quarta-feira, 8 de julho de 2015

Luiz Carlos Azedo - Enfim, caiu a ficha

- Correio Braziliense

• Dilma está mais preocupada com a defesa individual de sua honra do que com uma saída política para a crise institucional que se arma

“Parece que está todo mundo querendo derrubar a senhora”, indagaram Maria Cristina Frias, Valdo Cruz e Natuza Nery, da Folha de S.Paulo. “O que você quer que eu faça? Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso é moleza, isso é luta política. As pessoas caem quando estão dispostas a cair. Não estou. Não tem base para eu cair. E venha tentar, venha tentar. Se tem uma coisa de que eu não tenho medo, é disso. Não conte que eu vou ficar nervosa, com medo. Não me aterrorizam”, respondeu a presidente Dilma Rousseff, em entrevista exclusiva ao veículo paulista. É a guerra!

São três processos movidos pelo PSDB no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para cassar o mandato de Dilma. Dois são ações de investigação judicial eleitoral, nas quais o PSDB alega abuso de poder político e econômico na campanha presidencial. O partido pede a cassação da diplomação da chapa e a inelegibilidade da presidente e do vice por oito anos.

O relator é o ministro João Otávio de Noronha, corregedor-geral do TSE. Devido aos fatos revelados pela Operação Lava-Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras, o PSDB pediu a tomada de depoimento do doleiro Alberto Youssef, do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do dono da UTC, Ricardo Pessoa, o único que falta ser ouvido.

O PSDB também pediu a impugnação de mandato eletivo de Dilma, em ação ajuizada em janeiro ao TSE. A relatora é a ministra Maria Thereza de Assis Moura, cujo voto foi no sentido de que não houve provas suficientes para dar andamento ao processo.

O ministro Gilmar Mendes, porém, pediu vista do processo. Deve apresentar seu voto em agosto, mês fatídico para os políticos, por causa do suicídio de Getúlio Vargas e da renúncia de Jânio Quadros. Um fato novo pode mudar o rumo do julgamento.

Em delação premiada, o empresário Ricardo Pessoa disse que foi coagido pelo ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, então tesoureiro da campanha de Dilma, a contribuir com R$ 7,5 milhões para a disputa pela reeleição. Marcado para o próximo dia 14, seu depoimento será decisivo para o julgamento das três ações.

É por isso que a presidente da República resolveu questionar o mecanismo legal da delação premiada. Dilma não admite entrar no rol dos que se beneficiaram do dinheiro desviado da Petrobras pelo esquema de propina do PT, investigado pela Operação Lava-Jato.

Caso os depoimentos dos delatores sejam comprovados, o que parecia ser apenas choro de perdedor pode mudar os rumos da vida política nacional, com a cassação dos mandatos de Dilma Rousseff e do seu vice, Michel Temer.

Nesse caso, a Corte também teria que decidir entre dar a posse ao segundo colocado, o tucano Aécio Neves, ou convocar novas eleições, nas quais ele largaria como franco favorito, segundo as últimas pesquisas. Esse é o cenário que mais interessa ao presidente do PSDB, que já sonha com o Palácio do Planalto.

O dia seguinte
Mas não é somente por isso que caiu a ficha para Dilma Rousseff, cuja entrevista foi considerada muito emocional pelos estrategistas do Palácio do Planalto, ruim como todas as demais, nessa fase mais magra e bicicleteira da presidente da República.

A petista parecia autista, pairando acima das revelações da Operação Lava-Jato e da crise de governabilidade no Congresso, mas finalmente reagiu ao perigo. Sua entrevista, porém, revelou combatividade desprovida de estratégia política e confiança no ajuste fiscal. Dilma está mais preocupada com a defesa individual de sua honra do que com uma saída política para a crise institucional que se arma.

A marcha do processo na Justiça Eleitoral, por causa da Operação Lava-Jato, interessa a Aécio Neves, que aposta em nova eleição, mas nem tanto aos demais caciques do PSDB, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador José Serra. Os tucanões paulistas preferem o impeachment de Dilma Rousseff e uma transição com o vice-presidente Michel Temer na Presidência.

Participam dessas articulações caciques do PMDB no Senado, que querem assumir o controle da legenda na próxima convenção partidária. O principal aliado de Temer na cúpula do PMDB era o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que alçou voo solo e dá o tom dos que querem o vice-presidente fora da articulação política do governo.

É nesse terreno que o senador José Serra (PSDB), duas vezes derrotado na disputa pela Presidência da República — uma pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, e outra pela presidente Dilma, em 2010 — começa a se movimentar com muita desenvoltura. O veterano político faz ala com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e acena com a possibilidade de ser candidato a presidente da República em 2018 pelo PMDB.

Serra também é cotado para ocupar o lugar de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, num eventual governo de união nacional encabeçado por Michel Temer, no caso de impeachment de Dilma Rousseff. Como diz o mais encarniçado opositor do governo Dilma, o presidente do PPS, Roberto Freire, a crise se agravou tanto que já se discute o pós-Dilma.

Rosângela Bittar - Autoanálise

- Valor Econômico

• Há hipertrofia da crise, diz alquimista do Palácio

Encontrada o que considerou a síntese do problema, definido como uma questão político-eleitoral na abordagem para o eleitorado, e técnico-legal no combate ao julgamento pelos demais Poderes, a presidente Dilma Rousseff deu por traçadas, nos últimos três dias, as linhas mestras de sua defesa.

O marqueteiro do PT, João Santana, chamado às pressas a Brasilia, contribuiu com os slogans, e a execução do combinado não foi difícil. A presidente mostrou-se governando a plenos poderes, foi desengavetado o projeto de proteção ao emprego que o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, preparara ainda quando estava no Ministério da Fazenda, num gesto aos sindicatos agastados com as medidas do ajuste que atingiram trabalhadores.

Ainda ontem, no seu papel, os partidos aliados começaram a executar sua parte no deixa-disso, levando uma certa distensão ao Congresso, cuja extensão ainda não se pode medir.

Presidentes e líderes partidários, o vice-presidente da República no comando do PMDB, deram todos um passo atrás. No PMDB se concentrou a argumentação mais veemente para reverter o peso do apoio do partido à tese do afastamento da presidente. A equação armada por Dilma, ministros do PT incluiu mostrar que só há saída se Temer, os ministros e governadores do PMDB e do PT, os líderes, permanecerem unidos.

Atribuiu-se a um grupo do PMDB que quer o afastamento da presidente e a assunção de Temer ao cargo ter levado o vice-presidente a conversar com a oposição para buscar apoio a essa fórmula. Segundo as avaliações do governo, as conversas foram divulgadas, pela oposição, com dois objetivos: enfraquecer Temer e enfraquecer o governo. Se o vice-presidente, coordenador político, está envolvido numa conspiração, é porque o governo ruiu, argumentou-se em uma das inúmeras sessões de autoanálise dos últimos três dias.

Com a cúpula do PMDB discutiu-se abertamente que a oposição não consideraria em hipótese alguma deixar Temer assumir, o afastamento seria de toda a chapa. "Quem no PSDB aposta contra o governo aposta contra a chapa", foi dito a mais de um dos integrantes da cúpula.

Quando diz que o PMDB já está novamente aliado, firme com Dilma, o Palácio do Planalto considera nesse grupo Renan Calheiros, Eunício Oliveira, Eduardo Braga, Jader Barbalho e, até mesmo, Eduardo Cunha, embora a esse se atribua certa instabilidade provocada pelo próprio PT, que lhe é hostil. No balanço do Planalto, é fatura liquidada, não há mais fissura com o PMDB.

E era fundamental segurar ao lado de Dilma o partido que comanda as duas Casas do Congresso, onde vão desembocar as decisões, sobretudo do Tribunal de Contas da União, que podem justificar abertura de processo de impeachment.

A estratégia do governo, nesse ponto, faz convergir as ações: à atuação dos partidos políticos a favor da presidente e à amplificação do grito de golpe por parte do PT, junta-se uma campanha voltada aos tribunais que julgarão Dilma.

Preocupa-se o Palácio em reverter a causa que parece perdida, a desaprovação das contas no TCU. Se não der, posteriormente, evitar que o Congresso referende a condenação das pedaladas fiscais pelo tribunal de contas.

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, e o advogado geral da União, Luís Adams, desdobraram-se nos últimos dias em explicações sobre a legalidade do procedimento em conversas com líderes, presidentes de partido, ministros aliados, os presidentes da Câmara e do Senado. Agora vão partir para o debate público com ministros do TCU. A esperança é que o Congresso acolha as teses da defesa.

O governo se vê de uma forma benevolente, sem exceção. Por exemplo, nas reuniões de avaliação constata que os resultados gerados pela coordenação política foram positivos, contabiliza como aprovadas as medidas essenciais do ajuste fiscal, crê na reparação das derrotas com o veto, a presidente conseguiu tudo o precisava levar à viagem aos Estados Unidos (acordos) e à Rússia (fundo dos Brics). Registra, também, que a tese do impeachment tem sido refutada pelas principais lideranças - inclusive Eduardo Cunha, que tem a atribuição de instalar o processo. Na autoanálise do Palácio do Planalto, é absolutamente inaceitável que uma presidente, com seis meses de exercício do mandato, saia do governo "porque alguns não têm paciência para esperar a próxima eleição". Afirma-se mais: "Dilma é honesta, honrada, respeitável. Seu mandato será cumprido, quer queiram ou não queiram".

