terça-feira, 9 de agosto de 2022

Estudantes pela democracia*

O Globo

O Dia do Estudante catalisa o desejo da maioria pela garantia de lisura nas eleições, em resistência às investidas golpistas contra as urnas eletrônicas

Milton Nascimento, que neste ano despede-se dos palcos como um dos impávidos vértices da música brasileira, canta assim nosso Coração de Estudante: “Renova-se a esperança. Nova aurora a cada dia. Há que cuidar do broto. Pra que a vida nos dê flor e fruto”. Na quinta-feira, 11 de agosto de 2022, o Dia do Estudante no Brasil, nós entregamos nossos corações, junto aos mais vastos setores da sociedade, para a esperança das flores e frutos da democracia. Ocupamos as ruas, conclamando o conjunto dos movimentos populares, a sociedade civil organizada, a amplitude de pensamentos convergentes e divergentes do campo democrático para um caminhar histórico em defesa do nosso país. Nós, do movimento estudantil brasileiro, já trilhamos os mesmos passos em momentos decisivos da vida nacional, como o combate ao nazifascismo na Segunda Guerra Mundial, a resistência à ditadura militar, a luta pela abertura política e as eleições diretas.

Agora, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG) cerram fileiras contra as graves ameaças à institucionalidade e ao processo eleitoral, ancoradas pela extrema direita e pelo presidente da República. O Dia do Estudante catalisa o desejo da maioria pela garantia de lisura nas eleições, em resistência às investidas golpistas que têm como alvo o sólido sistema das urnas eletrônicas brasileiras e buscam instaurar a instabilidade no pleito. Caminhamos também, em todos os estados, em contraposição à cultura de ódio que foi inoculada entre os seguidores deste governo violento e que já resultou em tragédias como o assassinato de Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu. Somos muitas, somos muitos e respondemos ao mal com as nossas mãos dadas, a força da nossa coragem e a firmeza dos nossos semblantes.

Míriam Leitão - Bastidores da luta econômica

O Globo

Equipe econômica sabe dos riscos do endividamento no Auxílio Brasil, mas pesou a vontade política. Alta do benefício em 2023 é condicionada à reforma do IR

O Auxílio Brasil que começa a ser pago hoje só poderá continuar a ter esse valor se a reforma tributária for aprovada. É isso que se ouve dentro da equipe econômica. Essa reforma, segundo eles, traria os recursos para financiar o benefício e a atualização da tabela do Imposto de Renda. A explicação que é dada por integrantes do governo é que o presidente Bolsonaro disse que manteria o benefício apenas porque o ex-presidente Lula teria dito a mesma coisa, mas que do ponto de vista fiscal é preciso garantir essa fonte.

Um dos pontos mais polêmicos da artilharia pesada que o governo está usando para tentar virar o voto a seu favor é a possibilidade de se endividar com base nesse auxílio. Isso porque o consignado em outras fontes de renda tem limite de juros. Os muito pobres se endividarão sem que haja teto de juros.

Carlos Andreazza - Limite retrátil

O Globo

Atenção à competitividade eleitoral de Bolsonaro. Está vivo. Nunca esteve morto. Semeia o caos com uma mão, investindo no 7 de Setembro permanente; e, com a outra, extrai os frutos da parceria que multiplica gabinetes paralelos e distribui codevasfs. Os frutos: o pacotão de estímulos por meio do qual despejará bilhões — o Tesouro bancando a campanha pela reeleição — até o final do ano. Concorre para a instabilidade, mas vai disputar os votos.

Se “é a economia, estúpido!”, o presidente faz — já fez — seu jogo. Contra a inflação, maquia a inflação — e contrata inflação mais duradoura.

Não há limites.

O orçamento secreto — expressão da sociedade entre o lirismo parlamentar e o Planalto — anaboliza a musculatura do sistema. O sistema — Supremo incluído, que não cumpre a missão constitucional de barrar a emenda do relator — trabalhando pelo anti-establishment. Agora é tarde. O anti-establishment virou sócio de Arthur Lira e Ciro Nogueira. O presidente, um autocrata, costurou capilaridade para si, Brasil adentro. Daí que seja estupefaciente a subestimação de suas chances em outubro. Escrevi a respeito em março. O governo sempre pode muito. Um sem limites, então.

Hélio Schwartsman - Demônios no Planalto

Folha de S. Paulo

Eles parecem não se esforçar o suficiente, pois estão em jogo a salvação ou a danação

"Podem me chamar de fanática, podem me chamar de louca. Eu vou continuar louvando nosso Deus [...], porque por muitos anos, por muito tempo, aquele lugar foi consagrado a demônios, [...] Planalto consagrado a demônios. E, hoje, consagrado ao Senhor Jesus", disse Michelle Bolsonaro. Não sou eu quem vai contrariar a primeira-dama. Também penso que falar em demônios como agentes da política em pleno século 21 é coisa de loucos e fanáticos, mas convém qualificar essa minha asserção.

