Biblioteca Nacional lembra os 200 anos da Revolução Pernambucana, um levante de resistência ao Império
Renato Grandelle | O Globo
Dois séculos atrás, um levante reivindicou a Proclamação da República, a liberdade de imprensa e a separação entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A Revolução Pernambucana, em 1817, é considerada o berço da democracia brasileira, mas foi sufocada em apenas 75 dias pelo Império e praticamente apagada da memória popular. Para apresentá-la ao público, a Biblioteca Nacional inaugurou esta semana uma exposição em que resgata livros, mapas e manuscritos ligados ao movimento nordestino.
O controle dos portugueses sobre a administração pública, a criação de novos impostos por dom João VI e uma grande seca, que diminuiu a produção de açúcar e algodão em Pernambuco estão entre as principais causas da revolução, também inspirada nos movimentos liberais europeus.
A população pernambucana, região mais rica da Colônia, manifestava crescente indignação por ser obrigada a enviar uma grande quantidade de recursos para sustentar a Família Real no Rio de Janeiro.
— Intelectuais, comerciantes, maçons, padres carmelitas e parte da elite agrícola já pensavam na república desde o século XVIII, e agora estavam insatisfeitos com os impostos que deveriam pagar para a Corte. Além disso, como o Império se instalou no Rio, o Nordeste foi excluído das decisões políticas — lembra Maria Eduarda Marques, historiadora e curadora da exposição. — Os revoltosos chegaram a discutir a libertação de escravos, mas esta proposta provocou divisões internas, já que o campo precisava daquela mão de obra.