domingo, 18 de dezembro de 2011

Especialistas defendem maior poder de fiscalização e garantias para BNDES

Para banco, desempenho ruim de empresas é reflexo da crise

É preciso aumentar o poder de fiscalização do BNDES nas grandes empresas apoiadas pela instituição. A avaliação é do coordenador do curso em Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), Adriano de Freixo. Uma das alternativas proposta pelo professor é a contratação de auditorias externas, que acompanhariam o resultado dos grupos apoiados fortemente pelo banco.

- É preciso separar a política de financiamentos do banco e a gestão das empresas. Hoje, o BNDES não tem instrumentos para acompanhar a gestão dessas companhias de forma a garantir uma operação mais eficiente. Por isso, uma opção seria a contratação de auditorias externas. O dinheiro usado nessas companhias é público. Como o BNDES entra como acionista minoritário, em algumas operações, não consegue dar a linha na gestão. A política do governo de criar potências nacionais é válida, mas a escolha dessas companhias têm de ser colocada de forma mais transparente para a sociedade - afirma Freixo.

Outros economistas, contudo, dizem que é preciso ter cautela ao criticar a política adotada pelo BNDES, de criar campeões nacionais. É o caso do professor Carlos Lessa, ex-presidente do banco. Apesar de reclamar do apoio do BNDES para a compra de ativos no exterior - como no caso dos frigoríficos -, o banco chegou a acertar algumas vezes, ao permitir que a Votorantim assumisse a Aracruz Celulose, criando a Fibria, impedindo que o setor parasse em mãos estrangeiras.

- Cada caso tem de ser analisado, temos que ver o que é bom para a empresa e o que é bom para o Brasil. Algumas vezes, a decisão do banco está correta em apoiar determinada empresa ou setor, mas o que ocorre são problemas de gestão da empresa. O banco precisa, então, de um contrato forte para salvar a empresa, mas não seus controladores - defende Lessa, lembrando que este conceito de empresas nacionais existe em países como Inglaterra e França.

BNDES diz que apoio a projetos internacionais vai aumentar

Em nota, o BNDES afirmou que apenas aplica as políticas defendidas pelo governo federal. E lembrou que avaliar essa política a partir dos resultados das empresas seria uma forma "simplista". O banco considera sua atuação benéfica.

"Os resultados desta política são positivos. As empresas apoiadas pelo banco - por meio de crédito e renda variável - têm consolidado sua posição competitiva em mercados mundiais. O retorno também é positivo para o banco: nas linhas de crédito as empresas amortizam seus empréstimos devidamente; nas operações de renda variável, grande parte do lucro do banco advém daí. Também é importante ressaltar que esta é uma estratégia que não pode ser avaliada a curto prazo e com uma abordagem simplista", diz a nota do BNDES, acrescentando que a atual crise acaba afetando o balanço de algumas empresas e que o banco foca no longo prazo.

O BNDES informou ainda que tem a menor inadimplência do mercado financeiro - de apenas 0,12% - e que no caso das iniciativas de apoio a operações de fusão e internacionalização de empresas, o banco avalia as estratégias empresariais e os ganhos de competitividade, entre outros aspectos.

"Outro ponto é que o apoio do BNDES a operações de fusão ou internacionalização de empresas não significa que ele deixe de atender a empresas de menor porte", ressaltou a nota do BNDES, que estima que o apoio à internacionalização deve se intensificar, uma vez que a crise nos países centrais deve ampliar o número de oportunidades, mas que o processo sempre é conduzido pelos empresários e que o banco apenas os auxilia.

- O banco está estimulando as empresas a se endividarem de forma rápida e sem que estejam preparadas - disse um economista que não quis se identificar. (Bruno Rosa e Henrique Gomes Batista)

FONTE: O GLOBO

JK e o exílio :: Celso Lafer

O prepotente arbítrio do regime autoritário implantado em nosso país em 1964 obrigou Juscelino Kubitschek a trilhar o caminho do exílio. Esse período da sua vida é menos conhecido, pois o foco generalizado das lembranças da sua trajetória são, muito compreensivelmente, os "anos dourados" da sua Presidência (1956-1961), na qual soube combinar democracia e desenvolvimento, descortinando, de maneira duradoura, novos horizontes para o País.

As memórias, que começou a redigir no exílio e só foram publicadas na segunda metade da década de 70, não tratam desse período. JK considerou-as um complemento da sua vida pública, pois estavam voltadas para narrar, em três volumes, "de onde veio" (A Experiência da Humildade, 1976), "como veio" (A Escalada Política, 1976) e "a que veio" (50 anos em 5, 1978). Tiveram o intuito de expor a especificidade de sua trajetória, tendo em vista que "mal deixou o poder se viu envolvido num temporal que não mais permitiu que a sua obra fosse examinada com isenção", como me escreveu em carta de 10 de fevereiro de 1972, comentando a minha tese de doutoramento de 1970 na Universidade de Cornell, nos EUA, na qual examinei a criatividade do seu bem-sucedido Programa de Metas.

JK faleceu em agosto de 1976. Em vida presenciou apenas a publicação do primeiro volume de suas memórias, que tiveram o título geral de Meu Caminho para Brasília. Pretendia dar continuidade à sua narrativa tratando do período subsequente de sua vida, o do temporal político que se seguiu à sua luminosa Presidência. Foi o que expôs Adolpho Bloch, seu dedicado amigo dos momentos difíceis e editor, na nota de abertura do 50 anos em 5. Nela menciona que daria sequência ao projeto editorial do qual foi patrono, incumbindo Carlos Heitor Cony, que participara da equipe do projeto, de elaborar um livro com base nas cartas, nas notas e nos apontamentos deixados por JK.

Cony desincumbiu-se da tarefa com o Memorial do Exílio, publicado em 1982, no qual narra os ocasos e as dolorosas sucessões de perdas que se seguiram à fulgurante escalada política de JK e examina os 976 dias no exílio, cumpridos em duas etapas: primeiro, em Paris e, depois, basicamente em Lisboa e Nova York.

Novas facetas do cotidiano do exílio de JK podem ser apreciadas em recém-lançado documentário idealizado por Carlos Alberto Maciel e dirigido por Bertrand Tesson e Charles Cesconetto, que tem como eixo um inédito depoimento de Maria Alice Gomes Berengas, sua dedicada e leal secretária no período francês da sua expatriação. O documentário transmite e contextualiza, com a contribuição de sua filha Maria Estela e de amigos, como o exílio foi penoso para JK.

Dante Alighieri, que morreu no exílio, fala do amargor do pão dos estranhos e da dureza de subir e descer a escada alheia (Paraíso, XVII). Dessa experiência vivida com dignidade por JK no exílio dou o meu testemunho, pois foi em Nova York, cidade que definiu como um triste "rinoceronte de aço", que o entrevistei, em 1966 para a elaboração da minha tese sobre o Programa de Metas.

JK jamais esqueceu as suas origens de menino pobre de Diamantina, mas nunca teve, mesmo quando jovem, o medo provinciano do diferente, tanto que nos anos 30, logo após a sua formatura em Medicina, estudou em Paris e viajou pela Europa e pelo Oriente. "Acreditava nos brasileiros, confiava no país", como escreveu seu biógrafo Ronaldo Costa Couto. Por isso, na sua trajetória pública, foi um nacionalista destituído de xenofobia, aberto ao que o mundo podia oferecer para o desenvolvimento do País. Entretanto, como escreveu a propósito dos caminhos do mundo, "uma coisa é viajar com o bilhete de volta no bolso", outra, como realçou, é o castigo, inventado pelos gregos, do ostracismo: "Ostracismo, exílio ou que nome tenha é a mesma coisa que arrancar uma árvore com todas as raízes e levá-la para ambiente diferente. É a mesma coisa que matá-la".

Para um homem público o exílio é uma dura provação e o ostracismo, lembrado por JK, significava para o indivíduo um duro desterro, um radical estranhamento de si mesmo.

O exílio é um mal de várias faces. Trouxe a JK a perda da condição de sustento de vida (lembrada no documentário); a privação da liberdade cívica, por obra da cassação do seu mandato de senador e de seus direitos políticos; a perda do convívio com os amigos, que tanto apreciava; a injustiça de ver a sua reputação contestada e injuriada pela ação política do regime militar; o cerceamento de sua liberdade da palavra até no exílio, pela lamentável ação dos serviços de inteligência do Brasil e da França (como mostra o documentário); e, muito especialmente, a dificuldade de encontrar a paz da alma (e JK, que era um homem de coragem, chegou a cogitar de suicídio).

O que sustenta um exilado e sustentava JK é a esperança do retorno - "que nos mira com um olhar doce e depois nos deixa esperar", como diz Polinices nas Fenícias, de Eurípides.