A avaliação despreza o dado do agravamento da crise econômica, sob vários argumentos, entre eles que o Brasil é o terceiro destino mundial dos investimentos diretos. Ao responder referência à carga contra o ajuste feita no PT, partido considerado como insuflador da crise, alega-se que em 2003 houve ajuste, uma parte do PT foi contra; e agora faz-se o ajuste, e uma parte do PT está contra. "Tudo como dantes. O que é necessário é que haja, para depois do ajuste, perspectiva de retomada econômica".

"Está havendo uma espécie de hipertrofia da crise", assegura assessor da presidente.

Nesse ponto dos pesos e medidas, chega-se à razão mais profunda de tudo, ao problema que move uns e outros, a Lava-Jato. O governo avalia que a operação de investigação da corrupção na Petrobras afeta a economia mais que qualquer outra coisa, porque atinge os grandes investidores e a maior empresa estatal brasileira. Atinge seus fornecedores, seus contratados. Tudo se retrai. Empresas se imobilizam porque seus executivos podem ser presos. É total a coincidência da análise expressa nas reuniões do Planalto com o que a presidente Dilma passou a dizer publicamente sobre as prisões dos executivos e delações, no modelo de operação adotado pelo juiz Sergio Moro.

O ex-presidente Lula foi peça fundamental, embora ausente, nas sessões presididas do gabinete do Planalto. Foi e será procurado, é a principal liderança politica dos partidos da aliança, e espera-se dele que coloque a defesa do governo em primeiro lugar, resume-se. "Acharem que há uma solução para o PT e para o Lula fora de uma solução para o governo é uma ilusão", diz um dos alquimistas do enfrentamento da crise. Se Lula também estiver pensando assim, os resultados estarão garantidos. Para o governo, vigora um novo lema: são os resultados que medem o sucesso das ações.

Eliane Cantanhêde - É mole?

- O Estado de S. Paulo

É inacreditável, do ponto de vista político, de marketing e até de resultados, que o governo admita um "clima de impeachment" e a presidente Dilma Rousseff saia por aí dizendo que "não vai cair", "vai lutar com unhas e dentes pelo mandato" e toda essa imensa crise "é moleza, é luta política". Na sociedade, universo em que Dilma tem míseros 9% de aprovação, isso soa assim: Ih! A presidente está caindo!

Além de temerárias, as falas de Dilma têm um certo tom de deboche totalmente inadequado. Afinal, não é por causa do PSDB, nem da mídia, nem "dazelite" que Dilma está acossada, simultaneamente, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, pelo Congresso, pelo PMDB, pelo PT e pelo próprio patrono Lula. Sem falar na economia, que continua indo para o buraco, arrastando junto emprego, renda e o que resta de confiança em Dilma. Tudo isso é "moleza"? Só "luta política"?

No PSDB, há intensas discussões e nenhuma conclusão sobre o que fazer. Com três candidatos potenciais, há três estratégias diferentes – e conflitantes. Elas se neutralizam, enquanto proliferam versões. Aécio Neves seria o nome do PSDB, Geraldo Alckmin estaria se articulando com o PSB (que ficou sem pai, Eduardo Campos, nem mãe, Marina Silva) e José Serra, com o PMDB (que não quer mais ouvir falar de PT). Em vez de aliados contra Dilma, os principais tucanos são adversários entre si.

Aécio tem vários trunfos: a presidência do partido, o fato de ter sido o único candidato a unir os tucanos, o "recall" de eleições ainda frescas e, principalmente, a liderança nas pesquisas, à frente até do antes imbatível Lula. Como tem dito Aécio, o melhor horizonte é Dilma fraca, perdida, até concluir o mandato. Mas, se Dilma cair por força do TSE, ele pode ser o beneficiário direto e imediato.

Alckmin tem o governo mais rico e de maior visibilidade do País, o de São Paulo, Estado que é o epicentro da oposição a Dilma, a Lula e ao PT e onde está a maior força do PSDB. Ele despiu a fantasia de "picolé de chuchu" no ataque ao governo na convenção de domingo, numa disputa de liderança, não uma efetiva pressão pela queda de Dilma. O que Alckmin ganharia com a abreviação do mandato dela? Nada.

Serra, recolocado na lista pelas circunstâncias políticas e econômicas, consolida suas pontes com PMDB e também com PSD, PTB, PPS e DEM, sem deixar de cultivar interlocutores no próprio PT. Nenhum desses morre de amores por Aécio, mas todos têm abertura, em menor ou maior grau, para Serra, que assumiu a dianteira da pauta parlamentar. É autor de projetos de mudança no sistema de partilha na exploração do pré-sal; de ampliação da PEC da Bengala para todo o funcionalismo; e de flexibilização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como contraponto à redução da idade penal.

Ele está muito atrás de Aécio e Alckmin no PSDB, mas pode virar o jogo com o PMDB e tem duas alternativas: uma já, outra em 2018. Se for o TCU a empurrar Dilma para crime de responsabilidade, Serra poderá ser um dos avalistas da transição a la Itamar Franco, com Michel Temer. Se a presidente "não cair", como ela própria alardeia, sempre sobrará para Serra o sonho de uma equação inversa, com o apoio de Temer e do PMDB em 2018.

Por mais que Planalto, PT e seus aliados de dentro e fora do Congresso unifiquem o discurso de que há "um golpe", essas são manifestações legítimas de oposição, quando quem tenta empurrar Dilma para fora do tabuleiro são o desemprego em alta, a renda em baixa, as denúncias da Petrobrás, o descontrole político e parte dos aliados.

A oposição não pode se fazer de cega, surda e muda, correndo o risco de ser pega de calças curtas. Se o PSDB é golpista, todo mundo é, porque o que mais se faz em Brasília hoje é analisar as circunstâncias e o que determina a Constituição. Isso não é "moleza" nem "golpe", mas, pura e simplesmente, a realidade.

Elio Gaspari - O PSDB e seu mandato divino

- O Globo

• Ter horror ao PT, ao comissariado e a Dilma é uma coisa, mas comprar gato por lebre é bem outra

Quando alguém discorda de um comissário petista ele insinua que isso é coisa de quem está a serviço de algum interesse antissocial. Já o tucano é mais elegante. Quando o sujeito discorda ele explica de novo. Na sua última convenção, o PSDB apresentou-se pronto para assumir o governo, como se a derrota eleitoral do ano passado tivesse sido apenas um acidente. Melhor explicado, seria revertido.

Admitam-se todas as premissas expostas pelo tucanato. Aécio Neves perdeu a eleição para uma "organização criminosa". O PT não gosta dos pobres, mas do poder. O governo perdeu o rumo. Admita-se também que o PSDB pode ser uma alternativa às pedaladas e às petrorroubalheiras. Nesse caso, diante do que está aí, nada melhor que ele.

Na mesma convenção em que o tucanato apareceu pintado para a guerra aconteceram dois episódios. Eduardo Azeredo, ex-presidente do partido e ex-governador de Minas Gerais, foi colocado entre os convidados de honra do evento. Réu no caso do mensalão mineiro, anterior ao petista, Azeredo renunciou à presidência do partido e a uma cadeira de deputado federal para abrigar-se no rito da primeira instância. Como o tesoureiro João Vaccari, ovacionado no congresso do PT, ele é inocente até que haja sentença judicial condenando-o. O tucanato tinha mais uma surpresa cerimonial. Incluiu entre os aliados que discursaram a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha e herdeira do notável Roberto Jefferson, que cumpre em regime aberto a pena de sete anos a que foi condenado pelo Supremo Tribunal.

Políticos experientes como os candidatos Aécio Neves e Geraldo Alckmin poderiam ter contornado esses constrangimentos, mas, quando contrariados, os tucanos explicam de novo. Para eles o mensalão mineiro e Roberto Jefferson nada têm a ver com a essência do mensalão petista.

A ação da Justiça diante do mensalão do PT mandou para a penitenciária gente que confiava na impunidade do andar de cima. O "efeito Papuda", por sua vez, abriu o caminho para 16 casos de colaboração de delinquentes com as investigações das petrorroubalheiras. Alguma coisa mudou no país, mas o tucanato persevera.

À primeira vista o PSDB estaria na situação do Mr. Jones da canção de Bob Dylan: "Alguma coisa está acontecendo aqui, mas você não sabe o que é." Essa hipótese é benigna, porem implausível. O tucanato sabe o que está acontecendo e quer mudar o país à sua maneira, com Eduardo Azeredo entre os convidados de honra e Cristiane Brasil na tribuna. Age como se tivesse recebido do Padre Eterno um mandato para governar o país. Replica a soberba de Lula e do comissariado petista ao solidarizarem-se com os mensaleiros.

