*Theodor W. Adorno (11/9/1903-6/8/1969),
filósofo, sociólogo, musicólogo e compositor alemão. É um dos expoentes da
chamada Escola de Frankfurt, juntamente com Max Horkheimer, Walter Benjamin,
Herbert Marcuse, Jürgen Habermas, entre outros. Conferência realizada no dia 6
de abril de 1967, a convite da União dos Estudantes Socialista da Áustria.
“Aspectos do novo radicalismo de direita”, p.76. Editora Unesp, 2020.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
terça-feira, 25 de abril de 2023
Opinião do dia – Theodor W. Adorno* (Radicalismo de direita)
Marcio Pitliuk* - A banalização do nazismo
O Globo
Todos os nazistas eram psicopatas, mas nem
todos os psicopatas são nazistas
O Partido Nacional Socialista dos
Trabalhadores Alemães, conhecido como Partido Nazista, era muito mais uma
organização criminosa do que uma agremiação política. Seus membros eram
assassinos e corruptos, amorais e aéticos. O partido praticava a destruição do
outro e de determinadas etnias que eles consideravam inferiores. Para os
nazistas, o outro era qualquer um que pensasse diferente, e etnias inferiores
eram determinadas por falsas teorias, fake news, para usar um termo mais atual.
Eles usavam estudos mentirosos de eugenia para criar uma escala social onde os
arianos estavam no topo da pirâmide, abaixo estavam os escandinavos, depois
outros povos europeus, mais abaixo os eslavos, negros, ciganos e, na base da
pirâmide, os judeus. Os arianos se consideravam superiores e não deveriam se
misturar com “outras raças”, mais uma mentira, pois só existe uma raça, a
humana.
Para ser membro da SS, a elite militar, o
candidato passava por um escrutínio que retrocedia várias gerações para saber
se o sangue era puro, e não tinha nenhuma mancha no seu passado.
Ser nazista não é tão banal como muitos
acreditam.
Um jovem que comete atos de violência e se veste de preto erroneamente passa a ser considerado nazista. Os nazistas usavam preto, mas também verde-oliva, marrom e cinza. Franz Paul Stangl, comandante de Treblinka, preferia o uniforme branco; Hermann Goering, o número dois do partido, usava as cores mais variadas, às vezes parecia o excêntrico e cafona pianista Liberace. Goering e Stangl estavam no topo da hierarquia.
Merval Pereira - Democracia e cultura
O Globo
Revista Brasileira, da ABL, discute a
democracia. Sem democracia, não há cultura
No momento em que o país ainda vive as
consequências da tentativa frustrada de golpe no dia 8 de janeiro, a Academia
Brasileira de Letras (ABL) lança a nova edição da Revista Brasileira, que tem
como tema central a democracia. Vivemos um período tormentoso, em que os
problemas que afligem as principais democracias do Ocidente nos atingem, como o
crescimento do extremismo de direita, o movimento migratório provocado por
questões políticas, mas, especialmente, por problemas econômicos, de pura
sobrevivência.
O espírito de solidariedade que a democracia estimula encontra barreiras nessas dificuldades dos tempos modernos. Enquanto na Europa os países vivem suas contradições no enfrentamento dos problemas causados pelas ondas migratórias devidas a guerras e crises econômicas, o Brasil vive situações inéditas, como a busca de refúgio por venezuelanos e cidadãos de outros países vizinhos.
Carlos Andreazza - Cooperativa de políticos
O Globo
Levantamento do GLOBO
apontou o Parlamento de 2023 como o menos produtivo em 12 anos. E não só na
quantidade de projetos apresentados — o que, per se, nunca seria critério para
avaliação qualitativa. Desde 2011, comparados os períodos de fevereiro até a
primeira quinzena de abril, o Congresso atual tem também o menor número de
sessões, de audiências públicas, de reuniões em comissões e de votações.
Por quê?
Não há respostas definitivas. (O intervalo amostral, não chegando a três meses, é curto.) O registro, porém, estimula reflexões. Há um novo governo. E houve o 8 de Janeiro. Não sendo Poder isolado, o Legislativo — mesmo anabolizado pelo senhorio do Orçamento — decerto terá um ritmo algo condicionado pelo passo do Executivo; e jamais andaria, ainda que comandado por um autoritário, sem que sua agenda fosse afetada pela tentativa de golpe.
Eliane Cantanhêde - A CPI x Bolsonaro
O Estado de S. Paulo
Bolsonaro dirá à PF que não teve nada a ver com o 8/1, mas CPI pode mostrar o contrário
Estão marcados para amanhã dois fatos que
terão muita audiência e impacto neste 2023, já tão conturbado. Quiseram as
circunstâncias, ou os astros, que a leitura do requerimento da CPI do 8/1 fosse
no mesmo dia do depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro à Polícia Federal
sobre os atos golpistas.
A CPI nasce sob tensão do governo Lula, animação dos bolsonaristas e incerteza sobre resultados, mas não há dúvida quanto ao depoimento de Bolsonaro: uma mentira daqui, outra dali e ele não viu nada, não sabe de nada. Fatos, porém, são fatos. CPIs trabalham com fatos.