Tancredo Neves, no discurso em homenagem à memória de JK, lembrou que ele encontrou "a força da honra e da altivez para enfrentar e suplantar as maquinações do ódio" de que foi vítima no pós-1964. Ódio que nunca o caracterizou, pois foi uma personalidade democrática, generosa e tolerante que anistiou, no exercício da Presidência, os que tentaram derrubá-lo pela força das armas. Isso contribuiu para tornar o exílio, que o fragilizou, uma ainda mais imerecida penitência.

"O exílio", disse Tancredo, "é o preço que os grandes homens pagam para conseguir um lugar no coração da História. Eles são supliciados antes de serem glorificados", como o foram os Andradas, dom Pedro II e Rui Barbosa. Por isso, concluía que a ulceração do exílio foi o toque do trágico que faltava para compor a imagem histórica de JK. Foi a moldura de ouro de sua radiosa personalidade.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

A última brigadista

Ao juntar-se à frente internacional que combateu Francisco Franco, a francesa Lise London, hoje com 95 anos, estava grávida de 3 meses

Jesús Rodríguez, do El País

Resistente. Dos mais de 35 mil voluntários estrangeiros que lutaram na Guerra Civil Espanhola restam apenas uns 20, entre eles a lendária Lise

Quando o compacto grupo de idosos franceses com sotaque espanhol e idosos espanhóis com sotaque francês passou a cantar efusivamente o hino de batalha da nossa Guerra Civil, as pessoas procuraram conter as lágrimas. São as testemunhas de uma história que termina. Uma façanha de ideais e luta pela liberdade que, quando seus últimos protagonistas desaparecerem, ficará enterrada nos livros de história.

Hoje estão aqui. Talvez pela última vez. Têm os cabelos brancos e as mãos rugosas como uma videira. Sobre suas cabeças balançam bandeiras tricolores. Uma centena de veteranos da guerra se reuniu em novembro num local sem turistas de Paris para homenagear os milhares de camaradas que chegaram a esse lugar há 75 anos, vindos de 54 países, para se alistar nas Brigadas Internacionais e lutar durante mais de dois anos contra Francisco Franco nas frentes de Madri, Jarama, Guadalajara, Brunete, Teruel e Ebro. Foram mais de 35 mil. Quase um terço repousa na Espanha em tumbas sem nome. Muitos morreram em campos de concentração franceses e alemães. Os que sobreviveram formaram uma estreita comunidade de sangue que ninguém conseguiu romper.

No inverno passado morreu o último brigadista italiano. Há um sobrevivente no México, dois na Argentina, três na Grã-Bretanha, cinco nos EUA, um na Rússia, dois na Áustria, um estoniano, um israelense e cinco franceses. Estes últimos - César Covo, Théo Francos, os irmãos Vincent e Joseph Almudever e Lise London - poderiam estar em Paris no ato de homenagem. Principalmente Lise, a lendária companheira de Artur London, a última brigadista.

Tem 95 anos. Seu nome era Elisa Ricol, filha de pais espanhóis nascida num vilarejo na França. A família Ricol era o protótipo do proletariado do início do século 20: pessoas pobres, analfabetas, que migraram do campo para a cidade. O velho Ricol era um mineiro que tinha silicose e militava nos sindicatos comunistas. Lise nasceu em 1916. Menina, vendia sorvete nas ruas. Aos 15 anos ingressou na Juventude Comunista. Tinha belos olhos negros, rosto de camafeu, uma elegância socialista em branco e preto que lembrava a de Dolores Ibárruri. Adepta do debate, ela se converteria desde jovem numa profissional da revolução. "Sou aragonesa", ela ainda reafirma com orgulho. O partido, a luta, estavam em primeiro lugar.

Em 1934, com apenas 18 anos, foi a Moscou convidada pela Internacional para se converter em dirigente comunista. É o que relata Roberto Lample, de 62 anos, francês, de pai anarquista espanhol, a alma do Acer (Associação dos Antigos Combatentes da Espanha Republicana) e companheiro de luta de Lise. "Moscou foi sua escola política. Ela queria escapar de seu destino de mulher proletária. E percebeu que se estudasse, viajasse, sua vida poderia mudar. Lise estava convencida de que não se deve esperar que os outros solucionem seus problemas, é preciso atuar. E isso está em plena vigência no movimento dos indignados."

Conheceu Stalin, Tito, La Passionaria e Ho Chi Minh. Em Moscou se apaixonou por Artur London, jovem comunista de 19 anos, alto, belo e tuberculoso: um intelectual checo de origem judia que contrabalançava o ímpeto despojado de Lise com seu caráter reflexivo. Lise abandonou o primeiro marido (o comunista Auguste Delaune, que seria executado nos anos 40 pelos nazistas) e uniu seu destino ao de London. Tiveram três filhos e compartilharam 50 anos de luta, desde a União Soviética à Guerra Civil. Uma vida intensa que Costa-Gavras levou para o cinema nos anos 70, com Yves Montand e Simone Signoret, cujo roteiro foi assinado por Jorge Semprún, companheiro de Artur London em Mauthausen.

Barracões, fornos, pijamas listrados. Lise hoje está numa clínica construída depois da 2ª Guerra para acolher os sobreviventes dos campos de concentração, em Fleury-Merogis, a uma hora de Paris. Michel London, seu caçula, um matemático de 62 anos, se oferece para nos levar até ela, advertindo que a mãe está muito debilitada. Ao volante do seu Fiat 500 ele recorda passagens da vida da família, desde os avós maternos espanhóis, os Ricols, que se encarregaram dos filhos do casal London durante sua deportação para os campos nazistas e acolheram em sua casa exilados republicanos, até a família do seu pai, que perdeu 28 membros num campo de concentração.

Michel fala sem ódio: "Minha mãe mal mencionava os campos nazistas. Em 2005 fomos a Mauthausen, onde ficaram detidos meu pai, meu tio e meu cunhado, e também 8 mil republicanos espanhóis e centenas de brigadistas. Estávamos seus três filhos e seus netos. Ela se emocionou, mas com serenidade. Mostrou os barracões, os fornos, os pijamas listrados. Sempre foi muito forte".

Depois de se alistar nas Brigadas Internacionais nos improvisados escritórios da Rua Mathurin-Moreau, os voluntários iam para a estação de Austerlitz, onde pegavam um trem com destino a Perpignan e dali para a Espanha. Lise London, no dia 28 de outubro, tomou o último trem que atravessou a fronteira. O chefe das brigadas, o herói da revolução bolchevique André Marty, convidou-a para ser sua tradutora. Ela não vacilou. "Havia algo mais emocionante?" Viajavam nesse trem 2.500 homens e algumas mulheres. Depois deles, a fronteira seria fechada pelos franceses para evitar a chegada à Espanha de mais voluntários estrangeiros. Os que quisessem chegar ao front deveriam cruzar ilegalmente os Pirineus com a ajuda de guerrilheiros, como faria Artur.

Depois de alguns dias de viagem, Lise chegou por Barcelona a Albacete, cidade que a república instituiu como quartel-general das brigadas. Estava grávida de três meses. Artur trabalhava para a Internacional e tentou sair da União Soviética para se reunir com ela na Espanha e combater Franco.

Em outubro de 1936, Albacete era um povoado da região da Mancha parado no tempo. Para se tornar o centro de operações das brigadas é porque se tratava de um enclave politicamente seguro, distante do front e no meio do caminho entre Madri e Valência. Os brigadistas foram divididos por línguas e enviados ao acampamento de instrução de Pozo Rubio, a meia hora da capital, num bosque expropriado de um proprietário onde se construíram toscos barracões de madeira.

Duas semanas depois de chegar, a primeira brigada de voluntários internacionais, a XI, foi enviada com urgência a Madri. Era formada por 2 mil eslavos, balcânicos, escandinavos, poloneses, húngaros, checoslovacos, alemães e austríacos. Não tinham quase formação militar, armas nem uniformes. Seu único emblema eram as boinas. Em seguida seguiria a Brigada XII, integrada por alemães, italianos e belgas de língua francesa. As tropas marroquinas de Franco já tinham chegado à Cidade Universitária. Estavam a um tiro de canhão da Puerta del Sol.

Na noite de 6 de novembro, o governo da república tinha fugido para Valência e criado uma Junta de Defesa fantasma formada por militantes das esquerdas jovens e desconhecidos, sob as ordens do general Miaja e do coronel Rojo. Santiago Carrillo, um comunista de 21 anos, era responsável pela ordem pública. "Madri era o centro de gravidade da luta. Se resistíssemos poderíamos ganhar a guerra; se perdêssemos, a resistência afundaria. Quando tudo parecia perdido, em 8 de novembro, chegaram os brigadistas. Eram cerca de mil, mas para o povo de Madri pareciam milhões. Desfilavam pela cidade cantando a Internacional em todos os idiomas, com o punho para o alto; e com esse gesto elevaram o moral dos madrilenhos.

Não estávamos sós. Nesse dia foi adotado o lema No pasarán! Os brigadistas tiveram um papel mais romântico e político do que militar, porque a guerra fomos nós, espanhóis, que a fizemos. De qualquer maneira, em 1936 Franco não entrou em Madri", lembra Carrillo.

