O Estado de S. Paulo
Oliveira Vianna dizia que ‘temos coragem para
tudo, menos para negar o pedido de um amigo’
De modo algum seu estilo de enriquecer,
enriquecendo seus parceiros irmãos, seguiu o mapa traçado em 1923-24 por Mauss no seu ignorado Ensaio Sobre a Dádiva. Ou, mais precisamente, na
sua genial sociologia do presentear, do dar para receber – o que nós chamamos
de “lembrancinhas”, porque foi com afeto que, quando vimos aquele objeto, a
lembrança de sua pessoa motivou a compra dele para você.
No presente, a moldura não é dada por
utilidade ou necessidade, mas pela relação, pois foi a lembrança que o motivou.
Então, diz Mauss, a dádiva vai muito além de si mesma: ela é um fato social
total, já que todo presente contém aspectos morais. Um protocolo que transcende
o objeto doado, fazendo com que o presentear acione a obrigação de retribuir.
Presentes não são trocas; são dádivas que, como oferendas, transcendem a
exploração de classe ou a luta hobbesiana de todos contra todos.