Dora Kramer - Volta do cipó
Folha de S. Paulo
Na CPI, caberá ao governo não deixar
prevalecer a versão de que houve armação no 8/1
A julgar pelo entusiasmo de seus
defensores-raiz, a comissão
parlamentar que tratará dos atos de 8 de janeiro tem tudo para
virar um circo. Em princípio, esse pessoal não tem nada a perder e vai jogar
baixo. O governo, por sua vez, além de ter uma base de fidelidade questionável,
tem sido mestre na arte de se embananar.
Caberá à tropa governista não deixar
prevalecer a versão de que houve uma armação petista para Lula posar
de vítima e sair como herói da resistência.
O plácido passeio de homens do Gabinete de Segurança Institucional pelos corredores do Palácio enquanto o quebra-quebra comia solto não elimina o fato: a selvageria foi obra de bolsonaristas juramentados que, na cena, assumiram a autoria do crime. Portanto, não há que se dar azo a fantasmas ao meio-dia.
Alvaro Costa e Silva - CPMI vai mexer e esquentar angu golpista
Folha de S. Paulo
Bolsonaro é o maior caroço dessa história
Antes tão falante e hoje tão escondido,
Bolsonaro deverá prestar depoimento na Polícia Federal nesta quarta-feira (26).
Ele é investigado como autor intelectual da intentona de 8/1. No início de
abril, o Datafolha apontou que 58% dos eleitores brasileiros acreditam que o
ex-presidente teve algum grau de responsabilidade na invasão aos prédios dos
três Poderes. Desses, 32% veem
muita culpa, e 26%, um pouco.
Três dias depois do terror, Bolsonaro —que viajou para os EUA na véspera da posse de Lula sem cumprir o rito de passar a faixa presidencial — continuava a pôr lenha na fogueira. Compartilhou em suas redes sociais um vídeo com novas mentiras sobre as eleições; em seguida, apagou o conteúdo para não se comprometer. Sua fragilidade emocional era menos a ressaca pela derrota nas urnas que o desapontamento por não ter tido mais apoio na hora de dar o golpe.
Hélio Schwartsman - CPI é derrota para Lula
Folha de S. Paulo
Governo se empenhou para evitar instalação
da comissão e fracassou
Lula costuma
ter sorte —mais sorte que competência, dizem seus críticos. No caso específico
da CPI dos
ataques de 8/1, porém, ele teve azar. Não acho que essa comissão
definirá ou criará grande embaraço para seu governo, mas me parece difícil
classificar sua instalação como algo diverso de uma derrota.
O problema não está tanto no que as investigações possam revelar, mas no modo como a administração se comportou dos ataques para cá. Se a base lulista tivesse concordado com a CPI desde o início, os prejuízos potenciais teriam sido mínimos. Ninguém com uma percepção não distorcida da realidade acredita na teoria conspiratória de que os petistas encenaram aquilo tudo só para jogar a culpa em Bolsonaro.
Joel Pinheiro da Fonseca - O que não está nos vídeos
Folha de S. Paulo
Pior do que o conteúdo das gravações do 8
de janeiro foi o sigilo sobre elas
Num primeiro momento, ver o ministro e
oficiais do GSI conversando,
andando ao lado e, num caso, até servindo água aos invasores do palácio causa
espanto.
Cada lado encontrou aí o que queria: para
os bolsonaristas as imagens provam que o ministro
Gonçalves Dias, homem de confiança de Lula, estava em conluio
com os invasores. Para os petistas, as imagens dos demais oficiais do GSI
—herança do governo Bolsonaro—
supostamente ajudando os golpistas (como na incriminatória garrafinha d’água)
provam que o GSI bolsonarista colaborou com o golpe.
Nenhuma das duas me convence. Pelo contrário, a mim parece que ministro e oficiais agiram dentro do que era possível naquelas circunstâncias de crise.
Luiz Carlos Azedo - Lula precisa rever suas prioridades diplomáticas
Correio Braziliense
Empunhar a bandeira da paz não deve ser um
reposicionamento estratégico do Brasil no mundo. Isso mudaria profundamente a
correlação de forças políticas internas, principalmente no Congresso.
A compatibilidade entre a política externa
e a política interna. Por exemplo, a entrega do Prêmio Camões ao compositor
Chico Buarque, ontem, em Lisboa, pelo presidente Luiz Inácio da Silva, está em
sincronia perfeita com o momento da política cultural brasileira, de
valorização dos nossos artistas e da temática democrática, progressista e
popular, que sempre foi uma característica do nosso cancioneiro.