Os brigadistas se converteram em forças de choque admiradas pelos republicanos. Combateriam em todas as frentes até sua retirada em fins de 1938. Depois de sua permanência no front de Madri, Lise, grávida de cinco meses, perderia o filho. Em 1937 ela se reencontraria em Valência com Artur, que, afetado pela tuberculose, iria se encarregar de missões de inteligência e propaganda nas Brigadas. Naquele terrível inverno no fim de 37, sob os bombardeios alemães, com quase nada para comer, o casal teria, em Albacete, sua filha Françoise.

A guerra estava perdida. Em outubro de 1938, os brigadistas cruzavam a fronteira e eram confinados em campos de concentração franceses. No final do verão de 38, Lise, já no fim da segunda gravidez, tinha sido retirada. E logo foi seguida por Artur, em março de 1939, com as tropas de Franco no seu encalço. Depois da derrota teve início um novo episódio da tragédia dos brigadistas: não podiam regressar à Alemanha, Áustria, Checoslováquia nem Itália, governadas por Hitler e Mussolini. Tampouco ir para a Romênia, Bulgária, Iugoslávia, Hungria ou as repúblicas bálticas. Seriam alvo de represálias no Brasil, Argentina, Suíça, Canadá e Bélgica, por terem combatido num exército estrangeiro.

Ficaram sob suspeita na França, na Irlanda e na Grã-Bretanha. E se converteram num mito incômodo, heróis de uma revolução perdida, membros de um clube de malditos sem fronteiras. Passaram para a clandestinidade e serviram na resistência contra os nazistas em toda a Europa. Depois da 2ª Guerra ainda foram expurgados na União Soviética e seus satélites, acusados de espionagem e cosmopolitismo (como ocorreu com Artur London, preso e torturado entre 1951 e 1956) e vítimas da caça às bruxas nos Estados Unidos por "atividades antiamericanas".

A clandestinidade e a luta armada foram o destino do casal London e de muitos outros republicanos e veteranos das brigadas depois da ocupação da França por Hitler em junho de 1940. Em 1º de agosto de 1942, Lise recebeu ordens de provocar uma revolta popular contra os nazistas em uma das lojas da Rua Daguerre, em Paris. Na noite anterior, Artur e ela não dormiram. Fizeram amor até o amanhecer. "Pressentíamos que não iríamos nos ver por muito tempo, talvez nunca mais."

A ação subversiva de Lise foi um sucesso: convocou o povo de Paris à luta armada. Houve um tiroteio e vários policiais foram mortos. Onze dias depois, Lise e Artur foram detidos. Lise era bem conhecida da Gestapo, contudo a polícia não conseguiu saber quem era Artur. Seu nome não constava dos arquivos, não sabiam se era um agente comunista ou um ex-brigadista. Era um clandestino perfeito e foi condenado a dez anos de trabalhos forçados. Acusada de assassinato, associação de malfeitores e atividades comunistas, o destino de Lise era a guilhotina.

Mas algo escapara dos nazistas: ela estava de novo grávida. Do dia em que foi concebido, na noite anterior ao seu ato terrorista na Rua Daguerre, seu filho estava destinado a salvar a vida dela. Foi condenada à prisão perpétua. Lise resumiu o fato assim: "Por acaso não é um milagre? Em troca de lhe dar a vida, meu filho salvou a minha". Artur e Lise seriam deportados para Mauthausen e Buchewald e lá ficariam até o final da 2a. Guerra, em maio de 1945. Haviam participado da Operação Noite e Névoa, iniciada pelos nazistas para fazer desaparecer os tipos indesejáveis. Nem mesmo a máquina nazista os venceu.

No começo deste mês Lise voltou a seu lar. Um apartamento de classe média com aspecto soviético, repleto de livros, onde, na entrada, uma placa com a Legião de Honra lembra que ali viveu Artur London, "que esteve em todos os combates pela liberdade e os direitos humanos". Ele morreu em 1986. Quando pergunto se toda aquela luta valeu a pena, ela se ergue, coloca a mão no coração, olha nos meus olhos e afloram suas raízes aragonesas: "Mas é claro! Combatemos pela liberdade! Valeu a pena!"

Tradução de Terezinha Martino

FONTE: ALIÁS / O ESTADO DE S. PAULO

Morre a cantora caboverdiana Cesária Évora, aos 70 anos

A ‘diva dos pés descalços’ aposentou-se em setembro deste ano

RIO - Cesária Évora morreu neste sábado, aos 70 anos, em Cabo Verde, seu país natal, vítima de insuficiência respiratória e pressão arterial elevada. Apelidada de "diva dos pés descalços", a cantora encerrou sua carreira no último dia 23 de setembro depois de cancelar uma série de shows devido a fragilidade de seu estado de saúde.

De acordo com o veículo português "Jornal de Notícias", Cesária Évora deu entrada no hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, Cabo Verde, na sexta-feira, onde esteve internada no CTI "com um quadro muito complexo".

"Durante este período, ela alternou momentos de lucidez com momentos de inconsciência e esteve sempre acompanhada do seu empresário José da Silva", disse o diretor do hospital, Alcides Gonçalves.

Cesária Évora começou a trabalhar como cantora em bares e hotéis de Mindelo, em Cabo Verde, aos 16 anos. Jovem, já cantava amores desfeitos e o isolamento das ilhas de seu país de origem. O reconhecimento mundial de Cesária só viria aos 47 anos, no fim dos da década de 1980, ao gravar, em Paris, o disco "La diva aux pied nus".

Em 2004, Cesária conquistou um prêmio Grammy de melhor álbum de world music contemporânea, batendo o concorrente Caetano Veloso, com quem gravou faixas como "É preciso perdoar" e "Regresso". Outro dueto famoso de Cesária foi com Marisa Monte, na música "Mar azul". Há dois anos, o presidente francês Nicolas Sarkozy a condecorou com a medalha da Legião da Honra.

Consagrada pelas coladeras, canções dançantes, ou mornas (o blues caboverdiano), a cantora sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em 2008, durante uma turnê pela Austrália. Seu último disco, "Nha sentimento", foi lançado em 2009.

FONTE: O GLOBO

Mar azul - Cesária Évora & Marisa Monte

Os mortos:: Ferreira Gullar

os mortos vêem o mundo
pelos olhos dos vivos

eventualmente ouvem,
com nossos ouvidos,
       certas sinfonias
                 algum bater de portas,
ventanias

     Ausentes
     de corpo e alma
misturam o seu ao nosso riso
     se de fato
     quando vivos
     acharam a mesma graça

De Muitas Vozes (1999)

sábado, 17 de dezembro de 2011

OPINIÃO DO DIA – Roberto Freire: a cultura, história e memória

“Somos uma organização que valoriza a cultura, a história e a memória, afirma e respeita a ética política: os direitos, mas, também, os deveres da cidadania e as responsabilidades morais dos representantes democráticos. Por isso nosso congresso teve como tema: "Unir a esquerda democrática para mudar o Brasil". Conscientes de que tal processo necessitará incorporar outras forças reformistas e democráticas para alcançar tal fim.”

Roberto Freire, deputado federal (SP) e presidente do PPS. Esquerda democrática. Brasil Econômico, 16/12/2011.

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
Dilma: caso de Pimentel não tem nada a ver com governo
"Não é hora de dar aumento"

FOLHA DE S. PAULO
Dilma rejeita interferência de partidos no governo
Aposta em loterias poderá ser pela internet em março
Mudança no ICMS deve elevar preço de genérico
Militar brasileiro é investigado pela ONU no Haiti

O ESTADO DE S. PAULO
Dilma diz que "não é hora" de dar reajuste aos servidores
Mantega quer limite ao real valorizado
Parte da ilha de Sarney é colocada à venda

CORREIO BRAZILIENSE
Dilma descarta reajuste
O castigo das chuvas

ESTADO DE MINAS
Presentão de Natal para vereadores de BH
Dilma repele ingerência de partidos
Infância atrás das grades

ZERO HORA (RS)
Como será a segurança nos jogos da Copa
Popularidade em alta: Avaliação de Dilma sobe após faxina

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Dilma desbanca Lula e FHC na estreia
Oposição segue no rastro de Pimentel
TST definirá reajuste de aeroviário

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Serra ataca governo Dilma

SÃO PAULO – O ex-governador e ex-presidenciável José Serra afirmou ontem à noite que o governo Dilma Rousseff "ainda não começou". "Vamos torcer para começar no ano que vem", afirmou. Ele disse que não precisa fazer muito "frufru" e dizer que tem coisas boas e coisas ruins. "São só propostas malucas, como as do trem bala."

Serra afirmou que o PT "é bom de publicidade", o que justificaria, segundo ele, a boa avaliação do governo em pesquisas. "Nisso eles são imbatíveis." Disse que Dilma é bem avaliada por conta do marketing da faxina.

