sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Revisor absolve Dirceu, mas três já o condenam


Lewandowski diz que provas contra petista não passam de ‘ilações’; colegas criticam e veem contradição em seu voto


O revisor do mensalão no Supremo, Ricardo Lewandowski, votou pela absolvição de José Dirceu do crime de corrupção ativa. Para ele, as acusações do Ministério Público contra o ex-ministro da Casa Civil não passam de “ilações" e "conjecturas”.



Lewandowski chegou a dizer que Dirceu pode até ter sido o “mentor da trama”, mas ressalvou que as provas existentes no processo do mensalão não o fizeram concluir dessa forma.



Os ministros Rosa Weber e Luiz Fux seguiram o relator do caso, Joaquim Barbosa, e votaram pela condenação de Dirceu. Eles argumentam que o petista foi o responsável pela compra de apoio de congressistas.



Quatro ministros que ainda não votaram questionaram os argumentos do revisor, indicando que devem concordar com a denúncia.



Três ministros já condenaram José Genoino, e quatro, Delúbio Soares.


Revisor inocenta Dirceu e é contestado por colegas

Lewandowski vota pela absolvição, mas Rosa Weber e Luiz Fux condenam

Ministro afirma que acusações apresentadas contra ex-chefe da Casa Civil são apenas "ilações" e "conjectura"

BRASÍLIA - O revisor do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, votou pela absolvição do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, por entender que as acusações contra ele não passavam de "ilações" e "conjectura", mas ficou isolado ontem.

Outros dois ministros, Rosa Weber e Luiz Fux, seguiram o relator do caso, Joaquim Barbosa, e condenaram Dirceu pelo crime de corrupção ativa, dizendo que o petista foi o responsável pela compra de parlamentares para garantir apoio político no Congresso durante os primeiros anos do governo Lula.

Até o esquema do mensalão ser revelado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB) à Folha, em 2005, Dirceu era o mais poderoso ministro de Lula, coordenador da campanha presidencial em 2002 e ex-presidente do PT.

Outros quatro ministros fizeram apartes para contestar Lewandowski e corrigir detalhes do processo citados por ele, indicando que devem concordar com os argumentos da acusação.

Lewandowski chegou a dizer que Dirceu poderia até ser o "mentor da trama", mas afirmou que as provas existentes no processo não o deixavam concluir desta forma.

"O Ministério Público não encontrou por mais que procurasse uma prova sequer contra Dirceu", disse. "São suspeitas, ilações e afirmações contundentes, mas carentes de suporte probatório."

Segundo o revisor, as alegações de Roberto Jefferson contra Dirceu não podem ter peso para condená-lo, por se tratar de "inimigo figadal".

Lewandowski também criticou o uso da chamada teoria do domínio do fato, segundo a qual uma pessoa pode ser condenada por um crime por controlar as circunstâncias em que ocorreu, mesmo sem ter executado o crime.

Para Lewandowski, a teoria só poderia ser usada em casos excepcionais, como épocas de guerra. Mas os dois ministros que votaram depois do revisor recorreram à teoria para justificar seus votos.

"Com todo o respeito, não é possível acreditar que Delúbio, sozinho, teria comprometido o PT com dívida de R$ 55 milhões, repassando metade a parlamentares", afirmou Rosa Weber. "Ele teria sido uma mente privilegiada. E eu digo isso com a maior tristeza na minha alma."

A ministra foi interrompida por Ayres Britto: "Ele não faria carreira solo". Fux disse ser "evidente" que o ex-ministro figurava como o "articulador político desse caso, até mesmo por sua posição de proeminência no partido e de destaque no governo".

A parcial de 3 votos a 1 se formou também pela condenação do ex-presidente do PT José Genoino. Ontem, Fux e Weber disseram ser impossível que ele não soubesse do que se passava no partido que dirigia, discordando do revisor que também o absolvera.

Barbosa, Lewandowski, Rosa Weber e Fux condenaram o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como operador do mensalão, e mais três pessoas ligadas a ele.

O julgamento segue na terça-feira.

Fonte: Folha de S. Paulo

Condenação encaminhada - Merval Pereira

O plenário do Supremo Tribunal Federal encaminhou ontem a condenação do ex-ministro José Dirceu por corrupção ativa, já tendo votado assim três ministros (Joaquim Barbosa, Rosa Weber e Luiz Fux) e vários outros se pronunciado, em comentários paralelos aos votos, no mesmo sentido.

Tudo indica também que o ex-presidente do PT José Genoino terá o mesmo caminho, apesar do ministro revisor, que já o absolveu. Em vários momentos, o ministro Lewandowski foi contestado, sem que nenhum ministro aparecesse para apoiá-lo.

No afã de absolver também o ex-ministro José Dirceu, o revisor do processo do mensalão, Ricardo Lewandowski, fez uma confusão em seus papéis e leu o texto que havia preparado para abrir seu voto, quando ainda esperava que Dirceu fosse o primeiro réu a ser julgado. Com isso, ele falou como se o Supremo não tivesse já decidido que houve, sim, compra de votos e desvio de dinheiro público.

Como, nestes dois meses, vários réus já foram condenados por maioria do plenário por crimes de corrupção passiva e ativa, com o próprio Lewandowski tendo condenado alguns nos dois casos, ficou no ar uma contradição que foi registrada pelo ministro Gilmar Mendes.

"Vossa Excelência condena alguns deputados por corrupção passiva, entendendo que houve repasses de recursos para algum ato, provavelmente de apoio político. Também em seu voto condena Delúbio Soares como corruptor ativo. Não está havendo uma contradição?".

A defesa de Dirceu feita pelo revisor do processo foi até mesmo mais enfática em alguns momentos que a feita por seu advogado de defesa, e para isso ele não evitou nem mesmo criticar seus próprios colegas de Supremo, sugerindo mais uma vez que o julgamento está sendo feito à base de ilações e induções, sem que haja provas objetivas para condenar Dirceu.

Seu voto foi contestado diversas vezes por vários ministros, como quando Marco Aurélio Mello lembrou que o lobista Marcos Valério havia avalizado um dos empréstimos ao PT, o que provaria que sua relação com o então presidente do PT José Genoino não era tão eventual quanto fizera crer o político que Lewandowski absolveu.

O revisor chegou a negar esse fato, mas o presidente do STF, Ayres Britto, foi aos autos e encontrou o aval de Valério, desmontando uma das teses de Lewandowski.

Marco Aurélio Mello também estranhou que o revisor tivesse condenado apenas Delúbio Soares, absolvendo Genoino e Dirceu. Ironicamente, perguntou: "Vossa Excelência imagina que um tesoureiro de partido político teria essa autonomia?".

Ele também foi desautorizado nos debates jurídicos que propôs, pois colocou em discussão a teoria do domínio do fato, referindo-se a uma declaração de Claus Roxin, apontado como o formulador da teoria, que estaria preocupado com seu uso indiscriminado em julgamentos "banais", como Lewandowski classificou o processo do mensalão.

Não apenas Celso de Mello corrigiu as informações do revisor, mas lembrou que a tese do domínio do fato nasceu na verdade nos anos 30 do século passado e foi sendo aperfeiçoada com o tempo.

O presidente do STF havia lembrado que a tese é útil para analisar "aparatos organizados e governamentais", que englobam ações de grupos criminosos e também crimes políticos, como no caso. E criticou um comentário do revisor de que nas artes e nos meios jurídicos, as teses chegavam, ao Brasil com 50 anos de atraso.

Celso de Mello, o decano da Corte, também se definiu quando Lewandowski questionou o fato de haver apenas réus na Câmara, como se isso fosse sinal de uma falha da acusação: "Compra-se a Câmara, mas não se compra o Senado?", perguntou Lewandowski. Ao que Celso de Mello rebateu que provavelmente não havia provas de compra de votos no Senado, deixando no ar sua desconfiança de que o esquema do mensalão seja maior do que o que foi descoberto.