Podemos, como sugeriu a mulher do presidente, pensar o Universo como uma batalha entre o bem, representado por Deus, e o mal, na figura dos demônios? No plano filosófico, estamos meio que condenados ao agnosticismo. Não há evidência de que exista um criador, mas, como ausência de evidência não é evidência de ausência, não podemos descartar a possibilidade de um demiurgo que se esconda de nós, restando-nos apenas suspender o juízo acerca dessas questões.

Cristina Serra - O Brasil de Milton Nascimento

Folha de S. Paulo

Ele encarna um sonho de Brasil que nos cabe resgatar, realimentando esperanças

Neste momento em que cartas e manifestos em defesa da democracia mostram a capacidade de resistência do Brasil ao autoritarismo, trago a "Carta à República", canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, de 1987.

"Sim é verdade, a vida é mais livre/ O medo já não convive nas casas, nos bares, nas ruas/ Com o povo daqui/ E até dá pra pensar no futuro/ E ver nossos filhos crescendo e sorrindo/ Mas eu não posso esconder a amargura/ Ao ver que o sonho anda pra trás/E a mentira voltou/ Ou será mesmo que não nos deixara?/ A esperança que a gente carrega/ É um sorvete em pleno sol/ O que fizeram da nossa fé?/ Eu briguei, apanhei, eu sofri, aprendi/ Eu cantei, eu berrei, eu chorei, eu sorri/ Eu saí pra sonhar meu país/E foi tão bom, não estava sozinho/ A praça era alegria sadia/ O povo era senhor/ E só uma voz, numa só canção/ E foi por ter posto a mão no futuro/ Que no presente preciso ser duro/ E eu não posso me acomodar/ Quero um país melhor".

Alvaro Costa e Silva - Centro do Rio está abandonado até pelos golpistas

Folha de S. Paulo

Região que mais sofreu com a pandemia não consegue recuperar a vida

De volta à rua do Ouvidor, palco mais elegante daquela que fora a sua cidade, o fantasma de Machado de Assis horrorizou-se com "postes sem luz e montanhas de lixo, entre vitrines quebradas e bueiros sem tampa de onde brotavam ratazanas do tamanho de cães". Além da miséria, com pessoas vagando como zumbis e dormindo amontoadas nas calçadas, o escritor presenciou assassinatos e estupros. Tudo no Centro do Rio, "o lugar onde —assim como não se pode acender uma vela no vácuo— os seres humanos não conseguem conceber a ideia de Deus".

A ação de "A Vida Futura", de Sérgio Rodrigues —um romance raro, que consegue divertir mesmo tratando de "cousas" duras—, se desenrola em 2020, com a Covid em alta. Se fosse hoje não haveria diferença no panorama nem na desgraça. O Centro, região que mais sofreu com a pandemia, parece condenado a não recuperar a vida de antes.

Joel Pinheiro da Fonseca - O meu deputado é melhor que o seu

Folha de S. Paulo

Numa democracia, nenhuma fórmula matemática substituirá nossa avaliação pessoal

O que faz de alguém um bom deputado? As variáveis são muitas e é difícil saber como tratá-las de um jeito mais objetivo. Para nos ajudar, existem iniciativas que os avaliam e atribuem notas. Não é fácil, e por isso mesmo é bom valorizar quem presta esse serviço.

Uma dessas iniciativas é o Ranking dos Políticos, que avalia deputados e senadores. Ele leva em conta o comparecimento dos congressistas às sessões, se eles têm ou não condenações na Justiça, o quanto economizam da sua cota parlamentar e verba de gabinete e, mais importante, como votaram em pautas que o conselho do ranking julga importantes.

Pedro Cafardo - A bolsa pode bombar, um alerta do passado

Valor Econômico

Ibovespa costuma ter altas excepcionais no início de governos

Muita gente pagaria um milhão de dólares ou mais por um conselho certeiro sobre o melhor investimento no mercado financeiro para o ano que vem. O problema é que essa indicação certeira não existe, especialmente neste momento conturbado.

Não sabemos quem será o próximo presidente da República, embora as pesquisas mostrem o ex-presidente Lula bem à frente.

Há também incerteza enorme sobre o próprio rumo da democracia brasileira, ameaçada pelo autoritarismo do atual presidente, que já deixou clara a intenção de contestar o resultado das urnas caso não seja reeleito.

Além disso, seja quem for o eleito, não dá para prever exatamente qual será sua política econômica, se ela vai favorecer mais os investimentos conservadores ou os de maior risco.

Andrea Jubé - Saiam às ruas, desafia Jobim, sobre inflação

Valor Econômico

Aliados acham que Bolsonaro cresce 1,5 ponto perecentual com Auxílio

O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, afirmou ao Valor, em entrevista publicada no dia 24 de junho, que o “maior problema [da campanha de Bolsonaro] é a inflação” e o maior culpado pela alta dos preços era o combustível.