O mandato da doutora Dilma não pode ser desligado por um clique do Tribunal de Contas da União ou do Tribunal Superior Eleitoral. No primeiro caso, o parecer do TCU precisa passar pelo rito da Câmara e do referendo de seu plenário. No segundo caso, basta que um ministro do TSE peça vista do processo para que o julgamento seja paralisado. Mesmo que quatro dos sete ministros antecipem seu votos condenando o governo, a sentença estará bloqueada. Sem crise institucional, as coisas funcionam desse jeito. Com crise, o que há é a crise.
----------
Elio Gaspari é jornalista

Míriam Leitão - Não é, mas pode ser

- O Globo

Impeachment não é golpe, mas pode ser. O impedimento de um chefe de Estado faz parte do presidencialismo, desde que sejam cumpridas todas as normas constitucionais. Se fosse apenas por causa de manifestações, ou baixa popularidade do chefe do executivo, seria golpe. Contra Fernando Collor, foi o ato final de um julgamento no Congresso que o levou a renunciar.

Como votou e se posicionou o PT no Collor? Pela saída do presidente. Ele foi golpista? Não, seguiu o entendimento majoritário, ao fim da investigação, que mostrou recursos de origem escusa no pagamento das contas pessoais do presidente, como na reforma da Casa da Dinda e outras despesas. Não foi por um Fiat Elba. Foi todo um conjunto de ilegalidades e uso de dinheiro do caixa de PC Farias.

O que fez o PT quando o ex-presidente Fernando Henrique iniciou seu segundo mandato no meio de um desabamento da aprovação por causa da crise cambial? Defendeu oficialmente o impeachment do então presidente no "Fora FHC". Isso é golpismo? Sim. Porque uma crise econômica, como a que vivemos agora, não justifica o impedimento, apesar de a presidente Dilma estar fazendo o oposto do que disse na campanha, num claro caso de estelionato eleitoral. Collor também disse que o seu adversário prenderia o dinheiro da caderneta de poupança e foi ele que fez isso. Mas não foi o desastrado Plano Collor, ou seja, o estelionato, que o derrubou.

Ninguém falou de qualquer indício de dinheiro escuso nas contas pessoais da presidente, e por isso a comparação com Collor não se coloca. Mas, sim, há ameaças sobre o governo Dilma. Empreiteiros investigados na Operação Lava-Jato e outros envolvidos têm falado, em delações premiadas, de contribuições à sua campanha feitas para se obter vantagens em contratos com a Petrobras. A maior parte desse dinheiro foi entregue em doações declaradas. Se restar provado que a doação veio como parte do esquema do superfaturamento de obras e de contratos da Petrobras, caberá à Justiça decidir se a pena para o crime é a perda do mandato. Se forem respeitados todos os procedimentos constitucionais, diante de provas, não será golpe, mas sim um processo previsto em lei de impedimento de presidente.

O outro caminho sobre o qual o PSDB tem falado é o da reprovação das contas. Esse é bem mais discutível. O TCU tem nome de tribunal, mas não é. Como todos sabem, ele faz parte da estrutura do poder legislativo e apenas dará um parecer sobre as contas da presidente em 2014. Os sinais apontados no relatório preliminar do TCU são suficientemente fortes para que o parecer seja pela rejeição. As pedaladas fiscais chegaram a R$ 40 bilhões. As maquiagens e as ofensas contábeis foram numerosas. Se tudo isso for aceito pelo TCU, ele pode fechar as portas e cuidar da vida porque nunca mais vai dar parecer contrário a qualquer abuso de chefe do executivo federal. Vai sempre fazer ressalvas que nunca serão consideradas. Com isso, também, arquive-se a Lei de Responsabilidade Fiscal, porque ela estabelece claramente que bancos públicos não podem emprestar para seus controladores, e aquelas operações são, de fato, operações de crédito. O que o Congresso decidirá depois é imprevisível.

O presidencialismo prevê o instituto do impeachment. No parlamentarismo, a dissolução de um governo é mais simples. No presidencialismo, é sempre traumático, mas não é golpe se seguir as determinações constitucionais. A Presidência não é invulnerável ao processo legal. Portanto, a presidente Dilma só poderia dizer que seus adversários são "um tanto golpistas" se tentarem apeá-la do poder sem o devido processo legal.

Na sua entrevista à "Folha de S. Paulo", a presidente demonstra estar um tanto exasperada. Entende-se. Este está sendo um difícil começo de governo. Não por culpa de terceiros, mas dela mesma, da política econômica que praticou no mandato passado e da linha que adotou na campanha eleitoral de "desconstruir" adversários e mentir sobre a conjuntura. A verdade apareceu assim que as urnas foram fechadas e, com isso, veio o desabamento do seu apoio popular.

Nestes primeiros seis meses, o governo pareceu perdido, caótico e contraditório. A mais importante defesa, no momento, seria a presidente governar. E isso não é moleza.

Dilma reage – Editorial / Folha de S. Paulo

• Presidente contesta críticas em entrevista; embora sua situação jurídica e política seja muito difícil, faltam as condições para afastamento

Cercada por uma atmosfera de descrédito e isolamento quase sem precedentes, a presidente Dilma Rousseff (PT) procura reagir. Na extensa entrevista a esta Folha publicada terça-feira (7), defendeu-se das acusações que lhe fazem e qualificou parte da oposição de golpista.

Prometeu contestar as evidências de que seu governo violou a Lei de Responsabilidade Fiscal mediante manipulação contábil no ano passado. Renovou seu compromisso com o ajuste das contas públicas em curso, cuja implantação pretende acelerar. E reiterou sua aversão à delação premiada como recurso investigativo.

"Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou", insistiu com ênfase exagerada, para em seguida lançar um repto temerário, passe o trocadilho, aos que preconizam seu impedimento, desafiando-os com outra repetição: "Venha tentar, venha tentar".

O impeachment presidencial é, como se sabe, remédio extremo para situações extremas. Depende de dois requisitos, um jurídico, o outro político, para se consubstanciar.

É necessário reunir um conjunto robusto de provas a indicar que o/a presidente cometeu crime de responsabilidade no exercício de suas funções. E é preciso que se configure amplo consenso político de que lhe faltam condições mínimas para seguir governando.

Embora numa democracia qualquer pessoa possa manifestar seu desejo de que o governo caia, uma proposta de impeachment só deve ser considerada seriamente se e quando aqueles dois critérios estiverem atendidos.

Ainda não é o caso. Espera-se que o Tribunal de Contas da União julgue as contas do governo até o final de agosto; caso sejam rejeitadas, como parece provável, caberá ao Legislativo deliberar sobre eventual abertura de processo de impeachment.

Quanto às denúncias de que dinheiro ilegal foi usado na campanha que reelegeu a presidente, conforme acusam delatores identificados na Operação Lava Jato, caberá ao Tribunal Superior Eleitoral decidir sobre sua veracidade.

Em caso de condenação, haverá recurso ao Supremo Tribunal Federal. Do ângulo jurídico, portanto, a situação da presidente é grave, mas ainda indefinida.

Do ponto de vista político, as perspectivas não parecem melhores. Com 10% de apoio, sua sustentação popular é das piores jamais medidas. Atiçado por uma liderança atrevida, o Congresso está em guerra contra o governo e ameaça desfigurar as medidas imprescindíveis para o país sair da crise.

O próprio êxito do ajuste pressupõe um período em que o prestígio do governo venha a se deteriorar ainda mais.

Ainda assim, é preciso esperar que as instituições concluam seu trabalho. Impeachment é solução traumática que convém evitar enquanto houver alternativa.

Dilma desperta e tenta reagir – Editorial / O Estado de S. Paulo

Ao reagir ao posicionamento do PSDB, em sua convenção no domingo, sobre a possibilidade de seu afastamento da Presidência, Dilma parece ter finalmente descoberto que seu mandato corre risco. Em consequência, adotou uma decisão que pode ser, para ela mesma, uma armadilha fatal: convocou os partidos da base aliada para uma ação conjunta em defesa de sua permanência na chefia do governo. Não é, porém, a faixa presidencial no peito que confere a Dilma o poder de articular forças políticas ao seu redor. É a autoridade política de fato. E isso ela não tem nem mesmo para manter unido em sua defesa seu próprio partido, o PT. Que dizer das demais legendas, a começar pelo PMDB, que integram a desmilinguida "base aliada", cada uma mais preocupada em salvar a própria pele e não afundar junto com o governo mais mal avaliado pelos brasileiros na história recente da República.

Os tucanos, como partido de oposição, fizeram o que deles era esperado, declarando-se prontos a assumir o poder caso se consume o afastamento da presidente da República, por decisão do Legislativo ou do Judiciário. Os mesmos petistas que durante o governo tucano saíam às ruas berrando "fora FHC" agora acusam a oposição de estar armando um "golpe". Mas as condições para que o desfecho da atual crise seja o afastamento da presidente são dadas pelo próprio governo, devido à incompetência e à falta de respeito à lei com que tem governado; e pelas forças políticas que teoricamente o apoiam, por causa da falta de pudor com que transformaram em prática usual e corriqueira a malversação de recursos públicos. Uma prática, aliás, à qual lamentavelmente não se têm revelado estranhos nem mesmo membros da oposição. A banalização da desonestidade e da intrujice – esse é o verdadeiro golpe, cometido contra o povo brasileiro pelo lulopetismo.

