quarta-feira, 23 de junho de 2010

Reflexão do dia – Raul Jungmann


" Anotem o que digo: se a oposição não tiver sucesso, vai ocorrer um sufocamento do espaço das oposições, quando não da própria imprensa. Isso é uma real possibilidade. Não se enganem, pois no PT existem alas antidemocráticas e anti-institucionais. Se isso (vitória do PT) ocorrer, podem ocorrer mudanças efetivas na democracia. "


(Raul Jungmann, ontem, em entrevista na Rádio Folha de Pernambuco)

Fogueira das vaidades:: Merval Pereira

DEU EM O GLOBO

O portal do Ministério do Planejamento que foi retirado do ar um dia após o seu lançamento, na semana passada, porque ministros reclamaram das críticas sobre suas respectivas áreas, não é, como o ministro Paulo Bernardo tentou classificar, apenas um portal “de debates”, com opiniões de técnicos que não podem ser atribuídas ao pensamento oficial do governo ou do próprio Ministério do Planejamento.

Vários ministros foram consultados sobre seu conteúdo, e ele foi revisado por membros do primeiro escalão do Ministério do Planejamento.

A divulgação de parte de seu conteúdo crítico pelo jornal “Valor Econômico” desencadeou uma crise interna no governo.

O portal fazia diversas críticas a políticas do governo, desde a reforma agrária, que, segundo a avaliação, não alterou a estrutura fundiária do país nem assegurou a assistência aos assentados, sendo que agricultores de menor renda estariam dependentes do Bolsa Família, até o biodiesel, cuja política de produção não seria economicamente sustentável.

O portal fez também uma avaliação da educação, que teria tido poucos avanços no que se refere a acesso à escola e qualidade do ensino, que continua baixa, entre outros pontos negativos.

Até mesmo os planos do Ministério da Defesa, como a indústria bélica, são considerados inviáveis, embora importantes, por falta de planejamento e recursos.

Eu mesmo, em um comentário para a CBN com o Carlos Alberto Sardenberg, aventei a possibilidade de o portal ser obra de “um burocrata bem intencionado que havia esquecido de conversar com os políticos” do ministério.

Foi quase assim, mas há detalhes que tornam o episódio mais interessante politicamente.

Acontece que o trabalho de criação do Portal do Planejamento foi coordenado pelo secretário de Planejamento e Investimentos Estratégicos (SPI), Afonso Oliveira de Almeida, que não é apenas um simples burocrata, mas um dos mais destacados homens de confiança de Dilma Rousseff, colocado no Ministério do Planejamento para acompanhar as obras do PAC.

Segundo informações de dentro do ministério, ainda que o dirigente seja um funcionário de carreira, é um antigo militante petista que já foi dirigente do partido no Distrito Federal, e ocupou uma diretoria no Banco BRB, o banco regional.

Como representante destacado do que se acusa ser um aparelhamento da máquina do Estado pelo esquema petista, ele costuma defender veementemente a tese de que “o Governo não deve prescindir de uma burocracia partidária”.

O trabalho foi integralmente revisado (ou censurado, como alguns comentaram) pela Diretoria do SPI e pelo secretário pessoalmente.

Houve relatos em reuniões internas de inúmeros fins de semana gastos “lendo, relendo e corrigindo” os documentos.

Muitos técnicos que participaram da versão original ficaram indignados com os cortes.

O próprio secretário Afonso Oliveira de Almeida se gabava de ter submetido alguns textos a ministros, tendo citado nominalmente em uma reunião o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE).

A Direção do SPI assumiu internamente toda a responsabilidade pela retirada do portal do ar, provavelmente para sustentar a tese de que o ministro Paulo Bernardo não sabia de nada.

Diversos técnicos se manifestaram frustrados pela retirada do portal do ar e pediram seu imediato restabelecimento, pois o Ministério do Planejamento estaria apto a defender seu conteúdo.

A decisão de lançar o portal neste momento delicado da vida política é atribuída a um arroubo de vaidade do secretário Afonso Oliveira de Almeida, que gostaria de se promover e assim se habilitar a uma posição de maior destaque num eventual governo Dilma, inclusive com as críticas a certos setores do governo.

Apesar de ter havido diversos debates quanto ao risco político da medida, ele insistiu na divulgação e convenceu o ministro Paulo Bernardo da sua importância.

Segundo relatos, Afonso Oliveira de Almeida tem feito vários desafetos no governo, protegido por sua proximidade com a candidata oficial Dilma Rousseff.

Recusa-se a trabalhar em parceria com os demais ministérios, buscando sempre a autossuficiência. É também acusado de perseguições internas contra pessoas e de iniciativas identificadas como herança do governo anterior.

Havia uma confiança do secretário de que as revisões houvessem tornado o documento informativo, mas não tão crítico a ponto de comprometer o governo.

E muitos dos problemas apontados vêm ainda de governos anteriores, o que na sua visão diluiria a responsabilidade do atual governo.

O secretário mostrava-se também “indignado”, e apressado para lançar o produto, pois o Ipea, outro órgão do Ministério do Planejamento, “pode falar besteiras em suas publicações recentes e a SPI ainda não pôde publicar seu produto, com visões corretas sobre questões importantes”.

Essa disputa de egos, uma verdadeira “fogueira das vaidades”, parece estar disseminada pela Esplanada dos Ministérios, uma tendência de ano eleitoral em que os integrantes do segundo escalão ambicionam uma posição de destaque maior num futuro governo Dilma Rousseff.

A mãe das prioridades:: Rolf Kuntz

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

A mãe de todas as prioridades do próximo governo terá de ser o poder de competição, se o sucessor ou a sucessora do presidente Lula quiser garantir um crescimento econômico seguro e sem sustos. A deterioração das contas externas continuou em maio, com mais um déficit nas transações correntes ? desta vez de US$ 2,02 bilhões. O buraco já chegou a US$ 18,75 bilhões no ano, quase o triplo do verificado nos primeiros cinco meses de 2009, US$ 6,60 bilhões. Até dezembro deverá totalizar US$ 49 bilhões, ou 2,49% do Produto Interno Bruto (PIB), se estiver certa a projeção do Banco Central (BC).

Há más notícias tanto para quem olha mais o lado financeiro quanto para quem se preocupa com o chamado lado real da economia ? detalhes como a cadeia de produção, o investimento e o emprego.

Segundo a turma da visão financeira, o Brasil poderá manter e provavelmente manterá contas correntes deficitárias por alguns anos e conseguirá sem muita dificuldade financiar a diferença. Com isso, captará poupança externa e poderá acelerar seu crescimento econômico. Mas é preciso acrescentar pelo menos um senão a esse raciocínio. A qualidade do financiamento tem caído. Neste ano, o investimento direto estrangeiro tem sido e será até dezembro insuficiente para cobrir o déficit em transações correntes. O BC reduziu de US$ 45 bilhões para US$ 38 bilhões a projeção de ingresso líquido desse recurso.

Mas o financiamento é só a menor parte do problema. Para começar, o déficit em conta corrente está longe de ser saudável. Seria, provavelmente, se resultasse de um enorme esforço nacional de investimento. Não é o caso. Há vários anos o Brasil tem conseguido investir, nos melhores momentos, cerca de 18% do PIB. É uma taxa insuficiente, segundo a maioria dos analistas, para manter um crescimento acima de 5% ao ano.

O excesso de demanda resulta não de um surto incontrolável de formação de capital, mas de uma rápida expansão do consumo, alimentada, em boa parte, pelo gasto corrente do setor público. Outro fator de grande peso tem sido o aumento do crédito aos consumidores, confirmado em cada relatório de política monetária. Nos anos 90, o Brasil já caiu na armadilha de aceitar o crescente buraco na conta corrente como se isso contribuísse para apressar o crescimento. Não poderia contribuir, exceto por um prazo muito curto, porque o financiamento externo sustentava muito mais o consumo que o investimento.

O perigo mais importante está na conta de mercadorias. Neste ano, até a terceira semana de junho, o País acumulou um superávit comercial de US$ 7,39 bilhões, 40,3% menor que o de um ano antes. Nesse período, o valor exportado foi 27,98% maior que o de igual período de 2009, mas o gasto com a importação ficou 44% acima do contabilizado no ano anterior. Esse descompasso se explica em parte pela diferença entre o crescimento econômico brasileiro e o da maior parte dos demais países. É também atribuível em parte ao câmbio, porque o real valorizado encarece o produto nacional e barateia o estrangeiro.

Mas o problema tem sido compensado, em boa medida, pelo aumento do preço internacional das matérias-primas. O crescimento das economias emergentes, especialmente da China, tem ajudado a sustentar os preços dos produtos básicos. Sem isso, as exportações teriam rendido menos. Mas a indústria chinesa continua deslocando a brasileira na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina. Os dois últimos têm sido tradicionalmente os principais destinos dos manufaturados brasileiros e também nesse campo o Brasil está perdendo.

O câmbio resulta de um conjunto de desajustes. Juros altos são parte desse complexo e o principal componente é a demanda excessiva do governo. Mas poder de competição não depende só do câmbio. Essa dependência, no Brasil, é uma velha distorção. Outros fatores de competitividade, como os integrantes do famigerado custo Brasil, permanecem quase intocados. Política de competitividade, nos últimos sete anos e meio, foi só uma figura de linguagem.

A campanha eleitoral só terá alguma seriedade quando os candidatos começarem a discutir esse conjunto de problemas ? sem prometer mágicas cambiais ou de qualquer outro tipo. Sem o tema da competitividade no topo da agenda, ninguém poderá falar com um mínimo de credibilidade sobre crescimento econômico, modernização produtiva e criação de empregos. Todos os tópicos importantes de um programa de governo, incluídos os chamados itens sociais, como educação e saúde, são itens dessa pauta, porque só articulados dessa forma se tornam sustentáveis.


É Jornalista

Alice e o submundo:: Plínio Fraga

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

RIO DE JANEIRO - Está no ar uma campanha do governo federal que diz: "Estamos vivendo um novo Brasil. Feito por você. Respeitado pelo mundo". Como se vê, informação essencial ao contribuinte, desde que este seja Alice de volta do submundo ao país das maravilhas.

O R$ 1,2 bilhão que Lula despendeu com propaganda tem também papel relevante na estratosférica avaliação positiva do presidente e na sua capacidade de transferência de votos para Dilma Rousseff.

Claro que propaganda não basta, mas os gastos são assustadores; FHC desembolsou, em 2002, o equivalente a R$ 470 milhões hoje.

Pesquisa do próprio governo mostra que 59,1% dos brasileiros já assistiram a propagandas do projeto de moradias "Minha Casa, Minha Vida"; 44,8% viram inserções sobre políticas sociais; e 34,8%, a respeito de obras do PAC.

Estas mensagens ajudam a moldar o sentimento de que se vive um "novo" Brasil e dão carona ao discurso de que Lula precisa de Dilma para a continuação do projeto. Os adversários não têm nada parecido para contrapor, tornando a disputa desigual. São, como diria o antigo PT, um estelionato eleitoral.

Querer que a disputa se desenrole hoje como se fosse decidida em praça pública, na retórica da política como resultado médio do entendimento sobre o que é o bem comum, é uma ingenuidade.

Certo. Mas a falta de propostas arrebatadoras por parte dos atuais pré-candidatos é um desestímulo à participação dos eleitores no processo, fazendo com que a campanha se limite a um gerenciamento de imagens, feito quase essencialmente por meio da televisão.

Existem elementos subterrâneos que maravilham muitos no marketing - como se fossem Alice a confundir "underland" e "wonderland"-, mas que exercem papel desvirtuador na escolha final dos eleitores.