Chico resumiu o mosaico nacional inspirado nos versos de Paratodos, uma de suas músicas: “O meu pai era paulista, meu avô pernambucano, meu bisavô mineiro e meu tataravô baiano. Tenho antepassados negros e indígenas, cujos nomes meus antepassados brancos trataram de suprimir da história familiar. Como a imensa maioria do povo brasileiro, trago nas veias o sangue do açoitado e do açoitador, o que ajuda a nos explicar um pouco”. Ao registrar que o Prêmio Camões levou quatro anos para lhe ser entregue, ironizou a grande mudança política na vida nacional:
Rubens Barbosa* - A parceria estratégica com a China
O Estado de S. Paulo
Com a crescente tendência geopolítica de formação de dois polos, o Brasil tem de definir de forma mais clara seus interesses a fim de sobreviver à divisão das atuais superpotências
O saldo da visita de Lula à China foi positivo, mas, de novo, o marketing foi muito negativo em razão dos arroubos verbais presidenciais sobre a guerra na Ucrânia e a parceria estratégica com a China. Apesar de toda sua experiência, Lula está ignorando alguns princípios básicos na diplomacia: saber ficar calado, falar pouco e ter um discurso moderado. Era previsível a repercussão na mídia norte-americana e nacional, pelo que foi interpretado como mudança da posição do Brasil e pelas críticas aos EUA. A coincidência da visita do chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, logo em seguida à visita a Pequim, e a notícia do veto russo à venda de munição à Alemanha para fornecimento à Ucrânia e possível cooperação nuclear também ajudaram a colocar em dúvida a equidistância brasileira.
Jorge J. Okubaro - Desafios e riscos do arcabouço fiscal
O Estado de S. Paulo
Relator do projeto na Câmara afirmou que eventuais alterações no texto original serão para melhorá-lo. Os contribuintes e os cidadãos em geral adorariam acreditar
Resistências e críticas à proposta de
arcabouço fiscal encaminhada pelo governo Lula ao Congresso Nacional na semana
passada surgiram à esquerda e à direita, e não apenas no ambiente
político-parlamentar. Talvez isso possa significar que, para estruturar a
proposta, a equipe coordenada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tenha
buscado o caminho médio entre os muitos rumos examinados. Se verdadeira essa
hipótese, pode até ter sido um bom método de trabalho, que implicou escolhas
políticas. Nem por isso, porém, será fácil a trajetória do projeto. São muitos
os riscos de que ele acabe desagradando a todos.
Há, da direção do Congresso, disposição de acelerar a tramitação da proposta. O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), disse que a votação poderá ser concluída até o dia 10 de maio, embora o governo ainda não tenha assegurado votos suficientes (257) para a aprovação. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de sua parte, assegurou que o projeto “será aprovado” também com presteza na Casa que preside, ainda que com “eventuais mudanças” para torná-lo melhor. Nem a instalação, nos próximos dias, da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre os atentados à democracia praticados em 8 de janeiro prejudicará a tramitação do projeto, previu Pacheco. “Temos senso de urgência em relação ao arcabouço fiscal.”
João Saboia* - Para onde vai o salário mínimo?
Valor Econômico
Aumento real seria um reforço contra a
estagnação econômica que o país vivencia há quase uma década
O Brasil teve ao longo dos governos Lula e
Dilma uma política de valorização do salário mínimo (SM) que produziu
resultados excelentes na economia brasileira como um todo e no SM em particular.
O fato de a cada ano haver um reajuste pela inflação acumulada dos 12 meses
anteriores adicionada à taxa de crescimento do PIB de dois anos atrás permitiu
um forte crescimento real do SM. Tal política funcionou de 2007 a 2019 e teve
resultados mais favoráveis até 2015. A partir daí, por conta da má performance
da economia brasileira e da mudança das regras durante o governo Bolsonaro, o
SM ficou praticamente estagnado.
Com o retorno de Lula ao comando do Poder Executivo, a pergunta que se faz é qual será a política do SM nos próximos quatro anos. O reajuste aprovado para maio, quando passará de R$ 1302 para R$ 1320 foi uma primeira sinalização da preocupação do atual governo com o nível atual do SM. Mas nada está definido para os próximos anos. A preocupação do governo com os desequilíbrios fiscais do país parece colocar limites ao que seria desejado por Lula para o SM até 2026.
Andrea Jubé - Pesquisa cobra ajuste na comunicação de Lula
Valor Econômico
Lula está se policiando em suas falas, diz
ministro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
havia embarcado para a China no dia 11 de abril sob pressão para decidir, na
volta, o sucessor do ministro Ricardo Lewandowski no Supremo Tribunal Federal
(STF).
Mas a agenda comprometida por duas graves
crises - a escalada da violência nas escolas e a demissão do ministro do
Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Gonçalves Dias - impediu que
Lula se reunisse com Lewandowski para uma conversa definitiva sobre a sucessão
do magistrado, e adiou o desfecho do impasse na Suprema Corte.
Agora quando regressar do périplo a
Portugal e à Espanha, na quarta-feira à noite, o mandatário estará diante não
mais de uma, mas de duas pendências politicamente sensíveis: as nomeações do
próximo ministro do STF e do próximo ministro do GSI.
