quarta-feira, 9 de outubro de 2013

E se aparecer a banda ‘Fora PT’? - Elio Gaspari

O comissariado pedirá aos eleitores algo que nenhum partido brasileiro teve: 16 anos de poder efetivo

Marina Silva está no PSB. Está? Disputará a vice (mas pode não disputar) de Eduardo Campos, que até o mês passado estava na base de apoio do governo. Marina tomou uma decisão imperial e fechou o acordo com o senhor do PSB em menos de 24 horas. Disse que fez uma “aliança pragmática” mas logo corrigiu-se: “programática”. Em torno do quê, não se sabe. Se disso resultar apenas uma chapa, tem tudo para ser nova parolagem. Se dessa aliança nascer uma tentativa de frente antipetista, o caminho e a conversa serão outros.

Em matéria de chapa esquisita, ninguém superará a de Tancredo-Sarney. No entanto, aquilo era uma frente contra o que a rua chamava de “isso que está aí”, e Tancredo foi eleito (indiretamente) sem ter apresentado programa. Precisava?

Mário Covas, Ulysses Guimarães e Leonel Brizola não podiam imaginar que o segundo turno da eleição de 1989 seria disputado por Lula e Fernando Collor. Eram dois candidatos contra aquilo que estava ali.

Quem foi para a rua em junho saberá nos próximos meses que o Supremo está pronto para diluir as sentenças do mensalão. Aquilo que Marina Silva exageradamente classificou de “chavismo” é apenas um aspecto do jogo bruto do comissariado petista. Ele foi sentido nos tribunais, nos bancos oficiais, na porta giratória das agências reguladoras e na monumental trapalhada da proposta de Constituinte exclusiva. Isso para não se falar nos grandes circos com padrão Fifa.

A aliança dos dois ex-ministros do governo de Lula tanto pode acabar numa pirueta movida a palavrório como em algo maior. Sinal de seu anacronismo é a notícia de que Fernado Bezerra Coelho harmonizará a aliança “pragmática”, ou “programática”. Até outro dia ele era ministro da doutora Dilma. Faz parte do clã que controla Petrolina há meio século. O PT respondeu às ameaças mais encorpadas com a voz das urnas e prevaleceu porque o eleitorado preferiu “o que está aí”.

O comissariado buscará em 2014 a extensão do seu mandato para até 2018. Serão dezesseis anos corridos. Jamais na história brasileira um partido conseguiu essa marca dentro de um só regime constitucional. Os conservadores do império tiveram catorze anos (1848-1862). Getúlio Vargas teve quinze (1930-1945), com três regimes e uma ditadura. Os militares tiveram 21, com quatro ordens constitucionais. No 16º ano de vida, seu partido, a Arena, estava estilhaçado. Já o PT, vai bem, obrigado, sonhando com uma reforma política que criaria o financiamento público das campanhas (dinheiro na mão do comissariado) e a instituição do voto de lista (o mesmo comissariado alinha os candidatos). Não se tratará apenas de uma tentativa de espichar o tempo de mando. O que há na mesa é um projeto explícito. Jogo jogado.

Para os costumes brasileiros, a longevidade petista seria uma novidade. Contudo, nas quatro maiores democracias do mundo (Estados Unidos, Alemanha, França e Inglaterra), a sociedade deu o poder a blocos de poder longevos que fizeram grandes reformas.

O marqueteiro João Santana acha que Dilma Rousseff será reeleita graças a uma oposição viciada pela “antropofagia de anões”. Marina Silva com Eduardo Campos tanto podem representar isso, devorando o tucanato, como podem formar uma banda tocando “Fora PT”. Os eleitores decidirão quem dança.

Elio Gaspari é jornalista

Fonte: O Globo

Marina e Eduardo: o inesperado ataca de novo - Mércio P. Gomes

O que move o Brasil?

Bem, tem a economia, os conflitos sociais, as religiões, a música, a poesia, o poder. Alguns acham que tem a tradição ou a história, outros acham que não, que tudo no Brasil acontece uma primeira e única vez. Tem a sociologia, a burocracia e o cotidiano para desmentir isso. Sim, há racionalidade no Brasil. Mas, o que vale mesmo, o que menos se espera, o que funciona acima de tudo, quando não há mais o que pensar, é o indecifrável, o "sobrenatural de Almeida", o imprevisto e o impensável, o enigma que desce do pedestal para fazer o mundo girar.

Para lembrar de um caso bem recente: quando o PT foi fundado, em 1980, por suas características de partido sindicalista, cristão e cheio de radicais juvenis, poucos acreditavam que um dia seu presidente, o operário Luiz Inácio da Silva, seria o presidente mais popular do Brasil por duas vezes e elegeria sua sucessora. Estava marcado nas estrelas.

Ou lembrar de um mais antigo: quando no dia 16 de novembro de 1889, o jornalista Silva Jardim foi às ruas para ver o que estava acontecendo, descobriu que o Imperador Pedro II havia sido deposto por um golpe militar, e ninguém dera a mínima, nem para defendê-lo nem para criticá-lo. Baixara a República, como uma manga madura que inexoravelmente cai do galho.

Que espanto é o Brasil! Há três meses, como se fosse do nada, um milhão de brasileiros foram às ruas de centenas de cidades para protestar contra a corrupção política, a incúria administrativa e a falta de moral no país. Encheram o saco, queriam mudanças, os políticos tremeram e tremeram, mas, ao final, aceitaram calados o nada que não foi feito. Mais do que esperado.

Aí, nesta tarde de sábado, 25 anos de aniversário da Constituição Federal, a ex-senadora e ministra Marina Silva, neta de cearenses que foram levados ao Acre para serem seringueiros, ela mesma uma mulher que só se alfabetizara aos 16 anos de idade, deu um verdadeiro e inesperado cavalo de pau na política brasileira ao entrar no Partido Socialista Brasileiro -- PSB -- e declarar apoio ao presidente daquele partido, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, neto do lendário cearense, feito governador de Pernambuco, Miguel Arraes.

Os motivos dados por Marina Silva podem ser claros: fora-lhe negado o registro de seu partido, e ela queria ser coerente com seu ideal de manter-se na política para avançar com propostas e programas, não necessariamente cargos políticos. Daí ter escolhido um partido que já tem dono e candidato a presidente, o Eduardo Campos, e se submeter à possibilidade de baixar de status e ser candidata a vice.

Mas quem pode acreditar nesse discurso? Todos sabem que Marina Silva quer ser presidente da República e acha que tem chance, sim, com 16% a 25% das intenções de voto. Como renegar esse patrimônio? O que há por trás disso?

Mais uma vez o inesperado acontece: parece que nada esquisito há por trás dessa decisão. Simplesmente Marina viu que melhor seria para ela, para seu grupo de apoiadores e para o Brasil (seja que Brasil for) abrir mão de se candidatar a presidente e passar seu patrimônio eleitoral para o neto de Arraes.

Você acredita nisso, caro leitor? Eu acredito. É assim que o Brasil caminha.

Mércio P. Gomes, antropólogo, professor da UFRJ, foi presidente da Funai.

Mortos suspeitos de fundar partidos - José Nêumanne

Nada há a contestar na decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de negar registro ao Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, de vez que não lhe foi apresentado o número mínimo de assinaturas de apoio de eleitores aptos a votar exigido pela legislação eleitoral. Nada justificaria que o tribunal passasse por cima da lei, pois sua função é exatamente garanti-la.

Os políticos - e a ex-senadora acriana é um deles, queira ou não queira, tenha ou não tenha outra imagem perante a população - deveriam saber que a democracia é o império da lei e a norma legal precisa ser cumprida também por eles, que a debatem, votam e aprovam. Marina teve 20 milhões de votos na última disputa presidencial, em 2010. Desde as manifestações de junho, seu nome aparece como a mais viável opção contra a provável reeleição da presidente Dilma Rousseff, que encabeçará uma chapa de muitas legendas, a começar pelas duas maiores, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). E daí? Isso não a toma isenta de cumprir obrigações legais trabalhosas e complicadas: as assinaturas e os Estados onde elas podem ser obtidas e um prazo.

Faltou o mínimo de competência e sobrou bastante negligência à ex-senadora na coleta das 492 mil assinaturas em nove Estados e, por isso, ela chegou ao prazo fatal, sábado passado, sem tê-las em mão. Não adianta reclamar nem pôr a culpa nos outros. Desde que se desentendeu e saiu do Partido Verde (PV), pelo qual se candidatou à Presidência em 2010, ela teve tempo de sobra para conseguir mais do que o necessário. E certo que sem máquina burocrática federal ou estadual, sem estrutura profissional de apoio para conduzir o processo e sem boa vontade dos políticos com os quais concorre, ela teria dificuldades. A estas se somaram, de acordo com seu depoimento (que não pode ser considerado insuspeito), a má vontade e a lerdeza burocrática dos cartórios nos quais teria de registrar as assinaturas exigidas pela lei.