Caetano e Teresa Cristina cantam Paulinho da Viola

Dissidentes apoiam Anastasia

DEU NO ESTADO DE MINAS

Um dia depois de a Executiva do PR aprovar aliança com Hélio Costa, 58 dos 73 prefeitos do partido assinam manifesto e fazem rebelião contra o presidente da legenda, Clésio Andrade

Isabella Souto

O PR mineiro protagoniza o primeiro caso explícito de dissidência nestas eleições. Um dia depois de a Executiva Estadual aprovar por 9 votos a 5 a aliança com a pré-candidatura do senador Hélio Costa (PMDB) ao Palácio da Liberdade, um grupo de 58 prefeitos da legenda – de um total de 73 – entregou ontem um manifesto de apoio à reeleição do governador Antonio Augusto Anastasia (PSDB). Até domingo, quando acontece a convenção do partido, eles tentarão articular a vitória da tese de aliança com os tucanos. A direção da legenda assegura que já tem 14 dos 22 votos possíveis, o que garantiria a coligação com o PMDB na disputa a governador e pelas 53 cadeiras de deputado federal.

Ao declarar o apoio a Anastasia, os prefeitos reclamaram que em nenhum momento foram consultados pela direção do partido sobre os rumos do PR nestas eleições. “Podemos não ter voto na convenção, mas temos o voto e a confiança da população. Junto com as lideranças locais e os vereadores, vamos pregar a importância de manter esse projeto para Minas Gerais”, afirmou o prefeito de São Gonçalo do Pará, Angelo Roncalli de Freitas, líder do movimento. Segundo ele, ao longo dos últimos sete anos os municípios foram contemplados com vários convênios e transferências de verbas.

Foi aliás a questão financeira a justificativa do presidente do PR em Minas Gerais, Clésio Andrade, para minimizar a infidelidade de 90% dos prefeitos de seu partido. “Nós concordamos com o manifesto porque eles estão precisando de verbas, coitados. A partir de segunda-feira nós vamos conversar com eles (os prefeitos)”, afirmou ontem. De acordo com ele, a direção do PR sabia desse movimento dos prefeitos e deu o seu aval para a visita a Anastasia. Sobre uma possível punição aos infiéis, ele disse apenas que não serão “prejudicados”.

Clésio Andrade enfrenta ainda a dissidência de parte dos deputados mineiros da bancada na Câmara. Entre os sete deputados federais do PR, quatro defendem a aliança com o PSDB. No último dia 10 os parlamentares chegaram a se reunir com Anastasia no Palácio das Mangabeiras para anunciar seu apoio. Na ocasião, a Executiva havia divulgado nota liberando seus filiados para apoiar quem desejassem na disputa pelo governo de Minas Gerais. Anteontem, depois de reunião da Executiva – com uma visita rápida de Hélio Costa –, o partido divulgou outra nota em que informou o apoio ao peemedebista.

Hoje, em Brasília, Clésio Andrade tem encontro com o coordenador da bancada mineira do PR, deputado federal José Santana, um dos maiores defensores do apoio ao tucano.

Vice. Antonio Anastasia disse ontem durante o lançamento do Programa de Modernização Institucional e Ampliação da Infraestrutura em Municípios do Estado de Minas Gerais (Novo Somma) que o conselho político formado pelos líderes dos partidos (PSDB, DEM e PPS) será o responsável por indicar o nome do vice governador até o dia da convenção, que ocorrerá no domingo. “Estamos conversando para chegar na convenção com a chapa completa. Os líderes dos partidos vão indicar o nome mais adequado, com o melhor perfil ”, afirmou. (Colaborou Alice Maciel)

Lula inaugura terreno baldio no Pará

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Usina da Vale é promessa feita nas eleições de 2006, mas diretor da empresa admite que até o fim deste ano só terraplenagem será feita

Eugênia Lopes / ALTAMIRA, Leonencio Nossa / MARABÁ
ENVIADOS ESPECIAIS

No esforço para impulsionar a campanha da petista Ana Júlia Carepa à reeleição no Pará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "inaugurou" ontem no Estado um terreno baldio e comandou um comício em estádio de futebol.

Em Marabá, Lula anunciou, num palanque montado num terreno desocupado da Transamazônica, o "início" da terraplenagem para construção de uma usina siderúrgica da Vale. Após o evento, no entanto, o diretor executivo de Ferrosos da empresa, José Carlos Martins, admitiu que, até o fim do ano, a obra não irá além da terraplenagem.

Ela é parte de uma lista de promessas feitas nas eleições de 2006, no Pará, que dificilmente serão cumpridas. Lula e Ana Júlia prometeram também a pavimentação do trecho paraense da Transamazônica e um plano de desenvolvimento sustentável da BR-163. A entrega das eclusas de Tucuruí ocorrerá em setembro, disse a governadora.

Para mostrar a importância do evento que, segundo Lula, "mudará a história industrial do Estado", assessores de Brasília, da governadora e da Vale providenciaram que uma empreiteira estacionasse no terreno nove retroescavadeiras e 16 caçambas.

Lula e a governadora subiram numa das máquinas para as tradicionais fotos de viagens presidenciais. Nas contas oficiais, a obra da siderúrgica vai gerar 16 mil empregos.

Depois de resistir por três anos a prometer tirar do papel a siderúrgica, disse que a obra ficará pronta em 2013. Até agora, no entanto, quem gastou com o projeto foi o governo do Pará, que pagou um total de R$ 60 milhões em indenizações a 60 fazendeiros ? e por isso está sendo questionado pelo Ministério Público Estadual. Dois deles vão ficar com metade desse valor.

Após o evento, a governadora foi questionada sobre o cronograma das obras da usina. Exaltada, chegou a dizer que elas já tinham começado.

Vaia e protestos. Mais cedo, em Altamira, nem mesmo a presença de Lula evitou que Ana Júlia fosse vaiada por cerca de 10 mil pessoas que lotaram o estádio do Bandeirão, no centro de cidade, onde o presidente defendeu a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Houve ainda uma passeata de cerca de 100 pessoas pelas ruas centrais da cidade. Faixas de protesto foram mostradas e os manifestantes queimaram um boneco gigante de Lula, aos gritos de "Barragem, não. Queremos saúde e educação."

A passagem do presidente foi rápida e teve forte esquema de segurança. Ainda no aeroporto, ao chegar, Lula deu uma entrevista à rádio Vale do Xingu, na qual enumerou os projetos do governo federal para a região ? entre os quais o asfaltamento da Transamazônica (BR 230) e a usina de Belo Monte.

Além de citar o nome de Ana Júlia e pedir ao repórter da rádio que a entrevistasse, Lula aproveitou para promover Dilma Rousseff: "Acho que o povo quer continuidade das coisas que estão acontecendo no País, porque o povo percebe que é uma chance extraordinária de melhorar, definitivamente, a vida do povo".

Ao lado do deputado Paulo Rocha (PT-PA) - impedido, pela Lei da Ficha Limpa, de disputar o Senado - o presidente gastou boa parte de seu discurso polemizando com cerca de 20 manifestantes contrários à construção de Belo Monte. Na conversa, Lula ironizou o diretor James Cameron, de Avatar, que criticou a construção de Belo Monte. "Deviam ir tirar o petróleo do Golfo do México", afirmou.

Ficha Limpa dá ao PSDB novo palanque no DF

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Malu Delgado

A Lei da Ficha Limpa deu ao PSDB o pretexto para descartar o incômodo palanque do ex-governador Joaquim Roriz (PSC) no Distrito Federal. Impossibilitado de concorrer por ter renunciado à cadeira de senador em 2007, o que o tornaria inelegível por oito anos após o término do mandato pela nova lei (o que significa até 2023), Roriz será substituído por um nome tucano. Maria de Lourdes Abadia, ex-vice de Roriz, deve ter a candidatura oficializada nos próximos dias.

O comando político da campanha de José Serra à Presidência analisou ontem todas as situações consideradas alarmantes por conta da nova lei e também os Estados onde há riscos de o tucano ficar sem palanque forte.

Os coordenadores de Serra acreditam que os casos de Jackson Lago (PDT), que disputará o governo no Maranhão, e de Cássio Cunha Lima (PSDB), candidato ao Senado na Paraíba, não são preocupantes. Os dois foram cassados quando eram governadores, mas já cumpriram a pena prevista. "Ouvimos todos os argumentos. Eles (os candidatos) vão se defender e apresentar seus argumentos jurídicos", disse o presidente do PSDB e coordenador da campanha de Serra, Sérgio Guerra (PE).

Mereceu ainda a atenção dos tucanos o caso do Pará. "Nosso pessoal está tranquilo, mas não os nossos adversários", ironizou Guerra. Nomes fortes para o Senado, Jader Barbalho (PMDB) e Paulo Rocha (PT) provavelmente não concorrerão por terem renunciado aos respectivos mandatos de senador e de deputado, evitando assim a cassação.

O caso de Rondônia, cuja candidatura de Expedito Júnior (PSDB) ao governo também deve ser vetada pela nova lei, será analisado hoje pela sigla. Ex-governador, ele foi cassado em 2009 por abuso do poder econômico.

Tucanos lançam candidato no Ceará

DEU EM O GLOBO

Partido reafirma rompimento com Cid Gomes, ao anunciar nome de Márcio Cals

Isabela Martin

FORTALEZA. O PSDB anunciou ontem que o deputado estadual Marcos Cals disputará pela legenda o governo do estado contra o governador Cid Gomes ( PSB ), de quem foi secretário de Justiça até abril. O anúncio foi feito após encontro que reuniu 230 pessoas, sendo 40 prefeitos do partido, no escritório do senador Tasso Jereissati (PSDB), em Fortaleza.

A candidatura confirma o rompimento do PSDB com o governador Cid Gomes, anunciado há 13 dias. Mas não põe fim às contradições da decisão. Uma delas é o fato de existirem tucanos ocupando cargos no governo, como o ex-secretário geral do PSDB Bismarck Maia, secretário do Turismo.

Sobre o alinhamento do PSDB ao governo de Cid Gomes, o presidente estadual da legenda, Marcos Penaforte, disse que o partido continuará com uma “posição elegante”, embora não mais de “acordo automático” com o governo.

Até pelo estilo pessoal, o candidato tucano não deverá bater de frente com o governo ao qual serviu até dois meses atrás. Marcos Cals irá fazer um discurso em nome de um “novo ciclo das mudanças”, numa referência ao slogan que marcou o primeiro governo de Tasso Jereissati (1987-1991).

— Nós fazemos uma oposição responsável, de construção e não de desconstrução dos nossos adversários. Então o PSDB vai continuar tendo uma posição elegante, não mais de acordo automático com o governo do estado.

Tasso Jereissati terá um encontro ainda hoje com o deputado federal Ciro Gomes (PSBCE), de certa forma o pivô do rompimento.

Serra critica programa antidrogas

DEU EM O GLOBO

SÃO PAULO. Ontem, menos de 24 horas depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter feito discurso de combate ao crack, durante abertura da 12ª Semana Nacional Sobre Drogas, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, criticou o Programa Nacional Antidrogas, disse que o país não pode ter uma política de ocasião para o setor e responsabilizou o governo federal pela entrada de cocaína pelas mais diferentes fronteiras.

Para tratar do tema, Serra visitou uma clínica pública para tratamento de dependentes químicos, em São Bernardo do Campo.

O tucano disse que falta uma ação massiva para enfrentar o problema.

— Há uma pressão (do governo federal) contra as unidades de tratamento de dependentes desligados dos hospitais federais — disse ele.

