Folha de S. Paulo
Campanha para retomar a eleição está nas
redes, nos moldes do canal Exército do Lula
Declarado governador, Douglas Ruas teme o
crescimento do PT na capital
Acostumados nos últimos anos a vencer na
cidade do
Rio e no interior do estado, os bolsonaristas gozavam os petistas dizendo
que estes só tinham maioria na pequena praça São Salvador, em Laranjeiras,
único bairro em que Jair
Bolsonaro saiu derrotado em 2018. Oito anos depois, o enclave de
resistência se expandiu e dominou a capital.
A virada de Lula no Rio acompanhou a tendência do segundo turno. Mesmo assim, não deixa de ser surpreendente. O PT, historicamente de pouca expressão para cariocas e fluminenses, não vencia na cidade desde 2014, com Dilma Rousseff.
O presidente subiu 7,63 pontos percentuais
entre as duas rodadas e avançou em todas as zonas eleitorais em comparação a
2022. Ganhou na zona sul, no centro, na Grande Tijuca e na ilha de Paquetá (que
está sendo chamada de ilha Vermelha). Na 16ª zona eleitoral (Glória, Catete,
Santa Teresa e Laranjeiras), abocanhou 64,17% dos votos. Lula conseguiu o
milagre de crescer na populosa zona oeste, região dominada por milicianos.
Uma das maiores surpresas ocorreu em São
Gonçalo, município com o segundo maior colégio eleitoral do estado e berço do
bolsonarista Douglas
Ruas. Foram 48,02% dos votos a favor do petista contra 51,98% de Flávio
Bolsonaro. São Gonçalo é vizinha de Niterói, antiga capital do estado do Rio de
Janeiro antes da fusão com a Guanabara. Foi lá que começou a tomada das
ruas pelos estudantes. Um levante local de jovens que impulsionou Lula país
afora.
Ruas sentiu o baque. Declarado governador com
a anulação dos votos de Garotinho, depois de fazer uma campanha quase
separatista, contrapondo interior e capital, ele agora garante que irá governar
para todos. Aliados defendem que Flávio, o trânsfuga, não tenha mais influência
no Palácio Guanabara. A situação é delicada porque cresce o movimento em favor
da realização de um segundo turno no Rio de Janeiro, tema de ação no Supremo. A
campanha já ganhou as redes, nos moldes do canal "Exército do Lula".
No momento acho difícil o STF, em crise,
comprar essa briga.
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