"Quando, na verdade, não houve faxina nenhuma. Os ministros foram saindo porque a opinião pública pressionou. E ela queria mantê-los. Ainda agora estamos nessa de ministro saindo", afirmou, numa referência ao caso Fernando Pimentel.

De acordo com Serra, o PSDB não sabe fazer propaganda de suas realizações. Citou as bolsas que existiam no governo Fernando Henrique Cardoso para dizer que Lula as unificou e ficou com os créditos.

AVAL
Na mesma linha, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse ontem, no Encontro da Juventude Tucana, em Goiânia, que o governo do PT "deu aval às administrações de Fernando Henrique Cardoso" ao manter a política econômica e o programa de privatizações.

Aécio também classificou de "literatura ruim" o livro Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que acusa lideranças do partido de terem se beneficiado de propinas angariadas durante a privatização das teles e do sistema elétrico. "A maior prova de que o processo foi correto é que o PT governa o país há nove anos e não reviu nenhuma privatização, não investigou nenhuma irregulariadade. Pelo contrário, agora o PT amplia as privatizações para os aeroportos", afirmou.

Ele fez críticas ao governo Dilma Rousseff. "Neste governo o malfeito só é malfeito quando vira escândalo."

Ele disse que Dilma apenas reage a denúncias da imprensa quando demite ministros acusados de irregularidades. "A faxina é apenas reativa", afirmou o senador tucano.

Questionado sobre os altos índices de aprovação de Dilma – que obteve 56% de aprovação em pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem –, o senador tucano disse que isso "é normal" no primeiro ano de mandato. "Respeito pessoalmente a presidente Dilma, mas isso não impede de apontar erros no seu governo", afirmou o mineiro, que ainda criticou o loteamento da máquina pública.

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Aécio e Serra disputam juventude do PSDB

Os dois estiveram em evento em Goiânia promovido pelos jovens filiados; embate foi minimizado

AÉCIO: "Não existe PSDB do Aécio ou PSDB do Serra. Existe um só PSDB"

JOSÉ SERRA discursou depois de Aécio e o tempo foi cronometrado

Isonilda Souza, Silvia Amorim

GOIÂNIA e SÃO PAULO. No discurso, não há divisão interna no PSDB, nem grupos serristas e aecistas em pé de guerra. Foi o que disseram os dirigentes do partido presentes ontem no Encontro da Juventude Tucana, em Goiânia. Mas a agenda cuidadosamente cronometrada pelos organizadores do evento tentou garantir o mesmo espaço ao ex-governador José Serra (SP) e ao senador Aécio Neves (MG), e evitou o encontro dos dois - pré-candidatos do partido à sucessão da presidente Dilma Rousseff, em 2104. Aécio saiu do evento por volta das 20h e, minutos depois, Serra chegou. Os dois foram recebidos como candidatos pela juventude tucana.

Cada um teve seu momento exclusivo para discursar para cerca de 500 jovens filiados e alinhados ao PSDB, dentro da estratégia do partido de modernizar a legenda, atrair a juventude brasileira para suas causas e ampliar o poder tucano pelos estados com caras novas nas próximas eleições. Principalmente no pleito municipal do ano que vem.

Porém, essa estratégia tem ficado em segundo plano por conta da antecipação de um debate mais caloroso no partido sobre quem será o candidato do PSDB nas eleições presidenciais de 2014. Disputa negada por todos, mas evidenciada nos encontros tucanos.

Ao chegar ontem a Goiânia, no fim da tarde, Aécio minimizou a divisão interna, negando que haja divergências entre seus filiados mais ilustres. Segundo ele, o PSDB chegará unido para a eleição presidencial de 2014:

- Isso é muito mais uma pauta da imprensa. Não existe o PSDB do Aécio e o PSDB do Serra. Existe um só PSDB, que é do Aécio, do Serra, do Marconi Perillo, do Geraldo Alckmin, do Fernando Henrique Cardoso.

Admitindo que tem pretensão de ser o candidato do partido em 2014, mas ressaltando que isso não é um ato de vontade, Aécio voltou a defender a realização de prévias no PSDB para a escolha do candidato:

- Digo sempre que Presidência é muito mais destino do que projeto. No momento certo, acredito que no ano de 2013, através de prévias, que é o que eu defendo, o PSDB indicará quem é aquele que deverá empunhar essas nossas bandeiras. Mas antes de 2014, há 2012. E é preciso que essa juventude, principalmente, seja mobilizada para termos vitórias em todo o Brasil.

O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), também minimizou a divisão partidária:

- Se essa divisão se dá em algum lugar, não é no partido. Não tem apoio do PSDB.

Guerra disse que os tucanos vão definir o presidenciável a partir do resultado das eleições municipais de 2012.

- Pelo menos é isso que eu defendo. Não vejo problemas em realizar prévias, mas vai depender das urnas no ano que vem. Vamos aguardar. Vai depender do resultado das urnas de 2012.

O senador mineiro foi aclamado pelos participantes aos gritos de "Aécio presidente". Ao longo do encontro, que pretendia reunir cerca de mil jovens, um dos gritos de guerra dos participantes era: "Um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos um tucano presidente do Brasil".

A chegada de Serra estava prevista para as 19, mas ele só chegou depois das 20h, após a saída de Aécio do evento. O ex-governador não quis dar entrevista e foi direto fazer discurso.

Quando entrou no local do evento, Serra foi recebido aos gritos de "olé, olê, olá, Serra, Serra!!". No discurso, o ex-governador fez críticas à presidente Dilma Rousseff, dizendo que o governo dela ainda não começou. E, falando para a plateia jovem, um dos mais célebres ex-presidente da UNE atacou o PT, afirmando:

- O PT sufocou o movimento estudantil.

Além Serra, Aécio, Sérgio Guerra e do governador de Goiás, Marconi Perillo, participaram do encontro outros líderes regionais do PSDB, como o presidente nacional da Juventude Tucana e secretário de Esporte de Curitiba, Marcello Richa (filho do governador do Paraná, o também tucano Beto Richa). O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cancelou sua ida.
Na busca por apoiadores dentro do partido para a eleição de 2014, o senador Aécio e Serra lançaram-se numa cruzada para buscar apoio da juventude do partido. O grupo é considerado estratégico pelo grau de organização - ele está estruturado nos 26 estados e no Distrito Federal - e pela força que tem demonstrado para a mobilização da militância.

- Temos dois nomes de grande visibilidade e com tranquilidade e diálogo vamos, sem dúvida, dar a nossa contribuição nesse processo - afirmou Richa.

FONTE: O GLOBO

'Bode' no PT do Rio por causa de apoio a Paes

Petistas fazem ato de repúdio à aliança com PMDB para 2012

Cássio Bruno

O clima no PT do Rio deu "bode". Foi assim que a economista e ex-deputada federal Maria da Conceição Tavares analisou ontem a atual situação do partido no estado. Ela participou, na sede do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado (Crea-RJ), no Centro, de um evento de repúdio à aliança dos petistas com o PMDB em apoio à candidatura do prefeito Eduardo Paes à reeleição. O encontro teve a participação de militantes contrários à dobradinha e de sindicatos, e foi organizado pelo deputado federal Alessandro Molon.

- O PT aqui do Rio tem sempre dado bode. Desde o tempo em que o partido apoiou Anthony Garotinho (em 1998, para governador). Não voto no Eduardo Paes em hipótese alguma, como não votei no Garotinho. Eles são conservadores e reacionários - discursou Maria da Conceição, completando: - Vejo tudo isso com muita tristeza. Cheguei a brigar com o Lula quando ele apoiou o Garotinho. Temos de levar o PT a sério. Estamos sendo massacrados.

Segundo Molon, o acordo firmado entre PT e PMDB não teria sido discutido com a militância petista.

- Chegou a hora de saber se vamos ter uma cara própria (nas eleições) ou ser subalternos do poder que domina o estado. A militância do PT não foi ouvida - afirmou o parlamentar.

Procurada pelo GLOBO, a assessoria de imprensa do prefeito Eduardo Paes não retornou as ligações.

FONTE: O GLOBO

PSDB pede explicação sobre viagem de Pimentel

Para tucanos, ministro pode ter ido a Genebra para ficar longe da imprensa; a agenda não foi toda cumprida

BRASÍLIA e SÃO PAULO. O PSDB quer informações oficiais do governo federal sobre a viagem do ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, a Genebra, na Suíça, esta semana. O ministro obteve autorização, publicada no Diário Oficial da União do dia 14, para se afastar do Brasil e participar da 8ª Conferência Ministerial da Organização Mundial de Comércio (OMC), mas não compareceu à abertura oficial do evento. O líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP), vai apresentar na Câmara, semana que vem, requerimentos de informação a Pimentel e ao ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, sobre a agenda de compromissos em Genebra.

Os requerimentos solicitaram que os dois ministros enviem à Câmara cópia de suas agendas no evento da OMC, informações sobre a composição da comitiva e sobre quem esteve presente nas conferências em Genebra. Também questionará o custo da viagem.