Serra propõe Defesa Civil nacional

DEU NO VALOR ECONÔMICO

Fernando Taquari

São Paulo - A exemplo da candidata Dilma Rousseff (PT), o presidenciável tucano, José Serra, anunciou ontem que também cancelou a viagem que faria hoje ao Nordeste. Ambos argumentaram que não há motivos para participar de festas juninas num momento em que a região passa por uma tragédia. As fortes chuvas já provocaram a morte de 41 pessoas nos Estados de Alagoas e Pernambuco.

"Não há clima para festas", alegou Serra depois de visitar um hospital para dependentes químicos em São Bernardo do Campo. No evento, o tucano fez questão de prestar solidariedade às populações afetadas pelas enchentes e propôs a criação de uma força nacional de segurança permanente para ajudar Estados e Municípios a enfrentar tragédias naturais.

"O que está acontecendo sublinha a importância de termos uma força nacional de segurança, inclusive, treinada para intervenção em calamidades", explicou o ex-governador. Segundo ele, sendo permanente, a força poderá ser deslocada imediatamente após a catástrofe. "O fato é que nenhum Estado, quando tem uma calamidade, aguenta enfrentar sozinho", acrescentou.

O presidenciável atribuiu as tragédias às mudanças climáticas e lembrou que outros Estados, como São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Bahia, já foram afetados recentemente pelas chuvas. Os técnicos da força nacional, complementou Serra, também teriam a responsabilidade de diagnosticar as áreas de risco, sobretudo nos programas de moradias populares.

Durante visita ao hospital, Serra não perdeu a oportunidade de criticar o governo federal ao acusá-lo de não ter um plano nacional de combate às drogas. "Houve um anúncio. Não pode se dizer que é um plano. As coisas que forem aproveitáveis, podem ser utilizadas. Mas não tem plano", insistiu. Antes, porém, o tucano já havia cobrado uma "ação abrangente, profunda e não de ocasião" na repressão às drogas.

Em maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o lançamento do Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack. O ex-governador observou que o programa tem um viés eleitoreiro para beneficiar Dilma na campanha, já que foi elaborado no último ano do governo Lula. "Não dá para fazer tratamento em hospital geral. Tem que ter clínica específica", defendeu.

Segundo ele, o consumo de drogas está em alta no país. "Está na esfera federal a obrigação de diminuir a entrada de drogas no país. O Brasil não produz. O preço da cocaína, por exemplo, no começo dos anos 80 até hoje baixou 50%. Se baixou tanto, é óbvio que a cocaína está se difundindo pela questão do preço", explicou.

Serra e o "certo arranjo que não funciona":: Elio Gaspari

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

Estado paga juros altos a quem não trabalha, arrecada muito de quem rala e investe pouco

Durante sua sabatina na “Folha de S.Paulo”, José Serra voltou a enunciar sua crítica à política econômica do governo Lula (inclusive naquilo que ela tem de continuação do mandarinato tucano, no qual foi ministro): “O Brasil tem três ou quatro recordes de que eu me envergonho.

As altas taxas de juros e impostos, a ‘lanterninha’ nos investimentos governamentais e a maior hiper valorização da moeda no mundo. Tem um certo arranjo aí que não funciona, e que eu me proponho a consertar.” Enunciado desse jeito, move poucos votos, mas significa o seguinte: com a taxa de juros a 10,25% ao ano, o Brasil continua a ser o país do mundo onde mais se ganha dinheiro sem precisar trabalhar, emprestandoo ao governo. Esse mesmo país tem uma das cargas tributárias mais altas do mundo ( 35% do PIB, pouco abaixo do patamar de 36,45% deixado pelo tucanato em 2003).

Em português de campanha: o Brasil é um dos países onde mais se trabalha para sustentar o governo que, por sua vez, melhor remunera seus gordos credores. De uma lista de 135 países, o Estado brasileiro, que tanto arrecada, disputa com o Turcomenistão a menor taxa de investimento do mundo. Finalmente, o real sobrevalorizado barateia as compras em Miami, mas dificulta as exportações. Serra repetiu que o Brasil exporta celulose e importa papel. A taxa de investimento global da economia tem melhorado, mas ainda está abaixo da russa, indiana ou chinesa.

“Tem um certo arranjo aí que não funciona.” O candidato do PSDB já disse que essa não é uma divergência entre governo e oposição, mas questão de Estado. Nem na Suíça a linha divisória de uma campanha pode passar por temas tão arcanos, mas, de fato, o arranjo não funciona. Os conselheiros do ex-ministro Antonio Palocci sabem disso, Lula acha que esse problema pode ficar para depois, até porque o curto-circuito só ocorrerá se alguém encostar os fios desencapados e nem na crise de 2008, a da “marolinha”, isso aconteceu.

Um dia esse arranjo para de funcionar, por conta de fatores externos ou mesmo internos.

Nos anos 70, quando o Brasil festejava o milagre econômico que acarpetou o asfalto natalino da Rua Augusta e deu a Lula o seu primeiro carro, pouca gente prestava atenção em números estranhos. Entre 1970 e 1973, a produção de bens de consumo duráveis, como geladeiras e aparelhos de TV a cores, praticamente triplicara.

Já a produção de bens intermediários, como parafusos, lingotes e mercadorias capazes de atrair novas levas de trabalhadores, crescera apenas 45%. E daí, se dá para empurrar com a barriga? Era o prenúncio de uma pressão inflacionária que, associada a duas crises do petróleo, destruiriam a ditadura e infelicitariam a primeira década da redemocratização.

Nosso Guia já avacalhou um Congresso que recebeu avacalhado, entronizou as centrais sindicais como um poder paralelo e, finalmente, vem dando um toque carnavalesco à sua sucessão. Num clima de festa, preocupações como as de Serra merecem pouca atenção. Afinal, podese empurrar o arranjo com a barriga.

Uma coisa é deixar o debate para depois, sinal de astúcia política ou oportunismo eleitoral. Outra é achar que esse “certo arranjo” funciona.

Serra na Fazenda e no BC:: Vinicius Torres Freire

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

Tucano volta a falar com mais clareza sobre suas ideias de política econômica e indica mudança de rota

JOSÉ SERRA (PSDB) voltou a tratar de economia de modo sério. Foi na entrevista ao "Roda Viva", da TV Cultura, na segunda-feira. Deu a entender que suas ideias sobre o Banco Central em nada mudaram em década e meia, ao menos: "interviria mais" no BC, o que, dizem, "assusta o mercado". Qual a novidade? Serra evitava tal conversa fazia pelo menos dois anos, desde que ficou mais evidente que seria candidato.

Serra disse que a política monetária (de juros) e a fiscal (gastos públicos) serão articuladas em seu governo. É uma recomendação de manual introdutório de macroeconomia, mas difícil de implementar.

Os BCs relevantes são independentes e governos tendem a gastar demais.

No Brasil, diretores do BC, candidatos ao posto e "mercado" consideram que o governo gasta demais, estimula ainda mais o consumo e, assim, ajuda a hiperaquecer a economia e agitar a inflação. Portanto, o BC precisa elevar mais a taxa de juros do que seria, dizem, necessário, se o governo fosse comedido.

A política econômica é, pois, incoerente: aperta demais de um lado (juros), afrouxa demais de outro (gastos). Tal incoerência tem custo: juros maiores, inflação algo maior, instabilidade maior do PIB etc.

Serra quer "articular" tais políticas. O articulador seria, claro, ele. Por que o mercado faria biquinho para as coerências de Serra? Para economistas-padrão, "ortodoxos", caso a política fiscal o permitisse (se os gastos fossem menores, tudo o mais constante), o BC "naturalmente" evitaria altas maiores de juros.

Nos EUA dos anos 1990, houve um acordo tácito entre o governo de Bill Clinton e o presidente do BC deles, Alan Greenspan. Clinton acabou com o deficit do governo, Greenspan talhou os juros. Mas nem sempre há tal sintonia. De fato, há muita controvérsia sobre a rapidez com que BCs e governos ajustam suas políticas. Desconfia-se da sensibilidade dos BCs para baixar juros. Serra criticou duramente a demora do BC brasileiro em baixar juros quando estouraram a crise e a pior recessão mundial em décadas, em 2008.

BCs, por vício profissional, são hiperconservadores. Preferem errar com juros maiores a errar com inflação maior. São suscetíveis a pleitos do mercado, que pediria uma taxa de juros maior que a necessária para manter preços estáveis -o mercado pede "prêmio", o BC dá.

Serra quer tanto fazer controle duro de gastos como exigir uma resposta rápida do BC. O mercado e os "ortodoxos" dizem que isso é interferência política no BC, que deveria ser "independente". Que isso cria incerteza, o que levaria os donos do dinheiro a elevar os juros na praça.

Pode ser que, de início, o mercado jogue na retranca. Mas uma redução forte do deficit e da dívida públicas não só daria "credibilidade" ao governo como tenderia a colocar o mercado contra a parede. O governo teria de tomar menos crédito na praça: teria mais força para baixar juros de curto prazo e de melhorar as condições de financiamento de longo prazo, baixando, assim, os custos da dívida pública.

Seria como começar um círculo virtuoso de redução de despesa primária e financeira.

Heterodoxo? É. Personalista? É. "Político"? É. Mas o Brasil real é muito heterodoxo. E, dada a lambança da crise de 2007-09, finança privada e BCs estão desmoralizados demais para criticar a ideia.

O que pensa Dilma Rousseff?

AL e PE ficaram sem verba

DEU EM O GLOBO

Com 29 pessoas mortas pelas chuvas, Alagoas não recebeu dinheiro do programa de prevenção de desastres do Ministério da Integração Nacional este ano. Pernambuco, onde morreram 12, ficou só com R$ 172,2 mil. O governo liberou R$ 50 milhões para os dois estados, onde vítimas sofrem com falta de água e comida.

Estiagem de investimentos

Alagoas, onde morreram 29 pessoas nas enchentes, nada recebeu para prevenção

Fábio Fabrini e Chico de Góis

BRASÍLIA - Estado que vive uma tragédia por causa das chuvas que duraram uma semana, com 29 mortes confirmadas e 15 cidades em estado de calamidade até agora, Alagoas não recebeu um centavo sequer do governo federal para programas de prevenção. Os dados constam de levantamento da ONG Contas Abertas. Os repasses para Pernambuco — que contabiliza 12 mortos, milhares de desabrigados e desalojados em 49 municípios — correspondem a 0,24% (R$ 172 mil) do total previsto para prevenção.

O Rio, que foi atingido pelas chuvas em março e abril, figura como último da lista de contemplados, com R$ 10,6 mil ou 0,02%.

O total pago para projetos de prevenção e preparação para tragédias climáticas, ação tocada pelo Ministério da Integração Nacional, soma R$ 70,5 milhões, mas mais da metade do dinheiro foi para a Bahia, base eleitoral do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), que concorre ao governo do estado. Em seguida, vem o Ceará, com R$ 4,9 milhões, ou 7%. Logo atrás, vêm Mato Grosso, com R$ 4,7 milhões (6,7%), e Santa Catarina, com R$ 4,6 milhões (6,6%).

Secretaria de Defesa Civil decide liberação

A liberação fica a critério da Secretaria Nacional de Defesa Civil, ligada ao ministério, após análise de projetos. Estados e municípios recebem verba para obras de contenção, remoção de moradores de áreas de risco, drenagem, desassoreamento e canalização de rios, entre outras. Outro braço da pasta para apoiar vítimas de chuvas, a ação de resposta a desastres, cujos repasses financiam obras para socorrer vítimas e consertar estragos, tem distribuição condicionada à ocorrência de tragédias. Este ano, foram liberados R$ 542 milhões.

