Folha de S. Paulo
Governo precisa denunciar crime em vacinas,
educação, estatais, estradas e muito mais
O massacre
dos yanomami é o exemplo mais horroroso da herança maldita de Jair
Bolsonaro. Foi exposto por jornalistas da plataforma Sumaúma, baseada em
Altamira, Pará, zona de guerra social e ambiental, de pistolagem contra líderes
de movimentos populares e de destruição da vida em geral. O governo de Luiz
Inácio Lula da Silva pegou o bastão da denúncia e toma providências para conter
o genocídio e a razia de matas, terras e águas.
Governo não é polícia nem promotoria, mas
tem a obrigação legal de documentar e denunciar os responsáveis pelos crimes
ao sistema de
Justiça. Se fizer uma varredura elementar, vai encontrar facilmente outros
ataques contra indígenas.
No entanto, os ataques contra a vida, a negligência criminosa e a violência ignara contra a competência e a decência humana básicas foram muito além nos anos de trevas. Daqui a algum tempo, há o risco de que o governo Lula, como qualquer outro, entre na rotina e seja absorvido por dificuldades e crises ou conveniências políticas. Assim, a denúncia bem documentada dos anos de trevas pode se tornar apenas um slogan esquecido, "sem anistia".
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