- É preciso ter informações a respeito para que seja afastada a hipótese de o ministro ter faltado a compromissos de interesse do país para não ser abordado por jornalistas a respeito das denúncias envolvendo sua atividade de consultor - afirmou o líder tucano.

Pimentel não participa de reunião ministerial da OMC

O Diário Oficial do dia 14 último trouxe despacho da presidente Dilma Rousseff autorizando o afastamento do país, com ônus para os cofres públicos, de Fernando Pimentel. No despacho, o afastamento foi autorizado entre os dias 13 e 16 deste mês, para participar da conferência da OMC.

Em Genebra, onde chegou no dia 14, Pimentel participou de encontro com países do Brics - grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. No dia 15, Pimentel participou de encontro bilateral com uma ministra da Suécia, numa sala da OMC. O próprio ministro afirmou não ter tido "nada de específico" nessa reunião.

O ministro se ausentou ainda do principal evento realizado em Genebra: a reunião ministerial da OMC, realizada na tarde do dia 15.

Longe da imprensa no retorno ao Brasil

Após retornar de Genebra, Fernando Pimentel continuou fugindo dos jornalistas no primeiro compromisso oficial no Brasil. Ontem, ele conseguiu despistar os repórteres que o esperavam na garagem da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo Fiesp), antes e depois de um encontro que ele manteve com o vice-presidente da Comissão Europeia, Antonio Tajani.

Pimentel conseguiu entrar despercebido por volta das 13h30m, mas não na saída, por volta das 15h10m. Mesmo assim, partiu de vidros abaixados, sem dar a mínima chance para microfones e máquinas fotográficas que esperavam um pouco da sua atenção.

FONTE: O GLOBO

Dilma: caso de Pimentel não tem nada a ver com governo

Ao fazer ontem um balanço do seu primeiro ano de governo em café da manhã com jornalistas, a presidente Dilma Rousseff disse ter "tolerância zero" com malfeitos. Ela defendeu a permanência do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, afirmando que as suspeitas de tráfico de influência que pesam contra ele referem-se ao período anterior à sua posse. "Não tem nada a ver com meu governo". Perguntada por que Antonio Palocci então deixou a Casa Civil também sob suspeita de tráfico de influência, respondeu que ele "quis sair". Pesquisa Ibope mostra que a popularidade de Dilma bateu recorde: é maior que a dos ex-presidentes Lula e Fernando Henrique no primeiro ano de governo

"Nada a ver com meu governo"

A ENTREVISTA DA PRESIDENTE

Dilma diz que Pimentel não era ministro quando fez consultoria e que Palocci saiu porque quis

DILMA: "Vocês vivem falando que vai haver reforma, mas ninguém me perguntou. Vão ficar surpresos: (a resposta) é não"

Luiza Damé, Chico de Gois

A presidente Dilma Rousseff fez ontem uma pregação contra a corrupção, afirmando que, no seu governo, há "tolerância zero" com desvios, malfeitos e práticas inadequadas. No entanto, defendeu o seu amigo e ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, argumentando que as denúncias contra ele não dizem respeito a seu governo. Questionada, então, por que o ex-ministro Antonio Palocci perdeu o cargo, já que viveu situação semelhante à de Pimentel - consultorias milionárias com suspeitas de tráfico de influência -, ela respondeu que o ex-chefe da Casa Civil "quis sair" do governo.

Dilma, que já dissera que as supostas irregularidades envolvendo a empresa de consultoria de Pimentel são problemas privados dele, voltou a bater na mesma tecla:

- Não tem nada a ver com o meu governo - disse, durante café da manhã com jornalistas credenciados no Palácio do Planalto, prática instituída pelo ex-presidente Lula.

Dilma disse ainda que os partidos têm o direito de indicar nomes, mas não o poder de ingerência no seu governo. E, contrariando especulações dos últimos meses alimentadas pelo próprio Palácio do Planalto, disse que não fará uma reforma ministerial em janeiro. Nem pretende extingir ou fundir ministérios para enxugar a máquina. A seguir, os principais trechos da conversa com os jornalistas:

PIMENTEL: "Não é (o caso de) dois pesos e duas medidas. (O caso) Pimentel não tem nada a ver com meu governo. Nada a ver o que estão acusando com o meu governo. Nada."

POR QUE PALOCCI SAIU: "O Palocci quis sair."

DEMISSÃO DE MINISTROS: "Foi um momento de dificuldades. Não de desgaste. É do ofício da presidente tomar medidas duras. Lamento, porque muitos dos ministros que saíram eram pessoas que eu considerava muito capazes."

TOLERÂNCIA ZERO: "O meu governo não tem nenhum compromisso com qualquer prática inadequada, de malfeito, de corrupção dentro do governo. Nenhum. É zero. Tolerância zero."

PARTIDOS ALIADOS: "Vou, cada vez mais, exigir que os critérios de governança internos do governo sejam critérios internos do governo: que nenhum partido político interfira nas relações internas do governo. Isso vale para todos os partidos políticos. Uma coisa é a governabilidade, e é importante que os partidos participem, possam indicar nomes, mas, a partir do momento em que o nome for indicado, ele presta contas ao governo e não presta contas a mais ninguém."

ALIADOS 2: "Não acho que os partidos tenham tido ingerência no meu governo. Em alguns momentos houve algumas tentativas, muito menos por causa do partido e muito mais por causa das pessoas indicadas."

ESCÂNDALOS: "Isso (denúncias contra ministros) tem um efeito para o qual vocês, de certa forma, contribuem. Cada vez que há um processo desses, estou lançando os melhores programas, e vocês estão falando de outra coisa. É como se houvesse dois Brasis. Obviamente, escândalo vende mais jornal."

CAÇA ÀS BRUXAS: "Tenho de preservar a integridade do governo, preservar um governo que não tenha irregularidades, mas não posso sair por aí apedrejando pessoas, acabando com a honra da pessoa e fazendo julgamentos sem direito de defesa. Por nenhuma pressão farei isso. Um país como o nosso tem de preservar duas coisas: não tolerar malfeitos, mas preservar sua capacidade de não criar caça às bruxas. Já se viu isso em outros países. Nunca dá certo, nunca leva a boa coisa. Não permitiria isso. Não é condizente com um país que deu tantos passos na direção à democracia."

REFORMA MINISTERIAL: "Vocês vivem falando que vai haver reforma, mas ninguém me perguntou. Vão ficar surpresos: (a resposta) é não. Não venham com essa conversa (de reforma). Não (vai haver enxugamento da máquina), não é isso que faz a diferença no governo. Cada ministério tem determinado tipo de responsabilidade. Tem ministério com responsabilidade imensa, como a Fazenda. Tem ministério com responsabilidade imensa, política, como o das Mulheres, o da Promoção da Igualdade Racial. São diferentes. Quem não enxerga isso é porque não está no dia a dia do governo."

PROFISSIONALIZAÇÃO DO ESTADO: "A eficácia de um governo vai se dar quando conseguirmos mudar muitas práticas de governança. Nenhum país do mundo, nem a China, conseguiu dar saltos substantivos no seu desenvolvimento sem que o Estado sofresse uma reforma e conseguisse uma base de grande eficiência. Temos de fazer um processo de profissionalização do Estado brasileiro. Temos áreas de alta profissionalização e competência: Itamaraty, Receita, Exército, Marinha e Aeronáutica. Estou falando em modificação no cerne, no funcionário do governo. Uma valorização, mas uma exigência de eficiência. Estou falando de profissionalismo. De meritocracia, também. Preciso de um Estado ágil."

OPOSIÇÃO: "É muito importante para o Brasil uma relação civilizada entre governo e oposição. O que temos visto nos países, este ano, foi uma relação oposição x situação extremamente incivilizada, deletéria. Não foi só nos Estados Unidos. Em vários países se verificou a perda da noção do bem comum. Isso não é adequado num processo democrático. Acredito em estender as mãos à oposição em todas as circunstâncias em que está em jogo o interesse do país."

FONTE: O GLOBO

Charge: É terrível viver na França!

Miguel - Jornal do Commercio (PE)

"Não é hora de dar aumento"

Dilma descarta reajuste a servidor: "Não se coaduna com o momento"

A ENTREVISTA DA PRESIDENTE

Presidente diz que país crescerá 5% em 2012; inflação ficará próxima a 4,5%

DILMA ROUSSEFF: a presidente defendeu rigor fiscal no ano que vem

Chico de Gois, Luiza Damé

BRASÍLIA. A presidente Dilma Rousseff reafirmou ontem, no café da manhã com jornalistas, sua determinação de não conceder aumento salarial para o funcionalismo em 2012. Argumentando que reajuste não se coaduna com o momento econômico. Mesmo com as ponderações sobre o delicado momento da economia, disse estar otimista em relação ao enfrentamento da crise econômica internacional pelo Brasil. Afirmou crer que o país crescerá 5% em 2012, e que a inflação ficará próxima do centro da meta, de 4,5%; não prometeu cumprir o centro da meta.

