sexta-feira, 20 de setembro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Incêndios florestais expõem Brasil a retaliação global

O Globo

Origem criminosa do fogo deverá ser explorada pela UE e por outros países para barrar importações brasileiras

Além da devastação ambiental, os incêndios florestais que castigam o Brasil criarão graves problemas econômicos, em particular no comércio internacional. A ameaça mais urgente vem da entrada em vigor na União Europeia, em 1º de janeiro de 2025, da regra que proíbe importações de produtos de áreas desmatadas ilegalmente. Se as queimadas forem vinculadas ao desmatamento ilegal — e, dada a proliferação de incêndios criminosos, não será difícil fazer a conexão —, o país poderá perder US$ 15 bilhões em receitas, o equivalente a mais de um terço das exportações para o bloco europeu. Entre as mercadorias mais atingidas estão café, carne, cacau, soja e os próprios produtos florestais, como madeira ou móveis.

Fernando Abrucio - Urgências que colocam o país em risco

Valor Econômico

Entre os grandes problemas atuais, o primeiríssimo da lista é a questão ambiental e climática. A resolução dela é essencial para evitarmos uma destruição enorme de nossas estruturas econômicas e sociais

Países que não enfrentam urgências severas podem pagar um custo muito alto. E não se trata apenas dos efeitos mais imediatos, capazes de matar pessoas, como na pandemia de covid-19, ou gerar recessão e perda de empregos. Algumas questões prementes têm consequências temporais mais longas.

O Brasil tem hoje temas urgentes a enfrentar que podem piorar as condições de curto e de longo prazo. Se a sociedade não se mexer para tirar a classe política do modo tartaruga ou avestruz de ser, teremos uma década muito difícil pela frente, com perdas que afetarão fortemente a qualidade de vida dos cidadãos.

A procrastinação das urgências é uma marca da história brasileira. A abolição da escravatura é o melhor exemplo. O país tinha sido colonizado por um padrão escravocrata que gerara uma sociedade muito desigual, embebida na barbárie. O patriarca da Independência, José Bonifácio, já propusera em 1823 o fim gradual da escravidão, que teria terminado, se sua proposta tivesse sido aceita, na década de 1850.

Mas o fim desse modelo bárbaro só se deu em 1888, quase 40 anos depois do que imaginava o membro mais ilustrado da elite brasileira. E assim o Brasil foi o último país ocidental a sair da lista infame dos que escravizavam pessoas, com efeitos terríveis no curto prazo de então e consequências nefastas até hoje.

José de Souza Martins - A lentidão da consciência eleitoral

Valor Econômico

Já próximos do dia de votação, mesmo na nebulosidade da campanha, o eleitor começa a compreender qual é o jogo, quanto há de falso e de verdadeiro nas candidaturas

Não está claro em que momento do processo eleitoral o eleitor começa a tomar consciência de que já começou e começa a se interessar por seu lugar e seu protagonismo nele. Refiro-me à subjetividade política do cidadão.

Esse é um momento cíclico e rotineiro da manifestação da vontade política dos cidadãos. A decisão do voto é a da sua invenção na tomada de consciência das armadilhas que procuram tolher-lhe o direito de livre opção eleitoral.

Aqui esse momento é demorado e não é rotineiro. Os partidos e os eleitores com ele se defrontam e nele se integram como um movimento anômalo e convulsivo da política.

Não raro pressupõem que as possíveis mudanças decorrentes de uma eleição devem ser temidas. A insurreição golpista de 8 de janeiro de 2023 expressou essa concepção anômala da política de maneira dramática, muitas pessoas levadas ao desespero na manifestação apocalíptica do seu inconformismo.

Andrea Jubé - Sucessão em dois tempos: presente e futuro

Valor Econômico

Considerar a sucessão de Lira jogo jogado é um erro e um risco

Para usar as palavras de um assessor que despacha no Palácio do Planalto, o líder do Republicanos, Hugo Motta (PB), “a preço de hoje, está eleito presidente da Câmara”. E com a simpatia de uma ala expressiva do governo, que incluiria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Não é bem assim”, retrucou um importante deputado do PT, ao ouvir da coluna as palavras proferidas pelo assessor palaciano. Este parlamentar petista argumentou que depois de se reunir com Motta, Lula e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, receberam em seus gabinetes os adversários dele na corrida sucessória, os dois líderes baianos Elmar Nascimento, do União Brasil, e Antonio Brito, do PSD.

Bruno Boghossian - Nunes ganha vantagem sem empolgar

Folha de S. Paulo

Eleitor saturado com Marçal e consolidação de voto ajudam prefeito em momento de contagem regressiva

O quadro de estabilidade captado pela nova pesquisa do Datafolha dá vantagem a Ricardo Nunes (MDB) nesta etapa da eleição de São Paulo. Sem sair do lugar e sem produzir muita empolgação, o prefeito ganha favoritismo num momento de contagem regressiva do primeiro turno e menos de um mês depois de ver sua campanha em xeque.