Deste total, Pernambuco ficou com R$ 19,7 milhões, e Alagoas ficou com R$ 3,7 milhões.

Em relatório votado em abril, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou súbito crescimento dos valores transferidos ao estado a partir de 2007, quando Geddel assumiu.

Os auditores do tribunal não encontraram explicação técnica para o aumento.

O tribunal constatou diversos problemas, além da falta de critérios para a liberação das verbas.

Por falta de profissionais, o dinheiro para reconstrução da áreas destruídas, tido como emergencial, chegava até 150 dias após a apresentação dos documentos por estados e municípios.

Havia casos de repasse feito antes de o parecer que o fundamentava ficar pronto, o que abria espaço para desvios ou mau uso dos recursos.

A Secretaria Nacional de Defesa Civil envia até o fim deste mês esclarecimentos ao TCU sobre as falhas apontadas. A titular da secretaria, Ivone Valente, diz que muitos problemas, como a inconsistência de dados em processos, já foram reparados.

Nos próximos dias, as informações sobre o andamento de cada pedido passarão a ser publicadas na internet.

Ela afirmou que ainda não analisou os dados da Contas Abertas sobre 2010. Mas ponderou que Alagoas não tem histórico de enchentes e boa parte dos recursos pedidos pelo estado é para atividades contra a seca.

Segundo ela, as ocorrências recentes eram imprevisíveis e a principal causa, o rompimento de barragens, deu-se em Pernambuco

Estados receberão R$ 25 milhões cada

Embora não tenha uma resposta formal concluída sobre as críticas do TCU, a secretária disse que, em geral, metade dos municípios baianos tem problemas com chuva ou seca. Ivone afirmou ainda que os repasses governamentais são mais amplos, pois verbas de prevenção são solicitadas em outros ministérios, como a Casa Civil, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e por deputados, por meio de emendas parlamentares.

Contudo, Ivone admite que a presença de um baiano à frente da Integração Nacional pode resultar em mais convênios com o estado: — O fato de o ministro ser baiano atrai mais pedidos dos municípios de lá. Há uma tendência.

Ontem, o governo liberou R$ 50 milhões — R$ 25 milhões para cada — para Pernambuco e Alagoas atenderem, de imediato, as vítimas das enchentes. Outros R$ 50 milhões estão disponíveis e dependem da apresentação de projetos básicos pelos governos locais, o que deve ser enviado ainda hoje. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ir também hoje aos estados.

Após uma reunião, o gabinete de crise, montado para discutir o problema, definiu ações para socorrer as vítimas. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que participou da reunião, disse que é possível que o governo edite uma nova medida provisória, com valores que serão discutidos, para atender a essa tragédia.

O Exército vai reforçar a atuação, e 400 homens da Força Nacional de Segurança estão aquartelados, à espera de solicitação dos estados, para poder ajudar. Ontem mesmo, seguiriam para a região 75 mil cestas básicas e kits de saúde, além da transferência de geradores para cidades onde ainda não foi possível restabelecer energia elétrica, além de pontes móveis para os municípios que ficaram isolados.

O general Jorge Armando Felix, do Gabinete de Segurança Institucional, disse que o gabinete de crise entrará em contato com empresas que fizeram doações para o Haiti para que façam o mesmo aqui: — Vamos aproveitar o banco de dados que montamos para o Haiti e entrar em contato com os doadores.

Outra medida do governo, a liberação do FGTS para as vítima exige extensa burocracia, que vai desde a decretação de estado de calamidade pública ou situação de emergência pela prefeitura municipal, a delimitação da área afetada, habilitação do trabalhador na Caixa e sua comprovação de que morava na região atingida.

O governo reconhece a demora e anunciou envio de projeto de lei ao Congresso — em 45 dias — para desburocratizar esse repasse.

— Estamos preparando mudanças na sistemática para liberação de recursos. Atualmente, é muito burocrático, há muita morosidade — disse Paulo Bernardo.

Aumenta a dependência do país ao capital especulativo

DEU EM O GLOBO

BC reduz previsão de entrada de investimentos estrangeiros produtivos

O Banco Central e o mercado reduziram a previsão de entrada de investimento estrangeiro direto - produtivo - no país para 2010. A estimativa para este ano era atrair US$ 45 bilhões, e o BC reviu a projeção para US$ 38 bilhões. O mercado aposta em US$ 35 bilhões, como consequência da crise na Europa Com isso, para fechar suas contas externas, o Brasil passa a depender do ingresso do capital financeiro, mais especulativo, que chega em busca de juros altos e ganhos com ações. É esse dinheiro que passa a financiar o déficit com o exterior, que só em maio ficou em US$ 2,02 bi, o pior desde 2001.

Uma conta que não fecha

BC reduz projeção de investimento externo produtivo e país dependerá de capital especulativo

Patrícia Duarte

BRASÍLIA, SÃO PAULO e RIO - A crise europeia acertou em cheio a entrada de Investimento Estrangeiro Direto (IED), voltados para o setor produtivo, no Brasil. O Banco Central (BC) anunciou ontem a revisão de sua projeção para o ingresso desses recursos em 2010, que caiu 15,56%, de US$ 45 bilhões para US$ 38 bilhões. Os dados oficiais revelam que, nos cinco primeiros meses deste ano, recuaram especialmente os desembolsos originados na Holanda — por onde passam muitas aplicações europeias antes do aporte no país — e na Espanha.

A nova estimativa para o fluxo de recursos produtivos, apesar de maior que o volume do ano passado (US$ 25,949 bilhões), não será suficiente para bancar todo o déficit em transações correntes neste ano, que deve ficar em US$ 49 bilhões, segundo o BC. O rombo externo somente será coberto com a ajuda dos capitais estrangeiros voltados para ações e títulos de renda fixa no país, um fluxo mais volátil e que costuma ser de curto prazo, cujo superávit estimado é de US$ 35 bilhões.

Maio teve pior déficit externo desde 2001

Em maio, as transações correntes do país fecharam com déficit de US$ 2,020 bilhões, o pior resultado para o mês desde 2001, quando ficou em US$ 2,186 bilhões. O mau desempenho veio sobretudo das remessas de lucros e dividendos, que somaram US$ 2,880 bilhões no período. Em junho, até ontem, já somavam US$ 1,724 bilhão.

Mas, para o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, o cenário para as contas externas este ano não preocupa: — O déficit (em conta corrente) não é desconfortável, representa cerca de 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto, soma de bens e serviços produzidos no país). Nós agora somos credores líquidos (externos) e temos reservas elevadas (acima de U$ 250 bilhões).

A Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) também reviu para baixo sua estimativa para o fluxo de investimentos estrangeiros diretos para o Brasil este ano: de US$ 45 bilhões para US$ 35 bilhões neste ano, devido à crise financeira na Europa.

— O que se vê no mundo é uma recuperação parcial da crise financeira de 2008 — afirmou o presidente da Sobeet, Luiz Afonso Lima.

No grupo de principais nações investidoras no país, as maiores retrações, comparando os períodos de janeiro a maio de 2009 e 2010, incluem Holanda — de US$ 2,651 bilhões para US$ 1,144 bilhão — e Espanha — de US$ 1,073 bilhão para US$ 313 milhões, segundo os dados do BC. Com isso, a participação holandesa no IED total caiu de 20,6% para 7,3%, e a espanhola, de 10,8% para 2%.

A Suíça assumiu o posto de país que mais envia IED para o Brasil, com US$ 4,856 bilhões (31%). Deixou para trás os EUA que, nos últimos anos, lideravam. Os americanos responderam por 14,2% dos aportes, com US$ 2,219 bilhões.

A desaceleração do IED, disse Lopes, está disseminada. Os setores de química, petroquímica e veículos são os que mais recebem, e devem continuar recebendo, recursos produtivos de fora. Entre janeiro e maio, só no segmento produtos químicos, as entradas de recursos somavam US$ 5,107 bilhões, 32,6% do total de IED.

Em maio, os investimentos produtivos de fora alcançaram patamares expressivos e ficaram em US$ 3,534 bilhões, o melhor desempenho para esse mês da série histórica do BC, iniciada em 1947. Em junho, até ontem, porém, perdiam força e estavam em US$ 900 milhões, devendo fechar em US$ 1,5 bilhão

Risco de câmbio mais volátil

No ano, ingressaram US$ 11,414 bilhões em investimentos estrangeiros diretos no país — para um déficit em transações acumulado de US$ 18,748 bilhões, o equivalente a 2,35% do PIB.

Este ano, para assegurar o equilíbrio no balanço de pagamentos, o país terá que contar com os investidores financeiros, voltados para ações e títulos. Com a estimativa de entradas líquidas de US$ 35 bilhões — já contando as capitalizações do Banco do Brasil e da Petrobras —, o déficit em transações correntes será facilmente financiado.

O analista sênior para América Latina do BNP Paribas, Diego Donadio, argumenta que o fato de as contas externas estarem sendo bancadas com ajuda de investimentos de portfólio — tradicionalmente capitais de curto prazo — pode aumentar a volatilidade do câmbio.

Mas nada que tire o sono.

— Déficit em conta corrente em torno de 2% do PIB, como é o nosso, é perfeitamente administrável — afirmou ele, acrescentando que a crise na Europa também pode levar investidores financeiros a procurar mercados com melhores expectativas de crescimento, como o brasileiro.

Entre janeiro e maio, os investimentos em ações no Brasil tinham superávit de US$ 5,224 bilhões, 66% a mais do que um ano antes. Já em títulos de renda fixa, o saldo estava positivo em US$ 7,89 bilhões, depois do déficit de US$ 621 milhões em igual período de 2009. Lopes, do BC, argumentou que isso ocorre porque o Brasil já tem grau de investimento, mas reconhece que a alta na taxa básica de juros atrai aplicadores.

A Selic, em 10,25% ao ano.

Na semana passada, porém, houve saída de dólares do Brasil. De acordo com o BC, o fluxo cambial — movimento de moedas estrangeiras no país — estava negativo em US$ 3,548 bilhões entre os dias 1oe 18. Uma semana antes, o déficit acumulado no mês era de apenas US$ 1,776 bilhão.

Ontem, no mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em alta de 0,45%, a R$ 1,782. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou praticamente estável, com pequeno recuo de 0,03% no Ibovespa, seu principal índice, que ficou em 64.810 pontos.

O QUE PENSA A MÍDIA

EDITORIAIS DOS PRINCIPAIS JORNAIS DO BRASIL
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Franz Liszt - Liebestraum by Ting Ting

A Música:: Charles Baudelaire


A música p'ra mim tem seduções de oceano!
Quantas vezes procuro navegar,
Sobre um dorso brumoso, a vela a todo o pano,
Minha pálida estrela a demandar!

O peito saliente, os pulmões distendidos
Como o rijo velame d'um navio,
Intento desvendar os reinos escondidos
Sob o manto da noite escuro e frio;

Sinto vibrar em mim todas as comoções
D'um navio que sulca o vasto mar;
Chuvas temporais, ciclones, convulsões

Conseguem a minh'alma acalentar.
— Mas quando reina a paz, quando a bonança impera,
Que desespero horrível me exaspera!




in "As Flores do Mal" - Tradução de Delfim Guimarães

terça-feira, 22 de junho de 2010

Reflexão do dia – Luiz Werneck Vianna


“ A ressurgência do tema do populismo, lido agora em luz favorável, mesmo por parte dos seus ferozes críticos no passado, vem dessa atrofia da política, da imobilização da sociedade diante de um Estado que traz tudo para si como se fosse um agente da Providência. Não há porque discutir os rumos possíveis para a nossa sociedade: sistemicamente, eles já estão previstos, o que cumpre fazer é ganhar a alma popular, quando a política se confunde, então, com as artes demiúrgicas de quem, por destino, aprendeu a decifrá-la. “


(Luiz Werneck Vianna, em artigo, “O eterno retorno”, no Valor Econômico, segunda-feira, 21/6/2010)

Fatores regionais:: Merval Pereira

DEU EM O GLOBO

Os dez últimos dias para a montagem das coligações regionais serão de muita tensão nos bastidores, onde se desenrolam as últimas negociações.