O ministro interino do GSI, Ricardo
Cappelli, disse em entrevista ao Valor que
já terá um diagnóstico pronto sobre a pasta para apresentar a Lula já na
quinta-feira, quando ambos devem se reunir.
A sinalização é de que o novo titular do GSI seja anunciado na própria quinta ou até sexta-feira porque segundo interlocutores, Lula não quer prolongar a turbulência no ministério.
Pedro Cafardo - Só “arcabouços” não tapam buracos de rua
Valor Econômico
Com os cofres abarrotados, São Paulo está
largada
Aprende-se nas primeiras aulas de
jornalismo que o buraco na rua em frente à casa do leitor é mais importante
para ele do que a grande manchete internacional.
Talvez seja preciso levar mais a sério essa lição elementar. O leitor deve estar cansado de se deparar, nas páginas e telas principais da mídia, com assuntos técnicos, como discussões de política fiscal, teto de gastos, arcabouço, meta de inflação, juros, desindustrialização e outros temas macroeconômicos importantíssimos, mas que não dizem respeito a suas aflições do dia a dia.
Míriam Leitão - No caminho do fim dos subsídios
O Globo
Haddad precisa explicar qual sua proposta
para acabar ou reduzir algumas deduções. Ou seu plano vai ficar somente no
mundo da fantasia
O ministro Fernando Haddad promete revelar
para onde vai e com quem fica o dinheiro dos impostos não pagos através das
deduções ou isenções fiscais. Usou até uma expressão de fácil compreensão.
Disse que vai “abrir a caixa preta das renúncias fiscais”. De fato, há uma
montanha de dinheiro que não chega aos cofres públicos, porém, ou o ministro
detalha o que pretende fazer ou sua proposta vai ser tão real quanto um pote de
dinheiro ao fim do arco-íris.
O ministro falou na entrevista ao “Estado de S.Paulo” em R$ 600 bilhões que deixam de ser pagos pelos mais variados motivos e em diversos programas. A proposta de Orçamento para 2023, enviada pelo governo Bolsonaro ao Congresso, registrou R$ 456 bilhões ou 4,29% do PIB.
Pedro Fernando Nery - Amor e políticas públicas
O Estado de S. Paulo
Políticas de renda podem, além de aumentar o conforto material, reduzir o estresse dos pais
Nasceu meu segundo filho. Me pego esses dias
pensando numa frase de Rahm Emanuel. Quando defende seu legado como prefeito de
Chicago, diz que duas coisas são fundamentais para o sucesso dos adultos: o
amor que recebemos dos nossos pais e uma boa educação. Para Rahm, gestores
podem fazer algo apenas quanto ao segundo ponto, razão pela qual teria
priorizado as escolas nos seus polêmicos governos. Mas ele está certo?
Nestes primeiros dias em casa, passado o estranhamento com o novo Neryzinho, percebo um afeto diferente surgindo – está lá o tal do amor. Um interesse crescente no bem-estar do pequeno, aspirações para o seu futuro, o apego. O que Rahm talvez queira dizer com “amor dos nossos pais” é a dedicação, o investimento, a qualidade do cuidado que recebemos em nossa infância.
Yuen Yuen Ang* - Neoliberalismo e intervencionismo
Valor Econômico
Uma terceira opção, há muito negligenciada,
é os governos supervisionarem processos de baixo para cima de improvisação e
criatividade
Intervir ou não intervir. Esse tem sido o
debate central sobre o papel do Estado na economia pelo menos desde o século
XVIII. Nos últimos 40 anos, os Estados Unidos e outras democracias liberais do
Ocidente defenderam o livre mercado, o livre comércio e um papel limitado para
o governo - uma posição conhecida como neoliberalismo ou “fundamentalismo de
mercado”. Para alguns comentaristas, a aprovação recente da Lei dos Chips e da
Ciência e da Lei da Redução da Inflação (IRA, na sigla em inglês), as duas
políticas industriais que são a marca do governo do presidente Joe Biden,
representa o fim do neoliberalismo e o ressurgimento do intervencionismo como paradigma
dominante.
Mas essa é uma falsa dicotomia. Os governos
não estão limitados a uma escolha binária entre o laissez-faire e o
planejamento de cima para baixo. Uma terceira opção, há muito negligenciada
pelos formuladores de políticas e economistas, é os governos supervisionarem
processos de baixo para cima de improvisação e criatividade, algo semelhante ao
papel de um maestro de orquestra. É possível encontrar muitos exemplos disso na
China e nos Estados Unidos.
O neoliberalismo surgiu como paradigma dominante de formulação de políticas no Ocidente na década de 80. Sob o presidente Ronald Reagan, os EUA buscaram a desregulamentação, cortaram impostos e reduziram os programas de assistência social. A intervenção do governo, dizia o pensamento, inevitavelmente leva a distorções de políticas, dependência de esmolas estatais e corrupção. Como Reagan disse em seu primeiro discurso de posse, “o governo não é a solução para o nosso problema; o governo é o problema”.