Três pontos da pesquisa são positivos para Nunes. O primeiro é a consolidação progressiva de seu eleitorado na faixa dos 27%, que seriam suficientes para levá-lo ao segundo turno. O percentual de apoiadores do prefeito que dizem estar totalmente decididos subiu e chegou a 65%. Para comparação, o idolatrado Pablo Marçal (PRTB) tem 71% de eleitores convictos.

Marcos Augusto Gonçalves - Cadeirada de Datena não atinge eleitor

Folha de S. Paulo

Repetição do resultado reforça hipótese de segundo turno entre Ricardo Nunes e Guilherme Boulos

A cadeirada desferida pelo candidato José Luiz Datena em Pablo Marçal não atingiu as intenções de voto registradas pela mais recente pesquisa Datafolha, em São Paulo. Os números repetem o cenário da sondagem anterior, com o prefeito Ricardo Nunes numericamente à frente (27%), seguido por Guilherme Boulos (26%), e o clown Pablo Marçal (19%) na rabeira.

A hipótese de um segundo turno entre Nunes e Boulos ganha mais fundamento com a repetição do resultado. Reforça a hipótese de que os dois passem para a nova etapa o fato de que repetem de certa forma o confronto histórico entre direita e esquerda como nos tempos de tucanos contra petistas. A ver.

Ruy Castro - Em breve, armas de fogo nos debates

Folha de S. Paulo

Nos embates políticos do passado e nas guerras, os adversários sabiam de onde viriam os ataques

Em 1890, com o aperfeiçoamento em Londres dos motores a combustão, das baterias elétricas e do aço, tornou-se possível a construção dos submarinos, longamente sonhada. Eles seriam invencíveis numa guerra naval, por navegarem submersos e poderem atacar de surpresa os navios inimigos. A ideia foi levada à rainha Vitória, que se chocou: "O quê!? Vamos atacar sem antes mostrar nossas cores???". Foi preciso Vitória morrer para o primeiro submarino ir à guerra.

Vinicius Torres Freire – A política do horário de verão

Folha de S. Paulo

Não há urgência para 2024, diz gente no Planalto; se adotado, começa só em novembro

Assessores políticos de Luiz Inácio Lula da Silva não estão animados com a ideia de decretar horário de verão para este ano. Para eles, o assunto subiu no telhado, tem inconveniências políticas e técnicas e não seria tão urgente, embora digam não ter ideia do que o presidente pretende decidir, até o fim do mês.

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) recomendou oficialmente que se adiante o relógio em uma hora, ainda neste ano, em reunião da cúpula da gestão do setor elétrico, nesta quinta-feira (19). O ONS é uma espécie de diretor nacional de tráfego da eletricidade: diz de onde sai a energia e para onde vai.

Na estimativa dos técnicos, a economia seria de R$ 400 milhões durante um horário de verão inteiro (outubro a fevereiro). Mas a poupança maior se dá em outubro (2,9% do consumo bruto total), caindo em novembro (2,5%), dezembro (1,4%) etc.

Celso Ming - É o lobo mau, mas a criança dorme...

O Estado de S. Paulo

Ah, sim, foi mais duro do que habitualmente o tom do comunicado do Banco Central (BC) nesta quarta-feira, logo depois da decisão de aumentar os juros básicos (Selic) em 0,25 ponto porcentual, pontuam os analistas do mercado financeiro.

Uma das características da comunicação entre os humanos é a de que o tom é quase sempre mais importante do que o conteúdo literal da mensagem.

Vejam o que acontece com tantas canções de ninar, especialmente as mais antigas. Falam de coisas terríveis: do lobo mau que escancara seus dentes, do boi da cara preta, da cuca que vem pegar, da bruxa que come pequeninos... e, no entanto, a criança dorme placidamente. Dorme porque o tom sereno da canção é mais importante do que as brutalidades relatadas.

No comunicado do Copom, o tom foi em sentido oposto. Não foi tranquilizador, foi mais de advertência contra perigos, que chama de riscos. Ou seja, o tom que justifica a volta de um maior aperto monetário é, no linguajar do mercado financeiro, uma atuação mais de falcão (hawkish) do que de pombo (dovish).

Eliane Cantanhêde - Israel esquenta, Rússia esfria

O Estado de S. Paulo

Brasil e China atendem a ‘chamado’ de Putin e voltam a articular acordo entre Rússia e Ucrânia

Depois do excesso de ambição e sucessivos fracassos na tentativa de recuperar o protagonismo do Brasil e o prestígio internacional de Lula, o governo agora trabalha com a China, em silêncio e comedidamente, na busca de algum acordo de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia. O momento é propício, já que os dois lados dão sinais de exaustão diante de uma guerra que se prolonga sem perspectiva de vitória para um ou para o outro.

