(A sociedade da minoria de espertos e da
maioria de cegos)
Antecedentes
Nesse conciso ensaio, submete-se um conjunto
de sintéticas proposições sobre aspectos do funcionamento da política
brasileira e suas relações e impactos sobre a ação governamental e, em
decorrência, sobre a vida social dos brasileiros. Devido a um imperativo
lógico, como se perceberá adiante, o comentário dirige uma ênfase especial ao
Partido dos Trabalhadores e ao chamado “campo petista”, procurando refletir
sobre as razões que explicam, tanto a “resiliência” do Partido como os seus
espaços públicos de dominação. É uma agremiação que se mantém sólida por mais
de quarenta anos, atuando com eficácia e consequência, seja no tocante ao
número de filiados ou em relação à sua influente presença na vida política.
Enquanto isso, se examinado o tempo mais longo, à sua volta nascem e
desaparecem os demais partidos e, quando permanecem, são no geral relativamente
inócuos em suas atividades e somente demonstram apelo eleitoral em função de
fatos episódicos ou meramente conjunturais (como exemplo, o atual PL). Por que
existiriam essas diferenças de funcionamento entre os partidos?
A análise oferecida nesse exercício de livre
pensar reflete a observação, ao longo de considerável período de tempo, dos
eventos marcantes na trajetória daquele Partido (supostamente) de esquerda, mas
também considera as facetas salientes de nossa história social e os reiterados
descaminhos que caracterizam os esforços da sociedade. São descaminhos porque,
incluindo o campo petista, sequer sabemos (e nunca soubemos) para onde
desejamos conduzir o grande barco nacional. Ou seja, acentua-se aqui o
(convicto) pressuposto sobre o qual está ancorado esse comentário – nunca
tivemos, com alguma explicitação pública razoável, uma ideia de “projeto
nacional”, ou destino estratégico, que a maioria desejasse alcançar em algum
radioso dia futuro. Qual seria, de fato, o porto que desejamos algum dia
ancorar? Que tipo de sociedade realmente ambicionamos? Ninguém sabe responder
essa pergunta sob algum enfático convencimento, e que fosse solução aceita por
amplos segmentos de seus concidadãos. E não existe nenhuma razão para imaginar
que esse conhecimento esteja sendo fermentado em alguma usina de ideias,
instituto de pesquisa ou nas brilhantes mentes dos melhores analistas da vida
brasileira.