O governo está saindo delas menor do que entrou, mas ainda assim maior do que a oposição, com uma campanha presidencial bastante organizada e fortes palanques estaduais

O maior perigo nesse período para o PSDB, com o crescimento da candidatura de Dilma Rousseff, era ser abandonado por parceiros políticos que abandonaram a base governista por questões regionais.

No entanto, André Puccinelli do PMDB do Mato Grosso do Sul aderiu; Osmar Dias do PDT do Paraná aderiu. E o PP nacional pode ficar neutro, o que ajuda.

O governo usa seus últimos cartuchos para pressionar os parlamentares do PP dilmistas a convocarem uma convenção até o fim do mês, mas a parte que prefere apoiar a candidatura tucana tem força para impedir a convocação, criando uma situação de fato que levará à neutralidade.

O fato é que o país dividiu-se geograficamente, e grupos políticos que normalmente estariam com Lula ficaram na oposição, especialmente os que representam o agronegócio.

Estados produtores com o câmbio baixo, dificuldades de exportação, estradas intransitáveis, portos sem capacidade de escoamento e ainda por cima a ameaça de o MST ganhar mais força em um eventual governo Dilma levaram o Sul a fechar com o candidato do PSDB.

No Rio Grande do Sul, o PSDB tem a governadora Yeda Crusius, apesar de todos os problemas que enfrentou, um grande pedaço do PMDB, e uma aliança DEM-PTB, além do PP e do PPS. Contra o PT e o PDT com o ex-ministro Tarso Genro.

Beto Richa é o candidato favorito ao governo, ainda mais depois que o senador Osmar Dias decidiu se candidatar à reeleição.

Em Santa Catarina, há três forças políticas que apoiam Serra indiscutivelmente: o ex-governador Luiz Henrique do PMDB, que é o favorito para o Senado; Raimundo Colombo, ligado aos Bornhausen, que deve ser o candidato a governador, e o Leonel Pavan que está no governo com o PSDB. A senadora Ideli Salvatti é a candidata ao governo pelo PT.

A definição do Sudeste, onde Serra vence nas pesquisas, terá o peso fundamental de São Paulo e Minas, onde os tucanos esperam tirar uma vantagem expressiva.

No Rio de Janeiro, o palanque é com o PV do candidato Fernando Gabeira. A soma de Marina Silva com José Serra supera Dilma Rousseff, que ganha individualmente no Estado, com o apoio do governador Sérgio Cabral, favorito na disputa para governador.

Em São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin é o favorito para ganhar no primeiro turno, e o PSDB espera que Serra vença com uma diferença entre 4 e 6 milhões de votos.

Há quem tema, porém, que Alckmin não se esforce tanto quanto seria necessário, ainda uma sequela da disputa pela prefeitura em que Serra apoiou Kassab.

Em Minas Gerais, o PSDB também depende do empenho do ex-governador Aécio Neves.

A disputa pela Presidência está empatada, mas o crescimento da candidatura de Antonio Anastasia pode ajudar Serra num estado em que Lula ganhou as duas últimas eleições com diferença entre 1 e 1,5 milhão de votos.

No Espírito Santo, o candidato do PSB Renato Casagrande é o grande favorito, e o PSDB tem Luiz Paulo Vellozo Lucas, ex-prefeito de Vitória, como candidato, com o apoio do PTB e DEM, e Rita Camata como candidata ao Senado. Serra está na frente no estado.

No Nordeste, o PSDB só pode tentar “reduzir os danos”.

Na Bahia, Paulo Souto é candidato ao governo com PSDB e DEM, com Geddel Vieira Lima pelo PMDB e Jacques Wagner pelo PT.

Em Sergipe, João Alves é muito competitivo contra o Marcelo Déda do PT, e José Serra é mais forte do que Dilma.

Em Alagoas, o governador tucano Teotônio Vilela concorre à reeleição e foi lá o único estado em que Serra ganhou em 2002. Mas os favoritos são o senador Fernando Collor, da base do governo, e o ex-governador Ronaldo Lessa do PDT.

Em Pernambuco, Jarbas Vasconcellos reuniu forças consistentes no estado: Marco Maciel e Sérgio Guerra. Mas o governador Eduardo Campos é o franco favorito.

Na Paraíba, José Maranhão do PMDB é o favorito, e a maior força do PSDB era o Cássio Cunha Lima, que está às voltas com a Lei da Ficha Limpa.

No Maranhão, o ex-governador Jackson Lago também está teoricamente atingido pela nova lei, mas em situação mais favorável, porque já cumpriu a pena, mas a única perspectiva da oposição é tentar perder de menos.

No Piauí, há a candidatura tucana de Silvio Mendes, que é muito competitivo, contra dois candidatos governistas: Wilson Martins e João Vicente Claudino.

No Rio Grande do Norte, a candidata do DEM Rosalba Ciarlini é favoritíssima. No Ceará, o senador Tasso Jereissatti está fazendo uma pesquisa para tomar a decisão se deve ser candidato a senador ou a governador.

Foi uma absoluta surpresa o comportamento dos Gomes, pressionados pelo enviado especial José Dirceu, que lhes avisou que teriam sérios problemas se não apoiassem o exministro José Pimentel para o Senado.

No Norte, onde o governo também tem vantagem, há Tocantins, onde o Siqueira Campos do PSDB é favorito, principalmente agora que o Marcelo Miranda se tornou inelegível.

No Pará deve ter segundo turno com Simão Jatene do PSDB disputando com José Prianti do PMDB e a governadora petista Ana Júlia.

O deputado Jader Barbalho tem um problema igual ao do Joaquim Roriz do PSC de Brasília: ambos renunciaram para não perder o mandato e estão inelegíveis pela Lei da Ficha Limpa.

Em Goiás, o franco favorito é o senador Marconi Perillo, apesar da intenção do presidente Lula de derrotá-lo.

O pior problema dos tucanos é o Amazonas, onde o senador Arthur Virgílio não conseguiu montar um palanque local, a não ser o dele, sem chapa de governador. O maior problema do governo é o Paraná.

A hora da fugitiva:: Fernando de Barros e Silva

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

Algum amigo do peito deveria presentear José Serra com um despertador. Talvez um modelo imitando o som da vuvuzela, para entrar no clima. Eram 11h42 quando o candidato tucano à Presidência entrou no palco da sabatina Folha/UOL, evento com transmissão ao vivo marcado para as 11h.

Esperavam-no sentados na primeira fila, à frente da plateia que lotava o teatro, Gilberto Kassab, Geraldo Alckmin, Orestes Quércia, Aloysio Nunes Ferreira, entre tantos outros. Não é fácil descrever a cena, mas todos ali pareciam seus empregados. Serra chegou sério, sem dizer bom dia nem pedir desculpas pelos 42 minutos de atraso.

Ele viria se retratar apenas no final do evento, duas horas mais tarde, depois de ser questionado sobre a razão de viver assim, sempre de mal com o relógio: "Eu detesto me atrasar. Eu sofro também, até mais do que as pessoas que esperam", disse, como se fosse o coelho da Alice. Os psicanalistas talvez se interessem por tanta e sincera aflição.

Serra chegou tarde, mas compareceu à sabatina. Dilma Rousseff, sua principal adversária, fugiu do compromisso que havia assumido. É muito mais sério. A petista tem evitado sistematicamente as situações de exposição e de confronto. Em público, só com papel na frente ou de braço dado com Lula -de preferência, as duas coisas juntas.

Agora, em seu giro europeu, armado às pressas e só explicável pela determinação de tirá-la de circulação, Dilma acabou posando de estadista antes do tempo. Em Paris, se hospedou num hotel de grã-fino nos Champs-Elysées e reclamou do assédio dos jornalistas. Mas não sabia bem o que dizer aos repórteres em Bruxelas, após encontro pouco amigável com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

Dilma vem sendo tratada no PT como um bibelô que deve ser preservado do mundo. Vive hoje numa espécie de redoma, e sua figura vai ficando marcada, inclusive fisicamente, pelo artificialismo. É uma aposta de risco. Que pode vingar.

A década que não acabou:: Marcos Nobre

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

Imagine que a balbúrdia das alianças estaduais e regionais não aconteça apenas a cada quatro anos, em ano de eleições gerais. Imagine que seja a regra da política brasileira.

Imagine que a política nacional seja somente o resultado de acordos pontuais e instáveis, ditados por interesses de chefes políticos locais. Imagine que os acordos durem tanto quanto a rolagem de toda a dívida pública nacional: uma noite, "overnight" no jargão da época.

Imaginou? Bem-vindo à década de 1980.

Foi a década dos governadores. Um tempo de inflação fora de controle e de contas públicas em desordem, em que Estados tinham bancos importantes, faziam política monetária e fiscal, rivalizando com a União.

A partir de FHC, a União se impôs sobre a política dos governadores. Centralizou a política monetária e fiscal. E deu ao partido que ocupa o poder federal o monopólio da formulação política mais ampla.Mas a confusão atual nos arranjos estaduais mostra que muita coisa da década de 1980 continua bem viva na política.

Mostra que PT e PSDB são polos que lideram, mas não dirigem, uma massa informe de interesses e de querelas regionais.

Durante três anos, os governadores guardam silêncio obsequioso, postos na dependência de transferências da União. Isso aconteceu mesmo com os candidatos de oposição José Serra e Aécio Neves.

Ao ser desencadeado o processo eleitoral, os interesses locais reaparecem com apetite e avidez. Interesses que raramente coincidem com recortes partidários. Menos ainda com programas políticos.

Foi um quadro geral como esse que pesou, por exemplo, na decisão estratégica mais importante do PT para as próximas eleições. Em nome da aliança formal com o PMDB, o partido abriu mão de disputar governos estaduais e decidiu concentrar esforços na eleição para o Senado.

No poder há sete anos, Lula concluiu que os governadores podem ser controlados na boca do caixa. E que a Câmara dos Deputados, estruturalmente instável, é relativamente controlável, desde que devidamente atendidos médios, pequenos e minúsculos interesses. Nessa lógica, o problema seria o Senado. A duração mais longa dos mandatos, o menor número de integrantes, a experiência política acumulada, tudo isso faria com que o Senado fosse hoje de controle mais difícil.

Seja como for, é uma lógica de simples adaptação, e não de transformação, a que move os dois polos da política brasileira. São síndicos em um condomínio de interesses locais irreconciliáveis. Onde o vale-tudo dos arranjos estaduais não é uma anomalia. É a regra.

No limite da responsabilidade:: Raymundo Costa

DEU NO VALOR ECONÔMICO

Em conversa com antigos companheiros sindicais em São Paulo, na festa do 1º de Maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que faria "tudo" para eleger Dilma Rousseff presidente. Um dos presentes quis saber o que exatamente significava "tudo". Ouviu como resposta "tudo é tudo". Simplesmente.

À época, Lula já contabilizava algumas das multas que recebeu da Justiça Eleitoral por fazer campanha fora de época. Era muito, mas nem tudo o que poderia e pode fazer por Dilma. Prova disso é a sanção do presidente ao aumento de 7,7% aos aposentados, supostamente contrariando uma recomendação dos guardiões da responsabilidade fiscal.