Pois um mês e meio depois, o governo prepara-se para bater bumbo nesta terça-feira com a possível divulgação pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) da maior queda inflacionária para um mês desde o início do Plano Real, em 1994. Após 25 meses de preços elevados, o Brasil deve registrar deflação de 0,65% no IPCA de julho, conforme a projeção mediana de 36 instituições financeiras, gestoras de recursos e consultorias, de acordo com o Valor Data.

Em paralelo, a Caixa Econômica Federal deve começar a liberar hoje os pagamentos do Auxílio Brasil de R$ 600 para cerca de 20 milhões de famílias, ou 56 milhões de brasileiros contemplados (26% da população).

Números internos da campanha indicam que os primeiros desembolsos do Auxílio de R$ 600 alavancarão o presidente Jair Bolsonaro nas pesquisas. Os cálculos são de que, após a primeira rodada de pagamentos, o candidato cresça 1,5 ponto percentual nas sondagens e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recue 1 ponto.

Cristovam Buarque* - Salvem os ricos

Correio Braziliense

Antes de adquirirem seus privilégios de consumo, os ricos e as classes médias dos países desenvolvidos enriqueceram a sociedade onde viviam. Enriqueceram, desempobrecendo o país. Puderam ser ricos depois de distribuírem renda e os serviços básicos à população. Para isso, investiram em educação, ciência, tecnologia, inovação, competitividade para aumentar a produtividade e a renda per capita. No Brasil, desde seu início, a elite preferiu adquirir privilégios concentrando renda, sem esperar aumento na produtividade e na renda social. Escolheu o caminho de concentrar a pouca renda de muitos para dar renda elevada a poucos: a riqueza com pobreza.

Graças a essa concentração, apesar da baixa renda per capita do país, nossa minoria rica sempre teve padrões de consumo e de serviços superiores às elites dos países desenvolvidos. Dispõem de moradias luxuosas, em áreas urbanizadas com recursos negados aos pobres, que vivem sem água, nem tratamento de esgoto. Os filhos estudam em escolas especiais, a custos que vão até 30 vezes mais do que os gastos do setor público com as crianças pobres. A riqueza brasileira foi construída sobre a pobreza, da mesma forma que até 1888 era sobre a escravidão, substituída pela apartação.

Luiz Carlos Azedo - Bolsonaro recupera expectativa de poder

Correio Braziliense  

Ciro Nogueira é a raposa política por trás da estratégia de reeleição de Bolsonaro, com farta distribuição de recursos pelo governo para favorecer os parlamentares do Centrão

A aprovação da PEC Emergencial e a redução do preço dos combustíveis alteraram o cenário eleitoral. Na pesquisa feita pelo Instituto FSB para o banco BTG Pactual, divulgada ontem, a diferença entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera a corrida presidencial, e o presidente Jair Bolsonaro (PL) caiu de 13 para sete pontos. O petista está com 41% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro tem 34% no primeiro turno. Também se alterou a avaliação do governo, que era ruim ou péssima para 47% dos eleitores e, agora, está em 44%. Entre os que acham o governo Bolsonaro ótimo ou bom, o número subiu de 31% para 33%. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) está com 7% dos votos; a ex-senadora Simone Tebet (MDB), com 3%; e André Janones (Avante), com 2%. José Maria Eymael (DC) e Pablo Marçal (Pros) têm 1% cada.

Milton Lahuerta* - Os "prognósticos" do "Rei do Centrão"!

Esse estrupício, que atende pela alcunha de Ciro Nogueira, é o "rei" do Centrão e, como tal, fala e faz qualquer negócio para agradar ao Nefasto. É um lambe botas, malandro e corrupto! A despeito disso, conhece a realidade política do país e é prudente tomar suas colocações a sério, mesmo que discordemos integralmente delas.

Por mais anacrônico que isso possa parecer diante da onipresença da Internet e das redes sociais em nossa vida, nestas eleições, vai ser muito importante retomar os (bons) tempos da militância "face to face"!

As circunstâncias exigem muita paciência e disposição para gastar saliva e conversar com amigos e parentes, assim como empenho militante para enviar mensagens pessoais pelo whatsapp, e, principalmente, que se leve muito a sério que a insanidade que acometeu a sociedade brasileira não se esgotará com a derrota de Bolsonaro nas eleições.

Antonio Cláudio Mariz de Oliveira* - Jô Soares, o imortal

O Estado de S. Paulo

Para minha decepção, ele se foi. Ficou o vazio, mas ficaram as suas lições de humanismo, de amor ao próximo e de brasilidade.