Os governistas tentaram interpor um obstáculo casuístico à sua pretensão na forma de um projeto de lei criado apenas para dificultar a criação de novas legendas partidárias. A oposição, normalmente desatenta e pouco propícia a enxergar qualquer coisa além dos muros de seus quintais, conseguiu, com o apoio do baixo clero silencioso e, ao contrário dela, atento aos próprios interesses, evitar a aprovação por urgência urgentíssima da providência que, em outras condições de temperatura e pressão, seria bem-vinda para evitar o caos partidário que enfraquece a democracia no Brasil. Mas nem isso lhe serviu de alerta para redobrar os esforços para obter o registro no TSE.

Em vez de fazer uma autocrítica sincera da própria negligência, Marina preferiu atacar os cartórios. Ora essa, cartórios são cartórios e não foram criados para simplificar o complexo, mas para complicar o simples. Não é à toa que cartorial é um termo que carrega um significado nefasto, que designa maçada, delonga, adiamento. Se, como denunciou, cartórios do ABC dos metalúrgicos do PT agiram de má-fé com ela, por que não os denunciou na Justiça nem mobilizou os militantes da Rede para atazanar a vida deles? Ora, ora, como dizia minha avó, desculpa de cego é feira ruim e saco furado.

Apesar disso tudo, convém advertir que são controversas, sim, as decisões do TSE a respeito das duas novas legendas partidárias que aumentaram de 30 para 32 o número dos par-I tidos políticos em atuação no Brasil. Ao aceitar como boas assinaturas de apoio contestadas pelo Ministério Público, algumas entre elas suspeitas de serem de mortos, a Justiça Eleitoral lavou as mãos como o cônsul romano Pôncio Pilatos. Por que decidir a questão para não perder o prazo de 5 de outubro para a criação do Partido Republicano da Obra Social (PROS) e do Solidariedade? Por que não dirimir tais suspeitas?

A presidente do TSE, Cármen Lúcia, ao anunciar a negação de registro ao Rede, lamentou. Por quê? Nada a lamentar. A política é um jogo que se joga com regras preestabelecidas e a própria perdedora deixou claro que logo terá um partido para chamar de seu. Em vez de lamentar o inexorável, o tribunal podia explicar por que aceitou assinaturas suspeitas. Que | hecatombe sofreria o País se o PROS e o Solidariedade não fossem autorizados a negociar seu apoio nas eleições de 2014? O benefício da dúvida a favor do acusado de fraudar assinaturas põe em dúvida o julgamento do tribunal.

O TSE orgulha-se muito da implantação da uma eletrônica, como se esta fosse a decretação automática do fim da fraude eleitoral no Brasil. O gato escaldado Leonel Brizola tinha dúvidas sobre isso desde que os bicheiros da Baixada Fluminense e os militares do regime tentaram tomar-lhe à força a primeira eleição direta para o governo do Estado do Rio, após ter voltado do exílio. Seria paranóia dele? Ao aceitar assinaturas suspeitas para criar dois partidos que para nada servem, a não ser para distribuir dinheiro público e tempo em televisão e rádio às vésperas de eleições pelos bolsos de seus fundadores, a Justiça Eleitoral restaura duas fontes de fraude do tempo dos coronéis: a eleição de bico de pena da República Velha e os eleitores-fantasmas que assombraram a democracia brasileira até o fim do século passado.

Sebastião Néri, em sua hilariante coletânea de casos folclóricos, narra a história do coronel Chico Braga, do Vale do Piancó, no sertão da Paraíba, pende a proximidade do Ceará e o controle dos atestados de óbito no cartório permitiam inflar o eleitorado. Balançando-se numa rede no alpendre de sua casa, o coronel ouviu o apelo para que fosse votar antes do fechamento das umas. "Co"os diachos, menina, já votei cinco vezes hoje e ainda querem que eu vote?", disse à moça que o embalava. Ele morreu, mortos não votam, mas será que podem ajudar a fundar partidos?

*Jornalista, poeta e escritor

Fonte: O Estado de S. Paulo

Disputa aberta - Merval Pereira

O que a presidente Dilma classifica de "vingança" a ex-senadora Marina Silva chama de "legítima defesa" Seja lá o que for, esse sentimento deve ter se aprofundado ontem, quando o Senado, dominado pelas forças governistas, aprovou rapidamente a legislação que tira dos novos partidos o direito a tempo de televisão e fundo partidário, projeto esse que Marina atribui diretamente ao Palácio do Planalto.

Quem acredita que a intenção não foi dar o troco à manobra política de Marina e Eduardo Campos pode fazer tudo, menos política.

; Mais uma vez, a Rede Sustentabilidade, o partido que Marina tenta criar; está bloqueada por um projeto da maioria congressual, o que caracteriza uma ação política truculenta própria de regimes autoritários como o "chavismo" identificado por Marina como a origem desse comportamento que faz o diabo" para manter o controle político do país.

Mais uma vez será preciso recorrer ao Supremo Tribunal Federal para evitar esse prejuízo aos novos partidos, entre eles, a Rede, abrigada provisoriamente no PSB para um trabalho de guerrilha política de combate à polarização entre PT e PSDB.

Essa mágoa, que não é apenas de Marina, mas também de Eduardo Campos, que acusa o governo de bater abaixo da linha da cintura para tirá-lo da corrida presidencial, pode levar a uma ação mais direta contra a presidente Dilma na campanha eleitoral, o que reforçaria a área da oposição. ^

Teremos que ver como Campos e Marina resolverão a questão das coligações regionais. O PSDB havia feito vários acordos com o PSB pelo pais todo, como mantê-los agora? Veremos até que ponto eles são oposição ao PT ou se quererão ficar em posição equidistante dos dois, para não ficarem marcados como meros antagonistas do PT. Eles têm muita preocupação com isso, pois vieram da base governista.

Desde 2010, Marina evita ser contra o PT, não usou na campanha nem mesmo as criticas que teria sobre a atuação da presidente Dilma na Casa Civil, que foi a razão de sua saída do governo depois de, durante quase todo ele, permanecer à frente do Ministério do Meio Ambiente.

O desabafo sobre o "chavismo" do PT, feito de madrugada na sexta-feira para um pequeno grupo de seguidores, não foi reafirmado na entrevista coletiva para que não ela fosse, como esta sendo, acusada de
radicalização à direita.

A diferença é que hoje os dois, especialmente Marina, estão magoados com o governo, a quem atribuem as manobras para tentar impedi-los de participar da corrida presidencial.

O nível de tensão desencadeado pela ação política de Marina e Campos pode reforçá-los, mas pode também trazer uma disputa interna que, mesmo não desejada por qualquer dos dois, pode ser incentivada por fatores externos que afetarão todos os demais competidores de modos variados.

Afinal, a disputa está aberta. O que parece ser hoje o grid de largada para a corrida presidencial de 2014 pode não ser o mesmo em julho, quando os partidos farão suas convenções.

Marina pode continuar aparecendo à frente de Eduardo

Campos nas pesquisas que vierem a ser feitas, a tal ponto que crie uma situação de constrangimento para o governador de Pernambuco, que, nessa hipótese, não teria outra escolha a não ser abrir mão da disputa em favor de sua nova correligionária.

O ex-govemador José Serra certamente ficou inquieto com a decisão de Marina, que abriu uma brecha na disputa presidencial que ele se considera capaz de preencher. Se tivesse tempo, teria mudado de partido para estar em condições de participar da disputa, mas não esperou o último dia para se definir.

Se o senador Aécio Neves não der mostras de que tem condições de reagir nas pesquisas, ocupando o lugar que o PSDB sempre teve entre as duas principais forças políticas do país, é possível que Serra tente reviver seu sonho de disputar a Presidência da República.

E, sobretudo, a presidente Dilma verá de volta Lula a seus calcanhares se a jogada de Eduardo Campos e Marina der certo. O movimento "Volta, Lula" ganhará corpo diante da nova configuração da campanha eleitoral, agora legitimado justamente pela mudança de cenário.

Fonte: O Globo

Desafinados - Fernando Rodrigues

Demorou pouquíssimo para surgirem as contradições na recém-anunciada aliança eleitoral entre Marina Silva e Eduardo Campos.