Sobre o reajuste do servidor, disse que o assunto está em discussão no Congresso, mas reafirmou sua opinião:

- Achávamos que o país seria fragilizado se tivesse uma política de gastos sem controle. Não era hora de dar aumento salarial para categoria nenhuma.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

REAJUSTE:"É uma questão que está no Congresso. Este ano o governo foi muito explícito. Achávamos que o país seria fragilizado se tivesse uma política de gastos sem controle. Não era hora de dar aumento salarial para categoria nenhuma. Isso vale para todo mundo. Não acho ninguém melhor do que ninguém. Achamos isso para todos. Agora, não controlamos isso. A partir de determinado momento, tem variáveis legitimamente colocadas no Congresso, e tenho de respeitar."

REAJUSTE 2: "Tudo que eu tinha de fazer, fiz. Eu fui a público e disse. Tem um nível de desgaste nisso. Fui a público dizer que não dá. Não é porque não gosto daquele segmento e prefiro outro. O Brasil se fragilizaria se passássemos a gastar por conta. Se não tivesse isso, poderia ser que coubesse, porque não é crime pedir aumento salarial. É algo que as categorias têm todo o direito de pedir. O problema é que não se coaduna com o momento; 2012 vai continuar do jeito que a lei manda: se não apresentar até agosto, não pode compor Orçamento. Mudando isso, tem 2012. Não mudando, 2013".

ENFRENTAMENTO DA CRISE: "O Brasil enfrenta este momento de forma adequada porque nos antecipamos. O governo fez uma avaliação que a crise econômica europeia não era o que, no início do ano, supúnhamos. Isso permitiu que tivéssemos uma antecipação cautelosa, porque tínhamos de olhar a situação da inflação e da estabilidade orçamentária, e começássemos a reduzir impostos, a tomar providências".

MARGEM DE MANOBRA: "Tenho certeza que o Brasil está numa situação melhor porque temos recursos próprios para enfrentar este momento. Temos mais do que tínhamos antes e aprendemos muito com a crise de 2009. Ao contrário de outros países, que quando a coisa aperta têm de recorrer ao orçamento deles, não recorremos ao orçamento, temos os depósitos compulsórios. Temos margem de manobra na política monetária. Eles estão praticando juros de meio a zero ou até um. Nós ainda temos margem na política monetária, uma capacidade de investimento que temos de explorar às últimas consequências."

CRESCIMENTO DA ECONOMIA: "Minha visão é otimista. Meu cenário é entre 4,5% e 5% (crescimento do PIB). A minha meta é 5%. A meta do Guido (Mantega) é 5%. De toda a área econômica é 5%".

INFLAÇÃO: "Temos certeza de que a inflação fica sob controle. Fazendo aquela curva suave, porque, se ela estiver em 5%, e o centro da meta é 4,5%, não faz diferença nenhuma. Não faz diferença no sentido de que não está descontrolada".

INVESTIMENTO: "Não é à toa que as entradas de investimento direto no Brasil aumentaram. Evidenciam que há uma confiança no Brasil, não em termos especificamente deste momento, mas do papel que o Brasil ocupará no cenário internacional nos próximos anos. Aqui há oportunidade de investimento porque temos uma economia em expansão".

INDÚSTRIA: "Pode ter certeza que temos política industrial. Não somos mais daquela época em que era vergonhoso ter política industrial. Fazemos toda uma política industrial, mas não somos daquela fase que fecha o mercado brasileiro. Achamos que parte do mercado brasileiro tem de estar aberto para maior competitividade, acesso a melhor tecnologia e para que não crie feudos, sempre ineficazes, ineficientes e de preços altos".

UNIÃO EUROPEIA: "O Brasil tem de ter uma visão multipolar de política externa. Considero importante nossas relações com UE, tivemos sempre uma posição de ajuda, de solidariedade, não tivemos em nenhum momento a soberba, até porque sabemos perfeitamente o que é um ajuste fiscal sem luz no túnel, porque ficamos 20 anos assim e sabemos onde ele vai dar".

INTERNACIONAL: "Estamos cada vez mais reforçando as relações com toda a América do Sul. Acho que continuamos e devemos continuar (a se aproximar) cada vez mais (com) a África. No próximo ano, vou dar uma dedicação especial a isso. O Brasil tem de ter uma visão multipolar de política externa. Não significa que não mantenhamos bem próxima nossa relação com os Brics. Ela é estratégica."

FONTE: O GLOBO

Sueca desmente ministro e é cobrada por encontrá-lo

Jamil Chade

GENEBRA - Única autoridade a se encontrar oficialmente com o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, na quinta-feira em Genebra, a ministra sueca Ewa Björling deu do encontro versões diferentes da dele. Além disso, ela foi questionada pela imprensa sueca por ter recebido um ministro suspeito de irregularidades.

A ausência de Pimentel, na quinta-feira, de todas as reuniões oficiais ainda é cercada de mistério. Diplomatas foram orientados a não abrir a boca sobre o caso.

Pimentel faltou a todas as reuniões da OMC naquele dia, durante a abertura da conferência ministerial da entidade. Sua cadeira ficou vazia e o único encontro divulgado por sua assessoria foi uma reunião com a delegação sueca, que durou apenas 30 minutos. Mas a versão sobre o tema do encontro varia dependendo do interlocutor.

Segundo o porta-voz de Pimentel, Ronald de Freitas, a venda de caças sueco ao Brasil não foi tratado no encontro. Horas depois, Pimentel dava outra versão, indicando que o assunto tinha sido levantado, mas apenas pela ministra. "Eu disse: vamos ver. As propostas estão sendo examinadas de novo, mas vai ser só no ano que vem", afirmou.

Ontem, Ewa desmentiu Pimentel. Em declarações ao jornal da Suécia, Svenska Dagbladet, a ministra explicou que foi o brasileiro quem tocou no assunto. "Eu não levantei o tema dos aviões", contou. "Ele (Pimentel) disse que estão olhando o padrão tecnológico, a questão financeira e as necessidades do Brasil."

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Falta de Pimentel na OMC é questionada

Líder tucano quer informações do ministro sobre por que viajou até Genebra e foi embora sem aparecer em reunião internacional

Eduardo Bresciani, Fernando Gallo

BRASÍLIA, SÃO PAULO - O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), disse ontem que vai protocolar na próxima semana requerimento de informação pedindo detalhes da viagem do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) a Genebra, na Suíça. Reportagem do Estado mostrou que Pimentel faltou a reuniões da Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os requerimentos serão direcionados a Pimentel e ao ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. Serão solicitadas cópias da agenda dos dois no evento da OMC e relatório das atividades realizadas, além de informações sobre a composição da comitiva e os custos da viagem.

O ministro tentou evitar a imprensa em Genebra para não responder a questionamentos sobre sua atividade como consultor nos anos de 2009 e 2010. "É preciso ter informações a respeito para que seja afastada a hipótese de o ministro ter faltado a compromissos de interesse do país para não ser abordado por jornalistas a respeito das denúncias", disse Duarte Nogueira.

O presidente do PPS, Roberto Freire (SP), também criticou Pimentel. Disse que o ministro não tem mais condição de permanecer no cargo. Para Freire, a fuga de Pimentel para evitar o contato com a imprensa só agrava a situação.

"Quando um ministro começa a se esconder da imprensa é porque não tem mais condições para permanecer no cargo. Ele está se escondendo por quê? Por vergonha ou por não ter como se explicar. Me parece que esse silêncio é para encobrir malfeitorias", disparou o presidente do PPS.

Drible. Assim como fizera na Suíça, ontem Pimentel também driblou a imprensa em um evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na capital paulista. Ele participou de um almoço com representantes da Comissão Europeia no qual assinou um memorando de cooperação entre indústrias brasileiras e do bloco europeu.

Por meio de um comunidade, na quarta-feira, a assessoria da Comissão Europeia havia convidado a imprensa para participar do evento, mas depois voltou atrás e disse tratar-se de um almoço fechado.

Pimentel chegou e saiu do prédio da Fiesp em um carro preto de vidros escuros. Quando estava prestes a deixar o almoço, o veículo, que ficara estacionado no andar onde estavam os jornalistas, desceu até o segundo subsolo, onde Pimentel não poderia nem ser filmado ou fotografado. Ele saiu sem dizer qualquer palavra.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que não participou do almoço, e que somente recebeu rapidamente o ministro em sua chegada. "Ele estava bem", disse apenas.

No site do ministério, a assessoria destacou uma fala de Pimentel no evento: "Vamos vencer a crise (econômica) com trabalho e não com recessão".

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Aécio Neves defende 'refundação' do PSDB

Em evento da juventude tucana, presidenciável citou legado de FHC; Serra chegou após o senador deixar o local

Rubens Santos

GOIÂNIA - Ostentado bandeiras e um discurso afinado, cerca de 1,5 mil jovens se reuniram ontem no Congresso Nacional da Juventude da Social Democracia Brasileira, em Goiânia, para defender uma mudança de rumo no PSDB.