O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões
Câmara precisa imprimir urgência ao PL das Fake News
O Globo
Não há mais tempo a perder com debates
quando está em jogo a sobrevivência da democracia
Está na pauta da Câmara a votação do regime
de urgência para a apreciação do Projeto de Lei (PL) das Fake News, aprovado no
Senado em 2020. É fundamental que os deputados sigam adiante com o plano de
votar o requerimento amanhã e levar o PL à apreciação do plenário ainda nesta
semana. Os eventos do 8 de Janeiro e os ataques recentes em escolas deixaram
claro que é preciso agir com presteza. O Brasil não pode permitir que as redes
sociais continuem a ser usinas de desinformação e violência.
A última versão do PL apresentada pelo relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), está madura e incorpora os dispositivos da legislação mais moderna sobre o tema, em particular a europeia. É esperado que as plataformas digitais façam pressão para adiar a votação, mas os deputados precisam resistir. Devem evitar repetir o erro cometido ao não aprovar o PL antes das eleições do ano passado, abrindo caminho ao golpismo que se sucedeu.
segunda-feira, 24 de abril de 2023
Opinião do dia – José de Souza Martins* (Fatalidade)
*José de Souza Martins é sociólogo. Professor Emérito da Faculdade de Filosofia da USP. Professor da Cátedra Simón Bolivar, da Universidade de Cambridge, e fellow de Trinity Hall (1993-94). Pesquisador Emérito do CNPq. Membro da Academia Paulista de Letras. Entre outros livros, é autor de "As duas mortes de Francisca Júlia A Semana de Arte Moderna antes da semana" (Editora Unesp, 2022). “A explicação de fatalidades no Brasil”, Valor Econômico, 20/4/2023.
Paulo Fábio Dantas Neto* - Turbulento abril: uma âncora na cabeça, bumerangues na mão
Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Assombra-me a súbita impressão de incesto
(“Fado
tropical”, de Ruy Guerra e Chico Buarque)
Depois de ler os artigos publicados, neste
22 de abril, da jornalista Dora Kramer (“Trancos e barrancos” – Folha de SP) e
do professor Pablo Ortellado (“Nada de bom pode sair do circo da CPMI” – O
Globo), poderia me dispensar de escrever a coluna, enviar aos leitores os
artigos citados e usar para outros fins este sábado de verão resiliente em
Salvador. Acontece que o clima quente, abafado, semanas após findo o verão
oficial, recusa-se a deixar a cidade, também por estar prenhe de nuvens recentemente
formadas na política brasileira. A expectativa de que, a partir do céu da
política, se atire ao mar uma âncora econômica e social para fincar em terreno
firme o barco comum do país, avariado após uma década remando contra a maré, estremece
sob impacto de raios muy amigos, anunciadores de trovões. Raios que exumam receios
de nova tempestade em firmamento antes promissor, até prenunciador, conforme os
mais otimistas, de um chão de estrelas. A reversão de turbina prende o
colunista ao teclado em busca de compreender um pouco mais a cena atual,
inclusive observando vértices entre política e sociedade.
O presidente Lula está em Portugal e por lá ficará cinco dias. Entre as cerimônias, a entrega, no emblemático dia 25, do prêmio Camões a Chico Buarque, homenagem luso-brasileira ao grande artista da nossa mãe gentil. Três dias depois, Chico estará no palco da Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, brindando o seu público progressista com boa música e um provável relato simpático, talvez entusiasmado, do momento ímpar da viagem, em que o presidente terá acertado no cravo depois de passar duas semanas golpeando a ferradura, em matéria de política externa. Nem tudo, contudo, será gentileza a Lula, nessa nova visita. Há visível contraste entre a recepção ali oferecida, em novembro, ao então presidente eleito e a que se desenha, agora, ao presidente efetivo. Noves fora cravos amistosos em recinto fechado e zagueiros russos espinhosos na rua (sejam extremistas empedernidos, ou ucranianos ressentidos), na diplomacia e na política oficial (salvo dribles desconcertantes que a torcida crente espera sempre de seus ídolos) uma polidez mais circunspecta assume o lugar da simpatia de ontem e uma expectativa atenta (para dizer o máximo), o lugar do entusiasmo de anteontem. É de depreciação veloz do capital político e simbólico adquirido nas históricas eleições brasileiras de outubro de 2022 que se fala ao se pensar nos estragos que o que se pode chamar de modo Amorim de fazer política externa causou à imagem de Lula, do governo e a um processo de reabilitação institucional do papel do Itamaraty que, bem ou mal, começou mesmo antes da posse do presidente.
Fernando Gabeira - Estilhaços da guerra na Ucrânia
O Globo
Lula começou a perder a condição de
mediador ao sugerir que os ucranianos abrissem mão da Crimeia, invadida em 2014
Estilhaços da guerra na
Ucrânia feriram levemente o Brasil, num momento ascendente de
nossa política externa. O governo Lula conseguiu romper de forma rápida o
isolamento a que Bolsonaro nos condenou. Primeiro, foi o discurso em Sharm
el-Sheikh, no Egito, afirmando a política de preservação da Amazônia e do
desenvolvimento sustentável. Em seguida, foram as viagens: Argentina,
Uruguai, Estados
Unidos e China. As coisas pareciam
tão bem que Lula decidiu trabalhar pela paz na Ucrânia. É compreensível, porque
segue a tradição brasileira e os fundamentos de nossa política externa: a
defesa da paz.