Indagada por Ranier Bragon e Matheus Leitão sobre quem dessa coalizão será o candidato a presidente, Marina fez inúmeras ressalvas. Depois, foi direta: "Nós dois somos possibilidades e sabemos disso".

Marina não disse nada de novo. Apenas vocalizou uma hipótese que habita a cabeça de todos os que acompanham política. Na última pesquisa do Datafolha, em agosto, ela tinha 28% das intenções de voto. Eduardo Campos pontuava 8%. Agora, ambos estão no mesmo partido, o PSB. Qual é a lógica para inverter a posição dos dois políticos --Marina sendo vice de Eduardo-- ao formar a chapa presidencial em 2014?

Esse dilema flutuará por muito tempo entre os integrantes do PSB e da Rede Sustentabilidade. É improvável ter a resposta definitiva antes de junho do ano que vem, data-limite para o registro de candidaturas.

Coerente com suas posições, Marina Silva disse ser contra qualquer tipo de aliança para obter mais tempo de TV. Quer evitar jogar "o futuro da nação nas mãos daqueles que não entendem a lógica de que o governar juntos' não pode ser feito com base no toma lá, dá cá'".

Ocorre que Eduardo Campos tem pré-alianças heterodoxas já firmadas. Por exemplo, com o deputado Ronaldo Caiado, um ruralista do Democratas de Goiás. Pragmático, o goiano se antecipou sobre a nova realidade: "Marina Silva não me causa nenhum desconforto".

Marina teve reação diversa. Disse enxergar coerência em Ronaldo Caiado, a quem quase indicou a porta da rua: "Ele mesmo vai pedir para sair, se é que não está pedindo".

Ou seja, a dupla Marina-Eduardo não sabe quem será candidato a presidente nem quem será aceito na aliança. Falta afinar o discurso para converter em apoios o fato político protagonizado no sábado passado.

Fonte: Folha de S. Paulo

Uvas verdes - Dora Kramer

Confira-se ao PT o desconto da surpresa. O partido, assim como todo o mundo político, ainda está aturdido com um movimento que estava fora do radar geral.

Natural, portanto, que as reações sejam desencontradas e em boa medida conflitantes entre si, quando não incongruentes. Enquanto rezavam no altar do governismo, Eduardo Campos e Marina Silva eram irrepreensíveis, mas no momento em que resolveram acumular forças para enfrentar o governo passaram a ser tidos como conservadores, incoerentes, retratos prontos e acabados do oportunismo eleitoral.

Uma lógica fundada no preceito do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.

De uma hora para outra os petistas começaram mesmo a externar preocupação com o destino do PSDB, lamentando os prejuízos que afiliação de Marina ao PSB levará à candidatura de Aécio Neves. Como se os tucanos não fossem seus adversários tão tradicionais quanto preferenciais.

De um modo geral, as análises construídas no PT ainda sob o calor do fato novo enxergam riscos e problemas na aliança entre a ex-senadora e o governador de Pernambuco.

Os petistas reagem penalizados com a gama de obstáculos que veem no horizonte dessa aliança e avaliam que houve um ganho inequívoco para a campanha da presidente Dilma Rousseff. Nesta versão, a maior - senão a única -beneficiária da união de dois ex-aliados contra sua reeleição.

Ora, se as coisas são tão complicadas assim, se há mais dificuldades que facilidades à frente de Marina e Campos, por que se preocupa tanto o PT? Deveria festejar. Mas, ao que tudo indica, o sentimento real que transparece nessas reações é o receio do desconhecido.

Nesses anos de grande poderio os petistas se acostumaram com a simplificação da disputa com os tucanos, contra os quais têm roteiro pronto, repetido a cada eleição, e se desacostumaram com o enfrentamento. A regra agora mudou: foram desafiados por gente oriunda de seu campo que passa a formar um polo de oposição cujo maior trunfo é não se contrapor às qualidades, mas ter nascido e crescido em terreno semeado pelos defeitos do PT.

Nó a desatar. Uma questão se apresenta para as próximas pesquisas de opinião: o nome de Marina Silva continuará a ser incluído na lista dos candidatos a Presidência? Provavelmente sim, porque os institutos de pesquisas não estão submetidos às condicionantes dos partidos.

Nesta hipótese será difícil, para não dizer impossível, medir o efeito eleitoral da união da ex-senadora com o governador de Pernambuco, cujo nome consta no rol de opções apresentadas aos pesquisados e, assim, em tese um adversário e não um aliado de Marina.

De onde a decisão para a formação da chapa, se mantida a disposição dela de ocupar o lugar de vice, não poderá ter como parâmetro só a i leitura numérica.

Calça curta. O senador Aécio Neves falava ao telefone em tom tranquilo, pesava e media palavras logo após a divulgação da aliança Campos-Marina que o alcançou em Nova York.

Até que não aguentou: "Eu chego aqui justamente no meio de um barulho desses!".

Além do limite. É uma armadilha da qual o poder público terá de encontrar um jeito de escapar: se a polícia reprime movimentos violentos, eles ganham adesão social e, em consequência, tornam-se mais ousados e violentos. Se não reprimem o vandalismo, os governos são omissos.

Talvez fosse o caso de figuras proeminentes do País e dos próprios manifestantes de causas legítimas levarem em conta uma evidência: o uso da força é prerrogativa do Estado e a observância da ordem um direito de todos.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Embaraçado no Planalto - Denise Rothenburg

O ingresso de Marina Silva no PSB deixou meio embaçado o movimento dos bastidores em torno da reforma ministerial em desenho no Palácio do Planalto. Embora ninguém diga de público que a presidente esteja trabalhando nisso, a avaliação está em curso e os partidos, obviamente, têm lá suas expectativas de poder.

O PTB, por exemplo, aguarda o prometido ministério. Há alguns meses, quando o ex-deputado Benito Gama, da Bahia, assumiu a presidência do partido, foi combinado com o governo que a vaga de primeiro escalão que ficasse desocupada seria entregue ao partido. Surgiu o Ministério da Integração Nacional e a presidente Dilma preferiu um técnico. Menos de 10 dias depois, foi a vez da Secretaria de Portos ficar disponível. Mais uma vez, a presidente escolheu um técnico da área.

Os petebistas observam esses movimentos com a suspeita de que a subida de Dilma nas pesquisas de intenções de voto deu a ela espaço suficiente para dispor do governo a seu bel prazer até que, ali na frente, em dezembro, chegue a hora de segurar aliados. Há ainda a desconfiança de que, mesmo se abrir algumas vagas aos partidos, isso ficará restrito à cabeça, deixando os cargos de segundo escalão nas mãos de técnicos.

O líder do PMDB, Eduardo Cunha, repete quase que diariamente que seu partido tem ministros, mas não tem ministérios. O PR, por exemplo, ressente-se do fato de Dilma ter nomeado César Borges ministro dos Transportes, numa estrutura que o partido não pode dispor. O PP, nas Cidades, também faz as mesmas reclamações. O PTB só não está incluído nesse rol porque não tem um ministério para chamar de seu.

Enquanto isso, no Congresso...
A expectativa de angariar espaços de poder, entretanto, mantém todos os partidos fechados com o Planalto. Nenhum deles hoje se mostra disposto a apoiar outras candidaturas a presidente da República porque, apesar de toda a movimentação dos últimos dias, nada leva à certeza de que Dilma perderá a eleição. Ao contrário. Hoje, quando se conversa com qualquer político, todos dizem que a disputa será difícil, mas a maioria considera que a presidente terá a vantagem. Há quem diga, inclusive, que ela nadará de braçada na hora do vamos ver.

Hoje, entretanto, esses apoios dependem mais da forma como a presidente e o PT tratarão seus aliados do que qualquer outro ingrediente. Se Dilma daqui para frente desdenhar os partidos ao ponto de tratá-los como subalternos, ela verá os aliados migrarem para outros projetos em qualquer hipótese. Se a presidente estiver em paz com as ruas e com o eleitor de um modo geral, essa migração será discretíssima. Se o eleitor, no entanto, demonstrar algum mau humor para com o Planalto, a debandada será à luz do dia.

A primeira nota dessa rebeldia já está em curso. Deputados e senadores estão irados com as tentativas do governo de retardar a aprovação do orçamento impositivo e, por conta disso, o PMDB, por exemplo, está em greve declarada na Comissão Mista de Orçamento. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que deveria ter sido votada em julho, está pendente até hoje. O Orçamento, então, nem se fala. E pensar que, nos Estados Unidos, nem funcionário recebe quando o Orçamento não sai. Se aqui fosse assim, todo o serviço público estaria fadado ao colapso em pleno ano eleitoral. Afinal, as expectativas de aprovação da lei orçamentária até dezembro são cada vez mais remotas. Mas essa é outra história.