Se Dilma confia que o PT mergulhará de cabeça em sua defesa, unido e coeso, vai se decepcionar. Basta que atente para o fato de que na reação à convenção dos tucanos ouviu-se – pelo menos até o dia seguinte – o ruidoso silêncio de seu padrinho, que em circunstâncias normais estaria, desde o primeiro minuto, de borduna em punho, malhando os "inimigos". Além disso, a habitual soberba petista levou o partido a que Dilma é filiada a olhar seus aliados de cima para baixo, com prepotência, desconfiança ou desinteresse. Não é preciso lembrar o que Dilma e a tigrada tentaram fazer com os peemedebistas Eduardo Cunha e Renan Calheiros para constatar que não há de ser por amor ao PT ou a uma chefe de governo que sempre desdenhou da chamada classe política que sairão agora em sua defesa os políticos "aliados", muitos dos quais têm manifestado ruidosamente sua insatisfação com a demora da Casa Civil no atendimento de seus pleitos.

Para piorar a delicada posição em que se encontra aparentemente sem dela se dar conta, Dilma afeta um excesso de confiança absolutamente sem sentido. Em entrevista à Folha de S.Paulo, a fragilizada presidente tentou fazer jus à sua reputação de "durona": "Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso é moleza, isso é luta política". E minimizou, com uma ponta de ironia, tanto o papel do PMDB na criação de dificuldades para o governo – "O PMDB é ótimo" – como a importância das críticas que tem recebido de Lula: "Podem querer, mas não faço crítica ao Lula. Não preciso. Deixa ele falar. O presidente Lula tem direito de falar o que quiser".

Condenada à sina dos desesperados, que em defesa própria lançam mão de qualquer argumento, mais uma vez Dilma apelou, na entrevista, para a imagem de heroína que tem de si mesma pelo fato de ter sido presa e torturada durante a ditadura militar. Desperdiçou mais uma oportunidade de dizer à Nação e garantir aos políticos que tem soluções viáveis para as crises (política, econômica e moral) em que meteu o Brasil. Ao contrário, fez um fútil exercício de vontade: não cai porque não quer cair. E todo mundo que se conforme com isso. Quanto à crise econômica em que seu governo mergulhou o País, Dilma não caiu no ridículo de negar sua existência, mas esbanjou otimismo: "É difícil prever (quando vai começar a recuperação). (...) A mais otimista é que nós já saímos (da crise) no fim do ano". Resta saber se até lá ela não terá saído do Palácio do Planalto.

Marisa Monte e Paulinho da Viola - Dança da solidão

Ascenso Ferreira - Trem de Alagoas

O sino bate,
o condutor apita o apito,
Solta o trem de ferro um grito,
põe-se logo a caminhar…

— Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
com vontade de chegar...

Mergulham mocambos,
nos mangues molhados,
moleques, mulatos,
vêm vê-lo passar.

— Adeus!
— Adeus!

Mangueiras, coqueiros,
cajueiros em flor,
cajueiros com frutos
já bons de chupar...

— Adeus morena do cabelo cacheado!

Mangabas maduras,
mamões amarelos,
mamões amarelos,
que amostram molengos
as mamas macias
pra a gente mamar

— Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
com vontade de chegar...

Na boca da mata
há furnas incríveis
que em coisas terríveis
nos fazem pensar:

— Ali dorme o Pai-da-Mata!
— Ali é a casa das caiporas!

— Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
com vontade de chegar...

Meu Deus! Já deixamos
a praia tão longe…
No entanto avistamos
bem perto outro mar...

Danou-se! Se move,
se arqueia, faz onda...
Que nada! É um partido
já bom de cortar...

— Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
com vontade de chegar...

Cana caiana,
cana roxa,
cana fita,
cada qual a mais bonita,
todas boas de chupar...

— Adeus morena do cabelo cacheado!

— Ali dorme o Pai-da-Mata!
— Ali é a casa das caiporas!

— Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
com vontade de chegar...

terça-feira, 7 de julho de 2015

Opinião do dia – Fernando Henrique Cardoso

“Espera-se mais das oposições. Espera-se que apresentem sua visão de futuro, apontando um rumo ao País. 

Espera-se que se comprometam com a construção de uma economia de baixo carbono, impulsionada pela inovação, regida por regras claras e estáveis, com agências regulatórias independentes, melhor e mais integrada ao mundo e às cadeias globais de valor. 

Espera-se que defendam a reindustrialização do País, sem hesitar na crítica a políticas canhestras de conteúdo nacional que, sob a pretensão enganosa de estimular a produção local, acabam por isolar o Brasil e condená-lo à obsolescência tecnológica. 

Espera-se que façam da educação não um slogan, mas de fato uma prioridade do Estado e da sociedade; que tenham a coragem de dizer que, embora avançando, o Brasil está ficando para trás em relação a países comparáveis ao nosso; que diante da sombra que esse quadro projeta sobre o futuro do País não receiem enfrentar dogmas e pressões corporativas que dificultam reformas e inovações indispensáveis a um salto de qualidade em matéria de educação.

Da mesma maneira, espera-se que reiterem não ter o propósito antidemocrático de derrubar governos, mas tampouco o temor de cumprir seus deveres constitucionais, se os fatos e a lei assim o impuserem.”

-------------------
Fernando Henrique Cardoso é sociólogo e foi presidente da República. A responsabilidade das oposições. O Estado de S. Paulo, domingo, 5 de julho de 2015.

Dilma diz que defenderá gestão 'com unhas e dentes'


  • Dilma acusa oposição de ‘golpe’ e diz que defenderá mandato ‘com unhas e dentes’

Vera Rosa e Tânia Monteiro - O Estado de S. Paulo

• Um dia após tucanos sugerirem que petista não completará 2º governo, presidente orienta aliados a rebaterem opositores; vice afirma desconhecer setores do PMDB favoráveis a impeachment, medida que considera ‘impensável para o momento’

BRASÍLIA -A presidente Dilma Rousseff classificou onesta segunda-feira, 6, como “golpista” a pregação por sua saída do governo e disse que defenderá “com unhas e dentes” o mandato para o qual foi eleita. Um dia depois da convenção do PSDB, na qual tucanos apostaram em novas eleições antes de 2018, Dilma orientou ministros, presidentes de partidos, deputados e senadores da base aliada a afastarem com vigor a articulação de adversários pelo seu impedimento, carimbando a iniciativa como “golpe”.

“As pessoas que estão fazendo delação premiada vão ter de provar o que estão falando”, disse Dilma, em conversa reservada. “Vou defender o meu mandato com unhas e dentes. Nada ficará sem resposta.”

Ao citar a delação premiada, a presidente fez uma referência a depoimentos de empreiteiros que, presos pela Operação Lava Jato, disseram ter dado dinheiro desviado da Petrobrás para o PT e para as campanhas de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Indignada com o movimento que começou a ganhar corpo com o agravamento da crise política e foi reforçado na convenção que reconduziu o senador Aécio Neves (MG) ao comando do PSDB, Dilma chamou uma reunião de emergência no Palácio da Alvorada, à noite, com o Conselho Político do governo, formado por presidentes e líderes de partidos da base na Câmara e no Senado. Não foi só: convocou os ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) para explicar a todos, “ponto por ponto”, a defesa do governo aos questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a manobra orçamentária conhecida como “pedalada fiscal”.

‘Impensável’. No Alvorada, Dilma pediu aos aliados que a ajudem a desmontar “factoides” para permitir que o País retome a rota do crescimento. Ao admitir sua preocupação com a queda dos postos de trabalho, ela também detalhou o Programa de Proteção ao Emprego, lançado ontem por medida provisória.

Ficou decidido ali que os partidos integrantes da coalizão divulgarão hoje nota de apoio ao governo, condenando o que chamam de iniciativas “golpistas”. A ideia é mostrar que Dilma não está sozinha.
“Todos nós achamos que (o impeachment) é algo impensável para o momento atual”, afirmou o vice-presidente Michel Temer, que comanda o PMDB e é articulador político do Palácio do Planalto. “Eu vejo essa pregação com muita preocupação. Não podemos ter, a esta altura, no momento em que o País tem grande repercussão internacional, uma tese dessa natureza patrocinada por diversos setores.”

Além do PSDB de Aécio, uma ala do PMDB flerta com a oposição e também prega o afastamento de Dilma, sob o argumento de que ela não tem mais condições políticas para governar. Essa ala torce para que o TCU rejeite as contas do governo em razão das “pedaladas fiscais”. Nesse caso, mesmo que o desfecho no Congresso seja a aprovação do impeachment, Temer assumiria o governo.

