O Estado de S. Paulo
Aumentar a pressão sobre Flávio e Eduardo dependerá de lobby diplomático brasileiro
A derrota republicana no Congresso dos
Estados Unidos é má notícia para a família Bolsonaro em várias frentes.
A primeira e mais óbvia é o enfraquecimento
do trumpismo, expoente máximo da estratégia de internacionalização da direita
em que os Bolsonaros sempre se apoiaram. Com Trump derrotado, a direita global
perde força.
A segunda é que pode diminuir o respaldo político em favor da família Bolsonaro.
Provavelmente, Flávio e Eduardo Bolsonaro
continuarão contando com o apoio nos bastidores do secretário de Estado, Marco
Rubio, e de seus assessores mais próximos.
Publicamente, a situação é mais delicada.
Acusado de ter facilitado a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos,
Rubio foi taxativo: “Não facilitamos nada”.
Também é muito provável que comecem a surgir
mais questionamentos dos democratas para investigar a concessão de visto e
apoio para os irmãos Bolsonaro, inclusive para a entrada de Flávio Bolsonaro no
país.
Com maioria nas duas Casas, os democratas vão
buscar motivos para fustigar Trump, e os Bolsonaros são um bom pretexto.
Acuado, Trump vai ter que se afastar de
medidas que abalem sua queda de popularidade. Ao contrário de Rubio,
Trump não é ideológico e pode muito bem se
aproximar novamente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agora reeleito.
Muito se falou da “química” entre Lula e
Trump antes das eleições, que parece ter desaparecido durante o pleito
brasileiro. Como Trump não gosta de perdedores, a tal “química” pode voltar.
Ainda que isso não ocorra, o governo
brasileiro passa a ter um apoio maior de parlamentares democratas, o que
aumenta sua capacidade de negociação. Os democratas podem tentar limitar a
capacidade de implementar políticas e aumentar o custo político de iniciativas
internacionais do governo Trump.
A situação talvez não seja tão fácil em
relação ao tarifaço. A adoção de impostos de importação faz parte da política
protecionista adotada por Trump contra todo o planeta. Neste caso, o que mais
vai contar é o peso desses impostos no bolso do americano médio.
Obviamente, os Bolsonaros não são o principal assunto dentro da política americana. Os democratas terão muitas outras prioridades. Por isso, aumentar a pressão sobre Flávio e Eduardo Bolsonaro vai depender de um trabalho de lobby bem feito da diplomacia brasileira, inclusive de contatos parlamentares.

Nenhum comentário:
Postar um comentário