O revisor Lewandowski cometeu ainda um erro: todas as testemunhas a favor de Dirceu e Genoino que ele citou eram ou do PT ou ligadas aos partidos aliados envolvidos nas acusações, dando-lhes grande importância. Mas quando surgiam depoimentos contrários, ele tratava de desqualificá-los, principalmente com relação ao corréu Roberto Jefferson.

Mas o ministro Luiz Fux tratou de esclarecer a situação: o depoimento de Jefferson deveria ser levado em conta como tendo sido dado em juízo, pois ele confirmou perante um juiz todas as acusações que fizera na CPI e em entrevistas.

Fonte: O Globo

O aliado - Eliane Cantanhêde


Se o relator Joaquim Barbosa se investiu da condição de adversário, o revisor Ricardo Lewandowski assumiu destemidamente a de aliado do PT e de Lula, amigo da sua família e autor de sua nomeação para o Supremo. Sua postura, seu "timing" e seu tom compõem a alma dos seus votos.

A primeira questão que seus pares levantam é de coerência. Se Lewandowski condenou Delúbio Soares e Marcos Valério por corrupção ativa e tantos outros por corrupção passiva, como nega que tenha havido o mensalão, a compra de votos, que a maioria do tribunal admitiu? Então, o que Delúbio e Valério compraram? E o que os demais venderam?

Outra questão é o que os ministros vêm chamando de "jogo de compensação". Lewandowski condena o tarefeiro Delúbio e absolve José Dirceu, o "mandante", segundo a Procuradoria-Geral e o relator. Assim como condenou o mequetrefe exótico Henrique Pizzolato, do Banco do Brasil, para absolver, ops!, e absolveu João Paulo Cunha, deputado federal e ex-presidente da Câmara. Talvez fosse mais coerente e mais corajoso absolver todos eles, já que se diz convencido de que o mensalão não existiu...

Na sessão de ontem, Lewandowski parecia uma ilha, sob questionamento de Gilmar Mendes, de Marco Aurélio Mello, do decano Celso de Mello e até do sempre suave presidente Ayres Britto. E o primeiro voto, de Rosa Weber, corroborou o do relator, discordando do revisor.

Chama a atenção ainda a decisão do revisor de começar o voto do núcleo político já na quarta-feira, como que para amenizar o impacto da condenação de Delúbio, Genoino e Dirceu por Joaquim. E deixou a absolvição de Dirceu para ontem. Uma manchete para a condenação, outra para a absolvição no dia seguinte?

Como detalhe: o forçado (marqueteiro?) elogio ao assessor negro que distribuiu seu voto aos ministros, um a um. Contraponto ao carismático relator e à sua fúria condenatória?

Fonte: Folha de S. Paulo

Ao pé do bispo - Dora Kramer


Os advogados de defesa não têm o que dizer nem o que fazer diante da consistência das decisões já tomadas pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão.

Pouco ou quase nada lhes resta além de anunciar recursos a cortes internacionais. Com isso, fornecem algum discurso político a seus clientes, mas na prática a ideia equivale mais ou menos a reclamar ao bispo.

Gente que entende do assunto explica que a Corte Internacional de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) - o foro escolhido para a anunciada reação - pode condenar os países associados quando há violação dos direitos humanos, entre os quais está o julgamento tido como injusto.

Nesse princípio se inclui o direito do réu a ser julgado por ao menos duas instâncias. É nisso que os acusados agora se apoiam.

Ocorre, porém, que a jurisprudência da OEA considera como exceção os casos em que o julgamento é feito em instância única pela mais alta corte do País. Justamente o que acontece no caso em exame no Supremo.

Esse ponto foi abordado no primeiro dia de julgamento, em 2 de agosto, quando Márcio Thomaz Bastos apresentou questão de ordem sobre o desdobramento da ação para outras instâncias.

Na ocasião, o decano do STF, Celso de Mello, explicou a jurisprudência da OEA. Esclareceu e deveria, com isso, ter encerrado o assunto no qual os advogados insistem inutilmente.

Número ímpar. A resolução dos casos de empates divide tão profundamente os ministros do Supremo, que há uma tendência a esperar pela posse de Teori Zavascki.

Isso se houver outros e mais importantes impasses além do resultado de 5 a 5 no julgamento de José Borba (ex-líder do PMDB na Câmara) por lavagem de dinheiro.

Esse caso, segundo avaliação corrente no STF, pode ser resolvido com a mudança do voto de algum ministro.

Há a impressão de que Dias Toffoli talvez "caminhe" da condenação para a absolvição.

A recomposição das 11 cadeiras e a participação de Zavascki seria a solução menos traumática em nome da paz na Corte.

Saneamento. O procurador-geral Roberto Gurgel certamente será criticado por ter considerado "salutar" a perspectiva de que o julgamento do mensalão venha a influir no resultado da eleição de domingo.

Será acusado de "parcialidade", por esperar apenas o óbvio: que o eleitor junte A com B e tome suas decisões levando em conta as questões que estão sendo debatidas no Supremo.

Não necessariamente para rejeitar candidatos apenas por serem ligados aos personagens em julgamento. Mas para fazer a escolha com mais rigor em relação à conduta daqueles que serão governantes no Executivo e seus representantes no Legislativo.

Há candidatos dos partidos envolvidos no processo que nada têm a ver com os crimes julgados no Supremo, assim como há outros ligados a legendas que não estão no processo, cujos comportamentos e vidas pregressas não valem um mandato.

Se escândalos anteriores tivessem influído em pleitos seguintes, haveria menos candidatos fichas-sujas e talvez o ambiente já estivesse bem melhor.

A eleição é o momento ideal para se discutir essas coisas.

Vacina. O ministro Ricardo Lewandowski não parou de repetir: "Vou julgar nos autos". Indelicado com seus pares que por suposto votariam fora deles.

O revisor pareceu aplicar um antídoto à hipótese de terminar isolado, marcando posição em prol da legalidade.

Ademais. O PT não estaria há dez anos no poder se no partido mandasse o tesoureiro.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Dia de não esquecer - Míriam Leitão


A lógica era cortante, mas a voz traía a emoção. A palavra "infelizmente" foi repetida. A ministra Rosa Weber votou de forma implacável, mas admitiu: "A maior tristeza da minha alma." Sua face pública estava exposta na dureza do voto; sua emoção, implícita nos gestos e voz. E assim ela condenou José Dirceu e José Genoíno por corrupção. "É como voto, senhor presidente."

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski defendeu o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu de forma mais eficiente que o próprio advogado do réu. O que atrapalhou o voto foram suas próprias palavras quando condenou outros réus ou quando escolheu argumentos que se chocavam com o que dissera minutos antes.

Rosa Weber e Luiz Fux acompanharam o voto do relator Joaquim Barbosa, que condenou oito dos réus neste capítulo. O ministro Fux disse que juntou no voto 14 "elementos probatórios" contra José Dirceu. Lewandowski rebateu um deles. O da reunião no hotel Ouro Minas entre o então ministro Dirceu e a presidente do Banco Rural Kátia Rabello.

Fux disse que Kátia admitiu em juízo que eles conversaram sobre o Banco Mercantil de Pernambuco. Lewandowski discordou. Disse que Kátia disse em juízo que a mulher de Marcos Valério, Renilda, não dissera a verdade quando contou na CPI que na reunião se falou dos empréstimos ao PT.

Na verdade, o empréstimo era uma coisa; o Banco Mercantil era outra. Pior. Os empréstimos foram estranhos, mas o outro caso era ainda mais indevido. Por 17 vezes o publicitário Marcos Valério foi ao Banco Central pressionar por uma solução que daria aos donos do banco muito mais lucro do que o valor do crédito.

Enquanto Kátia Rabello se reunia com José Dirceu, os donos do Banco Mercantil de Pernambuco processavam o Banco Central. O Rural tinha 22% do banco em liquidação desde o Proer. O que queriam era mudar o fator de correção da dívida. Isso faria um banco quebrado virar um bom ativo.

Lewandowski condenou Marcos Valério e Delúbio Soares e vários outros. Disse que comungava com o voto do relator ao definir "o modus operandi do núcleo publicitário", lembrou que "para a caracterização do crime basta estar na esfera de atribuição do funcionário público". Admitiu até que "a prova da entrega da vantagem indevida ficou evidenciada".

