quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Frente ampla evapora nas urnas, por Julia Duailibi

O Globo

O governo mirou basicamente os seus, na forma e na confecção das políticas públicas

É comum no meio político a avaliação de que a perspectiva de poder tem um valor de mercado maior que o próprio poder. Nos últimos três dias, depois do resultado do primeiro turno, os movimentos favoráveis à campanha de Flávio Bolsonaro comprovam a máxima.

Partidos do Centrão, que traçam seus movimentos guiados pelo melhor custo-benefício, correram para se sentar na janelinha da campanha de Flávio, já de olho numa composição de governo. Há poucos meses, torciam o nariz, em parte porque ainda velavam a candidatura à Presidência de Tarcísio de Freitas e porque também abraçavam o diagnóstico do presidente do PSD, Gilberto Kassab: a chance de Flávio ganhar é zero.

Em 2022, foi Lula quem atraiu diferentes apoios, ampliando a frente ampla após escolher Geraldo Alckmin como vice. Diante do risco democrático, Lula conseguiu a adesão de antigos adversários e de gente de outro espectro político: FH, José Serra, José Sarney, João Amoêdo e Simone Tebet. Quatro anos depois, ele não conseguiu nem o apoio de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, ou de Raquel Lyra, reeleita em Pernambuco.

Os quatro anos de governo fizeram evaporar a frente ampla que o elegeu. O governo mirou basicamente os seus, na forma e na confecção das políticas públicas. Esqueceu a maioria que o levou à vitória em 2022, por 1,8 ponto percentual, vinda de segmentos do eleitorado que não eram seus. A isenção do IR foi uma tentativa de falar com esse eleitor, mas chegou tarde e em contexto de alto endividamento, levando a um efeito abaixo do esperado.

A perda da frente ampla se refletiu nas urnas. Lula perdeu votos no Sudeste, maior colégio eleitoral do país. Obteve 1,8 milhão de votos a menos no primeiro turno de 2026 na comparação com 2022. Flávio conseguiu 1,4 milhão de votos a mais que o pai. A sangria ocorreu em todos os estados da região na comparação entre os primeiros turnos de 2022 e 2026: Rio de Janeiro (40,68% ante 39,41%), São Paulo (40,89% ante 38,2%), Espírito Santo (40,4% ante 37,76%) e Minas (43,6% ante 43,3%). Até no Nordeste, sua principal base eleitoral, o recado foi claro: 258 mil votos a menos neste ano, enquanto Flávio cresceu 1,6 milhão na comparação com o desempenho do pai.

Ontem Lula disse que nunca teve uma campanha tão desorganizada. Uma eleição sai do eixo não por um fator, mas por vários. A frente ampla, abandonada pelo caminho, é um deles. Há também o contexto internacional de crescimento da extrema direita; as redes sociais, com seus novos algoritmos mudando a forma como o eleitor consome informação e se vê representado; a força do antipetismo; os ressentimentos; os desmandos do STF vinculados ao governo... Numa conjuntura hostil, até medidas tomadas em cima da hora para ajudar na eleição, como o reajuste do Bolsa Família ou as bets, podem ter causado efeito contrário, na avaliação de integrantes da campanha.

Numa reunião sobre o primeiro turno, nesta semana, a ex-senadora Kátia Abreu chegou a defender menos Janja (falar menos aos convertidos) e mais Alckmin (reedição dos apoios de centro). No dia seguinte, a estratégia traçada pela campanha de Lula não foi buscar dialogar com outros setores. Mas ampliar a ação de influenciadores jovens nas redes. Todos de esquerda.

 

4 comentários:

ADEMAR AMANCIO disse...

Amo a esquerda e a direita,somos todos irmãos,fiquem na paz.

Anônimo disse...

Tchau Lula , bye bye !
Deixe o velho descansar o velho gaga agora vai sofrer o isolamento e ele vai perceber que ele não tinha essa bola que ele imaginava, um por um todo mundo vai sair fora do presidente , é Flávio Novo presidentetodo mundo correndo pro barco dele , é assim

Anônimo disse...

A torcida da imprensa conservadora pro Lula é vergonhosa e patética

Anônimo disse...

Pesquisa fresquinha Flavio 53 por cento Lula 47