Fonte: Correio Braziliense

Poesia contra a polarização - Cristian Klein

A política também tem poesia. Ou pelo menos um simulacro dela. Foi com uma referência ao escritor Rainer Maria Rilke (1875-1926) que o governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) comemorou a filiação da ex-sonhática e agora pragmática Marina Silva a seu partido. A ex-ministra, que não conseguiu criar a sua Rede Sustentabilidade a tempo de disputar a eleição no ano que vem, caiu na teia do pessebista. Mas a aliança foi vendida à opinião pública com ares de novidade, despojamento e criatividade.

"Esqueceram de ver poesia e o poeta dizendo que, onde não havia caminho, nós voamos", afirmou Eduardo Campos, numa declaração que mostrou seu apreço pelo marinês da recém-chegada ex-senadora.

O governador referia-se à polarização da política nacional entre PT e PSDB, que há 20 anos e cinco eleições põe os dois partidos em primeiro ou segundo lugar na corrida ao Palácio do Planalto.

Duas são as margens de manobra que sobram para avançar

Petistas e tucanos se escolheram como adversários e praticamente fecharam o padrão de competição à Presidência, numa estratégia eficiente. Todos que tentaram romper essa dinâmica se frustraram. O que não significa que o arranjo está longe de ser desarmado.

Mas, de fato, será preciso voar para ultrapassar a barreira. Ao longo do tempo, PT e PSDB criaram laços de lealdade com partidos, segmentos da sociedade, além de fundar seus alicerces nos dois maiores mercados eleitorais: São Paulo e Minas Gerais. Só estes dois Estados entre as 27 unidades da Federação representam um terço do eleitorado total. Até o PMDB, maior máquina partidária do país mas de força dispersa e regionalizada, tem papel secundário entre os paulistas e mineiros.

Há uma inércia muito grande nas redes de apoio estabelecidas. Duas são as margens de manobra que sobram para quem quiser avançar. A primeira é pelas franjas, pela conquista gradual de terreno - o que leva tempo. Vide o próprio PT, que apesar de deter, há dez anos, a joia da Coroa que é a Presidência da República, avança devagar em outros espaços de poder já ocupados como Senado, Câmara, governos estaduais e prefeituras.

Se o PT controla o governo federal, os tucanos estão muito bem assentados no nível regional. Com oito governadores, administram três do seis maiores Estados (São Paulo, Minas e Paraná) e mais de 50% do eleitorado nos Estados. O PSDB tem uma extensa máquina estadual que lhe permite sobreviver aos anos de jejum fora do poder central. Isso lhe dá resistência muito maior que as legendas satélites da oposição (DEM e PPS).

A malha de organização política se completa no plano municipal, onde há um predomínio das duas siglas, ao lado do PMDB. As três legendas governam 42,6% das prefeituras e 53% do bolo orçamentário dos municípios. Alterações na balança de poder dependem do sempre fiel da balança, o PMDB, aliado dos petistas, postado na Vice-Presidência da República. É principalmente o deslizamento desta placa tectônica pemedebista que pode abalar o eixo de rotação eleitoral.

Vistos assim, os caminhos estão bloqueados. O PSB de Eduardo Campos fez o que pôde nas urnas até agora para progredir no território. Teve crescimento excepcional comparado às demais legendas, e ainda não foi suficiente. Ganhou moral, prestígio, respeito dos pares - o que é importante - mas não alterou a correlação de força.

Nos últimos anos, foi o partido que mais inflou seu número de governos estaduais - dobrou de três para seis, em 2010 - e municipais. Suas prefeituras em 2000 representavam 4,7% do eleitorado no plano local e subiram para 11%, em 2012. O desempenho coincide com a chegada ao poder federal, em aliança agora rompida com o PT. No mesmo período, os petistas passaram de 18% para 20% do eleitorado nos municípios - o que mostra o grau de dificuldade de se realizar grandes conquistas, num sistema partidário altamente competitivo.

Por baixo, os caminhos estão mapeados, amarrados. Isso se reflete também na escassez de alternativas para Eduardo Campos em montar os chamados palanques estaduais. Na falta de candidatos a governador e de fortes chapas proporcionais de deputados, seu projeto presidencial fica sem as bases necessárias de apoio.

A única saída, então, é pelo alto. Não à toa Campos fala em poesia e do voo por onde outros não veem caminhos. Foi exatamente essa trajetória pelo ar que permitiu à Marina Silva, em 2010, com seu perfil etéreo de características únicas, alcançar 20% da votação à Presidência - mesmo sem grande estrutura partidária. Marina atraiu correntes de opinião que a transformaram num surpreendente furação, ao explorar em seu discurso o ambientalismo, os atalhos para identificação com o voto religioso e o desencanto dos eleitores à esquerda do PT.

Ao filiá-la ao PSB, alegadamente para ser a sua vice, Eduardo Campos busca aproveitar essa mesma solução pelo alto. Resta saber se Marina terá apelo como vice, assim como foi na cabeça de chapa, e se manterá o mesmo frescor de quatro anos antes. Campos e Marina não necessariamente fazem a rima da poesia.

A; canibalização vai acabar. O Senado aprovou ontem, finalmente, o projeto de lei que inibe a criação de novos partidos. Estava engavetado desde que a oposição passou a acusar o governo de casuísmo, numa suposta tentativa de prejudicar a formação do Rede Sustentabilidade e a candidatura de Marina Silva à Presidência. A ex-ministra não conseguiu, de todo modo, aprovar o registro da legenda no TSE. Mas o engavetamento permitiu o inchaço de duas siglas recém-fundadas, o Solidariedade e o Pros. Juntas, cooptaram até agora 43 (63%) dos 68 deputados federais que trocaram de partido, numa autofagia partidária. O projeto não impede a formação de novas legendas e apenas explicita o que já está na lei e contudo foi ignorado pelo STJ, ao analisar o caso do PSD, em 2012: o tempo de TV e o fundo partidário - os dois principais recursos políticos à disposição dos partidos - devem ser distribuídos de acordo com o desempenho na última eleição à Câmara.

Fonte: Valor Econômico

O ‘empate’ de Marina - Zuenir Ventura

Foi a grande, inédita novidade política em meio ao marasmo destes últimos tempos

Discípula de Chico Mendes, Marina Silva aprendeu com “o herói dos Povos da Floresta” uma tática de resistência pacífica empregada contra os desmatadores da Amazônia. Chamava-se “empate” e consistia em reunir mulheres e crianças para com elas formar uma barreira humana que era colocada entre os tratores, as motosserras e as árvores a serem abatidas, deixando o inimigo sem ação. Se não o vencia, pelo menos impedia o seu avanço. Em um desses confrontos, que se tornou lendário, cerca de cinquenta policiais armados tentavam garantir o desmatamento diante de cem seringueiros. De repente, estes começaram a cantar o Hino Nacional e os soldados se perfilaram em posição de sentido. Só restou ao comandante da operação suspender a derrubada.

Nessas histórias, que ouvi há mais de 20 anos no Acre, quando a conheci, aparecia sempre uma figura magra como um graveto que se destacava pela coragem e disposição, apesar de portadora de várias doenças da selva, inclusive uma contaminação por mercúrio. Lembrei-me disso ao ouvir esta semana relatos de quem acompanhou de perto a inesperada decisão de Marina de se filiar ao PSB, desarrumando o quadro político e desorientando o adversário, que, como se estivesse num “empate”, ainda está sem saber o que fazer. Foi assim que respondeu à discutível negação do registro de seu novo partido. Tida por alguns como indecisa e por outros como “caótica”, a Marina da madrugada de sexta-feira para sábado, quando se decidiu, foi outra muito diferente, na opinião dos que estavam com ela. Um deles, o deputado Miro Teixeira, que colaborou na criação da Rede, ficou impressionado com a “capacidade de liderança e a firmeza na decisão” da sua aliada. Segundo ele, foi ela quem teve a original ideia da aliança e quem tomou a iniciativa de propô-la ao governador Eduardo Campos.

Não se sabe o que vai ser desse casamento, tão comemorado, depois da lua de mel. De qualquer maneira, ele conseguiu abalar o esquema bipolar FHC x Lula e alterar um panorama que já era dado como definitivo. Foi a grande, inédita novidade política em meio ao marasmo destes últimos tempos.