O senador tucano, Aécio Neves (MG), um dos candidatos do PSDB à sucessão presidencial em 2014, pregou ontem a busca de um novo ciclo de desenvolvimento do País. Para isso, disse que será preciso "refundar" a sigla, e "confrontar" o legado dos tucanos no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com o que se faz hoje.

"Este congresso tem o sentido de mostrar que o PSDB tem todas as condições de refundar-se e de renovar o seu discurso", disse.

O senador afirmou que, nas disputas sucessórias, tanto municipais, em 2012, quanto em 2014, o PSDB terá de resgatar como partido. "Agora é hora de recuperar o legado, vamos olhar para o futuro", disse.

Os jovens tucanos pareceram alinhados ao discurso de Aécio. "Estamos nos mobilizando para defender a reestruturação do PSDB, e para fazer um contraponto ao governo que aí está e resgatar o nosso legado que tornou o Brasil um país melhor", disse Marcelo Richa, presidente nacional do PSDB jovem.

A conclusão tirada do evento é que "está na hora" do partido buscar a união interna. Sob aplausos e palavras de ordem os "tucaninhos", revelaram que, por meio da harmonia, o partido caminhará unido na disputa tanto pela sucessão municipal, do ano que vem, quanto nas eleições presidenciais, em 2014.

Estratégia. Para alcançar sucesso nas urnas, os "novos tucanos" disseram que será preciso percorrer todos Estados e municípios brasileiros para defender uma mudança de rumo. "As definições, como direita e esquerda, nunca pesaram tanto no Brasil como agora", discursou Wesley Borges, do PSDB do DF.

Apesar do tom afinado, em matéria de definição de nomes à presidência os jovens evitaram conflitos. Como uma caixa-preta inviolável, tornaram o anúncio de candidatos para a corrida presidencial de 2014 uma inconveniência. "Os nomes não estão em questão", ressaltou Marcelo Richa, filho do atual governador do Paraná e neto do ex-senador José Richa.

Serra. Outro presidenciável tucano, o ex-governador José Serra chegou ontem ao evento por volta das 20h, após Aécio já ter deixado o local, acompanhado do governador Marconi Perillo (GO). Perillo teve de voltar para recepcionar Serra, que discursou pata um congresso esvaziado.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Choro Democratico - Noites Cariocas - Jacob do Bandolim

Segurança e falatório:: José Serra

Apesar de todo o falatório do Governo Federal sobre o tema, o índice nacional de violência homicida é extremamente alto e resiste a cair: o número de homicídios por 100 mil habitantes – acima de 26 por ano – manteve-se praticamente igual nos último decênio. Comentei isso ontem neste site, com números do Mapa da Violência – 2012.

De fato, o Brasil é o país com o maior número de assassinatos em todo o mundo, tendo atingido a marca de 43 mil mortes dessa natureza em 2009, de acordo com o relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. Nos últimos oito anos, foram mais de 400 mil homicídios.

Onde houve queda acentuada, como em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Pernambuco, ela se deveu aos esforços dos governos estaduais. Nos estados onde seria mais necessário do que nunca o apoio federal, como é o caso da Bahia ou do Maranhão, onde os homicídios aumentaram vertiginosamente, nada foi feito. Brasília contempla de camarote essa realidade mórbida. Programas com nomes pomposos e metas fantasiosas são lançados na mídia, para depois caírem no esquecimento ou serem estrangulados por inépcia administrativa e/ou sucessivos cortes de recursos.

Tome-se como exemplo a ação mais badalada do Governo Lula na área da segurança, o Pronasci. Quando lançado, em 2007, foi fixada meta de redução da taxa de homicídios do conjunto do país superior a 50% – de 26 para 12 mortes por 100 mil habitantes! Obviamente, nada disso aconteceu – pelo contrário, o índice nacional permaneceu o mesmo, com um detalhe: em algumas regiões, como Norte e Nordeste, a violência aumentou brutalmente, como mencionei no texto de ontem (O mapa do crime).

Na trilha do seu antecessor e do talento publicitário petista, o atual governo lançou o Plano Estratégico de Fronteiras (tratei deste tema nos textos As fronteiras abertas da América Latina, Armas de destruição em massa, A prática desmente o discurso) que previa ações de impacto, como o aumento do efetivo da Polícia Federal nas fronteiras e a concessão de gratificações especiais aos policiais designados para essas áreas; criação de três dezenas de novos postos de policiamento de fronteira; entrada em operação de 14 veículos aéreos não tripulados para melhorar a vigilância da região (lembram-se daquele disco voador anunciado na campanha eleitoral do ano passado?), entre outras medidas.

Como é rotina na esfera federal, seis meses depois do seu lançamento praticamente nada do que se previa nesse Plano Estratégico foi feito. O efetivo não aumentou, as gratificações não saíram do papel, nenhum novo posto de vigilância foi entregue, e dos 14 veículos não tripulados previstos para fotografar as fronteiras, apenas um levantou vôo, em fase de testes. Provavelmente, o mesmo aparelho que já foi dado como voando e operando em meados do ano passado, em um dos debates dos candidatos a presidente. Quando também foi dito que as fronteiras brasileiras eram as mais seguras e defendidas do mundo.

Não foi por menos, aliás, que os policiais federais que atuam nas fronteiras, indignados com o escárnio, fizeram recentemente um protesto nacional. Suas queixas já são antigas: falta de equipamentos básicos, como coletes à prova de balas; armamentos defasados; meios de comunicação e transporte precários; efetivo altamente insuficiente, deixando os policiais em desvantagem nos enfrentamentos com bandidos fortemente armados.

No caso dos presídios, a situação é calamitosa. Nos oito anos do governo Lula, pouco mais de 800 vagas foram criadas em presídios federais em todo o Brasil. Só para comparar, no mesmo período, o Governo de São Paulo criou 26 mil novas vagas. O resultado é a transferência de encargos aos governos estaduais, e, naturalmente, mais superlotação de presídios.

A Força Nacional continua sendo um apanhado de policiais recrutados junto às PMs estaduais e em determinadas ocasiões. É, de fato, uma polícia heterogênea, pequena e tardia, pois sua mobilização demora semanas. Volto a insistir: o Brasil precisa de uma Guarda Nacional, ou uma Polícia Federal fardada, de caráter permanente, com sólida qualificação e capacidade de pronta atuação, na rotina e em situações críticas.

O Pronasci, além de nascer defeituoso e inepto, passou ao largo de questões difíceis de resolver sem o apoio federal. Não há programas efetivos de apoio ao treinamento e seleção para polícias de todo o país, com exceção de sugestões para os currículos das academias. Por exemplo, a formação dos soldados da PM durante um ano, com padrão de qualidade, tal como é feita em São Paulo, deveria ser estendida a todo o país. Já os investimentos federais para aumentar a capacidade de perícia e investigação das polícias estaduais, hoje razoavelmente elevada em São Paulo com recursos próprios, são insignificantes. E vejam bem: tudo o que se refere à formação de recursos humanos e tecnologia acaba sendo muito barato se confrontarmos seus custos com os resultados obtidos. Como diriam os economistas, uma elevadíssima relação produto-capital.

Por fim, um exemplo que surpreenderá o leitor: inexiste hoje um banco de dados nacional integrado, com informações sobre os principais delitos cometidos e cadastro dos criminosos. Nem números fidedignos sobre a população carcerária do país existem! Como na Saúde, na Segurança são necessários bons diagnósticos para saber-se como agir. Sem essas informações básicas, a realidade do crime no país fica envolta numa espessa nuvem de poeira. Como prever bons resultados se não consegue enxergar nem mesmo aquilo que se pretende enfrentar?

José Serra, ex-prefeito, ex-governador de S. Paulo

Pressão política:: Merval Pereira

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, fez bem de usar a prerrogativa do voto de Minerva para desempatar a decisão a favor da posse de Jader Barbalho no Senado, mesmo que a consequência seja ruim para o já baixo nível de qualidade política do Congresso.

Era preciso ser coerente com a decisão já tomada de que a Ficha Limpa não poderia ter sido aplicada na eleição passada, pelo princípio da anterioridade.

Mesmo que discorde dessa interpretação, não acredito que a lei deva valer mais para uns do que para outros.

O único, e grave problema, é que a decisão de Peluso aparentemente foi tomada sob pressão de políticos do PMDB, interessados em compensar, com a entrada de Jader, as perdas de dois senadores, Wilson Santiago e Gilvam Borges, substituídos por um tucano, Cássio Cunha Lima, e outro socialista, João Capiberibe, que ganharam as vagas devido ao mesmo fato de que a Ficha Limpa não valeu para a eleição passada.

Além do mais, havia outro senador petista ficha-suja tentando ficar com a vaga.