Há figuras humanas que se imagina serem imortais. Não é a imortalidade dos que permanecem na memória e na saudade daqueles que ficam. Eu me refiro à imortalidade no sentido literal. O ser que jamais se ausentará. Jamais morrerá. Jamais será enterrado. O seu corpo permanecerá e sempre será visto.

Assim eu imaginava que ocorreria com Jô Soares. Ele nunca nos deixaria. Como diziam os antigos, ele ficaria para semente. Na verdade, efetivamente ele partiu, mas com certeza as suas sementes germinarão e darão frutos.

Quais sementes? Várias, e que correspondem com as suas qualidades e características. Inteligência, cultura, rapidez de raciocínio, alegria, humor, fidelidade às suas origens, por vezes sagacidade e ironia. Essas e tantas outras.

No entanto, eu quero testemunhar um relevante aspecto que foi para mim revelado nos últimos tempos. Especificamente nos quatro anos anteriores a hoje. A sua brasilidade. A sua preocupação com o País. A sua apreensão de estar assistindo a um Brasil atormentado pela intolerância, pelos riscos de ruptura institucional, pelas pregações destrutivas, pelo estímulo às armas, pelo esmaecimento de sua imagem perante o mundo, pela destruição das matas, etc., etc. Afligia-o, também, a crescente desarmonia instalada no seio da sociedade, por um discurso voltado para a destruição e o ódio.

Fernando Carvalho* - Fui barrado no Jô

Sempre é lamentável a morte de um homem como o Jô Soares que contribuiu para tornar o mundo mais rico culturalmente.

Quanto a mim perdi uma oportunidade de ouro de tê-lo conhecido. Conto essa história. Meu O Livro Negro do Açúcar está de graça na internet há mais de 15 anos. Em 2010 foi publicado pela Alaúde com o título Açúcar O Perigo Doce. A editora conseguiu marcar uma entrevista com o Jô Soares. Mas não passei pela pré-entrevista.

A senhora que falou comigo disse "O Jô já entrevistou muitos médicos falando sobre diabetes". Pensei em dizer que a coisa mais sem graça do mundo é um médico falando sobre diabetes porque eles não dizem nada. Mas respondi que meu livro era sobre o açúcar e perguntei se ela sabia que com açúcar se produz explosivos? Ela disse-me que sabia porque havia visto isso no MacGyver.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

Elas dão de ombros

Folha de S. Paulo

Fragilidade de medidas das big techs para combater desinformação nas eleições requer atenção do TSE

É difícil fugir à sensação de que as grandes empresas de tecnologia não dão a mínima para a democracia brasileira. Se em 2018 ainda podiam alegar desconhecimento quanto a seu alcance no processo eleitoral, em 2022 elas só encontram esse argumento na estante das desculpas esfarrapadas.

Inúmeros estudos sobre o avanço das autocracias no mundo nos últimos anos, ao listar os fatores por trás do fenômeno, põem em posição destacada a expansão desenfreada da desinformação e do discurso de ódio nas redes sociais.

Plataformas como Facebook, Instagram, WhatsApp, TikTok, Kwai, Twitter, YouTube e Telegram sabem muito bem disso, pois têm sido pressionadas nos mais diversos países a adotar mecanismos transparentes capazes de conter a manipulação, a fraude e o assédio.

A lógica por trás dessas iniciativas é cristalina. Trata-se de corresponsabilizar essas empresas pelos crimes cometidos por meio dos seus serviços, mas sem com isso manietar a liberdade de expressão.

Poesia | Murilo Mendes - Os dois lados

 

Música | Paulinho da Viola - Argumento

 

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

A Carta de 2022*

Entre as principais razões do êxito na expressiva adesão, estão seu caráter plural e a ausência de vinculação a partido político

Comemoramos hoje os 45 anos do histórico evento ocorrido no pátio da Faculdade de Direito da USP em defesa da democracia e em repúdio ao regime militar.

Em 8 de agosto de 1977, o professor Goffredo da Silva Telles Júnior leu a “Carta aos Brasileiros”, documento que se tornou um marco na luta pelo restabelecimento do Estado de Direito.

Diante dos atuais ataques à democracia e às instituições, com questionamentos infundados ao processo eleitoral brasileiro, insinuações de adiamento do pleito e, até mesmo, de eventual desprezo ao resultado da vontade popular, resolvemos editar uma nova “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros”, com o propósito de reafirmar o pacto de 1988 e o respeito às regras do jogo democrático, aproveitando a simbologia da data para fazer uma justa homenagem à carta de 1977.

Entre as principais razões do êxito na expressiva adesão à “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito”, estão seu caráter plural e a ausência de vinculação a partido político, vocalizando o anseio da sociedade civil.

Fernando Gabeira - Presença de Anitta na corrida eleitoral

O Globo

Missionários do tipo Bolsonaro não têm outro caminho, exceto celebrar a atenção do universo que os rejeita

 ‘O mundo começava nos seios de Jandira/Depois surgiram outras peças da criação’.

