quarta-feira, 14 de outubro de 2026

A promessa de Flávio para a Faria Lima, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Senador promete menos aloprados e mais Posto Ipiranga, mas descumpre o que diz e não vai a debate

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, tem conversado muito com a Faria Lima. A portas fechadas, o senador diz que, se for eleito para a cadeira hoje ocupada por Luiz Inácio Lula da Silva, comporá um governo com mais técnicos e menos radicais em áreas estratégicas como Saúde, Educação e até Itamaraty.

Depois do bordão “menos Janja e mais Alckmin” que virou mote da reunião do PT na qual o partido foi para o divã ao discutir por que Flávio passou Lula no primeiro turno, um aliado do senador adotou a mesma linha. “Menos aloprados e mais Posto Ipiranga”, disse o interlocutor de Flávio, sob reserva. Apesar de declarações que provocam desconfiança, como a da necessidade de mudar a Constituição para “redemocratizar o País”, Flávio tenta afastar o medo de que, caso chegue ao Planalto, seu governo será tomado por discípulos de Olavo de Carvalho.

Até agora, o mercado parece ter comprado essa versão de um possível governo com perfil de “Posto Ipiranga” – como Jair se referia ao então ministro da Fazenda, Paulo Guedes –, mesmo sem o candidato apresentar propostas concretas para mudanças na economia. E o Centrão, que não apoiou Flávio no primeiro turno e ficou no governo Lula, agora corre para os braços do senador e faz cara de paisagem.

Falta, porém, combinar com os “russos” esse desenho menos ideológico. Dos EUA, o empresário Paulo Figueiredo, amigo do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, postou nas redes sociais uma mensagem na qual chama o embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca, de “Renato, a Mosca”, e, em tom de ameaça, diz esperar que ele goste de Burkina Fasso. O embaixador não quis responder.

Dias após subir no salto alto e adotar o “já ganhou”, no entanto, a campanha de Flávio iniciou um movimento para parecer que veste as sandálias da humildade. Encurralado após perceber que o Senado deve aprovar o fim da escala de trabalho 6x1, o candidato do PL foi obrigado a recuar e disse que votará a favor da proposta, bandeira de Lula. Mas não quer saber de confrontar o presidente cara a cara, tanto que não comparecerá, no domingo, ao debate Band/Estadão.

A 12 dias da eleição, Lula também anunciou outra bondade: enviou ao Congresso um projeto que perdoa dívidas de microempreendedores individuais e propõe um PIX de até R$ 5 mil para os MEI. Trata-se do pacote “Prospera MEI”, que rivaliza com o “Ministério da Prosperidade” de Flávio. Tudo para atrair eleitores evangélicos. Enquanto isso, partidos do Centrão como PP, União Brasil e Republicanos apressam o passo para não perder poder. Hoje juntam forças em torno de Flávio, mas, se a onda virar, não terão dúvidas em integrar o “Exército do Lula”.

 

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