Para ele, o tesoureiro do partido e o publicitário cometeram crimes e distribuíram vantagem indevida. Mas José Genoíno nada soube porque era apenas o articulador político, e José Dirceu já havia "abandonado as lides partidárias". Lewandowski acha que as acusações feitas por Roberto Jefferson devem ser desprezadas porque ele é "inimigo figadal" de José Dirceu. Mas todos os depoimentos dos amigos foram aceitos ao pé da letra.

O ministro argumentou que "nós juízes temos que julgar de acordo com o que está aqui nos autos". E depois usou como argumentos entrevistas concedidas aos jornais. Lewandowski disse que a defesa demonstrou de forma torrencial que "Delúbio jamais agiu sob as ordens de José Dirceu". Segundo ele, o chefe da Casa Civil sequer negociou a aprovação das reformas políticas, mesmo sendo o ministro político. Tudo do que se acusa Dirceu seria, na opinião do revisor, "meras ilações".

Coube a Rosa Weber afirmar que aquela interpretação dos fatos era "implausível, com todo o respeito". Segundo ela, as provas mostram acima de qualquer dúvida razoável que "houve conluio para a compra de votos" e que foi "decidida pelo núcleo político e executada pelo núcleo operacional". Lamentou de novo o voto que daria, mas explicou que precisava "pôr a cabeça no travesseiro".

Fonte: O Globo

Normalidade democrática - Roberto Freire


Vivemos um período de plena normalidade democrática, apesar de o PT e de pequenos segmentos da sociedade insistirem em denunciar, em notas destinadas à imprensa, um golpismo. Nossas instituições democráticas estão em pleno funcionamento. Há eleições periódicas, baseadas no sufrágio universal, a imprensa é livre e existe liberdade de pensamento, expressão e organização. Entretanto, os verdadeiros golpistas vociferam em praça pública contra nossos valores e instituições, duramente conquistados na luta contra a ditadura militar. Trata-se de uma tentativa de deslegitimar o Supremo Tribunal Federal, que julga, no processo do mensalão, crimes comuns previstos nas leis penais brasileiras, respeitando todas as garantias previstas na Constituição Federal.

O STF atua com a imparcialidade que esperamos daquela instituição. Os ministros, muitos deles indicados pelo ex-presidente Lula, estão julgando membros dos partidos da base aliada do governo dele e expoentes do próprio PT com isenção.O julgamento é realizado dentro do princípio que rege a apreciação das provas no Brasil: o livre convencimento baseado nos autos e o respeito a todas as garantias previstas no artigo quinto da constituição. Levantar qualquer suspeita contra o STF, órgão máximo de nosso Poder Judiciário, é, esta sim, a mais abominável tentativa de golpe contra as instituições democráticas. Um golpe que pretende a deslegitimação de qualquer sentença a ser proferida por aquela corte. Uma tentativa repugnante de transformar em mártires e condenados políticos meros criminosos comuns que exerceram cargos públicos de forma corrupta.

A violência retórica do Partido dos Trabalhadores, de seus intelectuais lacaios e da extensa rede de blogueiros subvencionados pela máquina pública, que atuam nas redes sociais, não possui limite e não mede consequências. Para defender suas práticas e seus líderes, não hesitam em inventar uma pretensa crise institucional que resultaria da perda de credibilidade de nossa suprema corte. É essa mesma lógica irresponsável e antidemocrática que originou o mensalão, a maior fraude já perpetrada contra nossa jovem democracia.

A sociedade que precisa perceber e repudiar o perigo da escalada da violência retórica contra o STF. São apenas advogados de defesa que se disfarçam de juristas para apontar o descumprimento da constituição quando seus clientes são condenados. São artistas e “intelectuais”—todos, direta ou indiretamente, subvencionados pela atual estrutura do Estado — que se arvoram o direito não só de criticar o STF, mas de colocarem dúvida o seu papel institucional de guardião da constituição.

Eu confio nas instituições que, como deputado constituinte, ajudei a moldar. Acredito na sanidade de nossa sociedade, que saberá separar criminosos comuns de políticos honrados. Reafirmo a plena capacidade do estado democrático de direito de sobreviver a qualquer tentativa desesperada de desestabilizá-lo em favor de uma eventual organização criminosa. O julgamento do mensalão acabará por provar que vivemos um período comum de normalidade democrática.

Roberto Freire é deputado federal (SP) e presidente do PPS

Fonte: Brasil Econômico

Eleições 2012: bonanças & tempestades - José Eisenberg


O quadro político que se desenha nas eleições de domingo próximo é bem mais estável do que muitos previam e bem menos determinante para o destino das forças dominantes no cenário político-eleitoral brasileiro.

Visto sob a ótica dos partidos políticos, este cenário aponta para um fortalecimento equilibrado das cinco forças políticas que disputam o centro, seja pela esquerda, seja pela direita. O PT parece acomodado como grande partido, mesmo sem hegemonias regionais exceto a ocupação de um espaço político no Nordeste em um vácuo aberto pelo esvaziamento do DEM e pelo crescimento do Bolsa Familia na região. Beligerante com a postura elástica e eleitoreira de seu principal aliado, o PMDB, como em 2008 o PT perde a chance de consolidar certos redutos eleitorais para beneficiar sua política nacional de alianças, onde acredita o partido que as coisas realmente importem. Prefeito é síndico. Município se compra com dinheiro da União. Me questiono se é sabedoria ou estupidez que orienta a análise das oportunidades que fazem os petistas. Vejo poucas novas lideranças emergindo no PT; as que ostentam este broche são postes criados pela burocracia do partido ou pelo Lula. Não creio que 2016 será divertido para o PT.

O PSDB não deveria ser o segundo partido analisado nesta reflexão, já que não compartilho da tese que afirma estar a política nacional dominada por um bipartidarismo blando. Só acredita nisto quem tem os óculos ajustados para ver o Brasil através de São Paulo, ou quem anseia pela estabilidade patética que se atribui na ciência política a este tipo de conformação do sistema partidário. O PSDB permanecerá o segundo maior partido político brasileiro, mas nem ele nem o PT são capazes de desalojar os partidos médios (PMDB, PSB, DEM e talvez um ou outro mais) de seus papéis estratégicos na montagem das ridículas alianças de interesses que estruturam o que pomposamente se chama por aí de coalizão em nome da governabilidade. Especialmente depois do mensalão, estes partidos médios são o fiel da balança, e um deles, o PMDB, é um bicho papão que pode se levantar em ira contra qualquer um a qualquer momento. Mas o PSDB, que era sobre o que este parágrafo deveria ter refletido, sairá acomodado como grande partido e cada vez mais encolhido na região Sudeste, com ênfase em São Paulo e Minas Gerais. É, e creio que continuará sendo, a primeira escolha de qualquer oponente à coalizão governamental hoje no Planalto. Daí ao bipartidarismo são léguas.

O PMDB retorna ao protagonismo de grande partido em eleições municipais que se apequena em suas vicissitudes no momento da construção de um projeto nacional. Grande aliado do PT no Planalto, ignorou a aliança e semeou uma discórdia silenciosa onde convinha e um alinhamento sólido onde também convinha. Sua penetração nacional é surpreendentemente capilarizada. Continua a ser a sigla de aluguel de preferência de qualquer candidato a prefeito que não quer se indispor com ninguém, pelo menos até a eleição passar. É a sigla de aluguel mais cara de obter no mercado político, mas é aquela que, sem dúvida, traz mais retornos.

O PSB, em quem muitos apostaram suas fichas na hora de preconizar a novidade desta eleição, me parece ainda uma roupagem nova para uma ideia antiga. Eduardo Campos não conseguiu demonstrar, creio eu, a capacidade de levar seu charme nordestino para além das fronteira do estado que governa, exceto para Minas, onde teve que aceitar uma aliança com Aécio e onde o prefeito é ligado ao antecessor de Campos no papel de liderança regional sem alcance nacional, Ciro Gomes. O PSB, no resto do país, como o PMDB, é sigla de aluguel. Desafetos encontram nele espaços que pequenas siglas não comportam e referências ao novo que o PMDB não ajuda a construir. Na maior parte do país, são insatisfeitos da base ou insatisfeitos com o tipo de oposição liderada pelos tucanos. Ao fim, o partido continuará uma sigla de uma liderança só.

