é firme,
deve ser provado em todas as coisas; e assim, nesta consciência de que a
essência de cada coisa é determinação e, por isso, o seu contrário,
manifesta-se a unidade do conceito com o seu contrário.
b) Todavia, é também necessário conhecer esta
unidade na sua realidade; esta, enquanto é uma tal identidade, deve,
precisamente por isso, passar para o seu contrário, ou seja, fazer-se outro
para se realizar. Assim, através dela própria, produz-se o seu oposto.
c) Acerca da oposição, temos de dizer, por
seu turno, que ela não é de modo absoluto, se o absoluto é a essência, o
eterno, etc. Todavia, note-se que também este é uma abstração, na qual está
compreendido dum ponto de vista unilateral, e que a sua oposição tem apenas o
valor de um ideal; na realidade, a oposição é a forma como momento essencial do
movimento do absoluto. Este não está em repouso, aquela não é o conceito que
nunca para. Pelo contrário, a Ideia, na sua irrequietabilidade, está em repouso
e em si satisfeita.
Deste modo, o puro pensamento chegou à
oposição do subjetivo e do objetivo: a verdadeira conciliação da oposição
consiste em entender como esta oposição, levada ao ponto extremo, se resolve,
de sorte que os opostos, como diz Schelling, sejam em si idênticos. Mas não
basta afirmar isto, se não se acrescenta que a vida eterna é propriamente este
produzir eternamente a oposição e eternamente conciliá-la. Possuir o oposto na
unidade e a unidade na oposição, eis o saber absoluto; e a ciência consiste
precisamente em conhecer esta unidade, no seu pleno desenvolvimento, através
dele mesmo.
*Friedrich Hegel (1770-1831), “Introdução â
História da Filosofia”, p.158, v. II, Nova Cultura, 1989.
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Governo precisa fazer sua parte para juros caírem
Por O Globo
Enquanto Lula continuar a varrer despesas
para fora da meta fiscal, BC terá de manter taxa nas alturas
Não faltam motivos para o Banco Central (BC), por meio do Conselho de Política Monetária (Copom), manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15%. Para entender as razões do BC, nem é preciso ler a ata da última reunião do Copom que manteve a Selic inalterada. Basta acompanhar o noticiário do dia a dia. Na semana passada, o governo obteve do Congresso mais um Projeto de Lei excluindo do cálculo da meta fiscal certos gastos temporários com saúde e educação. Tais despesas não precisarão, portanto, ser compensadas com cortes no Orçamento para que a meta de 2026 — superávit primário de 0,25% do PIB — seja considerada cumprida. E essa é a apenas a última de uma série de exceções às regras fiscais que somarão, de acordo com reportagem do GLOBO, R$ 170 bilhões nos quatro anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado dessa contabilidade nebulosa é o crescimento inexorável das despesas, portanto do endividamento.
Silêncios que gritam no caso do contrato milionário. Por Bruno Carazza
Valor Econômico
Código de ética no Judiciário é necessário, mas não devemos nos esquecer de quem está do outro lado do balcão
Corre pela internet um meme sobre o prêmio da
Mega da Virada, que neste ano pode chegar à estratosférica cifra de R$ 1
bilhão. Segundo a piada, com esse dinheiro o ganhador teria condições de
comprar 12.500 carros populares, 1.666 casas de ótimo padrão, 142 Lamborghinis,
dar 20 mil voltas ao mundo ou... pagar 8 consultorias como a que a advogada
Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, prestou ao
banco Master.
A divulgação das cifras do contrato assinado entre a instituição liquidada por evidências de fraude contra o sistema financeiro e o escritório de advocacia da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (R$ 3,6 milhões mensais, entre 2024 e 2027, perfazendo um total de R$ 129 milhões) é mais um episódio sobre conflitos de interesses envolvendo a cúpula do Poder Judiciário.
Brasil, o campeão mundial de gastos com juros. Por Sergio Lamucci
Valor Econômico
Reverter esse cenário requer uma mudança
estrutural na condução das contas públicas, que passa pelo controle do ritmo de
expansão das despesas obrigatórias
O Brasil é o campeão mundial de pagamento de juros. Com uma dívida pública elevada e uma taxa básica nas alturas, o resultado é um volume altíssimo de despesas financeiras, que deverão superar R$ 1 trilhão neste ano. De uma lista de 153 países, o Brasil teve os maiores gastos com juros pagos sobre a dívida pública em 2024, atingindo 8,28% do PIB, segundo números mais recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI), compilados na Base de Dados das Finanças Públicas na História Moderna, atualizada neste mês.
Candidatura de Flávio provoca imbróglio na direita para 2026 e é potencial para fogo amigo. Por Mauro Paulino* e Alessandro Janoni*
O Globo
Estratégia do clã Bolsonaro inibe a migração
em massa do contingente dos sem candidato
Era o “ensaio sobre a lucidez” de Saramago —
a cegueira do ensaio anterior se espraia sobre o processo eleitoral aumentando
de maneira expressiva o contingente de eleitores que pretendem votar em branco
ou anular o voto. Foi o que aconteceu em agosto de 2018. Apesar de preso, Lula
gerou ruído ao registrar sua candidatura à Presidência da República, chegando a
39% das intenções de voto e liderando a disputa. Sem o petista, quase um terço
do eleitorado (28%) se mostrava sem candidato, patamar que superava a taxa do
primeiro colocado, Jair Bolsonaro, então no PSL, com 22%.