Esses versos do maior poeta da minha cidade natal, Murilo Mendes, me inspiram para dizer que, de certo modo, as eleições começam na voz de Anitta, e as outras partes da criação.

A cantora brasileira decidiu apoiar Lula, vestiu uma calça vermelha com uma estrela do PT.

Foi um grande impulso para Lula, pelo menos nas redes sociais, onde suas citações cresceram 30%.

Numa sabatina como candidato, Ciro Gomes lamentou que o apoio de Anitta tenha sido dado a outro que não ele. E Bolsonaro ficou furioso, mas aproveitou a popularidade da cantora para atacá-la por sua opção política.

Escolhidos, preteridos ou mesmo rejeitados, os candidatos não podem ignorar Anitta, que tem mais de 60 milhões de seguidores nas redes sociais.

Recentemente, no Rio, Anitta foi chamada a arbitrar a disputa pelo Senado, dividida entre Alessandro Molon, do PSB, e André Ceciliano, do PT. Molon pediu e ganhou o apoio da cantora.

Bruno Carazza* - Lula vence o segundo round das eleições

Valor Econômico

Petista isola Ciro, racha terceira via e afasta novidades

Na minha coluna de 04/04/2022, argumentei que Jair Bolsonaro havia largado na frente e vencido o primeiro round na disputa eleitoral deste ano. Naquela época, a janela para mudanças partidárias tinha acabado de fechar, e os partidos que apoiam o presidente (PL, PP e Republicanos) haviam atraído os maiores contingentes de parlamentares no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas.

Após quatro meses de intensas negociações, pouca coisa mudou. A campanha está na rua, mas nada de bombástico surgiu: nenhum candidato surpresa apareceu, o PSD de Kassab não se aliou formalmente a ninguém, não há frente ampla e nem terceira via. Até as intenções de voto evoluem lentamente, com alterações milimétricas, sempre dentro da margem de erro a cada rodada de pesquisas.

Com as convenções partidárias encerradas, Bolsonaro mantém a tríade de partidos do Centrão lhe dando suporte, enquanto Lula, do outro lado, manteve num amplo espectro de legendas de esquerda a sua base de sustentação. A terceira via, como esperado (vide coluna de 21/03/2022), se fragmentou entre Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB, PSDB, Cidadania e Podemos), Soraya Thronicke (União Brasil) e Luiz Felipe d’Avila (Novo).

Persio Arida: Superação da crise exige primazia da economia política

Por Cristiano Romero / Valor Econômico

Persio Arida e outros cinco economistas lançaram um conjunto de propostas para o governo que comandará o país a partir de 2023

A superação da crise econômica exigirá a primazia da chamada economia política, diz Persio Arida, um dos formuladores do Plano Real. Além da necessidade de corrigir o legado de “distorções” criadas pelo atual governo e o Congresso, a próxima gestão terá que propor uma série de reformas institucionais nas áreas tributária, orçamentária e administrativa, uma agenda que demandará grande capital político. A tarefa, observa o economista, será hercúlea e terá que ser tocada em meio a um cenário internacional difícil.

Em coautoria com cinco economistas, Persio lançou na sexta-feira um conjunto de propostas para o governo que o país terá a partir de 2023, intitulado “Contribuições para um Governo Democrático e Progressista”. No documento, os autores vão além da proposição de medidas e trazem algo inédito: a combinação de propostas para que o país avance do ponto de vista institucional com outras que assegurem, durante o período de ajuste, o apoio da sociedade às reformas. A ideia é instituir “programas especiais de gastos”, que na área social aumentariam a despesa de 0,4% do PIB para 1% do PIB.

“O governo precisa de reformas que são absolutamente necessárias para o Brasil retomar o crescimento econômico”, disse ele ao Valor. “É sempre possível que tudo dê certo e não precise de nada e o programa de gastos especiais pode ser anunciado mais para frente”, disse.

Sergio Lamucci - Com foco no curto prazo, Brasil vende o futuro

Valor Econômico

O foco do governo está em iniciativas para tentar melhorar a popularidade de Bolsonaro, sem preocupação com o custo ou com as suas consequências

O governo de Jair Bolsonaro opera em 2022 com o foco em medidas de curto prazo para melhorar a popularidade do presidente, não importando o efeito sobre a credibilidade das instituições fiscais do país. Iniciativas com horizonte de poucos meses terão impacto duradouro. Há reduções de impostos baseadas no pressuposto de que o aumento corrente de receitas será permanente, afetando a situação fiscal futura de Estados e municípios. Elevações de gastos previstas para vigorar apenas no segundo semestre devem se perenizar. Há ainda adiamento de despesas - caso dos precatórios - que poderão gerar uma bola de neve de dívidas nos próximos anos.