Até quando será permitido que vândalos mascarados se infiltrem nas passeatas de protesto, promovendo quebra-quebra e saques de lojas? A Ordem dos Advogados do Brasil classificou os policiais como “jagunços” pelos excessos cometidos nas manifestações. Muito bem. Mas que classificação ela daria aos baderneiros que anteontem mais uma vez levaram o caos ao Centro da cidade depois da marcha pacífica dos professores?

Zuenir Ventura é jornalista

Painel - Vera Magalhães

Efeito colateral
Parlamentares pressionam o comando do PDT a desembarcar do governo e da coligação reeleitoral de Dilma Rousseff em 2014. O deputado Vieira da Cunha (RS) e o senador Pedro Taques (MT) integram o grupo que tenta convencer Carlos Lupi a discutir a saída do governo em reunião ampliada no fim do mês. O PDT tem o Ministério do Trabalho desde 2007, e manteve a pasta mesmo diante de denúncias de irregularidades. Uma ala do partido quer apoiar Eduardo Campos (PSB).

Pé do ouvido A expectativa no Planalto é que Lula, que estará em Brasília amanhã para o encerramento de conferência da OIT sobre trabalho infantil, se reúna com Dilma para discutir as mudanças no cenário eleitoral.

Ataque O ex-presidente e Rui Falcão estiveram ontem com dirigentes do PT de Pernambuco. A sigla foi liberada para entregar os cargos no governo Campos e antecipar a definição do palanque pró-Dilma. O nome mais provável para o governo é o do senador Armando Monteiro (PTB).

Retranca Amanhã será a vez de o PT discutir o caso do Rio. Aliados de Lindbergh Farias defendem deixar já o governo Sérgio Cabral (PMDB), mas a direção nacional prefere adiar essa decisão.

De volta O sociólogo Pedro Piccolo, que havia sido afastado da Rede depois de ser flagrado segurando uma barra de ferro na tentativa de invasão do prédio do Itamaraty, em junho, voltou à cúpula do grupo. Ele participou ontem de reunião com o PSB.

Saudade Campos e Marina se reunirão em São Paulo amanhã. Será o primeiro encontro depois da aliança.

Tribo O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) disse para Ronaldo Caiado (DEM-GO), em tom de brincadeira, após o deputado ruralista dizer que pode apoiar Campos mesmo com Marina na chapa, que estava pensando em entregar a Funai a ele.

Tabu 1 Em vídeo divulgado em portal do PSDB, Aécio faz uma defesa aberta das privatizações da gestão FHC. "O governo federal demonizou as parcerias com o setor privado. Hoje, quem quer voltar ao passado? Nem eles."

Tabu 2 Segundo o pré-candidato tucano, os petistas "demoraram dez anos para compreender que têm que trazer o setor privado para ajudar a investir". "O governo sozinho não dá conta."

Vou de... Antes relutante, Dilma topou ir hoje ao sindicato dos taxistas em Brasília para comemorar a sanção presidencial da permissão para que taxistas repassem a exploração da licença a parentes em caso de morte.

... táxi A presidente havia vetado o mesmo projeto duas vezes, mas o Planalto prometeu sancionar a matéria após o texto ter sido negociado. Ela aceitou ir ao evento após lobby de Gim Argello (PTB-DF), defensor da causa.

Mudou A Fundac, que opera a TV da Assembleia de São Paulo e havia sido desclassificada na nova licitação, obteve liminar e está em primeiro lugar na disputa. Sua proposta é de quase R$ 1 milhão por ano a menos que a da segunda colocada.

Reação A deputada estadual governista Vanessa Damo (PMDB-SP) acusa a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) de manobra "canalha" para barrar a CPI da Eletropaulo. Ela diz que o PSDB quer impedir investigações em contratos com a Siemens, pivô de denúncias no setor de trens.

Parto A criação de força-tarefa em São Paulo para apurar atos de vandalismo em protestos estava em gestação havia mais de um mês. O Ministério Público resistia, e o Judiciário não aderiu.

Tiroteio

"Teremos um debate morno na eleição, com um candidato passando a mão na cabeça do outro. Aécio não tem perfil de contestação."

DO SENADOR ALVARO DIAS (PSDB-PR), sobre as características dos candidatos à Presidência e a necessidade da oposição de confrontar o governo federal.

Contraponto

Médico linha dura

Em visita a um hospital na semana passada, o secretário de Saúde paulista David Uip foi abordado por uma paciente que se queixava de demora no atendimento. O chefe da pasta decidiu que ele mesmo atenderia a moça, que tinha febre e dor de cabeça.

Após examiná-la em um consultório, Uip constatou que o caso era simples e receitou a medicação indicada.

--Preciso de um atestado médico --disse a moça, que havia faltado ao trabalho para ir ao hospital.

--Você não precisa de repouso e nem de atestado. Pode voltar ao trabalho! --respondeu o secretário.

Fonte: Folha de S. Paulo

Panorama Político - Ilimar Franco

A linha da reforma ministerial
Os aliados do governo, como o PMDB, que querem premiar seus quadros na reforma ministerial de dezembro vão estrilar. Com o aval do antecessor Lula, a presidente Dilma quer montar um Ministério técnico para a reta final do mandato. De olho na eleição, dirigente do PT explica: "A ideia é colocar quem entregue o prometido. Não pode ser alguém que acabou de chegar, mas um técnico que já esteja lá e faça acontecer"

0 PTB também quer um ministério
O PMDB não está mais só. O PTB, que está fora do Ministério desde 2009, quando José Múcio deixou a pasta de Relações Institucionais, quer seu ministério. O tema foi tratado ontem, pelo presidente do partido e vice do BB, Benito Gama, e pelo líder na Câmara, Jovair Arantes. Os senadores do PMDB também cobram uma reunião com a presidente Dilma. O líder Eduardo Braga (PMDB) tem relatado as queixas com a demora na nomeação do senador Vital do Rego para a Integração e com os desacertos entre PT e PMDB nas eleições estaduais. Ontem, o líder no Senado, Eunício Oliveira, cobrou da ministra Ideli Salvatti apoio no Ceará e a nomeação de Vital.

PROS quer manter Portos
A despeito da posição do governador do Ceará, Cid Gomes (CE), os deputados filiados ao recém-criado PROS querem manter a Secretaria dos Portos. A pasta era dirigida por Leônidas Cristino. Mas Cid diz que não quer fazer o sucessor para não ser acusado de fisiologismo.

Lulinha paz e amor
Orientação baixada pelo ex-presidente Lula, anteontem, no Instituto Lula: "Não tratar Eduardo Campos e Marina Silva como inimigos." Presentes: o presidente do PT, Rui Falcão, o governador Tarso Genro e Franklin Martins. Eles avaliam que parcela dos eleitores de Marina, com sua desistência, migrará para a presidente Dilma.

Correndo atrás dos antigos aliados
O candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, ligou dos Estados Unidos para o presidente do PPS, Roberto Freire. Eles marcaram uma reunião com a presença de ex-comunistas, o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) e Alberto Goldman.


Ô loco meu
O PT quer que a presidente Dilma tenha dois palanques no Rio (Pezão e Lindbergh). Agora, o candidato do PT ao governo do Rio, Lindbergh Farias, anuncia que também quer dois palanques (Dilma e Eduardo Campos). Mas isso não é tudo. O candidato do PR, Anthony Garotinho, anuncia que terá três palanques: Aécio Neves (interior), Dilma (Baixada) e a vice Marina Silva (capital).

Uma no cravo e outra na ferradura
O discurso do candidato do PSB, Eduardo Campos, no programa de TV desta quinta-feira, vai fazer elogios aos avanços do país nos últimos 20 anos. Disposto a romper o Fla-Flu, vai exaltar os presidentes Fernando Henrique e Lula.

Acabou-se o que era doce
O deputado Valdemar Costa Neto deixou ontem a secretaria geral do PR. Ele se licenciou do cargo por tempo indeterminado por causa da condenação no processo do mensalão. Assume no seu lugar o senador Antônio Carlos (PR-SP).

O deputado Fernando Francischini (PR) foi escolhido ontem, por unanimidade, o primeiro líder da bancada do Solidariedade.

Fonte: O Globo

Brasília-DF -Luiz Carlos Azedo

A frente externa
Enquanto o governo brasileiro se queixa dos Estados Unidos em todos os foros internacionais, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), faz duros ataques à presidente Dilma Rousseff . Ontem, em Nova York (EUA), durante encontro com 600 investidores estrangeiros, acusou o Estado brasileiro de agir de forma “extremamente intervencionista” — principalmente em setores como energia e petróleo e afugentar os investimentos.