Desde sempre o aumento de 7,7% é fava contada no comitê eleitoral do PT, onde se avaliava que o veto do presidente apenas daria munição eleitoral para a oposição na campanha sucessória. Lula não só tirou o discurso do PSDB como também fez média com com os aposentados, ao passar a impressão segundo a qual sancionara o projeto apesar da oposição dos ministros da Fazenda e do Planejamento.

Aposentados, aliás, é assunto latente no comité de Dilma Rousseff, onde sabe-se que a candidata, se for eleita, terá que enfrentar de imediato a questão previdenciária. Se depender do modo como hoje a ex-ministra avalia o problema, por meio de pequenas reformas para resolver demandas de médio prazo previsíveis.

A pauta do Congresso está recheada de bondades como o aumento de 7,7% aos aposentados. Só as propostas em curso que preveem a criação de novos cargos, se forem aprovadas, significam um gasto estimado em R$ 10 bilhões. A pressão por aumentos salariais também é intensa. Já o era na semana que passou e na semana anterior a ela. A diferença é que Lula piscou.

Nesta semana, a Câmara retoma as discussões sobre a criação de um piso salarial de R$ 3,5 mil para policiais e bombeiros de todo o país. É um bom teste para se medir a pulsação do governo.

O custo estimado da proposta é de R$ 50 bilhões. Já foi muito pior. O projeto original determinava a equiparação dos salários de todo o país com o dos PMs e bombeiros de Brasília, que é de R$ 5 mil.

Semana passada, sob pressão, o governo passou a negociar uma fórmula alternativa - aprova o piso, mas deixa para discutir valores depois. Já não se conversa mais sobre a necessidade de um piso nacional, o que espeta no Tesouro Nacional uma conta que a União hoje não tem.

A segurança da Câmara está de sobreaviso, preocupada com ameaças de invasão do prédio do Legislativo. O lobby dos policiais militares sempre foi um dos mais bem organizados do Congresso. Mas nunca desandou para ações violentas como as que foram desencadeadas, já no governo Lula, por alas mais radicais dos movimentos sem-terra.

O risco maior é o governo novamente piscar por motivos eleitorais. A maior dúvida hoje no Congresso é sobre até onde Lula é capaz de ir, no trato da coisa fiscal, na hipótese de Dilma cair nas pesquisas de opinião publica. Afinal, o presidente não teve dificuldade para sancionar o aumento dos aposentados num momento que é considerado favorável à candidatura oficial.

Apesar de se falar em R$ 50 bilhões, o certo é que ninguém sabe exatamente por quanto sairá para os cofres públicos o estabelecimento de um piso de R$ 3,5 mil para PMs, policiais civis e bombeiros de todo o país. Além do pessoal em serviço, o piso terá impacto também na folha do pessoal inativo. E é certo que áreas afins no Judiciário devem pedir equiparação.

O passado recente recomenda cautela a Lula, às vésperas de passar para a história como um presidente com a popularidade nas alturas. O governo Sarney se perdeu no descontrole fiscal; o de Fernando Henrique, no populismo cambial. Lula arrisca-se à danação nas duas situações.


Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras.

Lula veio para sacudir e voltar:: Wilson Figueiredo

DEU NO JORNAL DO BRASIL

Qualquer versão – seja oficial, seja da oposição – tem duração limitada até ficar convenientemente explicada a razão pela qual o que subjetivamente tinha tudo para dar errado e, da noite para o dia, se converteu objetivamente em resultados de boa cotação política. Cada vez mais se fornecem previsões eleitorais, facilidades, proteção a candidaturas e demais ingredientes que a democracia prefere não ver. Pela ordem natural, a reeleição se reserva para ser a matériaprima de uma crise política de bom tamanho, só não se sabe quando. Tudo vai depender da placa tectônica chamada crise institucional, deslocada para países localizados mais embaixo na escala do desenvolvimento econômico, que infelizmente não fechou – no Brasil – um pacto duradouro com a democracia. Depois que Franklin Roosevelt obteve nas urnas quatro mandatos presidenciais nos Estados Unidos, e só deu conta de três, antes de morrer pouco depois da quarta posse, já nos anos 40, uma emenda à Constituição americana limitou o privilégio a uma reeleição (que lá deu certo). E não se ouviram queixas.

Mas, como nem tudo que é bom para os Estados Unidos pode considerar-se bom para o Brasil, a reeleição brasileira foi ficando para trás e acabou adotando uma expectativa de direito assegurada a quem se elege presidente.

Não se falou mais em varrer esse artigo, que empana o saneamento trazido à sucessão presidencial pela exigência da maioria absoluta de votos. Com dois turnos, o resultado da eleição fora do alcance de suspeitas manipuladas com teor golpista. A reeleição esperou praticamente um século, do lado de fora das Constituições brasileiras, e cada um que se reelege se explica por aceitar um mandato com o qual não concorda. Em princípio, claro. Na prática é diferente, graças à natureza humana.

O presidente Fernando Henrique não repetiu no segundo mandato a plenitude do primeiro, que parecia a última palavra da social-democracia, nem percebeu que logo atrás viria o PT, sem compromisso com o passado e nada mais a ver com o futuro. Só o presente interessa ao petismo.

Tinha a medida exata para o presidente Lula emergir. No segundo mandato de Fernando Henrique, esvaziou-se o estoque de soluções que a social-democracia tinha a oferecer, e o sucessor entendeu que não precisava ir mais longe para fazer história. Nos seus dois mandatos, mesmo sendo (em princípio) contra a reeleição, Lula reproduziu a falta de fôlego do seu antecessor, em matéria de reforma política, mas inverteu a ordem dos fatores. Dissipou o crédito político do petismo no primeiro mandato e, no segundo, cuidou exclusivamente da sucessão, quando converteu em certeza a suspeita de que não veio ao mundo para mudar, mas apenas sacudir. E voltar.

"O povo pensa que dossiê é um doce":: Arnaldo Jabor

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Não me esqueço de um ataque de riso, muitos anos atrás, quando ouvi a autocrítica de um alto dirigente do PC da China, durante a revolução cultural. Quem foi? Lin Piao? Não me lembro. A "autocrítica" era um dos velhos hábitos comunas, uma espécie de confissão católico-vermelha, só que aos berros diante das massas. E o dirigente se criticou: "Eu sou um cão imperialista, eu sou o verme dos arrozais da China, eu sou a vergonha do comandante Mao..."

Queria de volta as autocríticas do tempo de Mao. Queria ver o Marco Aurélio Garcia, por exemplo, bater no peito se confessando: "Eu sou a praga do cerrado, eu sou um bolchevista fingindo de democrata. Acabei com o prestígio de Lula lá fora, beijando o Armadinejad, isolei o Brasil e provavelmente perderemos mais de US$ 3 bilhões em benefícios que os Estados Unidos nos davam para exportações, além da sobretaxa do etanol, que será mantida!"

Depois que conseguiram entrar no Estado, através do Lula, os velhos esquerdistas perderam a aura mística, a beleza romântica que tinham na clandestinidade que os santificava. Eu conheci muitos heróis, sonhando realmente com a revolução, mesmo que utópica, mas honestos, sacrificando-se, morrendo. O comunista romântico não vemos mais.

Hoje, eles não se consideram eleitos por uma democracia, mas guerreiros políticos que "tomaram" o poder. Vemos isso nos milhares de insultos no twitter, emails e bloguinhos que espoucam na internet. Recebo centenas, como outros jornalistas. São apavorantes os bilhetes na web: ofensas e ameaças. Não há uma luta por ideais, mas uma resistência carregada de ódio e medo daqueles que podem, eventualmente, tirar seus privilégios: os "canalhas neoliberais"...

Esses quadrilheiros usurparam os melhores conceitos da verdadeira esquerda que pensa o Brasil no mundo atual, uma esquerda reformada pelas crises internas e externas, que se conscientizou dos erros da agenda clássica. Eles injuriam e difamam o melhor pensamento de uma esquerda contemporânea, em nome de uma "verdade" deformada que teimam em manter. Esse crime abstrato muitos intelectuais e artistas não vêem, por temor ou ignorância. Falam de um lugar que seria da "esquerda", mas que é o lugar de baixos interesses pelegos, de boquinhas a defender ? uma versão de socialismo decaída em populismo. Se dizem de esquerda, mas são de direita, para usar seus termos. Não só pilharam bilhões de reais de aparelhos do Estado, em chantagem com empresários, em fundos de pensão, contratos falsos, mas roubaram também nossos mais generosos sentimentos. E não é só a mentira que é vergonhosa. É a arrogância com que mentem, ao se apropriar do controle da inflação e de todas as reformas que o governo anterior lhes deixou, que eles chamam de "herança maldita".

Não há mais "autocrítica". Hoje temos o desmentido. O "desmentido" é o arrependimento do "se colar colou". Quando uma ação revolucionária dá "chabu", basta desmentir e ainda dizer que foi tudo invenção da vítima. Assim foi o caso Celso Daniel, o caso dos "aloprados" de São Paulo, das cuecas, tudo. "Nunca antes" um partido tomou o poder no Brasil e montou um esquema assim, um plano secreto de "desapropriação" do Estado, para fundar um "outro Estado" ou para ficar 20 anos no poder.

E agora no caso do "dossiê" contra o PSDB e Serra, mentem tranquilos: é a ""mentira revolucionária". Lembro-me do Lula rindo do dossiê dos "aloprados", dizendo: "Deixa pra lá... o povo nem entende o que é dossiê... pensa que é doce de batata... de abóbora..."

Como não têm um programa moderno para o Brasil, a não ser o imaginário sarapatel de ideologias que vão de um leninismo mal lido, passando por um getulismo tardio, uma recauchutagem de JK fora de época, eles escondem sua incompetência se dedicado à parte "espiritual" da velha ideologia: controle, fiscalização, tutela, espionagem e censura.

Agora, estamos assistindo ao início da "porrada revolucionária", com os "militantes" atacando os "inimigos" do povo. É o zelo dos peões, dos pés-de-poeira, que se acham os guerreiros de uma missão bélica para impedir que os burgueses do PSDB ganhem ? (se aliam ao Sarney e Collor e dizem que Serra e FHC, que passaram mais de uma década no exílio são "fascistas neo liberais"... Pode?)

Os brutamontes da militância se acham imbuídos de uma missão sagrada: "Eu taquei um pé nos cornos daquele tucano filho de uma égua, esfreguei a cara dele no chão até ele gritar "Viva a Dilma!" É isso que é golpe de esquerda, não é, companheiro?"

Outro feito dos bolchevo-pelegos no poder é a desmoralização do escândalo. As verdades e delitos aparecem, mas, por negaças, recursos políticos e protelações o escândalo definha, entra em agonia e morre. Quantos já houve? Stalin apagava das fotos os membros do partido que ele expurgava; portanto, nunca existiram. Tudo é absolvido pela "mentira revolucionária", porque ela vem por uma "boa causa".

Quase todos esses cacoetes derivam de um sentimento: "Somos superiores." Quando eu era estudante, um dirigente do PC dizia sempre: "Não estamos com a doutrina certa? Então... é só aplicá-la." Essa "certeza superior" é encontradiça em homens-bomba, em bispos vermelhos. O autoritarismo e a truculência não são privilégio de fascistas.

A única revolução no Brasil seria o enxugamento de um Estado que come a nação, com gastos crescentes e que só tem para investir 1,5% do PIB. A única revolução seria administrativa, apontada para a educação e para as reformas institucionais, já que, graças a Deus, a macroeconomia herdada foi mantida e a economia mundial se dirige a países emergentes.