Algumas dessas medidas foram tomadas por meio de Propostas de Emenda à Constituição (PEC), banalizando um instrumento que deveria ser usado de modo criterioso. Para completar, iniciativas de estímulo à demanda ocorrem num ambiente em que o Banco Central (BC) se esforça para derrubar uma inflação que roda na casa dos dois dígitos há quase um ano. Com isso, os juros terão de ficar mais altos por mais tempo.

Jairo Saddi - Juros, juros e mais juros

Valor Econômico

Só estímulo à competição, redução da inadimplência e simplificação tributária e regulatória podem derrubar juros ao consumidor

Roberto Troster, em artigo neste Valor (“Métricas bancárias”, 15/07/22, pág. A-8), sugeriu acertadamente uma padronização no conceito e na convenção da aplicação de juros. Diz ele: “No Brasil, é desnecessariamente mais complexa, usando várias medidas de juros em vez de uma, como no resto do mundo. Um mesmo número pode representar valores muito díspares dependendo se a taxa vier expressa em taxa mês ou taxa ano, o ano com 252 dias ou com 365 dias, com e sem o IOF, que tem uma alíquota efetiva que varia de acordo com o dia do mês”. Acho que é meritório, a partir de sua sugestão, ampliar o debate.

Demétrio Magnoli -17h44, hora de Moscou

O Globo

O pouso de Nancy Pelosi em Taipé é uma evidência definitiva de que Washington opera sem bússola estratégica

O avião militar de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos EUA, aterrissou às 22h44 em Taipé, capital de Taiwan, na terça passada. Em Moscou eram 17h44, e o sol brilhante do verão russo incandescia as cúpulas douradas do Kremlin. Naquele momento, Putin terá erguido um brinde. A troco de nada, o governo Biden violava o catecismo geopolítico, estabelecendo uma confrontação simultânea com seus dois rivais nucleares.

Pelosi chefia um Poder separado e, portanto, não precisa de autorização do Executivo para viajar ao lugar que quiser. Há décadas, ela denuncia as políticas autocráticas da China. Mas, no fim das contas, pertence ao mesmo partido de Joe Biden, que tinha o dever de dissuadi-la da mais imprópria das visitas. O pouso em Taipé é uma evidência definitiva de que Washington opera sem bússola estratégica.

Mathias Alencastro* - Brasil rifou agenda do clima

Folha de S. Paulo

Enquanto isso, da Colômbia à França há uma mudança de paradigma calcada em valores e pragmatismo

A última semana foi frustrante para aqueles que pensavam que, pela primeira vez, o clima teria um papel central na eleição.

A candidatura ao Senado de um dos mais ilustres defensores do meio ambiente da República, Alessandro Molon (PSB-RJ), está comprometida por trivialidades partidárias. Ciro Gomes (PDT), que há muito vagueia longe de terras democráticas, qualificou a questão indígena de "política de papo-furado".

É muito difícil criticar Simone Tebet (MDB) depois do festival de machismo na convenção que formalizou a indicação da sua vice, a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP). Mas, na condição de presidenciável, ela terá de explicar a contradição entre sua promessa de zerar o desmatamento e o envolvimento histórico do seu grupo na predação de terras em Mato Grosso do Sul.

Marcus André Melo* - A balbúrdia eleitoral

Folha de S. Paulo

Por que Bolsonaro promove ataques às urnas eletrônicas?

A balbúrdia em torno da urna eletrônica é puro Bolsonaro. Parafraseando Hofstader, no clássico "The Paranoid Style in American Politics", de 1964, é exemplo do estilo paranoico. As eleições acabaram sendo uma das poucas questões em que ainda se pode fazer alarido. (O autoritarismo do STF é outra). Pode-se fingir que não é governo, é vítima.

A denúncia sobre uma conspiração no dia das eleições é consistente com um espírito antissistema, que tem se mostrado crucial para o sucesso eleitoral na nova onda populista global. Eis o Leitmotiv principal da investida denuncista. A balbúrdia poderia servir para mobilizar o núcleo duro de apoiadores; flexionar músculos visando eventuais retaliações futuras; e, não menos importante, monopolizar a agenda pública em torno do assunto. Mas há custos —não desprezíveis— que não foram antecipados. O saldo líquido é negativo.

Celso Rocha de Barros - Propostas para um crescimento justo

Folha de S. Paulo

Ideias de especialistas merecem ser discutidas com atenção pelas forças democráticas

Na semana passada, um grupo de especialistas que representam o que o debate público brasileiro tem de melhor lançou um documento com propostas para o Brasil.

O texto se chama "Contribuições para um governo democrático e progressista" e tem como autores Bernard Appy, Carlos Ari Sundfeld, Francisco Gaetani, Marcelo Medeiros, Pérsio Arida e Sérgio Fausto.

Arida foi um dos criadores do Plano Real, Appy foi um dos melhores nomes da equipe econômica de Lula, Medeiros é um dos maiores especialistas brasileiros em desigualdade de renda. É um grupo politicamente heterogêneo e altamente qualificado.

