O Globo
Ministério da Saúde tomou para si o encargo
de propagar picaretagens etimológicas, a título de luta antirracista
Já deveria estar no calendário de eventos da
Embratur: em fevereiro (ou março) tem carnaval;
em abril, a Alvorada de São Jorge, em Quintino; em junho, o Festival Folclórico
de Parintins e o São-João de Campina Grande; em outubro, a Oktoberfest e, em
novembro, o Festival de Falsas Etimologias.
Normalmente bancado com verbas públicas, o
Fefaetiapá® (Festival de Falsas Etimologias que Assola o País) celebra a
disseminação e consolidação das FNBs (Fake News do Bem), um tipo de
desinformação inclusiva, empática, que goza de imunidade. Não está na mira
do STF,
não precisa ser removida das redes sociais e recebe o selo de garantia de
ministérios públicos, universidades federais, tribunais de Justiça.
Neste ano, foi o Ministério da
Saúde. Talvez por não precisar se preocupar com gerenciamento de
vacinas, epidemia de dengue, doenças dizimando ianomâmis, falta de medicamentos
contra o câncer de mama ou aumento dos casos de aids, o MS tomou para si o
encargo de propagar picaretagens etimológicas, a título de luta antirracista. É
que deve ser muito mais fácil proteger o cidadão de termos como “inhaca” do que
contra o bacilo de Koch (65,2% dos casos de tuberculose no Brasil foram
registrados na população negra, mas isso não deve ter nada a ver com
desigualdade, racismo estrutural etc.).