Folha de S. Paulo
União entre legendas pode tornar viável uma
liderança realmente conservadora; Bolsonaro e Moro são apenas as expressões do
caos
Conversas em curso para a formação
de federações partidárias podem trazer à luz, quem sabe, o que até
agora não há: o candidato conservador viável. Será o nome da segunda via! O da
primeira, como resta evidente, é Lula, do PT. Pertencem à "terceira
via", neste meu raciocínio, Jair Bolsonaro e Sergio Moro. Vamos ver.
Não era simpático à ideia das federações
porque garantem a sobrevivência de legendas que só subsistem em razão do fundo
partidário. Ainda que uma ou outra possam defender causas meritórias, deveriam
ser correntes de opinião em partidos maiores. Nas democracias estáveis, as
disputas são, em sua essência ideológica, dualistas. Uma terceira força só se
robustece em caso de erros de operação da tendência que hegemoniza, para ser
genérico, o progressismo e o conservadorismo.
O STF começou a julgar ontem um recurso do PTB contra a formação das federações, que impõem que a união entre siglas dure ao menos quatro anos e reproduza nos Estados o acerto que se fizer em escala nacional. Não vejo por que o tribunal deva se meter na questão. A lei não impõe a formação dos blocos; apenas oferece essa alternativa.