O PFL — sim, o PFL, o partido que não teve a coragem de portar a insígnia de uma direita liberal e preferiu o codinome DEM (invenção hedionda de algum marqueteiro) — está hoje quase reduzido a pó, especialmente com a pulverização do campo da direita conservadora no Brasil. Parte desta migra rapidamente para o PP, que desde Maluf sabe como transitar nas esferas de extração de recursos públicos. Hoje, a sigla luta para manter um vínculo com o mundo do agrobusiness e um reduto ou outro, como o Rio de Janeiro de Dornelles. Surpreendem as liderança novas, as senadoras Ana Amélia, desde o caso Demóstenes, e Kátia Abreu, representante de um dos setores mais organizados da sociedade civil. O novo DEM de Kassab, oportunista em apropriar a sigla de JK, é só isso: oportunista. Partido de ocasião.

Ao redor dos partidos, e apesar deles, o mundo da política não passa desapercebido, e o futuro que estas eleições prometem evidentemente comporta uma dimensão determinada pela presença dos atuais governantes nas campanha. Nestas eleições, será renovada a base de vereadores que aporrinharão prefeitos, de prefeitos que aporrinharão deputados e governadores, e assim por diante. No fim das contas, os eleitos vão aporrinhar a presidente. E muito.

Neste pleito de domingo, creio que a principal governante, a presidente Dilma, sai vitoriosa pela sua ausência do processo eleitoral, no qual se limitou a participar pontualmente de campanhas estratégicas, onde sua presença foi reduzida ao estritamente necessário e seu peso político se mostrou enfático somente na reta final. Talvez seja até tarde demais em alguns contextos, mas terá sido por erro de avaliação, não por conspiração contra seus aliados — manteve-se fiel. A presidente Dilma, com seu estilo tecnocrático, conseguiu traduzir sua falta de engajamento em neutralidade, e todos os lados foram forçados a evocar esta neutralidade a seu favor. Na reta final foi diferente. Reta final é reta final. Depois ela se entende com quem importa.

Da minha perspectiva, não importa muito se o ex-presidente Lula sai vitorioso ou não. Ele continua ex-presidente. Continua carismático. Continua excelente cabo eleitoral. Tudo isto ele demonstrou. Contudo, como tudo com ele é sobre ele, não importa se ele conseguiu traduzir tudo isto em dividendos para seus apoiados e para o Partido dos Trabalhadores. Ele sai vitorioso porque conseguiu voltar para seu milieu par excellence, o palanque; e com êxito, apesar dos problemas de saúde. Mas não se enganem: Dilma transfere mais votos do que ele. O “ex-” pesa.

Os governadores mais célebres saem todos fortalecidos. Aécio Neves foi cabo eleitoral potente, assim como Eduardo Campos, Jacques Wagner e Sérgio Cabral, ainda que este último tenha sido cuidadosamente protegido pela mídia dos riscos que suas ligações com Fernando Cavendish poderiam representar. Geraldo Alckmin pôde novamente brincar de tábua de salvação do Serra, que por sua vez passou a campanha inteira à beira do abismo. Se perder, amigo ou inimigo, será uma despedida indigna da sua história de quase meio século na política brasileira. Ele não é nenhum garoto de uma renovação vazia, como tantos se apresentam virtuosamente em campanhas Brasil afora.

Os prefeitos de municípios, como sempre, se reelegerão. Outros não. Sempre é assim. Todo mundo reacomodado e todos fazendo discurso de vitorioso. O segundo turno em algumas localidades promete manter as eleições municipais na agenda — São Paulo, a capital, e talvez Belo Horizonte são os casos mais evidentes. Em uma, quem serão os dois finalistas é questão em aberto, mas Russomanno está em queda e carregará isto para o segundo turno se chegar lá; na outra, os candidatos sempre foram os mesmos dois, e só resta saber se Aécio conseguirá conter a sangria que sua fabricação começou a sofrer recentemente. Salvador será de Wagner, que sucedeu ACM, aquele que sucedeu Balbino.

O mensalão, por sua vez, cujo calendário estipulado pelo modus votandi do relator eliminou riscos maiores de contaminação, contaminou somente a classe média informada, consumidora de uma mídia obcecada em tratar o caso como se fosse o julgamento do O.J. Simpson nos EUA ou algo parecido. Em tempos de eleição, onde o tema é só este e aporrinha a todos, ter uma novela com celebridades misturadas em um tribunal é perfeito para a pauta. No segundo turno, a novela tende a ficar mais quente. Seus efeitos sobre o eleitorado que estiver embrenhado em polarizações com o PT podem acabar inflados pela vilanização da mídia, independentemente de seu mérito.

Depois que tomarem posse, a farra acaba para a classe política e volta todo mundo ao trabalho de verdade: legisladores a seus mandatos, executivos ao trabalho e novos prefeitos a pensar nas prioridades dos primeiros cem dias. Outro dia, num post no Facebook, comentei o ano de 2013. É o que aguarda os candidatos eleitos em 2012:
Na linha “it’s the economy, stupid”, esta é uma previsão do que nos espera depois para 2013: 

1) Dilma, antes de 2014, que é o ano eleitoral, põe seu pacotinho de maldades na rua logo depois do carnaval; 
2) Obama, logo após vencer em 2012, que foi ano eleitoral, vai pra rua cheio de moral apertar os cintos para que o avião norte-americano não caia; 
3) Hollande, que já venceu, já tá fazendo as dele, pondo blush na brincadeira com imposto alto pra meia-dúzia de milionários; 
4) Merkel, la bruja, não sabe fazer outra coisa que não maldades; 
5) E o Bo, na China, já era. Nos tempos dele, pelos menos a gente tinha dinheiro pra comprar a revista Caras chinesa 
2012 tá ruim, 2013, galera, sei não... sei não...

Reitero. A tempestade vem aí. Adiamos com sucesso, por algum tempo (i.é, até a eleição passar), as maldades que precisarão ser feitas para alinhar o Brasil com o andar da economia mundial e seu passo cada vez mais cadenciado. Para os novos prefeitos que serão eleitos neste domingo, isto significa se preparar para muita criatividade e inovação no modo de governar e na produção dos recursos para tal, porque, no ano que vem, não vai contar muito se você é da base ou não, seja esta a base da presidente Dilma ou de algum governador. O discurso será de unidade para enfrentar as dificuldades, o crescimento da inflação, a alta da taxa de juros, a crise dos bancos, a taxa de emprego e de crescimento desacelerando cada vez mais… em suma, a tempestade que, até agora, parecia passar somente acima do equador chegará mais intensamente neste verão.
Bem-vindos ao amanhã, candidatos eleitos. Para os mais ansiosos, 2014 está logo ali na esquina. Dilma se reelege sorrindo. Opositores que se planejem para as eleições de 2016. Elas serão decisivas para determinar o que acontecerá em 2018. Fui ser mesário.

José Eisenberg é professor de Ciência Política do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Fonte: Pitacos & Gramsci e o Brasil

São Paulo não é uma ilha - Maria Cristina Fernandes


Principal colégio eleitoral, maior orçamento municipal, capital financeira e berço dos dois principais polos da política nacional, é natural que São Paulo seja o centro das atenções nesta campanha.

O foco restrito à cidade, no entanto, não explica o que está em jogo na disputa pelas outras 5.567 prefeituras. Desavisados do que se passa no entorno, os paulistanos nunca entenderão o resultado de suas próprias urnas.

O azarão da disputa, Celso Russomanno, tem sido associado ao obscurantismo. Como o eleitor nada sabe, se deixa manipular por um enganador.

Voto indicará projeto coletivo ou individual de mudança?