Na convenção do PSDB, porém, tucanos evitaram falar em impeachment. O partido aposta que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acatará o seu pedido, considerando que houve abuso do poder econômico e político nas eleições. Com isso, a chapa Dilma-Temer perderia o mandato.

Temer disse desconhecer que setores do PMDB estejam namorando o PSDB para um possível apoio ao governo caso Dilma seja obrigada a se afastar. “A presidente está tranquila. Podemos ter uma crise política e dificuldades econômicas, mas o que não se quer é uma crise institucional”, afirmou o vice.

Na tentativa de derrotar os argumentos da oposição, os ministros Nelson Barbosa e Luís Inácio Adams também farão uma peregrinação pelo Congresso. “Todas as operações que foram feitas estão de acordo com a lei e já foram objeto até de aprovação pelo TCU em exercícios anteriores”, disse Barbosa.

Dilma viajará hoje para a Rússia, onde vai participar da Cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), e depois irá à Itália. Diante das notícias cada vez piores que atingem o seu governo, com a popularidade desmoronando dia a dia, ela ordenou uma reação urgente.

Nesta tarde, os senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Aloysio Nunes (PSDB-SP) bateram boca no plenário. Após a petista acusar o PSDB de planejar um “golpe” para tirar Dilma do poder, o tucano se irritou. “Estou aqui fervendo, ouvindo essas barbaridades”, disse Aloysio. “Não admito ser chamado de golpista.” / Colaboraram Rafael Moraes Moura, Ricardo Della Coletta, Carla Araújo e Isadora Peron

Não há ‘golpismo’, afirma ex-presidente do Supremo

• Carlos Ayres Britto diz que, caso as instituições investigativas atuem no marco da Constituição, investigações contra Dilma não são golpe

Mateus Coutinho – O Estado de S. Paulo

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral Carlos Ayres Britto afirmou nesta segunda-feira, 6, não ver “perigo de golpe” contra a presidente Dilma Rousseff, caso as instituições de investigação atuem “nos marcos da Constituição”.

“Eu não vejo perigo de golpe se as instituições controladoras do poder, o Ministério Público, a própria cidadania, considerada como instituição extra pública estatal de investigação, os tribunais de contas, se todas atuarem nos limites, nos marcos da Constituição não há que se falar de golpe”, disse.

Em resposta a movimentos de opositores e de setores da sociedade que defendem a saída da presidente antes do fim do mandato, Dilma e aliados do governo voltaram a rechaçar a ofensiva e definiram-na como “golpismo”. “Ninguém está blindado contra a investigação”, afirmou Britto.

No começo da entrevista, ele também aproveitou para ironizar a presidente e disse que saúda a delação premiada “mais do que a mandioca” em referência ao discurso de Dilma na cerimônia dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas no mês passado em que ela, em tom descontraído, saudou a mandioca.

Ao ser questionado sobre a situação atual da presidente – que é alvo de um processo no TSE movido pelo PSDB contra sua campanha no ano passado e também corre o risco de ter as contas de 2014 rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) – Ayres Britto reconheceu o cenário difícil vivido por Dilma. “Pelo andar da carruagem, a situação não está boa em nenhuma das duas instâncias.”

O ex-ministro, contudo, evitou se manifestar pela condenação ou pela inocência de presidente em ambos os casos. “Não quero avançar em um juízo técnico de antecipação de resultado”, comentou.
Mensalão. Durante a entrevista, Ayres Britto, que presidiu o Supremo no começo do julgamento do mensalão, relembrou o caso e disse que “o grande legado” do julgamento da ação penal 470 foi mostrar que a lei vale para todos.

Ao ser questionado sobre o impacto para os magistrados de julgar casos com grande repercussão popular, Ayres Britto disse que a opinião pública “incentiva o julgador”. “Nesses momentos, de expectativa social mais aguda, evidente que o juiz é humano, ele sabe que os olhos mais acesos da própria Nação estão focados sobre ele. Ele se toma naturalmente de um empenho maior.”

Cassar exige provas, diz ministro do TSE

Beatriz Bulla, Luciana Nunes Leal - O Estado de S. Paulo

RIO, BRASÍLIA - Depoimentos ligando a campanha da presidente Dilma Rousseff de 2014 ao esquema de corrupção na Petrobrás, por si só, podem não ser determinantes para cassar o mandato da petista, avaliam ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dois ministros da corte ouvidos reservadamente pelo Estado consideram que falas de delatores da Operação Lava Jato podem ajudar as investigações eleitorais, mas são exigidas outras formas de prova para ligar a presidente ao escândalo.

Para integrantes do tribunal, os depoimentos de delatores devem ser confrontados com provas documentais e falas de outras testemunhas para checar a veracidade das revelações. É preciso ter uma conjunção de provas - e não um só depoimento para caracterizar o abuso de poder político e econômico e captação de recursos de forma ilícita na campanha de 2014.

O doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa foram ouvidos em junho em uma das ações que investiga a campanha da presidente e do vice-presidente Michel Temer (PMDB) de 2014. A maior expectativa recai, contudo, nas revelações que podem ser feitas pelo empreiteiro Ricardo Pessoa em depoimento marcado para o próximo dia 14.

Relator. A solicitação para ouvir os delatores foi autorizada pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, João Otávio de Noronha, relator da ação no TSE. Em seminário no Rio de Janeiro há dez dias, Noronha afirmou que "o momento muito delicado" da política gera tensão, mas defendeu que a destituição de um presidente da República só se justifica com "provas robustas".

"Cabe à Justiça Eleitoral verificar o que contaminou a vontade popular e ao mesmo tempo assegurar estabilidade. O voto popular é voto soberano", disse o ministro no evento organizado pelas Escolas Judiciárias Eleitorais do TSE e do Tribunal Regional Eleitoral do Rio. "Só nos cabe intervir quando a manifestação de vontade do eleitor é viciada. Se a manifestação se dá de forma viciada, é possível anulação da eleição, cassação. Mas não pode ser feito a qualquer pretexto", completou Noronha, que fez críticas às gestões do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma.

O Estado procurou ontem o ministro e relator, mas não conseguiu contato até a conclusão desta edição. Mineiro, Noronha é ministro do TSE desde 2013 e faz parte do corpo do Superior Tribunal de Justiça (STJ) desde o fim de 2002, indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

A expectativa entre integrantes da corte e advogados é de que o ministro leve o caso para julgamento no plenário antes de encerrar seu mandato à frente da corregedoria, em outubro. Apontado como chefe do "clube das empreiteiras", Pessoa foi convocado por Noronha e deverá esclarecer se a campanha à reeleição de Dilma foi beneficiada pelo esquema de corrupção da Petrobrás.

Em delação premiada, o dono da UTC citou o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, que foi tesoureiro da campanha da petista em 2014, ao detalhar repasses de R$ 7,5 milhões para ajudara reeleger a presidente. A avaliação de integrantes do tribunal é de que, após o depoimento de Pessoa, o TSE pode solicitar novas diligências para checar a veracidade das eventuais afirmações.-

PMDB tenta evitar queda de Temer

Ricardo Brito – O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O PMDB se articula para barrar qualquer iniciativa que tire o vice Michel Temer do Planalto, em caso de afastamento da presidente Dilma Rousseff. Em reuniões privadas desde a semana passada, peemedebistas decidiram traçar um plano de reação a eventuais tentativas da oposição, principal-mente do grupo ligado ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), de cassar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tanto a petista quanto o peemedebista.

A avaliação dentro do PMDB é de que qualquer solução para a crise - seja política, seja judicial - tenha de passar pelo comando de Temer. Se Dilma continuar no cargo, dizem, o vice terá de ganhar maior poder na articulação política. Se a presidente for destituída, caberia, ao peemedebista concluir o mandato até 2018.

Para barrar a ofensiva do PSDB no TSE, que poderia apear Dilma e Temer dos cargos, o PMDB começou a defender internamente uma controversa tese de que, se houve irregularidades na campanha de outubro, elas estariam circunscritas à presidente. O argumento é de que Temer, vice da chapa, não se imiscuiu no caixa de campanha da petista.

A contabilidade do vice, alegam, foi feita em separado à da presidente. Contudo, o entendimento consolidado pelo TSE - quando julgou casos de prefeitos e governadores - é de que a cassação em casos de financiamento ilegal de campanha abrange a chapa como um todo. "A jurisprudência maciça é que você tem uma chapa una e indivisível", disse o advogado João Fernando Lopes de Carvalho, especialista há 30 anos em Direito Eleitoral.

O líder tucano no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), criticou a articulação de peemedebistas de tentar eventualmente salvar Temer de uma cassação no TSE. "O PMDB, mais uma vez, abandona a presidente quando começa a advogar a tese de que a chapa não contamina", afirmou.

No PSDB, a solução de cassar a chapa e ter novas eleições no curto prazo é vista como de interesse de Aécio, candidato com melhor recall em função de ter disputado o 2.° turno contra Dilma e ter obtido 51 milhões de votos.

Essa saída não interessaria a dois potenciais candidatos do PSDB à Presidência, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador José Serra (PSDB-SP).