Ruy Castro - Um erro providencial

Folha de S. Paulo

Todo mundo erra, mas alguns abusam

Outro dia, li numa biografia do escritor inglês Graham Greene que, em crise entre sua fé católica e uma irrefreável tendência à devassidão, Greene tentou se matar. Mas fez tudo errado: bebeu colírio. Como não morreu, decidiu conciliar a fé e a devassidão.

Ninguém erra por querer. O cantor Eddie Fischer, ex-marido de Elizabeth Taylor e pai de Carrie Fischer, acordou meio bleargh e, fazendo confusão com seus comprimidos, tomou com água os dois fones sem fio de seu aparelho de surdez. Já Keith Richards, dos Rolling Stones, cheirou as cinzas do pai achando que fosse cocaína. E o pai de minha amiga Ana Luiza, pensando estar vendo aranhas, matou de chinelo os cílios postiços que ela deixara na mesa.

Carlos Pereira - Lutas pela democracia e anticorrupção são irmãs

O Estado de S. Paulo

Democracia sem um juiz forte e independente é o hall de entrada de iliberalismos.

No dia 11 de agosto a sociedade dará mais uma demonstração de vigor da democracia brasileira com o lançamento da “Nova Carta aos Brasileiros”. O que é mais emblemático nessa iniciativa é a compreensão de que a defesa da democracia passa por um movimento a favor do juiz... a favor da Justiça Eleitoral... a favor das urnas eletrônicas... a favor das regras do jogo democrático.

Dificilmente alguém discordaria dessa frase. Num olhar mais atento, entretanto, percebemos que o grau de concordância é condicionado pelos ganhos/perdas proporcionados pelas próprias decisões judiciais.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

Sem sinal

Folha de S. Paulo

Estreia do 5G mostra que será preciso cuidado para não acentuar desigualdade no acesso à tecnologia

A estreia da rede 5G, nova geração da telefonia celular, teve impacto reduzido para a maioria dos consumidores. A nova tecnologia promete velocidade até dez vezes superior à oferecida pelo 4G à transmissão de dados, mas essa experiência ainda é muito incomum.

Nas capitais que já têm antenas conectadas à nova rede, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e João Pessoa, a cobertura é parcial e a resposta do sinal se mostrou oscilante nos primeiros dias de operação, na semana passada.

Parte do problema era previsível a esta altura do processo de instalação do sistema. A frequência usada pela rede exige um número maior de antenas, separadas entre si a distâncias menores do que as requeridas pelos sistemas atuais.

Será preciso tempo para instalar os equipamentos que viabilizarão o funcionamento pleno da rede. Estima-se que o 5G demandará dez vezes mais antenas do que as que sustentam as redes mais antigas.

Além disso, ainda são muito poucas as pessoas que carregam no bolso os aparelhos mais modernos, habilitados para se conectar ao sistema e usufruir os benefícios prometidos pela nova tecnologia.

Poesia | Castro Alves - As duas flores

 

Música | Caetano Veloso, Gilberto Gil - Sampa

 

domingo, 7 de agosto de 2022

Paulo Fábio Dantas Neto* - Conversa política sobre a pauta do largo de São Francisco e a das urnas

Um raciocínio de Felipe Nunes, Diretor do Instituto Quaest - exposto fora do contexto geral de uma entrevista que concedeu à CNN, ao divulgar a mais recente rodada de pesquisas do instituto – tem atuado, no discurso eleitoral da esquerda e na linha editorial de parte do jornalismo político, como mais um fermento do bolo lógico do qual se nutre a campanha pela antecipação de um voto “útil” em Lula, pressão precoce feita desde bem antes do período oficial da campanha ao primeiro turno das eleições.

Selecionado e convertido em manchete, um dos raciocínios de Nunes - de que conquistar intenções de voto hoje direcionadas a Lula é o único caminho possível a Bolsonaro para conseguir levar a eleição ao segundo turno - termina induzindo quem não escutar a entrevista inteira a pensar que o analista acha improvável haver segundo turno e que, portanto, a vitória de Lula no primeiro é uma meta ao alcance da mão, o que justifica aumentar a pressão sobre possíveis aliados num eventual segundo turno para que joguem suas toalhas antes que um debate de rumo imprevisível se instale. Mesmo quando essa pressão já não pode ser feita sobre decisões partidárias formais (afinal o 5 de agosto passou), continua, na pesca de adesões individuais e no fomento a cristianizações a granel. É preciso ouvir a íntegra da entrevista para saber que o prognóstico de Nunes é o oposto, ou seja, de que o mais provável é haver segundo turno, afirmação com a qual encerra suas palavras. Se levada a sério, ao menos como hipótese, converte a captura de náufragos eleitorais em praias vizinhas num insólito ensaio de um encalhe na sua.

