Folha de S. Paulo
Domingo (25), data que marca os 51 anos do
assassinato de Vladimir Herzog, impõe tarefa decisiva para o futuro
Deixar de votar é optar por um dos
candidatos, e eles não são iguais
Em 1975, quando eu tinha 9
anos, meu pai, Vladimir
Herzog, foi assassinado
no Doi-Codi, em São Paulo. Trago imagens do dia anterior, quando fui com
minha mãe, Clarice, e meu irmão, André, até a Redação da TV Cultura, onde meu
pai dirigia o Departamento de Jornalismo. Para mim, aquele era um dia comum e
eu esperava passar os dias seguintes no interior paulista com a minha família.
Mas, em 26 de outubro, um dia após o crime, minha mãe nos contou sobre a morte
de nosso pai.
Em 31 de outubro, a Catedral da Sé recebeu um culto ecumênico em memória do meu pai. A iniciativa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo teve o apoio imediato de Dom Paulo Evaristo Arns. Mais de 8.000 pessoas, em silêncio, foram e voltaram para suas casas. A lembrança mais forte que guardo daquele ato é o acolhimento de Dom Paulo à minha mãe, que chorava muito.
Com o tempo, entendemos que essa não era uma
luta apenas da nossa família. Era do nosso povo e do nosso país e, juntos,
conseguimos impedir que a memória fosse apagada. Os assassinos do meu pai não
mataram a nossa memória e jamais conseguirão fazê-lo.
Votei para presidente pela primeira vez em
1989. Por muito tempo, a dificuldade estava em escolher entre propostas. Já em
2018, a escolha passou a ser entre manter a democracia ou eleger alguém que a
despreza. Em 2022, ganhamos com resultado apertado, mas o 8 de
Janeiro mostrou o quanto chegamos perto de uma ruptura.
A condenação dos militares, pela primeira vez
na nossa história política, nos trouxe um alento para a sociedade e para
pessoas que, como eu, carregam cicatrizes profundas da violência de Estado. Uma
luta jamais abandonada, mas que nos trouxe sempre um intenso desgaste
emocional.
O resultado
do primeiro turno mostrou que a volta da família Bolsonaro ao Palácio do
Planalto deixou de ser hipótese. O segundo turno será no próximo domingo (25),
data em que se completam 51 anos do assassinato do meu pai. Nesta eleição,
precisaremos eleger um governo longe de ser perfeito, porém garantidamente
democrático.
Do outro lado está um político que, como deputado
estadual, foi
à prisão entregar a mais alta honraria da Assembleia do Rio ao miliciano Adriano
da Nóbrega. Que deu apoio às tarifas norte-americanas que punem
trabalhadores brasileiros. E que já disse que, se eleito, vai
subir a rampa do Planalto em janeiro ao lado do pai, Jair,
preso pela trama golpista.
Penso em todas as famílias de mortos e
desaparecidos durante a ditadura
militar. E na luta de tantas mulheres que jamais desistiram de buscar a
verdade e a justiça, entre elas Amelinha
Teles, Ana Dias, Eunice
Paiva, Clara
Charf, Crimeia
de Almeida, Edmeia da
Silva Euzébio, Damaris
Lucena e, sempre, Clarice
Herzog.
Preservar a verdade histórica é também uma
forma de impedir que a violência se repita. Quando a memória se levanta, a
justiça, a paz e a democracia ficam mais próximas de nós.
Este
25 de outubro, Dia da Democracia, marca a data do assassinato de Vladimir
Herzog. Neste dia, para mim, a memória também vai às urnas e impõe
responsabilidade a cada eleitor. Vote ele ou não, será cúmplice do resultado e
da história. Neste momento, deixar de votar é optar por um dos candidatos.
E eles não são iguais.
*Presidente do conselho do Instituto Vladimir Herzog

Um comentário:
Estamos vivendo uma ditadura do Judiciário com a conivência do Lula e do jornalismo conservador
Presos políticos exilados perseguição à oposição escancarada
Jornais internacionais já estão denunciando os excessos do STF principalmente na pessoa do Alexandre de Moraes conhecido como Juiz ditador
Todo uma narrativa falsa colocando o governo e o PT como defensores da democracia quando na verdade estão atacando e destruídos os pilares democráticos da nossa nação a cada dia com medidas de exceção e inconstitucionais principalmente vinda do Alexandre de Moraes
Flávio Bolsonaro é a esperança do retorno da independência das instituições democráticas e o seu fortalecimento
Instituições democráticas que foram totalmente aparelhadas pelo PT no decorrer desses 20 anos
E com isso hoje OAB a ABI estão em silêncio diante de todos os escândalos e atitudes criminosas e fora da Constituição
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