Crise Política - Dilma articula reação com aliados

• Presidente reúne ministros e partidos da base para discutir defesa do governo, além de receber Cunha

A reação de Dilma

• Presidente se reúne com Cunha e Conselho Político após PSDB apostar que ela não conclui mandato

Luiza Damé e Isabel Braga – O Globo

BRASÍLIA - Em meio ao agravamento da crise política, insuflada nos últimos dias pelos depoimentos relacionando arrecadação irregular de recursos para sua campanha no ano passado, a presidente Dilma Rousseff fez ontem uma série de reuniões para tentar reagir. Pela manhã, Dilma encontrou-se com ministros e o vice-presidente Michel Temer. Após esse encontro, a presidente decidiu convocar às pressas uma reunião do Conselho Político, que reúne os líderes e os presidentes dos partidos da base aliada. Onze líderes da Câmara, outros onze do Senado e seis presidentes de partido compareceram ao encontro no Palácio da Alvorada, no início da noite. Depois, por volta das 21h, Dilma ainda recebeu reservadamente o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), junto com Temer.

Diante dos aliados, a presidente e os ministros Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) e Nelson Barbosa (Planejamento) explicaram a defesa do governo no caso das "pedaladas fiscais" que está em julgamento do Tribunal de Contas da União. Como o TCU é um órgão consultivo do Congresso, mesmo que a presidente seja condenada pela corte, suas contas só poderão ser aprovadas ou reprovadas pelos deputados e senadores. No encontro, Adams contestou o termo "pedaladas" e disse não ter havido irregularidades.

"Muito tranquila e segura"
Os líderes sugeriram à presidente e aos ministros que compareçam à Câmara e ao Senado para dar aos parlamentares suas explicações. Segundo os presentes, Dilma se mostrou "muito tranquila e segura" dos fundamentos jurídicos da defesa.

- A presidente demonstrou estar muito tranquila (em relação às pedaladas) e otimista em relação ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE, lançado ontem) - afirmou o líder do PDT, André Figueiredo (CE).

O presidente do PT, Rui Falcão, disse que hoje os aliados vão se reunir com Temer para elaborar uma nota de apoio a ele e Dilma.

- Vamos discutir a nossa solidariedade apresentada a ele e a ela, compromisso irrestrito de defesa da Constituição e da legalidade democrática - disse Falcão, negando que seja uma resposta à oposição: - Não é nenhuma resposta, é uma declaração dos partidos que aqui estavam.

Segundo um dos presentes, a única pessoa a tocar no tema do eventual afastamento de Dilma foi a presidente do PCdoB, Luciana Santos, que, em discurso, disse que o partido ficaria contra "essa tentativa de golpe". Dilma, no entanto, não fez qualquer comentário e mudou de assunto.

Segundo os presentes, Dilma fez um apelo para que a Câmara adie a votação do projeto que aumenta a correção do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que Eduardo Cunha pretende votar na próxima semana. Segundo o governo, a medida pode prejudicar o financiamento do programa Minha Casa Minha Vida.

Logo após o encontro da manhã, Temer disse que é preciso evitar que uma crise institucional se instale no governo. Segundo ele, Dilma está tranquila em relação ao avanço do movimento dentro do Congresso Nacional em torno da possibilidade de ela ser afastada da Presidência.

- A presidente está inteiramente tranquila. Todos nós achamos que é algo impensável para o momento atual (a saída da Presidência). Eu vejo essa pregação com muita preocupação. Nós não podemos ter a essa altura, em que o país tem grande repercussão internacional, uma tese dessa natureza sendo patrocinada por diversos setores. Levar-se adiante uma ideia de impedimento da presidente da República poderia revelar uma crise institucional, que é indesejável para o país - disse Temer.

O vice-presidente colocou panos quentes na relação com o PSDB. Anteontem, no congresso que reconduziu o senador Aécio Neves (MG) à presidência do partido, os principais caciques tucanos disseram acreditar que o mandato de Dilma possa terminar antes de 2018. Apesar disso, Temer disse que partidos como o PSDB estão no seu papel de criticar o governo, e afirmou que espera que Dilma só deixe o governo nas próximas eleições presidenciais.

- Todos nós esperamos que seja daqui a três anos e meio - afirmou Temer: - O PSDB está fazendo seu papel. Acha que terá suas razões... A oposição existe para ajudar a governar. Nós achamos que devemos evitar qualquer espécie de crise institucional.

Cunha reafirma que Temer foi sabotado
Ao chegar à Câmara, ontem à noite, Cunha (PMDB-RJ) contestou a afirmação de Temer de que não foi sabotado pelo governo em sua atuação como articulador político. Cunha disse que Temer foi sabotado "até a semana passada", e que isso resultou em derrotas para o governo na Câmara, já que o vice não conseguiu "cumprir" os compromissos que assumiu com a base para garantir a aprovação de matérias do ajuste fiscal.

Cunha afirmou que, se não houver mudança de fato, a crise será reinstalada em breve:

- Até quinta-feira, ele estava sendo sabotado. Não adianta querer pôr o Michel na articulação política e ele ficar sendo desmoralizado por sabotagem, como estava acontecendo até quinta passada. Se ele não tivesse sido sabotado, talvez o governo não tivesse perdido tanta votação como perdeu. (Colaborou Júnia Gama)

Petistas rebatem oposição e acusam PSDB de 'golpismo'

• Gleisi Hoffmann e tucano Aloysio Nunes batem boca no Senado

Luiza Damé, Isabel Braga e Cristiane Jungblut – O Globo

BRASÍLIA - Um dia após líderes do PSDB apostarem em sua convenção que a presidente Dilma Rousseff pode não completar o mandato e se dizerem "prontos" para assumir o governo, integrantes do PT foram para o ataque contra o que chamaram de "golpismo". O ministro de Direitos Humanos, Pepe Vargas, disse que o impeachment de Dilma, defendido por setores da oposição, não tem base legal nem jurídica:

- Então, quem defende uma posição dessa natureza está defendendo uma posição de golpe ao estado democrático de direito e à Constituição.

Embora dirigentes tucanos tenham evitado usar o termo impeachment, essa foi a mensagem da convenção, na interpretação de alguns petistas.

O ministro Miguel Rossetto (Secretaria-Geral) criticou a oposição por, em suas palavras, armar para tirar a presidente do poder:

- O país acabou de sair de um processo eleitoral com grande participação da sociedade, portanto o que a consciência democrática faz é rejeitar esses movimentos golpistas e ilegais que infelizmente ainda residem no nosso país.

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse que não haja motivo para impedimento e afirmou que não há ilegalidade nas contas do governo que estão sendo analisadas pelo Tribunal de Contas da União.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que o PSDB presta um desserviço ao defender "atalhos autoritários":

- Ficar apregoando o caos não é nada responsável para quem quer um dia governar o Brasil. Essa história de discutir impeachment é coisa de uma direita truculenta.

Guimarães disse que ficou espantado ao ver na convenção do PSDB o ex-presidente Fernando Henrique dizer que "o PT quebrou o Brasil":

- Eles quebraram o Brasil! Dizer que o PT quebrou o Brasil parece uma piada dessa gente que governou durante oito anos, comprou reeleição conforme a imprensa divulgou.

No Senado, Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) bateram boca em plenário. Gleisi acusou o PSDB de pregar o golpe na convenção, ao defender o impeachment. Aloysio disse que estava "fervendo e indignado" com a acusação.

- Só posso chamar isso de golpe, não há outra forma de avaliar. Desculpe se ofende o PSDB. Mas o que ouvi na convenção do PSDB foi isso - disse Gleisi.

- Estou impaciente, fervendo! A senhora está abusando no direito de nos atacar! Eu me senti insultado por Vossa Excelência quando fui chamado de golpista. Não tenho, na minha vida política passada e atual, porque ser acoimado de inimigo da democracia ou das instituições - rebateu Aloysio.

- Não o chamei de golpista. Falei que o PSDB, que a oposição estava sim com atitudes golpistas. Vossa Excelência vestiu a carapuça! - retrucou Gleisi, irônica.

A senadora disse que ficou "muito assustada" com o tom da convenção do PSDB.

- O golpe não é legítimo! Um partido não pode se prestar a esse papel: querer que o Tribunal Superior Eleitoral casse a presidente por conta disso ou querer preparar, no TCU uma situação de não aprovação de suas contas de governo, para levá-la a um impeachment. Dispute-se a eleição, ganhe-se na eleição. Faça-se isso, mas não o golpe - disse Gleisi.

"Não há golpe coisa alguma"
Depois, Aloysio disse que não quer ver o fim do governo Dilma, mas admitiu que o PSDB está preparado se ela for afastada do poder.

- Não há golpe coisa alguma. A tese de que a oposição busca um golpe é simplesmente é uma fantasia, uma forma escapista dos governistas de não enfrentarem os problemas. Não desejo o fim do governo da presidente. Quero ganhar no voto, em 2018. Mas, se acontecer algo antes, se a Justiça trabalhar, cumprir o seu papel e decidir no sentido de interromper o mandato, estaremos em condições de fazer uma transição tranquila do governo.