Mas não é a fé pentecostal que explica a ignorância, mas a falta de informação. Bastou alguém explicar ao eleitor que Russomanno propõe-se a cobrar tarifa de ônibus mais cara de quem mora mais longe que o candidato começou a desidratar.

Para entender se a perda de votos será suficiente para tirá-lo do primeiro turno, uma olhada no entorno mostra que não se trata de fenômeno paulistano.

No pano de fundo da campanha, o discurso que criminaliza a política vai de Edir Macedo à alta magistratura. Ao esquema petista escancarado no banco dos réus, soma-se o mensalão do PCC, restrito às páginas da "Folha de S.Paulo" e ao cotidiano da periferia da capital.

Os exemplos mais eloquentes de que a São Paulo de Russomanno não é uma ilha são os favoritos em Curitiba e Campo Grande. Ratinho Jr. quebrou uma polarização de duas décadas da política paranaense, entre Jaime Lerner e Roberto Requião.

Fez carreira numa família de comunicadores e, assim como seu congênere paulistano, também exerceu vários mandatos parlamentares antes de se aventurar na disputa majoritária na capital.

Nada de braçada entre os evangélicos, promete câmeras de vigilância nas ruas e creches à noite para que os pais que trabalham de dia possam estudar. Não quer que sua mulher exerça função na prefeitura para cuidar dos três filhos. Vende-se como novidade.

Em Campo Grande, o candidato que chegou para quebrar a polarização entre PT e PMDB, veio do mesmo PP por onde passou Russomanno e disse ao repórter Guilherme Soares Dias (Valor, 28/09/2012) que ambos compartilham visão de mundo: "Somos dois radialistas que entramos na política por uma questão de justiça".

Não poderia haver candidato mais antenado com a eleição do mensalão. Enquanto o Judiciário faz política, os políticos prometem fazer justiça. O justiceiro de Campo Grande virou notícia mundial por ter provocado a detenção do diretor do Google que não retirou do ar vídeos que considerou ofensivos a sua honra.

Os comunicadores da hora tiveram em Micarla de Souza, prefeita de Natal, uma precursora. Apresentadora de TV e herdeira de um grupo de comunicação, Micarla ganhou a eleição em 2008 pelo PV contra as máquinas federal, estadual e municipal. Prometeu renovar a política no Estado que tem a política mais oligarquizada do país, mas loteou o governo de gente de televisão sem conhecimento da máquina pública e chegou ao final do mandato com a maior rejeição entre os prefeitos de capital.

Mas esta campanha não é feita apenas de comunicadores desvinculados de máquinas partidárias. Rio, BH e Porto Alegre dão folgadas dianteiras a prefeitos candidatos à reeleição bem avaliados, ainda que a oposição dê sinais de vida, alguns eloquentes, em suas capitais.

É a avaliação que se faz das atuais administrações que continua a ser o principal balizador do voto. Em alguns lugares, como em São Paulo, a rejeição ao prefeito é tamanha que o discurso do novo alimentou um candidato como Russomanno. Mas em outras cidades foram as máquinas partidárias bem azeitadas que capitalizaram essa rejeição.

No Recife, o favorito é candidato do popularíssimo governador, mas até Eduardo Campos chega à reta final da campanha acossado pelo discurso do novo. Na capital que deu mais de 30% dos votos a Marina em 2010 e onde o PT cavou sua própria cova numa escolha atabalhoada de candidato a sucessão, é um tucano que usa chinelo de dedo e militou no PV a única ameaça a uma vitória no primeiro turno de Geraldo Julio (PSB).

O discurso do novo caiu no colo da direita. Basta ver de onde vêm Russomanno (PRB), Bernal (PP) e Ratinho (PSC). Onde a esquerda, em sua versão mais radical, tem chances de ganhar não é um candidato novo que se apresenta mas um ex-prefeito. É o caso de Belém, onde o PSOL deve fazer de um ex-petista o primeiro prefeito de sua história.

Edmilson Rodrigues confronta a noção de que é a promessa de satisfação imediata que dá as cartas em todo o território nacional. Minoritário em sua aliança, o candidato do PSOL promete radicalizar o orçamento participativo levando a população da periferia a lotar a Câmara Municipal em votações importantes.

Esta disputa ruma para uma taxa de reeleição mais baixa do que a de 2008. Naquele ano, a crise mundial ainda estava fora das milhas territoriais do país. Os atuais prefeitos conviveram com taxas mais baixas de crescimento da economia que afetaram seus investimentos.

Esta é a primeira eleição municipal depois de década de mudanças na metade inferior da pirâmide social. Nas famílias chefiadas por analfabetos a renda cresceu 88% e naquelas encabeçadas por quem tem mais de 12 anos de estudo caiu 11%. A renda de pretos e pardos aumentou 66% e 85%, respectivamente, enquanto a dos brancos, cresceu 47%. A do Nordeste cresceu 72% enquanto a do Sudeste, cresceu 45%.

Houve ganho de renda, mas este já foi corroído pela prestação da TV de plasma e do carro e pela conta do celular. Quando sai de casa este cidadão não consegue se locomover nem encontra creche para seu filho.

A diminuição das desigualdades, que ainda não afetou quem tem ganhos de capital, aumentou a massa de cidadãos que pode pagar um bilhete de ônibus e que deixa de morrer na indigência para procurar o atendimento público de saúde. O que parece incomodar essa nova classe média de que tanto se fala é que se os serviços públicos municipais já eram ruins, com o aumento de usuários ficaram ainda piores.

É natural que o eleitor queira mudar. As urnas de domingo vão mostrar se essa mudança indica algum projeto coletivo ou vai regar a horta do individualismo.

Fonte: Valor Econômico

Em Recife, PSB e PSDB devem ir ao 2º turno


A última pesquisa Datafolha na capital pernambucana indica que Geraldo Júlio (PSB), com 41% das preferências, terá o tucano Daniel Coelho, com 26%, como adversário. Humberto Costa (PT) aparece com 16%. Em São Paulo, institutos dizem que não é mais possível garantir que Celso Russomanno (PRB), em queda acentuada, passe ao 2º turno.

Em Recife, cenário de 2º turno com PSB e tucano

Geraldo Júlio lidera com 41%, seguido por Daniel Coelho (PSDB) com 26%; petista cai ainda mais e tem 16%

Letícia Lins

Recife O candidato do PSB à prefeitura de Recife, Geraldo Júlio, tem 41% das preferências do eleitorado da capital pernambucana, segundo a mais recente pesquisa Datafolha/TV Globo, divulgada ontem. Liderando a Frente Popular, formada por 14 partidos, foi quem mais cresceu durante a campanha: 34 pontos percentuais desde julho, quando tinha apenas 7%. Em relação à pesquisa anterior, porém, perdeu um ponto. Daniel Coelho (PSDB) cresceu quatro pontos e está em segundo, com 26%; o senador petista Humberto Costa voltou a cair, desta vez um ponto, e aparece em terceiro, com 16%.

Apesar da ascensão de Geraldo Júlio, os números indicam que ele pode não ter fôlego para vencer no primeiro turno, frustrando a expectativa do Palácio do Campo das Princesas, que esperava definir o pleito neste domingo. Os dois cenários pesquisados pelo Datafolha, num eventual segundo turno, indicam, porém, que ele derrotaria Coelho e Costa.

Coelho foi o único candidato que só cresceu. Entrou na disputa com 8% (julho), passou para 12% (agosto), 19% e 22% (setembro), até chegar a 26%.

O Datafolha ouviu 1.277 pessoas dias 2 e 3 de outubro. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos.

Socialista ganharia 2º turno

A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Pernambuco com o número 00216/2012. Segundo a pesquisa, 5% votariam em branco ou anulariam o voto, enquanto 4% não souberam responder. Três candidatos - Edna Costa (PPL), Jair Pedro (PSTU) e Roberto Numeriano (PCB) - aparecem com 1%. Douglas Sampaio (PRTB), que entrou por último na disputa porque o candidato titular teve o registro cassado pela Justiça Eleitoral, não pontuou.

