sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Lula fala em responsabilidade fiscal para atrair capital estrangeiro

Por Giordanna Neves, Lu Aiko Otta, Mariana Andrade e Lucas Teixeira, \ Valor Econômico

Declaração ocorre após encontro com ex-ministro e economistas próximos para discutir diretrizes para a economia no quarto mandato

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (5) que são necessárias responsabilidades fiscal e jurídica para atrair investimentos estrangeiros ao Brasil. Em meio à crescente preocupação do mercado com a política fiscal, as afirmações foram feitas horas depois de reunião realizada por ele com o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros, ex-ministros e economistas próximos do próprio Lula.

“Nós temos de ter responsabilidade jurídica e responsabilidade fiscal. Por isso que a gente não pode brincar de fazer parcerias", afirmou durante a primeira reunião do Conselho Nacional para a Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce), no Palácio do Planalto. “Sabemos que, para atrair, temos que ter uma economia arrumada. As pessoas querem saber se estamos falando sério.”

Quem é o verdadeiro ministro da Fazenda de Lula, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Independentemente de quem se sentar na cadeira de ministro da Fazenda, a palavra final sobre a política fiscal será, invariavelmente, de Lula

Duas ausências chamaram a atenção no almoço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nessa quinta-feira (5), com economistas: do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que continua cotado para o Ministério da Fazenda, mas submergiu; e de André Lara Resende, que não teve agenda com Lula, conforme esclareceu o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Além de ouvir os convidados sobre medidas para frear a alta da dívida pública, a obsessão do presidente é encontrar instrumentos viáveis para reduzir os juros. Alguns auxiliares o aconselharam a antecipar o nome do futuro ministro da Fazenda. Se o escolhido se comprometer com algum ajuste fiscal - um ajuste rigoroso tem o veto de Lula -, e despertar credibilidade no mercado, os juros futuros poderiam começar a cair, e isso abriria caminho para o recuo gradual da Selic. Mas o presidente descartou essa antecipação. Mais do que isso, fontes do entorno presidencial afirmam que ele ainda não escolheu o ministro da Fazenda, nem formalizou nenhum convite.

Paisagem depois da batalha, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

O novo governo terá a possibilidade de lançar na mesa alguns temas de unidade nacional

As eleições trouxeram novidades substanciais para os dois lados. À esquerda, o extraordinário movimento dos eleitores que deram mais 10 milhões de votos a Lula abre a possibilidade para um mandato mais rico do que os outros. À direita, a segunda derrota de um Bolsonaro em eleições majoritárias deve trazer um momento de recomposição e busca de novos nomes para liderar a corrente política.

Em alguns países do mundo com sistema parlamentarista, eleitores costumam votar num presidente à direita e num Congresso à esquerda, em busca de equilíbrio. No Brasil, não parece ter havido essa intencionalidade. Mas o fato de o Congresso ter representado uma guinada maior para os conservadores pode ter contribuído para uma importante variável: o medo da volta dos Bolsonaro ao poder central. Essa variável já era alta nas pesquisas, mas certamente cresceu diante do perigo de concentração de poder num candidato que muitos consideram imaturo, temor reforçado pela performance de Flávio nos debates.

Efeito Trump ao contrário, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

‘Nova direita’ da América do Sul sofre com crises, queda de popularidade e derrota de Trump

As voltas que o mundo dá... O trono do imperador Donald Trump começa a ruir e já há sinais de que, assim como puxou para cima a tal “nova direita” na América do Sul, passe a puxar para baixo a partir de agora. Aliás, como está acontecendo neste momento no Paraguai e foi previsto aqui na coluna em maio.

O Brasil foi o líder da resistência à invasão americana na região e consolidou espetacularmente essa posição com a eleição de Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro, comemoradas por governos, entidades e cidadãos ao redor do mundo, inclusive nos EUA, como vitória da democracia e da soberania.

Outra má notícia para os Bolsonaros, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Aumentar a pressão sobre Flávio e Eduardo dependerá de lobby diplomático brasileiro

A derrota republicana no Congresso dos Estados Unidos é má notícia para a família Bolsonaro em várias frentes.

A primeira e mais óbvia é o enfraquecimento do trumpismo, expoente máximo da estratégia de internacionalização da direita em que os Bolsonaros sempre se apoiaram. Com Trump derrotado, a direita global perde força.

A segunda é que pode diminuir o respaldo político em favor da família Bolsonaro.

Lula tem três opções de política econômica, por Roberto Macedo

O Estado de S. Paulo

O mais provável é que Lula opte por um pouco de ajuste e a velha politicagem a que é contumaz

Vejamos estas opções que Lula tem para a política econômica. A primeira é que continue a política que o levou à reeleição. Como não poderá ser reeleito, escolheria um candidato petista para o próximo governo e tentaria promovê-lo com medidas populistas como as que tomou às vésperas de sua reeleição, a exemplo de um aumento de 15% para todos os inscritos no programa Bolsa Família, do governo federal. Esse caminho oferece riscos, como o do contínuo e elevado crescimento da dívida pública, mas é o que ele gosta de fazer.