Aécio procurou valorizar o legado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à frente do Palácio do Planalto. “Os pilares fundamentais da macroeconomia construídos no governo do PSDB, partido que presido, foram colocados em risco por uma má condução da política econômica ao longo desses últimos anos”, criticou.

Na abertura da Conferência Latin American 2013, evento realizado pelo BTG Pactual, em Nova York, o tucano acusou o governo de maquiar os números da economia. Disse aos empresários que, ao contrário de Dilma, tem compromisso com a estabilidade da moeda e com o chamado tripé macroeconômico do Plano Real: meta de inflação, câmbio flutuante e superavit primário. Aécio acredita que a promessa de resgatar a agenda da estabilidade, do crescimento e da responsabilidade fiscal trará apoio internacional à candidatura ao Palácio do Planalto.

Aliança
Pego de surpresa pelo acordo entre Marina Silva e o governador Eduardo Campos, Aécio reiterou sua avaliação positiva acerca da filiação da ex-senadora pelo Acre ao PSB, para ser vice na chapa do pernambucano. “Dou as boas-vindas a Eduardo e Marina, agora no front oposicionista, e acho que a campanha deixará de ter aquele maniqueísmo que sempre atendeu muito os interesses do PT.” Ambos foram ministros do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Alinhados
O senador Rodrigo Rollemberg, do PSB-DF, resolveu alterar suas inserções na tevê, incluindo a imagem da filiação de Marina Silva ao PSB. O programa falará de ética e prega mudança na forma de fazer política na capital federal. As inserções do PSB começam a ir ao ar hoje.

Fato novo
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez duras críticas à Justiça Eleitoral ontem no Senado, por negar o registro partidário ao Rede Sustentabilidade. Para o parlamentar gaúcho, a aliança política firmada com vistas às eleições de 2014 entre a ex-ministra Marina Silva e o governador de Pernambuco Eduardo Campos, “é um fato novo e definitivo na política brasileira”.
 
Saúde + 10
As Comissões de Legislação Participativa, Seguridade Social e Família e Especial realizam hoje uma sessão conjunta na Câmara com o movimento “Saúde +10”. Participarão do encontro representantes do Conselho Nacional de Saúde (CNS), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A iniciativa é do presidente da Frente Parlamentar da Saúde, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS). Responsáveis pela apresentação do projeto de lei de iniciativa popular, assinado por 2,2 milhões de brasileiros, as entidades exigem a aplicação de 10% das receitas correntes brutas da União na saúde pública.

Emergentes
O FMI corrigiu a previsão para o crescimento dos países emergentes em 2014. A média dos emergentes será de 5,1%. A China cresce 7,3%; Índia, 5,1%; Rússia e México, 3%; África do Sul, 2,9%; Brasil, 2,5%.

Desmilitarização
O senador Humberto Costa (foto), do PT-PE, é o relator da Proposta de Emenda à Constituição 51/2013, do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que desmilitariza a PM. Redigida com o apoio do sociólogo Luiz Eduardo Soares, a PEC também propõe polícias organizadas por territórios ou tipos criminais e controle externo com ampla participação social.

Largou o osso
O deputado Valdemar Costa Neto, um dos condenados no processo do mensalão, deixou a secretaria-geral do PR ontem, durante reunião da Executiva da legenda. Assumirá a cadeira o senador Antonio Carlos Rodrigues (SP), suplente de Marta Suplicy, e seu aliado.

Liberado
O presidente nacional do PV, José Luiz Penna (SP), disse ontem que não tentará ação na Justiça para reaver o mandato do deputado Alfredo Sirkis (RJ), que deixou a sigla para se filiar ao PSB, seguindo os passos de Marina Silva.

Samutur
O senador Cyro Miranda (PSDB-GO) cobrou explicações da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, sobre o uso de um helicóptero do Samu para participar de eventos políticos em cidades de Santa Catarina, base eleitoral da ministra. O senador lembrou que, no ano passado, Ideli também foi questionada pelo uso de aviões da FAB. “ O governo manda, faz e desfaz e não dá satisfação. A população é que se lixe”, disse Cyro.

Depoimento
O assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, não será convocado pela comissão encarregada da sindicância contra o diplomata Eduardo Saboia. Ele é responsável pela indicação do embaixador Marcel Biato, seu ex-assessor no Planalto, para a Bolívia.

Fonte: Correio Braziliense

Política – Claudio Humberto

• Dilma ‘pisca’ e o PMDB já aposta no ‘volta, Lula’
O PMDB do vice Michel Temer já aposta que o ex-presidente Lula entrará na disputa pelo Planalto, caso a aliança entre Marina Silva e Eduardo Campos (PSB) ameace a reeleição da presidenta Dilma, como temem os petistas. Apesar da aparente calma, o PMDB sabe que ela “piscou”, insegura com a surpreendente aliança. A cúpula do PMDB resolveu esperar as próximas pesquisas, antes firmar posição.

• Dissidentes
Contrariando a orientação do PMDB nacional, os senadores Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE) apoiam Eduardo Campos.

• Faca no pescoço
A bancada do PMDB ganhou carta na manga para pressionar o PT a ceder em alianças estaduais. O palanque do PSB virou ameaça.

• Cargos acalmam
Com a mudança de cenário, também aumentou a pressão do PMDB pelo comando da Integração e para faturar outros cargos no governo.

• Poço de mágoas
Em pé de guerra com Marina, a quem não atura, o presidente do PV, José Penna, poderá deixar Eduardo para apoiar Aécio Neves em 2014.

• Trem da alegria na Câmara beneficia PT e PMDB
O PT de Dilma e o PMDB de Michel Temer têm as maiores bancadas da Câmara dos Deputados e para acomodar seus apadrinhados políticos, parlamentares aumentam o número de Cargos de Natureza Especial a cada legislatura com “Resoluções” e “Atos da Mesa”. A mais recente permitiu o apadrinhamento de nada menos que 180 “cumpanhêros” sem concurso, mas com salários que chegam a ultrapassar os R$ 14 mil.

• Imparável
A cada ano, a farra de servidores comissionados torra R$ 17,5 milhões. A cada legislatura, o cabide de empregos custa mais de R$ 70 milhões.

• Não é comigo
O líder do PT, José Guimarães (CE), disse que cuida apenas da “parte política” da liderança. Diz não saber quantos comissionados nomeou.

• Prato fino
A prefeitura de São Paulo pagou R$ 2,4 milhões por 930 toneladas de arroz orgânico de cooperativa do MST para as escolas municipais.

• Bolo murcho
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) anda pessimista com o projeto presidencial do correligionário Aécio Neves. Ele disse ontem à rádio JC News, do Recife, que a candidatura do mineiro “não tem fermento”.

• Toma lá, Dilma
Recém-criado e já com 15 deputados, o Pros reuniu sua bancada pela primeira vez, ontem, e todos não escondiam o que os move: apoiar Dilma em troca de cargos. De preferência, um ministério inteirinho.

• Escafedeu
O presidente nacional da OAB, Marcos Vinícius Coelho, sumiu, ontem, da reunião do Conselho Nacional de Justiça, quando o presidente Joaquim Barbosa proibiu sustentação oral em um recurso. Advogados procuravam a intervenção da OAB, mas ele se escafedeu.

• Os ‘prossimos’
O deputado Miro Teixeira (PROS-RJ) disse ontem que depois da “era dos ismos (marxismo, comunismo etc)”, é a era dos neologismos: os integrantes do novo partido deveriam ser chamados de “prossimos”.

• Saúde é o que interessa
Amanhã, na Super Quarta-Feira da Saúde no Congresso, a Frente Parlamentar da Saúde trabalha dentro da base governista para mostrar os avanços em curto prazo, no País, mantendo o programa Saúde Mais Dez, que destina 10% do orçamento para o setor.

• Prioridade
O governador Wilson Martins (PSB) cogita abrir mão de disputar o Senado em 2014 para permanecer no governo piauiense, onde pretende priorizar a candidatura de Eduardo Campos à Presidência.

• Almoço digital
A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) almoçou ontem com o ministro Paulo Bernardo (Comunicações), cuja simpatia diminuiu à medida que aumentou seu poder. Ele deu especial atenção ao celular (com certeza, um dos poucos que funcionam no País), digitando-o freneticamente.

• Herdeiro natural
O PV não se conforma com a desistência de Fernando Gabeira de disputar a Presidência. O partido acredita que ele herdaria votos de Marina Silva, que poderá ficar à sombra de Eduardo Campos em 2014.

