O Globo
O governo mirou basicamente os seus, na forma
e na confecção das políticas públicas
É comum no meio político a avaliação de que a
perspectiva de poder tem um valor de mercado maior que o próprio poder. Nos
últimos três dias, depois do resultado do primeiro turno, os movimentos
favoráveis à campanha de Flávio
Bolsonaro comprovam a máxima.
Partidos do Centrão, que traçam seus movimentos guiados pelo melhor custo-benefício, correram para se sentar na janelinha da campanha de Flávio, já de olho numa composição de governo. Há poucos meses, torciam o nariz, em parte porque ainda velavam a candidatura à Presidência de Tarcísio de Freitas e porque também abraçavam o diagnóstico do presidente do PSD, Gilberto Kassab: a chance de Flávio ganhar é zero.
Em 2022, foi Lula
quem atraiu diferentes apoios, ampliando a frente ampla após escolher Geraldo
Alckmin como vice. Diante do risco democrático, Lula conseguiu a adesão de
antigos adversários e de gente de outro espectro político: FH, José Serra, José Sarney,
João Amoêdo e Simone Tebet.
Quatro anos depois, ele não conseguiu nem o apoio de Eduardo Leite,
governador do Rio Grande do Sul, ou de Raquel Lyra,
reeleita em Pernambuco.
Os quatro anos de governo fizeram evaporar a
frente ampla que o elegeu. O governo mirou basicamente os seus, na forma e na
confecção das políticas públicas. Esqueceu a maioria que o levou à vitória em
2022, por 1,8 ponto percentual, vinda de segmentos do eleitorado que não eram
seus. A isenção do IR foi uma tentativa de falar com esse eleitor, mas chegou
tarde e em contexto de alto endividamento, levando a um efeito abaixo do
esperado.
A perda da frente ampla se refletiu nas
urnas. Lula perdeu votos no Sudeste, maior colégio eleitoral do país. Obteve
1,8 milhão de votos a menos no primeiro turno de 2026 na comparação com 2022.
Flávio conseguiu 1,4 milhão de votos a mais que o pai. A sangria ocorreu em
todos os estados da região na comparação entre os primeiros turnos de 2022 e
2026: Rio de
Janeiro (40,68% ante 39,41%), São Paulo (40,89%
ante 38,2%), Espírito
Santo (40,4% ante 37,76%) e Minas (43,6% ante 43,3%). Até no Nordeste, sua
principal base eleitoral, o recado foi claro: 258 mil votos a menos neste ano,
enquanto Flávio cresceu 1,6 milhão na comparação com o desempenho do pai.
Ontem Lula disse que nunca teve uma campanha
tão desorganizada. Uma eleição sai do eixo não por um fator, mas por vários. A
frente ampla, abandonada pelo caminho, é um deles. Há também o contexto internacional
de crescimento da extrema direita; as redes sociais, com seus novos algoritmos
mudando a forma como o eleitor consome informação e se vê representado; a força
do antipetismo; os ressentimentos; os desmandos do STF
vinculados ao governo... Numa conjuntura hostil, até medidas tomadas em cima da
hora para ajudar na eleição, como o reajuste do Bolsa Família ou as bets, podem
ter causado efeito contrário, na avaliação de integrantes da campanha.
Numa reunião sobre o primeiro turno, nesta
semana, a ex-senadora Kátia Abreu chegou a defender menos Janja
(falar menos aos convertidos) e mais Alckmin (reedição dos apoios de centro).
No dia seguinte, a estratégia traçada pela campanha de Lula não foi buscar
dialogar com outros setores. Mas ampliar a ação de influenciadores jovens nas
redes. Todos de esquerda.

4 comentários:
Amo a esquerda e a direita,somos todos irmãos,fiquem na paz.
Tchau Lula , bye bye !
Deixe o velho descansar o velho gaga agora vai sofrer o isolamento e ele vai perceber que ele não tinha essa bola que ele imaginava, um por um todo mundo vai sair fora do presidente , é Flávio Novo presidentetodo mundo correndo pro barco dele , é assim
A torcida da imprensa conservadora pro Lula é vergonhosa e patética
Pesquisa fresquinha Flavio 53 por cento Lula 47
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