Fazendo campanha praticamente sozinho e bastante conhecido no estado - onde já foi deputado estadual, secretário estadual, vice-governador e governador - José Mendonça Filho (DEM) entrou na disputa com 22%. Desde então, caiu 18 pontos e está na quarta colocação, com 4%.

Segundo a pesquisa, no segundo turno Geraldo Júlio teria 59% contra 29% de Humberto Costa. Se a disputa for entre o socialista e o tucano, os números mudam, mas Geraldo Júlio ganharia a disputa com 52% a 37%.

Fonte: O Globo

PT e PSDB fazem ofensiva contra tarifa de Russomanno


PT e PSDB se unem no final da campanha para atacar o líder das pesquisas Celso Russomanno (PRB) em razão de sua proposta de tarifa proporcional de ônibus. Oito mil cabos eleitorais petistas e 1,5 mil da coligação tucana tentarão convencer moradores de bairros da periferia de SP de que Celso Russomanno "vai aumentar a tarifa de ônibus para quem mora longe do centro". O PT vai distribuir 400 mil folhetos com críticas à proposta.

Aliados de Serra e Haddad fazem "blitz" contra Russomanno

Quase 10 mil cabos eleitorais vão às ruas bombardear plano do candidato do PRB de criar tarifas diferenciadas de ônibus

Diego Zanchetta , Bruno Boghossian

Oito mil cabos eleitorais do PT e 1.500 da coligação do PSDB receberam a missão de abordar moradores da periferia e tentar convencê-los de que o candidato Celso Russomanno (PRB) "vai aumentar a tarifa de ônibus para quem mora longe do centro". A blitz que une partidários do petista Fernando Haddad (PT) e do tucano José Serra (PSDB) é a aposta para tentar reverter o voto em Russomanno nos extremos leste e sul de São Paulo.

Cada campanha de vereador do PT também está orientada a atacar a promessa do rival que propõe tarifa diferenciada, de acordo com a distância percorrida. Estão sendo distribuídos nos próximos três dias 400 mil folhetos da campanha de Haddad que atacam a proposta de Russomanno. No extremo sul, o vereador Milton Leite (DEM), ligado a cooperativa de perueiros e integrante da coligação de Serra, orientou sua equipe de 1.500 "visitadores" a apontar os problemas da proposta de passagem progressiva apresentada por Russomanno.

Um dirigente petista afirma ter distribuído "muita gente" em Cidade Tiradentes, M"Boi Mirim, Guaianases. Uma das táticas, afirma, é colocar nas ruas "pessoas do partido que tentam puxar o assunto da promessa (de Russomanno) de forma espontânea", na fila do supermercado, dentro dos ônibus e do Metrô. Cada cabo eleitoral petista recebe cerca de R$ 800 por mês.

Além do trabalho nos bairros mais distantes do centro, a ordem dentro da campanha é para que todo o material novo de propaganda que for confeccionado pelos vereadores nesses últimos dias tenha a foto de Haddad.

Em regiões da zona leste como Itaquera e Jardim Pantanal, a proposta de Russomanno era comentário entre comerciantes na tarde de ontem. "Não vou votar para ninguém do PT. Mas também não dá para votar num cara que vai aumentar a passagem desse jeito", afirmou o vendedor de sucos naturais Jair Polo, de 51 anos, morador de Itaquera que havia colocado cartaz de Russomanno em seu pequeno comércio na Rua Sabbado D"Angelo.

Outra ordem dentro da campanha petista é para que todo material novo de propaganda que for confeccionado pelos vereadores nesses últimos dias de campanha deve ter foto de Haddad em "tamanho bem visível".

Na zona sul, Milton Leite comanda a operação contra Russomanno. A campanha do vereador é uma das maiores entre 1.227 candidatos a vereador na capital. "Meu pessoal fala com os eleitores sobre a proposta da passagem progressiva do Russomanno e mostra que a população que mora mais longe vai pagar mais caro para andar de ônibus. Isso derruba ele", disse Milton Leite. O vereador do DEM diz que recebeu uma orientação da coordenação de campanha de Serra para desconstruir a imagem e as propostas de Russomanno. Os tucanos não confirmam que tenham feito recomendações específicas aos cabos eleitorais de sua coligação.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Em BH, caminhada e otimismo no final da campanha


Legendas que apoiam Lacerda prometem fazer demonstração de força. Líderes petistas se dividiram na cidade para pedir votos para Patrus


Bertha Maakaroun


O prefeito Marcio Lacerda percorre hoje a Avenida Afonso Pena em caminhada da Praça da Rodoviária até a Praça Sete

Os 19 partidos que integram a coligação BH Segue em Frente, pela reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB), programam para hoje uma grande caminhada, a partir das 9h, da Praça da Rodoviária até a Praça Sete. Confiantes de que vencerão a eleição no primeiro turno, o PSB, o PSDB, o PV, o PPS, o DEM e o PDT, as principais legendas de sustentação da candidatura Lacerda, anunciam uma demonstração de força política no centro da capital mineira.

A "caminhada da vitória", como está sendo chamado o ato de campanha, será, segundo Délio Malheiros (PV), candidato a vice de Marcio Lacerda, "a demonstração cabal de que lado BH está". Para amanhã, último dia de campanha, os aliados de Lacerda irão fazer carreatas em todas as regionais. O senador Aécio Neves (PSDB) estará ao lado do prefeito.

Ontem foi dia de manifestações em apoio à reeleição do prefeito nos principais centros comerciais das nove regionais da cidade. Na Praça Sete, ao meio-dia, foi promovido um bandeiraço. Em resposta política ao apoio de Dilma Rousseff (PT) ao adversário Patrus Ananias (PT), à noite o programa eleitoral dos vereadores da coligação de Lacerda, último exibido antes do pleito, colocou no ar o vídeo em que Dilma afirma ser Marcio Lacerda um dos melhores prefeitos do Brasil.

Lacerda não teve agenda pública ontem e se dedicou a se preparar para o último debate, que ocorreu à noite. Foi, segundo a sua campanha, a 25ªparticipação em debates ou sabatinas promovidos por veículos de comunicação, instituições de ensino e entidades de classe desde o início da campanha. "Os debates são uma oportunidade importante de defesa dos rumos que cada candidato pretende dar às políticas públicas para Belo Horizonte. Nas sabatinas, em um formato diferente, além de expor nossas propostas, pudemos ouvir sugestões dos participantes, sempre bem-vindas para que contemplássemos em nosso plano de governo diferentes visões de todos os setores da sociedade", disse o prefeito.

liminar A Justiça Eleitoral indeferiu ontem a liminar que solicitava a retirada de faixas colocadas no local onde são realizadas as sondagens que irão fomentar estudos geológicos para obras de ampliação do metrô de Belo Horizonte. O juiz Rogério Coutinho, do foro eleitoral da capital, negou a liminar. Segundo a decisão do juiz, as faixas não contêm expressões que possam identificar autoridades, servidores ou administrações. "Não há nas faixas colocadas nos pontos de sondagens caráter eleitoreiro, eis que seus dizeres não excedem o limite do razoável", conclui o magistrado. Na quarta-feira, o Ministério Público entrou com ação pedindo a cassação da candidatura de Lacerda por causa das faixas.

Pesquisa

O PSB de BH desafiou, por meio de nota, o PT a divulgar a pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi sobre os candidatos à prefeitura da capital, cujo suposto resultado foi antecipado por militantes por meio das mídias sociais e em comício do candidato Patrus Ananias (PT). Os socialistas lembram que segundo informações do site do TSE, a pesquisa de 2 de outubro foi registrada sob o número MG-00801/2012 e encomendada pelo PT nacional.

Fonte: Estado de Minas

Em Curitiba, Ratinho Júnior e Ducci devem ir ao segundo turno


Marli Lima

CURITIBA - Os 1,17 milhão de eleitores de Curitiba (PR) vão às urnas no domingo em um cenário bem diferente daquele de quatro anos atrás. Em 2008, o então candidato Beto Richa (PSDB), que em 2010 virou governador, foi reeleito prefeito da capital paranaense no primeiro turno com 77% dos votos válidos. Agora, as últimas pesquisas indicam que haverá segundo turno e que o deputado federal Ratinho Junior, do pequeno PSC, está com uma das vagas praticamente garantida. O atual prefeito, Luciano Ducci (PSB), que era vice de Richa e quer continuar no cargo que ocupa há dois anos, tem chances de ser o outro nome, mas o ex-deputado federal Gustavo Fruet (PDT) insiste que as pesquisas estão equivocadas e que ele participará da segunda etapa do pleito.