Como Jader foi o 2º mais votado no Pará, com mais de 4 milhões de votos, não seria justo que o critério não valesse para ele, mesmo sendo representante típico do atraso político.

O presidente do Supremo, por sinal, foi parte do problema que teve que resolver ao se negar a dar o "voto de qualidade" previsto no Artigo 13 do Regimento Interno na primeira vez em que a Ficha Limpa foi à votação no plenário do STF.

Como Peluso votara contra a entrada imediata em vigor da lei, seu desempate seria a favor do recurso ou de Joaquim Roriz ou de Jader, o que certamente provocaria reações da opinião pública, como provoca agora.

Peluso usou argumentação aparentemente democrática para não assumir a decisão final contra a Ficha Limpa, alegando não ter vocação para déspota.

Ora, se existe no regimento interno do Supremo essa definição para o desempate, usar o voto qualificado não torna ninguém déspota. É estranho também que caiba a cada presidente do STF decidir se usa ou não o critério de desempate; seria melhor que este fosse retirado do regimento interno ou que fosse tornado compulsório.

A pressão política sobre um tribunal superior já ficara explícita em junho de 2006, quando nada menos que seis juízes simplesmente admitiram publicamente que votaram sem saber o que votavam e sem medir as consequências do voto.

Contra o voto do relator, ministro Cesar Asfor Rocha, o plenário do TSE aderiu à proposta do ministro Marco Aurélio Mello de ampliar as restrições às alianças estaduais, numa leitura radicalizada da legislação sobre a verticalização eleitoral, que o Congresso estava flexibilizando.

Marco Aurélio Mello, vitorioso por 24 horas, anunciou que colocava ordem na bagunça partidária das coligações para as próximas eleições, e ainda encontrou tempo para fazer gracinhas metafóricas, chamando de "concubinato" as alianças fora das coligações nacionais.

Bastou que três pesos pesados da política nacional - os senadores José Sarney, Renan Calheiros e Antonio Carlos Magalhães - fossem pressionar o presidente do TSE para que subitamente suas excelências se dessem conta de que haviam votado de maneira errada na noite anterior, e convenceram-se de que tudo deveria voltar à estaca zero, prevalecendo a interpretação mais liberalizante sobre a verticalização.

Desta vez, foi a cúpula do PMDB que foi fazer uma "visita de cortesia" ao ministro Cezar Peluso no Supremo, e saiu de lá com instruções sobre a melhor maneira de conduzir a questão em termos técnicos.

E a "consultoria" informal mostrou-se bastante eficaz, e Peluso, afinal, convenceu-se de que dar o voto de Minerva não o transformava em "déspota".

Estive com o escritor Christopher Hitchens apenas uma vez, na Flip de 2006, quando fui o mediador de um debate entre ele e Fernando Gabeira.

Ele começou a mostrar a personalidade rebelde e polêmica nos bastidores, quando tentou combinar que o debate fosse em inglês, já que eu e Gabeira falávamos a sua língua.

Ponderei que não seria justo com a maioria do público, e também argumentei com Gabeira que seria desigual debater com um polemista como aquele no seu idioma.

E realmente foi bom, porque Hitchens estava com a corda toda naquela tarde, chamou Gabeira de terrorista sem o menor pudor, e ofereceu-se ironicamente para resolver a proibição de Gabeira entrar nos Estados Unidos por ter participado do sequestro do embaixador dos Estados Unidos em 1970.

Hitchens estava muito próximo do governo republicano, defendendo a invasão do Iraque, e disse ironicamente que conhecia "algumas pessoas" que poderiam ajudar o brasileiro.

Na hora das perguntas do público, ele se recusou a responder à maioria, classificando-as de "ingênuas".

Para desqualificar o debatedor, Hitchens me perguntou a certa altura se eu não colocaria em discussão questões "para elevar o nível debate", como por exemplo jornalismo como forma de arte.

Encerrei o assunto usando prerrogativas de mediador com um curto "no", para não ter que discutir com Hitchens.

À noite, encontrei-o nas ruas de Paraty, pelo jeito trôpego bebendo uma das muitas caipirinhas daquele dia. Agradeceu-me por não ter aceitado mudar o rumo do debate, aparentemente arrependido das "más-criações" da tarde, e quando perguntei se estava gostando de Paraty, me respondeu a sua maneira debochada:

"Como poderia não gostar de passear por autêntica favela, bebendo a bebida típica do lugar e ouvindo música nativa?"

Estava claro que não era nada daquilo que pensava, estava apenas exercitando provocações, e por isso achei graça. Meses depois, na Condé Nast Traveller, uma das mais importantes revistas de viagem do mundo, ele escreveu um artigo sobre Paraty, onde a classificava como "uma adorável cidade antiga bem no meio do litoral espetacular que se estende do Rio de Janeiro a São Paulo".

"(...) É um lugar de verdade, cujos habitantes pescam peixes, realizam coisas, tocam negócios e fazem música. O ambiente é democrático beirando o igualitarismo, com um arco-íris de cores humanas e uma grande variedade de música e comida.

À noite eu me juntei ao povo que dançava do lado de fora da igreja onde os escravos costumavam rezar e ouvi ritmos que aparentemente iam bem com o rum local. (referência à cachaça ou à caipirinha).

No meio da noite, a maré veio e gentilmente lavou as ruas de paralelepípedos antes de se retrair".

FONTE: O GLOBO

Um país à deriva:: Marco Antonio Villa

É bom o desempenho da presidente Dilma no primeiro ano de seu mandato?

Na centenária história da República não houve, no primeiro ano, uma administração com tantas acusações de corrupção que levaram a demissões de ministros, como a da presidente Dilma Rousseff.

Excetuando-se o primeiro trimestre, de lá para cá a rotina foi a gerência de crises e mais crises. Nenhuma delas por questão programática ou ideológica. Não. Todas devido às gravíssimas acusações de mau uso dos recursos públicos e de favorecimentos dos parceiros da base governamental.

Neste ano ficou provado, mais uma vez, que o presidencialismo de transação é um fracasso. A partilha irresponsável da máquina pública paralisou o governo.

A incapacidade de gestão -já tão presente no final da Presidência de Lula- se aprofundou. A piora do quadro internacional não trouxe qualquer tipo de preocupação para o conjunto do governo.

Algumas medidas adotadas ficaram restritas ao Ministério da Fazenda. Como se a grave crise internacional fosse simplesmente uma mera turbulência, e não o prenúncio de longo período de estagnação, especialmente da Europa, e com repercussões ainda difíceis de quantificar na economia Ásia-Pacífico.

O governo brasileiro mantém-se como um observador passivo, e demonstrando até certo prazer mórbido com os problemas europeus e com a dificuldade da recuperação dos Estados Unidos. Como se não pudesse ser atingido gravemente pelos efeitos de uma crise no centro do sistema capitalista.

Se é correto afirmar que o mundo está iniciando um processo de inversão das antigas relações econômicas centro-periferia, isso não significa que o Brasil possa suportar um lustro sem que ocorra uma reativação das economias americana e europeia.

A crise de 2008 -e a estagnação de 2009, com crescimento negativo de 0,3%- não foi suficiente para que o governo tomasse um rumo correto. Foi guiado exclusivamente pelo viés eleitoral de curto (2010) e médio prazos (2014). A inexistência de um projeto para o país é cada dia mais evidente. Nem simples promessas eleitorais foram cumpridas.

Nenhuma delas. Serviram utilitariamente para dar algum tipo de verniz programático a uma aliança com objetivos continuístas. Foram selecionadas algumas propostas, mas sem qualquer possibilidade de viabilização. Basta citar, entre tantos exemplos, o programa (fracassado) Minha Casa, Minha Vida.

O país está à deriva. Navega por inércia. A queda da projeção da taxa de crescimento é simplesmente uma mostra da incompetência. Mas o pior está por vir.

Não foi desenvolvido nenhum plano para enfrentar com êxito a nova situação internacional. Tempo não faltou. Assim como sinais preocupantes no conjunto da economia e nas contas públicas.

A bazófia e o discurso vazio não são a melhor forma de enfrentar as dificuldades. É fundamental ter iniciativa, originalidade, propostas exequíveis e quadros técnicos com capacidade administrativa, mas o essencial é mudar a lógica perversa deste arranjo de governo.

Dizendo o óbvio -que na nossa política nem sempre é evidente-, o objetivo do governo não é saciar a base de sustentação política com o saque do erário, como vem ocorrendo até hoje. Deve ter um mínimo de responsabilidade republicana, pensar no país, e não somente no projeto continuísta.

Contudo, tendo como pano de fundo o primeiro ano de governo, a perspectiva é de imobilismo. Algumas mudanças nos ministérios devem ocorrer, pois o desgaste é inevitável. Nada indica, porém, uma alteração de rumo ou uma melhora na qualidade de gestão. A irresponsabilidade vai se manter. E caminhamos para um 2012 cinzento.

Marco Antonio Villa é historiador e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

FONTE: FOLHA DE S. PAULO