• Pensando bem…
…Força Nacional de Segurança contra os amestrados Black Blocs só quando o Rio pegar fogo.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Pixinguinha - Recordando (choro - 1934)

Vou-me embora pra Pasárgada – Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha falsa e demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as hitórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Paságarda tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que quero
na cama que escolherei
Vou-me embora para Pasárgada.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

OPINIÃO DI DIA – Aloysio Nunes: final de semana.

"A semana que passou terminou bem para a oposição e mal para o governo. O (José) Serra ficou no PSDB e a Marina fortaleceu o PSB, o que no meu entender leva a uma eleição com muita chance de vitória das forças que querem uma mudança".

Aloysio Nunes, senador (PSDB-SP). In “PSDB e PT discutem sobre quem perdeu mais”, O Estado de S. Paulo, 7/10/2013

Dilma mostra preocupação com aliança

Tânia Monteiro

BRASÍLIA - A presidente Dilma Roussef mostrou preocupação com a decisão de Marina Silva de se unir a Eduardo Campos durante reuniões com líderes da base aliada do Congresso realizada ontem no Palácio do Planalto. "Marina não é qualquer pessoa", disse nos encontros com deputados e senadores. De acordo com relato de dois deputados presentes na primeira reunião, após ouvir a avaliação da maioria dos líderes de que a ida. de Marina para o PSB enfraqueceria o peso eleitoral da ex-ministra em relação aos 20 milhões de votos obtidos na eleição passada, Dilma fez questão de ressalvar que "não se pode desconsiderar a importância de Marina", para emendar: "Marina não é qualquer pessoa",

O discurso dos aliados, porém, está afinado nas críticas à situação dos tucanos e de seu candidato à Presidência, senador Aécio Neves, que segundo eles foram os que mais perderam com a parceria entre Marina e Campos, Na avaliação do líder do PT na Câmara, José Guimarães, por exemplo, quanto menos candidaturas houver no ano que vem, maiores as chances de a presidente faturar é o momento de "bater boca" com o governador de Pernambuco, porque "houve esta separação e serei o primeiro a defender, em 2014, que o Eduardo volte para o palanque da Dilma".

Na conversa com os líderes governistas, a presidente foi muito cuidadosa ao tratar do tema Marina e preferiu aproveitar o assunto para questionar a forma como ocorre hoje a criação dos partidos políticos, querendo informações de como são feitas as certificações e a aferição de assinaturas.

Repetição. O líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes, lembrou que dois partidos foram criados agora e que há outros 25 na fila esperando sua vez. O líder do PDT, deputado Marcos Rogério, criticou o que chamou de "precariedade do processo de certificação dos partidos". "Marina não é uma pessoa qualquer", disse Eduardo Braga negou, no entanto, que estivesse reproduzindo uma fala da presidente da República.

"Costelas" do projeto petista

Em fevereiro deste ano, o senador Aécio Neves (PSDB: MG) classificou as possíveis candidaturas de Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva como "costelas de um projeto inicial do governo do PT". "São forças que se distancia; ram do governo", disse em entrevista ao Estado. Aécio elogiou as eventuais candidaturas, mas procurou se diferenciar: "Nós (PSDB) não estamos no divã. Somos claramente oposição ao governo do PT." No sábado, o mineiro disse que o9 ingresso de Marina no PSB "fortalece o campo político das oposições".

Fonte: O Estado de S. Paulo

Ex-ministro de Dilma vai chefiar programa de Campos

Formada por dois ex-ministros de Lula, a chapa que poderá ter Eduardo Campos e Marina Silva na corrida à Presidência pelo PSB em 2014 terá como coordenador de programa o ex-ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional), que deixou há uma semana o governo Dilma Rousseff. Caberá a ele organizar o programa que sairá dos debates entre o PSB e sua proposta de uma nova economia e política social para o País e os “sonháticos” da Rede Sustentabilidade - partido que foi rejeitado pelo TSE. O PSB já abriu vagas na sua Executiva para integrantes da Rede. Governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos usou conceitos caros aos seguidores de Marina Silva para defender a aliança. Ele disse que seu partido e a Rede estão em acordo no que é “fundamental”. Pego de surpresa pela aliança, o PSDB já revê a possibilidade de ceder palanques para a chapa do PSB em São Paulo e Minas Gerais, aliado nos dois Estados

Ex-ministro de Dilma vai coordenar programa dos ex-ministros de Lula

João Domingos, Eduardo Bresciani

BRASÍLIA - Formada por dois ex-ministros de Lula, a chapa que poderá ter a dupla Eduardo Campos e Marina Silva na disputa à Presidência em 2014 terá como coordenador do programa de governo o ex-ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), que deixou há uma semana o governo Dilma Rousseíf.

Caberá a Bezerra organizar um programa que sintetize as propostas de uma nova economia e uma nova política social, defendida pelo PSB, e princípios dos "sonháticos" da Rede Sustentabilidade, o partido de Marina que foi rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na semana passada. A vinculação de Campos e Marina com os governos petistas de Lula e Dilma no passado é vista hoje, no meio político, como a força da aliança, que poderá ser vista como alternativa ao PT.

Campos tomou posse em 2003 como ministro de Ciência e Tecnologia de Lula. Marina foi ministra do Meio Ambiente de Lula de 2003 a 2008 e se afastou do projeto quando deixou o PT em agosto de 2009. Durante sua gestão, trombou várias vezes com a então ministra de Minas e Energia Dilma Rousseff, por divergências em relação a políticas ambientais.

O programa de governo a ser apresentado, embora coordenado por Bezerra, terá por parte do PSB o vice-presidente da sigla, Roberto Amaral e, pela Rede, loão Paulo Capobianco, o principal conselheiro de Marina desde os tempos do Ministério do Meio Ambiente.

A construção de um programa de governo conjunto será um desafio para a aliança. Partido com sessenta anos e ideário de esquerda, o PSB vinha fazendo uma curva identificada como à direita com apoios da família Bornhausen e do líder ruralista e deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).Como novo parceiro, será preciso buscar uma divisão de tarefas e um alinhamento das propostas que não afaste outros partidos, mas respeite as bandeiras de Marina, sobretudo na área ambiental.

Ajustes - O PSB já abriu duas vagas na Executiva Nacional para que integrantes da Rede possam participar de decisões partidárias. Pedro Ivo, coordenador de organização do grupo de Marina, já foi indicado para uma vaga no comando da legenda e outro dirigente da Rede deve ser oficializado na Executiva ainda nesta semana.

Para que a participação no comando seja definitiva, e receba mais aliados de Marina, o PSB deve antecipar para o início do ano o congresso do partido marcado para dezembro de 2014.

Agora unidos, PSB e Rede vão fazer a partilha de funções fundamentais para a construção da candidatura, a exemplo da tesouraria, que deverá ficar com a ala de Eduardo Campos. O contato com as redes sociais será destinado ao grupo de Marina Silva, experiente no assunto.

Na TV- A aliança provocou ainda mudança no programa eleitoral do PSB, que vai ao ar na quinta-feira. Imagens da cerimônia de filiação de Marina Silva ao partido de Eduardo Campos e discursos dos dois serão exibidas na propaganda eleitoral, que terá dez minutos. A princípio, só apareceria Eduardo Campos, como as inserções já mostradas anteriormente na televisão. Agora, com a chegada de Marina Silva, o programa será mudado em cima da hora para mostrar a nova aliada de Eduardo Campos. Por força da legislação eleitoral, Marina terá de aparecer como integrante do PSB, pois só filiados podem participar da propaganda eleitoral.

O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou ontem, em entrevistas no Estado, que, apesar de surpreendente, a união de Marina com Campos não é ameaça. "Quem tem o que mostrar não tem que ficar preocupado nem nervoso", afirmou.

Para lembrar

Apesar do bom relacionamento com a presidente Dilma Rousseff Fernando Bezerra Coelho deixou na semana passada a pasta da Integração Nacional após várias polêmicas. Bezerra alçou voos maiores na política nacional graças ao apadrinhamento do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

Apesar das especulações sobre sua filiação ao PT, o ex-ministro manteve a lealdade a Campos e permaneceu no PSB. À frente da pasta enfrentou situações delicadas e foi obrigado a responder sobre o direcionamento de 90% das verbas antienchente para Pernambuco.

Fonte: O Estado de S. Paulo

'Não fiquei frustrado', diz Freire sobre dupla rejeição

Presidente do PPS, que ofereceu legenda para Serra e para Marina, diz que 'polo' criado por Campos causa 'medo' em Lula e nos petistas

Pedro Venceslau

Depois de escancarar as portas do partido para José Serra e Marina Silva disputarem a Presidência em 2014 e ser rejeitado duas vezes em menos de uma semana, o deputado federal Roberto Freire, presidente nacional do PPS, defende agora que o governador Eduardo Campos lidere a chapa e tenha como candidata a vice a ex-ministra do Meio Ambiente.