O primeiro sinal de abertura da Rússia ao diálogo foi dado por Vladimir Putin, quando citou Brasil, China e Índia como potenciais mediadores. A partir daí, a diplomacia voltou a agir. Na semana passada, o chanceler russo, Serguei Lavrov, conversou com o brasileiro Mauro Vieira em Riad, e depois com o assessor internacional Celso Amorim, em Moscou. E Amorim já engatou contatos com seu correspondente chinês.

Paulo Sotero - Trump, uma ameaça à democracia

O Estado de S. Paulo

Teatro de absurdos não respeita fronteiras nacionais. Ex-presidente é um exemplo a ser repudiado por seus vizinhos nas Américas

Alucinado ante a perspectiva de perder a eleição presidencial de novembro para a vice-presidente Kamala Harris, filha de pai jamaicano e mãe indiana, o ex-presidente Donald Trump vem dando crescentes sinais de instabilidade emocional e descontrole. Desorientado pela solene surra que levou da ex-senadora e ex-secretária da Justiça da Califórnia no primeiro e único debate da campanha, na semana passada, Trump entrou na reta final da disputa diminuído por sua incapacidade de manter uma postura condizente com a dignidade do cargo que pleiteia.

Luiz Carlos Azedo - Polarização naufraga no Triângulo das Bermudas

Correio Braziliense

A disputa pelas prefeituras pode se encerrar no primeiro turno em 13 capitais. Estão nessa situação Rio de Janeiro, Salvador, Boa Vista, Florianópolis, João Pessoa, Macapá, Maceió, Palmas, Porto Velho, Recife, São Luís, Teresina e Vitória

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) se manteve na liderança da disputa eleitoral em São Paulo (9,32 milhões de eleitores), com 27% de intenções de votos, em empate técnico com Guilherme Boulos (PSol). Pablo Marçal (PRTB) permanece na terceira posição, mas fora do empate técnico, com 19%, segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem. No Rio de Janeiro (5,09 milhões), o prefeito Eduardo Paes (PSD) manteve-se na liderança absoluta, com 59% de intenções de votos, enquanto Alexandre Ramagem (PL) está com 17%.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro emitiram sinais trocados em suas principais bases eleitorais. O primeiro, aposta num candidato de esquerda em São Paulo, Boulos, e num de centro no Rio, o prefeito Eduardo Paes. O segundo, num candidato de extrema direita no Rio, Ramagem, e um candidato de centro em São Paulo — Nunes.

Vera Magalhães - A força do cargo na reta final

O Globo

Meios tradicionais da política e avaliação entre regular e boa ainda impulsionam prefeitos em capitais importantes

Depois de representar uma das maiores rupturas em pleitos municipais nos últimos anos, com o incêndio Pablo Marçal tendo virado assunto e modelo para candidatos em todo o país, a eleição vai chegando à reta final com a onda aparentemente contida e os incumbentes, prefeitos que disputam a reeleição, demonstrando a força do cargo e dos meios tradicionais da política.

Quando se faz um sobrevoo nas capitais do país, mesmo mandatários que enfrentaram problemas graves e não se saíram tão bem, como Sebastião Melo (MDB), da devastada Porto Alegre, se mostram competitivos a menos de 20 dias do primeiro turno.

O tira-teima da eleição de 2022, que, se imaginava, seria uma das tônicas da campanha, vai se mostrando um pouco mais complexo. Nem Lula nem Bolsonaro brilham como indutores de votos, com seus candidatos mais próximos tendo dificuldade de herdar a maioria do eleitorado que ambos reuniram há menos de dois anos.

Bernardo Mello Franco – Nada de Novo

O Globo

A incivilidade de Pablo Marçal transformou os debates de São Paulo num jogo de todos contra um. Ou quase. Uma das candidatas à prefeitura resolveu investir na dobradinha com o coach. É Marina Helena, do Novo.

Sem decolar nas pesquisas, a economista se dispôs a atuar como escada para o aventureiro do PRTB. No debate de segunda-feira, ela não se limitou a tabelar com o coach. Também replicou seus métodos ao envolver a vida pessoal de uma adversária em acusação sem provas.

A candidata do Novo disse que Tabata Amaral teria usado um jatinho particular para visitar o namorado no Recife. Ameaçada de processo, ela informou que pedirá desculpas se a rival apresentar comprovantes de voos comerciais. Como o ônus da prova ainda cabe a quem acusa, fica valendo o desmentido da deputada do PSB.

