- Valor Econômico / Eu & Fim de Semana
Não temos tido reações populares dos efeitos socialmente destrutivos do coronavírus e das ações infantis e irresponsáveis do governo
O que causa estranheza na versão brasileira
desta pandemia é que não está tendo, entre nós, os efeitos pedagógicos e
civilizadores que tiveram em outros países os grandes desastres: guerras,
terremotos, tsunamis e, mesmo, epidemias, como a peste negra.
Esses eventos extraordinários desmontam a
estrutura da sociedade, anulam a eficácia de suas regras sociais, invalidam
valores que formam o substrato da consciência social, dos relacionamentos e da
própria atitude perante a vida. Eles fragilizam as referências da estabilidade
e da continuidade social. Causam rupturas sociais que são desafios de
criatividade e de remodelação das sociedades.
Em todas essas situações, cada sociedade
expõe seus próprios mecanismos, quase sempre inconscientes, de despertamento de
uma sociabilidade de emergência. Com muita rapidez a sociedade se reinventa, às
vezes em questão de minutos ou de poucas horas.
Essa característica das relações sociais foram detectadas nos experimentos etnometodológicos concebidos e praticados pelo cientista social Harold Garfinkel. Em seus experimentos, pessoas colocadas em face de situações sociais imaginárias de supressão de referências de conduta e de dilemas reduzidos às alternativas “sim” ou “não” logo percebem o roteiro implícito na situação adversa e vão inventando padrões alternativos de comportamento que suprem a falta das referências da conduta costumeira.




























