O Estado de S. Paulo
Senador promete menos aloprados e mais Posto Ipiranga, mas descumpre o que diz e não vai a debate
O candidato do PL à Presidência, Flávio
Bolsonaro, tem conversado muito com a Faria Lima. A portas fechadas, o senador
diz que, se for eleito para a cadeira hoje ocupada por Luiz Inácio Lula da
Silva, comporá um governo com mais técnicos e menos radicais em áreas estratégicas
como Saúde, Educação e até Itamaraty.
Depois do bordão “menos Janja e mais Alckmin” que virou mote da reunião do PT na qual o partido foi para o divã ao discutir por que Flávio passou Lula no primeiro turno, um aliado do senador adotou a mesma linha. “Menos aloprados e mais Posto Ipiranga”, disse o interlocutor de Flávio, sob reserva. Apesar de declarações que provocam desconfiança, como a da necessidade de mudar a Constituição para “redemocratizar o País”, Flávio tenta afastar o medo de que, caso chegue ao Planalto, seu governo será tomado por discípulos de Olavo de Carvalho.
Até agora, o mercado parece ter comprado essa
versão de um possível governo com perfil de “Posto Ipiranga” – como Jair se
referia ao então ministro da Fazenda, Paulo Guedes –, mesmo sem o candidato
apresentar propostas concretas para mudanças na economia. E o Centrão, que não
apoiou Flávio no primeiro turno e ficou no governo Lula, agora corre para os
braços do senador e faz cara de paisagem.
Falta, porém, combinar com os “russos” esse
desenho menos ideológico. Dos EUA, o empresário Paulo Figueiredo, amigo do
deputado cassado Eduardo Bolsonaro, postou nas redes sociais uma mensagem na
qual chama o embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca, de “Renato, a
Mosca”, e, em tom de ameaça, diz esperar que ele goste de Burkina Fasso. O
embaixador não quis responder.
Dias após subir no salto alto e adotar o “já
ganhou”, no entanto, a campanha de Flávio iniciou um movimento para parecer que
veste as sandálias da humildade. Encurralado após perceber que o Senado deve
aprovar o fim da escala de trabalho 6x1, o candidato do PL foi obrigado a
recuar e disse que votará a favor da proposta, bandeira de Lula. Mas não quer
saber de confrontar o presidente cara a cara, tanto que não comparecerá, no
domingo, ao debate Band/Estadão.
A 12 dias da eleição, Lula também anunciou
outra bondade: enviou ao Congresso um projeto que perdoa dívidas de
microempreendedores individuais e propõe um PIX de até R$ 5 mil para os MEI.
Trata-se do pacote “Prospera MEI”, que rivaliza com o “Ministério da
Prosperidade” de Flávio. Tudo para atrair eleitores evangélicos. Enquanto isso,
partidos do Centrão como PP, União Brasil e Republicanos apressam o passo para
não perder poder. Hoje juntam forças em torno de Flávio, mas, se a onda virar,
não terão dúvidas em integrar o “Exército do Lula”.

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