A estratégia do PT de manter a candidatura de Lula até sua inelegibilidade em setembro daquele ano acabou por retroalimentar seu antagonista — depois do atentado em Juiz de Fora, Bolsonaro passou a ser tratado de maneira predominantemente neutra pela mídia, e a apresentação tardia de Fernando Haddad como substituto demandava o esforço adicional de não posicioná-lo como adversário de uma vítima.
Favela precisa se beneficiar de sua potência criativa. Por Preto Zezé
O Globo
O mercado criativo brasileiro foi organizado
para capturar valor nos centros formais da economia
Quando se fala em economia criativa no Brasil, ainda é comum tratar cultura como adereço, inovação como promessa e favela como cenário. Os dados mais recentes desmontam essa narrativa. Em 2023, a economia criativa movimentou cerca de R$ 393 bilhões, algo em torno de 3,5% do PIB nacional, empregando mais de 7,7 milhões. Cresceu acima da média da economia e já supera setores considerados tradicionais. Não se trata de vocação futura, mas de setor produtivo consolidado.
Fachin tem razão: o STF precisa de um código de ética. Por Carlos Alberto Sardenberg
O Globo
Um ministro não deve pegar carona em jatinho
de empresário para assistir a uma partida de futebol
É constrangedor que o presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF),
ministro Edson Fachin, encontre resistência interna para a introdução de um
código de ética. Ainda bem que parece firme sua disposição. Disse ele no
discurso de encerramento do ano jurídico:
— Não poderia deixar de fazer referência à proposta, ainda em gestação, de debatermos um conjunto de diretrizes éticas para a magistratura.
A Europa joga seu futuro na Ucrânia. Por Demétrio Magnoli
O Globo
A paz, nos termos de Trump, implodiria o
edifício nacional ucraniano
Na hora da verdade, a União Europeia (UE) só
deu meio passo à frente. No lugar do plano de um multibilionário empréstimo à
Ucrânia baseado nos ativos russos congelados, fechou um empréstimo de € 90
bilhões com recursos próprios. É sua resposta ao intercâmbio diplomático
bilateral Trump-Putin, destinado a traçar o destino da Ucrânia à margem da
Europa — e da própria Ucrânia. Mas, sobretudo, surge como réplica à Estratégia
de Segurança Nacional (NSS, na sigla em inglês) divulgada pela Casa Branca.
A NSS diagnostica um declínio histórico radical da Europa: “apagamento civilizacional”, derivado do abandono de “valores” e da perda de “identidades nacionais”. Sentença de morte da aliança transatlântica? Quase. Segundo a doutrina Trump, uma reversão providencial dependeria da transferência do poder aos “partidos patrióticos europeus”.
A luta anticorrupção está de volta. Por Carlos Pereira
O Estado de S. Paulo
Mais do que retorno espontâneo, o novo ciclo reflete escolhas estratégicas do Sistema de Justiça
O Brasil voltou a ser sacudido por uma
sequência de escândalos de corrupção. Operações da Polícia Federal, solicitadas
pela PGR e autorizadas pelo STF, recolocaram o tema no centro do debate
público. Há denúncias de fraudes no INSS, desvios de emendas parlamentares e
apreensões de grandes quantias em dinheiro com deputados. Diante desse cenário,
reaparece uma pergunta que parecia superada: a luta contra a corrupção está de
volta?
Durante algum tempo, consolidou-se a percepção de que o combate à corrupção havia sido esvaziado com o fim da Operação Lava Jato. Para muitos, aquele encerramento simbolizaria o retorno automático a padrões históricos de impunidade. Essa leitura, no entanto, ignora mudanças institucionais que permaneceram – como a Lei da Ficha Limpa, a Lei de Acesso à Informação, a Lei Anticorrupção e os mecanismos de delação premiada e leniência.
Dino indica que STF deverá julgar em 2026 validade das emendas impositivas
Hugo Henud / O Estado de S. Paulo
Ministro sinaliza que Corte deve discutir no ano que vem constitucionalidade dos repasses de pagamento obrigatório; investigações que atingem parlamentares ampliam embate institucional
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino indicou que, em 2026, a Corte deverá discutir a constitucionalidade das emendas parlamentares impositivas, aquelas que obrigam o governo federal a pagar os recursos indicados por deputados e senadores. A movimentação tensiona ainda mais a relação entre STF e Congresso – especialmente em ano eleitoral – e ocorre em meio ao avanço de operações autorizadas pelo ministro contra parlamentares e ao julgamento de congressistas investigados por desvios de recursos do orçamento secreto, revelado pelo Estadão.



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