Flávia Oliveira - A violência como regra

O Globo

Quando vaticinou-se que a corrida municipal de 2024 seria nacionalizada, parecia somente a redução, paulistana sobretudo, do embate Lula x Bolsonaro de 2022. Quem imaginaria que, a duas semanas do primeiro turno do pleito que elegerá prefeitos e vereadores país afora, a nação inteira estaria comentando com repulsa, perplexidade e doses cavalares de humor os ataques entre prefeitáveis da maior, mais rica e mais importante cidade brasileira? Muita gente. Afinal, não é de hoje que o Brasil é território de muita, muita mesmo, violência política.

Era questão de tempo para a brutalidade, que começou nas redes sociais e avançou por sabatinas, culminar na cadeirada de José Luiz Datena (PSDB) em Pablo Marçal (PRTB), ao vivo, em pleno debate. Não há como fingir surpresa, já que ofensas, injúrias, agressões e até tentativa de assassinato estão cada vez mais integradas ao cardápio de campanhas assentadas em lacres e likes nas redes sociais, na criminalização de adversários, na vitimização de si mesmo, se dividendos render.

Cláudio Carraly* - Os super-ricos e a Democracia são incompatíveis

Nos últimos anos, o fosso entre os bilionários e o restante da população mundial alcançou níveis alarmantes, gerando preocupações crescentes sobre os impactos socioeconômicos e políticos dessa disparidade. A concentração extrema de riqueza nas mãos de uma pequena elite não apenas exacerbou a desigualdade, mas também minou a estabilidade democrática e a coesão social em todo o mundo. Dados recentes do Credit Suisse revelam que os 1% mais ricos detêm mais da metade de toda a riqueza global, enquanto os 50% mais pobres possuem menos de 1% da riqueza total. Essa disparidade é uma mancha na sociedade humana, exacerbando a pobreza, a exclusão social e a injustiça econômica.

A disparidade entre os mais abastados e o restante da sociedade continua a alargar-se, acarretando consequências não apenas para os estratos menos favorecidos, mas também para o crescimento econômico e a estabilidade política em âmbito global. O poder financeiro dos super-ricos frequentemente se converte em uma influência política desproporcional, permitindo-lhes manipular políticas públicas em seu próprio benefício, operando para minar processos democráticos e privilegiar seus interesses individuais em detrimento da necessidade da maioria. Esta influência indevida desse nível de poder econômico, quando ocorre na esfera política, contribui fortemente para a erosão da confiança do público nas instituições, elevando a crescente instabilidade das estruturas democráticas.

George Gurgel* - As eleições municipais de 2024

No Brasil, as distintas realidades regionais e municipais desafiam a construção de novas maneiras de pensar e fazer política no município, refletindo nas formas e conteúdos de organização da sociedade e no próprio exercício da cidadania, a partir da nossa diversa e excludente realidade cultural, social e ambiental.

As eleições municipais,   que irão acontecer em outubro próximo,  colocam em disputa as concepções de governar e de se relacionar de cada um de nós com o lugar em que vivemos, desafiando a construção de novas formas e meios de fazer política, diante das nossas urgências, em função das distintas  realidades econômica, social e ambiental, agravadas com a crise climática em curso - sintoma da insustentabilidade do mundo em que vivemos,   vivida atualmente de forma angustiante e trágica por toda a sociedade brasileira.

Os resultados das últimas eleições municipais de 2020 registraram um nível de abstenção recorde de 23%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, refletindo no nível de participação do eleitorado de apenas 41%, junto ao nível de insatisfação que foi de 31% da população.

Ao mesmo tempo, constatou-se, nos pleitos municipais de 2020, um maior protagonismo dos movimentos sociais em defesa de uma efetiva participação política das mulheres, dos afrodescendentes, dos indígenas, LGBT+, discutindo as questões específicas da sociedade, renovando as Câmaras Municipais e Prefeituras dos médios e grandes municípios, trazendo novas lideranças, representando a voz rouca dos excluídos da sociedade para a disputa e o exercício do poder municipal. Há ainda que se destacar a eleição de lideranças religiosas, particularmente evangélicas, o que já vem ocorrendo no Brasil, nas últimas décadas.

Poesia | Memória - Por Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Caetano Veloso - Sem Samba não dá

 

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Copom acertou ao aumentar taxa de juros

O Globo

Além de dar recado claro no combate à inflação, movimento dissipa incertezas sobre próxima gestão do BC

Era esperada a decisão do Banco Central (BC) de subir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, para 10,75% ao ano. Não faltam evidências de pressão sobre os preços: a economia segue aquecida, o desemprego cai, a política fiscal do governo é expansionista, e o dólar continua alto. Diante disso tudo, não causa surpresa que as expectativas de inflação para 2024 estejam longe do centro da meta (3%). Levando tudo em consideração, o Comitê de Política Monetária (Copom) fez a opção correta ao colocar o pé no freio. Tomada por unanimidade, a decisão também transmite um recado nítido de coesão no Copom — e contribui para afastar incertezas a respeito da próxima gestão no BC, que começa em 2025.