No levantamento do Datafolha divulgado na noite de quarta-feira pela RPCTV, Ratinho Junior apareceu com 34% das intenções de voto, seguido de Ducci, que estava com 25%, e Fruet, com 18%. Outros quatro nomes disputam a prefeitura de Curitiba. Rafael Greca (PMDB) estava com 10% da preferência, Bruno Meirinho (PSOL) tinha 2% e Alzimara Bacellar (PPL), 1%. Avanilson Araújo (PSTU) não pontuou, 5% disseram não saber em quem vão votar e votos em branco ou nulos somaram 6%.

A eleição está sendo uma das mais disputadas da história. No começo, o que se viu na cidade foi empate triplo entre Ratinho Junior, Ducci e Fruet, mas ao longo das semanas o panorama foi mudando. O eleitor gostou da linguagem e do colorido da campanha do candidato do PSC, que tem apenas 31 anos de idade e é filho do apresentador de televisão Carlos Roberto Massa, o Ratinho. A presença do pai na disputa chegou a ser questionada por opositores, por tratar-se de alguém conhecido no meio artístico, mas o pai participou de carreatas nos fins de semana e pediu votos no horário eleitoral. Nos discursos, promessas de uniformes de graça para as crianças e de mais vagas nas creches, inclusive à noite.

Ducci dividiu boa parte de sua campanha com Richa, mas seu principal cabo eleitoral não conseguiu transferir todos os votos que teve nas últimas eleições para seu candidato. Médico pediatra, o prefeito falou da necessidade de ter experiência para exercer o cargo, mas foi duramente criticado justamente na área de saúde. O aumento nos congestionamentos e na violência também geraram questionamentos, e nem mesmo seu projeto de metrô, que já está com financiamento aprovado, ficou de fora do embate. Em avaliação recente de prefeitos de capitais feita pelo Ibope, Ducci só conseguiu a 11ª posição no ranking, enquanto seus antecessores sempre ocuparam as primeiras colocações.

Fruet entrou nas eleições contando com o apoio do PT, mas não conseguiu adesão da militância do partido e apenas a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, saiu às ruas ao seu lado algumas vezes para pedir votos. Nem a presidente Dilma Rousseff e nem o ex-presidente Lula apareceram na campanha. Fruet já foi do PMDB e do PSDB e saiu dos dois por não conseguir disputar a prefeitura. Quando era tucano, foi um dos críticos do mensalão e sua aproximação com o PT não foi bem recebida.

Greca, que foi prefeito de Curitiba de 1993 a 1997, contou com a ajuda do senador e ex-governador Roberto Requião (PMDB) e passou parte do tempo lembrando o que já fez. Mas, ao contrário do passado, quando lideranças tradicionais como Requião e o também ex-governador Jaime Lerner tinham peso na decisão dos eleitores, que eram avessos a mudanças radicais e orgulhosos da cidade bem planejada, tudo indica que agora eles estão interessados em novidades, conforme analisam cientistas políticos.

Como em anos anteriores, denúncias marcaram a campanha, a começar por reportagem na revista "Veja" que mostrou salto no patrimônio de Ducci. Ele é dono de fazendas e mora em apartamento de luxo, mas afirma que os bens são herança de sua esposa. Jornais com denúncias contra Ratinho foram distribuídos pela cidade. Greca mostrou em vídeos pedaços de asfalto que se soltavam das ruas. Os discursos de Fruet, que começaram mornos, ganharam tons mais agressivos na reta final, na tentativa de alcançar o segundo turno.

Muita estratégia que estava pronta para 2014 vai depender do resultado de domingo e do segundo turno. Richa conta com a vitória de Ducci para facilitar seus planos de ser reeleito governador do Estado. O PT decidiu ficar do lado de Fruet porque também tem planos para daqui a dois anos, quando Gleisi deverá concorrer nas eleições para o governo. Ratinho Junior, que chegou a ser sondado para ser vice tanto de Ducci como de Fruet, usou isso nas falas, dizendo que é o único que não tem compromisso com 2014.

Fonte: Valor Econômico

Oposição a presidente lidera disputa em Vitória

Chico Santos

VITÓRIA - Uma das menores capitais brasileiras, com apenas 327,8 mil habitantes, mas com a maior renda per capita entre todas elas (R$ 61,79 mil em 2009, último dado do IBGE), Vitória, capital do Espírito Santo, caminha para um segundo turno da eleição municipal a ser disputado entre dois candidatos nascidos do campo de influência do ex-governador Paulo Hartung (PMDB), que governou a cidade de 1993 a 1996 e o Estado entre 2003 a 2010.

Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e Luciano Rezende (PPS) são os dois nomes mais cotados nas pesquisas, egressos de partidos que fazem oposição a presidente Dilma Rousseff. O cientista político André Pereira, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), enxerga na disputa da capital e de outros municípios a prévia de uma possível disputa entre Hartung e o governador Renato Casagrande (PSB) pelo governo do Estado em 2014. Em terceiro nas pesquisas aparece a candidata do PT, Iriny Lopes, cuja candidatura não decolou, entre outros fatores, segundo especialistas, por carregar o peso de uma gestão petista, do prefeito João Coser, que chega ao fim mal avaliada pela população.

Vitória tem seis candidatos a prefeito. O tucano Vellozo Lucas, que foi duas vezes prefeito da capital capixaba (1997 a 2004), deputado federal de 2007 a 2010 e coordenador da campanha presidencial de José Serra (PSDB) em 2002, lidera as últimas pesquisas com 43% no Ibope (22/09) e 36% no local Instituto Futura (30/09).

O ex-campeão de remo Luciano Rezende, deputado estadual, aparece com 22% no Ibope e com 27,2% no Futura. Ele foi secretário de Educação e de Saúde durante a gestão do tucano na prefeitura e depois secretário de Esportes de Hartung no governo do Estado. Em 2008, apoiado por Vellozo Lucas, perdeu a disputa pela prefeitura para o prefeito Coser, obtendo 31,7% dos votos, contra 65% do petista.

Visto como um candidato das camadas médias da sociedade capixaba, Rezende aliou-se ao PR, liderado no Estado pelo senador Magno Malta. Segundo Pereira, da Ufes, foi o caminho encontrado para atrair votos das camadas mais pobres de Vitória, espaço onde o tucano, embora também identificado com os setores médios, já possui seu espaço devido a um programa bem sucedido de urbanização de favelas.

Embora formalmente o governador Casagrande tenha ficado neutro na disputa, Pereira e outros analistas veem simpatia do governador pela candidatura do PPS, ainda que seu partido, o PSB, esteja aliado ao PT, e indicou o candidato a vice na chapa da petista Iriny. Em Vitória e em várias cidades, como Vila Velha, a maior do Estado, Casagrande está em campo oposto ao de Hartung, abrindo espaço para as especulações de que estão demarcando posições, embora seus aliados neguem.

Hartung quase foi candidato em Vitória. Casagrande defendia sua candidatura, mas com sua desistência "incentivou" a aliança de Rezende com o PR para aumentar o tempo de televisão. Mas o governador disse que pessoalmente não fez campanha para ninguém, embora tenha aparecido ao lado de candidatos pelo Estado e sua foto tenha sido também usada na campanha. Ele afirmou que segue aliado de Hartung e que não há nenhum "tensionamento" entre eles.

Ao Valor, Rezende disse que "Vitória quer mudança", posicionando-se como um nome novo na disputa. Vellozo Lucas contou na reta final com o auxílio do senador Aécio Neves (PSDB-MG), um dos principais postulantes à indicação do seu partido à candidatura presidencial em 2014. O candidato tucano, que chegou a ser considerado provável eleito no primeiro turno, admitiu ao Valor que deverá haver segundo turno.