Ao lado de Aloysio, o senador Telmário Mota disse (PDT-RR):

- O golpe foi dado pelo PT.

Para bancada petista, governo precisa reagir e enquadrar a PF

• Deputados cobram reação às declarações de diretor sobre Lava-Jato

Fernanda Krakovics – O Globo

BRASÍLIA - Diante da baixa popularidade do governo, das acusações de corrupção na Operação Lava-Jato e dos prognósticos da oposição e de partidos da própria base aliada de que a presidente Dilma Rousseff não concluirá seu mandato, a bancada do PT na Câmara tem criticado reservadamente a falta de reação do Planalto.

"Nossa bancada é uma voz clamando no deserto às vésperas da crucificação. Não estou preparada para ver esse cortejo", escreveu ontem a deputada Benedita da Silva (RJ), no grupo de WhatsApp da bancada, segundo deputados petistas.

O deputado Afonso Florence (BA) defendeu, no mesmo espaço, segundo relatos, a necessidade de o governo criar um gabinete de crise. Para a deputada Maria do Rosário (RS), a crise é "gravíssima", ainda segundo os integrantes do grupo.

Cardozo é cobrado
Já o deputado Zé Carlos (MA) escreveu, segundo petistas, que o PT e o governo não podem continuar na defensiva, porque "quem abaixa demais o fundo aparece".

A gota d"água foi a entrevista do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, publicada anteontem em "O Estado de S. Paulo". Na entrevista, Daiello afirmou que as investigações da Lava-Jato não vão parar nem se chegarem perto de Dilma, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de suas campanhas. Disse ainda que as investigações continuarão "com o ministro José Eduardo Cardozo na Justiça ou não, com o Daiello na PF ou não".

Lula e seu grupo no PT têm atacado Cardozo em conversas reservadas. Eles reclamam que o ministro "não controla" a Polícia Federal e de supostos excessos na Lava-Jato, além de vazamentos "seletivos".

A primeira mensagem com esse tom, no grupo de WhatsApp, foi postada pelo deputado Assis Carvalho (PI) anteontem, segundo colegas de bancada. Ele cobrou providências do Ministério da Justiça e do governo porque, segundo ele, o diretor da PF "extrapolou".

Crítica à ação da PF
O deputado Leo de Brito (AC) foi na mesma linha, segundo integrantes do grupo: "Não tenho nada contra o ministro (da Justiça), mas o que está acontecendo com a Polícia Federal é inadmissível. A Polícia Federal virou instrumento político".

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) confirmou que a entrevista de Daiello não repercutiu bem na bancada:

- Eu não gostei. Esse diretor da Polícia Federal acha que ali é um quarto poder, que não tem que se submeter a quem foi eleito, a quem tem voto. Até os ministros do Supremo (Tribuna Federal) são indicados pela presidente da República e referendados pelo Senado.

Assis Carvalho recomendou, na troca de mensagens, que o líder do PT, Sibá Machado (AC), e o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (CE), procurem Lula para conversar.

O deputado Paulo Pimenta (RS) ponderou, segundo petistas, que a bancada perdeu essa oportunidade na semana passada, ao se reunir com o ex-presidente.

Para Temer, debate sobre impeachment é prejudicial ao país

Temer diz que impeachment agora é 'impensável' e critica Aécio

• Para vice, "essa pregação" não é boa para o país e PSDB só terá chance de chegar ao poder em 2018

• Tucano rebate e diz que sucessão será em 2018 se "o governo conseguir chegar até lá, o que depende dos tribunais"

Mariana Hubert, Mariana Dias, Flávia Foreque e Daniela Lima – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, SÃO PAULO - Personagem central dos debates sobre possíveis desfechos para a crise que atinge o governo Dilma Rousseff, o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), disse que o impeachment da petista é algo "impensável para o momento atual". Ele garantiu que a presidente está "tranquila em relação a isso".

"Vejo essa pregação com preocupação porque não podemos ter, a esta altura, em que o país tem uma grande repercussão internacional, uma tese dessa natureza sendo patrocinada por vários setores. Temos que ter tranquilidade institucional", disse.

As declarações foram dadas nesta segunda-feira (6), um dia depois de os principais líderes do PSDB afirmarem, durante convenção da sigla, que a gestão Dilma caminha para um fim precoce.

Em sua resposta, parte de uma contraonfensiva organizada pelo governo, Temer rebateu discurso do senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB. O tucano disse que seu partido terá "coragem para fazer o que tem que ser feito" e que deve se preparar porque, "em breve", deixará de ser oposição para "ser governo".

"Esperamos que ele esteja falando de daqui a três anos e meio", disse Temer. Ele não quis classificar a fala de Aécio como irresponsável, "mas é preciso mostrar que isso não é bom para o país".

Procurado pela Folha, o tucano retrucou. "Sou amigo do Temer, mas me permito dizer que o que não ajuda o país é a forma como a presidente vem o conduzindo nos últimos anos. E acredito que a esmagadora maioria dos brasileiros concordará comigo."

"Quanto ao momento da sucessão, será sim em 2018, se o governo conseguir chegar até lá. O que não depende das oposições, mas dos tribunais", concluiu Aécio.

Teorias
A fala do tucano é uma referência direta ao debate que existe hoje nos bastidores de diversos partidos, entre eles o PSDB e o PMDB de Temer, sobre qual seria o detonador de um afastamento de Dilma.

Hoje, o PSDB se divide em duas linhas. A primeira, majoritária na sigla, acredita que a saída menos traumática seria o afastamento da presidente com base em uma condenação do TCU (Tribunal de Contas da União) por conta das chamadas pedaladas fiscais. Nessa tese, Temer assumiria o governo e o PSDB ajudaria o novo presidente a atravessar a crise até 2018.

Uma segunda corrente, liderada por aliados de Aécio, vê em uma possível condenação da petista no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o único caminho para a superação plena da crise. Nesse caso, tanto Dilma como Temer seriam afastados e haveria nova eleição. Aécio largaria na frente na disputa e poderia assumir o Planalto legitimado pelo voto popular.

Após a convenção do PSDB, os tucanos fizeram pequenas reuniões para debater o impacto do evento no ambiente político. Celebraram o fato de que o governo "comprou a tese" do afastamento, levando o debate sobre o impeachment para dentro do Planalto, mas reafirmaram que a sigla precisará de cautela para não ganhar a pecha de "golpista". 

"Eu não vou cair", afirma Dilma

Dilma afirma que não vai cair e desafia adversários, diz jornal

Valor Econômico

SÃO PAULO - Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, a presidente Dilma Rousseff afirmou que não vai perder o mandato e desafiou seus adversários políticos a tirá-la do posto. “Eu não vou cair, eu não vou, eu não vou. Meu recado é claro. Isso aí é luta política”, disse durante a entrevista no Palácio do Planalto.

Apesar de enfrentar um cerco político e a possibilidade de ter de enfrentar processos sobre as chamadas pedaladas fiscais e irregularidades na sua campanha à reeleição, Dilma disse não ter medo.

“Não tem base para eu cair, e venha tentar. Se tem uma coisa que eu não tenho medo é disso”, afirmou.

A presidente disse ainda que setores de oposição são “um tanto golpistas”, mas afirmou que não a “atemorizam”.

Na segunda-feira, Dilma convocou uma reunião para controlar os desdobramentos de uma possível rejeição das contas do governo pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por conta das chamadas pedaladas fiscais.

Junto de seus principais assessores, a presidente montou uma operação de "defesa prévia" para as pedaladas e pediu que os parlamentares da base aliada a defendam no Congresso.

Aos assessores, afirmou que a tentativa dos oposicionistas de empurrá-la para o impeachment é “golpista” e prometeu defender seu mandato “com unhas e dentes”.

Dilma lança ofensiva contra tentativa de afastá-la do cargo

Andrea Jubé e Rosângela Bittar – Valor Econômico

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff montou ontem uma ofensiva de guerra para conter a escalada dos rumores de que o PMDB se alinharia à oposição num movimento para afastá-la do cargo. Após reunião da coordenação política, o vice-presidente Michel Temer, dois ministros e um líder governista classificaram o ato de "impensável" e exaltaram a democracia. Dilma também convocou às pressas o conselho político, incluiu de última hora na agenda o lançamento do Plano de Proteção ao Emprego e concedeu entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo", numa tentativa de sair do isolamento. À noite, após a última reunião com o Conselho, ainda reteve no Alvorada o vice-presidente e os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, para que ouvissem exposição do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, e do ministro Nelson Barbosa sobre a legalidade das pedaladas fiscais.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será procurado hoje por emissários de Dilma Rousseff para juntar-se à operação de resgate do governo e da imagem da presidente de forma mais efetiva e combinada, embora ontem ele já tenha iniciado uma campanha de divulgação dos números da economia dos governos petistas para confrontar as críticas da oposição.