O anúncio marca uma mudança de rota na política monetária. Entre agosto de 2023 e maio deste ano, a Selic caiu de 13,75% para 10,5%. De lá para cá, ficou estacionada. Com a subida gradual de agora, o mais provável é um novo ciclo de alta. Que ninguém se engane. A perspectiva de juro alto nunca é boa. Ao tornar o crédito mais caro, inibe o consumo e o investimento. Mas vale lembrar que adotar uma política monetária contracionista na hora certa evita males maiores no futuro, com escalada de preços e erosão no poder de compra.

Maria Hermínia Tavares - Eleições e disputas no campo das direitas

Folha de S. Paulo

Está em disputa a liderança firmada pelo ex-presidente nas eleições de 2018

Há duas eleições para a Prefeitura de São Paulo. A primeira, ostensiva, definirá o novo ocupante do 14º andar do Edifício Matarazzo, no paulistaníssimo Viaduto do Chá. Em paralelo, como apontou o cientista político Antonio Lavareda, trava-se uma espécie de primárias para decidir a liderança das direitas na Pauliceia.

O prefeito Ricardo Nunes e o autointitulado "ex-coach" Pablo Marçal têm em comum folgada vantagem sobre um grupo mais amplo onde figuram desde o destemperado Datena até uma jovem que, embora envolta na bandeira do novo, mais parece a reencarnação das marchadeiras de 1964 contra o "comunismo ateu".

A queda de braço paulistana tem inegáveis características locais: como não ver em Marçal a versão digital —e ainda mais primitiva— do velho populismo de direita que levou Jânio Quadros a se sentar duas vezes na cadeira de prefeito e alavancou a carreira de Paulo Maluf? Como esquecer do Adhemar ("rouba mas faz") de Barros ao ouvir do prefeito Nunes o quanto "fez, faz e fará" pelos mais pobres?

Merval Pereira - A distopia que vivemos

O Globo

Musk parece um daqueles vilões dos filmes de 007, ou, mais atualmente, das séries de ação de Tom Cruise, que se preparam para dominar o mundo com armas tecnológicas avançadíssimas, mas que sucumbem aos heróis que protegem o mundo

Tudo leva a crer que o ex-presidente Bolsonaro sabia da possibilidade de a rede social X, banida do território nacional pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, voltar a funcionar em algum momento ontem. Tanto que tinha pronto um texto longo sobre o tema, com críticas à decisão e uma defesa das empresas de Elon Musk. O escrito tinha características de ter sido oriundo de sua defesa jurídica, não de mensagem escrita em português peculiar pelo vereador Carlos Bolsonaro, que manipula as redes sociais para seu pai.

Foi uma clara provocação do bilionário Musk, que assumiu definitivamente o papel de militante da direita internacional. A compra do Twitter, rebatizado X, não foi um investimento financeiro, mas um lance para aumentar o potencial da atividade política de Musk. Sendo assim, o combate ao ativista internacional torna-se também um combate político, embora a base da punição no Brasil tenha sido técnica, pela falta de pagamento de multas e de representante legal no país.

Ruy Castro - A arte de prosperar, ficar rico e ser feliz

Folha de S. Paulo

Para dar o exemplo, coaches são os primeiros a prosperar, ficar ricos e ser felizes

Neste momento, há 101 influenciadores sendo investigados pela polícia no país. Alguma coisa a ver, talvez, com a biografia deles?

Pablo Marçal, 37 anos, chegado a cadeiradas por motivo justo, integrava em jovem uma quadrilha que desviava dinheiro de bancos. Depois, foi guia turístico em excursões de risco sem as devidas precauções, idealizador do imaginário kit gay e criador de um banco fantasma que aceitava depósitos. Até que se tornou coach digital e autor de livros como "A Arte de Prosperar", doutrinando seus seguidores a serem ricos e felizes. Para dar o exemplo, ele próprio prosperou, ficou rico e feliz. Hoje tem 29 empresas, um patrimônio de R$ 193 milhões e é ex-futuro prefeito de São Paulo.

Malu Gaspar – Hackeando Marçal

O Globo

A principal razão por que Pablo Marçal (PRTB) capturou uma fatia do eleitorado paulistano e se converteu na grande novidade da campanha deste ano foi a transposição, para a política, do método Marçal, que ele mesmo explica ser ancorado na economia da atenção. Nesse método, tudo gira em torno da máxima segundo a qual não importa o que se diz, mas o impacto que se causa. Quanto mais impacto, mais voto.

O que interessa é conseguir que todos falem de você, seja por bancar o palhaço em debates, por inventar propostas mirabolantes ou por abusar da agressividade e de mentiras. O próprio Marçal já disse que precisava se comportar como idiota porque é disso que o eleitor gosta. A pegada antissistema em que ele se enquadrou é um imperativo algorítmico, e não necessariamente consequência de convicções pessoais. De antissistema, afinal, o ex-coach não tem nada.