Durante a campanha, Lula já fizera uma declaração ambígua sobre a guerra na Ucrânia. Mas isso desapareceu no oceano de declarações de uma eleição nacional em que política externa quase não conta. Lula afirmou que tanto a Ucrânia quanto a Rússia eram culpadas, pois numa guerra ambos os contendores são responsáveis. Talvez tenha sido uma manifestação radical do pacifismo que não bate com a realidade. A Ucrânia foi invadida. Os vietnamitas foram culpados por guerrear contra franceses e americanos invasores? Os antifascistas foram culpados na Guerra Civil da Espanha? Os aliados, por combaterem o nazismo?
Miguel de Almeida - A economia criativa pede passagem
O Globo
Em meio às lulices dos últimos dias, um
dado passou despercebido: em 2020, a economia da cultura e das indústrias
criativas (ECIC) movimentou cerca de R$ 230,14 bilhões. O valor corresponde a
3,11% do PIB brasileiro.
Não é pouca coisa. Vou desenhar para que os bolsonaristas e os velhos petistas
entendam o alcance dos dados: no mesmo ano, o setor automotivo representou
2,1%.
Os dados, divulgados pelo Observatório Itaú
Cultural, foram montados a partir de uma metodologia própria com base no
cruzamento de informações recolhidas junto ao IBGE.
A ECIC reúne segmentos como cinema, rádio, mercado editorial, música, TV, artes
cênicas e visuais, publicidade, design, museu, patrimônio e moda.
Outro número importante: em 2020, a ECIC empregava em torno de 7,4 milhões de trabalhadores em cerca de 130 mil empresas. De novo, é de tirar o chapéu. O PIB ECIC em 2019 representava 2,81% das riquezas brasileiras. Cresce bastante, apesar da pasmaceira brasileira.
Irapuã Santana - Violência, educação e discurso
O Globo
Alunos de unidades que passaram por seis ou
mais operações policiais em 2019 apresentaram redução de 64% no aprendizado
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
determina que os sistemas de educação básica tenham, no mínimo, 200 dias
letivos para a garantia de um calendário efetivo de atividades docentes.
Uma pesquisa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) diz que 74% das escolas municipais cariocas vivenciaram ao menos um tiroteio no entorno em 2019, relacionando dados do Instituto Fogo Cruzado aos fornecidos pela Secretaria Municipal de Educação do Rio sobre operações policiais próximas das escolas. O fato mais aterrorizante é que 232 unidades vivenciaram 21 ou mais tiroteios (uma em cada cinco).
Angela Alonso* - CPI ou furdunço?
Se
bem conduzida, comissão do 8/1 pode ser acerto de contas da nação
O
Gonçalves Dias da vez é de uma pátria longe da edênica de sabiás e palmeiras.
Sua imagem na invasão do Planalto abre-se a interpretações —agiu em suporte ou
desbaratamento? O tempo da política é o instantâneo e, na dúvida, a
cabeça do general, que não é poeta, rolou.
A
celeridade do gesto governista não conteve a sanha da oposição em alongar o
problema. Aí
vem CPI (ou CPMI, o "m" indica o misto de senadores e
deputados). O objetivo, em princípio, é esclarecer o 8
de janeiro. Mas, dada a polidez e o autocontrole dos oposicionistas,
explicitados em sessão recente pelo deputado 03, pode desandar para outro
propósito.
Reconstruir os fatos e responsabilizar os envolvidos, direta ou indiretamente, é imperativo. Já se investigou muito, mas também é muito o que falta. O evento ainda nem tem nome próprio. Prevalece o desnorteio nominativo: invasão, atos antidemocráticos, intentona, terrorismo, golpe. Nomear é delicado porque encaixa o acontecimento num molde, encaminha uma leitura.
Marcus André Melo* - O Jogo da Culpa
Folha de S. Paulo
A CPI será a arena para o Jogo da Culpa e
aumenta o custo do apoio de Lira
Uma regularidade empírica já bem
estabelecida na ciência política é que há um viés de negatividade na vida
política. Os atores políticos preocupam-se menos com a reivindicação de crédito
por ações benéficas do que com a negação de culpa por eventos com consequências
negativas. O viés está associado à maior saliência dos custos em relação aos
benefícios nos processos de decisão individual.
Em estudo experimental recente, Joshua Robison demonstrou que as estratégias de transferência de culpa são muito menos efetivas quando são oferecidas contra narrativas para os eventos negativos, comparadas com os casos em que não são oferecidas, controlando pelo grau de credibilidade das fontes (e se elas são independentes ou partidárias).
