Folha de S. Paulo
Direitas optaram por entregar liderança à sua
facção mais autoritária
Esquerdas têm que oferecer tradução renovada
de seus compromissos
O presidente Lula, seu vice, Geraldo
Alckmin, e o ex-governador de Goiás e candidato, Ronaldo Caiado, são os
três últimos políticos de projeção nacional que participaram da Constituinte de
1987-88. Todos os seus contemporâneos já saíram de cena. Esta será, por assim
dizer, a última eleição da Nova República.
As direitas, em transição geracional, optaram por entregar a liderança à sua facção mais autoritária e mais descomprometida com a democracia e as conquistas sociais dos últimos 40 anos. Tendo, enfim, produzido um líder popular, capaz de transferir votos a seu filho, o direitismo prefere correr com ele o risco de levar o país a parte alguma.
Abertas as urnas, o campo progressista terá
de pensar na vida literalmente. Instaladas no Palácio do Planalto ou
amargando a oposição, as lideranças maiores da centro-esquerda, por imperativo
da natureza, deverão passar o comando aos mais jovens.
A transição é desafiadora. Afinal, não se
trata apenas de encontrar quem substitua um líder popular, cujo apelo eleitoral
vai além do que sua legenda e seus aliados são capazes de mobilizar. Supõe,
também, oferecer tradução renovada do compromisso com a equidade no acesso a
recursos; com o bem-estar social; com a igualdade política; com as liberdades e
direitos fundamentais que definem o progressismo democrático.
A Carta de 1988 cristalizou uma versão
daquele compromisso por meio de dois pactos implícitos. O primeiro em torno de
um modelo de democracia liberal que limitou a concentração de poder no
Executivo, fragmentou a representação política e fortaleceu as instituições de
controle, especialmente o Judiciário. O segundo, já descrito pelo economista Samuel Pessôa,
foi social. Implicou na garantia constitucional de um conjunto de direitos,
materializados no SUS,
no Fundef, no BPC (Benefício de Prestação Continuada), nas regras
previdenciárias e na renda básica familiar, que a legislação ordinária
traduziria no Bolsa Família.
Os reiterados episódios de escarrapachada corrupção, do
mensalão ao
Banco
Master; a disputa entre Congresso e Executivo pelo controle da parte do
Orçamento não comprometida com gastos obrigatórios; enfim o desmoronamento da
autoridade moral do Supremo estão a pedir ao progressismo algo mais que realista
acomodação à política como ela é.
Por outro lado, o êxito dos programas que
materializaram o "pacto social" da Constituição
alimentou novas demandas e aspirações —por mais qualidade e eficiência dos
serviços públicos— e está a requerer engenho para ajustá-las às inescapáveis
limitações fiscais. Sem falar nas transformações no mercado de trabalho que
esperam respostas diferentes das arroladas na vetusta CLT.
Na verdade, a Nova República terminou em
2018, quando a extrema direita ascendeu na maré de descontentamento pelas
promessas que a democracia não cumpriu e pelos soberbos erros do governo Rousseff.
Os pactos que a viabilizaram já não são possíveis. Com as direitas nos braços
de seus líderes mais fanáticos, o convívio civilizado e a esperança de um país
decente, dependerão, ao menos por ora, do "aggiornamento" da
centro-esquerda.
Fará diferença se ocorrer sob um governo seu
ou na oposição ao obscurantismo.
Para o país, uma diferença vital.

Um comentário:
Interessante quando você fala da direita sempre fala que ela é antidemocrático e luta contra democracia mas quem está acabando com a democracia é o governo do Lula e o seu puxadinho no STF e a imprensa finge que não vê incrível , tem centenas de presos políticos inocentes , Censura perseguição aos opositores tudo com a conivência de grande parte da imprensa que fica pintando essa pessoa desprezível , grosseiro e desprezível do Lula como estadista , é vergonhoso e decepcionante
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