Maria Cristina Fernandes - Brasil desafia crença de que a catástrofe une

Valor Econômico

O tardio conjunto de propostas do governo em resposta à crise das queimadas na Amazônia e no Pantanal nem chegou ao Congresso mas já desafia a crença de que a catástrofe une

O tardio conjunto de propostas do governo em resposta à crise das queimadas na Amazônia e no Pantanal nem chegou ao Congresso mas já desafia a crença de que a catástrofe une. A começar pelo crédito extraordinário que, autorizado pelo Supremo, será endereçado por medida provisória em curso.

Equivale a 1,2% daquilo que está previsto para compensar o Rio Grande do Sul pelas enchentes. Apesar disso, fez pipocar alardes fiscais desproporcionais ao reduzido volume de gasto face à elevada extensão do dano. Se os R$ 40 bilhões previstos para a tragédia gaúcha são necessários à reconstrução de um Estado agrícola que enterrou 183 vítimas e desabrigou 81 mil pessoas, os R$ 514 milhões de crédito extraordinário também o são para recuperar a Amazônia e o Pantanal.

Suas chamas espalharam fumaça por 60% do território nacional e deixaram localidades onde moram 10 milhões de brasileiros em situação de emergência. Para comer, o país precisa respirar.

Bruno Boghossian - A ciranda da alta burocracia fez fumaça

Folha de S. Paulo

Da sala de situação ao conselho contra desastres, ainda falta tratar a emergência climática como uma emergência

O governo criou em junho uma sala de situação para enfrentar a seca e os incêndios no país. Na primeira reunião, o grupo discutiu formas de facilitar a contratação de brigadistas. No segundo encontro, Marina Silva disse que os órgãos federais operavam "em plenas condições" de ação. "Já sabíamos que este ano seria severo", disse a ministra.

Tudo indica que a turma daquela sala avaliou mal a situação. Nos meses seguintes, o fogo se espalhou e a fumaça tomou boa parte do território nacional. A crise chegou ao Supremo, que determinou o aumento do número de brigadistas em ação. Com quase 700 focos de incêndio registrados no ano, o presidente Lula reuniu autoridades no Planalto e admitiu: "A gente não estava 100% preparado para cuidar dessas coisas".

Eugênio Bucci - Sensações apocalípticas

O Estado de S. Paulo

Os fatos nos põem frente a frente com o exaurimento não dos impérios, não da humanidade, mas do planeta Terra

Na capa do Estado de terça-feira, uma foto mostra Brasília submersa em fumaça densa, quase opaca. Na TV, paredões de fogo se levantam e marcham. A olho nu, a fuligem se derrama sobre a cidade; filamentos de carvão vindos no vento aterrissam como libélulas no capô do automóvel de um milhão de reais. O desastre climático é um desastre social, que castiga antes os de baixo, mas quando se impõe para valer não respeita a segregação entre as classes. Não respeita nada, cobre até os astros no céu. A Lua fica vermelha, como se obedecesse ao Apocalipse (6:12): “Inteira como sangue”.

Sol prata, chuva preta (isso quando chove). Aumentam as internações nos hospitais. Sobem os óbitos por problemas respiratórios. O noticiário dá conta de que um território equivalente ao Estado de Roraima já virou cinza. A realidade se mostra pior do que as previsões da teoria.

William Waack - O preço amargo

O Estado de S. Paulo

O Fed baixando os juros e o Copom subindo a Selic são o retrato de mais uma oportunidade perdida pelo governo Lula 3. A combinação delas promete um alto preço político e econômico num horizonte próximo ao das eleições de 2026. A principal causa das taxas de juros mais altas por aqui, enquanto descem nos EUA, vem de escolhas políticas do atual governo. A principal delas foi apostar no tratamento das contas públicas via aumento da receita, e pouco empenho em cortar gastos.

A oportunidade de fazer algum ajuste nas contas via cortes foi perdida logo no começo do mandato, quando Lula deixou claro que nem queria ouvir falar disso. Apostou na expansão do gasto público como motor do crescimento e impulso do consumo. Produziu um déficit permanente nas contas – e a desconfiança nos agentes econômicos. Reforçada pelos “atalhos fiscais”, “contabilidade criativa” ou como se queira chamar os truques para dizer que despesas não são despesas.

Alex Ribeiro - Copom indica ciclo de aperto maior

Valor Econômico

Qual é a dose necessária para colocar a inflação na meta? Quem dá a pista é a combinação das projeções do comitê com o balanço de riscos

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central não assumiu nenhum compromisso firme sobre os seus passos futuros para os juros, mas ainda assim deu indicações indiretas de que o ciclo de aperto iniciado nesta quarta-feira poderá ser maior do que o previsto pelos economistas do mercado – o que, teoricamente, poderia exigir um rimo mais forte de aperto.