Ana Cristina Rosa - Entre a fome e o gato
Folha de S. Paulo
Relatório inédito evidencia como a pobreza
energética aprofunda desigualdades
Já pensou no que você faria se tivesse de
escolher entre comprar comida e pagar a conta de um serviço essencial como o
fornecimento de energia elétrica? Esse é o tipo de dilema que assombra
cotidianamente a vida de milhões de brasileiros privados de direitos básicos.
A pobreza é um fenômeno complexo, que
sustenta a exclusão e a vulnerabilidade e ultrapassa a questão da renda. Não
por acaso a chamada "pobreza energética" remete à insegurança
alimentar, falta de acesso à informação e à educação – entre outros direitos da
cidadania.
Considerando que a perspectiva interfere no diagnóstico de problemas sociais, a Rede Favela Sustentável e o Painel Unificador das Favelas decidiram assumir o controle da narrativa sobre esse tema nas comunidades do Rio de Janeiro.
Ruy Castro - Em defesa da empada
Folha de S. Paulo
Certas expressões ridicularizam os
alimentos; muitas são de quando se amarrava cachorro com linguiça
Em coluna recente (16), comparei o ex-ator e ex-presidente dos EUA Ronald Reagan a uma empada. O leitor Marcos Benassi escreveu para defender a empada --compará-la a Reagan era uma ofensa, ele disse. E com razão. Admito publicamente o ato falho --logo eu, devorador das empadas do Caranguejo, em Copacabana-- e peço perdão. A partir de agora, vou pensar duas vezes antes de usar expressões que diminuam ou ridicularizem os alimentos. Exemplos.
Felipe Moura Brasil – Negacionista de si próprio
O Estado de S. Paulo
Quando o caldo entorna, Lula camufla suas pegadas com falsas narrativas, ecoadas por amigos
Em Portugal, Lula negou (“eu nunca igualei
os dois países”) o Lula da China (“a guerra só está interessando, por enquanto,
aos dois”), o Lula dos Emirados Árabes Unidos (“a decisão da guerra foi tomada
por dois países”; Putin e Zelenski não tomam “a iniciativa de parar”), o Lula
do Brasil (“quando um não quer, dois não brigam”) e o Lula da revista Time
(“ele é tão responsável quanto o Putin, porque numa guerra não tem apenas um
culpado”).
Para Lula mudar de princípios, basta mudar Lula de ambiente. Repercutindo a propaganda russa, ele vem adulando com falsas equivalências o tirano que mandou invadir e atacar um país democrático vizinho; culpando a vítima pela invasão; e acusando os EUA e a Europa, que saíram em socorro da Ucrânia, de incentivarem a guerra e darem “contribuição para a continuidade” dela.
Denis Lerrer Rosenfield* - Contradições da esquerda
O Estado de S. Paulo
O PT no poder esteve e está imerso em dilemas semelhantes aos da social-democracia alemã no final do século 19 e nas primeiras décadas do século 20
A social-democracia alemã, no final do século 19 e nas primeiras décadas do século 20, era um partido marxista inserido numa sociedade capitalista que se desenvolvia rapidamente, graças à indústria têxtil e, depois, à mineração e à metalurgia. Na perspectiva marxista, sua finalidade última (Endziel) era a implantação de uma sociedade comunista, baseada nos avanços da “luta de classes”, tendo como desfecho a revolução, identificada à salvação da Alemanha e da humanidade enquanto tal. No entanto, tal formulação era de pouca valia na condução dos assuntos corriqueiros e práticos do partido, que tinha se tornado uma grande organização, baseada em sindicatos fortes, com uma folha expressiva de salários e tendo suas próprias empresas, das quais extraía lucro.
Bruno Carazza* - Quando o pânico legisla
Valor Econômico
Ataques nas escolas estimulam epidemia de
projetos ruins
Os ataques à escola Thomazia Montoro, em
São Paulo, e à creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau, ocorridos em apenas dez
dias, geraram pânico entre crianças, adolescentes e pais. Tentados a dar uma
resposta diante da boataria de que uma “epidemia de ataques” estaria sendo
planejada, não demorou muito para nossos políticos demonstrarem mais uma vez
seu despreparo para indicar soluções para problemas complexos.
A deputada Silvia Waiãpi (PL-AP) foi a mais
rápida. Tenente do Exército e integrante da bancada da bala, a novata
protocolou no mesmo dia em que um adolescente matou a facadas a professora
Elisabeth Tenreiro o PL 1.446/2023, que torna obrigatória a instalação de
portais de raios-x nas escolas públicas e privadas do país. Era só o começo.
Segundo levantamento que realizei na página da Câmara na internet, de 27/03 a 20/04 foram apresentados 565 projetos de lei ordinária. Desses, nada menos que 104 (18,4%) tratavam de violência em ambiente escolar, cada um apresentando um caminho diferente para se prevenir e coibir atentados contra nossas crianças e adolescentes.
Alex Ribeiro - Por que o juro alto não baixou mais a inflação?