O Brasil está pronto para decolar, se modernizar e essa gente quer segurar o avião em nome de interesses de um patrimonialismo de Estado e de um socialismo morto que, em seu delírio, acham que virá. Como recomendou Stedile a seus "sem-terra": "Tenham filhos; eles vão conhecer o socialismo..."

Beth Carvalho - VouFestejar (Com a Bateria da Mangueira)

Jungmann acredita que vitória de Dilma pode afetar democracia

DEU NO PORTAL TERRA

Ed Ruas
Direto de Recife

O deputado federal Raul Jungmann (PPS) afirmou, nesta terça-feira (22), em entrevista à Rádio Folha, que a vitória de Dilma Rousseff (PT) nas próximas eleições pode estabelecer uma "Era Petista" e, consequentemente, impor mudanças à democracia no Brasil. "Anotem o que digo: se a oposição não tiver sucesso, vai ocorrer um sufocamento do espaço das oposições, quando não da própria imprensa. Isso é uma real possibilidade. Não se enganem, pois no PT existem alas antidemocráticas e anti-institucionais. Se isso (vitória do PT) ocorrer, podem ocorrer mudanças efetivas na democracia", avaliou.

De acordo com Raul Jungmann, o mandato de Dilma Rousseff será apenas uma ponte para o retorno de Lula, em 2014. "Não estamos (oposição) disputando uma eleição qualquer. Pode representar 20 anos de petismo e o sepultamento de várias trajetórias. É uma definição de 20 anos do rumo do País", argumentou.

Raul Jungmann, que é cotado para integrar a chapa majoritária de oposição em Pernambuco como candidato ao Senado, descartou a possibilidade e garantiu que disputará a reeleição. "Seria uma honra participar de uma chapa com Jarbas Vasconcelos (PMDB), mas o meu partido e eu entendemos que devemos manter essa cadeira".

O bloco de oposição em Pernambuco é formado pelo PDMB, PSDB, DEM, PPS e PMN. O PPS mantém a candidatura ao Senado do ex-secretário de Saúde de Pernambuco, Guilherme Robalinho.

Serra acusa Lula de uso eleitoral da máquina

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Tucano afirma que programa de combate ao crack lançado pelo governo federal foi baseado em pesquisas e serviu para ajudar a candidata petista

Carolina Freitas

Estratégia. Para tucano, adversários fazem "terrorismo"

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, acusou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de usar a máquina pública em benefício da candidata do PT, Dilma Rousseff. Para o tucano, um exemplo disso foi o lançamento de um programa de combate ao crack feito no mês passado pelo governo federal.

Serra disse que, após sete anos e meio de governo, os petistas souberam por pesquisas de opinião da preocupação do eleitor com o crack e lançaram o programa. "É uma tabelinha quase perfeita de uso da máquina. A candidata fala e o governo lança o plano", afirmou, em sabatina promovida ontem pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo portal UOL.

O tucano acusou os adversários de usarem de "terrorismo" para tentar minar sua campanha e sua imagem, principalmente em debates regionais e pela internet. Citou um texto divulgado em blogs por uma pessoa ligada a Lula e Dilma afirmando que ele acabaria com o ProUni caso eleito. "Eu nunca disse isso. Tem tanta coisa maluca espalhada. Esse é o método terrorista. Não violento, mas terrorista."

Questionado sobre privatizações, tema polêmico que despertou boatos e tirou votos de Geraldo Alckmin, candidato tucano à Presidência em 2006, Serra classificou o tema como um "falso assunto". "Não vejo muito espaço para mais privatizações, mas esse debate sempre é feito com terrorismo", disse.

"Esta será uma eleição difícil", avaliou. Exemplo dessa dificuldade, disse, foi a suposta preparação de um dossiê contra ele por colaboradores da campanha de Dilma. Para o candidato, existe uma tendência de "culpar a vítima" em casos como esse. "Até hoje não houve nenhum pedido de desculpas pelo episódio dos aloprados, o que significa que eles vão continuar fazendo."

Em Brasília, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, reagiu às declarações de Serra, segundo as quais Dilma deveria se desculpar e afastar os assessores acusados de envolvimento no suposto dossiê. "Quem tem de pedir desculpas é quem está buscando relacionar essa história de dossiê, que não tem nada a ver com a pré-campanha da ministra Dilma", declarou. "Já está muito claro pela fala dos coordenadores da campanha, de outras pessoas envolvidas na campanha, que não teve nenhuma relação com a coordenação da campanha, com nenhum coordenador da campanha nem com campanha, nem da campanha da ministra Dilma ou com PT nacional."

O PSDB articula para chamar o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, para depor na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado sobre a quebra ilegal de sigilo fiscal do vice-presidente do partido, Eduardo Jorge. Ontem, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) avisou que apresentará amanhã, na comissão, um requerimento para que o pedido de convite seja aprovado.

Serra: país está estrangulado por infraestrutura

DEU EM O GLOBO

"A soja de Mato Grosso custa até Santos o mesmo que de lá à China. Não é possível. Não tem cabimento"

Gisele Barcelos* e Flávio Freire

UBERABA e SÃO PAULO. Em encontro com líderes rurais em Uberaba (MG), o presidenciável José Serra (PSDB) rechaçou ontem as propagandas do governo Lula sobre investimento em infraestrutura. Segundo Serra, 70% das aplicações governamentais no setor são feitas por estados e municípios.

O tucano criticou as condições das rodovias.

— A soja de Mato Grosso custa até Paranaguá ou Santos o mesmo que de lá à China. Não é possível. Não tem cabimento.

Estamos estrangulados por infraestrutura, reflexo do baixo investimento governamental, mas também de política errada de concessões de serviços públicos, começando pelas estradas.

O tucano criticou o sistema atual de reforma agrária e a falta de políticas agressivas do governo Lula para derrubar barreiras sanitárias. Serra discursou em palanque e se intitulou o candidato da produção.

Reforçou a importância da agropecuária na consolidação do Plano Real e disse que o Brasil não terá desenvolvimento sem o setor produtivo: — E eu, presidente, seria presidente da produção. Sem isso, o país não vai para a frente.

Para o tucano, o atual sistema de reforma agrária é um problema, porque os assentamentos não conseguem produzir.

— Paga uma nota para desapropriar.

Custa R$ 40 mil, R$ 50 mil, R$ 60 mil por família assentada.

Tem cabimento depois ter que manter com uma cesta básica? Nenhum — argumentou, sem perder a chance de alfinetar o MST. — O MST não faz reforma agrária, é um movimento político com gente que não tem ideia do que acontece no meio rural.

Não pode dar dinheiro público para esses movimentos.

Serra rebateu a política externa de Lula. Disse que a taxa cambial está desfavorável ao agronegócio, e censurou o governo por não ser agressivo na derrubada de barreiras sanitárias ou na defesa do produto nacional: — Não tem política. Nem de defesa comercial, nem de penetração comercial.

Mais cedo, em sabatina do UOL e do jornal “Folha de S. Paulo”, Serra disse que gostaria de fazer, no segundo turno, “tabelinha” com Marina Silva, do PV: — Eu adoraria ser o herdeiro (dos votos do PV), mas a decisão não é minha, é dos eleitores.

Eu até toparia uma tabelinha, mas não acho que a Marina esteja fazendo algum viés, não. Agora, tenho uma proximidade grande com a área ambiental.

Me considero um ambientalista.

Mas não há nenhum tipo de entendimento político.

Serra rasgou elogios ao candidato verde ao governo do Rio, Fernando Gabeira — “é um caso único, tem apoio de todos os candidatos a presidente”. Em duas horas de sabatina, atacou o governo federal e a campanha de Dilma. Sobre privatizações, disse que os rivais fazem terrorismo eleitoral sobre o tema.

— O governo Lula privatizou dois bancos, não reprivatizou nada, e acho que essa questão é mais usada como terrorismo do que como debate. Falar “Serra vai privatizar o Banco do Brasil” é um terrorismo.

O tucano disse apostar as fichas em sua biografia política. E que caberá ao eleitor escolher a partir da história dos candidatos, em crítica velada ao currículo de Dilma na vida pública: — Quem deve dizer isso é o eleitor, que deve julgar a biografia, e não só a biografia familiar.

Mas me refiro à biografia na vida pública, coerência, experiência, o que já se fez.

Serra disse que a escolha do vice ficará para o fim do mês, mas que o assunto não o estressa.

Ele afirmou ainda que até ele tem curiosidade para saber quem será o escolhido: — Também tenho uma enorme curiosidade (sobre o vice), mas até o fim do mês se resolverá.

Essa não tem sido uma questão estressante para mim nem para o PSDB. Como temos o prazo, estamos fazendo uma boa avaliação, que some.

Serra voltou a dizer que Dilma deveria ter pedido desculpas publicamente por causa do suposto dossiê contra os tucanos: — Deveria ter afastado pessoas, pedir desculpas. O que não pode é dizer que o problema é da Receita. O que não pode é também culpar a vítima, o que significa que isso ainda vai continuar.

Acho que ela deveria pedir desculpas, sim. Do tipo: desculpa, nós erramos e estamos tomando as providências

Serra vê terrorismo com privatizações e diz que Dilma deve desculpas por dossiê

SABATINA NA FOLHA DE S. PAULO

"Lula chamava o Bolsa Família de Bolsa Esmola", diz Serra em sabatina

Serra se diz a favor da união civil e da adoção de crianças por gays

Serra diz que governo da Bolívia faz corpo mole e chama de absurda cassação de aliados

Também tenho uma enorme curiosidade de saber quem será meu vice, diz Serra

"Escolha do vice não tem sido estressante", diz Serra

Para Serra, governo errou ao tratar dos royalties em ano eleitoral

SÃO PAULO -
O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou nesta segunda-feira que as privatizações de empresas estatais são usadas como "terrorismo eleitoral" e que sua adversária na disputa, Dilma Rousseff (PT), deve desculpas pelo suposto dossiê contra tucanos.

"Isso [as privatizações] é usado mais como terrorismo eleitoral, do que como realidade", disse ele em sabatina da Folha, em referência a uma suposta intenção sua de privatizar empresas estatais.

Sobre o Banco do Brasil, afirmou que é "terrorismo em estado puro".

Serra também falou sobre o suposto dossiê contra tucanos. Segundo reportagem da Folha, os dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, levantados pelo "grupo de inteligência" da pré-campanha de Dilma, saíram diretamente dos sistemas da Receita Federal, como atestam documentos aos quais a reportagem teve acesso.

"Por que a Receita vai quebrar o sigilo de alguém e fazer vazar isso à toa? Não é à toa", disse Serra. "Diante das evidências, caberia uma atitude mais dramática, de afastar as pessoas, pedir desculpas publicamente", afirmou ele sobre a reação que Dilma deveria ter em relação ao caso.

O jornalista responsável pelo pedido de levantamento de informações saiu da campanha petista, mas Dilma nunca foi a público dizer que houve falha de sua campanha. O presidente Lula chegou a dizer que o caso seria uma "armação".

Outro lado

O ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) disse que é Serra quem deve desculpas à Dilma por acusar membros da pré-campanha petista.

"Quem tem de pedir desculpas é quem está buscando relacionar esta história de dossiê com a pré-campanha da ministra Dilma", disse Padilha, após reunião com o presidente Lula, em Brasília.

Casais homossexuais

Ele disse ser a favor da união civil e da adoção de crianças por casais homossexuais. "Tem tanto problema grave de crianças abandonadas no Brasil. Isso vale para qualquer tipo de casal, qualquer tipo de pessoa. Não vejo por que não aprovar isso", disse ele durante sabatina da Folha.

O tucano disse ser a favor, "em geral", de ações afirmativas. Ele defendeu o modelo adotado pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). "Na Unicamp você tem pontos se você veio de escola pública, se tem cor negra. É diferente e tem funcionado bem."