O BC subiu a Selic de 10,5% para 10,75% ao ano. A rigor, não há um guidance, ou uma indicação firme, sobre como e quanto vai continuar subindo. O comunicado diz apenas que “o ritmo de ajustes futuros na taxa de juros e a magnitude total do ciclo ora iniciado serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta”.

E qual é a dose necessária para colocar a inflação na meta? Quem dá a pista é a combinação das projeções de inflação do Copom com o balanço de riscos para a inflação.

Vinicius Torres Freire - O plano óbvio para evitar Selic maior

Folha de S. Paulo

Dólar e commodities mais baratos ajudam, mas remendo no arcabouço fiscal é essencial

Um ano depois de começar a baixar a Selic, o Banco Central começou a dar ré, o que era previsível desde as confusões de abril e maio deste ano. A Selic baixara de 13,5% para 10,5% ao ano. Nesta quarta-feira (18), foi a 10,75%. Sendo otimista, chega a 11,5% no início de 2025. Pelo andar atual da carruagem, vai a 12%. No comunicado em que anunciou a Selic maior, mais seco do que de hábito, o BC não disse mais nada de interesse maior. Melhor assim. Menos confusão.

O que pode contribuir para que a Selic volte a cair logo? O preço do dólar baixar, em parte graças ao aumento da diferença de taxas de juros nos EUA e no Brasil (a "Selic" deles caiu meio ponto percentual também nesta quarta). Nesta quarta, o dólar já ficou menos salgado, mas a taxa de câmbio anda volátil e difícil de prever, para variar.

Celso Ming – Copom volta a aumentar os juros

O Estado de S. Paulo

Novos apertos na Selic são inevitáveis

O mercado financeiro já esperava por esse aumento dos juros básicos (Selic), de 0,25 ponto porcentual para, 10,75% ao ano. Mas o governo Lula, grande parte dos políticos do PT, sindicalistas e empresários voltaram a fulminar a decisão, de resto acompanhada de duras advertências.

Não entendem como os membros do Copom podem ser sádicos a ponto de puxar os juros para cima a fim de combater o aumento de preços, dias depois de a inflação ter apresentado em agosto variação negativa de -0,02%. Além disso, tomaram essa decisão justamente no dia em que o Fed, o banco central dos Estados Unidos, derrubou os juros de lá em 0,5 ponto porcentual pela primeira vez em quatro anos.

Miriam Leitão - Dois rumos da política monetária

O Globo

O BC e o Fed não indicaram quais serão seus próximos passos, mas o caminho está óbvio: aqui inicia-se um ciclo de alta de juros e, lá, de queda

Os bancos centrais fizeram o que os mercados esperavam que eles fizessem. O Fed derrubou a taxa de juros em meio ponto percentual, na primeira queda em quatro anos, e o Copom subiu os juros em 0,25 ponto percentual, na primeira alta em dois anos. Brasil e Estados Unidos agora seguirão caminhos opostos, com a política monetária sendo relaxada lá e ficando mais restritiva aqui. Nenhum dos dois órgãos indicou o que fará nas próximas reuniões, mas está claro que o Fed inicia o ciclo de queda, o Copom, um ciclo de alta. A crítica política ronda os dois órgãos, mas aqui, é bom notar, a alta foi por unanimidade, até os indicados pelo presidente Lula concordaram com a elevação dos juros.

Luiz Carlos Azedo - O agronegócio precisa cair na real

Correio Braziliense

Um estudo técnico do Ministério da Agricultura concluiu que 31,8% das exportações brasileiras para a Europa poderão ser afetados por causa do desmatamento

O governo brasileiro estuda recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC) contra as medidas da European Union Deforestation Act (EUDR), a lei antidesmatamento da União Europeia (UE), que considera abusivas e entrarão em vigor a partir de janeiro do próximo ano. O principal objetivo da nova lei é impedir a importação de produtos originários de áreas que foram desmatadas, legalmente ou não, a partir de 2020. Entretanto, com a onda de incêndios florestais no Brasil, o governo terá muitas dificuldades para sustentar o pleito. As circunstâncias políticas na Europa também impedem qualquer possibilidade de abrandamento da nova legislação pela UE.

Na terça-feira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), recebeu a presidente do Conselho Federal da Alemanha, Manuela Schwesig, para tratar do assunto. Afirmou que o Senado continuará esse trabalho junto às delegações que virão ao Brasil para a Cúpula de Líderes do G20. O evento está agendado para 18 e 19 de novembro, no Rio de Janeiro.