A petista Iriny, ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, ainda alimenta esperança de chegar ao segundo turno e ontem, quando todos se preparavam para o último debate na TV, estava fazendo campanha nas ruas da capital. Ela admitiu que o desgaste de o PT estar na prefeitura há oito anos, mesmo com muitos acertos, é uma das razões da sua má posição nas pesquisas, mas não a principal. Ela acha que houve demora na definição da candidatura e que por estar no terceiro mandato de deputado federal, está há muito tempo "fisicamente" fora da cidade.

Fonte: Valor Econômico

Ida de Russomanno ao 2º turno não é garantida, diz Datafolha


Ibope também vê fenômeno na queda do candidato do PRB

Tatiana Farah, Marcelle Ribeiro, Gustavo Uribe, Silvia Amorim

SÃO PAULO - Depois de uma queda de dez pontos percentuais em duas semanas, o candidato Celso Russomanno (PRB) já não tem mais garantido seu lugar na disputa do segundo turno em São Paulo. O encolhimento da candidatura não encontra par na história recente das eleições paulistanas, avaliam os diretores do Datafolha e do Ibope, e deixa o cenário embolado até o dia da eleição.

- A ida de Russomanno ao segundo turno não está mais garantida. Resta saber se ele chegou ao piso, com esses 25% de intenção de voto, ou se pode cair mais. Não se pode descartar um segundo turno entre José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) - avaliou o diretor do Datafolha, Mauro Paulino.

Pelo Datafolha, Russomanno tinha 35% em 19 de outubro e, anteontem, caiu para 25%. Nesse período, Serra oscilou de 21% para 23%, empatando tecnicamente com Russomanno. Haddad subiu de 15% para 19%, mantendo empate técnico em segundo com o tucano. Para Paulino, a "desidratação" de Russomanno poderia ter sido antecipada se o PT e o PSDB tivessem iniciado os ataques ao candidato no início da campanha:

- Adiaram (o embate) para o último momento, e essa queda é totalmente incomum. Nenhum outro candidato em eleições paulistanas sofreu uma queda desse tamanho na reta final.

A diretora-geral do Ibope, Márcia Cavallari, também aposta na indefinição do segundo turno. Ela concorda com a avaliação de que a grande queda de Russomanno é inédita em São Paulo e lembra que houve quadro parecido nas eleições presidenciais de 2002:

- O Ciro Gomes, do PSB, cresceu durante a campanha e depois caiu.

Especialista em ética e religião, o filósofo Roberto Romano diz que a entrada em campo do líder da Igreja Universal do Reino de Deus, o bispo Edir Macedo, só prejudica Russomanno:

- Na verdade, Russomanno era mais um balão inchado pelo vento da guerra entre PT e PSDB, mas esses dois partidos têm fortes raízes na cidade e reagiram.

Para Romano, o fator religioso ajudou na derrocada e tende a ganhar mais espaço no segundo turno:

- Haverá uma mobilização dos católicos conservadores e de centro-esquerda como reação à Universal. Acho trágica essa transformação das forças religiosas em forças políticas.

Presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos, o especialista em marketing eleitoral Carlos Manhanelli avalia que Russomanno deve garantir vaga no 2º turno. Mas, chega desgastado.

- Tudo leva a crer que não há mais tempo de reverter essa situação. Mas o candidato do PRB chega ao segundo turno bastante enfraquecido.

Russomanno disse ontem que está sendo "massacrado" por "mentiras":

- Apesar de tudo, nos mantemos em primeiro lugar. E vamos para o 2º turno. No segundo turno temos mais tempo de TV. É muito difícil mostrar as propostas e até se defender dos ataques que estou sofrendo. De tanto massacrar, massacrar, a mentira vai parecer que é verdade.

O candidato minimizou a participação de Edir Macedo:

- Pode ser importante para você (ao repórter). Para mim, não é. Não vou falar sobre religião.

Já Haddad disse ser um "equívoco" que as igrejas sejam "instrumentalizadas a favor de um candidato".

Fonte: O Globo

Manaus: comunista pede apoio a evangélicos da Assembleia de Deus


Candidata participa de reunião-culto com ataques a gays e ao aborto

Fernanda Krakovics

MANAUS - Depois de apoiar no Congresso a proposta de criminalização da homofobia, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), candidata à prefeitura de Manaus, mudou de posição e participou na noite de anteontem de reunião-culto da Assembleia de Deus, na qual o pastor Jonatas Câmara fez malabarismos para justificar o apoio e pedir o voto dos fiéis.

No Congresso, a senadora já defendeu que o PLC 122/06, projeto que torna crime discriminar gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero, tramitasse em regime de urgência e fosse direto para o plenário. A tramitação está parada.

No culto, anteontem, além de bater no candidato Arthur Virgílio (PSDB), empatado com Vanessa de acordo com o Ibope, o líder da igreja pregou contra a descriminalização do aborto, as relações homoafetivas e a criminalização da homofobia. A candidata do PCdoB assentia com a cabeça e aplaudia.

- Estou enojado dessa porcaria desse PLC 122. Diziam que você era o demônio, mas não apareceu nenhum vídeo contra você - afirmou o pastor, segundo o qual a reunião era para "fidelizar o rebanho".

A defesa de bandeiras do movimento gay no Congresso é um dos principais instrumentos utilizados contra a candidatura de Vanessa. De acordo com o Censo 2010, os evangélicos são 35,5% da população da capital.

Ao receber o apoio da Assembleia de Deus, no início da campanha, Vanessa assinou uma carta afirmando que é contra o aborto e que não votará a favor de artigos que contrariam a igreja no projeto de criminalização da homofobia.

Fonte: O Globo

O plano perfeito - Nelson Motta


E se Roberto Jefferson não tivesse denunciado o mensalão, como estaria o Brasil hoje?

Pelo que o julgamento do Supremo Tribunal Federal está provando, o PT teria a maior e mais fiel base de apoio do Ocidente, maior até do que a velha Arena da ditadura, presidida por Sarney. Além dos cargos e boquinhas de sempre, os partidos aliados teriam suas despesas de campanha bancadas pelo PT. Assim, tanto nas votações no Congresso como nas eleições, não seria uma coalizão, mas um rolo compressor. A democracia perfeita de Lula e Dirceu.

Seria preciso apenas encontrar novas fontes de financiamento da operação, além dos empréstimos de araque de Marcos Valério no Banco Rural e no BMG e do desvio de dinheiro do Visanet, que não seriam suficientes para pagar as dívidas e as campanhas do PT, e as despesas crescentes com a voracidade da base aliada, que quanto mais come mais fome tem.

De onde sairia o dinheiro? Militantes do partido em postos-chave na administração pública facilitariam concorrências e superfaturariam campanhas publicitárias e eventos produzidos pelas agencias de Marcos Valério, que ficaria com uma parte do butim. Depois era só lavar o dinheiro na Bonus Banval e distribuí-lo aos aliados para garantir a governabilidade sem fazer concessões politicas e a aprovação de seus projetos que - eles tinham certeza - eram os melhores para o povo brasileiro.

Como Lula e Dirceu sabiam melhor que ninguém, pelo menos 300 picaretas estavam à venda no Congresso. Então, por que não comprá-los para servir ao governo do primeiro operário a chegar à Presidência, para atualizar e fazer as "reformas de base" que derrubaram Jango e Brizola em 1964? Era uma causa nobre, um velho sonho, um plano perfeito. Ou quase.

Mais do que um inútil exercício de retrofuturologia, imaginar as consequências funestas da continuidade do mensalão - que não ia parar ali, cresceria e envenenaria o Congresso, as campanhas eleitorais, a democracia e o Estado - serve para dar um suspiro de alívio e agradecer ao procurador-geral e aos ministros do Supremo Tribunal Federal. E ao gesto tresloucado de Roberto Jefferson.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Jobim Sinfonico - Canta, Canta Mais

Poema à boca fechada – José Saramago


Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.


(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)