Valor Econômico
Impulso fiscal e juro neutro atrapalham o
trabalho do Banco Central
O presidente do Banco Central, Roberto
Campos Neto, admitiu na semana passada, em um evento em Londres, o que já
estava implícito na comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom): a
queda da inflação está mais lenta do que o esperado, dados os altos níveis dos
juros reais.
Do ponto de vista prático, ele deu uma
sinalização importante: como a inflação não está caindo da forma prevista, não
é possível antecipar quando o Copom poderá começar a cortar a taxa básica de
juros. Isso significa que o mercado financeiro, que vinha precificando chances
cada vez maiores de uma baixa prematura da Selic, deveria moderar as suas
apostas.
Mas fica a pergunta: por que a Selic nos atuais 13,75% ao ano, tão combatida pelo governo, não está surtindo o efeito esperado para baixar a inflação? Os juros reais estão acima de 7% ao ano desde o segundo trimestre de 2022. Apesar disso, a média dos núcleos de inflação favoritos do BC, que excluem preços mais voláteis, segue em 7,8%, no acumulado em 12 meses. A inflação dos serviços mais afetados pelo ciclo econômico também está em 7,8%.
Entrevista | Yuval Harari: ‘Em Israel, tentam evitar a catástrofe e salvar a democracia’
Por Paola de Orte, Especial para O Globo
Yuval Noah Harari, um dos maiores
pensadores da atualidade, diz que há risco de seu país, que completa 75 anos,
ser dominado por um fundamentalismo messiânico com impactos globais
Nesta semana, Israel comemora 75
anos de fundação — no calendário judaico, uma vez que a criação do país ocorreu
em 14 de maio de 1948 — vivendo um dos momentos mais críticos da sua História.
Para Yuval Noah Harari — um dos pensadores mais importantes da atualidade, o
autor dos best-sellers “Sapiens” e “Homo Deus” — há o risco de seu país virar
uma teocracia messiânica. E, como tem tecnologia nuclear, poder militar e
conhecimento tecnológico, os efeitos poderiam ser globais: “O que está
acontecendo aqui pode ter impacto direto em processos e eventos muito além das
fronteiras de Israel e até do Oriente Médio”, diz ele, sobre a proposra de
reforma do Judiciário de Benjamin
Netanyahu, que pode acabar com o controle sobre o governo e tem
gerado confrontos que estão afastando investimentos, gerando violência e
tornando a nação inviável.
Aos 47 anos, o pensador, que nasceu em
Qiryat Atta — cidade no Norte do país, entre Haifa e Nazaré — Israel pode estar
jogando fora uma história de conquistas importantes. Por isso, diz, muitos
lutam: “as forças seculares e democráticas em Israel estão fazendo tudo o que
podem para impedir esta catástrofe histórica e salvar a democracia israelense”.
O que a fundação de Israel significou para
o mundo?
O estabelecimento de Israel reparou uma enorme injustiça histórica: a perseguição às comunidades judaicas durante séculos na maior parte das regiões em que viviam, culminando com o Holocausto. Foi também parte do processo de colapso dos impérios europeus e do estabelecimento de Estados-nação independentes após a Segunda Guerra. Quando me pedem para refletir sobre o país em seu 75º aniversário, digo que é preciso julgar sua política em comparação com outros países fundados ao mesmo tempo. Assim, Israel é talvez o mais bem-sucedido em termos econômicos, de cultura e de tecnologia, e o incrível é que conseguiu isso apesar de condições muito difíceis.
O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões
CPMI é uma arma que pode e deve se voltar
contra Bolsonaro
Valor Econômico
O governo subestimou o poder das forças
antidemocráticas que patrocinaram a aventura de janeiro
Será uma das mais bizarras comissões
parlamentares de inquérito da história - e não por falta de concorrência -, a
que será formada para investigar a aventura golpista de 8 de janeiro. Mais de
1.300 pessoas foram presas pelos atos de vandalismo que destruíram parcialmente
o Palácio do Planalto, a sede do Supremo Tribunal Federal e o Congresso,
executados por apoiadores radicais do ex-presidente Jair Bolsonaro, que perdeu
as eleições, não reconheceu sua lisura e não transmitiu oficialmente o cargo.
Representantes dos suspeitos, os parlamentares bolsonaristas, agora aninhados
principalmente no PL, insistiram em convocar a CPMI e, no final, conseguiram.
A CPMI será usada como propaganda de desgaste do governo pelos bolsonaristas e a chance de ela se tornar mais um circo histérico, repleto de fake news, é grande. A tese subjacente à convocação da comissão vem do universo paralelo radical: o governo Lula teria forjado uma tentativa de golpe contra si mesmo. Lula e seus principais assessores, com suas hesitações, contribuíram para turvar o ambiente nítido de responsabilidades pelas arruaças. A cadeia dos fatos que desembocaram nos atos criminosos não deixa dúvidas de que Jair Bolsonaro foi, no mínimo, o responsável intelectual pela tentativa golpista, ao lado de militares em posto de comando no Exército e nos vários órgãos encarregados da inteligência e da segurança de Brasília.


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