*Rudá Ricci - Nem educação, nem emprego

Correio Braziliense

O atual mercado de trabalho não valoriza pessoas abaixo de 25 anos. Existe uma crença no Brasil de que jovens até essa faixa etária não têm experiência suficiente para tomar decisões no ambiente de trabalho

A situação dos jovens da chamada geração nem-nem no Brasil — aqueles que nem estudam, nem trabalham — é um retrato claro de uma série de fatores negativos que se entrelaçam e criam um ciclo de exclusão e desesperança. Os recentes dados do relatório Education at a Glance da OCDE apontam que 1 em cada 4 jovens brasileiros está nessa condição. Para além da estatística, essa realidade resulta de alguns fatores pautados por um sistema educacional falido e uma sociedade profundamente desigual.

Começamos pela qualidade do ensino médio que é, sem dúvida, um dos mais problemáticos entraves do nosso sistema educacional. Reformas sequenciais e mal planejadas para esta etapa do ensino só fizeram aumentar a insegurança de alunos e famílias, contribuindo para o descrédito de que esses três anos escolares conseguem garantir um futuro promissor.

Graziela Melo – Poema do medo

Dobrei os becos da vida,
busquei a infância perdida,
no fundo do poço
na escuridão...

Fuji do medo
das trevas,

palmilhando
as tortuosas
trilhas do coração...

Lavei a alma
na chuva,
sequei o pranto
no vento,

na branca
areia da praia
aqueci
o coração!

Caminhei
de encontro
ao sol,
espantando
a solidão...

Pois entre o céu
e a terra

existe
um mar
de paixão!!!

Música | Paulinho da Viola - Timoneiro

 

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Candidatos têm de manter compostura nos debates

O Globo

Depois da cadeirada de Datena em Marçal, baixaria continua a tomar conta dos eventos na TV em SP

Nem o episódio grotesco da cadeirada no debate entre candidatos à Prefeitura de São Paulo realizado pela TV Cultura no fim de semana acalmou os ânimos. Em novo debate realizado pela Rede TV! e pelo portal UOL nesta terça-feira, o candidato Pablo Marçal (PRTB), com uma das mãos enfaixadas, voltou à carga. Ofendeu o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e provocou de novo José Luiz Datena (PSDB). Nunes reagiu em tom de voz alterado. Datena respondeu que não bateria em “covarde” duas vezes. O bate-boca continuou. A moderação teve de conceder múltiplos direitos de resposta para conter a baixaria insuflada por Marçal e repercutida pelos adversários.

No domingo, na cena-símbolo do descontrole e da violência que tomaram conta dos debates, Datena respondeu às provocações constantes e malcriadas de Marçal lançando uma banqueta sobre o adversário. Foi um desrespeito ao eleitorado paulistano e uma evidência material de que nenhum dos dois está qualificado para exercer cargo político de qualquer natureza.

Datena argumentou que sua reação foi humana. Pode até ser verdade. Mas não é reação aceitável de alguém que se julga apto a governar a maior cidade brasileira. Que o partido fundado por próceres da democracia, como Fernando Henrique Cardoso ou Franco Montoro, tenha escolhido um candidato capaz de protagonizar incidente tão vexatório é sinal preocupante do nível de decadência a que chegou.

Vera Magalhães - Tarcísio e a aposta em conter Marçal

O Globo

Governador de SP toma a frente de Bolsonaro e Lula na percepção do risco que ex-coach representará para 2026 caso seja eleito

Enquanto à direita e à esquerda sobrava perplexidade e faltava coragem para enfrentar o incêndio Pablo Marçal quando ele começou a se alastrar na política paulistana, o governador Tarcísio de Freitas fez uma jogada de risco: tomar a frente da resistência e apostar num candidato de carisma duvidoso no momento em que ele ardia nas chamas da queda nas pesquisas e da debandada de aliados.

A aposta, de altíssimo risco no momento em que foi feita, será bem-sucedida? O resultado da eleição mostrará, mas, para além das urnas, a decisão do governador de São Paulo de se afastar da orientação de Jair Bolsonaro e assumir a liderança da condução da coalizão de direita na capital do estado pode ter consequências importantes para o rearranjo político posterior ao pleito municipal.

Até esse episódio, Tarcísio vinha evitando divergir da orientação do ex-presidente e padrinho político. Por lealdade ou cautela, não hesitou sequer em comparecer a atos de confronto com o Judiciário como no último 7 de Setembro, algo que não condiz com o estilo negociador que ele vem procurando cultivar, mesmo com o governo federal.

Mas, quando Bolsonaro tremeu na base diante da febre Marçal e se recolheu àquela covardia característica, orientando seu ex-ministro a também tirar o time de campo, Tarcísio ignorou a orientação e colocou um então abatido Ricardo Nunes debaixo do braço para convencer o eleitorado de que o prefeito era a melhor opção.