Valor Econômico
No início das 48h para a volta do ‘Exército do Lula’, PL lava roupa suja em público sobre estratégia digital de Flávio Bolsonaro
No mesmo dia em que o presidente do Tribunal
Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, suspendeu o canal “Exército do Lula”
do WhatsApp, decisão revista seis horas depois, o influenciador Paulo
Figueiredo mostrou, em seu programa no YouTube, números sobre o alcance digital
do PT que estão a assustar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo Figueiredo, entre 10 e 11 de outubro, canais de esquerda fizeram 32 mil publicações nas redes sociais com 80,7 milhões de curtidas e comentários a partir da padroeira do Brasil e as manifestações de rua. No mesmo período, os canais de direita fizeram 1,3 mil publicações, ou 23 vezes menos, como frisou, que tiveram 22,2 milhões de curtidas e comentários a partir dos mesmos temas.
“Tratamos dos temas que a esquerda nos pautou
(...), Flávio não falou do pedido de prisão de Eduardo Bolsonaro e cadê a
imagem de Jair Bolsonaro na campanha? Qual foi a última vez que a esquerda
colocou tanta gente na Paulista? (...) Meu pedido à campanha é o seguinte:
entrem em polêmica e pautem a imprensa, acordem!”, alertou o influenciador, que
mora nos Estados Unidos e é parceiro dos Bolsonaro junto ao governo americano.
Um outro perfil do X, o “Central da Direita”,
cobrou o PL pela lentidão no engajamento de eleitores, na contestação de
notícias falsas e na opção por discutir equipe de governo antes de a eleição
ter encerrado: “Parece que quem administra a página tem 75 anos e nenhum
conhecimento das plataformas digitais”. O perfil do PL respondeu: “Já que você
tem receita pronta pra vencer uma eleição, estamos aguardando seu currículo.
Até lá, contribua ajudando a desmentir fake news e virar voto. Já será muita
coisa”.
Kassio Nunes causou mal estar no TSE porque
se valeu de uma lateralidade para não ser obrigado a dobrar a aposta no mérito
da suspensão já contestado pelo relatório da assessoria de desinformação do
tribunal que respaldou a decisão do relator do caso, ministro Ricardo Villas
Boas Cueva, de restabelecer o canal.
A decisão, porém, a despeito de não
interromper a lavagem de roupa suja bolsonarista, permitiu um fôlego para a
campanha do PL se reorganizar para enfrentar a ofensiva do adversário, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta virar o resultado do 1º turno.
Ao registrar o “Exército do Lula” como um
canal da campanha, em cumprimento da determinação de Kassio Nunes, o PT
reconheceu o erro de não tê-lo feito desde sua criação, mas teve um acerto, o
de não recorrer da decisão do ministro ao Supremo Tribunal Federal. Antes da
resposta petista, ministros do TSE comentavam, sob anonimato, que um recurso ao
STF atenderia aos propósitos do presidente do TSE, em virtude do embate travado
com o ministro Gilmar Mendes, e, principalmente, do próprio candidato.
Naquele momento, fontes da campanha também
avaliaram que uma intervenção do Supremo permitiria a Flávio Bolsonaro se
apresentar como vítima do “sistema” representado por um “conluio” entre a Corte
e seu adversário. Foi isso que o candidato do PL fez, com sucesso, ante a
guerra de liminares que precedeu o cancelamento do debate da Rede Globo no fim
do 1º turno. Como Nunes Marques estabeleceu um prazo de 48 horas para o canal
ser restabelecido, seu criador, o deputado federal André Janones (PT-MG),
denunciou a coincidência entre o prazo e a votação da jornada 6x1. Foi uma
senha para manter, mobilizada, a militância que saiu às ruas neste feriado e se
transformou no principal ativo lulista do 2º turno.

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