Risco de crise feia nos EUA é mais um motivo para o Brasil apressar conserto da economia, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Preços das ações levam tombo e criam novo surto de medo de que bolha de IA chegue ao fim

Queda de Bolsas e menos investimento em inteligência artificial também diminuiriam crescimento americano

A situação econômica do Brasil em 2027 não vai ser fácil. Ficaria bem difícil em caso de crise nos EUA. É mais um motivo para que se adotem medidas urgentes e prudentes de conserto econômico.

Os preços das ações nos EUA levaram um tombão nesta quinta (5). Pode ter sido um dia de furacão, seguido de uma semana de céu azul. Ou o começo de meses de explosões. Sendo otimista, talvez se trate de uma bolha começando a desinflar de modo ordenado. O sinal de fim de longo ciclo de crescimento econômico. Sabe-se lá.

Ajuste fiscal com justiça social, por Sergio Firpo

Folha de Paulo

Ajuste próximo de 3% do PIB pode ser feito sem cortar os programas mais progressivos do orçamento

Dívida bruta avança em 2026 e reforça pressão por correção fiscal

Segundo o Banco Central, a dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em setembro de 2026, R$ 11,1 trilhões, 4,3 pontos percentuais acima do registrado no início do ano. Estimativas recentes situam o ajuste primário necessário para estabilizá-la em pelo menos 3 pontos percentuais do PIB.

Mas quem pagaria a conta? Um ajuste concentrado nos aposentados de baixa renda e nos beneficiários de programas sociais imporia o maior sacrifício às famílias com menos recursos, enquanto preservaria renúncias e subsídios que beneficiam principalmente os mais ricos.

Como antibolsonarismo aqui, antitrumpismo vence nos EUA, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Populista se esmerou em ser derrotado nas urnas ao fazer tudo ao contrário do que prometeu

Não é nada mau para o mundo que o presidente dos EUA tenha sua força política interna abalada

Donald Trump deu aula de como perder uma eleição. Transformou em motivo para a derrota nas legislativas de meio de mandato a frustração das promessas essenciais que o levaram de volta à Casa Branca.

Eleito para recuperar a prosperidade americana, reduzir o custo de vida e manter os EUA afastados de guerras distantes, acabou produzindo resultados inversos.

Quando o povo participa das decisões, por Priscilla Bacalhau

Folha de S. Paulo

Diversificar as formas de participação popular na tomada de decisão é caminho para fortalecer a democracia

Nos EUA, eleitores decidiram diretamente sobre financiamento de habitação e tributação

Você concordaria com a emissão de títulos públicos para financiar programas de habitação popular? Concordaria com a criação de um programa de financiamento para aquisição de imóveis por famílias de renda média? E com a manutenção de uma tributação mais elevada de imposto de renda para pessoas de alta renda, cuja arrecadação tributária será destinada à educação pública e à saúde?

Esses são exemplos reais que os cidadãos da Califórnia, nos Estados Unidos, votaram nas eleições deste ano. Diferentemente do Brasil, os eleitores de diversos estados no país norte-americano escolhem não apenas seus representantes, mas também decidem sobre o financiamento de políticas públicas, tributação, regras eleitorais, entre outros.

No susto, PT admite revisar sua velha cartilha, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Sempre resistentes a reconhecer erros, petistas falam em atualizar o partido depois do sacolejo eleitoral

É tarefa do Lula reeleito mostrar que foi além das palavras ao prometer mudar o jeito de governar

O que mais se ouve hoje entre os petistas é um apelo à autocrítica. "O PT precisa mudar" é a frase síntese das análises do campo governista sobre o transcorrer de uma eleição que quase impôs ao partido a mais humilhante das derrotas de sua trajetória.

O partido nunca foi dado ao reconhecimento de erros, não obstante os alertas de dirigentes e lideranças a respeito da necessidade de revisão da velha cartilha.

À altura dos farialimers, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Os empresários sabiam como era Flávio Bolsonaro e, mesmo assim, o apoiaram

Resta saber o que estão achando hoje dos seus destemperos, despautérios e desatinos

Um dos textos mais importantes deste ano foi publicado na revista piauí de 1º de outubro último: "O que esses brasileiros sabem", do jornalista e cineasta João Moreira Salles. Tratava da tendência de parte da elite brasileira a "desviar o olhar" dos riscos à democracia pela então possível, até provável, vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial, em troca de seus interesses empresariais e financeiros. Moreira Salles, ex-acionista do Banco Itaú, faz parte dessa elite —mas não dessa parte da elite.

Um desejo de perseverar na esperança, por Ricardo Marinho

Até muito recentemente, ao final do primeiro turno das eleições, o Brasil era percebido como um país pior do que realmente era. A visão oriunda do materialismo vulgar vicejou. O caminho democrático trilhado há mais de 40 anos era pintado como repleto de erros e abusos.

A defesa dos aspectos virtuosos desse caminho suscitava olhares malévolos e assobios de desaprovação quando se falava de números que indicavam uma transição da mediocridade para a conquista dos melhores indicadores econômicos e sociais das Américas. Os rostos se exasperavam e repetia-se categoricamente: quais os números que significavam alguma coisa?

Poesia | Tomara, de Vinícius de Moraes

 

Música | Alceu Valença - Madeira do Rosarinho (Capiba)