Dilma também defende o direito de os casais gays adotarem crianças. Marina Silva (PV), que é evangélica, sempre escapa dessa pergunta. Há meses, diz que ainda não formou opinião.

Serra afirmou que não é a favor da descriminalização das drogas e disse que não mexeria na atual legislação sobre o aborto. "Liberar o aborto criaria uma verdadeira carnificina no país."

Vice

O tucano afirmou, ao ser questionado sobre o vice que irá compor sua chapa, que também tem uma "enorme curiosidade" em saber o nome do político que vai ocupar a vaga.

"Eu também tenho uma enorme curiosidade. Até o fim do mês resolve. Essa não tem sido uma questão estressante para mim, nem para grande parte do PSDB", disse ele durante sabatina da Folha.

Hoje, os mais cotados são Sérgio Guerra, Tasso Jereissati e Álvaro Dias, todos senadores do PSDB. No DEM, José Carlos Aleluia, deputado baiano, tem chances também.

Respondendo a uma pergunta se seria o candidato da continuidade ou da mudança, o tucano afirmou que será o "candidato do avanço".

Um dos entrevistadores da sabatina, Fernando Rodrigues, citou uma frase do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, criticando o programa Bolsa Família, e Serra emendou: "É uma pena que você tenha pesquisado e deixado de ver o que o Lula falou. Antes de ser presidente, Lula e o PT chamavam o programa de Bolsa Esmola".

Serra falou sobre sua relação de congressista com o governo Fernando Collor para dizer que não faz oposição do "tudo ou nada, do quanto pior, melhor".

O tucano acusou o PT de fazer "terrorismo" contra sua candidatura. Ele culpou os petistas por boatos de que acabaria com o Bolsa Família ou o ProUni, marcas de sucesso do governo Lula.

"Isso nunca me passou pela cabeça. É como dizer que é contra a energia elétrica, a água encanada", reclamou. "Tem tanta coisa maluca espalhada que eu não quero nem falar. Depois endureceu o tom: "Esse é o método terrorista. Não violento, mas terrorista".

O tucano afirmou que governo não precisa ter uma marca específica. "Eu não acho que tenha que ter uma marca. Acho que tem que trabalhar muito. A minha marca foi trabalhar muito."

O presidenciável citou suas principais realizações no Ministério da Saúde, como genéricos, programa contra a Aids e campanha de vacinação contra a gripe, para dizer que nenhuma delas foi uma marca de sua gestão, e o famoso vídeo em que orienta a população a tomar cuidado com o porquinho para evitar a gripe suína. "Essa é uma das grandes gozações que eu sofri na minha vida pública, a coisa do porquinho."

PV

Após o PSDB nacional oficializar apoio neste fim de semana à candidatura de Fernando Gabeira (PV) ao governo do Rio de Janeiro, o tucano afirmou hoje que Gabeira é "um grande quadro" de sua geração. O palanque do deputado no Rio está dividido entre ele e Marina.

Questionado sobre se acha que herdará os votos de Marina num eventual segundo turno com Dilma, Serra afirmou que adoraria. "Eu adoraria ser o herdeiro, mas a decisão não é minha, é dos eleitores."

O tucano disse não concordar com a hipótese levantada de que Marina está lhe poupando na campanha."Eu até toparia uma tabelinha, mas eu não acho que a Marina esteja fazendo algum viés, não. Agora, eu tenho uma proximidade grande com a área ambiental. Me considero um ambientalista. Mas não há nenhum tipo de entendimento político", afirmou Serra.

PP

O candidato disse que não perdeu a esperança de atrair o PP para sua coligação. O partido flertou com Serra, mas agora indica que ficará neutro na disputa. "Ainda não acabaram as coisas, temos até o fim do mês. O PP tem alianças no Rio Grande do Sul, com o PSDB. O Brasil é heterogêneo, os partidos também são. Estamos trabalhando", disse Serra.

Perguntado sobre as chances matemáticas de fechar com o PP, o tucano arriscou uma metáfora futebolística, no estilo do presidente Lula: "Não sei qual é a chance, mas, se soubesse, não diria. Se numa partida de futebol o técnico diz: 'Acho que a chance do Kaká entrar pela esquerda e cruzar para o Elano é de 80%'. Isso não ocorre. Porque vão marcar o Kaká e o Elano."

Ele ainda evitou comentar sua participação como protagonista do programa do PSDB, na última quinta-feira. "A Justiça vai julgar."

Em seguida, atacou o PT e candidata Dilma. Segundo ele, está havendo "uso da máquina". "Por exemplo, falar de crack e no dia seguinte vir um programa contra o crack", disse, referindo-se ao episódio em que sua adversária levantou o problema da disseminação do vício e, em seguida, o governo federal lançou um plano nacional de enfrentamento da droga.

Serra ainda defendeu o fim da reeleição, mas disse que não transformará a ideia em "programa de governo".

Bolívia

Serra afirmou que o governo da Bolívia faz corpo mole contra as drogas. Segundo ele, a alegada "cumplicidade" do governo daquele país com o tráfico é só um fator do problema.

"São vários fatores. Nada contra o povo boliviano. É um país que tenho muito carinho. Agora, que o governo lá faz corpo mole, faz", disse ele durante sabatina da Folha.

O tucano também chamou de "absurdas" as cassações de dois aliados: os ex-governadores Cássio Cunha Lima (PSDB), da Paraíba, e Jackson Lago (PDT), do Maranhão.

"É um absurdo. O Jackson foi cassado porque o governador o apoiava e ele foi numa solenidade em que o governador disse não sei o quê."

Ambos podem ser impedidos de concorrer este ano pela Lei Ficha Limpa, o que causa apreensão na campanha tucana. Segundo Serra, a lei não deve ser usada contra os dois aliados.

"A lei teve como objetivo pegar malandro que rouba. Eles foram cassados, já foram punidos. Agora, diante da interpretação do TSE [Tribunal Superior Eleitoral], cada caso terá que ser julgado individualmente", disse. "Presumo que a Justiça fará uma via rápida para resolver isso a tempo. Se não, vai ser uma grande confusão no país."

Banco Central

Serra voltou a explicar hoje a afirmação de que o Banco Central não é a Santa Sé. "Eu disse algo muito óbvio. Acho que tem que funcionar direito, tem que ser entrosado."

Em uma alfinetada no governo, ele afirmou que terá uma equipe entrosada, sem divergências públicas entre o BC e os ministérios da Fazenda e do Planejamento. "Não pode ter uma política que vai para um lado e uma que vai para o outro. Com esse entendimento, vamos conseguir fazer uma bela política econômica."

Ditadura

Perseguido pelos militares, Serra disse que era contra a luta armada e não poderia ficar no Brasil como clandestino. "Viver na clandestinidade, se você tem cara conhecida, é praticamente impossível."

O tucano disse que salvou o petista Marco Aurélio Garcia, coordenador do programa de Dilma, no Chile. "Eu o ajudei no Chile, quando teve o golpe lá [em setembro de 1973]. Chamei o Paulo Renato [Souza] para ele levar o Marco Aurélio a uma embaixada que eu mesmo tinha aberto."

Ele ainda brincou com o aliado Aloysio Nunes Ferreira, candidato ao Senado pelo PSDB, sentado na primeira fila do Teatro Folha. "Luta armada, eu nunca acreditei. Tem amigos meus que acreditaram. Vou olhar de levinho aqui..."

Aposentados

Serra também falou sobre o reajuste de 7,7% para os aposentados, sancionado na semana passada pelo presidente Lula. "Quem está lá tem o domínio dos números."

Ele defendeu, sem entrar em detalhes, uma reforma previdenciária que não mexa em direitos adquiridos. O tucano lembrou de sua época de constituinte, em que diz ter defendido "um novo sistema, pra quem está nascendo hoje".

CPMF

Questionado sobre a extinção da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e se ela voltaria num eventual governo tucano, Serra se esquivou de responder.

"A CPMF, quando foi extinta, já não estava mais vinculada à saúde. Essa história de que prejudicou a saúde é conversa. O dinheiro da saúde já vinha escasseando, porque o governo deixou de mandar."

O tucano afirmou que só pode falar de criação ou extinção de imposto no contexto de uma reforma tributária. Sobre essa reforma, repetiu um mantra de campanha: "É como eletricidade e água encanada. Todo mundo é a favor".

Segundo Serra, o governo precisa de um projeto claro a respeito. "A primeira coisa que um governo deve ter é um projeto. Segundo: batalhar pelo projeto. E, em terceiro, ganhar a opinião pública."

O tucano repetiu que "temos a maior carga tributária no mundo em desenvolvimento, a maior taxa de juros". "Tem algo errado aí. Com toda essa grana, se gasta mal o dinheiro."

Para ele, a preocupação com a eficiência no gasto público é "pequenininha" e fica "lá no horizonte".

Serra prometeu ainda fazer a Nota Fiscal Brasileira, nos moldes do programa Nota Fiscal Paulista, criada por ele em São Paulo. Segundo ele, não é promessa, é um "anúncio".

Royalties

Serra afirmou que o governo errou ao tratar da polêmica sobre os royalties de petróleo em ano eleitoral. "A questão dos royalties nunca poderia ter sido levantada em ano eleitoral. Para que?
Criou-se a sensação de que o pré-sal está aí na esquina. Levantar em ano eleitoral é trazer a discórdia e a desavença para o país."

O tucano diz que discorda do modelo de partilha, aprovado pelo Congresso, que tira recursos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

"Lógico [que discordo]. Tira tudo do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, que estão crescendo com isso. Você não pode chegar para a cidade de Campos e dizer que a partir de amanhã isso acabou.
Você vai criar um colapso. Óbvio que há uma reação muito forte. A troco de que? Não faz sentido."

Serra disse ainda que não se opõe à criação da nova estatal que administrará o pré-sal. "Em princípio, não sou contra criar nenhuma nova estatal, se ela for imprescindível. Neste caso tenho dúvidas, mas já é uma decisão tomada."

Copa-2014

O candidato tucano também falou sobre a exclusão do Morumbi da Copa-2014. "Por mim, teria feito no Morumbi. Não teria acontecido nada", disse. "As obras que cabiam ao governo do Estado, nós nos encarregamos. Aquilo que precisava do governo, nós garantimos tudo."

Ele ainda reclamou da Fifa: "Acho que há muita exigência também."

Cuba e Irã

Serra avalizou a relação do Brasil com Cuba e disse que o bloqueio americano à ilha é "uma coisa odiosa", mas afirmou que o respeito aos direitos humanos deve ser defendido pelo Brasil. "Se o Brasil votar para censurar a falta de direitos humanos em Cuba, vai votar sim."

Ele ainda defendeu as sanções ao Irã e comparou o presidente Mahmoud Ahmadinejad ao líder nazista Adolf Hitler. "O Brasil entrou num caminho que não tinha mais volta. Eu não teria feito essa negociação", disse, chamando Ahmadinejad de ditador. "Não é alguém confiável. Guardando as proporções, é como o pessoal que confiou em Hitler."

Debate

Antes de se despedir, Serra deu uma alfinetada em Dilma, que cancelou sua participação no debate, alegando uma viagem internacional.

"Um debate como esse não tira pedaço de ninguém. O ideal seria que todos comparecessem."

Ele ainda se desculpou pelo atraso de 40 minutos. Prevista para as 11h, a sabatina só começou por volta das 11h40. "Peço perdão sem esperança de obtê-lo."

Questionado sobre seus atrasos, Serra admite o problema, mas relativiza. "Quando eu chego na hora, não acontece nada."