Lula e o PT devem assumir a linha de frente de defesa do governo a partir de agora, seguidos dos demais partidos da base, seus líderes, ministros e governadores. Farão, porém, uma ação mais objetiva, que vá além das acusações à oposição de tentativa de golpe de Estado, como se deu no início da reação. As principais lideranças do PMDB estão sendo procuradas desde o fim de semana, também para retomar o eixo da aliança e reassumir seu papel. Enquanto o vice-presidente Michel Temer voltava a falar ontem explicitamente contra o impeachment, lideranças do seu partido ainda insistiam que essa era a melhor solução, mas espera-se um acerto do passo a partir de hoje.

De certa forma o tom radical do discurso do PSDB, na convenção do fim de semana, ajudou a presidente a retomar o controle da situação e reunir as forças governistas em torno de si. Foi um fato decisivo também para mostrar a Lula que suas críticas ao governo e ao PT, além de a ele próprio, abriram a avenida da contestação pela qual entrou a oposição e podem entrar os movimentos populares contra o governo.

Pelo lado do PT, os ministros Jaques Wagner e Aloizio Mercadante, acusados o primeiro de esconder-se dos problemas, o segundo de provocá-los, se reajustaram à estratégia do governo e passarão a tentar atuar a favor da reaglutinação dos partidos aliados.

Também ontem o marqueteiro João Santana desembarcou em Brasília. Ele retornou à capital federal em meio ao acirramento da crise e uma semana após reunião com Lula e o presidente do PT, Rui Falcão. Santana sustenta que seu compromisso, no momento, é com o programa partidário do PT. Mas ele se tornou amigo da presidente e tem sido ouvido como conselheiro informal.

No Twitter, Falcão, disse que a oposição é "golpista" e quer "ganhar no tapetão". "Perderam no voto e agora querem ganhar no tapetão. Fora golpistas! Democracia neles!", escreveu Falcão.
Em meio à turbulência, Dilma viaja hoje para a Rússia, onde participa da cúpula dos Brics, de onde segue para a Itália. No fim da semana, visita a ExpoMilão. O cancelamento dessa viagem jamais foi cogitado, segundo assessor de Dilma, mas sua confirmação, ontem, levou alívio ao PT: se a presidente vai à Rússia é porque o impasse imediato foi superado, argumentam.

Se não retornar a tempo, enviará Michel Temer para representá-la na missa do Papa Francisco no sábado em Assunção, no Paraguai. Nessa hipótese, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), assumiria a Presidência da República.

Cunha tem sido apontado, em conversas reservadas, como um dos adversários mais ferrenhos do governo. Por isso, essa hipótese, se confirmada, seria um afago num momento em que auxiliares da presidente defendem mais diálogo com Cunha e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) para reduzir a temperatura política. "Eu sempre dialogo, independente de apoio ou não do governo, mas não deixarei de expor minha opinião e nem de votar as pautas da sociedade", reagiu Cunha em conversa com o Valor.

Um interlocutor da presidente admite que o cerco está se fechando. "Todos estão contra ela", resumiu. "O Tribunal de Contas da União (TCU), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Câmara dos Deputados, o Senado, e até o PMDB", enumerou.

No Planalto, é real o temor de que o TCU rejeite as contas relativas ao ano passado devido às "pedaladas fiscais", o que remonta o caso ao Congresso, que é controlado pelo PMDB. Os pemedebistas estão insatisfeitos e acusam o governo e o PT de descumprirem acordos firmados com Temer. Em outra frente, assessores palacianos igualmente temem os desdobramentos do processo em tramitação no TSE, em que o PSDB pede a cassação da chapa encabeçada por Dilma e Temer por irregularidade nas contas de campanha.

A crise política agravou-se após a veiculação de notícias de que lideranças do PMDB teriam procurado o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para sondá-lo sobre eventual apoio do PSDB a Michel Temer na hipótese de impedimento da presidente. A afirmação dos tucanos de que estão "prontos" para voltar ao governo foi interpretada no PT como um aviso de golpe em marcha.

Duas teses eram ventiladas ontem no Planalto. Uma de que o PSDB só subiu o tom porque teria respaldo de lideranças do Congresso. Nesse caso, dilmistas defendem mais diálogo, liberação de emendas e cumprimento de acordos relativos a cargos. Outra tese é de que há uma disputa de forças internas no PMDB, e que é mais vantajoso aos oposicionistas manter Dilma "sangrando" no cargo. No PT, a avaliação é de que o golpe que preveem só prospera se PMDB e PSDB unirem-se internamente e chegarem ao consenso, um cenário remoto por enquanto. Michel Temer disse em entrevista coletiva que o impedimento de Dilma é "impensável". (Colaborou Cristiane Agostine, de São Paulo)

Tese de impeachment ganha adesões dentro do PMDB

Raquel Ulhôa – Valor Econômico

BRASÍLIA - A possibilidade de a presidente Dilma Rousseff ser afastada do cargo por um processo de impeachment e a consequente posse do vice-presidente, Michel Temer, para cumprir o restante do mandato, ganha cada vez mais defensores na cúpula do PMDB, convencida da falta de condições da presidente de permanecer no cargo, mas ainda dividida quanto à solução.

Dirigentes pemedebistas favoráveis ao impeachment como melhor solução para o país já desenham os desdobramentos de eventual afastamento de Dilma: Temer assumiria, faria um governo de união com os partidos que quisessem, montaria um gabinete de "alto nível", cortaria custos da máquina pública e realizaria reformas e ajustes necessários para fazer o país voltar a crescer e retomar estabilidade política. Temer não disputaria a reeleição em 2018.

Dirigentes do partido dizem que o vice, presidente nacional do PMDB, atua para garantir a estabilidade do governo e evitar desgastes à presidente. Mas os demais dirigentes conversam abertamente sobre o isolamento político de Dilma e a previsão de agravamento da economia em setembro e outubro, com demissões em vários setores da economia, após a aprovação do projeto que acaba com as desonerações da folha de pagamentos.

A previsão é que o setor produtivo, ainda dividido, conclua pela necessidade de afastamento de Dilma, aumentando a pressão da opinião pública sobre o Congresso. Para criar as condições para o impeachment, citam o risco de crise sistêmica e as chamadas "pedaladas fiscais" (manobras contábeis envolvendo uso de recursos de bancos federais para maquiar o Orçamento da União).

Os pemedebistas que preferem o caminho do impeachment avaliam que seria a solução menos traumática para o país. Consideram que as outras opções provocariam danos piores. Se Dilma cumprir o mandato até o fim, ficará "sangrando, politicamente ilhada e sem poder para tirar o país da crise econômica", segundo um dirigente do PMDB. A alternativa da cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que significaria também o afastamento de Temer da Vice-Presidência e a realização de novas eleições, levaria a um acirramento da guerra entre PSDB e PT e da divisão do país.

A avaliação é que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, teriam uma "disputa sangrenta". Os pemedebistas estão convencidos que Lula seria candidato e teria o PT a seu lado, levando sindicatos, militantes do MST e do PT às ruas. A cassação do mandato pela Justiça Eleitoral começou a ser defendida no PSDB, por aliados de Aécio, como melhor solução para o afastamento de Dilma. O argumento dos tucanos é que somente uma nova eleição daria legitimidade ao futuro presidente.

Políticos da cúpula do PMDB com experiência no Congresso dizem que a última vez em que o afastamento de um presidente foi comentado tão abertamente como agora foi no governo de Fernando Collor, que acabou sofrendo impeachment. Acreditam que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), a quem cabe aceitar ou não aber- tura do processo, será convencido pela pressão da opinião pública.

No dia seguinte à convenção nacional do PSDB que reelegeu Aécio presidente do partido, sob duros discursos contra o governo, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) acusou a oposição de "golpe" e de querer "ganhar no tapetão" por defender o afastamento da presidente. Provocou forte reação do tucano Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

"O golpe não é legítimo! Dizer que tem de afastar uma presidente da República sem mostrar o motivo. Querer ganhar no tapetão uma oportunidade para governar o Brasil. Vamos esperar 2018, vamos disputar a eleição. Um partido não pode se prestar a esse papel: querer que o Tribunal Superior Eleitoral casse a presidente por conta disso ou querer preparar, no Tribunal de Contas da União, uma situação de não aprovação de suas contas de governo, para levá-la a um impeachment", disse Gleisi.

"Estou impaciente, fervendo! A senhora está abusando no direito de nos atacar", afirmou Nunes Ferreira, demonstrando irritação. "Não lhe chamei de golpista, mas, se vossa excelência vestiu a carapuça...", respondeu a petista. Segundo ela, há dificuldades e problemas no país, mas não se pode achar "que só há erros, que o Brasil está quebrado, é um país sem rumo e desgovernado".

O senador tucano disse que falar em afastamento de Dilma não é golpe. "A tese de que a oposição busca um golpe é simplesmente é uma fantasia. Quero ganhar no voto, em 2018. Mas, se acontecer algo antes, se a Justiça decidir no sentido de interromper o mandato, estaremos em condições de fazer uma transição tranquila e tomar as rédeas do governo."