Eliane Cantanhêde As últimas não serão as primeiras

O Estado de S. Paulo

Partidos lançam mulheres de última hora, por exclusão, como coadjuvantes e quebra-galhos

Federações, partidos e campanhas deixaram para a última hora, ou último dia, o lançamento de candidatas, até a presidente da República, mas, ora, ora, principalmente a vices em chapas para presidente e governadores. Mais uma vez, como sempre, são ótimas mulheres, mas entram como coadjuvantes, ou quebra-galhos. As últimas não serão as primeiras.

Depois de meses de brigas e traições, o “centro democrático”, ou “terceira via”, minguou sem o União Brasil, jogou a toalha e rendeu-se à única solução disponível: a senadora Simone Tebet (MDB-MS). Se partidos e caciques estivessem unidos e a candidatura largasse com chances, seria mesmo uma mulher?

Tebet, 52, tem preparo, seriedade, princípios e DNA (seu pai, Ramez Tebet, foi um respeitável presidente do Senado) e brilhou na CPI da Covid. Mas, na verdade, só virou a segunda presidenciável, ao lado de Vera Lúcia, do PSTU, porque os tucanos implodiram a candidatura de João Doria e não construíram a de Eduardo Leite.

José Roberto Mendonça de Barros* - É necessário preservar a democracia

O Estado de S. Paulo

Não tenho dúvidas de que o momento é decisivo e que o futuro do País está em jogo

No próximo dia 11, será lida na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, uma nova “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do estado democrático de direito”.

Nela está dito, entre outras coisas, que “estamos passando por um momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições”.

“Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o estado democrático de direito, tão duramente conquistado pela sociedade brasileira.”

Mais ainda: “A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa, necessariamente, pelo respeito ao resultado das eleições”.

É preciso que todos assinem o documento. Não tenho dúvidas de que o momento é decisivo e que o futuro do País está em jogo.

Luiz Carlos Azedo - A profanação do sagrado no rito do Bicentenário

Correio Braziliense

Não há um projeto de nação integrado ao mundo pós-moderno, capaz de construir um novo consenso nacional. Estamos naufragando num mar de iniquidades, entre as quais a miséria absoluta e a fome

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), manteve a parada militar de 7 de Setembro na Avenida Presidente Vargas, como acontece tradicionalmente, por solicitação dos próprios militares. Na capital fluminense se concentram as principais unidades das nossas Forças Armadas – na Vila Militar, na Baía de Guanabara e na Base Aérea de Santa Cruz. O presidente Jair Bolsonaro havia anunciado que o desfile seria na Praia de Copacabana, onde tradicionalmente se reúnem seus apoiadores. O desfile militar sempre começa na Candelária e termina em frente ao Quartel General do Exército, no Campo de Santana, onde foi proclamada a República. A polêmica mexe com símbolos e pode se transformar num rito de passagem nas eleições de outubro deste ano.

A Avenida Atlântica é um símbolo do Movimento Tenentista, ou seja, das revoltas da jovem oficialidade contra seus comandantes, porque a primeira delas ocorreu em 5 de julho de 1922, no Forte de Copacabana, conhecida como Revolta dos Dezoito do Forte, em protesto contra eleição de Arthur Bernardes, em março daquele ano. No dia 4 de julho de 1922, o capitão Euclides Hermes da Fonseca — filho do Marechal Hermes da Fonseca, que estava preso — e o tenente Siqueira Campos preparavam o forte para a revolta que se iniciaria na manhã do dia seguinte. Segundo seus planos iniciais, alguns estados brasileiros e áreas militares do Rio de Janeiro participariam do levante, mas o governo federal já sabia da conspiração militar e a impediu.

Míriam Leitão - Benefício eleitoral vai mudar o voto?

O Globo

Dados inéditos da pesquisa Genial/Quaest indicam que os ganhos eleitorais do Auxílio Brasil não devem ajudar Bolsonaro como pensa o governo

Dados inéditos de uma pesquisa de opinião mostram que o efeito dos benefícios eleitoreiros ainda é pequeno para Jair Bolsonaro. A propensão de votar nele, por causa da elevação do valor do Auxílio Brasil, aumenta pouco entre os mais pobres e até diminui entre os que não querem nem Bolsonaro nem Lula. Já com a queda dos impostos sobre combustível, há um aumento da propensão de votar em Bolsonaro entre os mais ricos. “O que o governo queria, que era conquistar a renda baixa, não parece que vai conseguir o tanto que ele precisa. Mas com o ICMS ele consegue mobilizar uma turma que, mais ou menos, já é dele”, diz o cientista político Felipe Nunes.

Mesmo sendo residual, o que a pesquisa da Genial/Quaest mostra é que o pouco avanço que Bolsonaro consegue com essas medidas pode levar a disputa para o segundo turno.