Apesar de não descartar uma aliança com o senador tucano Aécio Neves , o dirigente sinaliza que seu partido está mais próximo do governador pernambucano. "O apoio ao Eduardo Campos sempre esteve presente e continua como hipótese de escolha do PPS. Houve um fortalecimento da candidatura dele, que se transforma em um efetivo polo alternativo aos governos Lula-Dilma", disse Freire ao Estado. Ele argumenta, ainda, que as atuais pesquisas de opinião não devem servir como parâmetro para definir o presidenciável do PSB.

"O Eduardo deve estar na cabeça da chapa. Ele representa um projeto mais de acordo com o que pensa o PPS. Se essa decisão fosse tomada pelas pesquisas de opinião, teríamos que apoiar a Dilma", afirma.

Para Freire, o "polo" Campos é o maior "medo" que o ex-presidente Luiz Inácio da Silva tem em relação à disputa do ano que vem. Mas faz uma ponderação aos que apostam que o governador poderá herdar votos lulistas. "Campos não será uma continuidade dos governos do PT", afirma o deputado. O presidente do PPS nega que tenha ficado frustrado com a opção feita por Marina Silva. "A Rede não estava nas nossas preferências. Oferecemos a legenda para que ela não ficasse sem alternativa. Não fiquei frustrado".

O presidente do PPS relata que ficou sabendo da decisão da ex-ministra no sábado pela manhã. "Ela anunciou a decisão. Dissemos que achávamos que não era a melhor opção, agradecemos e fomos embora."

Coabitação. Roberto Freire não vê como um problema a decisão de Marina Silva de tratar a Rede de Sustentabilidade como um partido clandestino dentro de outro. "Dá para coabitar. O velho PCB (que deu origem ao PPS) conviveu dentro no MDB", afirmou Freire.

Os quinze membros da executiva nacional do PPS se reúnem hoje em Brasília para fazer um balanço do troca-troca partidário e reabrir formalmente o debate sobre quem receberá o apoio da legenda na eleição presidencial de 2014.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Aécio e Campos em busca de apoio no RS

Disputa por aliados no RS

Apoio de ex-senadora a Eduardo Campos, pré-candidato a presidente, mexe na briga por alianças com concorrentes ao Piratini

Juliana Bublitz

Com as principais candidaturas à Presidência praticamente definidas, começa a se esboçar uma disputa acirrada por palanques – e votos – nos Estados. No Rio Grande do Sul, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador Eduardo Campos (PSB-PE) brigam por aliados, e o foco do assédio tem nome: Ana Amélia Lemos (PP). Já a presidente Dilma Rousseff tem o apoio do governador Tarso Genro, que também concorrerá à reeleição pelo PT.

A um ano do pleito, a corrida ganhou novos contornos com a reviravolta provocada por Marina Silva no último sábado. Ao se filiar ao PSB e aceitar a possibilidade de ser vice de Campos, a ex-senadora acelerou a disputa por alianças regionais.

No RS, Ana Amélia está no centro das atenções por aparecer nas pesquisas como a maior aposta da oposição a Tarso. Mesmo que a candidatura ainda não esteja confirmada, o PP vem sendo sondado por siglas como PSB, PSDB, PMDB e até PDT, que segue nos governos Tarso e Dilma, mas está dividido.

– Nossa única certeza é de que não apoiaremos Dilma, nem que o PP nacional nos obrigue. Em relação aos outros partidos, não vamos decidir nada antes de abril – diz o presidente estadual do PP, Celso Bernardi.

Duas possibilidades se sobressaem à sigla: ter como vice o PSB ou o PSDB e, assim, assegurar palanque para Campos ou Aécio. O governador de Pernambuco teria saído em vantagem na briga, mas nem todos acreditam que o jogo está ganho.

– A chegada da Marina vai colocar o PP mais perto do Aécio. As posições dela na área rural são muito diferentes das que defende a Ana Amélia. Isso vai pesar na decisão – diz o presidente estadual do PSDB, Adilson Troca.

As executivas estaduais de PMDB e PDT seguem trabalhando para ter candidaturas próprias, mas continuam abertas ao diálogo. Romildo Bolzan Jr., presidente do PDT, admite que a legenda pode acabar se dividindo entre Dilma e Campos. Edson Brum, presidente do PMDB, não descarta um eventual apoio à presidente:

– Se Dilma quiser, terá de garantir que virá para o nosso palanque. Pode até ir para o do Tarso também, mas não abrimos mão. Sem isso, não existe a menor chance. Outra possibilidade é apoiarmos o PSB. Ainda é cedo para decidir.

Fonte: Zero Hora (RS)

No Rio, candidatos cobiçam aliança já no 1º turno

Depois de virar "hospedeiro" da Rede Sustentabilidade, o PSB trabalha para ter no Rio um palanque para a chapa Eduardo Campos-Marina Silva. Ainda sem opções próprias viáveis, os socialistas começam a receber acenos de pré-candidatos ao governo estadual, Lindbergh Farias (PT) sonha com um acordo ainda no primeiro turno. Anthony Garotinho (PR) fala em apoiar três candidatos a presidente - um deles, a própria Marina, se houver a inversão de posições na chapa.

O PSB prefere uma candidatura a governador que não divida apoios a candidatos a presidente e pode optar pela aliança com o deputado Miro Teixeira (RJ), que se filiou ao PROS depois que a Justiça Eleitoral rejeitou o registro à Rede.

Na eleição presidencial de 2010, Marina foi a segunda colocada no primeiro turno de votação no Estado, com 31,52%, à frente de José Serra (PSDB), com 22,53%. A presidente Dilma Rousseff chegou a 43,78%. O perfil da ex-ministra - com discurso ambientalista, do agrado da zona sul, e referências religiosas, populares em áreas pobres, com forte presença evangélica ~ é visto como trunfo eleitoral

"Quero abrir um espaço de diálogo com o PSB do Rio. Se possível, para estarmos juntos no primeiro turno. Senão, pelo menos no segundo", disse Lindbergh.

Garotinho avalia que o quadro está indefinido, Ele alega estar sendo "excluído" do palanque do governo federal no Rio e que, se isso prosseguir, poderá apoiar Aécio Neves (PSDB) no interior, Dilma na Baixada Fluminense e Marina na capital "Meu voto no Interior é mais conservador. Na Baixada, mais popular, Na zona oeste da capital muito evangélico", disse. O slogan seria algo na linha "Presidente cada um tem o seu, mas governador é Garotlnho".

Fonte: O Estado de S. Paulo

Com Marina, PSB ganha possibilidade de apoiar Miro

Deputado, que pretende concorrer ao governo, trabalhou pela Rede

Juliana Castro

A ida da ex-senadora Marina Silva para o PSB ajuda o governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência, Eduardo Campos, a trabalhar pelo palanque que não tinha no Rio. Com o atual cenário, a aposta mais forte é que o PSB faça uma aliança com o recém-criado PROS, que deve lançar o deputado federal Miro Teixeira ao governo do estado.

Miro estava no PDT, mas foi um dos que trabalhou para que a Rede Sustentabilidade, partido de Marina, obtivesse o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a rejeição da Corte, caiu nos braços do PROS. Dentro do PSB do Rio, a avaliação é que o diálogo com quem estava construindo a Rede tem de ser estreitado, o que inclui Miro.

— Essa é uma possibilidade que se adensou muito a partir do último movimento nacional — afirmou o deputado Glauber Braga, vice-presidente da comissão provisória que assumiu o PSB do Rio, sobre o apoio a Miro na disputa.

A força de Marina no Rio é uma das apostas para alavancar a candidatura de Campos. No estado, a ex-senadora foi a segunda mais votada na última eleição presidencial: obteve 2,6 milhões de votos.

— O Miro é alternativa por ser uma pessoa que tem relação com a Marina, e o Eduardo Campos gosta do Miro. Mas isso é algo que tem que ser construído, conversado e feito de maneira natural — disse o prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo, que integra a comissão provisória.

Por outro lado, Miro ainda não sentou na mesa de negociações com o PSB:

— Quem é que não deseja o apoio da Marina? Eu desejo, mas não conversei.

O presidente do PROS no Rio, deputado Hugo Leal, disse que Miro tem respaldo da sigla para construir sua própria candidatura e conversar com os partidos.

Fonte: O Globo